quarta-feira, 24 de junho de 2026

Cebolinha: HQ "O Sanfoneiro"

Dia 24 de junho é o Dia de São João e em homenagem mostro uma história em que o Cebolinha foi sanfoneiro da festa junina do bbairro. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 18' (Ed. Abril, 1974).

Capa de 'Cebolinha Nº 18' (Ed. Abril, 1974)

Cebolinha pergunta se Cascão vai entrar na quadrilha, cascão pergunta se isso não é coisa de bandidões e Cebolinha responde que é quadrilha de São João. Cascão diz que vai, só que não sabia que precisaria de par para dançar. Cebolinha tem a Mônica como par e está indo convidá-la. Cascão fala que também vai convidá-la, já que ainda não tinha convidado, corre até à casa dela e convida primeiro que o Cebolinha, que acha que foi golpe sujo.

Cascão pergunta para a Mônica se ela permite alguém gritar com par dela. Cebolinha diz que Cascão a roubou dele. Cascão fala que Cebolinha não tem capacidade de arranjar um par e está nervoso e Mônica chama a sua prima Cecília para ser par dele. Cecília aparece toda sujinha, encantando o Cascão, que sugere a troca de pares, ele dança com Cecília e Mônica com Cebolinha. Mônica aceita, meninos prometem passar lá de noite e depois Cecília comenta que não devia ter chamado, estava toda suja arrumando brinquedos enquanto que Cascão elogia para o Cebolinha sobre a prima da Mônica toda sujinha como sempre sonhou.

À noite, os meninos voltam, e Cascão tem desilusão de que a Cecília tomou banho e não é sujinha como ele. Já na festa junina, começa a quadrilha, o apresentador da festa pede para os cavalheiros pegarem suas damas e pede sanfoneiro no palco, que era quem ia tocar para eles dançarem. Cascão diz que se ele não for, o Cebolinha toca sanfona no lugar dele. Cebolinha fala que só sabe tocar o Bife e não tem graça dançar quadrilha ao som do Bife.

Quinze minutos depois, o sanfoneiro não chega, Cascão vai ao palco falar com o apresentador e um tempo depois ele anuncia que o sanfoneiro não apareceu e o Nhô Cebolinha, um dos maiores sanfoneiros da cidade, vai tocar no lugar. Ele vai ao palco, Cascão pergunta se gostou do nome artístico que inventou e avisa que o público está aplaudindo e é pra agradecer. Cebolinha pergunta o que deve tocar e Cascão fala para tocar o tal do Bife. 

O público estranha Bife, o apresentador diz que isso não é música para se dançar quadrilha, queria um Baião. Cebolinha diz que só sabe tocar o Bife, o apresentador comenta com o Cascão que ele era bom e Cascão diz que no Bife ele é insuperável. O público começa a vaiar, o sanfoneiro chega, o apresentador pede para o Cebolinha sair, ele diz que não pode sair vaiado e quer saber do público por que estão o vaiando. Eles falam porque a música é ruim, manda aprender, não sabe tocar, é amadorzinho, grosso e é para dar a sanfona pra quem sabe tocar.

Cebolinha cai fora desanimado, Cecília sugere brincarem perto da fogueira para ele esquecer tudo, quando chegam, Cecília lembra que a mãe falou sobre brincar perto da fogueira, os outros lembram também, só não sabem se é verdade ou invenção, e resolvem brincar lá. Quando saem da festa, acontece nada e acham que é invenção dos adultos, mas quando chegam em casa na hora de dormirem, todos fazem xixi na cama e descobrem que não era invenção.

História legal com a turma em uma legítima festa junina e tema principal de Cebolinha ficar encarregado de tocar sanfona no lugar do sanfoneiro que estava atrasado, mas como só sabia tocar Bife, sem a ver com a festa junina, foi vaiado pela plateia e conseguiram normalizar a festa com a volta do sanfoneiro.

Cascão se saiu um empresário que queria o Cebolinha tocar na festa, conseguiu lábia pra convencer o apresentador, Cebolinha insistia que só sabia tocar Bife, mas não adiantava. Meteu amigo em enrascada, Cebolinha também poderia ter recusado, evitaria as vaias no final. O apresentador podia ter descinfiado que criançanãoia saber tocar sanfona. Ficou inicialmente a dúvida do que o Cascão falou para o apresentador pra convencê-lo Cebolinha a tocar sanfona na quadrilha, depois ficou claro que disse que era o melhor sanfoneiro. 

A trama foi passada com focos de várias situações: meninos disputarem quem será o par da Mônica , Cascão interessado pela Cecília e depois se decepcionar que ela não era sujinha, Cebolinha como sanfoneiro (que julgo o momento principal) e brincarem perto da fogueira e fazerem xixi na cama por causa disso. 

Uma graça Cascão correr e passar na frente pra ser par da Mônica no lugar do Cebolinha e ela ser tricada pela Cecília porque achava que era sujinha.  A desilusão amorosa dele foi grande. Ao pularem fogueira, não ouviram sabedorias das mães deles, acabaram se dando mal fazendo xixi na cama, se tivessem acreditado, não precisariam passar por isso. Ainda ficou mensagem de forma divertida de que devem obedecer e acreditar nas mães. 

Foi marcada também por várias tiradas. Engraçado Cascão pensar que era quadrilha de bandidos, dizer que Cebolinha não tem jeito com meninas de fora ao ver a Cecília, pedir para Cebolinha não gritar porque pode ferir os ouvidos sensíveis da Cecília, perguntar se tinha alguma dama na festa com Mônica e Cecília ao lado, pensando que elas eram senhoritas, Cascão dizer que ser vaiado acontece nas melhores famílias. Magali fez participação só em um quadro, só não a colocaram no lugar da Cecília pra dar a graça de Cascão escolher porque a Cecília era sujinha como ele.

Cecília, prima da Mônica, só apareceu nesta história, como de costume de personagens criados para uma única vez. Na mesma revista, curiosamente, em outra história o Cascão se apaixonou pela Maria Cascuda porque era sujinha, que marcou a estreia da personagem. Se tivessem com pretensão da Cascuda ser personagem fixa desde então, poderiam até terem a colocado no lugar da Cecília. A Cascuda ainda pareceria em outra história de 1975 e depois só retornou aos gibis e em definitivo em 1981. 

Foram 10 páginas, mas com muito texto que fica mais tempo lendo e parece que é história mais longa. Incorreta atualmente por crianças irem sozinhas em festa junina altas horas da noite, Cascão em interesse de namorar Cecília e por ela estar sujinha já que teria namoro de crianças e apologia à sujeira, Cascão com cachimbo na boca, mesmo de brinquedo, não pode atualmente, eles brincarem perto de fogueira,  constrangimentos de crianças fazendo xixi na cama, além de palavras proibidas "roubar", "diacho" e não colocariam "Bife" para não ter duplo sentido de música com carne.

Traços ficaram bons, do estilo dos anos 1970 com personagens com bochechas pontiagudas, sendo que estavam começando a arredondar aos poucos, se comparar histórias de 1970 com 1974 já dava pra ver diferenças. A noite foi retratada com fundo todo preto e destaque também que a noite em alguns quadros e a plateia ao fundo com pontos pretos em um fundo branco que juntos formavam cinza. Recurso utilizado em tirinhas em preto e branco e depois por um bom tempo na camisa do Jeremias nos anos 1980 e 1990.

Foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 9' - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981), que misturou republicações e histórias inéditas, sendo que essa do Cebolinha foi a única de festas juninas dentre as que foram republicadas, as demais com esse tema foram inéditas. 

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 9' - Especial Festas Juninas' (Ed. Abril, 1981)

23 comentários:

  1. Pagaram para ver, subestimaram o que as mães recomendaram que fosse evitado, olha aí o resultado, seus mijões!
    Como roteirista o deixou mais atirado, assim, do tipo "pa" frente, bem saidinho, dito isto, o amigo da onça foi o entrão do Cascão, enfiou Cebolinha numa roubada e o fez passar vergonha. A verdade é que a média comportamental do sujão naquela época era bem por aí, mesmo...
    Acho magnífica a vibe descompromissada da TM nos 1970.

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    1. Falta de obediência dá nisso, se deram mal, se tivessem ouvido as mães não passariam por isso. O Cascão naquela época era assim, adorava meter o Cebolinha em roubadas, bastaria o Cebolinha recusar sabendo que não sabia tocar sanfona, caiu na pilha porque quis. Nos anos 1970 tinham compromisso com nada, deixavam rolar tudo que vinha na mente,, aí os maiores absurdos foram naquela época, era muito bom.

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    2. É mesmo. Cebolinha poderia ter dito que não sabia tocar ou que só tocava o bife que já quebraria as asinhas do amigo entrão, que ficaria de cara grande perante o organizador do "arraiá". Mas, não, preferiu pegar pilha.
      Em 1974 Magali já compunha o quarteto clássico, então, poderia ter ficado no lugar da Cecília em vez de dar as caras em apenas um quadro, só que, caso fosse, não teria a piada de "gata borralheira" que fez Cascão gamar e, em seguida, "desgamar". Com Cascuda numa possível primeira aparição ou, até que fosse em segunda ou terceira aparição, daria tranquilamente para ter as duas partes da piadinha. Contudo, ficou redondinho com a parente da Mônica de aparição única.

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    3. Aliás, permitam uma correção. Esqueci de colocar em maiúsculas e entre aspas, o certo é 'O Bife'. Perdoem o vacilo, "faiz" "favoire".

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    4. Cebolinha até tentou dizer, como Cascão interrompia, aí acabou entrando na pilha. A Magali seria primeira opção se não tivesse a paixão do Cascão por uma sujinha desconhecida e bem adiantaria Magali sujinha porque ele jaa conhecia. Cascuda daria certo só que preferiram criar história só com os dois juntos, que por coincidência saiu na mesma revista. O nome da música é "O Bife", mas muitos falam apenas "Bife", então você não esteve errado no comentário.

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    5. 'Bife' ou 'O Bife' é a "música do Danoninho®", vamos dizer assim. 'The Celebrated Chop Waltz' e 'Chopsticks' são outros nomes dessa valsa com origem no século XIX, composta por uma britânica que utilizava pseudônimo masculino.
      Cebolinha fala "meio certo" (ou "meio errado") no terceiro quadro da última página, "criança" e "blinca" no mesmo balão.

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    6. Isso, famosa música do Danoninho. Nem tinha reparado no erro da fala do Cebolinha, em questão o erro foi em "criança". falta de revisão deu nisso.

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    7. Já era grande o Cascão dos anos 1970. Não o considero como mais um secundário daquela época. Secundário de luxo? É, pode ser... Tendo a assimilar a fase setentista dele como sendo de um "titular sem título". Sei que parece estranho, mas é assim que o vejo naquele excelente período.

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    8. Eu considero que o Cascão passou a ser personagem principal de fato depois do lançamento da revista do Cebolinha em 1973, quando ele passou a aparecer mais pra fazer dupla com Cebolinha. Porém, durante os anos 1970, mesmo em histórias que eram claras que o Cascão era o protagonista, colocavam créditos no título como que era história do Cebolinha, mostrando então que o Cascão não era totalmente personagem protagonista pelo estúdio como Mônica e Cebolinha até então.

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    9. Cascão passou a ter mais espaço a partir do título Cebolinha, sem dúvida. Mas, de 1970 a 1972, já contava com um destaque extra se comparado a outros como Chico Bento, Raposão e Jotalhão, por exemplo. Ademais já se mostrava como o terceirão na fila do núcleo central, à frente da dupla Bidu e Franjinha. Uma trajetória, eu diria, singular.

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    10. É, o Cascão aparecia bem nos gibis da Mônica até 1972, ele até teve algumas histórias protagonizando, sendo que o destaque ao personagem ficou maior e mais notório após o lançamento da revista do Cebolinha.

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  2. Os Traços dos Anos 70 Foram Arredondando Aos Poucos Principalmente de 1977 Em Diante E Ao Final da Década Já Tava Bem Parecido Com A Fase Consagrada dos 80/90

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    1. Sim, foram arredondados aos poucos e mais precisamente em 1979 já ficou parecido, algumas daquele ano até confunde de pensar que são do inicio dos anos 1980.

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  3. Essa vibe da década de 70 foi muito boa, as crianças tinham mais libertade em comparação com as décadas de 80 e 90 se metiam muito em enrascadas nem pareciam que tinham 7 anos 😂😂😂

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    1. Não pareciam mesmo que tinham 7 anos, faziam qualquer coisa. Nós anos 80 e 90 tinham autonomia boa, mas. Nós 70's era maior. Eu gostava.

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  4. Nossa, escorreu uma lágrima do meu olho aqui lendo essa história! Eu ainda não era nascido nos anos 70 mas o tom dessa história, os desenhos, os diálogos, as cores, enfim, tudo, me fez sentir uma saudade enorme de um tempo que eu não vivi! As crianças indo sozinhas para uma festa junina à noite, e voltando sozinhos para casa, a festa com a fogueira acesa, as fantasias de caipira, o Cascão "fumando" um cachimbo de brinquedo... tudo isso remete a um tempo em que a vida era de fato vivida, completamente diferente desse mundo ao mesmo tempo violento e insípido, onde as pessoas parecem que se tornaram zumbis e tudo tem que ser "limpinho", "sem palavrão", "politicamente correto" senão "vai ofender o coitadinho", esse mundo insosso onde alguns enchem o peito para falar que "palavras machucam" mas ao mesmo tempo querem que aceitemos calados e passivamente a violência,tanto física quanto espiritual, que comentem contra nós diariamente...
    O irônico é que em parte foram homens dessa época boa e melhor que construíram esse mundo insípido de hoje. Homens e mulheres que em seu tempo brincaram na rua até tarde com seus amiguinhos, e hoje não querem mais que crianças sejam crianças, e promovem a censura do politicamente correto nas historinhas, dentre outros tipos de censura e outras formas de amputação espiritual e mental...

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    1. Pois é, definitivamente era outro tempo, passados mais de 50 anos dá muita diferença. De fato nem crianças irem sozinhas a uma festa junina de noite não permitiriam hoje e na época deixavam ou no mínimo achavam normal cena assim em gibis. Sociedade está muito mudada e a tecnologia e agora IA contribuem muito pra emburrecer todo mundo, tendênciaa mentalidade piorar. E pior saber isso das pessoas terem tido toda liberdade na infância e depois de velhos impõem censura em tudo para os filhos, isso que é regredir população.

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  5. Bela história. Ah, foi inaugurada uma estatúa do Mauricio de Sousa com seus personagens. E também o Mauricio fez outra rara aparição sentado numa cadeira de rodas nos estúdios com a presença da Marina, Nimbus e Do Contra mais uma mostrando mobilidade reduzida por conta da idade.

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    1. Eu vi essa foto, não chega ser rara apresentação, a última foto que mostraram tem nem dois meses e de vez em quando postam foto dele. Não aparece mais por causa da mobilidade, não é qualquer evento que ele pode ir.

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  6. Voltei a gostar dessa página , pois eu ainda gosto de Turma da Mônica

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  7. Que coincidência esse post sair no exato dia do meu aniversário! Festa Junina realmente é tudo de bom, me daria certíssimo como um padre, porque eu sou uma pessoa bem alta e de voz grossa.

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    1. Legal que essa foi postada no dia do seu aniversário, parabéns atrasado então. Festa junina é bom demais, também gosto bastante.

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