sábado, 10 de maio de 2025

Magali: HQ "Sorria e... engula!"

Em homenagem ao "Dia das Mães" mostro uma história em que a Magali foi entrevistada para uma revista de culinária e sua mãe aproveitou a oportunidade para que a filha ficasse famosa internacionalmente. Com 12 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 188' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Magali Nº 188' (Ed. Globo, 1996)

Dona Lili atende telefone de uma repórter da revista "Engula" sobre comida e quer entrevistar a Magali, a fama de gulosa dela chegou até lá e Dona Lili fica eufórica da filha ser famosa e ela ser mãe de uma menina famosa, pode ser início de grande carreira como modelo e atriz, viajar pelo mundo todo nas passarelas e diz que vai junto defendendo interesses e cuidando do futuro da filha. 

Dona Lili fica feliz que todos esses anos cozinhando toneladas de comida seriam recompensados e sai pra trocar de roupa e ficar bem bonita e manda Magali também trocar de roupa. Mais tarde chegam os repórteres, Dona Lili os recebe, apresenta a casa e a filha e diz para não repararem, não tiveram tempo de se arrumar. 

Começa a entrevista, a repórter lembra que a revista "Engula" é feita para gourmets, apreciadores de iguarias finas e Magali foi escolhida como personalidade do mês porque deve ter um paladar bastante apurado. Pergunta para Magali desde quando ela tem grande apetite. Dona Lili responde que desde pequenininha, eram 38 mamadeiras por dia, fora chazinhos e sopinhas.

Repórter pergunta para Magali o que ela mais gosta de comer, Dona Lili responde de tudo e citando algumas coisas que ela gosta. A repórter quer a filha responda, Dona Lili diz que vai preparar um chá para eles e volta um segundo depois, sem nem dar tempo de Magali responder a pergunta. O assistente sugere que vão fazer a entrevista na redação da revista, apenas a Magali sem a mãe ir junto. Dona Lili lamenta, mas deixa. 

Já na redação, Magali responde suas comidas preferidas por ordem alfabética e a repórter dar entrevista como encerrada porque só a lista das comidas já ocupa página inteira. Magali pergunta se não tem lanchinho porque a conversa deu fome e a repórter fala que depois de fotografarem. O assistente leva Magali ao estúdio de fotografia com as comidas expostas par serem fotografadas para a revista do mês e o assistente segura Magali para não comer.

Magali senta na poltrona para ser fotografada com melancia na mão e ela come antes de tirar a fotografia. O assistente fala que ela pode fazer tudo que quiser, só não comer aquela melancia. Magali aproveita pra comer toda a comida da exposição e o assistente manda todos fotografarem todos os pratos que ainda conseguem salvar.

Depois, Dona Lili reclama que eles estão demorando, quer ir até lá, quando eles trazem a Magali de volta, a tirando do carro e chamando de monstrinho. Magali fala para mãe que ela vai sair na revista, não haveria tempo de mudar tudo por conta da revista estar atrasada, só que o artigo vai ser um pouco diferente. No dia seguinte, Dona Lili compra a revista e vê que a matéria era os perigos do exagero e cenas chocantes do apetite descontrolado de uma menina.

Dona Lili lamenta preocupada que depois dessa pode dar adeus á carreira internacional da filha e reconhece que ela foi boba, exagerada, ridícula, até. Em seguida, aparecem repórteres da revista "À toa em forma" querendo entrevistar a Magali para saber como consegue manter o corpinho esbelto comendo tanto. Dona Lili ouve, se apresenta como mãe dela, troca de roupa e passa a responder perguntas no lugar da filha.

História engraçada em que a Dona Lili acha que a Magali poderia ficar famosa aproveitando oportunidade que a filha seria entrevistada para matéria de uma revista de culinária. Dona Lili ficou tão entusiasmada que não deixava a Magali responder as perguntas da repórter e tiveram que entrevistar na redação sem presença da mãe. Magali come todos os pratos expostos para serem fotografados para a revista e o jeito é mudarem matéria de alerta de perigo de menina que tem um apetite descontrolado. Apesar de tudo, tem uma nova oportunidade de Magali ser entrevistada para outra revista e Dona Lili faz tudo de novo como na primeira vez.

Magali começou comportada, mais lúcida que a mãe, obedecendo caprichos da mãe obcecada pela fama da filha, mas quando chega em um estúdio repleto de comida, não conseguiu se controlar, virando um monstro devorando tudo e isso ainda virou assunto da nova matéria. Se Dona Lili não fosse tão intrometida em casa, a entrevista e as fotos poderiam ter continuado lá mesmo sem precisar ir para redação e nada desse constrangimento aconteceria. A revista teve prejuízo com a comilança da Magali, mas se vingou a retratando como monstro perigoso para a sociedade que devora tudo descontroladamente, se a revista vendeu bem com o sensacionalismo, compensou o prejuízo dado.

Mostrou que Dona Lili aprendeu nada, queria que a Magali fosse famosa e ter carreira internacional de modelo e atriz e ela ir junto nas viagens como empresária da filha e mesmo vendo o escândalo que foi a primeira entrevista, continuou a mesma coisa na segunda entrevista, sem deixar Magali responder as perguntas, queria se intrometer em tudo. Nem pensou em constrangimento da filha, se ela queria ser famosa, só pensava na fama e ganhar muito dinheiro e viajar com a filha. O final ficou em aberto se foi tudo igual como na primeira entrevista ou imaginar como foi nessa nova.

História retratou de forma divertida mães que querem que filhos fiquem famosos a todo custo sem nem perguntar se filho quer isso e sem preocupar com o bem estar deles, que infelizmente acontece muito na vida real principalmente com mães de meninas. Até foi uma personalidade diferente da Dona Lili, mais eufórica e sem pensar na Magali, já que o normal era mais equilibrada e sensata, mas sendo só por uma história para diferenciar e alertar sobre esse problema de mães agindo assim, tudo bem.

Engraçado a mãe atendendo telefone só dizendo sim, chamar filha de comilona e depois corrigindo como gulosa, dizer que valeu o sacrifício de cozinhar toneladas de comidas esses anos todos, Magali parada só ouvindo a mãe, Magali listar suas comidas preferidas, devorar tudo na redação e sendo jogada para fora do carro e tratada como monstrinho pelos repórteres. A revista "Engula" foi paródia da revista "Gula" da vida real e "À toa em forma" foi fictícia porque não existia revista de boa forma com nome semelhante.

Os traços ficaram bons, típicos dos anos 1990. Tiveram erros de algumas cenas com Dona Lili sem lábios com batom e sem bolinhas de maquiagem nas bochechas da Magali e a repórter falando de boca fechada em dois quadros seguidos da última página. Incorreta atualmente por Dona Lili agir como mãe que quer fama da filha a todo custo sem se preocupar nos constrangimentos dela e sem aprender lição no final, deixar a Magali ir sozinha de carro com desconhecidos, hoje adaptariam pra ela ir junto e deixar a Magali entrevista em uma sala e Dona Lili esperando em outra sala reservada, dirigirem sem cinto de segurança e implicariam também com absurdos de Magali devorar um bolo de uma só vez e todos os pratos da redação em questão de segundos, palavras de duplo sentido como "pimpolho" e coisas datadas como televisão de tubo.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Capa da Semana: Cascão Nº 259

Nessa capa, Cascão está em um museu e quando passa em frente ao quadro da "Mona Crespa", ela tampa o nariz. O cheiro do Cascão é tão ruim que nem um quadro aguenta. Muito legal.

As capas envolvendo mau cheiro do Cascão sempre eram bem criativas. Quadro criar vida por causa do mau cheiro dele é sinal que estava muito ruim, adorava absurdos assim. O quadro foi referência à Mona Lisa, sendo que na MSP adotaram como nome parodiado oficial como "Mona Crespa" desde a história de abertura de 'Cascão Nº 72', de 1989. O logotipo com contorno branco sem ser preto dava um charme a mais nas capas parecendo iluminado sempre que tinham contornos coloridos. 

A capa dessa semana é de 'Cascão Nº 259' (Ed. Globo, Dezembro/ 1996).

domingo, 4 de maio de 2025

Mônica: HQ "Voa, Seu Juca, Voa!"

Compartilho uma história em que o Seu Juca vira ermitão, mas mesmo assim não evitou a Turma da Mônica aprontar com ele. Com 5 páginas, foi história de encerramento de 'Mônica Nº 118' (Ed. Abril, 1980).

Capa de 'Mônica Nº 118' (Ed. Abril, 1980)

Seu Juca vira ermitão em um alto de montanha, comenta com si mesmo que foi a melhor coisa que fez porque só assim terá paz e sossego e ficará livre daquela turminha, só pensar neles que fica todo arrepiado. Fica aliviado que finalmente nunca chegarão ali, quando o Cascão entra por debaixo da sua manta e logo em seguida, o Cebolinha.

Seu Juca acha que a solidão está causando alucinações, que só faltava aparecer a Mônica, quando ela aparece. Seu Juca tenta se concentrar a fim de afastar suas alucinações e leva soco da Mônica parando longe nas pedras da montanha. Os meninos riem por ela ter errado o soco e Mônica viu que acertou o Seu Juca. Mônica tenta ajudá-lo a sair dali, Seu Juca implora que não precisa e no desespero acaba caindo da montanha.

Mônica lamenta que Seu Juca chegou e já foi embora, Cebolinha queria cumprimentá-lo, Mônica volta a acertar as contas com os meninos e ao tentar dar pancada com bengala neles, atinge o Seu Juca que estava voltando da montanha e Mônica reclama com Seu Juca para decidir se fica ou vai embora. Cebolinha sai da manta, deixa a bolsa d'água na frente, Mônica fura a bolsa, atingindo Seu Juca, que fica desesperado de como vai ficar isolado de ermitão ali sem água.

A turma gosta de saber que Seu Juca virou ermitão, Cascão quer autógrafo e Mônica pergunta se ermitões e monges conseguem levitar e Cebolinha quer que ele dê uma voadinha ali.  Seu Juca fala que não sabe voar. Eles insistem que é só uma voadinha até os rochedos, dar umas piruetas e voltar. Seu Juca grita que não sabe voar. Cebolinha diz que é certo se quem é feio soubesse voar, a Mônica seria um passarinho. Ela não gosta, dá um soco e acerta o Seu Juca, caindo da montanha de novo.

A turma reclama que não vale, voou enquanto eles não estavam olhando. Seu Juca confirma que não sabe voar, não está mentindo e começa a chorar. Mônica fala que não é para ficar triste, não precisa mais voar hoje, mas amanhã quando eles levarem os amigos deles, aí vai fazer demonstração. Seu Juca passa a ficar louco, dá gargalhadas e surpreendentemente voa, saindo da montanha e fugir da turma e Mônica comenta que sabia que ele estava mentindo.

História engraçada que o Seu Juca vira ermitão para se livrar da Turma da Mônica, mas para o seu desespero eles aparecem lá após uma fuga dos meninos da Mônica. Seu Juca tenta se afastar deles, não consegue e sofre várias confusões, até que perguntam se ele sabia voar. Como nega e até chora, a turma fala pra voar amanhã junto com os amigos deles e Seu Juca pira de vez e voa bem longe para se livrar deles.

Seu Juca tinha pânico só de pensar nas crianças, se fosse mais firme, era só expulsá-los de lá. Até poderia aceitar a ajuda da Mônica para tirá-lo das pedras, mas como sabe que a ajuda deles era torta e sempre atrapalhavam mais ainda, mesmo que sem querer, preferiu não arriscar. A turma não acreditava que ele não sabia voar e ficavam insistindo, o medo dele das crianças era tão alto que conseguiu o inimaginável de voar só para se livrar deles, do tipo do medo conseguir fazer coisas impossíveis, era engraçado isso. Afinal, se já estava sofrendo com três, conhecer e aturar mais crianças malucas como eles, Seu Juca não iria aguentar.

Mônica dessa vez estava sem pontaria boa, azar do Seu Juca que sofreu com os socos dela. Ficou em aberto se ela bateu nos meninos depois que Seu Juca fugiu já que eles tinham parado lá depois de terem aprontado com ela. Interessante o Cascão querer autógrafo do Seu Juc apor ele ser ermitão, virou ídolo porque ia ficar sem água.

Foi engraçada do início ao fim com destaques do Seu Juca pensar que era alucinação as crianças entrando na manta dele, os socos da Mônica fazendo ele parar longe, absurdos de eles chegarem naquela montanha só na fuga para não apanhar da Mônica e de Seu Juca cair e escalar montanha toda hora e Cebolinha dizer que a Mônica seria passarinho de tão feia que é. Incorreta atualmente pelas crianças perturbarem homem desequilibrado, as pancadarias que o Seu Juca sofreu, aparecer surrado e os absurdos mostrados. 

Pareceu desenho animado com muito movimento de socos e Seu Juca caindo da montanha e voltando e caindo de novo. Definitivamente ele sofreu com a turma dessa vez, pelo menos não terminou internado no hospício, mas não deixa de ter ficado louco com a turma e ter se dado mal. Mostra que ele era um cara desequilibrado, com alta crise de pânico e que não sabe lidar com as emoções, preferia isolamento social do que se esbarrar com a turma. Mereceria uma super terapia para se livrar disso. A turma, por sua vez, gostava do Seu Juca, mas não se tocavam que ele não os suportavam e muito menos que estavam sendo inconvenientes, ficavam bem bobos nas histórias com o Seu Juca, que já chegou a ficar no limbo do esquecimento entre 1985 a 1996 e quando voltou, foi mais brando do que era na época da Editora Abril, já falei mais detalhes sobre o personagem AQUI.

Os traços ficaram bons, ainda seguindo estilo de desenhos de 1979 com personagens já começarem a ficar com contornos arredondados, ficou até bem parecido com a forma consagrada de traços como seria no decorrer dos anos 1980. Tiveram erros de balão não ser todo pintado no 4º quadro da 2ª página da história e do Cebolinha com pálpebra branca no penúltimo quadro da 4ª página da história.  Curiosidade desse gibi 'Mônica Nº 118' ser o primeiro a ter formato reduzido com 2 cm a menos na altura em relação como era nos anos 1970 e foi um padrão de todos os gibis lançados a partir de fevereiro de 1980. Essa história foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 6' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 6' (Ed. Globo, 1989)

quarta-feira, 30 de abril de 2025

HQ "Mamãe Magali"

Em abril de 1995, há exatos 30 anos, era publicada a história "Mamãe Magali" em que ela vira mãe do Dudu após ele dizer que foi abandonado pela sua própria mãe. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Magali Nº 153' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Magali Nº 153' (Ed. Globo, 1995)

Magali brinca de casinha com a sua boneca, quando aparece o Dudu chorando. Ele conta que a mãe dele foi embora para sempre e o deixou sozinho e ainda diz que deixou uma mensagem de adeus, que não quer mais vê-lo como filho e é para se virar. Magali diz que Dudu não sabe ler e ele fala que ela deixou no gravador.

Magali lamenta a situação do Dudu, o abraça, dizendo que deve doer muito e ele diz que sim por causa do abraço muito apertado e se ela o soltar, vai passar. Dudu diz que vai procurar outra mãe, vê Magali cuidando da boneca e acha que a Magali daria uma ótima mãe. Ela acha que é muito nova e ainda teria que sustentá-lo, dar comida todos os dias, não gostando da parte da comida. Dudu fala que não é problema porque ele não gosta de comer e Magali o abraça com satisfação dizendo que é filhinho dela.

Magali continua a brincadeira, agora com a boneca e o Dudu como filhos dela e depois coloca o Dudu no carrinho de bonecas, diz que filho dela não bate perna e agora tem que chamá-la de "mamãe". Quinzinho aparece e pergunta o que Dudu está fazendo dentro do carrinho de bonecas, Magali diz que é filho dela, que o adotou. Quinzinho fala que não sabe se vai querer casar com alguém que já tem filhos e precisa pensar a respeito.

Magali reclama com Dudu dos sacrifícios que faz por ele e o leva para a casa da avó, que é casa da Dona Lili e dela. Magali apresenta o neto Dudu para a mãe dela, Dona Lili acha que é brincadeira e Magali conta que Dona Cecília foi embora para sempre e largou a bomba na mão dela. Dudu chora porque a Magali também não o quer, Magali fala que gosta dele, sim, e vai lhe dar um banho. Dudu não quer porque tem vergonha de ficar pelado na frente dela e Magali pergunta se tem vergonha da própria mãe.

Enquanto Magali dá banho no Dudu, que reclama o tempo o tempo todo que água está fria e cai sabão no olho, Dona Lili telefona para Dona Cecília. Dudu sai pelado correndo do banho, Dona Cecília toca a campainha e Dudu vai correndo no colo da mãe e fala para salvá-lo da Magali que quer matá-lo. Magali fala para Dona Cecília que some e depois aparece toda lampeira, que abandonou o Dudu e agora é filho dela.

Dona Cecília fala que o Dudu saiu correndo quando estava dando comida para ele. Dudu confessa que inventou tudo para mãe não lhe dar comida. Vai embora com Dona Cecília, que fala que mereceria uma surra, mas vai almoçar agora e Dudu diz que preferia a surra. Magali comemora que não tem mais filho, conta para o Quinzinho e pergunta se são namorados de novo. Quinzinho afirma e Magali fala que é bom apressar o casamento deles e terem seus próprios filhinhos.

História legal em que o Dudu cria plano infalível de inventar que sua mãe, Dona Cecília, o abandonou e acha que a Magali seria sua nova mãe perfeita porque sabe que ela não ia dar comida para ele por não querer dividir comida com os outros. Só que ele não gostou da Magali de dar banho nele e resolve voltar para Dona Cecília, apesar de ela sempre ficar dando comida para ele. Apesar do trabalho que teve com o Dudu, a Magali gostou e ficou com saudade de ser mãe e quer ter os seus próprios filhos.

Magali foi burra em acreditar que Dudu foi abandonado, Dona Cecília nunca faria isso, sem dúvida, Dudu teve uma lábia boa de comover a Magali. Até que ela tratou bem o Dudu enquanto foi seu filho, tratou igual como tratava a boneca. Dona Lili foi esperta que a história dele não a convenceu e tratou de telefonar para Dona Cecília e deu certo. Em situação de perigo Dudu lembrou da mãe e fez as pazes com ela, passou a dar valor. Para o Dudu comer é o castigo pior do que uma surra, então teve lição que mereceu de enganar os outros. 

Dona Cecília chegou rápido na casa da Magali porque na época eles eram tratados como vizinhos. A participação do Quinzinho foi legal, chegou a ser meio machista de não querer cuidar de filho que não era dele e Magali no final foi bem saidinha para uma criança em já pensar em casamento e ter filhos. 

História deve ter sido em homenagem ao "Dia das Mães" com um pouco de antecedência por esse gibi ser da segunda quinzena de abril e ainda estaria nas bancas em maio, fora que a edição seguinte da primeira quinzena de maio reservaram para história de aniversário da Magali.

Eram boas as histórias de planos infalíveis sem serem criados pelo Cebolinha, sempre eram criativas, até Dudu já criou seus planos. Engraçado ver brincadeira da Magali com boneca que para ela é comida de mentirinha e para ela de verdade,  a invenção do Dudu de mãe deixar mensagem de voz em gravador que o abandonou e quer mais vê-lo como filho e se virar, o abraço apertado coincidindo com a fala da Magali que deve doer muito o abandono da mãe, Dudu dentro do carrinho de bonecas, Magali aceitar ser mãe dele ao lembrar que ele não come e que não precisaria dividir comida com ele e dizer que Dona Cecília deixou uma bomba pra ela ao ver pestinha que era o Dudu.

Os traços ficaram bons, típicos de histórias dos anos 1990. De erro teve cortina branca em vez de amarela no quinto quadro da quinta página da história  (página 7 do gibi). Incorreta atualmente por  plano de fingimento de abandono de criança, jogar Dona Cecília contra os outros, Dudu pelado, namoro entre crianças, Magali pensar em casamento e ter filho com Quinzinho, Dona Cecília ameaçar de dar surra no Dudu, afinal, hoje mães não podem bater nos filhos. Proibido também palavras de difícil entendimento para crianças como "lampeira" e expressões populares de duplo sentido como "bater perna". Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

domingo, 27 de abril de 2025

Pipa e Zecão: HQ "Preferências musicais"

Mostro uma história em que Pipa e Zecão brigam porque não têm o mesmo gosto musical um do outro e não querem ir a show de artista que não gosta. Com 5  páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 190' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Mônica Nº 190' (Ed. Abril,1986)

Pipa e Zecão se encontram. Zecão conta que eles vão assistir ao show incrível do Saul Queixas. Pipa fica horrorizada e conta que tem dois ingressos para o show do Quim. Zecão manda jogar os ingressos dela fora porque é claro que vão assistir ao show do Saul. Pipa recusa, diz que nunca curtiu aquele maluco desafinado e que os discos que o Zecão deu estão num lugar seguro para ninguém ouvir.

Zecão acha um desaforo, estava sentindo culpado jogado no lixo os discos do Quim que ela deu. Pipa pergunta como ele teve coragem e Zecão diz que foi para saúde dos ouvidos dele. Pipa pergunta como pode gostar do bobão do Saul ao Quim. Zecão diz que pior são esses barulhentos que ela escuta e que o líder Fredi Mercúrio rebola tanto que sabe, não. Pipa fala que vai assistir ao show sozinha e termina o namoro porque não suporta o mau gosto musical dele.

Em seguida, Pipa encontra Tina com Jaime e diz que não vai ao show do Quim com o Zecão porque terminaram namoro porque ele preferiu o Saul Queixas ao Quim e ofendeu o Fredi Mercúrio. Tina e Jaime falam que eles brigam por cada tolice e que têm que respeitar a preferência musical do outro. Pipa diz que aturar o Saul é muito para cabeça dela e Tina fala que se gosta do Zecão não devia ser e que podia ser pior se gostasse do Quiss. Jaime pergunta para Tina o que ela tem contra o Quiss e começa uma discussão.

Pipa e Zecão fazem as pazes, pedem desculpas, Zecão acha que foi um tolo e egoísta e que o Quim não é tão mal assim e Pipa diz que quem sabe o Saul Queixas aprenda a cantar um dia. Então, eles vão ao show do Samberto Carlos já que os dois gostam dele. Só que teve imprevisto que o show do Samberto foi cancelado porque ficou afônico e no lugar a casa levou o grupo Tremudos. No final, Pipa e Zecão sai do show e perguntam se ainda dá tempo de ver show do Saul ou do Quim.

História engraçada em que Pipa e Zecão brigam porque não tem os mesmos gostos musicais. Eles não queriam ir ao show do que o outro gostava e ainda se ofendem porque não curtiam o que eles gostavam. No final, fazem as pazes e vão a show do cantor que ambos gostavam, mais têm surpresa que colocaram grupo que os dois não gostavam e tentam ver se ainda dá tempo de irem ao show de um dos ídolos deles.

Pipa sempre brigava com o Zecão por motivos fúteis, só porque não gostava do Saul Queixas não era motivo para tanto. Zecão foi bem sacana também dizer na cara que jogou fora os discos do Quim que a Pipa deu com tanto carinho. Definitivamente ninguém tem razão, sem dúvida os dois se merecem. Podia cada um ir ao show de quem eles gostavam, sem estresse, sair uma vez sozinhos não teria problema. Era mais fácil também terem dito que não gostava do artista quando ganhou os discos e aí saberiam que não gostavam e não teria convites de shows e briga agora.

Pelo menos tiveram lado comum de preferência de que os dois gostavam do Samberto Carlos e não suportavam  o Grupo Tremudos, viram que tinha coisa pior do que os ídolos deles. Tiveram castigo de ainda ficaram sem ver os shows dos seus ídolos. De forma muito divertida mostrou que devemos respeitar os gostos musicais dos outros. Foram engraçadas a caricatura do Saul Queixas no pôster,  as brigas do casal, Pipa falando que o Saul Queixas era maluco desafinado e Zecão, que o Fredi Mercúrio rebolando "não sei, não", que esconderam e jogaram fora discos que ganharam, a decepção do cancelamento do show do Samberto Carlos e descobrirem que era Tremudos no lugar.

Tina nos anos 1980 sempre aparecia só em participação rápida como a conciliadora para ajudar a resolver as brigas de namoros de seus amigos. Dessa vez Pipa e Zecão tiveram ajuda também do Jaime e uma certa diferença até que acabou tendo início de briga da Tina com o namorado pelo mesmo motivo, no estilo de que dão conselho, mas fazem mesma coisa. Ficou em aberto como Tina e Jaime contornaram a discussão e de que artista ou banda que a Tina gosta já que o foco era Pipa e Zecão. 

As paródias mostradas foram "Saul Queixas" (Raul Seixas), "Quim" (Queen), "Fredi Mercúrio" (Freddy Mercury), "Quiss" (Kiss), "Samberto Carlos" (Roberto Carlos), "Tremudos" (Menudos). A letra da música "Não se reprima" dos Menudos também teve paródia de "Não se deprima", eram sempre muito criativos nas paródias, algumas colocaram só o som de como falamos. Todas as bandas e artistas estavam em alta nos anos 1980, sempre gostavam de colocar nas histórias famosos conhecidos que estavam fazendo sucesso no momento, é assim até hoje, se fosse criada hoje, também colocariam artistas do momento no lugar deles.

História permitiu ver de qual lado o leitor vai ficar, se era melhor ir a um show do Raul Seixas ou Queen, que cá pra nós, um pecado terem desperdiçado show do Queen, sabe lá quando retornariam ao Brasil e mal sabiam que Freddy Mercury iria morrer 5 anos depois, em 1991. Ou seja, Pipa perdeu a chance de ver Queen de perto e Zecão ainda teria mais 3 anos de ver show do Raul Seixas, falecido em 1989.

Incorreta atualmente por ter namoro, o nível da baixaria da briga, coisas datadas como discos de vinil LP e mudariam artistas e grupos mencionados para seguir os artistas da atualidade. Hoje também é proibida a expressão "Graças a Deus!", ainda mais no sentido colocado, homem negro com círculo em volta na boca ao invés de lábios e, implicariam, principalmente, com a fala de homofobia do Zecão ao citar o "Fredi Mercúrio" e que homem não rebola, isso iriam problematizar demais hoje. 

Os traços muito bons, típicos da Turma da Tina dos anos 1980. Teve erro de não pintarem cabelo do Zecão perto da orelha assim como fundo dos olhos do negro sem serem pintados de brancos e mulheres loira e japonesa sem lábios coloridos no primeiro quadro da última página. Nunca foi republicada até hoje, poderia ter sido a parir de 1991, mas infelizmente acabaram esquecendo. Então,  se torna rara, só quem tem a revista original que conhece.