segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Chico Bento: HQ "Semana na praia"

Mostro uma história em que o Chico bento vai passar férias com o primo Zeca em um hotel á frente da praia causando muita confusão. Com 13 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 181' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Chico Bento Nº 181' (Ed. Globo, 1993)

Zeca está animado que vai passar férias na praia em frente a um hotel e aposta com o Chico Bento que nunca esteve em um hotel como aquele. Chico fala que parece com o prédio com que o primo mora, Zeca diz que é um hotel de cinco estrelas e Chico fica procurando onde estão as cinco estrelas de cinema para pedir autógrafos. Zeca fala que não é esse tipo de estrelas, Chico tropeça e vê cinco estrelas de dor rodeando a cabeça e diz que não gostou.

Dentro do hotel, os pais do Zeca pegam a chave do quarto que vão ficar, o carregador tenta pegar as malas deles e Chico tenta impedir, pensando que estava roubando. Seu Rodrigo diz que este é o serviço dele, Chico fala que não sabia e lembra da mãe dizer de ter cuidado com os ladrões da cidade grande.


Chegam no quarto e Chico conta para o tio que fizeram péssimo negócio, que o apartamento dele era bem maior e Zeca fala que não vão morar lá, só passar as férias. O carregador entrega as malas, estende a mão para pegar a gorjeta e Chico cumprimenta, se apresenta e pergunta como vai a família e o carregador chama Chico de pão-duro e ele chama o carregador de mal-educado.

A família procura sunga e óleo de bronzear, Chico não entende que eles trabalham o ano inteiro e quando entram de férias ficam espremidos em um quartinho. Zeca fala que não vão ficar ali dentro, vão se esbaldar na praia lá fora. Só que chove em seguida e eles têm que ficar no hotel. Vão ao salão de jogos, restaurante e bar, tudo estava cheio. Chico encontra lugar vazio, a área externa da piscina com chuva e só restam assistir TV no quarto do hotel.

Zeca fala que amanhã eles vão á praia. Chico diz que o dedo do pé dele está inchado e enquanto não desinchar, não para de chover. Zeca acha besteira e afirma que vai fazer Sol. Só que no outro dia continua chovendo e por mais dois dias. Zeca chama Chico de pé-frio, Chico diz que o pé é quentinho. Aí, Chico vê que o dedo desinchou e diz que no outro dia não irá chover, e dito e feito, amanhece com Sol. 

A família vai correndo para a praia, que estava lotada. Armam a barraca e ficam deitados se bronzeando na areia. Chico quer brincar e eles querem ficar se bronzeando. Chico diz que se é para ficar de barriga para cima, ficaria no hotel e ele vai brincar, avisando que o Sol está muito forte. Chico encontra a menina Letícia e se divertem o tempo todo jogando bola no mar, construindo castelo de areia, tomando sorvete. Depois, Letícia vai embora, prometendo que vão se encontrar na praia no dia seguinte.

Chico volta onde estava o primo e os tios, estão todos vermelhos e ardidos de tanto ficarem no Sol, até quando Chico fala, tudo dói. Nos dias seguintes, Chico vai à praia sozinho enquanto a família fica no hotel recuperando as queimaduras da pele. No fim da semana, Letícia volta para casa, dando seu contato para o Chico escrever carta para ela, Chico também volta, diz para família que adorou esses dias na praia e pergunta quando voltam e eles fazem cara feia, todos descascados.

No final, Chico volta para Vila Abobrinha, Zé Lelé pergunta se o mar é grande, um dia queria conhecer. Chico fala que é enorme, um dia ele o leva, mas pode ter certeza que o ribeirão deles é pequenininho, mas refresca da mesma forma. Eles mergulham no ribeirão e comenta que tem pena do primo que não aproveita as coisas direito porque não está acostumado com a natureza.

Engraçada essa história em que o Chico Bento passa férias com o primo Zeca e seus tios na praia em frente a um hotel. Chico já tinha ido à praia, mas nunca em um hotel 5 estrelas e comete gafes lá, passam sufoco de chover todos os dias e precisarem ficar sempre no quarto do hotel até que abre o Sol e Zeca e seus pais ficam só deitados na areia torrando no Sol enquanto Chico se diverte a valer na praia. Zeca e os pais ficam com pele queimada sem poder curtir praia nos outros dias e Chico confirma que o povo da cidade não sabe se divertir e se dão mal por causa disso.

História deu recado para quem vai à praia e só quer ficar na areia se bronzeando sem ir ao mar e se divertir e os problemas de pele que isso pode causar e lição que devemos aproveitar lugar que estamos, se divertir como se deve. Zeca e os pais tinham que ter pelo menos passado bastante filtro solar se quisessem se bronzearem, mas o ideal era curtir a praia como um todo, caminhar, jogar, ir ao mar, assim como o Chico fez. E enquanto estava chovendo, podiam ter arrumado um jeito de aproveitar o salão de jogos, pelo menos. Sem dúvida tiveram férias frustradas em tudo sem necessidade.

Foi engraçado ver os trocadilhos como não saber o que é hotel 5 estrelas, se confundindo com estrelas de cinema e estrelas de dor, achar que estava falando do pé dele quando o Zeca o chamou de pé-frio e as gafes do Chico como pensar que o carregador de malas era ladrão, carregador estender a mão e ele pensar que estava cumprimentando e não cobrar gorjeta e se passar de pão-duro por isso e pensar que o tio vendeu casa grande para morarem no quarto pequeno do hotel. Eram ótimas essa  histórias do Chico lerdo e retardado causando confusão na cidade por causa da sua ingenuidade de não saber as coisas da cidade que são óbvias para gente. 

Chico fazer previsão do tempo com o dedo do pé inchado foi divertido também e essa ideia era muito usada na época, baseado em costumes antigos de que o tempo mudava quando sentia inchaço no pé, tiveram outras histórias assim, sempre engraçado quando acontecia. Chico teve a companhia da Letícia, menina que conheceu na praia e só apareceu nessa história. Sorte para Rosinha que nem soube do contato dele com a Letícia senão ficaria enciumada, ainda mais que a Rosinha na época já estava na fase que brigava com o Chico por qualquer coisa banal.

É incorreta atualmente por mostrar um Chico lerdo que não conhecia as coisas da cidade, o desejo do Zeca e seus pais se bronzearem, usarem óleo de bronzear em vez de protetor solar, além de palavras proibidas como "roubar" e "louco" e expressões populares de duplo sentido como  "pão-duro", "esbaldar", "não amola", etc, e mudariam Seu Rodrigo dirigir carro sem cinto de segurança e a televisão tubo para LED para não ter coisas datadas.

Os traços ficaram bons, um jeito fofinho do estilo dos anos 1990. Cabelo da Dona Nilceia, mãe do Zeca ficou diferente do cabelo moderno que estamos acostumados, é que ela ainda não tinha traços definitivos na época, apesar de já ter aparecido daquele jeito na história "É só ligar", de 'Chico Bento Nº 78', de 1990. Teve erro da cor do cabelo da Letícia que ficou amarelo no 2º quadro da penúltima página da história.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

A Turma: HQ "Músculos"

Em janeiro de 1995, há exatos 30 anos, era lançada a história "Músculos" em que o Cebolinha passa a fazer exercícios com o Cascão para ficar forte e derrotar a Mônica. Com 10 páginas, foi história de abertura publicada em 'Cebolinha Nº 97' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Cebolinha Nº 97' (Ed. Globo, 1995)

Magali e Denise falam lindo e coisa mais fofa enquanto passa o Cebolinha, que pensa que estavam falando com ele e finalmente reconheceram. As meninas dizem que é o Arnoldinho da Rua de Cima, que os músculos dele parecem o Rambo. Cebolinha pergunta se elas gostam disso, parece inchado e Magali diz que Cebolinha é um despeitado, está com inveja porque é molenga e Denise fala que de Rambo ele tem nada.

Cebolinha grita para elas qual é a vantagem, vê Dona Olga admirando que o Arnoldinho era forte e carregou seu carrinhos de compras sozinho, Cebolinha se imagina fazendo exercícios, ficando musculoso e derrotando a Mônica e corre para pedir para o Arnoldinho a ensiná-lo a ficar forte. Arnoldinho dá gargalhada, pergunta se quer que transforme toda a banha em músculos, Cebolinha fala que a mãe dele diz que é fofura. Arnoldinho diz que tem que ter muita força de vontade, acordar cedinho todos os dias para fazer exercícios, trocar doces e salgadinhos por vegetais crus e esquecer as tardes preguiçosas na frente da televisão. 

Cebolinha aceita, pega as dicas com o Arnoldinho e no dia seguinte, está fazendo exercícios em casa. Cascão aparece quando ele estava fazendo abdominais contando um, dois e Cascão conta até dez para o amigo saber de todo o resto. Cebolinha fala que está ocupado, Cascão diz que está na hora do "Super Japa" na TV, Cebolinha diz que não vai assistir. Cascão oferece um pouco do seu pirulito, Cebolinha conta que não pode comer tranqueiras porque está fazendo exercícios, o Arnoldinho está ensinando e já lhe pagou adiantado. Cascão fala que é para ele ficar se matando enquanto vai assistir "Super Japa" folgadão em casa com muita pipoca e refrigerante.

Cebolinha pega o Cascão e obriga a fazer exercícios também, diz que está magrelo e um palito e ameaça que se ficar mais forte, vai dar uma surra nele. Cebolinha começa levantando pesinho, não consegue e Cascão ri. Cebolinha manda Cascão levantar, não consegue também, mas com esforço levanta, batendo na barriga do Cebolinha. Cascão fala que pelo menos ajudou a perder barriga.

Eles vão fazer flexões, Cascão acha que falou "flechões". Cebolinha faz algumas para demonstrar e Cascão dorme. Cebolinha manda pegar a corda de pular e Cascão diz que ele já acordou. Assim, os meninos fazem exercícios a sério, pulam corda, fazem barra fixa, alongamento e corrida. Cascão começa a suar muito e Cebolinha desmaia. Dona Cebola leva lanche para eles, Cebolinha fala para mãe que só querem duas cenouras cruas e Cascão come, não por apetite, mas de raiva.

Depois vão para rua para perguntar para o Arnoldinho se já estão fortes. Cascão baba ao ver um carrinho de sorvetes e Cebolinha fala que nem pensar. Cascão diz que não sabe se vai aguentar isso e quer saber por que o Cebolinha quer ter tantos músculos. Ele responde que é para bater na Mônica, vale a pena malhar, não ver mais TV e deixar de comer coisas gostosas para vê-la derrotada e que em uma luta com a Mônica, o Arnoldinho levava a melhor.

Eles encontram o Arnoldinho bem na  hora que a Mônica vê que ele estava pisando em cima do lenço. Mônica levanta o Arnoldinho só com uma mão para pegar o lenço e, com isso, Cebolinha e Cascão desistem de ficar fortes e vão para casa assistir "Super Japa" largados no sofá e com muita pipoca, batata, pirulito e refrigerante.

História engraçada que o Cebolinha faz exercícios para ficar forte como o Arnoldinho para derrotar a Mônica e ainda obriga o Cascão também a se exercitar junto. No final, descobrem que a Mônica é mais forte que o Arnoldinho, conseguindo levantá-lo com uma mão para pegar seu lenço que estava sendo pisado e assim Cebolinha e Cascão desistem de ficarem fortes e voltam à vida sedentária que sempre gostaram.

Para o Cebolinha estava uma obrigação se privar de comer coisas gostosas, ficar horas na frente da televisão para fazer exercícios e ficar forte. Era uma boa causa, a obsessão de derrotar a Mônica era grande e valia tudo, mas foi muito sacrifício, principalmente sem comer bobagens como sanduíche, pipoca, etc. Ele ainda obriga o Cascão a fazer os exercícios juntos como forma de não fazer sacrifício sozinho e por inveja que o Cascão ia fazer tudo que gostava enquanto se matava nos exercícios. Até que para quem nunca tinha treinado, os meninos foram bem, principalmente na barra fixa.

Interessante o Cebolinha pensa que ficaria forte só depois de um dia de exercícios. O Arnoldinho tinha que ter dado orientação que isso leva meses para começar a ver resultados e também tinha que estar lá treinando o Cebolinha, apenas deu as dicas e que se virasse sozinho. Só queria ganhar dinheiro fazendo bico de personal trainer à custa do Cebolinha. Arnoldinho era forte, a ponto de levantar peso com o dedo, só que não era páreo para a Mônica. Se ela consegue levantar o Arnoldinho, ninguém conseguiria derrotá-la, ela é a mais forte de todos, Cebolinha já podia ter imaginado isso antes de falar com o Arnoldinho.

Foi engraçado Magali e Denise interessadas por um menino musculoso, que é o tipo físico que acham bonito, o Cebolinha pensar que elas estavam falando que ele era lindo e coisa fofa, Cebolinha se imaginar musculoso pisoteando a Mônica derrotada, Cascão dizer "Forte?! Você?!", como se o Cebolinha não tinha capacidade para isso, os trocadilhos de flexões e acorda, Cascão derrubar halteres na barriga do Cebolinha, Cascão comendo cenoura com raiva, meninos com força de vontade para evitar tentação de comer coisas gostosas e Mônica levantando o Arnoldinho só com uma mão, entre outras coisas.

Legal um menino fortão, apesar de mais idade que o Cebolinha e o Cascão, o Arnoldinho não deixa de ser uma criança que faz academia e tomou anabolizante. O nome do Arnoldinho foi inspirado no Arnold Schwarzennegger e ele apareceu só nessa história como de costume de personagens secundários pensados para aparição única. "Rambo" não teve paródia, na época nem sempre parodiavam nomes famosos. 

História mostrou drama de quem tenta vida fitness e precisa se sacrificar de comer tudo que gosta para ter um corpo perfeito. As academias de musculação estavam começando a se popularizar na época, à princípio entre os jovens, não foi à toa que logo depois, em abril de 1995, a TV Globo lançou a novela "Malhação", e isso serviu de inspiração para o tema da história. Encaixaria bem com o Rolo, inclusive já tiveram histórias com ele assim, e dessa vez preferiram colocar com as crianças para variar. Com o Titi também ficaria bem. 

Os traços ficaram bons com personagens com língua ocupando mais espaço na boca e que prevaleceu nos anos 1990. Teve um erro da pálpebra do Cascão aparecer branca no penúltimo quadro da última página. Incorreta atualmente por mostrar criança como Arnoldinho anabolizado, meninas ficarem apaixonadas por menino musculoso, crianças fazendo musculação, ameaça de surra do Cebolinha com o Cascão se não fizesse exercícios com ele, absurdo da super força da Mônica, e um final com mau exemplo de que é melhor comer bobagens e ser sedentário do que comer coisas saudáveis e fazer exercícios, além de palavras e expressões populares e de duplo sentido proibidos como "molenga", "fica se matando", "não amola", etc. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Rolo: HQ "Julião, o alienado"


Mostro uma história em que o Rolo leva para a praia seu amigo Julião, alienado do mundo e que causa confusão por causa disso. Com 5 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 176' (Ed. Abril, 1984).

Capa de 'Mônica Nº 176' (Ed. Abril, 1984)

Na praia, Rolo fala com o seu amigo Julião que devia estudar  menos, desgrudar dos livros, já foi um custo tirá-lo do apartamento para ir à praia. Julião diz que não liga para praia, Rolo fala que devia porque vive alienando do mundo. Julião diz que está por dentro dos assuntos atuais como a última equação descoberta por um físico alemão, as últimas novidades no campo da energia atômica e sobre origem dos buracos negros.

Julião vê uma mulher com um mini biquíni, para de falar e fica paralisado. Rolo joga água do balde no amigo, que fala desesperado para pegar uma toalha porque a mulher está quase pelada, logo vê as outras também e manda Rolo fazer alguma coisa, toda a mulherada quase sem roupa vai ficar doente. Rolo avisa que por isso Julião está alienado das transações da vida, como que nunca viu uma tanga. 

Tina aparece com tanga com bunda à mostra e pergunta que escândalo é aquele. Rolo diz que o Julião de tanto estudar e viver trancado no apartamento nunca viu uma tanga. Tina fala que ele está por fora, hoje em dia quanto menos roupa, melhor, dá para curtir a natureza. Julião diz que sabia o que era uma tanga, só estava brincando. Rolo e Tina saem para buscar sorvete, Julião, sozinho, fica boquiaberto com uma mulher na praia com tanga e diz para si mesmo para acordar, não ficar com cara de bobo para os outros pensarem que ele é alienado.

Julião pega uma tesoura para mostrar que é avançadinho, corta a alça do maiô de uma mulher gorda, dizendo que o negócio é usar tanga e vai ajudá-la. A mulher fica desesperada, o namorado dela dá uma guarda-solzada no Julião, o chamando de sem-vergonha, a polícia aparece e leva Julião preso enquanto o povo da praia vai atrás apoiando que ele seja preso. Rolo volta e estranha que Julião sumiu. No final, já na cadeia, conta para os outros presos de cela o que aconteceu e eles dão gargalhada e Julião manda rirem mais baixo para ele poder ler o livro em paz.

História engraçada em que o Rolo leva para a praia o seu amigo Julião, que vivia só dentro de casa estudando, sabia muito das coisas científicas, mas não sabia o que era tanga, ficou surpreso que as mulheres ficavam com tangas tão pequenas na praia. Resolve tirar maiô da mulher depois que contaram que o certo era ficar de tanga e acaba parando na delegacia e preso por ser taxado de tarado sem-vergonha.

Por mais que Julião estudasse, deveria saber das coisas do mundo e o que se passava ao seu redor. Se não ficasse tanto na frente de livros, não aconteceria isso. Muita alienação achar que as mulheres estavam praticamente peladas e ainda tinha medo que elas ficassem doentes por isso. Tanto tempo sem ir à praia e não imaginava como mudou os biquínis delas, no tempo dele não era tão minúsculos assim e se sentiu que estava em uma praia de nudismo. Pior foi ainda pensar que era regra que todas tinham que usar tanga e achar que era normal cortar o maiô da mulher do nada, achava queria ajudar e ficou preso e virar chacota dos outros presos.

Mesmo na prisão, continuou sem aprender nada, só se importando ficar lendo livros. Fica imaginação a sequência após o final de como ele saiu da prisão e o mistério de como a Tina estava de frente na parte de baixo do biquíni. Foi engraçado ver a cara do Julião impressionado com as tangas das mulheres e mandar buscar toalhas para elas,  dizer para si próprio para ele acordar e reconhecer que era alienado e estava mais por fora que umbigo de vedete, o  namorado da gorda chamá-la de gatinha.

Rolo e Tina acabaram sendo figurantes na história, o verdadeiro protagonista foi o Julião, tanto que no título nem teve referência ao Rolo. O Julião apareceu só nessa, mas bem que podia ter ficado como personagem fixo, ser aproveitado com outras alienações e também ser um cara inteligente com histórias com eles na faculdade ou cursinhos. 

Traços ficaram ótimos no estilo da Turma da Tina dos anos 1980. É impublicável atualmente por mostrar mulheres quase nuas com mini biquínis, mostrar destaque para a bunda da Tina, sensualidade, ter final triste para o Julião, personagem preso na cadeia sem ser bandido e violência com a guarda-solzada na cabeça do Julião. Nunca foi republicada até hoje, o que se torna rara, poderia ser a partir de 1990, mas acabou sendo esquecida e hoje, nem pensar. A capa dessa edição da Mônica acabou sendo referência só ao brinde da revista em miniatura, hoje rara, era comum na Editora Abril terem capas só com referência a algum brinde ou promoção. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Capa da Semana: Cebolinha Nº 173

É verão no Brasil e mostro uma capa em que o Cebolinha surfa no mar, altas ondas e grande performance, só que com uma boia na cintura, se cair, pelo menos não se afoga. Cebolinha muito esperto, para tudo dá um jeito, precaução custa nada.

Capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 173' (Ed. Globo, Janeiro/ 2001).

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Penadinho: HQ "O Bug da Morte"

No Dia de Réveillon, mostro uma história em que na virada de ano a Dona Morte mandou almas para reencarnação para o passado por causa de um erro do seu computador. Com 13 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 159' (Ed. Globo, 1999).

Capa de 'Mônica Nº 159' (Ed. Globo, 1999)

Dona Morte chama as almas para a reencarnação, conta para o Penadinho que agora está informatizada, com um computador, pega os dados das almas, joga no programa e vai direto para o setor de reencarnação. João Euclésio e Maria Creozodete foram os últimos a reencarnarem no século XX e a partir de agora serão os do ano 2000, o ano novo que ia chegar.

Um fantasma pega a ficha e que será o primeiro do século a nascer, dia 01º de janeiro de 2000, meia noite e cinco, e mais dois também vão reencarnar no mesmo dia. Dona Morte se despede deles e depois comenta com o Penadinho que o trabalho cansa, pelo menos ela tem a máquina para ajudá-la e Penadinho fala que depois do Frank, é o parafuso que ele mais gosta.

Dona Morte resolve tirar uma folga até o final do dia, quando surge a Dona Cegonha. Dona Morte pergunta se está de folga também e Dona Cegonha responde que deveria, mas ela fica pedindo para fazer cada coisa absurda, mandando almas para reencarnar no passado, aí teve que pedir autorização para São Jorge, São João e São Pedro. Dona Morte acha errado Dona Cegonha mandar alguém de ré, se ela mandou para frente e Dona Cegonha diz que errado é o seu serviço depender da Dona Morte.

Dona Morte confere os dados da alma, tudo certo em nomes, time de futebol, data que bateu as botas e de reencarnação em janeiro de 00. Penadinho fala que o computador está com o Bug do Milênio, Dona Morte diz que o computador é um bandido miserável, ela lhe deu cama, carinho, roupa lavada e a trocou por esse Bug-do-Sei-Lá. 

Penadinho diz que Bug do Milênio não é gente nem doença, é falha de programação dos computadores antigos, na hora de passar os dados para o ano 2000, toma os zeros e como se fosse o ano 1900 e pode acontecer também com videocassetes, relógios, micro-ondas. Dona Morte, então, se dá conta que as almas reencarnaram em janeiro de 1900 e vai ao passado com o Penadinho para resgatar as almas que reencarnaram em data errada.

Já em 1900, vão a uma casa que estava uma alma enviada, o casal estranha o bebê ter aparecido lá de repente. Dona Morte se apresenta como a besta das bestas, que não toca campainha, chega sem avisar e que leva o que não pede. A mulher pensa que é avó dela e Dona Morte fala que ela é a Morte. O casal quebra a parede e saem correndo de casa e Dona Morte leva o bebê. 

O próximo bebê irá nascer na maternidade Mamãe Feliz, só que a maternidade ainda estava em construção. Dona Morte encontra o bebê em um andaime, que sobe com ele na construção. Ela sobe até lá para buscar e os construtores se jogam dos andaimes com medo da morte. Já o outro bebê estava no carro de leite, consegue buscá-lo e todos voltam ao cemitério em 1999.

Dona Morte manda os bebês marcharem até à Dona Cegonha, entrega as fichas a mão para enviá-los para o ano 2000 e Dona Cegonha diz para ela não complicar na próxima vez. Dona Morte pergunta para o Penadinho o que fazer com o computador que lhe custou uma grana. Penadinho diz que Doutor Frankestóin pode dar um jeito. Dona Morte queria desligar, aperta um botão errado de apagar tudo e acaba apagando cemitério todo e Dona Morte comenta que em 1900 ninguém tinha esse tipo de problema e Penadinho fala para ficar fria, que um dia ela aprende.

História bem bolada e divertida que a Dona Morte sem querer encaminha as almas para serem reencarnadas 100 anos atrás porque o computador interpretou que o final 00 se referia ao ano 1900 e não ao ano 2000. Dona Morte e Penadinho voltam para o passado pra buscar os bebês que estavam em 1900 e, com isso, consegue desfazer a confusão e no final entra em outra confusão ao apagar todo o cemitério ao clicar na tecla do computador que apaga tudo. Já que o bug deu pane no computador, passou a apagar todo ambiente externo em volta ao clicar a tecla DELETE.

Começava informatização de empresas na época e com a Dona Morte chegou a informatização de cadastro de almas que chegavam e que iriam ser reencarnadas no banco de dados do cemitério. Se não tivesse comprado um computador tão antigo e se fosse mais esperta digitalmente, nada disso tinha acontecido. Aliás, um computador de 15 anos naquela época era jurássico, pelo visto Dona Morte não queria gastar muito já que computadores eram caros. 

Era legal também rivalidade entre Dona Morte e Dona Cegonha nas histórias, sempre eram divertidas. Vimos que Dona Morte tinha capacidade de viajar no tempo se precisasse, sem precisar de uma máquina do tempo para isso. A viagem ao passado foi boa, as pessoas de 1900 fugiam da morte exatamente como seria atualmente, isso não mudou através dos séculos, teve construção de maternidade Mamãe Feliz lá que seria muito famosa durante o século XX e ainda vemos coisas datadas como carro do leite da Leitaria do Brás que entregava para as casas.

Destaques para várias cenas e tiradas engraçadas como Dona Morte dizer "terrível Ano-Novo", fantasma dizer que o limbo não era um lugar sério, ter time de futebol no banco de dados da reencarnação, Dona Morte tirar folga, como se a Morte descansasse por um momento, tratar computador como uma pessoa e pensar que Bug era outra pessoa por qual o computador a trocou, a forma da Dona Morte se apresentar para o casal em 1900, os bebês marchando, Dona Morte dizer para os bebês irem com Deus e sem demorar para morrerem para voltarem logo para o cemitério.

Tiveram algumas paródias como "Fontasma" (herói Fantasma), "Ispilbergue" (Steven Spielberg), "Charlie Chapis" (Charlie Chaplin). O nome da fantasma Maria Creozedete depois foi aproveitado com a criação da vidente Madame Creuzodete, que se tornou a vidente fixa nas histórias a partir de 2001.

Foi última história da Globo com tema de Réveillon e Ano Novo, depois pararam de fazer histórias com esse tema, deixando só histórias de Natal nos gibis. Na época, histórias da Turma do Penadinho eram mais curtas nos gibis quinzenais do Cascão e mais desenvolvidas nos gibis da Mônica, Cebolinha e Parque da Mônica.

Teve informação errada de que o século XXI iria começar no ano 2000, na verdade foi em 2001, o que poderia ter falado só que seria o primeiro bebê nascido no ano 2000 ou da década de 2000. Ainda assim, matematicamente o correto é uma década começar em anos terminados em 1 e acabar em anos terminados e 0, assim como século e milênio, pelo menos na década fica algo mais popular como até a mídia posta assim.

Foi boa sacada retratar o Bug do Milênio que era um assunto muito comentado pelo pessoal na época com o avanço da tecnologia, que não prestaram atenção na programação de computadores com datas abreviadas em dois dígitos que não conseguiam interpretar anos do segundo milênio e podiam dar pane na virada do milênio. 

A expectativa do povo para entrada do ano 2000, também era grande desde pelo menos 20 anos antes, sempre falavam de ano 2000, faziam contagem regressiva para presenciar novos século e milênio, até para citar que algo era ultrapassado e que estavam progredindo, diziam algo como "estamos há x anos para ano 2000 e você ainda com esse pensamento antiquado". Aí, a MSP que sempre gostava de abordar assuntos do momento tinha que fazer história assim de Réveillon para entrada de 2000 e o Bug do Milênio.

Tudo indica que a história foi escrita pelo Paulo Back, é incorreta atualmente por envolver reencarnação, citar nome de Deus e santos, e também não fazem mais histórias sobre Réveillon e Ano Novo há muitos anos, palavra "bandido" é proibida assim como expressões populares e com duplo sentido como "peraí", "bater as botas", "fica fria", etc, computador de mesa com monitor tubo e videocassete são datados e mudariam isso hoje. Os traços ficaram muito bem desenhados assim.

FELIZ ANO NOVO PRA TODOS!!!