sábado, 24 de maio de 2025

Tirinha Nº 115: Cebolinha

Nessa tirinha, Cebolinha tira seus brinquedos que caíram nos pelos do Floquinho e, para surpresa dele, depois de tirar tudo, tem mais nada do cachorro, simples sumiu sem as tantas coisas dentro dele. Cebolinha nem imaginava que tinha tudo aquilo dentro do Floquinho e muito menos  que ele iria sumir, recuperou todos seus brinquedos,  mas ficou sem cachorro. 

Floquinho foi marcado como um cachorro diferente que qualquer coisa entrava na sua pelagem, inclusive pessoas podiam entrar nele e Cebolinha ficava em dúvida se era um cachorro de verdade. Era muito legal esses absurdos, nada com a realidade, era só diversão. 

Tirinha publicada em 'Cebolinha Nº 29' (Ed. Globo, 1989).

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Chico Bento: HQ "Óia a onça!"

Mostro uma história em que o Chico Bento cata laranjas e deixa o Zé Lelé para avisar caso apareça uma onça. Com 8 páginas, foi história de abertura publicada em 'Chico Bento Nº 109' (Ed. Abril,  1986).

Capa de 'Chico Bento Nº 109' (Ed. Abril, 1986)

Chico Bento e Zé Lelé vão em direção a uma laranjeira na beira do riacho. Zé Lelé tem medo porque ali tem muita onça, Chico fala que ele vai carregar o cesto e Zé espera para ajudar a carregar e se aparecer uma onça, só gritar "óia a onça!" que ele vem correndo para acudir o primo.

Chico sobe na árvore e Zé Lelé grita "Óia a onça!". Chico vem correndo e Zé Lelé diz que não tem onça, que foi só para testar se vinha mesmo. Chico sobe de novo na árvore, Zé Lelé grita e fala que viu nenhuma onça e só queria saber se o Chico dava para escutar lá da árvore. Chico fala que escuta muito bem e que é para parar de chamá-lo toda hora, precisa catar as laranjas.

Com Chico na árvore, Zé Lelé grita de novo 3 vezes, Chico pensa que é verdade, e na hora Zé Lelé fala que depois dos alarmes falsos, queria ver se o Chico ainda acreditava nele. Chico fica furioso, falando que se fizer de novo, acerta uma paulada na cabeça dele. Chico sobe na árvore, Zé Lelé grita várias vezes, Chico não dá bola e cata as laranjas. 

Quando volta, encontra uma onça e pensa que ela engoliu o Zé Lelé. Chico dá paulada na cabeça da onça, que o ataca e vai embora. Chico fica com remorso que o Zé morreu por culpa dele e nunca vai se perdoar. Chega na vila e dá de frente com o Zé, pergunta como se ele escapou da onça. Zé Lelé diz que não viu onça, como gritou e não veio, foi embora porque se vier uma onça de verdade, não ia depender dele. No final, Chico fica com raiva e  corre atrás do Zé tacando as laranjas nele pela vila e Zé Lelé gritando "Óia o Chico!".

História engraçada em que o Chico deixa o Zé Lelé para avisar se aparecer uma onça enquanto catava laranja e o Zé Lelé grita "Óia a onça!" toda hora para testar se o Chico viria mesmo. Chico se cansa e não ouve o chamado do Zé e depois que viu uma onça ali pensou que ela comeu o primo. Descobre no final que Zé estava vivo e saiu com medo de onça aparecer e não depender do Chico aparecer para ajudá-lo.

Chico foi muito paciente, só depois da terceira vez do Zé Lelé gritar que passou a ignorá-lo, se fosse outro, na segunda já dava a paulada na cabeça dele e o gnorava. Também ele foi muito ingênuo de acreditar que a onça engoliu o Zé só porque parou de gritar. Engraçado que coincidiu com a onça arrotando como se tivesse comido alguma coisa e aí pesou a consciência de ter sido injusto como Zé. Só no final que percebe que se preocupou à toa e foi o Chico quem virou o perigo para o Zé, não foi atacado pela onça, mas pelo Chico.

Ze Lelé foi sacana de testar Chico várias vezes, uma vez até ia lá,  já quatro vezes e impedindo de pegar as laranjas, não dá. História mostrou de forma divertida que ficar mentindo toda hora, vai acabar ninguém acreditando depois. Assim como foi a saída do Zé Lelé foi proposital, mas poderia ter aparecido onça de verdade e ele se dar muito mal. Curioso dessa vez que o Chico catou laranjas, em vez de goiabas, ficou diferente. 

Os traços ficaram muito bons, com arte-final bem caprichada característica do Alvin Lacerda. Incorreta atualmente por mentiras do Zé Lelé sobre a onça e fazer o Chico de bobo, Chico contracenar com onça, atacá-la e ser atacado aparecendo surrado, dizer que vai dar paulada na cabeça do Zé e tacar as laranjas nele no final, além dos palavrões e homem com cachimbo. Caipirês também certas diferenças com o atual como "mió", que agora colocam "mior", aímudariam para atualizar como colocam agora.

Nunca foi republicada em almanaques até hoje, seria a partir de 1998, quando republicaram com frequência histórias de 1986 do Chico Bento, só que acabaram não republicando porque já estavam com pressa em acabar com republicações de histórias da Editora Abril e passarem a republicar só as da Globo. Porém, foi adaptada em 1990 em desenho animado com mesmo título, só que mais desenvolvida no desenho, com um estilo mais parecido de histórias de gibis dos anos 1990. Então,  o desenho é famoso, mas a versão em quadrinhos é rara e só quem tem o gibi original conhece a história. 

domingo, 18 de maio de 2025

HQ "Cascão, o Menino-Tatu"

Em maio de 1995, há exatos 30 anos, era lançada a história "Cascão, o Menino-Tatu" em que ele cava um túnel abaixo da terra que nem um tatu para fugir da chuva e passa sufoco com bandidos. Com 15 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 219' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Cascão Nº 219' (Ed. Globo, 1995)

Cascão e Cebolinha estão em local descampado e começa a chover. Cebolinha pensa que que o Cascão derreteu por não ter dado tempo de se esconder, acha que devia ser sujeira até a alma e vai embora chorando. Só que o Cascão tinha cavado a terra para fugir da chuva e segue cavando até encontrar um lugar bem sequinho pra se esconder.

Cascão encontra sua casa e tenta cavar para sair pelo piso, mas o assoalho é duro e não consegue sair por ele. Enquanto isso, Seu Antenor ouve batido no assoalho, Dona Lurdinha está preocupada com a demora do filho e Seu Antenor tranquiliza que ele deve estar protegido na casa de algum amiguinho. Cascão bate de novo no piso, assusta Seu Antenor e Dona Lurdinha acha que são cupins.

Cascão desiste, segue cavando por horas e chora por ter se perdido e não saber onde está, pode estar há muitos metros abaixo da superfície, não sabe se cava para cima ou para baixo e vai morrer ali ou sobreviver comendo minhocas e talvez um dia encontre a saída, virando um monstro de menino-tatu, nem os pais vão reconhecê-lo e vão obrigá-lo a tomar banho e se desespera. 

Em seguida, ouve um barulho e cava até onde ouviu. Era um esconderijo de bandidos que estavam planejando cavar um túnel até à delegacia para soltar os colegas de cadeia. Ouvem um barulho no piso, bandido Marcão pensa que é no porão, que eles não têm, e logo veem Cascão arrebentando o chão podre e os bandidos apontam armas para ele, deixando como refém.

Marcão verifica que não tem ninguém com o Cascão e tem um túnel comprido a perder de vista, Cascão diz que cavou hoje mesmo para escapar da chuva e o bandido Maldívio o coloca para fazer o serviço que planejaram. Eles chegam em frente à prisão de segurança máxima, os colegas estão presos no térreo e Cascão cava túnel até onde eles estão. Um bandido grita que um ladrão entrou, o outro dá soco dizendo que eles que são ladrões. Os presos entram no túnel, a gritaria atrai os policiais, que descobrem que saíram pelo piso.

Maldívio acha que devem mudar de rumo já que os guardas vão esperar no outro lado do túnel. Marcão sugere que o Menino-Tatu os guie já que eles encontrou o esconderijo do nada. Cascão é ameaçado por Maldívio para usar o senso de direção para tirá-los de lá, Cascão cava com arma apontada por Maldívio e leva todos até onde era a delegacia. Maldívio reclama que ele os enganou e Cascão fala que o local era seguro para ele, se concentrou no lugar longe dos guardas, só que seu senso de direção é péssimo.

De manhã, os policiais levam Cascão de volta para casa e vê os pais e amigos chorando, achando que ele derreteu e virou poço de lama ao pegar chuva e ficam felizes ao vê-lo de novo. Cascão conta a história e os pais resolvem lhe dar banho para perder o medo de água. Não teria como fugir porque o chão era de cimento, então Cascão se enrola como bola e vai rolando até sair de casa e no final comenta que quem diria que ele é um Menino-Tatu-Bola.

História legal em que o Cascão cava um túnel igual a um tatu para se esconder da chuva e fica perdido por não encontrar um chão podre para que ele possa sair de lá. Segue cavando até encontrar um esconderijo de bandidos que planejavam soltar colegas presos cavando túnel até lá. Cascão é obrigado a fazer o serviço de cavar, até consegue soltá-los, mas para levá-los à superfície, cava até onde era uma delegacia e consegue prender todos os bandidos. No final, os pais obrigam a tomar banho e Cascão vira tatu-bola para fugir.

Para fugir do banho, Cascão é capaz de tudo, quando imaginava que não tinha como escapar da chuva em local desacampado, ele cava terra que nem um tatu. Em momentos de  medo e de perigo, personagens podiam fazer de tudo de absurdos e que seria imaginável, o próprio Cascão frisou, isso era muito bom nas histórias em quadrinhos. Interessante que ele cavava muito rápido, com muita habilidade, não foi à toa de ser apelidado de menino-tatu.

Após Cascão cavar até a sua casa e não conseguir sair, poderia ter voltado no caminho que entrou que não precisaria passar sufoco com os bandidos para ajudá-los no plano de fuga. Ficariam 10 dias para cavar túnel até á prisão e com sorte de encontrarem o Cascão, foi questão de minutos. Pelo menos agiu com esperteza de procurar o local onde era a outra delegacia para escapar deles e prendê-los. 

Cebolinha podia ter verificado melhor que a terra não era o Cascão derretido, foi legal ele pensar isso e que o amigo era só sujeira até na alma. Também surpreendente a eficácia do Cascão de fugir do banho dos pais, de última hora descobriu que além de ser tatu que cava terra, também poderia ser tatu-bola para fugir em locais com piso de cimento. Ou seja, onde quer que esteja, Cascão vai escapar do banho de qualquer forma.

Foi engraçado Dona Lurdinha dizer que são cupins batendo no piso, Cascão desviar de tesouro, petróleo e ossos de dinossauros, se seguisse caminho certo estaria milionário. Também hilário ele imaginar como seria se saísse de lá depois de muitos anos com unhas enormes, corpo coberto de terra e sem se lembrar como se fala, se transformando em um monstro menino-tatu, além do grito do  ladrão na cadeia assustado que tinha ladrões lá, mas eles eram já eram os ladrões, motivando atenção dos guardas.

Eles adoravam colocar histórias com bandidos aparecendo do nada como reviravolta no roteiro e também era bastante comum histórias com Cascão envolvido e tramas policiais, enfrentando bandidos, sendo sequestrado, ajudando em assaltos, era praticamente uma característica fixa de histórias do Cascão. Com os outros personagens poderiam ter, mas com o Cascão costumavam deixar mais pesado que o normal.

Essa história é completamente impublicável hoje em dia por ter bandidos armados, Cascão como refém, com arma apontada na cabeça e obrigado a ajudá-los no plano deles, bandido levar soco na cabeça do outro, bandido negro com círculo rosa na boca representando lábios, absurdo de Cascão cavar terra como um tatu, além de palavra proibida "gozado!". Tanto que nunca foi republicada até hoje já que histórias de 1995 do Cascão passaram a ser republicadas só na Editora Panini a  partir de 2008 e como já estava com o politicamente correto consolidado, aí não republicaram. Só quem tem o gibi original que conhece.

Traços ficaram bem caprichados do estilo clássico consagrado. Não gosto é dessas cores muito fortes e escuras nos gibis do primeiro semestre de 1995. Tiveram erros de esquecimento de gola do Maldívio no último quadro da página 8 do gibi e um acréscimo de tijolo no presídio no segundo quadro da página 12 do gibi. Provável que na parte do bandido chamar "Chipão", deveria chamar "Marcão", a não ser que tenha se referido ao bandido negro. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

E só uma curiosidade, a partir de maio de 1995, os gibis passaram a ter propagandas em capas finas interrompendo histórias. Os gibis passaram a ter 4 páginas a mais com propagandas em papéis couchés e eram dispostas em páginas de numerações fixas. Intenção não era interromper as histórias, essas propagandas podiam também sair depois de final de história e até antes ou depois de outra propaganda, isso era só uma forma de substituir as propagandas inseridas nas histórias ocupando espaço de quadrinhos ou nos rodapés ou laterais das páginas como eram nos anos 1980 até início dos anos 1990 devido que tinham muitos anunciantes parceiros. Só que quando interrompia história ficava legal que ficava um mistério do que aconteceria depois. Como eles acrescentaram páginas em vez de tirar, afetou nada, em gibi quinzenal de 36 páginas, por exemplo, passaram a ter 40 páginas com as mesmas quantidades de páginas de histórias que tinham antes. 

Esse estilo de propagandas de capas finas, que podiam ser também anunciantes diversos, não só relacionadas à Turma da Mônica, ficaram nos gibis até em 1998, sendo que com menos frequência a partir de 1997 e não tinham em almanaques, apenas em gibis convencionais mensais e quinzenais. Termino como ficavam disponibilizadas nos gibis em frente e verso para ter uma ideia de como eram, nota-se a pausa da propaganda do chocolate deu um suspense do que aconteceria depois que chegaram em frente ao presídio de segurança máxima. 

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Cebolinha: HQ "De rosto colado"

Mostro uma história em que a Mônica fica com o coelhinho colado no rosto e Cebolinha e Cascão aproveitam para fazer plano infalível. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 78' (Ed. Abril, 1979).

Capa de 'Cebolinha Nº 78' (Ed. Abril, 1979)

Uma ventania forte faz a lata de cola que o cara estava colando cartaz no outdoor cair no rosto da Mônica. Em seguida, ela coloca seu coelhinho de pelúcia no rosto, Cebolinha e Cascão a provocam e quando a Mônica vai lançar o coelhinho, ela vai junto no arremesso e descobre que está colado no seu rosto. Os meninos tentam tirar, sem sucesso, depois tentam com tesoura e Mônica entorta as tesouras neles.

Cebolinha tem ideia de um plano infalível. Mônica se imagina velhinha com o coelhinho colado no rosto, quando aparece Cebolinha disfarçado com placas que Pedrinho Aquinágua vem aí. Aparece o Cascão disfarçado de Pedrinho e Cebolinha disfarçado de tiete.

Mônica pergunta se ele é o Pedrinho Aquinágua, pensava que ele era mais alto. Cascão responde que foi porque tomou chuva ontem. Mônica quer ver o joelho dele, que é o joelho mais sexy do mundo. Ele mostra uma perna postiça, Mônica fica emocionada que  esteve com seu ídolo, que Magali vai morrer de inveja e pede um autógrafo. 

Cascão diz que não tem caneta nem  papel, mas pode dar um beijo, só que tem que ser do lado que está o coelhinho porque é supersticioso. Mônica tenta desgrudar, Cascão ajuda e consegue tirar. Mônica quer o beijo, Cascão se entrega tirando o disfarce e que foi tudo plano do Cebolinha. Mônica bate neles e no final Magali acha que o Cascão está fazendo sucesso e bem que gostaria de estar no lugar dele e Mônica diz que ela não, com Cebolinha correndo com placa atrás do Cascão para bater nele por ter estragado o plano mais uma vez.

História engraçada em que a Mônica fica com o coelhinho colado no rosto após cola cair nela e Cebolinha e Cascão aproveitam para fazer plano infalível de ela pensar que estava falando com o seu ídolo Pedrinho Aquinágua e ganharia beijo dele com o intuito de pegarem o coelhinho. Daria certo se Cascão não estragasse o plano mais uma vez porque não queria beijar a Mônica.

Cascão preferiu apanhar do que beijar a Mônica, era muito pra ele. Mônica sempre boba em acreditar nos disfarces, não prestar atenção que a tiete chamou de "Pedlinho", sempre tem sorte de Cascão estragar porque se dependesse de esperteza dela, já seria derrotada há muito tempo. Aliás, Mônica bem saidinha em querer ver joelho sexy do ator, criança na idade dela reparar e saber o que é sexy ou não.

Foi engraçado o salto que a Mônica deu ao arremessar o coelhinho colado, absurdo de entortar as tesouras nos pescoços dos meninos, imaginando velhinha com o coelhinho no rosto, Cebolinha como tiete e Cascão como Pedrinho Aquinágua, com a parte da perna postiça para mostrar joelho mais hilária, como eles imaginaram que a Mônica ia perguntar sobre o joelho. A paródia em questão foi do ator Pedrinho Aquinaga. Na época, o Sansão não tinha nome e era chamado só de coelhinho e preferi no texto sem deixar o nome dele.

Foi uma história padrão de plano infalível que mesmo batida nunca se cansa histórias de planos nesse estilo. À princípio pensava que seria muda, mas depois colocaram os devidos textos, ficou um diferencial de metade muda e metade com diálogos, lembrando que nessa fase de 1978 e 1979 tiveram muitas histórias completamente mudas em sequências nos gibis, nunca gostei muito, sempre preferi histórias com textos. 

História foi  considerada curta para padrão de abertura, mas na época da Editora Abril tiveram muitas histórias assim curtas abrindo os gibis, procuravam ser mais objetivos, indo direto ao ponto. Incorreta atualmente por absurdos mostrados de coelhinho não desgrudar com a cola, Mônica entortar tesouras nos meninos, Mônica dar atenção à perna sexy do ator e querer beijar supostamente um adulto, expressão com duplo sentido "tomou chuva" e "macaquinha de auditório" iriam problematizar muito hoje em dia por chamar alguém de macaco.

Traços ficaram bons, típicos do final dos anos 1970, já começando arredondar as personagens. Erros de tom de cor  do vestido da tiete e orelha do Sansão sem ser completamente pintada de azul no 6º quadro da 3ª página da história, Mônica falar de boca fechada no 6º quadro da 4ª página. A capa de 'Cebolinha Nº 78' ficou sensacionalista, muitas vezes capas com alusão à história de abertura na Editora Abril não tinha nada do que aconteceu na história, apenas o tema que era real. Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 5' (Ed. Globo, 1989). 

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 5' (Ed. Globo, 1989)

sábado, 10 de maio de 2025

Magali: HQ "Sorria e... engula!"

Em homenagem ao "Dia das Mães" mostro uma história em que a Magali foi entrevistada para uma revista de culinária e sua mãe aproveitou a oportunidade para que a filha ficasse famosa internacionalmente. Com 12 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 188' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Magali Nº 188' (Ed. Globo, 1996)

Dona Lili atende telefone de uma repórter da revista "Engula" sobre comida e quer entrevistar a Magali, a fama de gulosa dela chegou até lá e Dona Lili fica eufórica da filha ser famosa e ela ser mãe de uma menina famosa, pode ser início de grande carreira como modelo e atriz, viajar pelo mundo todo nas passarelas e diz que vai junto defendendo interesses e cuidando do futuro da filha. 

Dona Lili fica feliz que todos esses anos cozinhando toneladas de comida seriam recompensados e sai pra trocar de roupa e ficar bem bonita e manda Magali também trocar de roupa. Mais tarde chegam os repórteres, Dona Lili os recebe, apresenta a casa e a filha e diz para não repararem, não tiveram tempo de se arrumar. 

Começa a entrevista, a repórter lembra que a revista "Engula" é feita para gourmets, apreciadores de iguarias finas e Magali foi escolhida como personalidade do mês porque deve ter um paladar bastante apurado. Pergunta para Magali desde quando ela tem grande apetite. Dona Lili responde que desde pequenininha, eram 38 mamadeiras por dia, fora chazinhos e sopinhas.

Repórter pergunta para Magali o que ela mais gosta de comer, Dona Lili responde de tudo e citando algumas coisas que ela gosta. A repórter quer a filha responda, Dona Lili diz que vai preparar um chá para eles e volta um segundo depois, sem nem dar tempo de Magali responder a pergunta. O assistente sugere que vão fazer a entrevista na redação da revista, apenas a Magali sem a mãe ir junto. Dona Lili lamenta, mas deixa. 

Já na redação, Magali responde suas comidas preferidas por ordem alfabética e a repórter dar entrevista como encerrada porque só a lista das comidas já ocupa página inteira. Magali pergunta se não tem lanchinho porque a conversa deu fome e a repórter fala que depois de fotografarem. O assistente leva Magali ao estúdio de fotografia com as comidas expostas par serem fotografadas para a revista do mês e o assistente segura Magali para não comer.

Magali senta na poltrona para ser fotografada com melancia na mão e ela come antes de tirar a fotografia. O assistente fala que ela pode fazer tudo que quiser, só não comer aquela melancia. Magali aproveita pra comer toda a comida da exposição e o assistente manda todos fotografarem todos os pratos que ainda conseguem salvar.

Depois, Dona Lili reclama que eles estão demorando, quer ir até lá, quando eles trazem a Magali de volta, a tirando do carro e chamando de monstrinho. Magali fala para mãe que ela vai sair na revista, não haveria tempo de mudar tudo por conta da revista estar atrasada, só que o artigo vai ser um pouco diferente. No dia seguinte, Dona Lili compra a revista e vê que a matéria era os perigos do exagero e cenas chocantes do apetite descontrolado de uma menina.

Dona Lili lamenta preocupada que depois dessa pode dar adeus á carreira internacional da filha e reconhece que ela foi boba, exagerada, ridícula, até. Em seguida, aparecem repórteres da revista "À toa em forma" querendo entrevistar a Magali para saber como consegue manter o corpinho esbelto comendo tanto. Dona Lili ouve, se apresenta como mãe dela, troca de roupa e passa a responder perguntas no lugar da filha.

História engraçada em que a Dona Lili acha que a Magali poderia ficar famosa aproveitando oportunidade que a filha seria entrevistada para matéria de uma revista de culinária. Dona Lili ficou tão entusiasmada que não deixava a Magali responder as perguntas da repórter e tiveram que entrevistar na redação sem presença da mãe. Magali come todos os pratos expostos para serem fotografados para a revista e o jeito é mudarem matéria de alerta de perigo de menina que tem um apetite descontrolado. Apesar de tudo, tem uma nova oportunidade de Magali ser entrevistada para outra revista e Dona Lili faz tudo de novo como na primeira vez.

Magali começou comportada, mais lúcida que a mãe, obedecendo caprichos da mãe obcecada pela fama da filha, mas quando chega em um estúdio repleto de comida, não conseguiu se controlar, virando um monstro devorando tudo e isso ainda virou assunto da nova matéria. Se Dona Lili não fosse tão intrometida em casa, a entrevista e as fotos poderiam ter continuado lá mesmo sem precisar ir para redação e nada desse constrangimento aconteceria. A revista teve prejuízo com a comilança da Magali, mas se vingou a retratando como monstro perigoso para a sociedade que devora tudo descontroladamente, se a revista vendeu bem com o sensacionalismo, compensou o prejuízo dado.

Mostrou que Dona Lili aprendeu nada, queria que a Magali fosse famosa e ter carreira internacional de modelo e atriz e ela ir junto nas viagens como empresária da filha e mesmo vendo o escândalo que foi a primeira entrevista, continuou a mesma coisa na segunda entrevista, sem deixar Magali responder as perguntas, queria se intrometer em tudo. Nem pensou em constrangimento da filha, se ela queria ser famosa, só pensava na fama e ganhar muito dinheiro e viajar com a filha. O final ficou em aberto se foi tudo igual como na primeira entrevista ou imaginar como foi nessa nova.

História retratou de forma divertida mães que querem que filhos fiquem famosos a todo custo sem nem perguntar se filho quer isso e sem preocupar com o bem estar deles, que infelizmente acontece muito na vida real principalmente com mães de meninas. Até foi uma personalidade diferente da Dona Lili, mais eufórica e sem pensar na Magali, já que o normal era mais equilibrada e sensata, mas sendo só por uma história para diferenciar e alertar sobre esse problema de mães agindo assim, tudo bem.

Engraçado a mãe atendendo telefone só dizendo sim, chamar filha de comilona e depois corrigindo como gulosa, dizer que valeu o sacrifício de cozinhar toneladas de comidas esses anos todos, Magali parada só ouvindo a mãe, Magali listar suas comidas preferidas, devorar tudo na redação e sendo jogada para fora do carro e tratada como monstrinho pelos repórteres. A revista "Engula" foi paródia da revista "Gula" da vida real e "À toa em forma" foi fictícia porque não existia revista de boa forma com nome semelhante.

Os traços ficaram bons, típicos dos anos 1990. Tiveram erros de algumas cenas com Dona Lili sem lábios com batom e sem bolinhas de maquiagem nas bochechas da Magali e a repórter falando de boca fechada em dois quadros seguidos da última página. Incorreta atualmente por Dona Lili agir como mãe que quer fama da filha a todo custo sem se preocupar nos constrangimentos dela e sem aprender lição no final, deixar a Magali ir sozinha de carro com desconhecidos, hoje adaptariam pra ela ir junto e deixar a Magali entrevista em uma sala e Dona Lili esperando em outra sala reservada, dirigirem sem cinto de segurança e implicariam também com absurdos de Magali devorar um bolo de uma só vez e todos os pratos da redação em questão de segundos, palavras de duplo sentido como "pimpolho" e coisas datadas como televisão de tubo.