segunda-feira, 8 de julho de 2013

Clássicos do Cinema nº 38 - Os Vingadoidos


"Clássicos do Cinema Turma da Mônica" é uma publicação com histórias que satirizam os filmes de sucesso do cinema. Nessa postagem falo da coleção como um todo e meus comentários sobre essa última edição sobre os Vingadoidos.

Lançada em 2007, é uma das melhores publicações da MSP no momento. Com 52 páginas, capa envernizada, formato 19 X 27,5 cm e periodicidade bimestral, tem forte influência no gibi "As Aventuras dos Trapalhões" da Editora Abril do final dos anos 80 e início dos anos 90, em que eles também parodiam filmes conhecidos. E também de "Gibizão da Turma da Mônica" da Editora Globo que tinha a mesma proposta.

Normalmente "Clássicos do Cinema" são histórias inéditas, mas tem algumas edições que colocam republicações, que podem ser do material que saiu em "Gibizão da Turma da Mônica" ou com temas específicos, como "Filmes de Terror", "Filmes de Comédia", "Filmes de Aventura", etc. Nesse caso, são várias histórias em uma única edição sobre o tema, que foram também paródias ou referências a filmes que saíram nos gibis convencionais, enquanto que nas edições que apresentam inéditas, são com história única. A última edição que teve republicações até agora foi a nº 31 de "Histórias de detetive". Depois dela, só histórias inéditas.

Enquanto que os gibis convencionais atuais estão voltados mais para crianças menores, "Clássicos do Cinema" atendem as crianças maiores por volta de 10, 11 anos e por isso agradam também a um público mais adulto. A gente nota a diferença no roteiro, comparando as edições: os gibis convencionais ultimamente só se passa no bairro do Limoeiro e tudo é a mesma coisa; já "Clássicos do Cinema" tem uma linguagem diferente, mais ágil e dinâmica, tem aventura, estão em mundos diferentes, embora tem algumas edições que viajam muito e exageram na metalinguagem. 

As histórias costumam ter a participação da turma toda, com vários núcleos juntos nelas. São mais frequentes as participações de Astronauta, Bugu, Louco, Xaveco e Capitão Feio. A coisa boa que o preço não teve reajuste até agora: desde 2007 custa R$ 5,50. O que eu não gosto é da capa envernizada. O verniz fica bonito na hora, mas depois com o passar do tempo, fica feio, estraga, fica a impressão digital. Eu até coloco as edições em plástico depois de lido pra não estragar. Apesar de ter uma proposta mais diferente, eu não coleciono, compro mais as edições que me interessam, com filmes que gostei e que seriam legal ver sob a ótica da Turma da Mônica.

Sobre essa edição nº 38 dos Vingadoidos está muito boa. Como dá pra saber é uma sátira ao filme "Vingadores". Na trama do gibi, uma caixa mágica que é capaz de realizar sonhos é roubada pelo Loqui (Louco) e eles tem que recuperá-lo." Como de costume tem a participação da turma toda. Muitas tiradas boas e muito legal ver o Chico Bento encarnando o Caipirão América.


Como destaque, mostra uma cena reunindo vários personagens arqueiros dos filmes, desenhos e quadrinhos, como o Hank de "Caverna do Dragão". Só achei que ficou faltando o Arqueiro que aparecia nos desenhos da She-Ra. Eles tem costume de colocar vários personagens em uma cena desde a edição nº 15 sobre "Cascão Porker", quando na ocasião, colocaram vários bruxos e magos da ficção, incluindo o Mestre dos Magos de "Caverna do Dragão". Até como uma forma do leitor adivinhar os personagens históricos. E isso ficou mais frequente a partir do nº 24 sobre "Avaturma" (Avatar), que colocaram na cena, muito bem desenhados, vários personagens azuis, como o Sonic, o Aladim, o Papa Léguas, o Perninha de "Tiny Toon", etc.

Interessante ver também no roteiro dessa edição dos Vingadoidos, referência a outros universos conhecidos da TV e dos quadrinhos, como a referência ao seriado "Chaves", na parte que o Xaveco fala "A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena" e também a Disney quando falam "patacas". E porque não ao Cérebro de "Pink e Cérebro" ao falarem "Faremos na próxima vez o que fazemos todas as noites... tentar conquistar a Terra". Tudo não deixa de ser homenagem, assim como as cenas com os personagens da TV e cinema reunidos.


Outro destaque é ver o Jeremias dando chute no Bugu, como o Bidu fazia nas suas histórias. Coloquei "fazia" de propósito mesmo, já que nas histórias atuais dos gibis convencionais, o Bugu infelizmente não leva mais o clássico chute do Bidu por causa do politicamente correto. 

Sem dúvidas, "Clássicos do Cinema - Vingadoidos" é uma ótima edição. Para quem gosta de cinema, heróis e quadrinhos é um prato cheio que vale a pena dar uma conferida. Fica a dica.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Bidu 50 Anos


"Bidu 50 Anos" foi o primeiro livro da série lançado pela MSP em 2009. Nessa postagem vou falar como foi e a minha opinião sobre esse livro que comemorou os 50 anos de criação do Bidu.

Com capa dura e miolo com papel off-set, foi o mais barato da coleção, junto com o do Cebolinha. Enquanto os volumes de Chico Bento e Cascão custaram R$ 58,00 cada um, esse do Bidu e o do Cebolinha foram R$ 39,90. Acredito que o do Bidu foi mais barato porque havia sido lançado o livro "MSP 50" ao mesmo tempo, custando R$ 98,00 a versão capa dura, sem contar os outros lançamentos, tudo ao mesmo tempo na Bienal e, com isso, deixaram essa edição mais barata. E também porque muita gente não gosta das histórias do Bidu e, pra chamar mais atenção, ficou mais barato. 

Eu, particularmente gosto do Bidu. Afinal, o mesmo personagem tem vários universos diferentes bem explorados: ora ele é um cachorro que conversa com objetos, ora é um cachorro personagem de história em quadrinhos com todas as suas metalinguagens, ora é um cachorro-ator ou, ainda, é simplesmente um cãozinho normal do Franjinha. Acho que por causa dessas faces tão diferentes dele, confunde um pouco o público e muitos não gostam.

Uma página mostrando a evolução do Bidu e uma página com a HQ "A Coinsciência do Bidu" (1960)

A capa de "Bidu 50 Anos" é uma releitura de Bidu nº 1 da Editora Continental. A edição começa com um editorial, falando da edição e do Bidu e só tem 2 páginas de curiosidades. Uma antes das histórias, mostrando a evolução dos traços, e uma outra depois da história em mangá, mostrando a seção "Cães famosos do cinema e da tevê", onde são  mostradas 11 cenas de cães para o leitor descobrir quem está parodiando. Algumas delas foram o Bidu encarnando o Snoopy, o Scooby Doo, o Rin Tin Tin, dentre outros. 

Seção Cães famosos do cinema e da tevê"

Isso achei fraco, podiam muito bem explorar mais curiosidades, mostrar algumas tiras de jornais de todos os tempos, mais informações, assim como as capas de gibis do Bidu, como o Almanaque dele da Editora Abril (1981), Gibizinho do Bidu (Ed. Globo, 1991), o livro "As Melhores Histórias do Bidu" (Ed. L&PM, 1991), etc. Foi um grande vacilo. 

A relação das histórias publicadas de "Bidu 50 Anos", com o número da edição e ano de cada uma que eu sei, foram essas:

  1. A consciência do Bidu (1960)
  2. Bidu (1960)
  3. O Cachorro falante (MN # 1 - Ed. Abril, 1970)
  4. No mato sem cachorro (MN # 23 - Ed. Abril, 1972)
  5. O valentão (MN # 25 - Ed. Abril, 1972)
  6. Olha eu" aqui, gente! (MN # 32 - Ed. Abril, 1972)
  7. Bidu
  8. Bidu Mecânico (CB # 55 - Ed. Abril, 1977)
  9. A volta do velho Rin Ti (MN # 164 - Ed. Abril, 1983)
  10. O filho do Bidu (CB # 150 - Ed. Abril, 1985)
  11. Chore com o Bidu (CB # 158 - Ed. Abril, 1986)
  12. O cão pião (CB # 28 - Ed. Globo, 1989)
  13. Vida de cachorro (MN # 55 - Ed. Globo, 1991)
  14. Tem que ter raça! (MN # 74 - Ed. Globo, 1993)
  15. Astros especialmente convidados (MN # 76 - Ed. Globo, 1993)
  16. Feijão com arroz (MN # 78 - Ed. Globo, 1993)
  17. O Fã
  18. Casa Nova (CB # 180 - Ed. Globo, 2001)
  19. Adivinha o que aconteceu?
  20. Esqueceu? Tente lembrar!
  21. Bidu-mangá (inédita, estrelada pela Turma da Mônica Jovem)

Foram republicadas 20 histórias em ordem cronológica de todas as fases do Bidu, desde os primórdios da Editora Continental até às histórias atuais, finalizando com uma história inédita em mangá, que sempre acho desnecessário nesses livros. E nenhum universo do Bidu ficou de fora nessas republicações.

As duas primeiras histórias são da Editora Continental, e nem são coloridas, já que naquela época os gibis não eram coloridos. Depois começam as histórias da Editora Abril, sendo 9 no total (6 dos anos 70, e 3 dos anos 80), todas explorando bem os traços e características do Bidu, como tem que ser esses especiais. Como destaque tem "O Cachorro falante", em que um mágico faz o Bidu falar, com a versão redesenhada e colorida para o gibi da Mônica, sendo que no fac-smile tem essa história. Então, permite ao leitor comparar as duas versões dessa mesma história.

Trecho da HQ "O Cachorro falante" (1970)

Outras de destaque da Editora Abril são "O valentão", que mostra como o Bidu se tornou o cachorro do Franjinha; "'Olha eu' aqui, gente!", que é a estreia do Bugu nos gibis; "Bidu" que mostra ele contracenando com o cachorro do Louco (tinha um período dos anos 70 que o Louco deixou de perturbar o Cebolinha e atazanava mais a Mônica e o Bidu). Não gostei da história "Bidu Mecânico" (em que o Franjinha inventa um cachorro-robô para um concurso de invenções) por ser muda de 6 páginas. Até de estranhar, já que naquela época não eram comuns histórias mudas longas assim.

Dos anos 80 da Editora Abril, destaco a boa "A volta do velho Rinti",o cachorro Rinti já velho (paródia do Rin Tin Tin), pede ao Bidu um papel na história do Bidu e então os dois vivem uma aventura de faroeste, mas Rinti não consegue acompanhar o ritmo de aventura por estar velho demais.

Trecho da HQ "A volta do velho Rin Ti" (1983)

Já as histórias da Editora Globo também tiveram 9 histórias no total. Todas também explorando todos os traços e os universos do Bidu. Todas foram muito boas, e, como destaque as histórias "O Cão Pião", em que o Bidu encarna um lutador de boxe decadente, com participação do Sylvester Stallone no final; "Vida de cachorro", em que o Franjinha vira cachorro por um dia, além de "Feijão com arroz" em que Bidu fica inconformado em sempre contracenar com Dona Pedra e exige ao Manfredo uma história de muita ação e efeitos especiais. Seria bom que colocassem um pouco mais de histórias ao longo dos anos 90.

Trecho da HQ "O Cão Pião" (1989)

A partir de "O Fã" eu não conhecia antes as histórias, já que são mais novas e da fase que não colecionava mais os gibis. Dessa fase dos anos 2000, destaco a história "Esqueceu? Tente lembrar!", que pode ser a que marca a volta do Zé Esquecido aos gibis. Muitos podem pensar que o Zé Esquecido é um personagem recente, mas ele é antigo, mas já aparecia nas tiras antigas de jornais dos anos 70 e 80 com os mesmos traços, como a gente pode ver em "As Grandes piadas do Bidu" nº 6 (Ed. Globo, 1987). Não gostei das histórias "Casa Nova" em que as pulgas do Bidu procuram outro cachorro pra morar e "Adivinha o que aconteceu?", em que o Bidu fareja pegadas da Turma da Mônica. Essa última além do roteiro ser fraco, não gostei também por ser praticamente muda de 5 páginas. Definitivamente, não sou fã de histórias mudas e muito menos longas assim em um especial desse porte.

Em relação às terríveis alterações teve na história "A volta do Velho Rinti". Não podia faltar alguma mudança. Na original, o cachorro malvado aparecia com um charuto na boca e agora tiraram por causa do politicamente correto. Interessante que tiraram o charuto, mas não tiraram a fumaça, confirmando que essas alterações são sempre mal feitas.

Além disso, tiveram mudanças de cores, como o Rinti que era marrom escuro na original e agora colocaram em tom mais claro, o cachorro que estava piano era azul e agora em "Bidu 50 Anos" colocaram cinza, para deixar somente o Bidu com cor azul. Menos significativo em cor, o detetive tinha camisa verde e agora colocaram camisa vermelha e também os pelos eram mais rosados na original. Abaixo, a comparação desse trecho, sendo que a imagem original eu tirei do livro "As Melhores Histórias do Bidu", de 1991 (Editora L&PM), coleção de livros que não tinha absolutamente nenhuma alteração.

Trecho da história "A volta do velho Rinti", tirada do livro As Melhores Histórias do Bidu" (1991)

Trecho de "A volta do velho Rinti" alterado em "Bidu 50 Anos": cachorro sem charuto na boca

O livro termina com a história "Bidu-mangá" inédita, como o nome mesmo diz, em versão mangá, bem chata por sinal. Talvez colocam histórias em mangá nesses livros para incentivar as crianças a comprar.
Contracapa

Sobre o fac-smile de "Bidu # 1" da Editora Continental que veio de brinde foi sensacional. Trata-se de uma reprodução  da revista original de 1960, com formato canoa de 18 X 26 cm, capa off-set e miolo de gibi convencional. São 36 páginas, com 8 histórias em preto e branco. Na página 2 veio um editorial falando do Bidu e da nova revista, na página 35 mostra a primeira tira do Bidu de 1959 (que aí provavelmente colocaram pra suprir o espaço de alguma propaganda da época) e na página 36 mostra uma propaganda da revista Zaz Traz, publicação que também saia histórias dos personagens do Maurício no final dos anos 50 e inicio dos 60.

Capa de "Bidu # 1 (1960)

As histórias são da época em que o Maurício estava começando a carreira, com traços desproporcionais e com direito até do Franjinha gordo. Tem gente que não gosta dos desenhos desse jeito, mas eu gosto, acho bem bacana ver como eram e curto bastante. O formato das histórias apresentam muitas vezes 3 quadrinhos nas horizontais, em vez dos habituais 2. E várias são repletas de maus exemplos, inadmissíveis nos dias de hoje, como Franjinha dar pedrada no mágico, Franjinha espetar o Bidu com uma faca, dentre outras.

Trecho da HQ "O Cachorro falante" (1960)

Esse gibi começa com a história "O cachorro falante" que, como falei anteriormente, foi redesenhada dez anos depois para o gibi da Mônica nº 1. Outra história de destaque é "O filhote de fantasma" em que o Franjinha encontra com um fantasma deprimido no porão. Provavelmente, foi inspiração para a criação do Penadinho, que teve sua estreia mesmo em uma tira de jornal do Cebolinha em 1963. 

Contracapa de Bidu #1 anunciando a revista "Zaz Traz"

"Bidu 50 Anos", então, é uma ótima edição, o melhor livro da série "50 Anos" até agora. Só ficou devendo nas curiosidades que merecia algo bem melhor e à altura de um livro como esse. Porém, a maioria das histórias e, principalmente, a reprodução da rara edição "Bidu # 1" da Ed. Continental compensam esse especial e no geral consegue ser bom assim mesmo.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Chico Bento: HQ "Aniversário na escola"

O dia 01º de julho é oficialmente o aniversário do Chico Bento. Em homenagem a data, compartilho uma história muito engraçada de quando o Chico fez plano infalível para poder comemorar seu aniversário na escola. Tem 13 páginas e foi publicada originalmente em Chico Bento nº 220 (Ed. Globo, 1995).


A trama começa contando o que aconteceu em 1994, um ano antes de passar a história. É mostrado que vários amiguinhos do chico comemoravam aniversário levando um bolo para a escola. Quando chega o dia do aniversário do Chico, ele pede para mãe fazer um bolo para levar também, mas quando chega descobre que não tinha ninguém na escola. É que o último dia de aula era no dia 30 de junho e a partir do dia 01º de julho todos entravam de férias, bem no dia do seu aniversário.

Chico fica arrasado, já que não contava com essa. A mãe até estava tentando avisá-lo, mas ele estava tão entusiasmado de levar bolo para escola que não deixava ela contar. E não queria comemorar no dia 30 de junho.


Então, chegando em 1995, um ano depois do ocorrido, os seus amigos já começam a levar bolo para comemorar aniversário na escola. Sendo que, por volta do dia 15 de junho, a professora Marocas dá um aviso à turma que estão com nota baixa e eles têm que fazer um trabalho de História para aumentar a média, e quem não atingir a média ficará em recuperação paralela no mês de julho inteiro.


Por causa disso, Chico prepara um plano infalível para poder comemorar seu aniversário na escola no dia 01º de julho. O plano é roubar os trabalhos dos seus amigos durante a madrugada do dia da entrega para que todos fiquem em recuperação e tenham que ir à escola no dia do seu aniversário.


Então, por duas semanas, enquanto os alunos faziam os seus trabalhos, chico ficava numa boa, sem se preocupar com nada, nadando no rio, roubando goiaba, dormindo. Até que chegou  anoite de 29 de junho e começa a pôr seu plano infalível em ação. Finge que vai dormir e sai escondido na calada da noite para pegar os trabalhos dos seus amigos, de casa em casa, através de várias artimanhas. E dá sorte que todos dormem de janela aberta. Na verdade, ele já sabia disso.


Chega a manhã do dia 30 de junho, que seria o último dia de aula. Quando a professora Marocas pede os trabalhos para corrigir, ninguém encontra na mochila. Ela dá zero pra todo mundo e todos são obrigados a ir no dia 01º de julho, assim como o Chico queria. Então, chega o dia do aniversário do Chico, que leva o seu tão esperado bolo para comemorar. Eles cantam parabéns, cortam o bolo e então, o Chico resolve contar que os trabalhos estão com ele. Todo mundo fica revoltado com o Chico pelo susto que levaram e por terem que ir á escola, porém é descoberto que o Chico não tinha feito o trabalho.


No final, só o Chico Bento fica em recuperação paralela, com todos os seus amigos sem falar com ele, a professora irritada por ter que trabalhar nas férias só por causa dele e, com isso, resolve que no ano que vem comemora o aniversário no dia 30 de junho mesmo, como sua mãe sugeriu.


Como deu para ver não é só o Cebolinha que faz planos infalíveis. O Chico também tem os seus. Só não apanhou, mas se deu muito mal no final. Adoro essa história, tem traços e roteiro excelentes. Mesmo aprontando muito durante a história toda, ele teve a lição que merece. Muito legal ver o Chico saindo de madrugada para pegar os trabalhos dos amigos. O olhar e o sorriso na hora, sabendo que está fazendo travessura, são ótimos também. Só ficou estranho, no início da história, de como uma escola ficar com a porta aberta sem ter ninguém dentro, mesmo sendo na roça, mas nem importa, já que é a magia dos quadrinhos e tudo é permitido, sem precisar levar tudo a sério.


 De curiosidade, apesar de ser uma história especial de aniversário, a capa não fez alusão à história de abertura, foi uma piadinha como nas outras edições, só mencionou que tinha história sobre o tema. Uma história excelente que compartilho aqui e sempre bom lembrar. Na postagem coloquei a história completa. 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

As Melhores Histórias do Pelezinho nº 5


Já nas bancas "As Melhores Histórias do Pelezinho" nº 5 com republicações de histórias sensacionais dos últimos números do Pelezinho da Editora Abril. A maioria delas com situações incorretas e beirando o absurdo, coisa muito comum na época e que comento nessa postagem.

Com uma piada muito legal na capa, essa edição tem 14 histórias, incluindo a tirinha final.  O gibi começa com a história "O salvamento". Nela, o Pelezinho prende a sua calça na janela quando vai jogar bola. Ele não vê e é puxado pra trás, quebrando os vidros da janela e a casa toda e vai parar dentro do fogão! Com o detalhe que o forno estava ligado, assando um bolo. E ele passa vários sufocos para poder sair de lá sem a mãe ver, pensando que ela iria brigar com ele porque estragou o bolo dela. É uma história toda errada para os padrões atuais: como uma criança vai entrar em um fogão com bolo assando sem se queimar todo? Como ele atravessa o vidro sem se cortar? Nem importa esses absurdos, o que interessa é a diversão garantida.

Trecho da HQ "O salvamento"
Situação semelhante acontece na história "O vulcão", em que Pelezinho cava um buraco para pegar uma bola e fica entalado na saída e, para sair, se rola até se chocar com uma vidraça. Ele sai ileso sem sofrer nenhum corte e arranhão sequer.

Outra história de destaque é "A quadrilha" em que aparece o Frangão se equilibrando na fachada do 6º andar de um prédio para pegar uma bola e os moradores ficam desesperados para saber como ele foi parar ali e até pensando que estava querendo assaltar. O motivo dele estar ali é meio óbvio, o que é interessante, além do bom roteiro, é ver o Frangão no alto do prédio á risco de cair lá de cima, algo inadmíssível nos gibis atuais, porém nos anos 80 era normal.

Trecho da HQ "A quadrilha"
Em "A escalação", um computador cai no meio do campinho de futebol, o Cana Braba tenta tirar as peças para ficar mais leve de tirar dali e acaba ficando preso dentro. O absurdo fica por conta de quando o dono do computador liga na tomada, o choque que leva não acontece nada com o Cana que estava dentro, e nem com o próprio dono. E o detalhe do computador tipo mainframe, já que na época não era raro alguém ter desktop. 

Trecho da HQ "A escalação"
Esses absurdos nas revistas antigas que eram a graça e faziam toda a diferença. Em uma época que não tinha preocupação com o politicamente correto, são situações que aconteciam normalmente nos desenhos animados da época, principalmente dos Looney Tunes, e que eram aproveitadas nos gibis, sem problema nenhum. As outras histórias desse gibi são normais, em relação a algo incorreto, mas mesmo assim não deixam de serem boas também; algumas envolvem futebol, outras não. Todas muito divertidas. 

Nessa edição, aparentemente, só houve uma alteração em relação ao material original, foi na história "Furou a bola" (em que o Cana Braba fura a bola do Pelezinho), se referem a "trinta reais" em vez de "cruzeiros", nada muito sério, até compreensível, e não altera o sentido da história, embora preferia o texto original.

Enfim, um gibi muito bom para quem gosta e tem saudades de ver cenas incorretas nos gibis que estão extintas nos gibis atuais. Recomendo a todos. Para ver mais comentários sobre essa coleção "As Melhores Histórias do Pelezinho" como um todo, clique aqui.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Os Doze Trabalhos da Mônica


"Os doze trabalhos da Mônica" foi uma publicação especial lançada pela Editora Globo em 1991. Foi a primeira edição desse formato até então. Nessa postagem, mostro todos os detalhes dessa revista e conto como foi a história dela.

Essa edição tem formato 16 X 23 cm, ou seja, maior que os gibis convencionais, porém o tipo de papel da capa e do miolo são iguais aos dos gibis convencionais. Tem 52 páginas no total, com 8 páginas destinadas à apresentação e curiosidades e o resto é uma história inédita parodiando "Os doze trabalhos de Hércules" e uma tirinha final sobre o tema. E não tem propagandas no miolo.

"Os doze trabalhos da Mônica" começa com uma página de editorial, mostrando uma apresentação da edição. A seguir começa a seção de curiosidades, com textos desenvolvidos por Sidney Gusman, contando a história da Mitologia Grega como um todo, incluindo informações sobre os deuses do Olimpo e caricatura de cada um deles. Com isso, conhecemos um pouco sobre a história dos 12 principais deuses e de seus parentescos: Zeus (senhor supremo do Monte Olimpo), Hera (deusa protetora das mulheres e dos partos), Poseidon (Deus dos mares), Deméter (deusa da agricultura), Héstia (deusa dos lares), Hefesto (deus das forjas), Hermes (mensageiro dos deuses), Apolo (deus do Sol), Artémis (deusa protetora das crianças), Atena (deusa da sabedoria), Ares (deus da guerra) e Afrodite (deusa do amor). 

Uma das páginas contando a história dos deuses da Mitologia Grega
As ilustrações com as caricaturas muito bem elaboradas, por sinal, uma arte muito boa. Depois é mostrado um texto contando a história de Hércules, o filho de Zeus, e como foram na verdade os doze trabalhos de Hércules. E cada um dos trabalhos representados com belas imagens dos personagens que fizeram parte da história parodiada na edição. E ainda é mostrado a seção "os deuses vão Roma" onde é mostrado que os deuses da Grécia tiveram seus nomes trocados em Roma e mostra um comparativo de nomes. Assim, vimos que Zeus se chamava Júpiter em Roma, Hera, se passou a chamar Juno, Hermes, era Mercúrio, e assim por diante. E fecha com a ficha-técnica da revista, algo raro nos gibis da MSP.

Uma das páginas contando sobre os verdadeiros trabalhos de Hércules
Após as curiosidades, vem a história inédita "Os doze trabalhos da Mônica". Ela tem 39 páginas no total, dividida em 3 partes, com a participação da turma toda. Mônica e Cebolinha contracenam com vários núcleos de personagens. Tanto o roteiro quanto os desenhos são sensacionais. Traços perfeitos e com uma arte rica de detalhes, até as placas colocavam com letras gregas.  

Passada na Grécia Antiga, a história começa apresentando o Hércules, falando que ele era filho de Zeus com a mortal Alcmea. Quando Zeus se casou com a deusa Hera, ela, muito ciumenta por Hércules ser filho de uma paixão antiga do Zeus, o manda que realizasse doze trabalhos dificílimos. Hércules consegue realizá-los, deixando Hera cheia de ódio.


Então, ele se casa e tem uma filha Mônica que herda sua força. Quando Cebolinha a xinga, ela arremessa tão forte o Sansão que acerta a cabeça da Hera já dentro do castelo de Zeus. Com raiva, Hera manda que ela cumpra doze trabalhos, os mesmos que o Hércules realizou. Até como uma forma de se vingar dele. Com a ajuda do Cebolinha, Mônica começa a realizar os trabalhos, só que cumpridos de uma forma bem diferentes que Hércules realizou. Os trabalhos a serem cumpridos foram esses na ordem:

  1. Dominar um leão invencível e furioso que estava assustando a região de Nemeia. A solução encontrada foi tirar o espinho do pé do leão que o incomodava e sempre que ele se aproximava para pedir ajuda, todos corriam. O leão era o Rei Leonino.
  2. Vencer a Hidra de Lerna, um monstro de sete cabeças. Tinham que descobrir qual das cabeças é a vital. A solução foi a Mônica acertar uma pedra gigantesca em cima da hidra, matando por completo.
  3. Vencer um elefante que está arrasando a aldeia de Arimanto. A solução foi o povo alimentá-lo uma vez ao dia, já que ele precisava sair pra buscar àgua e alimentos. O elefante era o Jotalhão.
  4. Pegar uma corça de patas de bronze superveloz e arisca. A solução foi o Cebolinha arrumar uma super-rede pra apanhá-la desprevenida.
  5. Espantar aves na aldeia de Estínfalo que faziam barulho ensurdecedor quando cantavam. A solução foi a Mônica chorar mais alto que elas e acabaram indo embora. O povo de Estínfalo foram interpretados pela turma do Piteco.
  6. Limpar o estábulo com quinhentos mil porcos do rei Cascão de Áuguias. A solução foi cavar um canal do rio até o estrábulo, lavando todos os porcos de uma só vez. 
  7. Enfrentar um touro feroz na ilha de Creta. Sem querer, descobrem que eram o Franjinha e o Titi que se disfarçavam de touro pra assustar o povo da região, solucionando o caso.
  8. Enfrentar as éguas de Diágenes que comiam gente. Cebolinha foge da missão com medo e é capturado. Mônica encontra o rei que a leva até as éguas e encontra o Cebolinha preso e elas recusando a comê-lo por não gostarem de cebola. A solução foi a Mônica oferecer alfafa a elas, que gostaram. O rei de Diógenes era a Dona Morte.
  9. Conseguir o cinturão de Hipólita, a rainha das amazonas. A solução foi trocar o cinto dela pelo da Mônica. A Hipólita era a Tina.
  10. Tirar os bois do Gerião, um gigante de três cabeças, devolvendo ao pastor Chico Bento. Mônica aceita o desafiar numa luta e ganha ao falar que é simpático, principalmente a cabeça do meio. Ao virarem a cabeça, vai a nocaute. E Mônica passa a ser a nova dona da região, que passa o poder ao Chico Bento.
  11. Pegar uma maçã de ouro do jardim das Hespérides, onde tinha Magali como guardiã. A solução foi falar que tinha várias frutas mais gostosas no jardim para ela tomar conta. Ela fica desesperada e sai correndo para devorar as frutas, enquanto eles conseguem pegar a maçã.
  12. Descer ao inferno pra pegar Cérbero, o cão de duas cabeças. Sendo que o rei Hades Feio não permite. Para esse trabalho, ela tem uma ajuda de Zeus e seu mensageiro Hermes, que levou o Sansão até lá na hora que eles estavam presos a chamas. Mônica pega o coelho e taca no rei, anulando o poder dele e das chamas. Eles pegam o Cérbero, que era o Floquinho, e cumprem, com isso, os doze trabalhos.

No final, Hércules fica orgulhoso da filha e Hera considera cumpridas as tarefas. Só que Mônica descuidada acaba dando outra coelhada na cabeça de Hera e o Cebolinha corre com a Mônica antes dela acordar, dizendo: "Lápido, Mônica! Senão lá vem mais doze!"


Como pode ver, tudo foi adaptado ao universo da Turma da Mônica de uma forma muito criativa. Logicamente a história de Hércules não era assim, era muito violenta por sinal. Para se ter uma ideia, na verdade, Hércules teve que cumprir as 12 tarefas para seguir com a alma em paz por ter matado a família inteira por causa de um feitiço da Hera. E na história dessa revista especial, foi tudo tratado de forma leve e com muito humor.


Essa história já foi republicada duas vezes. A primeira vez foi em "Gibizão da Turma da Mônica nº 3" (Ed. Globo, 1996), sendo que nessa edição não foram republicadas as curiosidades, apenas a história. A outra foi em "Maurício Apresenta nº 1" (Ed. Panini, 2008), onde aí sim eles republicaram também as curiosidades que saíram na revista original, com a diferença que as colocaram depois das histórias e reestruturadas tamanhos pra caber em 4 páginas, enquanto que na revista de 1991 essas curiosidades antecediam a história e tinha 8 páginas no total, como falei anteriormente. Ambas republicações com capas diferentes da original. Eu só tenho a original de 1991 que acho a melhor de todas, inclusive a capa. Material original sempre é melhor, com as cores originais, fora que ainda acho que é a melhor capa, mesmo sendo mais simples. Afinal, o simples continua ser o melhor. 

Capas de "Gibizão Turma da Mônica" nº 3 (1996) e "Maurício Apresenta" nº 1 (2008)

Sem dúvida "Os doze trabalhos da Mônica" foi uma edição espetacular, não só pela história fantástica e de alto nível, mas também pela oportunidade dos leitores conhecerem as curiosidades da Mitologia grega. Com certeza um grande marco da MSP, que sempre vale a pena ser relembrada. Dá pra ler, tanto a história  completa, quanto as curiosidades da Mitologia Grega no site oficial da Turma da Mônica. Termino a postagem com uma propaganda anunciando esse gibi que saía nos gibis de 1991:

Propaganda tirada de Magali nº 56 (Ed. Globo, 1991)