sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Chico Bento: HQ "Ao vencedor, as goiabas!"

Eleições se aproximando no Brasil e mostro uma história de quando o Nhô Lau e o Coronel Genésio se candidataram a prefeitos de Vila Abobrinha. Com 21 páginas no total, foi publicada em 'Chico Bento Nº 246' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Chico bento Nº 246' (Ed. Globo, 1996)

Começa com o Chico Bento querendo roubar goiabas do Nhô Lau escondido, com várias placas avisando que não é para os meninos roubarem goiaba, principalmente Chico Bento, encontrando placa até na goiabeira dizendo que quer levar tiro no bumbum.


Chico ignora e come as goiabas, quando de repente a árvore chacoalha e quando ele vê era o Nhô Lau e se assusta. Porém, para sua surpresa, ele está amigável, abraça e beija o Chico falando que adora crianças e tem vários fotógrafos e jornalistas fotografando e fazendo matéria. Chico estranha e diz que estava roubando goiabas e Nhô Lau diz que o pobrezinho está com fome, que não tem comida em casa. Chico diz que tem comida sim, que almoçou arroz, feijão e bife e Nhô Lau tampa a boca dele, falando que quando for prefeito vai acabar com essas injustiças.


Chico então pergunta se ele vai ser prefeito e ele diz que se o povo o eleger vai sim e que o seu correligionário diz que tem muitas chances por ser um fazendeiro muito importante e um comerciante muito conhecido na região. Aí, Chico fala que Nhô Lau nunca fez fiado e leva tiro de sal no bumbum. Nho Lau, para contornar a situação e se livrar do Chico, dá uma cesta de goiabas par ao Chico levar para casa.


Em casa, Chico fala par aos pais que o Nho Lau deu goiabas para ele e se votarem nele para prefeito, vai dar muito mais. Seu Bento não gosta disso e vai falar com o Nhô Lau, mas assim que sai de casa, encontra o Coroneu Genésio com uma cesta de jabuticabas, em troca de votos para ele ser prefeito. Seu Bento fica indignado, com que as crianças vão aprender com esses políticos, e Chico responde que praa ser prefeito tem que ter um bom pomar, deixando seu pai mais indignado ainda e vai à Justiça Eleitoral da cidade pra se candidatar a prefeito, mas as vagas acabaram e ele não pôde se candidatar.


No caminho de casa, eles veem o comício do Nhô Lau e do Coronel Genésio. Um fica trocando acusação com o outro, com o Coronel falando que o Nhô Lau é pão duro que não faz fiado, que por sua vez diz que o Coronel é almofadinha. Seu Bento pergunta o que eles vão fazer pelo povo e o Coronel diz que vai acabar com a fome e Nhô Lau rebate falando que só se for com a fome dele e distribui goiabas como amostra grátis. Aí, o Coronel distribui chaveirinhos. Seu Bento pergunta pelo plano de governo deles, o Coronel diz que não tem, mas convida todos a irem na piscina da casa deles e Nhô Lau convida para todos verem TV na sua casa. Cada um, é levado pelo povo no alto.


Depois aparece outro candidato, o Plácido Antero, só com 3 pessoas ouvindo seu discurso. O senhor pergunta se vai dar um roçado e o Plácido diz que não, mas vai trabalhar duro e aí ele vai embora. A senhora pergunta se vai acabar com fome, ele diz que não no início, mas que criará programas aos poucos e ela vai embora e o menino pergunta se dá brindes e como ele não dá vai embora também. Seu Bento gosta dele e diz que vai ser seu cabo eleitoral, sem precisar pagar, só dando bom exemplo para o filho.


A campanha dos candidatos continua, com Nhô Lau e Coronel Genésio cheio de luxo e distribuindo brindes para o povo e o Plácido em um burro com Seu Bento e Chico, distribuindo só papéis eleitorais. Chega a véspera da eleição, Plácido agradece ao Seu Bento a força que ele deu. Seu Bento diz que o problema que o povo só quer votar em quem dá brindes e espera que o Chico tire uma lição disso tudo e ele diz que o importante é ser honesto e trabalhador, mas que vai plantar um pomar pra garantir.


No dia da eleição, Chico rouba goiaba tranquilamente enquanto Nhô Lau está junto com seus corregedores e eles falam que quando for eleito é pra nomeá-los como secretários de governo porque ele vai precisar deles para governar Vila Abobrinha porque ele não entende nada de política, só de pomar, deixando Nhô Lau encucado. Já com o coronel Genésio ele comenta que depois de eleito, larga o mandato de prefeito no meio e se candidata a governador, depois senador e depois presidente da república e será muito poderoso. Já com Plácido Antero, Seu Bento diz que gostaria que dessem valor a ele e que o resultado seria no dia seguinte


Chega o resultado, a família do Chico ouve no rádio o resultado e quem ganhou foi Plácido Antero, com 823 votos, totalizando 62% do eleitorado. Plácido Antero faz discurso para o povo e Dona Cotinha comenta que o povo não é bobo. Seu Bento se convence e pergunta ao Chico se precisa de pomar para ser prefeito e Chico diz que vai estudar muito e ser trabalhador.


No final, Chico vai roubar goiabas e encontra Nhô Lau lá e pergunta se está triste porque ele não se tornou prefeito. Nhô Lau diz que está aliviado, que ia ser um bonequinho na mãos dos outros. O negócio dele é cuidar da venda e plantar frutas. Chico , então, interrompe, indo pra goiabeira roubar goiabas, tratando o Nhô Lau como chapa dele. Nhô Lau fica brabo e acaba dando tiros de sal no Chico, que fala que vai vai ter que plantar um pomar se quiser comer goiaba de novo.


Essa história é muito legal, com um pouco de humor e seriedade, mostra toda a realidade da política brasileira através dos personagens. Políticos desonestos, corruptos que procuram vender votos, fazer falsas promessas, só visando ao seu interesse próprio, tudo que acontece na vida real. Com o Chico teve um candidato realmente honesto, que a princípio ninguém dava a mínima e teve o seu final feliz com ele sendo eleito em Vila Abobrinha. Mas, infelizmente, na vida real, não acontece isso. Então, histórias assim ensinavam as crianças desde cedo a importância do voto consciente (e os pais que liam os gibis dos filhos), mas hoje em dia é impublicável porque é tema adulto.


Os traços ficaram bons, bem típico dos anos 90, dessa vez com enquadramento de 6 quadrinhos por página em vez de 4, dando impressão de uma história grande, mas assim acabou ocupando mais da metade do gibi que tem 36 páginas. Na postagem a coloquei completa. Foi uma das primeiras histórias com Vila Abobrinha já com esse nome, antes não tinha nome definido, era qualquer nome, já foi, inclusive, chamada de Vila Catapora. Descobrimos que o Nhô Lau se chama Menelau e só para constar o Coronel Genésio é o pai do Genesinho.


Ainda era comum ver o Nhô Lau com trabuco na mão e dando tiros de sal no Chico e os personagens ainda falavam "roubar goiaba". Hoje em dia falam "pegar goiaba" e mudam isso, inclusive, em almanaques. Teve também propaganda inserida nas laterais direita das páginas. Nos anos 70 até início dos anos 90 era muito comum ter anúncios assim e até mesmo inseridos no rodapé das histórias. Dessa vez foi anúncio do inesquecível chiclé "Ploc Black ou Blue", onde você comprava o chiclete e nunca sabia se ia vir um preto ou um azul. Então, várias páginas após tinham anúncios desse chiclete nas laterais do canto direito.

22 comentários:

  1. O Genezinho tem a quem puxar. Essas histórias do Chico Bento eram bem legais, ele teve muitas assim até os anos 90. Você já leu a da corrida do ouro?

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    1. Tem a quem puxar mesmo rs. Sim, eu li a hq da corrida do ouro, é da época da Ed. Abril. Muito boa.

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    2. Pena que a reação do pai do genezinho não foi mostrada. Fico imaginando a magali nesta história. Ela acabaria com todas as frutas que eles estavam distribuindo. kkkkk

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    3. Não ia sobrar nada com a Magali. fato. kkkk

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  2. E como se pode ver nos noticiarios, isso nao e exclusividade do Brasil. E so ver o Donald Trump e a Hillary tacando acusacoes um pro outro.

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    1. Verdade rs, embora não deviam fazer isso no Brasil.

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  3. Boa ou melhor ótima HQ..nunca tinha lido essa antes..valeu, Marcos! ;)

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    1. É mesmo, uma história muito legal :D

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  4. Logo de cara percebi que o candidato era o pai de Genesinho, mas sempre é bom falar. Rsrsrs...
    Rachei o bico com o Chico falando de ser honesto, trabalhador, mas ter um pomar pra se garantir. Kkkkk....
    Bons tempos onde havia showzinho pro povo nunca terá condições de pagar pra ver dupla sertaneja ou um artista de TV de perto. Infelizmente era uma época onde só faziam algo pro povo na base dos brindes. Ok. Era comprar o eleitor. Mas é Agora? Continuam todos ladrões e enganadores, sendo que nem precisam mais darem-se ao trabalho de gastar com os brindes.
    Uma excelente HQ bem informativa sobre como de fato eram as eleições. Se fosse feita hoje, talvez, mudariam algumas coisas. Colocariam uma certa maquiagem no roteiro pra não se indispor com este ou aquele...

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    1. Continuam vendendo votos, enganando o povo, fazendo falsas promessas, só um pouco mais adaptado a época atual.Com certeza mudariam muita coisa se fizessem hoje essa história. Uma pena.

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  5. Esta historia é antiga e tinha a palavra roubar e a arma.. desde 2004 que censuraram estas palavras. aumentou a violencia... não é a revista o problema.. é triste nao usarem estas coisas em uma situacao q percebe q é roubo e para defender a goiaba , usa uma arma.. xD mesmo assim. sem arma ou com arma o chico rouba as goiaba por ser gostoso.

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    1. Claro que os gibis não influenciam na violência, pelo contrário até. Só eles que não veem isso, pensam que vão estimular. Lamentável tirar armas e pior ainda proibir a palavra "roubar" dos gibis.

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  6. História prefeita, digo, perfeita, rsrs... engraçado ver que o nhô Lau não teria governabilidade caso fosse eleito... isso deve acontecer muito nesse país com políticos que são eleitos, mas são apenas fantoches nas mãos dos outros. Ou então candidatos que vencem eleições e vão largando os cargos só pra galgar cargos mais altos que nem o pai do Genesinho queria fazer. Triste, mas acontece e muito, é só a busca pelo poder e mais nada.

    Em todo caso, valeu, Marcos, por postar essa série de hqs sobre o tema... um momento bem pertinente pra isso.

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    1. É o que mais acontece na vida real, mostraram a realidade nessa história, principalmente os que abandonam cargo para concorrer a outro cargo maior. Lamentável. Essas histórias se encaixam bem nessa época de eleições. Valeu por ter gostado.

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  7. Eu tenho este gibi! Sempre foi uma das histórias que mais gostei.
    Foi uma ótima escolha para compartilhar.

    E como ainda é atual, se encaixaria perfeitamente em 2016, mesmo sendo escrita vinte anos atrás; exceto, claro, pelo fato do candidato mais honesto e bem intencionado ser o vencedor.



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    1. Pois é, continua atualíssima. Colocaram o candidato honesto vencedor pra ter um final feliz e mostrar que é possível eleger candidato honesto, claro, desde que esteja concorrendo, porque hoje em dia não tem polítocos honestos se candidatando, muito menos sendo eleito.

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  8. Adorei a história, Marcos. Não conhecia.
    Como tá chegando o dia das crianças, publique alguma onde algum adulto vira criança e brinca com a turminha (acho que já vi alguma parecida).
    Abraço

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    1. Essa história é muito legal mesmo. Boa ideia a sua sugestão, tiveram algumas vezes. Vou procurar e se der, eu mostro uma história assim.

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  9. Historinha excelente e educativa. Meu Deus, roteiristas, parem de tirar o senso crítico das crianças, voltem a publicar histórias assim, eu imploro!

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    1. Eram muito melhores histórias assim, pena que não tem mais.

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  10. Traços bonitos e história perfeita. Eu li nesse gibi na infância. Marcou uma época. Muito bom!!

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    1. Verdade, bem marcante. Que bom que já a conhecia. :D

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