sábado, 17 de outubro de 2015

Turma da Mônica e o Estatuto da Criança e do Adolescente

Em 1990 foi criado o Estatuto da Criança e do Adolescente, um conjunto de leis do governo que mostram os direitos das crianças. Para divulgar o ECA recém lançado, os gibis da Turma da Mônica de outubro de 1990 tiveram capas e histórias com referência. Nessa postagem em homenagem aos 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente mostro como foram essas edições, assim como o gibi institucional, também lançado nessa mesma época.

Todos os gibis convencionais de outubro de 1990 tiveram a mesma estrutura: capas com um selo da Mônica e Cebolinha com dizeres de "Outubro - Mês da Criança". E tinham um direito da criança do ECA em volta de um círculo estampado na capa. Como os gibis do Cascão, da Magali e do Chico Bento eram quinzenais, foram reservados 2 gibis enquanto que os da Mônica e Cebolinha, por serem mensais, foram só 1: 'Mônica Nº 46', 'Cebolinha Nº 46', 'Cascão Nº 98' e 'Nº 99', 'Chico Bento Nº 98' e 'Nº 99' e 'Magali Nº 34' e 'Nº 35'.

Capas dos gibis de outubro de 1990

Algumas capas tiveram também desenho fazendo alusão ao direito da criança e em outros, não. E no miolo sempre com uma história curta a ver com o direito que foi estampado na capa. Na verdade, não deixava de ser propagandas formando uma história para divulgar o ECA, até porque nem tinham os códigos que tinham em todas as histórias dos gibis. Nos gibis da Mônica e do Cebolinha, por terem mais páginas, foram reservadas 2 páginas, enquanto que as dos outros tiveram 1 página. Todas mostrando o direito de acordo com a personalidade do personagem, com uma piadinha no final, ou até mesmo mexendo com a emoção, como foi na história da Mônica.

No gibi da Mônica o direito na capa foi que "Toda criança tem direito a uma família". A capa não faz alusão ao direito, mas simboliza o "Dia das crianças" com a Mônica de camisola abraçada ao Sansão. E no miolo a história foi correspondente a esse direito em destaque, mostrando os personagens felizes com seus pais, mas eles conhecem um menino de rua que não tem família e aparece um casal proposto a adotá-lo, deixando o menino muito feliz e mexendo com a emoção.

História publicada em 'Mônica Nº 46' (1990)

No gibi do Cebolinha, mostrou o direito "Toda criança tem o direito a brincar". A capa foi referente a esse direito, com um desenho bonito do Cebolinha brincando de bicicleta. E na história, o Cebolinha, Cascão e Xaveco brincam de índios, astronautas, piratas, fórmula 1 e futebol e em todas as brincadeiras perturbando a Mônica. No final, ela se cansa e os obrigam a brincar de casinha.

História publicada em 'Cebolinha Nº 46' (1990)

Em 'Cascão Nº 98', o direito foi "Toda criança tem direito à opinião e à liberdade de expressão". Na capa, mostra o Cascão fazendo caretas, reforçando que crianças não podem ser impedidas de fazer caretas, defendendo seu direito de expressão. Na história desse gibi sobre o tema, Mônica fala do direito para o Cascão e o Cebolinha, que aproveitam para xingá-la de gorducha, dentuça, baixinha, que tem coelho encardido e até de pintora de rodapé, para reforçar o direito de opinião deles. Mônica fica furiosa e com uma cara vermelha e assustadora, que deixa os meninos com medo, perguntando que cara era aquela e Mônica reforça que é o direito de expressão dela.

História publicada em 'Cascão Nº 98' (1990)

Em 'Cascão Nº 99' mostrou o direito que "Toda criança tem o direito de ir e vir". Na capa, com Cebolinha e Cascão em uma nave fantasiados de astronautas, de certa forma, até pode dizer que foi alusão ao direito, porque pode dizer que eles podem ir até para o espaço sideral, mas creio que a intenção não foi essa. Na história, mostra o Cascão brincando em vários lugares, sem ninguém perturbá-lo, e resolve descansar em um banco da praça, mostrando que também tem o direito de ficar onde está. Com isso, as pessoas que estavam no banco saem de lá porque não aguentaram o mau cheiro dele. Ou seja, os incomodados que se retirem porque ele, por ser criança, tem prioridade.

História publicada em 'Cascão Nº 99' (1990)

Nas capas dos gibis do Chico Bento não tiveram desenhos fazendo alusão às histórias, sendo as 2 voltadas para ecologia. No gibi do 'Chico Bento Nº 98', o direito foi "Toda criança tem direito à educação", que na história, o Chico fala "à escola" no lugar para dar um ar mais simples. Nela, Chico tem várias aulas, como de Aritmética, Ditado, História, Geografia, Música, mas como na época ele era um mau aluno, o que ele se interessa mesmo é na hora do recreio, que faz questão de dizer que também é fundamental.

História publicada em 'Chico Bento Nº 98' (1990)

Já em 'Chico Bento Nº 99', o direito foi que "Toda criança tem o direito à liberdade de crença e ao culto religioso (escolher a religião)". Na história, cada um dos amigos do Chico falam qual era a religião deles, deixando Chico confuso e, então, ele vai para à beira de um precipício e se dirige a Deus, com toda a sua inocência, falando que Ele gosta de todas as crianças, mesmo que não tenha religião.

História publicada em 'Chico Bento Nº 99' (1990)

Em Magali Nº 34', o direito foi que "Toda criança tem o direito à saúde (tratamento médico e dentário)", que na história a Magali fala "tratamento médico e dentário" no lugar. A capa do gibi não tem alusão ao direito e na história, Magali corre para levar o Cascão à emergência, passando na frente de todo mundo da fila, porque ele está muito mal. Chegando lá, o médico pergunta ao Cascão o que ele tem e Cascão responde que é sede! A piada dessa foi com o Cascão, já que para ele ficar com sede é o fim do mundo.

História publicada em 'Magali Nº 34' (1990)

No gibi da 'Magali N º 35', o direito foi "Toda criança tem o direito à alimentação". A capa faz referência ao direito, com a Magali ao redor de várias frutas, prestes a comer uma fatia de melancia. Na história, ela come tudo que estava na mesa do almoço, e os pais dela, de estômagos vazios, reclamam, perguntando a ela que a criança tem direito à alimentação, mas os pais também não tem esse direito.

História publicada em 'Magali Nº 35' (1990)

Uma curiosidade é que os almanaques da Mônica Nº 20, e os do Cascão Nº 11 e Chico Bento Nº 11, todos de setembro de 1990, tiveram essas histórias desses personagens. O da Mônica, com a história da Mônica e os do Chico e Cascão com as 2 histórias deles nos seus respectivos almanaques. Como foram lançados antes dos gibis convencionais, então a gente conheceu essas histórias primeiro através dos almanaques, e não, nos gibis convencionais. Já as histórias do Cebolinha e Magali não tiveram republicações posteriores, que no caso, seriam no 'Almanaque do Cebolinha Nº 11' e 'Almanaque da Magali Nº 3', de novembro  e dezembro de 1990, respectivamente. Abaixo, as capas dos almanaques que também tiveram essas histórias:

Capas: 'Almanaque da Mônica Nº 20', 'Almanaque do Cascão Nº 11' e 'Almanaque do Chico Bento Nº 11' (1990)

Além de histórias especiais, em 1990 foi criado também o gibi institucional de distribuição gratuita "Turma da Mônica e o Estatuto da Criança e do Adolescente", em parceria com o governo, contando os direitos da criança através de uma história. Curiosamente, esse gibi teve 4 versões diferentes, com capas, que a princípio são iguais, mas que tem diferenças, além de terem histórias diferentes.

A capa da versão original de 1990 mostra um fundo azul com Mônica de braços abertos em frente ao mapa do Brasil com várias crianças estampando todo mapa do Brasil, sendo algumas crianças sem ser do universo da Turma da Mônica. Em 1993, a capa teve a Mônica com traços diferentes e os personagens estampados no Brasil foram só os da Turma da Mônica com eles representando os principais Estados do país. Em 2006 a capa foi semelhante com a de 1993, mas com proporção do desenho um pouco menor para caber o informe "Distribuição gratuita" no canto esquerdo. E em 2007 fizeram uma capa completamente diferente com os personagens. Abaixo, a comparação das capas, sendo que as 3 primeiras versões eu peguei no site do Guia dos Quadrinhos.

Comparação das capas

Em relação a histórias também tiveram diferenças. A versão de 1990 foi uma história diferente que saíram nas outras edições. Como eu não tenho e não encontrei nada dessa versão pesquisando na internet, não sei dizer como era o enredo. Na versão de 1993 é a história com o Franjinha com a cartilha do ECA e chama os seus amigos para contar e discutir sobre os direitos tratados. Já as versões de 2006 e 2007 são a mesma história que saiu em 1993 só que incluíram páginas com direitos que não tinham quando o Estatuto foi criado, como direitos tecnológicos, por exemplo. E tiveram cenas redesenhadas, incluindo o Papa-Capim, e também Dorinha e Luca, que não existiam em 1993.

As cenas redesenhadas tiveram desenhos com traços diferentes em relação ao resto da história e de cara dá para saber quais as partes que não tinham na versão de 1993. Pela imagem abaixo dá para notar isso. Ela tem traços mais perfeitos no início da história e depois mudaram na primeira página, o último quadrinho da história de 1993, colocando desenhos diferentes em relação ao resto da história.

Trecho da história do gibi institucional

Na história, o pai do Franjinha é advogado e Franjinha pediu o Estatuto para conhecer melhor e compartilhar com os seus amigos. Durante a história, além do quarteto principal e do Franjinha, vemos a presença do Jeremias, Titi, e Zé Luís conferindo também os direitos, sendo alguns quadrinhos mostrados outros personagens, de acordo com o direito. misturando informação com piadinhas, seguindo o estilo da atual revista "Saiba Mais".

Trecho da história do gibi institucional

Já nessa página aqui a gente vê que a página não existia na versão de 1993, e foi inserida, com traços diferente sem relação ao resto da história (o primeiro quadrinho da página seguinte também redesenhado), falando de conselho tutelas e inclusive sobre os direitos tecnológicos, de que as crianças têm que usar a internet com supervisão dos pais. Em 1993 não existia internet, então, nada mais natural inserir páginas mostrando isso.

Trecho da história do gibi institucional

No final todas as crianças aparecem reunidas, com esperança de que os direitos sejam cumpridos pelo governo e pela sociedade e sugerindo que possam compartilhar com muito mais gente o que acabaram de aprender sobre o ECA. Na cena final, fizeram mudanças, incluindo Dorinha e Luca, que não existiam na versão de 1993.

Trecho da história do gibi institucional

Infelizmente não encontrei a versão de 1993 na internet pra poder fazer uma comparação melhor dos gibis. A versão de 2007, sempre reforçando que é a mesma história de 2006, só a a capa diferente veio de brinde nos gibis de dezembro de 2007.

Em 1991  o Estatuto da Criança e do Adolescente voltou a ter destaque nos gibis em uma propaganda formando história para comemorar 1 ano de criação.

Propaganda tirade 'Almanaque do Cascão Nº 15' (1991)

Enfim, as capas e histórias nos gibis convencionais de 1990, assim como os gibis institucionais foram uma boa iniciativa para divulgar os principais direitos do ECA de uma forma leve e divertida de forma que todos entendem. Com uma mistura de informação e piadinhas, forma uma história bem interessante e consegue mostrar os principais direitos das crianças, sem deixar piegas. 

21 comentários:

  1. Eu nunca consegui gostar dessas historias com lição de moral, já tentei muito, mas nunca consegui, mas, se for pra comparar, na minha opinião a melhor foi a do cascão.

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    1. Concordo com vc, eu tbm nunca fui fã de hqs didáticas, com lição de moral. De vez em quando pra variar até tudo bem,mas sendo frequente não gosto. É melhor colocá-las em edições específicas pra isso como os gibis institucionais. Pra mim, gibi é pra rir e se divertir.

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  2. Ei! Vem ver minha página no Facebook , Arquivos Turma da Mônica! Tenho um bloco chamado "Historinhas", que publico historinhas que vcs postam e acabei de postar essas. E boto créditos!

    Link: https://www.facebook.com/EuAmoTurmaDaMonica

    Por favor! Visitem e curtam!

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  3. Que bom que saiu essa matéria! Lembro que há um tempo eu havia lhe dado essa sugestão em comemoração aos 25 anos do ECA e finalmente ela saiu. Queria justamente para saber as diferenças das diversas modificações que ela teve ao longo dos anos. Sou louco pra recuperar a edição de 1990, a primeira, que foi a que eu li, e e foi importante saber as diferenças nas capas. Abç.

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    1. Q bom q gostou. Pena q não encontrei nada das 2 primeiras versões pra poder comparar o q tiraram. Tipo, o q tinha no quadrinho depois da página q incluíram, o o q tinha na cena final no lugar do Luca e Dorinha,etc.

      As capas foi bom pra ver a diferença e ajuda quem quer conseguir uma edição específica. Pra diferenciar as capas de 1993 e 2006 só pelo informe "Distribuição Gratuita" e pequenos tons da colorização na de 2006 pra saber a diferença.

      Eu já tive a versão de 1993, mas infelizmente perdi. Hj só tenho a de 2007, mas gostaria de ter tido a de 1990. Abraço

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    2. Legal. Eu peguei já a de 93. Quero encontrar a minha!!!

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  4. Ótimo post!

    A propósito, lançou mês passado a Graphic MSP da Turma da Mata. Eu ainda não li, mas tô meio reticente. Sei lá, pelo que vi por aí, os pais do Jotalhão e do Rei Leonino se mataram e o Jotalhão ficou escravo no reino! Como assim, produção? A proposta, claro, era os artistas fazerem releituras com a Turma, mas nas outras histórias eles fizeram algo que não mexia na cronologia dos personagens (teve uma que até fizeram menção à Origem do Astronauta), não inventavam nada assim... :P

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    1. Valeu Marcelo. E realmente se for isso mesmo mexe com a cronologia dos personagens, mas como é obra de ficção e mostrar uma aventura, dá pra aceitar. Ao menos nos gibis nunca ouvi falar nada dos pais dos personagens da Turma da Mata.

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  5. Oi, Marcos! Tive as revistas do Cebolinha e as duas da Magali na época e que saíram. Aliás, aquela capa da Magali no picadeira não é uma ideia nova. Só o Cascão teve duas capas, no mínimo, com essa ideia, inclusive com coes e fundos bem parecidos.

    Sobre o ECA prefiro nem comentar, pois o país faz leis, na minha opinião, de forma cega, sem muito raciocínio lógico para as coisas. As crianças hoje em dia não podem trabalhar, mas podem ficar o dia todo vendendo drogas e até usando elas. Grande merda virou tudo isso. A criança não pode ajudar o pai com uma horta, mas pode vender papelote na esquina o dia inteiro, fumar um cigarrinho de maconha....

    É por essas coisas que acabo não sendo muito fá dessas campanhas. A criança sofria por perder sua infância no trabalho. Mas ela continua sofrendo hoje, embora o tráfico pague muito bem, mas a longo prazo é um prejuízo muito maior pra vida dela.

    Abraços.

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    1. Em relação a capa da Magali no picadeiro, tem certas situações de capas que costumavam colocar bastante, mas com a piada em si diferente, adaptada par ao personagem. Com o Cascão, por exemplo, era adaptada com ele se equilibrando pra não cair em um tonel d'água.

      Outro tipo de capa que saia bastante era os personagens como mágicos tirando algo da cartola de acordo com sua personalidade. Com o Cascão mágico saia o Chovinista da cartola; Magali, eram frutas; Cebolinha, o Sansão; Pelezinho, bola.

      Sobre o ECA a intenção é boa, mas eles podiam ver certos conceitos que ficam a desejar, como esse de criança não trabalhar. Ao menos, as historinhas da turma ficaram bacanas.

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  6. Eles não representaram Minas Gerais na capa. Porque meu estado, mesmo importante, sempre é esquecido? Ou quando não é, eles retratam Minas como se fosse uma roça, mesmo quando estão falando de Belo Horizonte ou Uberlândia, duas cidades bem desenvolvidas! Fico chateado com isso...

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    1. É verdade, reparei melhor não representaram. A mídia em geral podia dar mais valor a Minas Gerais.

      Devem tratar como roça, devido a costumes antigos desde século XIX. Mídia trata mineiro como do interior, q gostam de falar sem terminar as sílabas, das comidas típicas do interior etc.

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  7. É mesmo! Cada lugar tem o seu costume, aqui em Minas, nos somos bem tradicionais, mas a mídia confunde isso, deve ser porque a mídia no Brasil é só Rio-São Paulo, eles banalizam as culturas de outros lugares (Minas, Sul e Nordeste), acham que esses lugares são como os esteriótipos que eles montam. Se não fosse por Minas, os portugueses nunca teriam mudado a capital pro Rio de Janeiro e nunca o sudeste tinha se desenvolvido, pois foi aqui que eles acharam as primeiras minas de ouro. Gosto do Brasil, como um todo, não como um lugar dividido como a mídia gosta de mostrar.

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    1. Falou tudo. Pena mesmo o Brasil só girar no eixo Rio-São Paulo.

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    2. Agora que falou, não lembro de nenhum filme ou novela se passando em Minas, pra gente conhecer mais Podiam mesmo explorar mais o conhecimento do país como um todo.

      O"

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  8. Cara. Eu tive a versão original deste gibi de 93, e o que posso dizer é que o enredo esta todo aí, na edição de 2006. Não falta nada. Eu acabei de baixar esta versão de 2006, e me recordei de tudo que eu lembrava ter visto em 93, exatamente a mesma coisa, até achei que era a própria edição de 93. Mas claro que ainda quero encontrar o gibi de 93. Que era o que eu li.

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  9. A parte da internet realmente foi a unica história que eu estranhei. No resto as histórias e os desenhos são os mesmos. A aparição destes personagens, Dorinha e Lula, no ultimo quadro com vários personagens juntos, não tinha visto. Mas lembro que em em 93 tinha este último quadro com o Cascão convidando os leitores a conhecer o ECA e fim.

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    1. Eu acabei conseguindo a versão de 93 depois que criei essa postagem. E realmente praticamente tudo igual, só alterações de desenhos nessas partes.

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