segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Magali: HQ "Sem irmãozinhos..."

Em fevereiro de 1994, há exatos 30 anos, era lançada a história "Sem irmãozinhos..." em que a Magali deseja ter um irmãozinho para brincar com ela e o Cebolinha vende a sua irmã Maria Cebolinha para ela. Com 11 páginas, foi história de abertura publicada em 'Magali Nº 122' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Magali Nº 122' (Ed. Globo, 1994)

Magali vê o Cebolinha com sua irmã Maria Cebolinha e vai correndo para casa. Ela come todos os sanduíches do lanche e pergunta para os pais por que não arranjam um irmãozinho. Seu Carlito responde que têm medo de nascer comilão como ela. Dona Lili tenta consertar que no momento seria difícil sustentar mais um. Magali chora por que queria um irmãozinho para brincar e Seu Carlito fala que por enquanto é para brincar com os amiguinhos mesmo.

Magali diz que se eles não querem arrumar um irmãozinho, ela mesma arruma, mas não sabe como. Ela vê de novo o Cebolinha com a irmã e comenta que deve ser legal ter uma irmãzinha. Cebolinha não acha, só serve para chorarar e chatear. Magali diz que para ela, é uma gracinha e daria tudo para ter uma irmã como ela. Cebolinha, então, propõe vender a Mariazinha por cem Cruzeiros Reais. Magali fala que só tem dez e mais dois chocolates. Cebolinha aceita, vende a irmã e diz que o carrinho vai de brinde.

Magali fica feliz com a Mariazinha como irmã dela, acha que são parecidas e conta para Mônica que a comprou para se divertirem. Mônica diz que é contra a lei comprar bebês e Magali nem liga, acha que Mônica tem inveja por não ter irmão, aí vai para casa e no caminho resolve chamar a Maria Cebolinha de Shirlei.

Em casa, Magali brinca de maquiar a Mariazinha, Dona Lili vê, se assusta e pergunta quem é aquela menina. Magali diz que é sua irmã, eles não quiseram dar um irmãozinho e ela arrumou uma comprando do Cebolinha. Dona Lili manda devolvê-la e Magali não aceita porque pagou dez Cruzeiros Reais e dois chocolates.

Enquanto isso na casa do Cebolinha os pais dele também se assustam o filho vender a irmã por tão pouco. Cebolinha acha uma maravilha agora não ter mais berreiro, nem fraldas para trocar, nem levar para passear. Seu Cebola ordena que o filho vai buscar a Mariazinha de volta, Cebolinha diz que não sabe se a Magali vai deixar porque agora é dela e os pais vão até lá buscá-la. Magali não aceita devolver, agora é irmãzinha dela. Seu Carlito ameaça dar surra nela e Dona Lili diz que tem um plano para dar um jeito de convencer a filha a devolver. 

Dona Lili avisa que pode ficar com a "irmãzinha" e para comemorar dá uma papinha para Mariazinha e Magali fica babando  porque não foi para ela. Em seguida vai fazer um suco, Magali pensa que é para ela e Dona Lili diz que é para Mariazinha, que precisa se alimentar bem por estar em fase de crescimento. Depois, faz um mingau e pede para Magali dar para o nenê enquanto ela prepara a janta. Na distração da mãe, Magali tenta comer o mingau, Dona Lili a flagra e fala para Magali que agora ela tem uma irmãzinha, tem que ser menos gulosa e aprender a dividir tudo com ela porque agora são duas para alimentar e eles não são ricos e então, nada de exageros.

Magali diz para mãe que acha melhor devolver a Mariazinha. Dona Lili fala que adorou a garotinha. Magali fala que ela tem família, que podem estar com saudade e Dona Lili aceita, se eles a quiserem de volta. Assim, Mariazinha é devolvida, fazendo a alegria dos pais dela, Magali avisa ao Cebolinha que está lhe devendo dois chocolates e o dinheiro. Depois, Magali fala para os pais que não tem pressa de dar um irmãozinho para ela, vai na rua e vê o Dudu recusando comida que a mãe, Dona Cecília, oferecia. No final, Magali pergunta se ele quer seu irmãozinho.

História legal em que a Magali queria um irmão para brincar, Cebolinha vende a sua irmã para ela sem consentimento dos pais e fica a briga para devolver a Maria Cebolinha. A mãe da Magali usa psicologia fazendo a Maria Cebolinha comer no lugar da Magali, que se arrepende e manda devolver à família dela, só que volta a ter desejo de ter um irmão quando vê o Dudu recusando comida que a mãe oferecia. 

Cebolinha não gostava de passear com a Maria Cebolinha, achava chata e não queria ter trabalho e foi capaz de vender a própria irmã, não só vendeu, mas também foi por tão pouco, o que foi pior ainda. Mesmo se fosse por cem Cruzeiros Reais, o que ele propôs inicialmente, seria mixaria também. Na verdade, por nenhum preço poderia ser vendida, foi bem cruel só para se livrar da irmã. Vimos que a Magali não aprendeu lição no final, bastou encontrar alguém que não come que voltou a ideia de ter um irmãozinho. Na visão dela, já que o Dudu não come, não precisaria dividir comida com ele e e não daria prejuízo aos pais.

Foi legal a Maria Cebolinha gostar de ficar com a Magali, não ter chorado nem quando a Magali a maquiou. Engraçado também a tirada do Seu Carlito de não ter outro filho com medo de ser comilão como a Magali e Dona Lili tentar contornar sem sucesso, Cebolinha achar natural e bom vender irmã por 2 chocolates e 10 Cruzeiros Reais e Magali querer comer as comidas que eram da Mariazinha.

Como maioria dos personagens não tinham irmãos,  gostavam de criar histórias com eles com conflitos com os pais para terem um irmãozinho, eram boas histórias assim. A partir de 1994 passaram a colocar o Cebolinha com mais frequência nas revistas da Magali, seja a confrontando ou criando planos infalíveis contra a Magali, sendo um vilãozinho e rival dela. Antes ele aparecia, mas normalmente junto com a turma e sem rivalidade e Magali contracenava mais só com a Mônica. O que não teve muito foi só o Cascão contracenando com a Magali, foram poucas vezes.

A moeda Cruzeiros Reais já foi atualizada na história, parece que foi a primeira história que a moeda vigente no Brasil até então foi citada. Essa história é incorreta hoje em dia pelo tema de Cebolinha vender a própria irmã para a Magali por ser ilegal e ele nem se arrepender por isso e nem gostar da volta da irmã no final, errado também Magali comer vários sanduíches de uma vez só, maquiagem em bebê, as mães aparecerem de avental para não dar ideia que elas são donas-de-casa sobretudo a Dona Cebola assim de avental na casa da Magali.

Os traços muito bons, típico dos anos 1990. As cores já estavam mais fortes em 1994, tirando de vez os tons pasteis que prevaleceram desde o início da Globo, isso não gostei. A Dona Lili apareceu sem batom em 2 quadrinhos nas 2 primeiras páginas da história, mas acredito que foi proposital para dar humor na cena e, então, não foi erro nesse caso. A capa da revista foi uma piadinha como de costume da época, mas sem querer acabou tendo o tema de bebê da história de abertura. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Chico Bento: HQ "Eu guardo o que é meu!"

Mostro uma história em que o Chico Bento fica com ciúme por ver sua namorada Rosinha com biquíni para nadar no rio. Com 5 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 21' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Chico Bento Nº 21' (Ed. Globo, 1987)

Chico Bento pensa na Rosinha, quando a encontra de biquíni e pergunta aonde ela vai pelada. Rosinha fala que está de biquíni e vai tomar banho no rio. Chico não deixa e manda tirar. Rosinha tira tudo e fica nua, Chico fica desesperado, manda colocar o biquíni de novo e ir para casa colocar uma roupa. Rosinha diz que ele não é o seu pai. Chico ameaça que não fala mais com ela, não vai ser mais seu namorado e vai ser inimigo número um e Rosinha nem liga e terminam o namoro.

Chico lamenta que não tem mais mulher como antigamente, no tempo da mãe dele não tinha isso. Zé da Roça aparece e dá Parabéns, que tirou a sorte grande, ganhou na loteria por ter uma namorada com um corpinho daquele. Chico fica uma fera e corre atrás dele. Lembra que a Rosinha está sozinha e cheio de "gavião" em cima e vai lá no rio. Ele vê os meninos olhando para Rosinha, rosna e eles saem correndo.

Rosinha pede para o Chico nadar com ela, então ele vai pegar um calção e eles nadam juntos. Depois, Rosinha vê algo e quer que vão embora. No final, descobre que foi porque duas meninas estavam olhando para o Chico e Rosinha ficou com ciúme.

História legal em que o Chico Bento fica com ciúme por ver a Rosinha só de biquíni e nadar no rio com todos os meninos encantados com ela nadando. Até que o casal fazem as pazes, mas no final foi a Rosinha que sentiu ciúme por meninas ficarem olhando para ele. Reclamou tanto do ciúme do Chico e fez a mesma coisa no final, papéis se inverteram. 

Mostrou um Chico ciumento e machista, achando que é dono da Rosinha e namorada dele não pode ficar de biquíni, com pensamento ultrapassado que tem que ser como do tempo da mãe e quem sabe até mesmo da avó dele. História quis mostrar que os tempos eram outros, mulheres estavam mais independentes e não estavam mais submissas a namorados ou maridos, tinham que se vestir como desejassem e não ser controladas por eles.


Foi engraçado a Rosinha tirar o biquíni na frente do Chico, a ciumeira dele de vê-la com aquele biquíni pequeno e os meninos dando em cima dela e Chico furioso com eles, chegando até rosnar como bicho e depois o Chico concordar com eles que a Rosinha era bonita. Foi de rachar de rir o Chico chamando o Zé da Roça de "seu fio daquele qui ronca i fuça", foi até inovador um palavrão mais à mostra, já que normalmente eles colocavam símbolos quando os personagens falavam palavrões.

Teve absurdo de Rosinha aoarecer de cabelo bagunçado dentro do rio e voltar ao normal quando sai logo no quadrinho seguinte, absurdos típicos de histórias em quadrinhos. Dava para ser tranquilamente história protagonizada por Rubão e Mariazinha, que ainda estavam em evidência nos gibis, mas preferiram deixar Chico e Rosinha no lugar. Depois que Rubão e Mariazinha sumiram dos gibis, Chico e Rosinha, Titi e Aninha que assumiram histórias assim de ciúmes e machismo nos anos 1990.

Os traços excelentes da fase consagrada dos personagens, pena as cores mais desbotadas como eram nos gibis do segundo semestre de 1987. Completamente impublicável hoje em dia por ter namoro de crianças, Rosinha aparecer pelada na frente do Chico, machismo, com ele dando ordens a Rosinha como se fosse propriedade dela, crianças agindo como adultos, palavrão mais à mostra. Sem chance. Foi uma história bem curtinha para abertura, hoje a gente estranha história de abertura de 5 páginas, mas na época era muito normal histórias assim curtas na abertura, pelo menos eram bem diretas e sem enrolações, mas se fosse no miolo também não ficaria ruim.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Tirinha Nº 101: Cascão

Era muito comum as mosquinhas de estimação do Cascão serem camaradas, prontas a ajudá-lo para não se molhar. Tiveram vários casos absurdos e engraçados em que elas o ajudavam em situações inesperadas em que o Cascão tomaria banho se elas não tivessem lá. Então, nessa tirinha, mostra um desses casos em que começa a chover do nada enquanto anda na rua e só ao ouvir o trovão, as mosquinhas formam um guarda-chuva para ele usar e se proteger da chuva e seguir andando tranquilamente. Muito boa.

Tirinha publicada originalmente em 'Cascão Nº 105' (Ed. Globo, 1991).

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Bidu: HQ "Corta! Corta!"

Mostro uma história em que o Bidu sofreu com um gerente financeiro que ficou no lugar do Manfredo enquanto tirava férias e que queria cortas todas as despesas altas da história por causa da crise econômica que estavam passando. Com 7 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 44' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Mônica Nº 44' (Ed. Globo, 1990)

Bidu se prepara para filmar a sua história com superprodução sobre "Romeu e Julieta", quando o Charles, o gerente financeiro, manda cortar. Bidu estranha porque nem começaram ainda e pergunta pelo Manfredo. Charles diz que o Manfredo saiu de férias por motivo de economia, no momento só podem gastar o que é extremamente necessário.

Charles manda a produção tirar todo o cenário, tudo que é supérfluo para economizar. Tira até a atriz Julieta porque o cache dela é alto e deixa o Bidu porque é o personagem principal. Bidu reclama que acabou a superprodução dele e Charles diz que estão em tempos de crise, não podem gastar, só cortar, cortar, até recuperarem a economia.

Bidu pede, então, outro roteiro. Charles diz que não vão desperdiçar roteiro que já foi pago. Bidu pergunta como vai fazer "Romeu e Julieta" sem balcão, cenário e atriz. Charles diz que vai ser improvisando como um bom ator e que a Dona Pedra será a Julieta, contando que ela só não foi cortada porque ninguém conseguiu levantá-la.

Começa a gravação e assim que Bidu e Dona Pedra encenam suas falas, Charles manda cortar porque o texto está muito comprido e o letrista cobra muito caro. Charles faz alterações no roteiro, deixando bem simplificado. Bidu e Dona Pedra voltam a encenar, Charles corta de novo e reclama que agora o problema é o nariz do Bidu, muito grande e preto, fazendo gastar mais nanquim e cobre o nariz com pó-de-arroz.

Logo depois, Charles corta novamente, reclamando da requadração das páginas, mandando juntar dois traços em um para economizar e manda o colorista pintar os fundos dos quadrinhos com a mesma cor em vez de 3 cores diferentes. Bidu volta a encenar, Bugu aparece, Bidu tenta expulsá-lo e ele conta que foi convidado pelo Charles por achar que o Bugu incrementa a história e não cobra cachê. 

Bidu grita que jamais trabalha com o Bugu, Charles fala que não é pra exaltar porque letras grandes custam mais e propõe que Bidu e suas pulgas tirem férias, descansar e na próxima revista as coisas já possam ter melhorado. Bidu acha uma boa ideia, está precisando de paz, tranquilidade e uma prainha deserta, só que no final, para sua surpresa, vários grandes nomes dos quadrinhos e desenhos animados também tiveram férias forçadas.

Uma história legal em que um gerente financeiro quer cortar as despesas das histórias do Bidu para economizar por conta da crise financeira que estavam passando. Dá férias para o Manfredo e fica no lugar dele na direção da história, tirando toda a superprodução que seria, tudo que era supérfluo e com alto custo era cortado da história. Com tantos cortes, a solução foi dar férias para o Bidu, mas ele não contava que outros personagens estavam de férias também. Ou seja, a crise era tão alta que atingiu também outros personagens de vários universos, não foi só com o Bidu, era geral com crise.

Não tinham dinheiro nem para contratar outro diretor para substituir o Manfredo nas férias,  jeito foi improvisar com gerente financeiro.  Coitado do Bidu que justamente quando teria uma história com superprodução para sair da mesmice das histórias conversando com a Dona Pedra não conseguiu o que queria e ao invés de ficar em uma praia deserta nas suas férias, teve que dividir com os outros personagens. Se deu mal do início ao fim.

Foi do estilo de histórias do Bidu como ator e com metalinguagens, ele ficava bem brabo e impaciente em histórias assim, e foi divertido como uma espécie de bastidores de gravações, como se histórias em quadrinhos fosse gravação de filme para o cinema. Foi engraçado a partir de Shakespeare como "Auau-kespeare" como se fosse cachorro, Charles dizer que emagreceu para cortar uns quilinhos extras dele, tirar cenários, atriz que cobra cachê alto, cortar textos longos no roteiro, deixar nariz do Bidu branco para economizar nariz, mexer nas cores de fundo e no enquadramento convidar Bugu para atuar porque não ia cobrar cachê. 

Charles acabou mudando roteiro pago de qualquer forma quando fez as reduções para economizar. Nem precisaria mexer em roteiro já que roteiristas e coloristas ganham por trabalhar, independente da quantidade de trabalho que tem, seria melhor pensar no gasto de tinta para imprimir o gibi. E ao usar o pó-de-arroz no nariz do Bidu, até economizaria nanquim, mas teria gasto com pó-de-arroz, não adiantaria grande coisa na economia. O título teria sido "Romeu e Julieta" se não fosse o Charles mandar cortar até o título, aí ficou representado oficialmente pela sua fala.

O normal é o Manfredo ser contrarregra do Bidu e, às vezes, exercia também função de diretor, sendo que sempre era o Bidu o chefe que mandava nele, aí dessa vez foi o Bidu que foi mandado por um superior, o gerente era acima da sua autoridade. O Charles devia existir na MSP e o roteirista quis fazer uma brincadeira retratando caricatura dele como cachorro, ele apareceu só nessa história, como de praxe de personagens secundários. 

A história critica de forma divertida a hiperinflação no Brasil da época que gerava crises nas empresas, até as revistas em quadrinhos estavam passando por crise de vendas, e roteirista resolveu atingir essa crise nas histórias do Bidu e nas de outros personagens. Muitas vezes roteiristas gostavam de retratar o que estava passando nos bastidores da MSP nas histórias do Bidu ou nas envolvendo metalinguagem com outros personagens, mesmo que indiretamente, aí pelo visto, eles estavam passando de fato uma crise econômica. E, de certa, a história forma ensina os leitores a economizarem, saber tirar tudo que é supérfluo, tudo que não tem necessidade de gasto, para sobrar mais dinheiro.


O grande destaque, sem dúvida, foi o final com crossover de vários universos do mundo infantil. Além dos diferentes núcleos da Turma da Mônica teve também universos de outros personagens de quadrinhos concorrentes da MSP. Muito legal ver os personagens da MSP Bidu, Mônica, Cebolinha, Manfredo, Jotalhão, Horácio e Tina juntos na praia com seus concorrentes Super-Homem, Pernalonga, Batman, Mickey, Snoopy e Xuxa. Todos com férias forçadas por causa da crise econômica. Sensacional.

Xuxa também se enquadra em personagens de histórias em quadrinhos nesse caso já que ela tinha gibi mensal na época pela Editora Globo, mas também seria férias com as despesas do programa "Xou da Xuxa" na TV Globo, tirou férias dos quadrinhos e do programa de TV. Até Snoopy tinha gibi na época pela Editora Record. E interessante o universo do Bidu de metalinguagem junto com os outros personagens da MSP, inimaginável ver o Manfredo junto com eles em uma situação normal e ainda verem Bidu falando e andando com duas patas. 

Os traços ficaram muito bem caprichados que dava gosto de ver. Teve um erro de impressão deixando umas partes brancas na terceira e quinta páginas da história, isso foi em todos os lotes deste gibi da 'Mônica Nº 44'. O detalhe do "Fim" cortado com tesoura para economizar também foi bem criativo.

domingo, 21 de janeiro de 2024

Cebolinha e Cascão: HQ "Estilistas Capilares"

Em janeiro de 1994, há exatos 30 anos, era publicada a história "Estilistas capilares" em que o Cebolinha se torna profissional de beleza montando seu próprio instituto capilar e muda o cabelo de todo o pessoal do bairro. Com 18 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 85' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Cebolinha Nº 85' (Ed. Globo, 1994)

Cebolinha tenta fazer um penteado novo no seu cabelo e nunca consegue deixar fixo no lado que deseja. Então, resolve colocar um gel deixando um penteado estiloso. Cascão o vê na rua e não o reconhece, pensando que ele falava igual a um amigo meio bobo dele. Cebolinha fala que é ele e Cascão diz que ainda bem que não falou que era bobo por inteiro e ainda acha que ele ficou esquisitinho com o gel no cabelo.

Cebolinha diz que poderia dar um jeito no cabelo do Cascão, que fala que gosta assim, se melhorar, estraga e não tem gel que penetre na crosta de sujeira acumulada há anos. Cebolinha aposta que sim, coloca gel no cabelo do Cascão e o deixa com topete incrível. Cascão acha que acabou com ele, todos vão rir dele, quando duas meninas admiram os cabelos deles e Cascão acha Cebolinha um gênio, que poderia ser cabeleireiro ou estilista capilar.

Cebolinha adora a ideia e, então, resolvem criar o "Instituto Cebola de Estilização Capilar" e todos admiram. Franjinha é o primeiro a entrar, acha uma piada Cebolinha virar cabeleireiro e pode ser que as meninas gostem. 

Cebolinha diz que é estilista capilar e seu instituto é unissex e deixa Franjinha como primeiro freguês. Ele fica cabreiro de início, mas gosta do resultado com suas franjas para cima. Cobram 100 Cruzeiros e Franjinha vai avisar à turma. Assim, as crianças do bairro todo vão lá, todas adoram seus penteados e Cascão ainda dão banho de lama nelas enquanto espera. 

Na rua, Mônica estranha todos com visual diferente, até a Magali. Mônica acha que teve ataque de marcianos e Magali explica que todos resolveram se produzir no Instituto do Cebolinha, que se revelou um artista e acha que Mônica parece um pé de batata entre as flores.

Mônica diz que Cebolinha sempre se aprontou com ela e fica sem graça precisar dele. Magali fala que Cebolinha agora é um profissional e Mônica, cliente. Elas esperam na fila e assim, Mônica é atendida. Cebolinha acha o cabelo da Mônica um horror, um caso muito grave, que ia encerrar o dia para jogar bolinha de gude, mas vai abrir uma exceção. 

Cebolinha diz que primeiro vai tratar do mascote Sansão, que quando terminar, ela vai ficar linda demais para andar com ele assim. Os meninos jogam Sansão no chão, pisoteiam, esticam e dão nós nas orelhas para amaciá-lo e absorver melhor a lama. Mônica fica nervosa, sem aguentar ver os meninos fazerem aquilo com o Sansão sem bater neles. Fica com raiva do estado que ele ficou, mas aceita Cebolinha fazer o penteado novo nela.

Cascão vai buscar gel e descobre que tinha acabado. Cebolinha diz que é um artista e manda Cascão procurar gel de qualquer jeito. Cascão coloca lama com gesso que estava na bacia no potinho de gel. Cebolinha pergunta para Mônica se está pronta para dar adeus à feiura e ela diz que se aprontar, vai levar cascudo.


Mônica dá um cochilo enquanto Cebolinha massageia couro cabeludo dela. Quando acaba, ela fica com cabelo sensacional, adora o visual, acha até que o castanho do cabelo ficou diferente, só o Sansão que precisa de banho, até endureceu com a lama. 

Cebolinha acha que valeu pelo sarro, pergunta ao Cascão como conseguiu o gel e ele diz que substituiu por lama com gesso para dar consistência. Começa a ventar forte, o cabelo dela nem desmancha e ao tropeçar na pedra e cair, o cabelo quebra todo. Mônica, furiosa, corre atrás deles, que trancam a porta do Instituto, e ela arromba a porta. 

Os meninos avisam que foi sem querer e imploram para não reduzi-los a pó. Mônica manda Magali pegar a tesoura e eles gritam. Magali tenta animar Mônica para usar peruca até cabelo crescer de novo. No final, Denise e Paloma vão ao Instituto para ver se ainda atendem, mas desistem ao ver os estilistas capilares  carecas, não dá para confiar assim, e Cascão avisa que quando cabelo dele crescer de novo, não vai deixar Cebolinha pôr as mãos.

História muito engraçada em que o Cebolinha resolveu ser estilista capilar com Cascão como assistente depois de descobrir que faz penteados incríveis usado gel. São sucesso absoluto do bairro, até quando chega a vez da Mônica, o gel acaba e Cascão troca o gel por lama com gesso, deixando o cabelo da Mônica duro e quebra todo depois de ela tropeçar e cair no chão, ficando careca. Para castigá-los, ela deixa os meninos carecas também.

À princípio, eles nem tinham intenção de provocar a Mônica, só queriam iniciar um negócio como profissionais de beleza para ganhar dinheiro, só que não resistiram em aprontar com a Mônica sem apanhar com o tratamento também no Sansão, não podiam perder oportunidade. Ela também foi muito influenciada pela Magali, Mônica podia muito bem bater neles e ainda exigir que fizesse penteado novo dela.

Como queriam aprontar avacalhando o Sansão, a Mônica até teria um resultado excelente no cabelo se não fosse o Cascão trocar gel por lama com gesso. Com a grana que ganharam, dava muito bem para o Cascão sair para comprar gel, mas a preguiça de sair falou alto, então, a culpa foi dele de não seguirem como estilistas capilares de sucesso e ficarem ricos.

Eram boas as histórias do Cebolinha envolvendo cabelo, sempre tinham coisas absurdas muito divertidas. Foi muito engraçado ver os cabelos das personagens  esculpidos com gel, alguns bem estranhos, mas que eles gostaram assim mesmo, Cebolinha e Cascão aprontando com o Sansão e a Mônica ver sem bater neles, o cabelo dela se quebrar quando cai e ela ainda quebrar a porta com sua força e deixar os meninos carecas. 

Interessante o gel fazer mudar cor de cabelo como Cebolinha aparecer com fundo do cabelo branco, Cascão ficar com cabelo castanho e curioso a Mônica dizer que o dela é castanho, mas aparece preto nos quadrinhos. Legal também ele também colocar uma placa de tradução que era cabelereiro por achar o nome do Instituto ser difícil de entender. Curioso o nome do Sansão não ser mencionado, falaram apenas "coelhinho" e "mascote. Ao falar que o preço do tratamento capilar era 100 cruzeiros, deviam falar Cruzeiros Reais que era a moeda do Brasil vigente, provavelmente foi roteirizada antes da troca da moeda em agosto de 1993 e esqueceram de revisar depois.


A menina de cabelo castanho e rabo de cavalo que aparece no final é considerada ser a Denise, apesar de ela não ter visual definido na época,  ela teve cabelo assim na maioria das vezes antes de ter traços definitivos. Já a Paloma foi só figurante como as outras crianças da história sem contar Franjinha, Titi e Jeremias  fixos.

É incorreta hoje em dia por mostrar crianças trabalhando, criando negócio próprio, terem autonomia, Cascão mexer na lama e colocar no rosto das pessoas, absurdo de Mônica atravessar porta com sua superforça,  além da palavra "gozado" ser proibida nos gibis atuais.

Os traços ficaram bons, do estilo dos lançados no segundo semestre de 1993 com personagens com língua ocupando mais espaço na boca dando mais humor a eles e que marcaram os anos 1990. Teve erro do Cascão sem sujeirinha no quarto quadrinho da terceira página da história (página 5 do gibi). Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.