terça-feira, 15 de novembro de 2022

Tirinha Nº 90: Cebolinha

Uma tirinha com o Cebolinha com um incômodo de pedra no sapato e ao tirar, era uma pedra gigante que cai nele, ficando só o pé com meia para fora. A gente, a princípio, imaginaria que era uma pedrinha normal, inimaginável seria uma pedra daquele tamanho e fica a dúvida como cabia uma pedrona no sapato no Cebolinha Apenas aconteceu, sem envolver o Louco, ele tem nada a ver com isso, e sem precisar explicar como foi, típica situação absurda de histórias em quadrinhos tão comum na época, só para fazer rir, intenção era de cada leitor imaginar como quiser, como eles gostavam. Hoje em absurdos assim são evitados, deixam apenas com ligação à histórias com o Louco, e situações de personagens esmagados por pedra gigante assim não pode mais atualmente. 

Tirinha publicada em 'Cebolinha Nº 165' (Ed. Abril, 1986).

sábado, 12 de novembro de 2022

Chico Bento: HQ "O brilho do poder"

Compartilho uma história em que o Chico Bento encontra um diamante no roçado e faz de tudo para escondê-lo de todo mundo para ficar com a riqueza só para ele. Com 10 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 69' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Chico Bento Nº 69' (Ed. Abril, 1985)

Chico Bento está trabalhando na roça e reclama que só tem trabalho, escola e mais trabalho. Lembra que viu na cidade todos com carrões bonitos e comendo em lugar chique e não davam duro que nem ele, só vivem no bem-bom. Seu Bento interrompe, reclamando se o filho vai ficar muito tempo pensando na vida e têm que trabalhar.

Chico, bem brabo, volta a reclamar que é só trabalho que se faz na vida, bate enxada em uma pedra e quebra. Ele vai verificar, acha bonita, brilha muito, não parece vidro, esmeralda nem turmalina e descobre que era um diamante. Ele corre pra contar para os pais, mas no caminho pensa que todos da vila ficariam encantados com o diamante, que mudariam a vida deles e esqueceriam que a pedra era dele.

Com isso, Chico disfarça, que não escutou gritaria, escondendo o diamante dos pais e vai embora, pedindo licença que tem outras coisas para cuidar. Ninguém vai tirar diamante dele e vai na joalheria do Nhô Tonho para avaliar quanto vale, mas chegando lá, vê que tinha o Padre, Nhô Lau, Rosinha e Professora Marocas em frente a joalheria.

Como conhece todo mundo, Chico pensa que não iam querer tirar dele, mas logo prevê na pedra o padre falando que por penitência de ser moleque travesso, vai reformar a igreja, vão construir outro altar com a pedra, Rosinha vestida de noiva querendo casar porque ele ficou rico e está muito tempo cozinhando o galo, e vai comprar 300 vestidos e 500 blusas, Nhô Lau querendo Chico pagar todas as goiabas que roubou disputando com a Professora Marocas querendo pagar o sacrifício o que é ensinar para ele.

Chico grita que diamante é dele, chama atenção dos que estavam em frente a joalheria e ele foge para loja do Nhô Tonho, que estava fechada e ele foge para bem longe sem ninguém ver o diamante. Chico vai pra casa, não consegue dormir e resolve enterrar o diamante embaixo de uma pedra em local bem longe, só que tem medo de alguém ter o seguido e, então, dorme, ao lado da pedra até amanhecer, quando acorda com a buzina do carro do Nhô Tonho.

Mandando pessoal na rua  irem embora, Chico entra na joalheria, quer saber quanto vale o diamante e  Nhô Tonho diz que vai fazer teste se é mesmo um diamante riscando um quadrado no vidro da estante, se for, vai cortar como manteiga. O vidro não corta e Nhô Tonho diz que ele só tem uma pedra de cristal sem valor. Chico fica triste e joga o diamante no ribeirão, se conformando que não ia se acostumar com a vida de rico. Nhô Tonho fecha a loja para tomar um refresco com o Chico no bar do Seu Joaquim e quando fecha a porta e sem eles verem, o vidro da estante se quebra, confirmando que era um diamante que o Chico jogou fora.

História muito legal em que o Chico Bento encontra um diamante enquanto trabalha na roça e não quer dividir a riqueza com ninguém, escondendo de todo mundo, inclusive dos pais dele. Ao passar sufoco, precisando enterrar debaixo de pedra e dormir em frente à pedra até amanhecer para ver quanto vale na joalheria, Nhô Tonho acha que não é diamante porque não cortou o vidro da estante, mas foram só eles saírem para o vidro cortar e Chico perdeu chance de ficar rico.

Vimos o Chico ganancioso, egoísta, não confiar nos seus próprios amigos e nem familiares, ele já tinha desejo de ficar rico para não trabalhar mais, só que a pedra tinha poder de deixar pessoa gananciosa e com ela em suas mãos queria o poder só para ele. Foi muito engraçado ver o Chico pensar que as pessoas ricas da cidade não precisaram de trabalhar pra ter carros luxuosos e comer em restaurantes chiques, falar sozinho, as previsões do futuro do que o povo da roça ia reagir se visse com o diamante, principalmente a professora Marocas achar que devia ficar para compensar o sacrifício de ensinar um aluno burro como ele. 

O final ficou em aberto, permitindo ao leitor imaginar a sequência de quando Nhô Tonho voltou pra joalheria, o que fez quando viu o vidro da estante cortado e se Chico voltou junto, também qual foi a reação dele de ter perdido oportunidade de ficar rico, se tentou procurar no riacho. Era comum histórias com finais em abertos para o leitor imaginar. Interessante que além de se divertir bastante, leitores ainda aprende que pra saber se é um diamante, tem que cortar vidro, ou seja, dava para aprender se divertindo nas histórias antigas, sem deixar didático. 

É toda incorreta atualmente por causa do tema de ganância, de egoísmo, sem querer dividir riqueza com os outros, fora ser totalmente proibido mostrar Chico trabalhando na roça, sair de madrugada para enterrar diamante e dormir no relento, além de palavras proibidas como "droga", "diacho" e "roubar" (hoje colocam que eles não roubam goiabas, e, sim, que eles pegam goiabas). O Padre ainda não tinha nome nem traços definidos ainda na época, só depois que passou a ter nome fixo como padre Lino. E o joalheiro Nhô Tonho apareceu só nessa história.

Os traços muito bons, já no estilo de desenhos da fase consagrada dos anos 1980. Era legal os pensamentos retratados com efeito de colorização azul e nessa até teve uma colorização laranja no primeiro quadrinho, pra demonstrar riqueza do povo da cidade. Cabelo da Rosinha com brilho azul porque era característica dos gibis de 1985 personagens com brilho azul no cabelo em vez de branco. Teve erro Nhô Lau sem bigode, poderia ser até um visual novo de ter tirado bigode, mas ele apareceu com bigode em um quadrinho, apontando erro, então.


A capa teve piadinha normal, sem relação à história de abertura, mas teve anúncio do título da história, um recurso que gostavam de colocar nas capas da Editora Abril, mas que ficava meio poluído de alguma forma  Nas propagandas inseridas na história, dessa vez foi só na lateral direita da primeira página das canetas hidrográficas Colorella, da "Pelikan". Foi republicada depois em 'Almanaque do Chico Bento Nº 29' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 29' (Ed. Globo, 1995)

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Mônica e Cebolinha: HQ "Dize-me com que sonhas..."

Em novembro de 1992, há exatos, 30 anos, foi lançada a história "Dize-me com que sonhas..." em que o Cebolinha faz plano infalível  para fazer com que a Mônica parasse de bater nele e no Cascão e entregar o Sansão, conversando com ela enquanto dormia. Com 16 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 71' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Mônica Nº 71' (Ed. Globo, 1992)

Escrita por Rosana Munhoz, Mônica se prepara para dormir, reclamando da canseira que os meninos aprontam com ela o dia inteiro e que pelo menos de noite lhe dão descanso. Depois que dorme, Cebolinha e Cascão surgem do lado de fora do quarto. Cascão fala para eles desistirem enquanto é tempo e Cebolinha não quer desperdiçar o seu primeiro plano infalível com bases científicas.

Cascão não entende por que tem que que participar e Cebolinha responde que se não entrar, fala para Mônica que ele estava lá e apanha do mesmo jeito. Eles entram no quarto com intenção de não fazer barulho, Cebolinha pisa em um boneco no chão que faz barulho, mas tem sorte de que Mônica não acorda.

Cascão implora para eles irem embora, Cebolinha diz que ela tem sono pesado e aproveita para xingá-la e falar alto. Cebolinha explica o plano, que viu em um programa de TV que as pessoas são muito sugestionáveis durante o sono, o subconsciente fica ligado e elas respondem perguntas, aprendem coisas e recebem ordens.

Cebolinha  testa, perguntando para Mônica se está ouvindo enquanto ela dorme e ela responde que sim. Cascão pensa que a Mônica acordou e Cebolinha diz que ela está tipo sonâmbula. Então, Cebolinha pergunta para Mônica quanto é dois mais dois ela responde, dormindo, que é quatro. Depois ele manda Mônica repetir que ela é uma dentuça e ridícula e ela repete, dando gargalhada nos meninos.

A parte mais importante do plano, Cebolinha manda Mônica não bater mais neles e entregar o coelhinho para ele quando acordar e ela confirma. Cascão pergunta por que não pega o Sansão se já está ali e Cebolinha quer que a própria Mônica entregue numa boa, por vontade própria. Eles vão embora e Cascão diz que vai passar a dormir de janela fechada com medo de alguém entrar e mandá-lo tomar banho.

No dia seguinte, Mônica acorda e comenta que teve um sonho esquisito naquela noite e ao escovar dente, ela se lembra de alguma coisa. Depois, Cebolinha já de pé, ansioso para saborear o sucesso. surge a Mônica e Cebolinha pergunta se ela dormiu bem. Mônica diz que mais ou menos, acordou com ideia fixa, uma voz na cabeça dela que tinha que entregar alguma coisa para ele e então Mônica lhe dá um chaveirinho. Cebolinha pergunta o que vai fazer com chaveirinho, a xingando de bobona e dentuça e ela bate nele. Mônica diz que pode bater, sim, o que não conseguiu foi usar a pasta de dente.

Cebolinha reclama que até para isso a Mônica é burra, confundiu "Não bater na gente" com "Não usar pasta de dente" e "coelhinho" com "chaveirinho" e voltam para o quarto dela de noite. Lá, Cebolinha avisa que a partir de amanhã não vai mais bater nem no Cebolinha e nem no Cascão e que ela vai entregar o coelhinho Sansão para o Cebolinha e ela confirma.

No outro dia, Cebolinha vai à casa da Mônica. Dona Luísa fala que a filha está tomando café, Mônica aparece, contando que já acabou porque não pode mais comer bolinho nem mamão e acha bom ver o Cebolinha, que tinha que dar uma coisa para ele e, assim ela lhe dá um socão, porque tinha uma voz falando pra dar um bofetão no Cebolinha.

Por mais 4 dias, Cebolinha e Cascão voltam ao quarto da Mônica e cada dia seguinte ela entrega uma coisa diferente: martelo, banana, espanador e escada. Depois de mais uns dias, os meninos estão com olheiras e muito sono por vários dias em claro tentando fazer Mônica entender, e Cebolinha tem esperança que dessa vez vai dar certo porque falou mais de cem vezes pra ela entregar o coelhinho. Mônica aparece, fala que vai entregá-lo uma coisa que a acompanhou desde pequenininha e que dormia abraçada com ela: o seu travesseirinho.

Cebolinha desmaia  e, dormindo, conta o plano que fez de ficar noites em claro para ir no quarto da Mônica de noite para convencer a entregá-lo o coelhinho e ela é burra e não entendia nada e dessa vez nem o Cascão entregou. Mônica o acorda, fala que está na hora de apanhar, bate nos meninos e fala que agora vai dormir com algodão nos ouvidos.

Depois, Cebolinha diz que vai dormir para tirar sono atrasado e amanhã vai preparar um novo plano novinho em folha. No final, Cascão vai ao quarto do Cebolinha enquanto está dormindo falando que é para ele não vai mais bolar planos contra a Mônica.

História engraçada em que o Cebolinha cria um plano infalível de falar com a Mônica enquanto dorme para ele conseguir a Mônica não bater mais nele e ela lhe entregar o Sansão por livre e espontânea vontade. Só que não contava que a Mônica seria burra de entender o que ele falava e sempre se confundia com coisas com palavras de sonoridades parecidas. Mônica descobre o plano por causa do cansaço dele e conversando enquanto ele dorme e no final o Cascão tenta fazer o mesmo enquanto o Cebolinha dorme para que ele não faça mais planos infalíveis.

Boa sacada do Cebolinha se inspirar em casos místicos de parassonia e distúrbio neurológico do sono de pessoas que falam e conversam dormindo e entendem as coisas enquanto dormem para se aproveitar para fazer um plano infalível. Foi o plano mais duradouro do Cebolinha, já que insistiu por dias seguidos até tentar a Mônica entender o que ele falava enquanto ela dormia. Aparentemente foram 7 dias seguidos, mas deu pra entender que foram mais dias porque depois das cenas que só mostravam ela entregando as coisas, representariam mais dias ocultos até quando os meninos passarem a ficar com olheiras e com caras de sono. 

Dessa vez não foi o Cascão quem entregou o plano, fazendo diferenciar e também não deu certo a ideia do Cascão no final já que o Cebolinha continuou fazendo planos depois disso. Foi engraçado ver a ameaça do Cebolinha para obrigar o Cascão a participar do plano, pisar no boneco, quase fazendo a Mônica acordar, ela entender tudo sem que ela pare de bater nos meninos e entregar o Sansão de fato 

Interessante os personagens do Bairro do Limoeiro dormirem com janela aberta sem se preocupar com assaltos ou alguém estranho entrar, era uma coisa muito comum nas histórias da MSP. Era um bairro bem pacato que permitiam dormir de janelas abertas. Se Mônica dormisse de janela fechada, nada disso teria acontecido. 

Incorreta atualmente por causa do tema de mexer com distúrbio neurológico de sono e com sobrenatural, história ambientada de noite, meninos ficarem noites em claro, apanharem e aparecerem surrados e com olhos roxos, além da palavra "gozado!" proibida hoje, já que tem ideia de duplo sentido sexual. Dessa vez teve erro de cor de olho da Mônica pintado de branco em vez da cor de pele na 8ª página da história (página 10 do gibi) que seria corrigido em alguma republicação.

Os traços ficaram muito bons, com direito aos personagens com dentes à mostra com bastante frequência, seja tentando aprontar uma alguma coisa, estarem felizes, estarem assustados, com medo, uma características de histórias da Rosana. Pode-se dizer que dentes expostos assim toda hora eram as caretas dela e ficavam  bons assim, deixava engraçado. Olhos com curvas sem serem pintados expressando raiva com intensidade tiveram em alguns momentos, mas não frequência como em outras histórias, já perdendo força esse recurso, que sempre personagens ficavam bonitos desenhados assim.  As cores já ficando mais fortes e diferenciando como era antes e dando mais cara de anos 1990, o papel utilizado também influenciava nos tons de cores. Muito bom relembrar essa história marcante há exatos 30 anos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Rolo: HQ "O brinquinho do Zecão"

Mostro uma história que o Zecão sofreu preconceito de todo mundo só porque estava usando brinco. Com 5 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 23' (Ed. Globo ,1988).

Capa de 'Mônica Nº 23' (Ed. Globo, 1988)

Rolo encontra o Zecão na rua e ao ver que está com brinco, começa a dar gargalhada e zoar o amigo, falando cheio de preconceito que está de brinquinho, um homão desse usando brinquinho, ficou bom, bem feminino. Zecão fica muito brabo, diz que o Rolo está passando dos limites e corre atrás dele. 

Rolo encontra seus amigos, faz fofoca para olharem a orelha do Zecão com brinco e todos dão gargalhada. Zecão afirma que são caretas e vai embora. No caminho, encontra duas mulheres, uma cochichando para outra olhar a orelha dele, se fosse namorado dela, desmanchava na hora e elas riem, deixando Zecão brabo.

Depois, ele encontra um velho, que diz que no tempo dele não tinha isso, os homens sabiam respeitar as calças que tinham, não usavam brinco nem rebolavam. Zecão reclama que tem nada de mais usar brinco, isso não vai fazê-lo menos homem. Pipa aparece, Zecão pergunta à namorada se gostou do brinquinho e ela responde que está lindo de qualquer jeito. Só que no final, antes de irem para o cinema, Pipa compra um boné estilo do Chaves tampando a orelha e o brinco, confirmando que ela se incomodou com o brinco dele.

Uma boa história que mostrou o preconceito dos amigos do Zecão e até de desconhecidos com homofobia já que ele estava usando brinco. Zecão até pensava que a Pipa tinha gostado e não ligava, mas foi só da boca para fora, ela foi sacana de lhe dar um boné para tampar o brinco, mostrando também que era preconceituosa que nem os outros.

É uma história datada, ultrapassada, típica da realidade dos anos 1980 em que o pessoal tinha preconceito com homens que usavam brincos, zoavam mesmo, achando que era coisa de mulher e homens não podiam fazer isso. Hoje a sociedade mudou e tolera de boa homens com brinco, cada um usa o que quiser, afinal, como o Zecão disse, ele não seria menos homem só porque estava de brinco. Mesmo ele ter se dado mal até no final, serviu para as pessoas depois refletirem, que não devem agir como os outros reagiram nessa história.

Com isso, completamente impublicável hoje por conta do preconceito e homofobia com o Zecão de brinco. Nem se aparecesse a Tina conciliadora no final dando bronca neles e dando boa lição de moral no final, não aceitariam atualmente. Teve até preconceito também do velho com homens que rebolam, até porque na época as músicas Pop estavam começando a entrar em evidência e tinham homens rebolando como no grupo Menudos e cantores como Rick Astley, George Michael, entre outros, por exemplo. Outra parte incorreta foi o homem negro com lábios de círculo na boca, proibido hoje porque o povo do politicamente correto acha que é preconceito aos negros chamando de palhaços e aí agora a MSP sempre altera histórias em almanaques quando os negros eram desenhados assim. Os palavrões pensados pelo Zecão também proibidos hoje.

Depois dessa do Zecão, teve também história do Cascão usando brinco e os amigos com preconceito. E também eram bem comuns histórias do tipo com personagem como o Titi e o Cebolinha usando avental para ajudarem mãe a lavar louça e os amigos zoavam que eram mariquinhas. Ou seja, anos 1980 e 1990 tiveram muitas histórias assim preconceituosas, autênticas do "Mauricio do Velho Testamento" como gostam de comentar nas redes sociais.

Chamou atenção de vários personagens figurantes, já que não tinham muitos personagens jovens fixos na Turma da Tina, além dos 4 principais. Acho que não devia ter créditos ao Rolo, ele apareceu só no início. É uma história do Zecão, aí podia se chamar apenas "O brinquinho do Zecão" ou nentão colocar crédito como "Turma da Tina em:"

Em 1988 estavam criando bastante histórias solo com o Zecão, sendo que sempre com uma participação rápida da Pipa no final. Ele foi criado em 1982 e custaram a dar destaque para o personagem em histórias solo, mas que depois isso seria avandonado, voltando a ter só histórias com namoro conturbado com a Pipa. Pode ate dizer que o boné do Zecão foi uma referência ao seriado Chaves de alguma forma, já que era raro ter referências ao seriado. Os traços ficaram muito bem caprichados, arte muito boa assim, curioso a Pipa com casaco vermelho,  diferente da tradicional camisa branca colegial, demonstrando que estavam em um dia frio visto que todos estavam de casacos ou com camisas de manga longa na história.

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Magali: HQ "Cara de pamonha"

Dia 31 de outubro, Dia de Halloween, em homenagem mostro uma história em que a Magali passou sufoco com sua cabeça se transformando em comida ao receber um feitiço da Bruxa Nada. Com 13 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 24' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Magali Nº 24' (Ed. Globo, 1990)

Escrita por Rosana Munhoz, Bruxa Xanda, que havia se mudado para o Bairro do Limoeiro por conta dos altos aluguéis dos castelos sombrios, prepara uma poção de antídoto universal das bruxarias e para ficar pronta faltava só uma singela maçã que iria pegar na macieira do seu quintal. Para a surpresa dela, as maçãs sumiram e descobre que foi a Magali quem comeu todas.

Magali explicou que viu a macieira carregada quando estava passando do outro lado do muro, pensava que comer uma maçã não faria diferença, mas estava tão deliciosa que comer uma a uma, acabou comendo todas. Bruxa Xanda não gosta de ter atrapalhado a sua poção. 

Magali comenta que quando começa a comer, não consegue parar e Bruxa Xanda lhe oferece um pedaço de bolo muito especial. Depois de comer  bolo, Magali agradece vai embora e Bruxa Xanda diz que a esfomeada vai ter uma lição.

No caminho, Magali comenta que a senhora é simpática, ainda está fome e lembra das maçãs e acaba rosto transformado em maçã. Ela senta em frente a um arbusto para dar pausa até o almoço e quando cochila, Cebolinha e Cascão veem a maçã grande, tentam arrancar e não conseguem e quando tentam dar mordida, Magali acorda e se assusta, reclama que eles queriam mordê-la e eles correm assustados pensando que era uma maçã falante.

Em seguida, Magali encontra a Mônica, que dá gargalhada, pensando que ela estava com máscara de maçã. Magali diz que não está com máscara, ao ver no espelho, tenta arrancar, não conseguem e Mônica deduz que a maçã é a cabeça da Magali e fala que está intoxicada e manda parar de comer maçã por um tempo. Como outras coisas pode, Magali lembra de banana e sua cabeça se transforma em banana.

Magali desmaia e quando acorda, Mônica manda a amiga pensar em abacaxi e a cabeça vira abacaxi, então confirmam que a cada alimento que ela lembra, se transforma nele e não sabem como vai se curar. A mãe da Magali chama para ela almoçar, Mônica não a deixa ir, já que naquela altura estava com cara de pamonha e a mãe teria no mínimo um treco.

Magali chora porque vai morrer de fome, Mônica vai buscar algo pra ela comer enquanto ela pensa em pizza e hambúrguer. Ao levar uma melancia, Magali fica com cara de melancia e não consegue comer porque não ia devorar alguém da espécie dela e, então, não vai conseguir comer nada. Magali corre desesperada, encontra um vendedor de sorvete e ela se transforma em um sorvetão. As crianças veem a Magali e a perseguem para devorá-la e ela se esconde com a Mônica.

Magali chora que nunca mais vai ser a mesma e nunca mais vai comer nada. Bruxa Xanda aparece e vê que ela aprendeu a lição. Diz que pôs feitiço nela por ter devorado as maçãs e agora que fez o antídoto com maçãs compradas no mercado, ajuda a voltar ao normal. Bruxa Xanda fica feliz que a poção funciona e vai ficar poderosa, mas Magali acaba tomando toda a poção universal por estar com muita fome, fazendo Bruxa Xanda desmaiar.

História muito engraçada em que a Bruxa Xanda coloca feitiço na Magali para se vingar e para ela aprender uma lição por ter comido as maçãs do seu quintal que seriam ingredientes da sua poção que cura tudo, fazendo a cabeça da Magali se transformar na comida que pensava. Depois de muita confusão, Bruxa Xanda faz a Magali voltar ao normal com a poção, mas não contava que ela tomaria toda, fazendo com que a Bruxa não fique poderosa e confirmando que Magali não aprendeu lição depois de tudo que passou e que a poção não curava tudo, visto que não conseguiu acabar com a gula da Magali.


Eram muito boas as histórias da Magali passando sufoco por sua gula, cada coisa absurda que ela passava, era só diversão. Foi legal ver a Magali se transformando nas comidas, Cebolinha e Cascão querendo morder a "maçãzona", crianças correndo atrás da Magali, pensando que era um sorvete gigante de fato (sem dúvida a parte mais hilária e mais marcante da história) e ela tomar toda a poção da Bruxa Xanda no final.


Eu gostava do absurdo da capacidade de personagens ouvir a mãe chamar com eles longe de casa, no caso, Magali ouviu mãe chamando pra almoçar estando distante de casa. Engraçada a justificativa da bruxa Xanda se mudar para o Bairro do Limoeiro por causa da alta dos aluguéis dos castelos sombrios, uma brincadeira com a alta inflação que o Brasil vivia na época, afetando, então, até as bruxas.


Curiosamente, a Bruxa Xanda, que inicialmente apareceria só nessa história, assim como todas as bruxas, retornou aos gibis outras vezes a partir de 2008. Parece que eles tinham intenção de em vez de criar uma bruxa diferente a cada história, aí colocariam a Bruxa Xanda fixa em histórias com bruxas. Mas, pelo visto, mudaram de ideia depois, pois ela voltou a sumir dos gibis depois de um tempo e apareceram outras bruxas. Acho melhor assim de cada bruxa diferente a cada história porque cada bruxa tinha alguma particularidade que diferenciavam roteiros. Hoje, de fixa só a Bruxa Viviane, que inicialmente era muito mais perversa, mas agora é uma bruxa cômica por conta do politicamente correto.


Na sua fase de ouro, a MSP não fazia histórias específicas de Halloween, então, histórias envolvendo bruxas e monstros que são consideradas como de Halloween. Impublicável hoje em dia por não gostarem de mostrar absurdos nas histórias e nem fome exagerada da Magali e tem algumas palavras proibidas como "gozação" para não ter duplo sentido, "credo" por envolver religião, assim como expressão "é a vovozinha" para não falar mal da avó.


Os traços ficaram excelentes, era muito bom ver desenhos assim. Tiveram alguns erros como Mônica falar de boca fechada na 7ª página da história (página 9 do gibi) e na colorização de Magali aparecer com vestido vermelho em vez de amarelo enquanto ela corria com cara de melancia, na 9ª página da história (página 11 do gibi). Eram muito comuns erros assim na época.