domingo, 29 de setembro de 2013

Cascão: HQ "O menino com visão de raio X"

A história que eu compartilho é de quando o Cascão foi brincar no lixão e passou desenvolver visão de raio X. Ela é muito hilária. Tem 11 páginas no total e foi publicada em 'Cascão Nº 44' (Ed. Globo, 1988). 

Capa de 'Cascão nº 44' (Ed. Globo, 1988)

Ela começa com dois homens levando uma máquina de raio X com defeito até o lixão do bairro. Cascão vai até o tal lixão para brincar, como de costume. Ele encontra a máquina e começa a brincar de guerreiro espacial. Ao ver uma mosca, ele acaba apertando um botão da máquina e leva um choque.


Cascão fica tonto e vai embora para casa, só que aí ele começa a enxergar as coisas diferentes. Sem saber que está com visão de raio X, primeiro vê os seus pais tomando café só com roupas íntimas. Ele até pensa que os pais iam à praia, que negam. Após isso, ele sai e passa a ver também as pessoas nas ruas seminuas, o Cebolinha com cueca roxa de bolinhas e a Mônica de calcinha cor-de-rosa de rendinhas, que fica furiosa.


Após conseguir se salvar da surra da Mônica, Cascão volta para casa e o grau da visão de raio X aumenta e começa a ver através das paredes. As paredes do banheiro da sua casa somem e ele consegue ver o pai tomando banho no chuveiro (ele pensa que o pai está tomando banho com portas abertas) e vê sua mãe arrumando a cama no quarto. E vai evoluindo o grau até pensar que a casa sumiu por completo e chora.


Sem saber ainda o que está acontecendo, os pais o levam ao oculista, que também é enxergado só com cueca samba-canção. Quando o médico manda ler quais as letras que estão no quadro, Cascão lê o que estava escrito no livro da mesa que estava na outra sala. E, ao mesmo tempo, passa a ver todos completamente pelados.


O médico informa que ele desenvolveu uma visão de raio X e o cascão adora a ideia. Ele sai correndo para a rua pensando que virou um "supermenino" e quer desafiar a Mônica. Quando a xinga e ela se aproxima, junto com a Magali, Cascão vê as meninas como 2 caveiras. A sua visão de raio X já estava em estágio de último grau.


Ele passa a enxergar a todos na rua como caveira, inclusive o pai, quando ele se assusta como se estivesse num filme de terror e desmaia. Após isso, Cascão é levado para casa e quando acorda a sua visão volta ao normal. Afinal, o efeito da radioatividade era passageiro.


Já curado, ele vai a rua e encontra com a Mônica furiosa por ele ter visto a calcinha dela e por tê-la chamado de "caveira monstruosa e dentuça", e ele acaba levando a coelhada e pensa que a visão de raio X voltou por ver estrelas em plena luz do dia.

No final, os caras da primeira página jogam a máquina ao fundo do rio porque o patrão não gostou de ter deixado no lixão e se questionam se vai ter algum problema colocar a máquina dentro do rio.


Essa história é engraçada demais. Só de olhar, sem ler nada já dá para dar risada. Sempre racho de rir lendo. É engraçado ver as pessoas nuas, além das tiradas de toda a história. Muito bom saber que a nudez já foi abordada nos gibis, sem neura nenhuma, só com humor. E, por sinal, bem gostosa a mãe do Cascão.


Interessante que primeiro é mostrado como o Cascão está enxergando, e depois mostra como é a realidade, tudo na medida certa. Outro ponto não muito comum, que são mostrados 2 finais: o desfecho do Cascão vendo estrelas após a surra da Mônica e o desfecho da máquina de raio X, que estava no lixão e foi levada para o rio. Podia acabar com o Cascão vendo estrelas, que não mudaria nada. Mesmo assim, o final da máquina no rio não estraga o encanto da história.


Os traços também são muito bonitos. Curiosamente, outro fato que não existe mais atualmente é o Cascão brincar no lixão. Enfim, história sensacional que sempre vale a pena relembrar. Nas imagens da postagem, coloquei a história completa. A propósito, a capa dessa edição também é espetacular. Toda perfeita.

30 comentários:

  1. Ah Ah Ah... essa história é muito bacana mesmo! Não a conhecia!

    A mãe do Cascão ficou ótima nessa "repaginada", pois ela era bem feinha, tinha cara do Cascão e até tinha a mesma sujeirinha no rosto. O lance da nudez foi feito com perfeição. Tudo está interessante nessa história. Essas caveiras me arrancaram uma gargalhada.

    Abraços. Boa semana pra você!

    Fabiano Caldeira.



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    1. Fabiano, é muito engraçada mesmo. Dei gargalhada tbm na parte das caveiras, principalmente quando o cascão se esbarra com o pai.

      Sobre a mãe do Cascão, essa mudança pode dizer q até foi um primórdio do politicamente correto. Tiraram as sujeirinhas dos pais do cascão pq o filho pode ser sujo, mas os pais não . Tinham hqs q eles apoiavam o filho não gostar de limpeza. Na verdade, era uma família de sujinhos.

      Aí tiram as sujeirinhas da mãe do Cascão, colocaram lábios e um corpo de mulher nela. E o pai tbm tiraram as sujeirinhas dele. E passaram a não apoiar o filho com a sujeira e desejavam q ele tomasse banho.

      Boa semana pra vc tbm. Abraços

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  2. Hum, jamais essa será republicada hein? Brincar no lixão? Jamais! Ou será que já foi? Têm razão Marcos, do começo ao fim a HQ é envolvente. O final, pra mim ficou muito legal assim, mostrando o destinho final da máquina, até melhor do que se tivesse terminado com cascão vendo estrelas. Questão de gosto não é? Ah, Também reparei na mãe do Cascão!

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    1. Heri, ela já foi republicada na época q era permitida, foi no Almanaque do cascão nº 52, de 1999.

      Porém, acho q não será republicada novamente, por causa do lixão e da nudez. Só se colocassem uma tacha preta na hq toda. E olhe q até poderia, visto q nos almanaques atuais estão re-republicando hqs dessa época.

      Sobre o final, não achei ruim, só estranho mesmo colocarem os desfechos tanto do cascão e do aparelho de raio X. Não ficou ruim, não, apenas diferente.

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  3. Maravilhosa história. Engraçada do começo ao fim. Não a conhecia.

    Abraços.

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    1. É superengraçada, sim. Muitas tiradas hilárias. Ótimos tempos da MSP.

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  4. "nudez já foi abordada nos gibis, sem neura nenhuma".
    Concordo. Depois dessa postagem, essa revista vai se esgotar nos sebos! Tão olhando o quê, seus pervertidos sexuais? rsrsrsrs

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    1. Aliás, sempre preferi capas com mensagens de paz, acho melhores.

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    2. Sim, Maurício tbm acho. Eu gosto de colocar aonde foi publicada, informando pelo menos o número da edição, para servir como dicas de procuras nos sebos.

      Sobre capas, gosto mais com piadas, depois com imagens bonitas e mensagens de paz, e só então as com chamada da hq de abertura. Pra chamada de hq, só é bom se for bem clássica mesmo, hq q valha a pena ser capa de revista.

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  5. Legal a HQ já conhecia até pq eu tenho o Almanaque do Cascão(quando comprei na banca na época) que saiu a tal HQ..ao ler a primeira vez também me divertir muito...não acredito que essa HQ vá sair tão cedo e mesmo assim cortaria alguma parte ou fala...a HQ é toda(para hoje essa mundo bitolado) pode se dizer politicamente incorreta...MAIS acima de TUDO bem divertida e livre(tempo de Ouro nas HQs super criativas da MSP!)! :p >link da capa do almanaque: http://www.getback.com.br/Monica/Almanaque%20Cascao/Alm%20Cascao%20Globo/51-60/52.jpg

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  6. Sim, Xandro, ela é toda incorreta, porém divertidíssima. Lamentável q se republicassem seria toda alterada. Melhor nem republicarem mesmo.

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  7. Marcos, quando a MSP passou a usar grampos inoxidáveis (se é que usam)? É que eu gostaria de renovar a minha coleção e para isso, precisaria saber quando passaram a usar (talvez não uma data precisa, apenas para fins de colecionador).
    Sei que não tem nada a ver, mas prefiro o brilho azul no cabelo dos personagens, acho mais bonito. E vc, Marcos?
    Tô gostando do blog. Abs.

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    1. Nem sei Maurício, acho q nos anos 90 mesmo.

      Sobre o brilho azul nos cabelos não gostava não, prefiro com brilho branco.

      Valeu por tá gostando do blog. Abraços

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    2. Eu acho que fica mais natural, uma espécie de transição. É algo como: você não vai colocar vermelho e amarelo juntos, se você pode colocar laranja entre os dois, para dar ideia de transição. Às vezes, o brilho branco é que não agrada, mas na maioria das vezes agrada, sim.
      Valeu.

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  8. Nem só pelo fato do Cascão brincar no lixão essa HQ seria impublicável hj, penso. Pessoas de cueca e calcinha, de forma alguma. Esqueletos andando no limoeiro, tb não. E jogar lixo no rio? Nunca. A HQ é boa. A capa da edição, fantástica!

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    1. Com certeza, totalmente impublicável. E se for pra alterar e estragar, q nem republiquem. A capa é maravilhosa mesmo. Abraços

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  9. Kleiton, tem uma HQ republicada recentemente (ok, não TÃO recente) chamada "A Turma e Electro - A Ameaça Pública", em Almanaque da Mônica #31, em que aparece uma mulher de calcinha e sutiã. Outra HQ em que aparece um menino nu e sem censura é em "A Turma do Cascão", republicada em Almanaque do Cascão #36. Ou seja: não é sempre que eles mudam algo, mas talvez não republicariam por causa da nudez dos adultos. Curioso é que nem sempre eles mudam HQ que tenham algo relacionado a esses temas que pareçam estimular a sexualidade na visão doentia deles.

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    1. Ah, e também tem uma HQ que mostra o Cascão no lixão, catando coisas.
      Se chama "As Coleções do Cascão" e também foi republicada no Almanaque do Cascão #36.

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    2. Ultimamente, eles estão republicando muitas hqs de 1987/88 nos almanaques, aí é normal aparecer alguma cena incorreta.

      Porém, essa paranoia de alterar tudo tá mais frequente nesse ano, e acho q seriam capazes de alterar essa hq se republicassem.

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  10. Você poderia repassar esta HQ completa pra mim? meu email é: italorui@gmail.com

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Marcos, aproveitando que tá chegando a época do Verão, você podia falar HQ "A Ilha da Baixaria" (ou A Ilha Misteriosa), publicada originalmente em Mônica # 72 (Ed. Globo, 1992) e republicada no Almanacão de Férias # 22 (Ed. Globo, 1997). É uma HQ bem engraçada com Mônica e Cebolinha, tentando fazer de tudo para sair de uma ilha deserta para voltar para a praia de onde vieram. Mas no final, descobrem que a tal ilha era só uma parte da praia e falam aos pais do Cebolinha que preferem ficar em terra firme, muito engraçado. Enfim, uma ótima, antiga e nostálgica HQ para começar o Verão com estilo da turma. Curiosamente, essa história dava para ser lida no ex-Site da Turma da Mônica e também virou desenho animado. Mas seja nos quadrinhos, em desenho ou no antigo site, é uma divertida história e perfeita pro Verão. Tô até esperando saber se você conhece a história e falar dela, tá?

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    1. Sim, conheço a história. Se der, eu falo dela. Abraços

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  13. Será que a história (assim como seu final) teve uma certa crítica em relação aos perigos do lixo descartado de forma incorreta?
    Lembrem-se de que a historinha é de 88, um ano depois do acidente com o Césio em Goiânia (1987)

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    1. Deve ter sido sim, eles costumavam fazer críticas com o q acontecia no mundo.

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  14. KKKKKKK era melhor quando n tinha muita frescura e dava pra ter historias assim kk

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    1. kkkk... sem dúvida sem sombra de politicamente correto. Demais essa história.

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  15. Oi Marcos, eu vim falar de uma alteração da hq : ''a cama voadora'' que teve no almanaque do cebolinha 51 da panini, que foi originalmente publicada em cebolinha 162 da globo, na página 4 da hq original e a página 5 da republicada, no quinto quadrinho, o mago diz na original ''A Majestade quer que eu o engorde?'' e na republicação ele fala: '' Vossa majestade quer engordar?'' Pai do céu, alterou todo o sentido!

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    1. É, eles tem essa mania de mudar tudo, qualquer bobagem. nada a ver mudarem isso.

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  16. O Cascão levou uma coelhada, mesmo? Quando a Mônica conseguiu bater nele, na última página, não foi só com a mão? Para os leigos, nesses quadrinhos em que a Mônica contracena com o Cascão, houve vários erros de continuidade nos desenhos, pois em alguns deles a Mônica está com o Sansão na mão e, em outros, sem ele, quebrando a sequência lógica das ações. Já os leitores assíduos como eu repararam que o vestido da Mônica tem um bolso, onde às vezes ela carrega o Sansão e, ao ser provocada pelos meninos, o tira rapidamente, como um bandido sacando uma arma. Acontece que, nessa história do Cascão com visão de raio-X, em nenhum momento é mostrado o detalhe da Mônica tirando ou colocando o Sansão no bolso do vestido, e é apenas assim que percebemos isso, pois geralmente o bolso fica oculto. Em inúmeras histórias passadas na rua ocorreu esse aparente erro de continuidade, a Mônica com o Sansão em alguns quadrinhos e sem ele em outros na mesma cena, sem a deixa de guardá-lo no bolso do vestido (ou numa bolsa, ou numa caixa, etc.) ou largá-lo no chão.
    Erro de continuidade, mesmo, nessa história, ocorreu depois que o Cascão saiu do consultório do oculista, sabendo que tem visão de raio-X, e foi desafiar a Mônica: Acompanhada da Magali, ela está com o Sansão na mão e, ao correr atrás do Cascão, vista por ele como caveira, está só com o braço direito dobrado, sem o coelhinho embaixo dele... o Sansão deveria aparecer nessa sequência, também transformado, visto como seria por dentro, todo o seu enchimento - espuma, bolinhas de isopor, molas ou alguns objetos estranhos pra dar volume e peso. Até brincaram com isso em algumas histórias da Mônica como protagonista, mostrando que era possível esconder pequenos objetos dentro do coelhinho por meio de uma abertura em sua barriga - também geralmente oculta, sem zíper, velcro ou botões! E cabia qualquer coisa dentro do Sansão (assim como dentro dos pelos do Floquinho), deixando as histórias tão surreais que tudo parecia coisa do Louco!
    E, falando em coisa surreal, o bolso do vestido da Mônica não é pequeno demais para o Sansão caber nele sem rasgar o vestido, nem amassar o coelhinho? Como ela consegue carregá-lo tão bem ali, sem que ele lhe atrapalhe os movimentos? Fora que, nos anos 70 e início dos 80, quando o coelhinho ainda não tinha nome, ele parecia ter o dobro do tamanho que passou a ter depois do batismo até os dias de hoje, sempre dependendo de quem era o desenhista em cada história... Nessas histórias mais antigas, as quais li comprando a Coleção Histórica, o Sansão tinha quase a mesma altura da Mônica... e nas primeiras tiras de jornal, nos anos 60, ele parecia um trapo, a Mônica só o arrastava no chão, puxando-o pelas orelhas!
    E esse pessoal da MSP adorava mudar as características do Sansão (exceto a cor) de uma história pra outra... Além de ter vários tamanhos diferentes, ele já apareceu algumas vezes com as orelhas bem esticadas, outras vezes dobradas, outras amassadas (talvez por causa de tantos nós que levou nas histórias passadas); já apareceu em algumas histórias com os olhos normalmente abertos, em outras só entreabertos, em outras tão arregalados como os de um zumbi - ainda mais quando o Cebolinha dava nós nas suas orelhas, parecendo que o coelhinho estava sentindo a dor; com risquinhos atrás da cabeça ou sem eles, sentado sozinho (sem apoio atrás dele)... Já vi uma piada numa tirinha de quatro quadrinhos onde ele, no último quadrinho, aparece ajoelhado sozinho em frente a um confessionário, contando ao padre as surras que deu nos meninos ao ser arremessado pela Mônica! Ele até apareceu de óculos escuros numa capa de um gibi da Mônica, com ela e o Cebolinha na praia! Enfim, os roteiristas e desenhistas brincavam à vontade com o Sansão, em algumas histórias colocando-o como um bichinho de pelúcia (como ele é mesmo) e, em outras, deixando-o parecido com um coelho de verdade... até humanizado, devido às expressões faciais e corporais marcantes que apresentava!

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