quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Coleção Histórica Nº 42


Nessa postagem comento sobre a Coleção Histórica # 42, formada pelas 5 revistas números 42: Mônica (1973), Cebolinha (1976), Chico Bento e Cascão (1984), e Magali (1991).

Dessa vez, é o Floquinho quem está na capa do box. Em relação à distribuição, chegou aqui no dia 7 de agosto, continuando a chegar de um mês para o outro, visto que o box é original de julho. Como foi no início do mês, acho que é a data mais próxima de chegar mesmo. Infelizmente, no meu bairro até agora só chegou em 1 exemplar e em 1 banca. Fica parecendo que a Coleção Histórica não vende, para justificar uma distribuição ser tão limitada e poucas bancas venderem.

No geral, esse box marca por falar menos informações de créditos das histórias nos comentários e tiveram bastante alterações em relação às originais.



Histórias de abertura e comentários gerais:

Mônica - "A tocha olímpica" - Mônica é encarregada de levar a tocha olímpica ao estádio Municipal depois que o corredor oficial torce o pé após tropeçar em uma pedra, e ela passa por várias confusões até chegar lá.

Teve história com Penadinho, coisa rara na época, ainda mais em 2 edições consecutivas. Nela, um piloto de rachas de corridas vai parar no cemitério. Típica histórias da época com o Penadinho recebendo as almas que vão parar no cemitério. Como ele contracenava só com fantasmas, curioso que quem ficou encarregado de ressuscitar foi outro fantasma. Se fosse nos anos 80, seria a Dona Cegonha ou a Dona Morte.

Dessa vez, o Penadinho e os outros fantasmas não apareceram sem brilho azul característico na época. Não sei se era assim mesmo na original ou se foi alterado, já que eu não tenho a original.

Nesse gibi teve a primeira história da Mônica contracenando com o Louco, chamada "Loucura geral". Antes dessa, o Louco havia aparecido outras 2 vezes nos gibis do 'Cebolinha # 1' e '# 5' e essa com a Mônica foi a 3ª aparição dele. Dá para notar, então, que nas primeiras histórias, o Louco não aparecia fixo para o Cebolinha. Era assim: nos gibis do Cebolinha, o Louco contracenava com ele, e nos da Mônica, com ela.

Na história do Chico Bento, "O trem", em que ele anda de trem pela primeira vez com o Zé da Roça, teve um erro na época no primeiro quadrinho no balão do Chico, se referindo a si mesmo. O certo devia ser: "Legal o seu pai nos levar para passear de trem, Zé!". Pelos menos, mantiveram a falha.

Trecho da HQ "O Trem"

De 13 histórias comentadas, em 3 não informaram créditos nenhum de roteiristas, desenhista e arte-final. Dentre as que tiveram informação de créditos, 3 histórias escritas pelo Márcio Araujo e as demais pelo Mauricio de Sousa.

A minha capa da Mônica teve um erro gráfico ao cortar. Ficou a parte de baixo cortada e uma faixa branca na parte superior pra suprir essa falta, como dar pra ver na imagem acima com as outras revistas. Na contracapa também, assim como as páginas 2 e 67, porém o miolo com as histórias ficou normal. E as demais revistas do box também normais. Então, quem encontrar fique tranquilo que é só a capa que está com esse pequeno defeito. Eu comprei, já que era o único exemplar na banca e o jornaleiro falou que ia devolver o dinheiro se o miolo estivesse com defeito também.

Cebolinha - "Uma obra de arte" - Cebolinha fica imóvel depois de servir como modelo de uma obra de arte. O escultor tropeça e quebra os óculos e leva o cebolinha imóvel no lugar da estátua para a exposição por engano.

O gibi marca com a histórica de estreia do Doutor Olimpo, "O inimigo Nº 1", de como ele conheceu o Cascão. Nela, o Cebolinha também aparece. Em uma época que o Cascão não tinha gibi, era muito comum ter histórias solo dele nos gibis do Cebolinha. Curioso que o ajudante do Doutor Olimpo se chamava José, e não Sapóleo, como ficou mais conhecido depois. E eles eram menos atrapalhados.

Trecho da HQ "O inimigo Nº 1"

De 11 histórias comentadas, em 5 não informaram créditos nenhum. E todas as informações completas só na de abertura. Nos comentários, teve um erro ao comentar que a história "Camisa 10" (em que a Mônica quer provar que sabe jogar futebol) foi a única do gibi escrita pelo Mauricio. A do Doutor Olimpo também foi dele.

Em relação a alterações em relação à original, até que não tiveram algo tão significativo. Até poderia ter no pensamento do Cebolinha na história de abertura e em "O susto", só que dessa vez o Cebolinha pensa certo no gibi original. Alteração mesmo em certas colorizações, como na história "Camisa 10", em que os olhos do Anjinho que não parecem brancos na original e agora, sim. Abaixo a comparação, com a imagem da original (á esquerda) enviada por André Felipe:

Comparação da HQ "Camisa 10": Anjinho com olhos brancos na CHTM # 42

E capa infelizmente vai ter certos detalhes diferentes, visto que as revistas dos anos 70, que eram 2 cm maiores na altura. Por isso que acho que as revistas da Mônica e do Cebolinha da CHTM deviam seguir o mesmo formato original.


Chico Bento - "Cadê a noite?" - Chico estranha a noite não aparecer quando ele estava na beira do morro. Ele tropeça em um pote mágico que tinha a noite dentro e resolve soltá-la, causando muitas confusões.

A péssima notícia é que lamentavelmente voltaram a alterar o caipirês do Chico Bento no gibi. Na CHTM # 36 e # 37 mudaram (e várias outras antes), mas eles tinham parado com isso nos últimos boxes e agora infelizmente voltou a ser alterado. De cara, dá para ver que os gerúndios foram mudados, até porque essa história de abertura tiveram muitos gerúndios. Na original palavras como "vino", "ficano", "apareceno" mudaram agora para "vindo", "ficando", "aparecendo".

Trecho da HQ "Cadê a noite?": caipirês alterado

E logicamente não só gerúndios, como também certas palavras não eram caipiras na original, e agora passaram a ser. Alias, não foi só na história de abertura que mudaram, em outras do gibi também. Porém, na última história, mantiveram o caipirês original. Vai entender. Interessante que nos comentários foi falado que o caipirês era diferente do atual. ou seja,o Paulo Back não contava que seria alterado e o comentário reforça que foi alterado tudo.

Sem dúvidas, os gibis do Chico são os mais diferentes em relação à original. Eu não gosto quando mudam o caipirês dele até porque tira a linguística da época. Eles deviam manter até mesmo para a gente poder comparar como era nos primórdios com o atual. Bola fora.

Fica parecendo que os leitores não sabem traduzir o caipirês e acha estranho, ou seja que não sabe identificar que "pareceno" significa "parecendo", por exemplo. Revoltante. Lembrando que apenas nos gibis de 1985 que o Chico passou a falar o caipirês que a gente conhece, e até lá qualquer coisa será alteração. Eu não sei como eles não alteram nos gibis da Mônica e do Cebolinha, passando o Chico falando certo para o caipirês.

Fora essas alterações toscas, o gibi está bom com destaque para a história "Fido, o farejador", em que o cachorro do Chico faz de tudo para se livrar da caçada para namorar com uma cadela. Engraçado  o Fido pensando em caipira também. Em relação a créditos, só na abertura que tiveram créditos completos. A história "Quero sossego" sem crédito nenhum e  mostrou arte-final na última, mas não quem desenhou.

Cascão - "Os terríveis esfumaçantes" - A fumaça da chaminé de uma fábrica ganha vida e quer que o Cascão seja sua aliada para que a poluição domine o mundo.

Nos comentários da história "Um quarto desbagunçado" (em que os pais do Cascão limpa o quarto dele sem seu consentimento) é falado que o Humberto não é muito utilizado nas histórias e que é ideal pra fazer pontas. Isso vale só para as histórias atuais, porque nas histórias daquela época ele aparecia bastante, inclusive protagonizando histórias solo que eram muito boas, por sinal.

Créditos completos só na história do Bidu. Mostrou quem foi roteirista em todas e desenhos só na abertura e a da Dona Morte. História de destaque para "Oh! O Principe submarino", em que ele pede água para o Cascão, que age como vilão, fazendo de tudo para ele não ter contato com água.

Esse gibi eu tenho a original e, posso dizer que tiveram alterações também. Uma delas foi na história de abertura. Na original de 1984, eles erraram e deixaram o Cebolinha falando "destruída" e agora corrigiram para "destluída", sem mencionar nada nos comentários.  Acho que deviam manter todos os erros que sairam na época para ficar idêntico ao original. Abaixo a comparação:

Comparação da HQ "Os terríveis esfumaçantes"

Como essa história foi republicada também no livro "Cascão 50 Anos" e corrigiram isso lá também, pode dizer que foi mais uma alteração daquele livro, sendo, então 5 alterações no total com essa. 

Além dessa, na história com a Dona Morte, "A viagem", em que ela vai buscar o Ambrósio, que pede um tempo para se despedir dos seus amigos.  Na primeira página ela aparecia com um brilho branco, mas nas outras deixaram azul. Agora nessa Coleção Histórica deixaram o brilho azul em todas as páginas para deixar padronizado, ficando, assim, mais uma vez diferente da original.

Comparação da HQ "A viagem"

E a capa ficou bem diferente. Além de não ter o selo da promoção da Cartela Milionária, que acontece sempre, deixaram muita escura, os tons foram todos mudados e a parte inferior da grama deu para perceber que ficou menor. Ou seja, uma capa completamente restaurada para ficar igual aos padrões atuais:

Comparação das capas de 1984 e da CHTM # 42

Magali - "Toque de classe" - Magali ensina a Mônica dicas de etiquetas e boas maneiras para se tornar mais elegante, inclusive para as provocações dos meninos.

Essa é uma das raras histórias da Magali na época que não envolve comida. Destaque para a história "Levando no bico", do Mingau, em que ele contracena com uma garça, parodiando a fábula conhecida "A raposa e a cegonha". Créditos completos só na abertura e na do Mingau, as demais sempre faltando alguma coisa, mas nomes dos roteiristas presente em todas.

Foi mostrada a propaganda "Quadrinhos só da Globo" com a capa das revistas de janeiro de 1991 do 'Cascão #105', 'Magali # 42', além da 'Turma do Arrepio # 16' incluída. Até pensava que não iam colocar por ter revista da Turma do Arrepio, que não tem nada a ver com a Turma da Mônica, mas colocaram tão pequena e com sombreamentos desnecessários, que nem dá pra ver as capas, nem da Turma do Arrepio , nem as do Cascão e Magali. o mesmo para as outras propagandas desse gibi (e dos demais também) que não dá para ler nada e muito mal só as ilustrações.

Na história do Dudu, "Terríveis torturas", em que o Dudu imagina várias situações de torturas, dessa vez não alteraram a arma na sua mão, diferente da 'Turma da Mônica Extra # 11', onde ficou saindo água dos dedos do Dudu depois da alteração tosca.

Trecho da HQ "Terríveis torturas"

Mas nessa Coleção Histórica # 42, tiveram outras alterações. Na tirinha, agora vão implicar com o logotipo. Mudaram para o logotipo igual da capa, ficando bem diferente da original que era outro. Em 1991, em algumas edições realmente passaram a colocar o logotipo clássico na tirinha, mas isso foi lá para edição # 54 e mesmo assim logo depois voltou ao outro logotipo. Então, até lá quando aparecer na Coleção Histórica, será alteração.

Pode parecer bobagem, mas pior que com essa simples mudança, o tamanho do desenho nos 3 quadros fica menor e um pouco desproporcional na CHTM. E mudaram também o tamanho e a posição da assinatura do Mauricio e a numeração da tirinha que tinha na original. Abaixo, a comparação:

Comparação da tirinha

A capa ficou diferente da original também, colocando mais uma vez o selo da CHTM ao lado do logotipo. Além disso, o azul do logotipo ficou mais claro agora, tiraram o degradê como era na original, as pedras ficaram mais perto da japonesinha, a montanha ficou mais clara e pior foi o lago que ficou cinza em vez de azul. Abaixo a comparação com o gibi de 1991:

Comparação das capas de 1991 e da CHTM # 42

Uma pena tantas mudanças na Coleção Histórica, coisa que nem devia ter. As do Chico Bento, com certeza, foram as piores e mais revoltantes. Por isso sempre é mais jogo ter as originais do que a Coleção Histórica.

24 comentários:

  1. A distribuição da Panini está ficando cada dia pior, acredita que o Almanaque Temático da Magali ainda não chegou aqui em Brasília?

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  2. Pra vc ver como anda. e olha q chegou há quase 1 mês. Um absurdo.

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  3. No gibi da Magali, na tirinha, a parte superior das folhas da árvore foi refeita.
    Tenho aquela historia da Mônica com onlouco em dos preciosos almanaques antigos que comprei. Achei ela bem engraçada. Assim como também tenho outras como A Datilografa, Monica Voadora e algumas secundarias.
    Ainda bem que agora vamos matando saudades dessas obras. Triste saber que esse estilo de humor não volta mais.
    Valeu por compartilhar!

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    1. Verdade, Fabiano, foi redesenhada a parte da árvore no canto esquerdo e a moita no canto direito. Ridículo.

      É normal q os primeiros almanaques da Abril tenham essas hqs q estão saindo na CHTM. Eu conheço as do Cascão e Chico Bento por causa dos almanaques da Globo, pq os primeiros almanaques tinham essas hqs.

      Sem dúvidas, essas hqs não voltam mais, infelizmente. Abraços

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  4. Eu não consigo entender essas alterações, parece até implicância, pra irritar os leitores, pois são alterações muito bobas que eles sabem que irritam os leitores, principalmente os da CHTM.
    Incrivelmente chegaram 4 exemplares dessa na banca que frequento, fiquei surpreso!

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    1. Concordo, fica parecendo mesmo q é pra irritar os leitores. Se é uma obra pra ficar o mais parecido das originais, não tinham q fazer isso. Acho q não tinham q mudar nada. De todas a pior, sem dúvida, foi a mudança do caipirês do Chico.

      Deixar a tirinha da Magali toda desproporcional só por causa de uma mudança do logotipo, também desnecessário, foi chato. E isso prova q é implicância, pq o q tinha demais no outro logotipo.

      Q bom q chegaram 4 exemplares aí. Aqui só vi 1 exemplar até agora.

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  5. Já estou com a minha mais ler que é bom..rsrs! xD

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    1. Isso aí Xandro, agora é arrumar tempo para ler rsrs... o importante q vc já tem garantido na sua coleção, pelo menos.

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    1. Distribuição horrorosa, né Kleiton. Já era pra ter chegado aí. Acho q devia chegar no mesmo dia para o Brasil todo.Tomara q chegue logo.

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  7. Não li a minha ainda, mas já estou triste pela mudança na fala do Chico! Abomino qualquer mudança linguística na coleção! bjs

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    1. Nem fala Natália, tbm odeio essas mudanças. Afinal, era a linguagem da época, tinham q manter e não mudar assim, sem mais nem menos. bjs

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  8. Complicado mesmo essas mudanças numa Coleção onde se deveria prezar pela reprodução fiel da edição republicada.

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    1. Sim, nos almanaques convencionais ainda dá pra aceitar um pouco, mas essas da CHTM tinham q ser o mais normal possível, sem alterações bobas como essas.

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  9. Olá, Marcos. Gosto bastante da maneira como você compartilha suas opiniões aqui no Arquivos TM. Eu tenho um blog chamado "TMJ Melhores", lá eu gosto de (além de colocar meus posts) compartilhar posts dos blogs que sigo e que acho que realmente valem a pena. Compartilhei este post lá e coloquei os devidos crédito, tudo bem?

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    1. Obrigado, q bom q tá gostando do blog. Sem problemas, pode compartilhar sim, colocando os créditos.

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  10. a capa de magali 42 no original é bonita, mas com essas alterações Descaracterizou muito e acho desnecessário colocar o selo do lado do logo fica totalmente diferente do original

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    1. Concordo, o selo ao lado do nome descaracteriza muito. E pior q tinha espaço pra colocar em outro lugar,como em cima da montanha ou no canto direito. Ficou muito diferente.

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  11. Essas mudanças irritam mais a gente, que é leitor cascudo e repara nessas paradas. A maioria do pessoal mais novo não nota porque nunca leu os originais. Graças aos seus posts, Marcos, essas alterações são reveladas.

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    1. Verdade, as crianças não vão reparar isso, mas os leitores veteranos sim, e não gostam. Isso é pra mostrar q Coleção Histórica tem alterações, sim.

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  12. Adorei os traços da história do Chico Bento "Cadê a Noite?". Ele eram muito bons.

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    1. Eles caprichavam nos desenhos. Era excelente.

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    2. quando eu vejo os traços das histórias do Chico Bento dos anos 80 eu me sinto como se estivesse mesmo na roça.

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    3. Acho q a intenção deles na época era essa mesma do leitor se sentir na roça. Uma pena não ter mais traços como nos anos 80.

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