Mostro uma história em que a Mônica tenta ajudar o roteirista a ter inspiração para criar uma história sobre extraterrestres. Com 13 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 193' (Ed. Abril, 1986).
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Capa de 'Mônica Nº 193' (Ed. Abril, 1986) |
Mônica encontra a Magali, pergunta se vão brincar de casinha e Magali responde que não pode porque está atrasada e Mônica ainda pergunta atrasada por quê, se vai abrir uma nova lanchonete no bairro. Depois, Mônica vê o Cebolinha, que também diz que está atrasado e Mônica comenta que deve está mesmo, que até falou certo.
Em seguida, Mônica vê Cascão, Titi e Jeremias, pergunta se estão atrasados, eles confirmam e ela repara que todos estão estranhos, aí vê a si mesma dizendo que está atrasada, comenta que até ela está estranha e logo cai em si que aquela não é ela, ela que é ela, que a outra é uma impostora e acha que é um plano do Cebolinha, quando veem todos entrando em uma nave espacial e fica sem entender nada.
Aparece o Robson Lacerda, o roteirista da história, dizendo que ele é quem está entendendo nada, bolou uma história genial, já a tinha toda na cabeça e ele perdeu a inspiração. Era uma história de seres extraterrestres que queriam conquistar a Terra, faziam duplicatas das personagens e depois raptavam os terráqueos um a um, só que foi tomar café e perdeu o fio da meada e que tem que fazer alguma coisa senão a sua produção de hoje vai ser um zero à esquerda.
Mônica dá uma sugestão de continuação da história, ela entra na nave, os extraterrestres contam para as duplicatas o plano de que conseguiram penetrar nas casas dos terráqueos e agora as duplicatas vão ter que aprisioná-los. Mônica aparece, diz que falharam quando deixaram a duplicata dela cruzar seu caminho e bate em todos os ETs, que vão embora e a paz volta a reinar na Terra. Robson diz que está simples demais, quer umas 10 páginas no mínimo, mais trama, situações emocionantes e desfecho inesperado e do nada ele tem a inspiração para criar a história do zero.
Na nova história, Cebolinha encontra uma nota de cem Cruzados e era uma armadilha para ser capturado pelo extraterreste, conta que aqueles lá são duplicatas dos amigos, que ele será o próximo e que antes que alguém perceba, toda a população da Terra será de duplicatas e poderão dominar o mundo. Os ETs buscam outras vítimas para fazerem duplicatas, Mônica encontra nota de Cem Cruzados. O ET tenta pegar a Mônica, que bate nele e corre atrás até em direção à nave espacial.
O outro ET manda os androides duplicatas atacarem a Mônica, que destrói todos e vai ao fundo da nave onde estava presa a turminha de verdade. Mônica entorta as grades da cela, soltando todos, saem da nave e os ETs vão embora para a Terra. No final, tudo voltou à paz na Terra, porém quase tudo, porque Cebolinha rabisca desaforos para Mônica no muro e ela quer bater nele.
Mônica gosta da história, só do final que não. Robson diz que tem que ter um final engraçadinho e vai a MSP para ver se o pessoal do estúdio gosta. Depois, ele volta contando que a história foi aprovada e que a cota dele de hoje foi preenchida, porém amanhã começa tudo de todo e precisa pensar em um novo tema até lá.
História legal de metalinguagem em que o roteirista perde inspiração para criar a sua história sobre extraterrestres invadirem o planeta Terra e a Mônica tenta ajudá-lo. Primeiro, ela mostra a sua versão para continuação após ele perder a inspiração, mas ele não gosta por ser curta demais e depois consegue inspiração para criar a história toda do zero. É aprovada pelo pessoal do estúdio, a cota do dia foi preenchida, mas ele precisava ver o novo tema para a próxima história que tinha que criar.
Teve um estilo bem diferenciado do que estamos acostumados, com 2 histórias em uma: a do dilema de um roteirista de perder inspiração para criar uma história e a do roteiro da invasão de extraterrestres para dominar o mundo. Na verdade, 3 histórias já que a do extraterrestres teve a versão completada com a ajuda da Mônica e a outra criada pelo Robson. Era a cara dos anos 1980 histórias desse estilo.
Mostrou que vida de roteirista não é fácil, não tem descanso, trabalho acaba nunca, tem meta de produção diária, quando termina de criar uma história já tem que pensar em outra. Teve diferencial que o roteirista foi parar na história em que ele próprio escreveu em vez da Mônica conversar com ele nos quadrinhos e ele no estúdio ou a Mônica pular dos quadrinhos para o estúdio. Robson foi parar nos quadrinhos sem explicação, foi lá e pronto, se fosse hoje teria que ter explicação que foi com o lápis mágico da Marina para amenizar o absurdo.
Já sobre o roteiro criado de extraterrestres, as duplicatas não tinham personalidades reais, eram robôs criados e mandados pelos ETs, tanto que o Cebolinha duplicata falava certo, sem dislalia. Foi uma boa ideia dos ETs para conquistar a Terra, só não contavam em cruzar com a Mônica forte perdoava ninguém, nem ETs conseguem derrotá-la. Uma diferença entre as duas histórias de invasão dos ETs é que na primeira, os robôs apareciam nas casas dos terráqueos para criarem a forma de duplicatas deles e só depois que iriam capturá-los enquanto que na segunda, os ETs capturavam primeiro os terráqueos e depois formavam suas duplicatas ao entrarem na invenção dos ETs. A história enviada para o Mauricio aprovar foi a segunda, mas o leitor ainda pôde escolher qual seria a de melhor roteiro: a mais objetiva completada pela Mônica ou mais desenvolvida pelo Robson.
A história criada por Robson teve 6 páginas e não 10 como queria, mas foi aprovada mesmo assim. Foi engraçado ver a Mônica vendo a sua duplicata, pensar que ela própria estava estranha e cair em si depois, conversa dela com os leitores, a personificação do Planeta Terra com fone de ouvido representando que estava tudo em paz, Mônica e Cebolinha caírem no truque da nota de dinheiro no chão e chamarem o ET de lagartixão e Mônica surrar os ETs e entortar grade de cela só com sua força.
Foi legal também ver coisas datadas com a Mônica cantando "Óculos", música dos Paralamas do Sucesso, que fez grande sucesso na época, assim como destaque da moeda "Cruzado", lançada no Brasil há pouco tempo até então daquele maio de 1986. Inclusive, "Cem Cruzados" foi corrigido nos balões por última hora, dá para notar na fala do Cebolinha no 1º quadro da página 9 do gibi com Cruzado aparecendo sem espaço no balão e na fala da Mônica no 5° quadro da página 11 do gibi com fonte diferente. A história deve ter sido produzida em 1985, ainda com a moeda "Cruzeiro" e com a mudança para "Cruzado" em março de 1986, tiveram que fazer correção às pressas.
Metalinguagem estava em alta nos últimos anos da Editora Abril e primeiros da Globo, tinham muitas presenças do Mauricio de Sousa e dos roteiristas nas histórias nem que fosse só na última página para fazer a piada final e vimos que já deixavam bem explicada a rotina do estúdio de que eram roteiristas que faziam as histórias e o Mauricio quem aprovava. O Robson Lacerda continua até hoje na MSP, é o roteirista com mais tempo em atividade na empresa no momento, só que infelizmente agora as histórias dele são mais voltadas ao politicamente correto e didáticas envolvendo deficientes como a Tati com Síndrome de Down.
Incorreta atualmente por ter vários absurdos mostrados, inclusive de metalinguagem e Mônica entortar grades de cela com sua força, violência, Mônica surrar os extraterrestres, mesmo eles sendo vilões, Mônica com calcinha à mostra em alguns quadros, Cebolinha rabiscar desaforos para a Mônica direto no muro, Jeremias com lábios com círculo em volta da boca (embora ele já tinha lábios comuns a partir de 1983, uma vez ou outra ele ainda aparecia com lábios com círculo rosa dependendo do desenhista). Além disso, evitam histórias de metalinguagem, preferencialmente mais restritas em histórias comemorativas ou com lápis mágico da Marina, e são proibidas coisas datadas como música antiga dos Paralamas e moeda Cruzado e também gírias e expressões populares de duplo sentido como "tô em parafuso", "perdi o fio da meada", "zero à esquerda", "leitores vão babar na história", etc.
Traços muito bonitos dos anos 1980 que davam gosto de ver. Teve erro de personagens com línguas brancas como Cebolinha no primeiro quadro da página 11 do gibi e Mônica no penúltimo quadro da penúltima página. Propaganda inserida na história foi só em uma página na lateral direita do lápis "Labra", sempre presente nos gibis da Editora Abril. Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 37' (Ed. Globo, 1993).
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Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 37' (Ed. Globo, 1993) |
A protagonista resolvida assim, é outro naipe, outro patamar e, metalinguagem, é comigo "mermo"... "A conquista da Terra" é puro suco oitentista.
ResponderExcluirE que colírio a ilustração de capa da edição da primeira publicação desta aventura. Gato "esnobando" e, Mônica, em plena forma, esbanjando glamour...
Tudo se encaixava naquela época. Essa é a verdadeira Mônica, sem conversas, perder tempo, resolve tudo na hora com surra. Metalinguagem era ótima, tudo a ver nos quadrinhos dos anos 80. A capa dessa edição muito linda também, gostavam de colocar ilustrações bonitas sem piadinhas nos gibis da Mônica na época.
ExcluirNada, absolutamente nada era forçado, tudo se encaixava naturalmente nas histórias e nos gibis da MSP.
ExcluirSe bem que a própria se fotografa, quiçá o detalhe configure uma piada sutil. Entretanto, também acho que não há gag neste primor de arte.
Atrás da "diva", pode ser um quadro (redondo, obviamente), assim como pode ser um vitral e, pela singela* e sofisticada* proposta, prefiro crer que seja a segunda opção.
**O paradoxo em questão é um dos elementos que compõe meu fascínio pelo visual da TM dos anos 1980.
Como quaisquer pretensos e hostis colonizadores que se prezam, os reptilianos fizeram o dever de casa, deram uma boa pesquisada a respeito de como se comporta nossa espécie. A tática empregada para abduzir... foi demais! Malandragem alienígena é comédia na risca, humor no ponto certo.
Olá. Bom dia, Marcos. Eu sou JP, de Salvador-Bahia. Por gentileza, uma pergunta.: você irá comprar, as Revistas Todas, da Turminha Edições #86 (Edições #256-Terceira Temporada), da segunda quinzena, do mês de Agosto, do ano de 2025, por causa, dos brindes, dos jogos animais, da Turminha, ou, não?. Por gentileza, eu quero tirar uma dúvida.: é verdade, que, estão republicando, as HQS Todas, da Turminha, das duas Editoras.: Globo, e, PANINI COMICS Brasil, nos Almanaques Todos, da Turminha, e, tem chances, de as HQS Todas, da Turminha, da segunda Temporada, da Editora PANINI COMICS Brasil, elas serem republicadas, nos Almanaques Todos, da Turminha, a partir, do próximo ano, de 2026, é isto?. Eu aguardo respostas. Abraços.
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