sábado, 31 de janeiro de 2026

Humberto: HQ "Louco, eu?"

Mostro uma história e que o Humberto é entrevistado por um pesquisador, que não sabia que ele era mudo e não o entendia causando muita confusão. Com 4 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 144' (Ed. Abril, 1982).

Capa de 'Mônica Nº 144' (Ed. Abril, 1982)

O pesquisador Geraldão vai à casa do Humberto e deseja fazer umas perguntas. Humberto responde "Hum! Hum!" e Geraldão confirma que é só um minutinho, não tomar tempo dele. Geraldão pergunta quantas pessoas moram na casa, Humberto responde "Hum!" e ele acha que era só o Humberto e pergunta quantas pessoas moram lá fora ele. Humberto responde "Hum!" Hum!" e o pesquisador diz que um e um são dois , então mora com mais duas pessoas, provavelmente com o pai e a mãe. Geraldão pergunta se Humberto está na escola, por Humberto responder "Hum!", ele conclui que está há um ano na escola. Geraldão pergunta quantos anos ele tem, Humberto responde "Hum!", Geraldão se espanta que ele tem um ano. Humberto responde 3 "Hum!" e ele pergunta se tem um ou três anos.

Humberto tenta dialogar, o pesquisador acha complicação e pergunta se ele já esteve em hospício alguma vez. Humberto responde "Hum!" e Geraldão se assusta que ele foi uma vez para o hospício, tenta se controlar por parecer inofensivo e diz que a entrevista acabou e já vai indo embora. A porta estava trancada, Humberto vai à cozinha pegar chave e derruba faca, machado e martelo e Geraldão se desespera, achando que Humberto estava querendo matá-lo e corre, querendo sair da casa de qualquer jeito. 

Humberto vai atrás, aponta que encontrou a chave e Geraldão pensa que Humberto louco ia atacá-lo com os objetos. Geraldão consegue fugir pela janela e sai gritando pela rua que viu um menino doido. No final, batem na porta da casa, era o Titi, que diz para o Cebolinha que acha que o Humberto não está em casa, está um tempão batendo na porta e ninguém atende e Humberto não abre pensando que homens queriam levá-lo para o hospício.

História legal em que o pesquisador não sabia que o Humberto era mudo, não entendia seus "Hum! Hum!" e sempre associava ao numeral um e achou que o Humberto era louco, ainda mais por ter achado que ele tinha ido ao hospício uma vez. Agrava quando Humberto foi procurar chave e deixa cair faca, machado e martelo e pensava que Humberto queria matá-lo e se desespera. Consegue fugir pela janela, gritando na rua que Humberto era doido e no final ele não abre a porta para o Titi pensando que eram homens do hospício querendo levá-lo.

Coitado do Humberto, sempre incompreendido e sofrendo constrangimentos por outros que não o conheciam. Sozinho em casa, aí nem dava para explicar que era mudo já que emitia "Hum!" Hum!". Nas perguntas envolvendo números, como quantas pessoas moram na casa e quantos anos ele tem, por exemplo, podia mostrar números com os dedos ou então pegar um papel e caneta para escrever. Engraçado que as perguntas do Geraldão coincidiam com os "Hum!" que Humberto emitia e aí causava mais confusão, até pensar que já tinha ido ao hospício e deixando o pesquisador desesperado. Interessante como os pais deixam um menino mudo como o Humberto sozinho em casa e ainda deixam machado e martelo na dispensa da cozinha, com fácil acesso a ele, era para terem deixado em outro local da casa, e a porta ter se trancado do nada, já que ele havia aberto para o pesquisador entrar. Foram necessários esses absurdos para deixar graça na história. Geraldão apareceu só nessa história como de costume de personagens criados para histórias únicas.

Humberto mesmo considerado mudo, tinham histórias em que ele emitia "Hum! Hum!" como foi nessa ou era mudo por completo, sem falar nada. Variavam de acordo com o que se encaixava melhor no roteiro, sendo que prevalecia falando "Hum! para poder fazer trocadilhos com o numeral "um". E nota-se que ouvia muito bem. Ele vivia passando sufoco por ser mudo, ao mesmo tempo que era engraçado, dava pena dele, e histórias assim serviam como crítica do que os mudos podem passar na vida real e o que não se deviam fazer com eles e, sem dúvida, deficientes como ele tinham mais representatividade assim se dando mal e até apanhando da Mônica. 

Hoje em dia  não fazem mais histórias assim por ter bullying com deficientes, Humberto ser taxado de louco por ser mudo, atualmente quando tem histórias dele e de outros deficientes são só para passar mensagens boas, com ensinamentos lição de moral. Palavra "louco" proibida atualmente, nem esse título da história seria aceito.

Traços ficaram bons, típicos de histórias de miolo do início dos anos 1980. Titi apareceu sem brilho no cabelo e sapato azul porque na época ainda não tinha traços definitivos em detalhes no seu visual. Já Titi com dentes vermelhos nos dois últimos quadros da história foi erro grotesco de colorização. Essa história foi republicada depois 2 vezes, primeiro em 'Almanacão de Férias Nº 2' (Ed. Globo, 1988) e depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 22'  - Cebolinha e o Louco II" (Ed. Globo, 1999). Estranho história de Humberto em almanaque temático de histórias do Cebolinha com o louco, provavelmente colocaram para preencher páginas que faltavam para completar edição e por envolver loucura, mas se procurassem melhor, dava pra encontrar fácil uma história do Louco de 4 páginas até 1994.

Capa de Almanacão de Férias Nº 2' (Ed. Globo, 1988)
Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 22 - Cebolinha e o Louco II' (Ed. Globo, 1999)



3 comentários:

  1. Sdds do Humberto com essas histórias engraçadas dele, tinha mais representatividade do que hoje, atualmente quase não tem histórias do Humberto nos gibis atuais. uma pena pq ele tinha mais representatividade, se Luca e Dorinha tivesse sido criado nessa época teria feito muito mais sucesso do que na década de 2000, Uma dúvida Marcos foi em 81 ou 82 que os personagens secundários voltaram tipo Zé Luis, Titi Huberto etc???

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    1. Faz falta, eram ótimas histórias solo dele. De fato é raro ter histórias dele hoje em dia e quando tem, são didáticas ensinando libras. Se Dorinha e Luca tivessem sido criados nos anos 1980 até primeira metade dos anos 1990 teriam muito mais conteúdo e representatividade. Sobre esses personagens secundários aí, todos voltaram em 1981.

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  2. Se precisar de um palerma de quatro costados, o Geraldão deve servir... HQzinha massa, curtinha e direta.
    A parte em que são jogados no chão cutelo, martelo amaciador de carne, facão e, o sujeito, já tenso, vendo e ouvindo a movimentação aparentemente sinistra que só fez reforçar o equívoco de que se tratava de um maníaco psicótico, psicopata sanguinário ou coisa que o valha, é uma cena icônica e que para tal não foi necessário participação de algum medalhão como Cascão ou Cebolinha ou a inoxidável Mônica, sendo praticamente uma assinatura de um secundário de baixo apelo pela característica principal consistir em não ser compreendido devido incapacidade de articular palavras.
    Conheci pelo Almanacão de Férias nº2, de 1988, adquirido novo e dois ou três anos mais tarde tive Mônica nº144, de 1982, adquirido usado. Gibis da hora, que não me pertencem mais.

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