quarta-feira, 16 de abril de 2025
Tirinha Nº 114: Magali
domingo, 13 de abril de 2025
Mônica: HQ "Como se beija?"
Dia 13 de abril é celebrado o "Dia do Beijo" e, então, mostro uma história em que a Mônica quer aprender a beijar na boca como as atrizes de novela e o Cebolinha aproveita para criar um plano infalível contra ela. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Mônica Nº 166' (Ed. Abril, 1984).
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| Capa de 'Mônica Nº 166' (Ed. Abril, 1984) |
Mônica vê casais se beijando na boca na novela, no outdoor e no livro de conto de fadas da Bela Adormecida. Ela vai ao banheiro treinar beijo diante do espelho, é flagrada pelos pais, dá desculpa que estava vendo se estava com cáries nos dentes, mas que eles estão perfeitos e sai cantando como se nada tivesse acontecido.
Na rua, encontra a Magali que diz que está com problemão de que não sabe beijar, enquanto Cebolinha ouve atrás da moita. Magali diz que a Mônica a beijou ontem por causa do aniversário. Mônica conta que não fala desse tipo de beijo de amigas, e, sim, de beijos do tipo do artista dá na atriz na novela, nas fotos de cartazes e revistas, já que quer ser atriz, precisa aprender a dar esse beijo e Cebolinha pensa que não está gostando do papo.
Mônica pergunta quem vai ensinar a dar esse beijo, quando vê o cabelo do Cebolinha atrás da moita. Antes da Mônica falar, ele grita que não vai ensinar ninguém a beijar e que pode bater nele. Mônica diz que só queria saber se ele conhece alguém para dar dicas e imagine se ia pedir isso a ele, que entende nada disso. Cebolinha fica com raiva com a humilhação dela e tem ideia de um plano infalível.
Depois, Mônica e Magali veem placas de anúncio do Rodolfo Cebolino, professor que ensina a beijar, dez entre dez estrelas já o beijaram. Elas seguem as placas e encontra o Cebolinha disfarçado de Rodolfo Cebolino, que diz que é mestre em beijar, às suas ordens, trocando "R" pelo "L". Magali comenta que fala errado que nem o Cebolinha e Rodolfo diz que foi o mestre Cebolinha quem o ensinou a beijar as atrizes e pegou a mania de falar errado dele.
Rodolfo fala que Mônica não tem jeito para beijo artístico, melhor desistir. Mônica pede para ajudá-la para quando for atriz não dar vexame. Ele aceita e espera o pagamento adiantado pelas aulas. Mônica fala que não tem dinheiro e ele aceita o Sansão como pagamento. Mônica fica sem jeito, ele diz que imagine o vexame e as vaias que ela vai receber por não saber beijar e quando a Mônica está prestes a entregar o Sansão, Cascão e vários garotos vão reclamar do Rodolfo Cebolino que está beijando as meninas do bairro, que ninguém beija as namoradas deles e querem dar uma lição no assanhado.
Cebolinha se entrega que era ele, foi só um plano para deixar a Mônica com cara de tacho e pegar o coelhinho dela. Mônica vê e bate no Cebolinha. No final, duas meninas veem o Cebolinha surrado e uma delas que dar um beijo para sarar os machucados. Cebolinha foge correndo desesperado e elas ficam sem entender com amenina que queria beijá-lo perguntando o que ela disse de errado.
História muito engraçada em que a Mônica quer aprender a beijar na boca para ser atriz de novela e Cebolinha aproveita para criar plano infalível para azucriná-la e pegar o Sansão. Quase deu certo se os garotos do bairro não fossem tomar satisfações revoltados que com a barraca ele poderia beijar as namoradas deles e Cebolinha revela sua identidade para não apanhar deles, mas acaba apanhando da Mônica e ainda fica traumatizado de beijo, até nas bochechas dado pelas meninas.
À princípio, Cebolinha ficou com medo da Mônica pedir para que ele ensinasse a beijar, mas depois que foi humilhado e desmoralizado quando ela disse que ele não teria capacidade de ensinar alguém a beijar, resolveu fazer o plano. Mônica sempre burra nessas histórias de plano, muito tapada de acreditar que o Rodolfo falava errado porque aprendeu a beijar com o Cebolinha e pegou mania de falar errado dele, nem para ele mudar prefixo de Cebolino.
Se não fosse pelos meninos do bairro revoltados e ciumentos, o plano daria certo. Se Cebolinha não revelasse para os meninos quem ele era, apanharia da mesma forma, ou deles ou da Mônica, dessa vez não teria escapatória, preferiu apanhar só da Mônica. Dessa vez Cebolinha não chamou o Cascão par ao plano, porém Cascão ajudou a atrapalhar mesmo sem participar com a intervenção dele com outros meninos. Não o chamou provavelmente para Cebolinha provar à Mônica que sabe beijar e para não deixar a história mais longa já que tinha que ser com 9 páginas fora que histórias na Editora Abril costumavam ser mais curtas.
Cebolinha não costumava ser o ator de seus planos porque tinha que ter cuidado para não falar palavras com "R", nessa foi uma das exceções e sempre dava uma desculpa esfarrapada para justificar as palavras com L e a boba da Mônica acreditava. Foi engraçado Mônica ser flagrada pelos pais treinando beijo no espelho e sua desculpa que estava vendo se tinha cáries, Mônica dizer que tem problemão e Magali pensar que falava de matemática e elas nem estudavam, Cebolinha estender ouvido atrás da moita para ouvir melhor a fofoca, não gostar do papo e continuar lá ouvindo, a placa dizer que os preços eram módicos e que dez entre dez estrelas já beijaram Rodolfo Cebolino, dizer que foi o Cebolinha o ensinou a beijar.
O nome do Rodolfo Cebolino foi paródia dos atores Rodolfo Valentino ou Rodolfo Bottino. No caso, inspiração do nome deles, mas não a caracterização do mestre do beijo do Cebolinha como eram os saudosos atores na vida real embora cabelo bagunçado lembra mais o Rodolfo Bottino. Teve também paródia da pasta "Closeup" como "Clozap". Aniversários de personagens ainda não tinham datas fixas na época, aí Magali completou anos em fevereiro nesta história. Meninos e meninas secundários apareceram só nessa história como era de praxe de personagens de aparições únicas.
Incorreta atualmente por criança como a Mônica ter vontade de aprender a dar beijar na boca, assistir novela e ter desejo de ser atriz pra beijar, meninos citando que têm namoradas e Cebolinha aparecer surrado e com galo na cabeça no final e é raro ter histórias de planos infalíveis hoje em dia. Também implicariam com Cebolinha pensar trocando "R" pelo "L" já que atualmente ele pensa certo, sem dislalia, e com expressões de duplo sentido que agora são proibidas como "deixar com cara de tacho".
Os traços ficaram bons, típicos de histórias dos anos 1980, com personagens quase parecidos com a fase consagrada. Tiveram erros de Mônica com língua branca no penúltimo quadro da segunda página da história e sumir os machucados e galo na cabeça do Cebolinha no quadro final. Na época eram comuns propagandas inseridas nas histórias, dessa vez do achocolatado "Toddy" na lateral direita e no rodapé da mesma página. Essa história foi republicada depois no livro 'Mauricio 30 Anos' (Ed. Globo, 1990).
| Capa de 'Mauricio 30 Anos' (Ed. Globo, 1990) |
quarta-feira, 9 de abril de 2025
HQ "Cascão, o bandidão"
Em abril de 1995, há exatos 30 anos, estava nas bancas o gibi com a história "Cascão, o bandidão" em que Mônica, Cebolinha e Xaveco pensam que o Cascão é assaltante de banco depois de ter visto um retrato falado do bandido na televisão. Com 12 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 215' (Ed. Globo, 1995).
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| Capa de 'Cascão Nº 215' (Ed. Globo, 1995) |
Cascão pergunta para Mônica, Cebolinha e Xaveco se pode brincar de vôlei com eles, que não aceitam, só se parar de ventar ou tomar banho. Cascão os chama de bobões e egoístas, eles falam que é instinto de sobrevivência. Cascão derruba a rede de vôlei deles e vai embora e Mônica fala que não tem culpa de Cascão ser um porquinho.
A turma segue o jogo de vôlei, Mônica ganha, Xaveco acha covardia dois contra a Mônica e vão tomar suco na casa da Mônica. Lá, veem noticiário na TV que ocorreu um assalto no banco do bairro do Limoeiro, bandido violento, dominou guardas, ameaçou clientes, uma diz que ele tinha revólver e estava com coceira no dedo e era feioso, baixinho e muito sujo.
Quando veem retrato falado do bandido, a turma pensa que era o Cascão e se desesperam, acham que o deixaram muito nervoso, se revoltou e partiu para carreira do crime e ficam tristes pelo amiguinho. Até que aparece o Cascão e eles se escondem assustados atrás de uma pedrona. Eles com medo procuram não contrariar o Cascão, que acha que estão arrependidos e pergunta se querem brincar com ele de mocinho e bandido e mostra segurando uma arma.
A turma volta para a pedrona, Cascão manda para virem perto dele, a turma diz que vai, mas não é para atirar. Cebolinha pergunta para o Cascão se eles sempre foram amigos. Cascão responde que mais ou menos, sempre foi forçado a participar de planos infalíveis contra a Mônica e sempre apanharam. Cebolinha diz que então o problema é com a Mônica e pode atirar nela. Cascão fala que atira em quem ele quiser porque ele é o Kid Cascão, o Justiceiro, o gatilho mais rápido, o mais temido e eles são uns ratos.
A turma concorda com tudo, Cascão fala que têm desafiá-lo senão, não tem graça. A turma não concorda, Cascão diz que está com coceira nos dedos e os três fogem para a pedrona. Aparece a Maria Cebolinha, eles acham que Cascão quer deixá-la como refém, imploram para ter dó, é só uma criancinha indefesa. Cebolinha corre até lá e leva a irmãzinha para a pedrona.
Para saírem da situação, o trio vai junto ao Cascão, se fazem de camaradas, enchem de elogios, conseguem prendê-lo e o leva para o guarda, dizendo que prenderam o assaltante do banco e que estão com a arma do crime. O guarda diz que estão ocupados, capturando o verdadeiro assaltante Cara-Suja.
A turma vê que é diferente do retrato falado e que a arma era de brinquedo e pedem desculpas ao Cascão que confundiram com bandido, que foi uma bobagem pensarem isso logo dele e convidam para brincar. Bate um vento forte, o cheiro do Cascão vai em direção a eles, derrubando todos e Cascão comenta que às vezes pode ser também muito perigoso.
História legal em que Mônica, Cebolinha e Xaveco acham que o Cascão era assaltante de banco ao verem um retrato falado na televisão. Ficam com medo do amigo bandido e com arma na mão e depois de um tempo conseguem prendê-lo e levá-lo para o guarda, quando descobrem que o verdadeiro assaltante era outro só um pouco parecido com o Cascão. No final, eles são derrubados pelo mal cheiro do Cascão, mostrando que ele pode tão perigoso quanto bandido de conseguir derrubar alguém.
Foram precipitados em achar que o Cascão era o assaltante só de ter visto o retrato falado, não era nem uma foto real. Se investigassem mais, veria que tinha nada a ver. Tinham consciência pesada que não deixaram o Cascão brincar por causa do mal cheiro e imaginaram que foi para o mundo do crime como revolta por causa deles. Como se Cascão ia fazer isso, estava pouco se lixando, já estava acostumado a ser rejeitado por ser sujinho. Engraçado que coincidiu com ele com arma e querendo brincar de mocinho e bandido, aí a turma ficou desesperada, principalmente da coincidência do Cascão dizer que está com coceira no dedo como também falou o bandido quando estava prestes a atirar.
Tudo indica que o Cascão viu a matéria do assaltante na TV e resolveu dar uma lição nos amigos pelo que fizeram com ele. Bem que podiam ter perguntado ao Cascão por que assaltou banco, ele ia negar e ver que ele não era o bandido. O medo era tão grande que nem conseguiam pensar. Sem dúvida, o fedor do Cascão derruba qualquer um, não foi à toa que ele disse que consegue ser muito perigoso que nem um bandido. Foi legal a presença da Maria Cebolinha, como Dona Cebola deixa Maria Cebolinha engatinhar sozinha na rua. Até que foi bonito gesto do Cebolinha salvar a irmã, mesmo achando que ela torra a paciência dele.
Foi engraçado "pensando na morte da bezerra", Cebolinha mandar atirar na Mônica por causa de bater neles nos planos infalíveis fracassados. Interessante que dessa vez não colocou a Magali, deixando o Xaveco no lugar, foi bom que diferenciou. "Sandra Canarinho" foi paródia da jornalista Sandra Passarinho. Considerando horário que estavam assistindo, provavelmente era o "Jornal Hoje" da TV Globo e, assim, o apresentador seria o William Bonner, que apresentava o jornal na época.
Cascão foi o personagem que mais teve tramas policiais, tiveram muitas com ele lidando com gangue de bandidos, tiroteios, assaltos a banco a mão armada, sendo sequestrado, era quase uma característica fixa de histórias com ele. Os outros personagens podiam ter, mas com Cascão costumavam deixar tramas mais pesadas que o normal.
É impublicável hoje em dia, sem chance de ter bandido nas histórias e muito menos personagem principal ser o bandido, além de Cascão aparecer de arma na mão, mesmo de brinquedo não pode mais e até envolver um bebê como Maria Cebolinha. Tanto que nunca foi republicada até hoje, deveria ter sido a partir de 2008, quando estavam republicando histórias de abertura do Cascão de 1995, mas como já estava na Panini e o politicamente correto consolidado, acabaram não republicando. Também mudariam TV de tubo para uma TV LED por povo do politicamente correto não gostarem de coisas datadas e expressões populares como "pensando na morte da bezerra".
Traços ficaram bons, típicos de histórias dos anos 1990. Esse gibi do 'Cascão Nº 215' teve data de expediente como março de 1995, sendo o terceiro gibi dele lançado naquele mês, mas saiu atrasado nas bancas, sendo lançado só em abril. Curioso que fiquei sabendo que assinantes da Globo não recebiam o terceiro gibi quinzenal de Cascão, Chico Bento e Magali, sempre recebiam dois no mês, aí em vez de 26 gibis de cada por ano recebiam 24. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.
sábado, 5 de abril de 2025
Chico Bento: HQ "O maior tesouro"
Mostro um história em que o Chico teve que lidar com um homem ganancioso vestido de rei que tinha um esconderijo repleto de joias. Com 9 páginas, foi história de abertura publicada em 'Chico Bento Nº 31' (Ed. Globo, 1988).
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| Capa de 'Chico Bento Nº 31' (Ed. Globo, 1988) |
Chico Bento encontra um diamante no chão, acha que é apenas uma pedrinha brilhosa e pega para dar de presente para a Rosinha. Em seguida, encontra outra com cor mais bonita ainda. Mais adiante encontra outra e segue uma trilha pegando várias outras com intenção de formar um colar para a Rosinha o levando para o coração da mata.
Na última pedra, Chico pisa em uma armadilha e cai em um esconderijo subterrâneo onde vivia um homem espécie de rei chamado de Tenório Usura e que estava esperando qualquer um que amasse a riqueza como ele. Chico diz que ama é a Rosinha e o homem conta que fala de pedras preciosas e tesouros e Chico descobre que o local era cheio de pedrinhas coloridas.
Tenório fala que são joias valiosas e que Chico sabe disso ou então não cairia na armadilha. Conta que há mais de trinta anos era só um pobre coitado que lavrava terra sob Sol, até quando tropeçou em um diamante. Vendeu a joia na cidade e a vida mudou completamente, sendo conhecido como o "homem com faro para diamante".
Já com vida tranquila, resolveu voltar onde encontrou o diamante para se tinha mais e acabou encontrando uma caverna com várias pedras preciosas. Com medo que alguém pudesse encontrar a caverna dele enquanto buscava o caminhão e não ter seu tesouro roubado, resolveu ficar ali para sempre com a sua riqueza, só saindo de noite para arrumar comida na floresta.
Lamenta que anos foram passando e ficando velho para defender o tesouro, aí distribuiu pedras até a vila mais próxima porque sabia que quem encontrasse a primeira seria ganancioso suficiente para recolher até a última e cair na cilada e, assim, Chico vai passar a defender o tesouro por ter caído ali.
Chico diz que não sabia que as pedras valiam dinheiro, que só achou bonitas e que sua namorada ia gostar. Tenório acha que é conversa fiada, que ele é igual a todo mundo e a ele. Chico reclama que não quer ficar naquele local escuro tomando conta de pedras, quer voltar para casa e Tenório pergunta se lá fora tem alguma coisa mais valiosa que compara com aquela riqueza.
Chico diz que as pedras são bonitas e que o Sol lá fora brilha mais que esse ouro e dá para todo mundo, o riachão é mais azul que aquele brilhante e com vantagem que está cheio de peixe, as maçãs são vermelhas como o rubi e muito gostosas. Tem também as flores, os animais do sítio, a família, a casa quentinha e iluminada e os olhos da Rosinha que brilham mais que todos os tesouros juntos e se ficasse trancado ali ia sofrer de reumatismo e solidão.
Tenório diz que vai embora com o Chico e depois só ele sabe onde é a saída, pretendia deixá-lo ali para sempre, mas agora ele é que quer recuperar tudo que perdeu nesses trinta anos. Tenório fica feliz que o Sol ofusca os olhos dele, vai pegar um bronzeado sem medo e quanto ao tesouro diz que pode ficar com o Chico, que recusa e assim a preciosa caverna continua secreta e perdida em algum lugar desse Brasil imenso.
Uma boa história em que Tenório, um homem ganancioso, leva o Chico para sua caverna cheia de pedras preciosas para tomar conta no lugar dele por estar velho, achava que todo mundo era como ele com ganância e busca de poder e riqueza, mas se enganou ao ouvir o Chico relatando que maior tesouro para ele não eram aquelas pedras e, sim, a natureza, sua família, casa e namorada. O homem fica com vontade em voltar à superfície e recuperar seu tempo perdido e toda a sua riqueza fica secreta e perdida até, quem sabe, algum dia, alguém encontre aquele lugar.
História retratou ganância e bonita mensagem do verdadeiro significado de tesouro. Tenório perdeu a vida toda em um local escuro só para não ter seu tesouro roubado, ficando lá nem desfrutou da sua riqueza, viveu só como vigia para ninguém pegar, nem comprava comida para comer. Mostrou que era egoísta, só algumas pedras já viveria muito bem a vida toda, podia muito bem compartilhar com muita gente, acabar com problemas de miséria e fome do país, mas queria tudo só para ele, ou seja, o chamado quanto mais tem, mais quer.
Interessante que ele nem saiu de Vila Abobrinha quando encontrou um só diamante, senão nem ia lembrar que poderia encontrar mais pedras preciosas de onde encontrou aquele diamante. Chico muito inocente em nem saber que aquelas pedras na trilha eram diamantes e que valiam muito dinheiro cada uma, só tinha preocupação em formar um colar para dar para Rosinha, provando que não tem interesse em bem materiais e deu uma boa lição para o homem ganancioso e fazê-lo abrir os olhos para a vida.
Dessa vez foi mostrado que o Chico não sabia o que era diamante, mas isso não era padronizado, tanto que já teve história em que ele quem foi o ganancioso ao encontrar um diamante enquanto trabalhava na roça na história "O brilho do poder", de 'Chico Bento Nº 69' (Ed. Abril, 1985). Nunca teve cronologia na MSP e os roteiristas tinham liberdade de colocarem fatos como ficaria melhor nos roteiros. Tenório Usura apareceu só nessa história, como de costume de personagens secundários criados para história única.
Foi engraçado Chico dizer que caiu em lugar mais escuro que jabuticaba madura e absurdo de Tenório conseguir arrumar uma manta de rei. É incorreta por tema de ganância não ser apropriado para crianças, citar que Chico namora a Rosinha, mostrar Chico caindo daquele jeito no esconderijo, o homem com trabuco na mão e a palavra "Credo!" é proibida atualmente nos gibis. Os traços muito encantadores e caprichados, cheios de detalhes, davam gosto de ver assim. Era legal pensamentos em tons azuis. As cores que mais desbotadas como era o padrão nos gibis de segunda metade de 1987 e meados de 1988, sendo que estavam mais desbotadas ainda em 1987.
terça-feira, 1 de abril de 2025
Cebolinha e Cascão: HQ "Os Sabões"
Mostro uma história em que o Cebolinha e o Cascão ficaram burros depois de testarem uma invenção do Franjinha que deveria deixá-los inteligentes. Com 12 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 61' (Ed. Globo, 1992).
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| Capa de 'Cebolinha Nº 61' (Ed. Globo, 1992) |
Escrita por Rosana Munhoz, Cascão vê o Cebolinha com uma cara estranha, não é cara de quem bolou plano infalível nem de sem-vergonha e nem de sagui. Cebolinha diz que é cara de sabão, que agora "sabo" tudo. Cascão corrige que é "eu sei tudo". Cebolinha fala que ele então é um sabão também, só que ele sabe mais como afirmar que dois mais dois é "doisdois", quem nasce no Rio é peixe, quem nasce no Mato Grosso é capim, etc.
Cebolinha sai para bolar um plano "impossível", "desprezível" contra a boboca da Mônica. Cascão acha que o Cebolinha ficou ainda mais bobo e Franjinha conta que foi por causa dele de criar uma máquina de aumentar inteligência das pessoas e quando a usou no Cebolinha, ela diminuiu. Falou que precisaria de ajustes, mas o Cebolinha queria usar logo para aumentar inteligência dele e derrotar a Mônica.
Franjinha diz que já ajustou a máquina e Cascão quer testar primeiro para continuar sendo mais inteligente que o Cebolinha. Cascão testa a máquina que tem todo o conhecimento humano e fica burro igual ao Cebolinha, falando que quem descobriu o Brasil foi ele, cinco mais cinco são duas mãos, macaco fica pendurado na árvore porque senão cai.
Xaveco e Jeremias encontram Cascão distraído, jogam água com o revólver, Cascão pula para fugir e diz que se queriam molhá-lo, mas acontece que ele é muito "sabão". Xaveco e Jeremias entendem que ele disse que usou muito sabão e saem gritando pela rua comemorando que Cascão usou sabão, mas não adiantou que continua fedido.
Cascão encontra o Cebolinha bolando plano contra a Mônica, Cascão quer fugir para não participar. Mônica aparece e Cascão conta para ela que Cebolinha bolou plano e quer que ele participe. Cebolinha diz para a Mônica que vai dar uma paulada nela e pegar o Sansão e dar nós nele. Cascão não gosta de que não tem que se fantasiar de nada. Cebolinha diz que depois a xingam e Mônica acha que os dois piraram.
Em seguida, Xaveco e Jeremias veem Cebolinha pisoteando o Sansão e Cascão xingando a Mônica sem ela fazer nada. Eles se desesperam por Cebolinha e Cascão terem a derrotado e saem correndo falando que está tudo de ponta-cabeça e só falta a Magali fazer dieta. Mônica conta que é porque os meninos ficaram lelés e não quer contrariar. Aparece o Franjinha, explica tudo, Mônica não gosta de saber que queriam ficar inteligentes para derrotá-la.
Franjinha diz que a máquina está consertada e leva os meninos ao laboratório. Recebem a descarga e voltam ao normal com um conhecimento maior como saber as capitais de todos os estados e a tabuada de 9, conseguiram todo o conhecimento humano que o Franjinha conhecia só que os meninos dizem que nada adianta para derrotar a Mônica. Eles apanham dela, mesmo fingindo que ainda estavam burros. Mônica fala que é para aprenderem a não fazer planos contra garotinha indefesa. No final, Cascão diz que não sabe o que dói mais, não o olho roxo, é que não sabe se estavam mais burros antes ou agora.
História engraçada do início ao fim, Cebolinha e Cascão ficaram burros por usarem a máquina do Franjinha que deixava as pessoas inteligentes. Passam a falar errado, coisas sem nexo, e bem bobos e retardados mesmo. Os outros de fora pensam que ficaram loucos e Mônica até não bate neles para ver se não pioram. Voltam ao normal no final e só assim apanham até por ela descobrir que o motivo que queriam ficar inteligentes era para derrotá-la.
A obsessão do Cebolinha de derrotar a Mônica era grande e apelava para tudo, até ser inteligente com invenção do Franjinha que sabe que nunca é coisa boa para as personagens, sempre traz problema par quem experimenta. Ficou retardado para aprender e de quebra Cascão também que só usou para ser mais inteligente que o Cebolinha. No final Cascão dizer que não sabe se estavam mais burros antes ou agora foi porque é muita burrice insistir em derrotar a Mônica.
Mesmo burros, não tirou as personalidades básicas deles, Cebolinha continuou querendo criar planos infalíveis contra a Mônica e Cascão continuou com medo da água e sua esperteza para fugir de se molhar e não querer participar do plano, tiveram momentos de lucidez nessas partes. Xaveco e Jeremias também tiveram destaque legal, como estavam por fora do que aconteceu e por ouvirem mal também, pensaram que Cascão usou sabão e que os meninos derrotaram a Mônica. Se Magali tivesse entrado na máquina acredito que ia ser como falaram que não ia querer comer.
Foi engraçado os conhecimentos deles, até que alguns eles não estiverem totalmente errados. As palavras trocadas deram o tom de que estavam retardados. Engraçado também eles falando sobre o plano para a Mônica, a cena do impacto de Xaveco e Jeremias vendo Mônica sendo derrotada, Mônica dizer que é garotinha indefesa.
O título "Os sabões", antes de ler, dá até pra imaginar que se tratava de sabão ou que eles poderiam se transformar em sabões, mas foi provado que era referência a "Os sabidões". "Purê Cica", cantado pelo Cascão muito engraçado, paródia da música "Adocica" Do Beto Barbosa, de quebra ainda fez propaganda do purê da marca "Cica". Curioso na época entre 1991 e 1992 foram 3 edições seguidas do Cebolinha envolvendo invenções, as de Nº 60, 61 e 62 e todas muito boas por sinal.
Até que o tema da história em si de invenção do Franjinha deixar meninos burros não considero incorreto, porém não iriam aceitar Xaveco com arma de brinquedo na mão e Cebolinha dizer que ia dar paulada na cabeça da Mônica e o desenho do plano mostrar isso meninos aparecerem surrados no final, além da palavra proibida "Credo!" e expressão "Seja o que Deus quiser!". Não duvido que a palavra "lelé" também seja proibida hoje para não confundir com o Zé Lelé, já que "louco" não pode mais por causa do personagem Louco. São tantas palavras que implicam agora, bem capaz que "lelé" também não pode mais.
Em relação a erros, esqueceram de pintar de branco a curva de baixo do movimento do Cascão no 3º quadro da página 7 do gibi e quando o Cebolinha mostrou o plano infalível para a Mônica, o papel do plano aparecer verde em vez de branco.
Os traços ficaram muito bonitos que davam gosto de ver assim. Adorava personagens com dentes à mostra quase o tempo todo quando estavam assustados e só curva nos olhos sem fundo branco expressando que estavam com bastante raiva. Capa do gibi 'Cebolinha Nº 61' foi o primeiro a ter o logotipo de "Mauricio de Sousa Editora", assim como outros gibis de janeiro de 1992, e ficou nas capas por 33 anos, infelizmente a partir dos gibis de abril de 2025 foi extinto, substituindo por outro com o novo nome da empresa se chamando agora "MSP Estúdios".
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