sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Chico Bento: HQ "A desdita da marmita"

Mostro uma história muito divertida com o Chico Bento, em que uma simples troca de marmitas pode causar uma grande confusão. Ela tem 10 páginas e foi publicada na abertura de 'Chico Bento Nº 106' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Chico Bento Nº 106' (Ed. Globo, 1991)

Nela, dona Cotinha, mãe do Chico Bento manda o filho levar a marmita do seu Pai, seu Bento, ao roçado falando que foi uma receita especial e que ele vai ter uma surpresa. Chico corre para levar antes que esfrie, quando dá de encontro com o Zé Lelé e os dois caem. Só que o Zé Lelé estava carregando terra que catou na beira do rio para plantar um pé de ameixa em uma lata igual à marmita do Chico e, sem querer, acabam trocando.


Chico chega ao roçado e entrega a marmita ao pai. Seu Bento pergunta o que tem dentro e o Chico responde que a mãe disse que era uma coisa especial que ele merece. Seu Bento vai lavar as mãos e o Chico vai embora. Quando senta para comer e abre a marmita veio a surpresa: era terra! 

Seu Bento indaga que está faminto e mandam terra para comer e se lembra que o Chico falou de uma receita especial que ele merece, e, com isso, ele pensa que a Cotinha acha que ele merece comer terra. Até achou que ela estava braba com ele por ter conversado com o compadre Malvino até tarde da noite, mas logo percebe que isso não era motivo de desfeita e resolve ir para casa tomar satisfações com ela.


Enquanto isso, Zé Lelé percebe que a sua lata está quente e, quando abre, ver que era comida. Ele não entende nada, já que quando ele catou a terra, tinha até minhoca dentro. Ele custa a pensar, e lembra que se esbarrou com o Chico e trocou as latas. Zé Lelé vai à casa do Chico devolver a marmita e, como não encontra ninguém, deixa em cima da mesa da cozinha e vai embora, dizendo que volta depois para buscar a sua terra.


Dona Cotinha aparece e vê a marmita em cima da mesa. Acha que seu Bento não podia ter comida tão depressa e quando abre, ver que está cheia. Fica triste por ele nem ter tocado na comida e pensa que ele acha que ficou braba por ter chegado tarde em casa, mas que não era motivo de desfeita e fica furiosa.


Seu Bento chega em casa e aí começa a grande discussão. Ele diz a sua esposa é uma encrenqueira, que não tem que azucriná-lo por chegar tarde em casa e Dona Cotinha diz que ele é um grosseirão. Chico chega em casa no meio da discussão, já com palavrões, e quer saber o que houve. Quando o seu pai fala que a esposa mandou uma lata cheia de terra para ele comer, Dona Cotinha fica uma fera e taca um ovo na cara dele.


A partir daí começa a guerra de comida, um tacando no outro o que encontra pela frente, só restando ao Chico tentar conter. Quando o seu Bento mostra a lata com terra, a Dona Cotinha pergunta se era outra marmita porque a que ela deu estava na mesa. Aí, nessa hora surge o Zé Lelé, cobrando a sua lata de terra, dizendo que o Chico trocou com a marmita por engano. Todos dão gargalhada e o Zé Lelé não entende nada.

Desfeita a confusão, os pais do Chico pedem desculpas um ao outro, fazem as pazes e se beijam. No final, seu Bento resolve comer a comida da marmita porque estava morto de fome. Ao provar, ele sai correndo e vai beber água do poço. O Chico estava lá e o pai diz que é para ele não falar nada pra a mãe, mas a comida tem gosto de terra mesmo.


É uma história muito divertida, para ver como uma simples trapalhada de troca de marmita do Zé Lelé e Chico Bento pode render uma história muito legal. Sem contar que piadas pastelão com guerra de comida sempre agrada e rendem ótimas risadas. E toda a simplicidade e cotidiano da roça, do seu Bento trabalhando no roçado e levar marmita na hora do almoço sempre são bem vindos nas histórias do Chico.


Os traços são perfeitos e dão gosto de ver. Na postagem coloquei completa. Engraçada a parte das engrenagens do Zé Lelé para demonstrar que ele estava esquentando a cabeça e toda a sua lerdeza para pensar.  Muito bom também ver o Seu Bento falando sozinho na hora que descobre que veio terra na marmita.


Ela é incorreta por ter desperdício de comida e também o fato de trazer discórdia e conflito entre os pais do Chico e eles falarem palavrões um ao outro na frente do Chico. De curiosidade, desdita no título significa desventura e o roteirista colocou para ter uma rima com marmita. Ficou muito bacana e criativo esse título. Outra curiosidade é que a música que a Dona Cotinha canta quando chega na cozinha é "Talismã", do Elson do Forrogode.


Na capa dessa edição (muito bonita, por sinal), dá para notar que veio aquela terrível etiqueta de preço colada, que é impossível tirar sem estragar o gibi. Em vez de ser autoadesiva, colocavam cola mesmo e não dá pra tirar. Com a alta  inflação na época, era comum ter essas etiquetas de uma semana para outra, assim que viesse um novo lote. Afinal, a revista era quinzenal, mas ficava nas bancas o mês inteiro, e ficaria barata no final do mês, já que os preços das coisas subiam muito a toda hora. Uma coisa interessante, que além de não ser autoadesivas, essas etiquetas eram escritas com máquina de escrever, coisa bem primária mesmo.

28 comentários:

  1. A capa é realmente muito bonita! Essa história é muito legal e divertida mesmo, achei bacana quando o Seu Bento fica falando sozinho. Outra coisa bem engraçada é a discussão dos dois, muito boa!!
    Ótima postagem!

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    1. Eu gosto quando os personagens ficam falando sozinho. E tbm adorei a discussão do casal, muito engraçado, assim como a hq toda. Q bom q vc gostou.

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  2. A história é divertida mesmo e eram muito bons os traços nessa época, nem as caretas tinham exagero.
    Um coisa que eu reparei nos gibis que tenho, do final dos anos 80 para início dos 90, é como o Seu Topico mudava de traços com certa frequência. O mais esquisito é uma versão um pouco mais realista que apareceu em algumas hqs de 1991.

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    1. Sim, os traços eram maravilhosos. Sobre os traços diferentes do seu Tonico é q nos gibis da época em cada hq tinha traços diferentes, e aí dava pra notar certa diferença. pelo menos eram um melhor q o outro.

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  3. Tenho essa edição e nem me atrevi nem mesmo a tentar tirar a etiqueta... com o tempo, a gente vai aceitando certas imperfeições nos nosso gibis!

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    1. Eu tentava tirar de curiosidade de saber qual era o preço original, se na etiqueta era mais caro ou mais barato. (a grande maioria, essas etiquetas eram mais caras).

      Ao tirar, o gibi ficava imperfeito de qualquer maneira, pq mesmo conseguindo tirar ficava a marca da cola, não adiantava nada. Hj tbm acho mais sensato deixar. Fica até nostálgico de ver como eram primárias essas etiquetas.

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  4. É... a inflação ainda era braba naqueles tempos pré-Plano Real... hehehe

    Legal ver também que os personagens ainda falavam palavrão.

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    1. Muito braba rsrs... essa aí do auge do Cruzeiro rs

      Parece q eles ficaram com essa paranoia de tirar os palavrões nos gibis da Panini, ou no minimo nos últimos da Globo. Era bem melhor com palavrões.

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  5. Ultimamente venho tendo esses problemas com etiquetas que acabaram deixando sinais em algumas capas e uma solução para amenizar a situação é colar um adesivo pequeno no lugar. ainda que não tenha nada a ver com a capa, não dá a aparência de desleixo que fica quando uma capa evidencia sinais de que ali teve uma etiqueta super colada.

    Sobre a história, que bom que colocaram briga de casal. Chega a ser surpreendente numa HQ da MSP. Uma história bem bolada, sim.

    Abraços. Boa semana!!

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    1. Adesivos são uma alternativa boa. Se bem q pra uma etiqueta tão grande como nessa capa tinha q ser um superadesivo rsrs. Bem q podia ser pequena, só com o preço em cima do preço original como acontecia às vezes.

      Nas hqs antigas tinha de tudo, até brigas de casais. Era muito comum. Por isso q era tão boas.

      Boa semana... Abraços.

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    2. Ah lembrei q vc deve ser referir àquelas etiquetas do sebo q eles colocam bem na pontinha. Acho até pior essas de sebo do q essas q vinham antigamente, pq não é original. Ao menos, a gente sabia q quase todos os gibis da época tinham tais etiquetas. Para essas de sebo um adesivo em cima é melhor, com certeza.

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    3. Sim, eu me referia às etiquetas do sebo, que não tem um conteúdo histórico da editora. Eu acabo tirando a etiqueta porque o estrago na capa é bem menor do que ela. Então dá pra colocar o adesivo numa boa.

      Abraços.

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    4. Faz bem mesmo. São um saco essas etiquetas de sebo. Ainda bem q nos sebos q eu vou daqui não têm isso.

      Abraços

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  6. Ótima história, e que desenhos lindos!

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    1. Verdade, tudo caprichado. Vale a pena.

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  7. Lá vem o Marcos com mais uma historinha tri legal :)
    Eu tenho esse!!! Bah, até vou ver se tem essa etiqueta também...rsrs

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    1. História maravilhosa, sem dúvida. legal q vc tem esse gibi. A maioria tinha essa etiqueta, só algumas q não, q aí devem ser de 1º lote.

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    1. Estragavam as capas assim com essas etiquetas, mas hj até acho nostálgico. Pra mim, dá curiosidade de saber quanto era o preço original, de quanto foi a diferença de um lote para o outro.

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  9. Olha Marcos, meus parabéns! Taí uma ótima HQ do Chico Bento, muito boa por sinal, mas impublicável nos dias de hoje. Sério, palavrão e luta são exemplos proibidos nos gibis atuais. Falando em impublicável, ela já foi republicada no Almanaque do Chico Bento # 73 (Globo, 2003), que foi onde eu conheci a HQ. Pelo menos, acho que foi só nesse almanaque que republicaram.

    Sobre a etiqueta, ela é mesmo um saco! Tentar tirá-la sem estragar o gibi era quase que impossível. Só quem conseguia tirar, se achava o rei na época! Além dessa do Chico Bento, tem outras edições de outros gibis da Turma com a maldita etiqueta que você mais lembre?

    Mas enfim, tem quatro HQs da Mônica que queria que você falasse aqui no blog. Lá vem:

    - Aqui Tem Dente de Coelho, de Mônica # 60 (Ed. Globo, 1991): Uma HQ muito boa, em que uma fada transforma a Mônica em uma coelhinha como lição de a fada achar que ela estava maltratando um coelhinho, que no caso era o Sansão. Você conhece essa história? Anos depois, ela foi republicada no Almanacão de Férias # 19 (Globo, 1996) e também era disponível pra ler no antigo Portal da Turma da Mônica.

    - O Aparelho, de Mônica # 57 (Globo, 1991): Mais uma vez, uma HQ da Mônica envolvendo os dentões dela. Simplesmente, HQs envolvendo os dentões da Mônica são incríveis. Nessa, Mônica é obrigada a usar aparelho nos dentes por um tempo. E é claro que os meninos vão sacaneá-la. E no final, além deles se darem mal, eles também usam aparelho. Muito legal! Legal mesmo é que ela já foi republicada duas vezes: A primeira foi no Almanacão de Férias # 20 (Globo, 1996) e a segunda, recentemente, foi no Almanaque da Mônica # 41 (Panini, 2013), e espero que nessa re-republicação da Panini não tenha aquelas alterações bizarras. Espero que também que conheça essa história.

    - Crochetando, de Mônica # 58 (Globo, 1991): Finalmente, a primeira HQ da lista que nunca vi na vida, nem sei o enredo. Talvez é assim: A avó da Mônica ensina ela a como fazer crochê, mas é claro que os meninos vão encher a paciência dela. Será que é esse o enredo? Se você conhece, corrija pra mim. E vale lembrar que ela foi republicada no Almanaque da Mônica # 59 (Globo, 1997). E acho que foi republicada recentemente pela Panini, não tenho certeza.

    - Mônica A Bonequinha, de Mônica # 8 (Globo, 1987): Claro que iria deixar a melhor pro final. A inesquecível HQ em que Mônica vira uma boneca causando muita confusão. Uma fada madrinha deixa cair sua varinha mágica na cabeça da Mônica e ela é transformada em uma boneca. E de encrencas que ela se mete é quando ela é capturada pelo Cebolinha e Cascão por acharem que pegaram o Sansão e quando ela é pega por um maldoso vendedor de brinquedos. O pior é quando uma menina pobre a encontra, aí no final a mesma fada do começo a transforma de volta em uma menina, deixando a menina pobre triste, mas claro que a fada alegra a menina com uma boneca. E só de pirraça, no final um guri chama a Mônica de boneca e assovia pra ela. Sem dúvida, uma HQ memorável pra mim e que marcou muito minha infância. Mesmo não tendo o gibi original, eu conheci ela através do antigo Portal da Turma. E ela já foi republicada no Almanaque da Mônica # 31 (Globo, 1992) e no Almanaque da Mônica # 19 (Panini, 2010), que foi uma das primeiras vezes que vi uma das primeiras HQs da turma da Globo de 1987 sendo republicada num almanaque da Panini. E dizem que em 1992, essa edição foi muito esquecida, muitos colecionadores tentaram e tentaram procurá-la, mas foi quase impossível. Eu tô falando das propagandas da edição que tinham nos gibis de 1992/1993, você conhece essa propaganda? Aliás, você conhece essa HQ? Você a considera clássica? Poderia falar dela um dia aqui no blog? Faça esse favor pra mim, hein?

    Então é isso, espero que você conheça todas as HQs citadas acima. Abraços!

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    1. Sim, conheço todas.

      Sobre as etiquetas nos gibis tinham várias nessa época. Desde a Abril tinha. Alguns q lembro: Mônica nº 23, 50, Cebolinha nº 24, 50, Chico Bento nº 84, 86, 106,107, 112, Magali nº 21, 23, 48, 49, 67, Cascão nº 84, 85, 112, 113 e várias outras.

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    2. Mas você nem me disse sobre a HQ do Crochetando. Conhece ela? Sabe o enredo dela? Diz pra mim se o enredo da HQ que inventei tá certo. Abraços!

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    3. Daniel, como eu já falei, eu conheço todas as hqs q vc falou aí e o enredo de todas são esses aí...

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    4. Ah, Marcos, eu falei que nos gibis de 1992/1993, tinha uma propaganda falando que a tal Mônica # 8 (Globo, 1987) foi um gibi muito raro de procurar na época. Quase todo colecionador da Turma da Mônica queria esse gibi pra completar a coleção da Mônica da Ed. Globo. Você conhece essa propaganda? Você poderia falar dessa propaganda em breve, como um caso polêmico. Abraços!

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    5. Conheço sim, de der eu mostro.

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  10. Gostaria que tivesse uma continuação:como bento falaria pra dona cotinha que prefere a antiga receita?

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