domingo, 24 de abril de 2022

Magali: HQ "Esconderijo não muito ideal"

Mostro uma história em que a Magali escondeu maçãs no seu peito para seus amigos não comerem, mas que causou muita confusão. Com 5 páginas, foi história de miolo de 'Magali Nº 129' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Magali Nº 129' (Ed. Globo, 1994)

Magali está com duas maçãs para comer tudo sozinha, quando avista a Mônica e esconde as maçãs no peito, sabendo que ela gosta e não comer só que as maçãs escondidas no peito ficam parecendo seios. Mônica pergunta o que é aquilo no peito dela e Magali desconversa, saindo rápido. Mônica fica triste que a amiga já está ficando mocinha e ela nada ainda.

Depois, em outro ponto da rua, aparecem Cebolinha e Cascão e se impressionam com o peito da Magali. Eles comentam que viram, mas não estão acreditando enquanto Magali sai de fininho, sem eles verem. Magali comenta se eles viram ou não e quer devorar logo as maçãs, mas esbarra com Titi paquerando e dando flores para uma menina. Titi vendo o peito da Magali larga a garota para dar as flores pra ela, que diz que não é boba, que sabe que só quer namorá-la por causa das maçãs e vai embora, deixando o Titi envergonhado.

Em outro ponto, quando Magali estava prestes a comer as maçãs sossegada, aparecem Cebolinha e Cascão levando Xaveco e Jeremias juntos para ver o peito dela. Magali foge deles para não comerem as maçãs enquanto eles correm atrás dela interessados pelo peito. Dona Cebola e Dona Lurdinha veem a cena e acham que o tempo passa rápido demais. Magali chega em casa, a mãe se assusta da filha ter ficado mocinha, mas ela logo mostra que eram maçãs escondidas. No final, enquanto Magali come, chegam encomendas de presente para Magali e eram sutiãs dados pela Mônica, Titi e Dona Cebola e a Dona Lili diz que não foi uma boa ideia o esconderijo das maçãs.

História engraçada demais, mostra a verdadeira Magali egoísta, que não queria dividir comida com os amigos, era capaz de tudo para comer tudo sozinha, até esconder maçãs onde não deve. Com maçãs no peito, todos pensaram que ela virou mocinha e tem reações diferentes. Enquanto Mônica fica com inveja que ela não tem seios e as mães admiradas que Magali virou mocinha cedo demais, os meninos ficam tarados, achando a Magali linda com seios e querendo namorar com ela por causa disso. Não descobriram a verdade e Magali acaba ganhando presentes de sutiãs deles.

Interessante em que a Magali foi inocente o tempo todo, sem ver a malícia deles, pensava o tempo todo que o que queriam eram as maçãs dela, mas na verdade, não. Só descobriu a intenção dos meninos com os presentes dos sutiãs. Se bem que para ela, tanto faz, tanto fez, o que interessa é comer e conseguiu o que queria de comer as maçãs sozinha sem ajuda de ninguém.

Engraçada a parte do Titi largando a menina só ao ver a Magali com seios. O Titi bem safado, traindo a Aninha 2 vezes, primeiro com a menina e depois com a Magali, pelo menos acabou ficando sem as duas, já que Magali não deu mole e não caiu nas investidas dele, ainda assim ele deu sutiãs para ela. Teve um certo absurdo da Magali andar e correr e as maçãs não caírem quando ela não segurava com as mãos e não tinha nada para as maçãs ficarem firmes dentro da roupa, eram bons esses absurdos.

Nos anos 1990 podia tudo nas histórias, hoje completamente impublicável por teor sexual, meninos tarados pra ficar com Magali, mostrar crianças assim antes da hora, Titi mulherengo traindo a sua própria namorada Aninha, machismo, definitivamente, sem chance atualmente. Os traços ficaram bons, típicos dos anos 1990, com direito a língua dos personagens ocupando parte maior da boca lembrando os anos 1970 nesse aspecto.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

HQ "Mônica a modelo"

Compartilho uma história em que a Mônica foi convidada pra ser  modelo, mas tinha um porém de ser baixinha. Com 5 páginas, foi história de encerramento publicada em 'Mônica Nº 96' (Ed. Abril, 1978).

Capa de 'Mônica Nº 96' (Ed. Abril, 1978)

Começa com a Dona Maricota, costureira da butique, pedindo para Mônica experimentar um vestido para ela.  Mônica fica em pé em um banco enquanto Dona Maricota pega alfinetes e nessa hora um dono de loja vê a Mônica com o vestido do lado de fora da butique e pensa que ela era uma modelo alta, com belo corpo com cara de criança.

O dono da loja se encanta e convida a Mônica para ser modelo para desfilar com as roupas da loja dele. Mônica fica sem jeito, gaguejando, e o dono entrega um cartão da loja para ela ir desfilar, dizendo que vai ser um sucesso, o que estraga são os dentes, mas não faz mal. Mônica fica superanimada com o sonho de modelo ser realizado, sai da butique sem experimentar o vestido para Dona Maricota e diz que finalmente reconheceram a sua linda carinha, seu corpo perfeito e altura. Só que ela vê uma mulher alta passando pela rua e cai a ficha que é baixinha e fica deprimida.

Magali vê Mônica chorando e pergunta se acabaram as melancias do bairro e Mônica fala que perdeu a chance de ser modelo e desfilar porque é baixinha. Mônica chora que quer ser uma manequim alta e Magali tem uma ideia e elas vão ao laboratório do Franjinha. Lá, ele dá seu novo invento, uma perna-de-pau com controle remoto, que são controlados pela caixinha e que faz a perna andar, pular e dançar. Ao sair do laboratório, Mônica arrebenta o batente da porta por estar mais alta que a porta e pela sua grande força. 

No desfile, Mônica coloca vestidos compridos cobrindo a perna-de-pau, Magali controla o controle remoto e Mônica diz que quer abafar. Sai tudo perfeito, Mônica é aplaudida por toda a plateia em cada apresentação que fazia, um verdadeiro sucesso. Na última roupa, Mônica fala para Magali caprichar que ela quer arrasar. Magali vê uma barata e tenta matar batendo  controle remoto nela até conseguir matá-la. No final, Magali pergunta se a Mônica arrasou e ela diz que sim, mostrando o local todo revirado e com plateia caída no chão.

História engraçada com a Mônica querendo ser modelo, mas não dava porque era baixinha. Com a invenção do Franjinha de perna-de-pau com controle remoto a Mônica conseguiu realizar o seu sonho, mas Magali estragou tudo ao matar a barata com o controle remoto, que como seguia o comando, cada batida que a Magali dava, a Mônica saltava em tudo descontroladamente, derrubando tudo que encontrava pela frente.

Mônica, assim como as meninas da época tinha grande sonho de modelo. De fato, arrasou destruindo toda a loja. Magali sacana sem querer estragou o sonho da amiga, bem que podia matar barata com os pés mesmo, pelo menos a Mônica ia ficar parada na apresentação, mas não derrubaria tudo.

Foi curioso ver a Mônica ficar tão impressionada com o convite que nem ligou do dono da loja falar mal dos dentes dela, se batesse nele, ia perder a chance de ser modelo, afinal, nos anos 1970, ela batia em qualquer pessoa, até em adultos se implicassem com ela, as vezes até sem motivo aparente, era bem mais esquentada. Legal também ver a Mônica alta com vestido parecendo de fato uma modelo com cara de criança, o dono deslumbrado vê-la assim, chamando de dentuça, Magali preocupada em faltar melancias no bairro, o invento inovador do Franjinha, absurdo de Mônica quebrar batente da porta e destruído tudo por causa da Magali. Na época controle remoto era uma coisa supermoderna, uma novidade, nem televisões tinham, apenas alguns aparelhos específicos. 

Nos anos 1970 era bem frequente a presença da Mônica interagindo com a Magali, ou seja, tinha mais histórias com as 2 juntas sozinhas, era bom, assim como tinha grande frequência do Cebolinha contracenando com o Cascão nos gibis do Cebolinha. Incorreta hoje por mostrar criança trabalhando como modelo adulta e todos os absurdos que evita de colocar atualmente.

Os traços ficaram bons, típico de histórias de miolo da segunda metade dos anos 1970, uma mistura com bochechas pontiagudas com o superfofinho, costumavam também deixarem a língua ocupando boa parte da boca dos personagens, estilo de letras também ficava diferente com esse tipo de traços. A Dona Maricota e o dono da loja apareceram só nessa história mesmo.

domingo, 17 de abril de 2022

Chico Bento: HQ "Chicoelho em plena Páscoa"

No Dia da Páscoa, mostro uma história em que o Coelhinho da Páscoa transformou o Chico Bento em um coelho, causando muito transtorno para ele. Com 15 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 265' (Ed. Globo, 1997).

Capa de 'Chico Bento Nº 265' (Ed. Globo, 1997)

Chico Bento vê o pai com uma caixa e Seu Bento fala que vai começar uma criação de coelhos e encarrega o filho de alimentá-los todo dia. Chico ri, lembrando que é época de Páscoa e acha que um daqueles coelhos vai lhe dar um Ovo de Páscoa. Seu Bento acha curioso que o filho ainda acredita em coelhinho da Páscoa e Chico dá desculpa que foi só brincadeira, é tudo lorota.

No dia seguinte, Chico vai alimentar coelhos com cenoura e vê que em vez de 4, tinham 11 coelhos e corre para avisar o pai, que diz que é assim mesmo, os coelhos se reproduzem muito rápido e por isso que é um bom investimento e ele vai para o roçado e Chico vai para escola.

Na escola, no final da aula, Dona Marocas avisa os alunos de que no próximo domingo é Páscoa e teriam uma atividade surpresa no dia seguinte que vão gostar e manda não faltarem. No caminho de casa, Chico encontra a Rosinha, que lhe dá um Ovo de Páscoa que ela própria fez. Chico diz que deve estar delicioso, ela vai embora e Chico fala que a namorada é um amor, o Ovo está cheirando bem e vai comer agora mesmo.

Em outro ponto da roça, surge o Coelhinho da Páscoa Edgar, reclamando que a Páscoa mudou muito, não acha ruim de comercializarem os Ovos porque ele não estava dando conta do recado, mas o pessoal está comendo antes da hora, acabando com o sentido da Páscoa, um desrespeito, e vai dar castigo ao ver uma pessoa comendo Ovo de Páscoa antes da hora. Ele vê o Chico comendo, joga um raio e Chico passa a se sentir estranho, achando que comeu chocolate demais. Começa a transformação aos poucos e Chico acaba virando um coelho.

Chico se assusta, fala que não quer ser um coelho e aparece uma raposa, querendo comê-lo. Tem uma perseguição, a raposa pula alto e encurrala o Chico em frente a uma árvore. Com o movimento, cai uma jaca na cabeça da raposa, que desmaia e Chico foge. Em seguida, Rosinha vê o Chico como coelho, ela o pega, canta a musiquinha do Coelho de Páscoa e o chama de lindo. Chico pensa que ela o reconheceu, mas ela quer é levá-lo como bichinho de estimação. O pai dela não aceita porque coelhos se reproduzem muito rápido, só comem e fazem xixi e esse é selvagem e manda a filha devolvê-lo para o mato.

No caminho de casa, Seu Bento pega o Chico pela orelha, pensando que era um de seus coelhos que fugiu, e o prende na gaiola. Chico tenta avisar o pai de que é ele, mas não escuta. Ele percebe que agora são 14 coelhos e comenta que eles não param de se reproduzir. Um coelho diz que eles não tem o que fazer, é a forma que tem para passar o tempo. 

Chico se espanta que eles o entenderam, uma coelha diz que sabe que é um coelho selvagem que foi parar lá por engano e vai se acostumar lá, jogando charme e interesse por ele. A coelha quer passar o tempo com ele, Chico fala que tem namorada e ela manda esquecer o que passou e curtir o momento, vão se casar e ter um milhão de filhotinhos. 

Enquanto Chico fica fugindo da coelha, aparece o Coelhinho da Páscoa Edgar com sua namorada Mabel, falando para ver a confusão que ele arrumou e o manda desfazer o encanto, foi errado transformar o Chico em coelho só porque comeu Ovo de Páscoa antes do dia. A mágica é desfeita e no momento que a Coelha pegou o Chico, ele volta ao normal, assustando todos os coelhos.

Seu Bento vê o Chico dentro da gaiola, o tira de lá, falando que mandou o filho cuidar dos coelhos e não morar com eles, não sabe como foi parar lá e manda tomar banho. Chico comenta que o pai escapou por pouco de ser avô antes da hora e ele não entende nada.

No dia seguinte, Chico avisa os pais de que não quer  dar comida para os coelho por um tempo porque não aguenta mais ver coelhos pela frente. Ele vai para escola, professora Marocas fala que é o dia da atividade, eles pegam cartolina, tesoura, tinta. Chico lamenta ser justo aquela atividade e a surpresa revelada foi dos alunos saírem fantasiados de coelhinhos da Páscoa, com Chico ficando muito brabo no final.

História legal com o Chico Bento virando um coelho depois do Coelhinho da Páscoa ficar revoltado vê-lo comendo Ovo de Páscoa fora do dia, Chico passou sufoco com a raposa e com a coelha que queria ter filhotes com ele, mas o Coelhinho foi obrigado a desfazer a transformação e assim Chico volta ao normal, porém se torna coelho de novo, mesmo que de mentirinha, após a atividade escolar feita pela professora Marocas. Depois de tudo que passou, já estava com trauma de coelhos, foi forçado a virar coelho pela professora, traumatizando mais ainda.

Era bem comum histórias com os personagens se transformando em alguma coisa. Poderia ser por causa de uma bruxa, fada, cientista, dessa vez foi o coelhinho da Páscoa com a magia de transformar o  Chico em coelho. Foi bem assanhada a coelha, nem disfarçou a presença de um coelho novo na gaiola e já começou a fazer charme para o Chico e ter filhotes com ele contra a sua vontade. Engraçado Chico dizer que Seu Bento poderia ser avô antes da hora.

Dessa vez a história mostrou vários universos do Chico na mesma história, como família, escola, namoro com a Rosinha, geralmente é um universo em cada história. A princípio dava até pra achar que a passagem na escola no início foi enrolação, mas no final vimos que foi fundamental para a piada final. Sem querer, pode-se dizer uma vingança da professora de tanto que o Chico aprontou com ela na escola. Ainda teve lembrança de crianças pequenas saírem de coelhinho de Páscoa na escola nessa época.

Interessante que a transformação do Chico para coelho foi feita aos poucos em vez de aparecer transformado de uma vez, ficou diferente e legal ver a surpresa dele enquanto estava sendo transformado. Era normal na época ver o Seu Bento empreendedor, de fornecedor de levar para a cidade o que plantava para a roça, dessa vez o empreendedorismo foi de vendas de coelhos para a cidade. 

Curioso colocarem um nome para o Coelhinho da Páscoa, Edgar, e ainda ter uma namorada Mabel. A referência ao Pernalonga no bordão "O que que há, velhinho!" dito pelo coelho. Legal a homenagem. Tiveram alguns pontos incorretos como mostrar o Coelhinho da Páscoa como um coelho mal-educado e vilão que transformou o Chico em coelho, referência a sexo com a coelha assanhada, relação de que coelhinho de Páscoa não existe pelo Seu Bento, tirando a inocência de criança. 

Os traços ficaram muito bem caprichados, teve um erro de colorização do Coelhinho aparecer com mãos rosadas ao jogar magia no Chico, ficou com mão de humano. Pena as cores na história mais escuras e não ter mais o degradê em todos os quadrinhos, que foram bem marcantes nos gibis de 1995 e agora já estavam quase inexistentes em 1997, apenas em um outro quadrinho isolado. 

FELIZ PÁSCOA!!!

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Mingau: HQ "Dá um teco?"

Em abril de 1992, há exatos 30 anos, foi publicada a história "Dá um teco?" em que o Mingau vai a um restaurante pedir comida para os outros após ser expulso de casa pelo Seu Carlito, Com 11 páginas, foi história de abertura de 'Magali Nº 75' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Magali Nº 75' (Ed. Globo, 1992)

A família da Magali está almoçando e Mingau está tomando o seu leitinho. Acaba e ele vai pedir pedaço do que eles estão comendo. Não ouvem o miado fraco e Mingau mia alto e faz um olhar pidão. Seu Carlito se incomoda e reclama que não consegue comer com o gato pedindo comida o tempo todo e Mingau se espanta que o seu "olhar 43" falhou.

Seu Carlito pergunta à Magali se ela não dá comida para o Mingau. Magali diz que já tomou o leitinho dele, mas que está ficando gulosinho que nem ela. Seu Carlito não aceita, uma Magali em casa já basta e isso não pode ficar assim e, então, Seu Carlito, enxota o Mingau com uma vassoura para fora de casa para eles ficarem comendo sossegados.

Mingau reclama que os desalmados continuam comendo e em vez de ganhar um teco, ganhou um peteleco. Com isso, ele se vira na rua para arranjar comida e entra em um restaurante. Ele sabe que as pessoas vão lá para comer e acha que os gatos também. Lá, ele se admira com tanta gente comendo e procura alguém com cara de trouxa pra pedir um teco.

Encontra um casal comendo, Mingau mia alto enquanto o Lúcio está cortando carne e ele pensa que a carne estava viva e pergunta o que deram para ele comer, pensando que era carne de gato. A acompanhante diz que é um gato ao lado da mesa e que ele quer um teco da comida. Lúcio acha um cúmulo e chama o garçom.  Mingau manda para pedir um peixe assado e faz carinho no Lúcio, que manda o garçom tirar o gato de lá e Mingau cai de cabeça.

O garçom pensa que o Lúcio que levou o Mingau para o restaurante e ele diz que já estava lá. Todos os clientes estranham um gato no restaurante e pensam que o Mingau era mascote lá. O garçom nega e aí o casal pensa que é matéria-prima e servem carne de gato lá e se recusam a comer. Mingau avança na mesa para comer já que eles não querem. A mulher desmaia, Lúcio acha um nojo. O garçom tenta pegar o Mingau, que corre da mesa e para na outra, derrubando suco no vestido da cliente. Todos acham um ultraje, bagunça e baixaria e o garçom,  uma desgraça. 

Todos os clientes vão embora, prometendo não voltarem para aquela espelunca enquanto Mingau come uma lagosta e parabeniza o cozinheiro. O Garçom fica com raiva, tenta expulsar o Mingau com um chute, quando aparecem jornalistas, que viram movimento na porta do restaurante e foram conferir e já imaginam a manchete "Garçom maltrata animais em plena era da Ecologia". O garçom disfarça e diz que o Mingau é a mascote do restaurante e os jornalistas acham boa reportagem de "Restaurante ecológico ajuda na preservação dos gatos".

A notícia vai aos jornais, convidando todos a comerem no restaurante "Dez gatos", o restaurante que ama os animais. Restaurante fica cheio e agora todos os clientes levam os seus bichos de estimação para comerem juntos. O garçom dá mais comida para o Mingau, que fica enjoado de comer vitela, lagosta e caviar e vai embora.

Mingau volta para casa, Magali adora e ela manda o pai não implicar mais com o Mingau. Seu Carlito diz que se ele parar de pedir comida. Mingau diz que não vai fazer mais, é se rebaixar demais, aprendeu muita coisa no restaurante e no final ele senta na mesa com garfo e faca e babador junto com a família e Seu Carlito fala que o gato está cada vez mais abusado.

Muito boa essa história com o Mingau indo a um restaurante para tentar comer após ser expulso pelo pai da Magali. Arrumou muita confusão, afinal não pode ter gato em restaurante, quase foi à falência, mas sem querer o Mingau acabou virando o herói, restaurante um sucesso por ser ecológico e ele poder comer o que quiser quando o restaurante o adotou como mascote para não se passar como o que maltrata os animais. Mingau voltou para casa no final, mas adotou os costumes de comer na mesa como os humanos.

Já não bastava uma comilona e ter mais um gato comilão não ia dar no orçamento do Seu Carlito, aí tinha que reclamar. Foi engraçado ver as tiradas do Mingau como fazer um "olhar 43" para a família da Magali ficar com pena e dar comida para ele, sendo enxotado a vassouradas pelo Seu Carlito, dizer que ia procurar alguém com cara de trouxa no restaurante, Lúcio pensar que a carne estava viva, pensarem que serviam carne de gato, jornalistas abordarem o garçom, bichos no restaurante e Mingau sentado na mesa com a família. O "olhar 43" foi clara referência à clássica música homônima da banda RPM de 1985. A Ecologia realmente estava em alta em 1992 por causa da "Eco-92". 

Na época as vezes tinham histórias do Mingau na abertura das revistas da Magali, com pouca presença dela. Pode ver que nessa a Magali ficou secundária, aparecendo só no início e no final. Hoje em dia, quando tem histórias do Mingau na abertura, tem presença constante da Magali com eles contracenando juntos em casa mostrando costumes dos gatos. Já teve uma fase com muitas histórias da Magali e Mingau assim em excesso, começando em 1998 e prolongando por toda a década de 2000, inclusive várias até no mesmo gibi e não só na abertura, hoje diminuíram  isso, mas ainda tem.

Assim como a Magali, o Mingau era gato comilão também, adorava comer de tudo também. Eu gostava quando ele ia para rua, viver suas próprias aventuras e até as vezes com uma turma de gatos, diferenciava bem, e essa característica de ser gato abusado, debochado era demais. Hoje eles colocam o Mingau apenas como gato doméstico, mostrando costumes dos gatos, aí fica muito repetitivo e cansativo assim. 

Impublicável atualmente pelo tema de não poder mais dar comida aos animais domésticos na vida real, eles só podem comer ração por recomendação de veterinários, fora ter gato e depois outros animais em um restaurante, o Mingau ser enxotado a vassourada pelo Seu Carlito e depois quase sedo chutado pelo garçom. Palavras como droga, desgraça, baixaria também são proibidas nos gibis novos. Antigamente o Seu Carlito não gostava do Mingau e era bem perverso com ele, fazendo de tudo para o Mingau sair de casa para acabar com a sua alergia de pelo de gatos e essa característica também não tem mais.

Os traços excelentes, adorava o Mingau desenhado assim, bem fofinho e parecendo gato de verdade. Teve um erro de ortografia, colocando "garçon" no lugar de garçom na página 5 da história (página 7 do gibi), no caso, uma falta de revisão aí. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

domingo, 10 de abril de 2022

Cascão: HQ "Um duelo a água"

Mostro uma história em que o Cascão foi intimado pelo Cebolinha a duelar com revólver de água, deixando muito nervoso com isso. Com 8 páginas, foi história de abertura de 'Cascão Nº 63' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cascão Nº 63' (Ed. Abril, 1985)

Cascão e Cebolinha estão jogando bafo na rua e Cascão afirma que Cebolinha roubou nas figurinhas. Cebolinha imediatamente tira o sapato e a meia e dá um tapa no rosto do Cascão com a meia para desafiá-lo em um duelo de honra. Cebolinha explica que ninguém o chama de ladrão sem mais nem menos e aí o mocinho desafia o bandido batendo na cara com uma luva como ele viu em um filme de cavaleiros e como não tinha luva, usou a meia.

Então, Cascão tira o seu calção e dá um tapa no rosto do Cebolinha com o calção, aceitando o desafio e pergunta que armas vai querer para o duelo, se é um estilingue, espada de madeira ou canudinho de papel e Cebolinha diz que é revolver d'água. Cascão se apavora e tenta convencer o Cebolinha não levar a sério, que foi tudo brincadeira, mas Cebolinha não aceita e fala que Cascão está com medo e vai espalhar que é covardão. Cascão manda encontrá-lo às 3 horas no campinho, Cebolinha diz que a cidade é pequena para os dois e vão embora um rosnando para o outro.

Quando Cascão não vê mais o Cebolinha, começa a chorar, falando que está perdido, não devia ter provocado o Cebolinha, ficou nervoso e não quer duelar com revólver d'água. Cascão pretende pedir desculpas, mas volta atrás porque não quer ter fama de covarde e depois volta para falar com o Cebolinha porque nunca foi de valentia mesmo. No caminho, vê loja de brinquedo, admira arma e se imagina como caubói valente, mas que por acidente a água do revólver cai na sua cara e desmaia.

O vendedor da loja vê, leva o Cascão para loja para mostrar que a arma é inofensiva e convence Cascão a comprar. Ele sai da loja com pavor e agora a tarefa mais difícil é encher a arma com a água da torneira no campinho. A princípio tem medo, mas ao lembrar do Cebolinha o chamando de covardão, aí tenta abrir a torneira. Desiste por não conseguir, mas um garoto que estava perto, abre a torneira e põe a água na arma. Cascão agradece o menino pelo "favor" mal vindo e foi bem em cima das 3 horas.

Cebolinha aparece para o duelo. Um encara o outro por um tempo até que Cebolinha revela que quer pedir desculpas, ele teve ideia de falar com a mãe sobre o duelo e ela o mandou pedir desculpas, até porque já viu o filho trapaceando em um outro jogo. Cebolinha vai embora com a Dona Cebola e no final já fora de perigo, Cascão se imagina um caubói de faroeste como o grande vencedor do duelo, dizendo que sorte dele da mãe impedir porque ganharia o duelo se acontecesse.

História bem legal com o dilema do Cascão de duelar com o Cebolinha e se molhar com o revolver d'água ou não duelar e ficar com fama de covarde diante dos seus amigos. Cascão ate chega a decidir não duelar, mas com imprevistos do vendedor fazer a cabeça dele de comprar uma arma e o menino enchê-la de água para ele, teve que começar o duelo, mas foi salvo pela Dona Cebola de mandar o Cebolinha pedir desculpas sabendo que o filho fazia trapaças nos jogos.

Se brigassem na hora, não precisava fazer duelo, ideia do Cebolinha por ter visto no filme. Ele queria aproveitar a situação para molhar o Cascão, mas não deu certo. Foi engraçado ver os meninos levando tapa na cara um do outro com meia e calção, o medo do Cascão ficar de duelar para não se molhar, imaginar que a água caiu nele ao disparar a arma, desmaiar na porta da loja, vendedor jogar lábia para ele comprar a arma e o menino abrir torneira e encher a arma com água para ele, pensando que estava ajudando o Cascão, mas estava era atrapalhando.

Curtinha essa e muito divertida. Sem chance uma história assim hoje, envolvendo brigas, duelos, personagens com armas na mão, mesmo sendo de brinquedo, nada disso pode nos gibis atualmente. Nem tem mais histórias de faroeste por conta de armas e costumam alterar histórias em almanaques colocando uma garrafa squeeze no lugar da arma ou simplesmente apontar dedo como se fosse a arma. Cascão tirar calção e ficar só de cueca também não pode. Os traços muito bons, típicos das histórias dos anos 1980. Nas propagandas inseridas nas histórias teve a do lápis "Labra", sempre presente nos gibis da época, dessa vez só na primeira página.

A capa do gibi 'Cascão Nº 63' teve referência à história de abertura com o Cascão imaginando o duelo em um ambiente de faroeste. Nos gibis de 1984 e início de 1985 prevaleceram capas do Cascão, Chico Bento e Mônica com alusão à história de abertura em vez de piadas e não só as do Cebolinha, quase todas foram assim em grande sequência nesse período, depois voltaram com as piadinhas, deixando as com alusão à história só nas especiais. Essa história foi republicada depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 19 - Cascão x Água' (Ed. Globo ,1998).

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 19 - Cascão X Água' (Ed. Globo, 1998)