terça-feira, 18 de maio de 2021

HQ "Chico Bento no restaurante"

Mostro uma história de quando o Chico bento foi a um restaurante pela primeira vez com o seu primo Zeca, causando muita confusão. Com 6 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 51' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Chico Bento Nº 51' (Ed. Globo, 1988)

Chico Bento está em um restaurante da cidade com seu primo Zeca, que pergunta se ele já escolheu o que vai comer. Chico vê o pessoal chamando pelo garçom e ele pretende pedir garçom porque deve ser um passarinhão muito bom para todo mundo estar pedindo. Zeca explica que garçom é quem atende os fregueses e traz os pratos e em seguida sai para ir ao banheiro.

O Garçom pergunta ao Chico se o cavalheiro já escolheu o prato. Chico diz que não sabe de cavaleiro, que veio a pé. O Garçom pergunta se Chico já viu o cardápio e ele diz que não porque estava com o primo. O Garçom entrega o cardápio e Chico diz que está mais difícil de ler do que a cartilha da escola. O Garçom sugere frango caipira e Chico fala para não ficar com gozação só porque ele é caipira e nunca foi a restaurante granfino.

O Garçom diz que não queria ofendê-lo e sugere frango a passarinho. Chico não aceita pensando que o frango vai sair voando pela janela. Garçom sugere virado à paulista e dobradinho e Chico não quer paulista, nem virado e nem dobrado. Sobre arroz de carreiro, Chico quer é arroz de cozinheiro e pergunta que restaurante é aquele. Sobre vol-au-vent, Chico fala ao Garçom que é para ir e demorar para voltar.


Zeca volta e diz que vai escolher medalhão ensopado. Chico fala para não escolher isso, vai quebrar todos os dentes e se for de ouro vão cobrar caro. Zeca explica que medalhão é carne fatiada cortada em rodelas e manda Chico escolher o prato. Chico pede para o Garçom trazer bife a cavalo bem depressa, pensando que o bife ia vir nas costas de um cavalo.

O medalhão do Zeca chega primeiro e Chico pensa que o bife deve estar a burro, que empacou no caminho. O prato chega em seguida. Chico encara o Garçom e fala que aquilo não é bife a cavalo nem lá nem na China. O Garçom diz que está tudo ali, o arroz, o bife e o ovo, e Chico pergunta onde está o cavalo. O Garçom fala que bife a cavalo é só o nome e Chico fala que não interessa, prometeram cavalo e ele quer cavalo. 


Zeca implora para Chico não fazer vexame, que o garçom está certo. Chico fica contrariado que não vai mais levar um alazão para casa. Depois de comer, Zeca pergunta se gostou do prato e Chico responde que estava mais ou menos e prefere o arroz e feijão da mãe dele. O garçom pergunta se querem sobremesa, Chico diz que sim, embaixo da mesa que não ia e Zeca tampa a boca do Chico para ele não falar mais besteira e pergunta o que tem. O Garçom diz que eles têm pudim de leite, sorvete e frutas. Chico quer goiaba, Garçom diz que não tem e Chico diz que quer jaca mole.


Zeca interrompe e manda o garçom trazer a conta. Enquanto esperam, Zeca dá bronca no Chico que precisa se comportar ou não vai mais levá-lo a restaurante, tem que aprender que as coisas na cidade não são como na roça e continua a bronca. A conta chega e vem muito cara e no final o Zeca fica abismado com o dinheiro que perdeu e Chico comenta que o povo da cidade acha que são sabidos, mas no final acabam pagando o cavalo que não veio, o medalhão de ouro ,entre outros.


É engraçada demais essa história com o Chico arrumando confusão no restaurante na cidade. Como ele nunca tinha ido a um restaurante e muito menos granfino, não sabia do que se tratava aqueles pratos. Acabou o Zeca se dando mal pagando caro demais e o Chico, com a sua simplicidade, não deixou de estar errado comparando o preço das comidas com preço de cavalo e medalhão de ouro.

Foi de rachar de rir ver o Chico não sabendo nem o que era garçom, achando que era comida, os trocadilhos com as comidas, como no bife a cavalo pensar que bife ia vir no cavalo, ele discutindo com os garçons, dando vergonha ao primo Zeca. Chico não saber o que era os pratos granfinos, até tudo bem, mas não saber o que é garçom e sobremesa, foi hilário. Eu adorava histórias assim com o Chico lerdo na cidade, constraste de um autêntico caipira na cidade, pena não ter mais histórias assim, provavelmente para não retratar um caipira na vida real como um retardado. Nas histórias atuais, só mostra o Zeca na roça, em situações normais e, com isso, não são engraçadas.


Os traços ficaram excelentes típicos dos anos 1980, gostava muito quando o Chico Bento e o Zeca tinham narigão assim, ficava melhor, hoje colocam narizes muito pequenos, descaracterizando os personagens. a curiosidade é que na época o Zeca não tinha nome, o Chico só o chamava de primo ou "primo da cidade". O Zeca só foi ter nome definitivo nos anos 1990.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Uma história do Horácio envolvendo ambição

Mostro uma história do Horácio que envolve ambição de lucro, o que ajuda a vender mais. Foi publicada em 'Mônica Nº 83' (Ed. Globo, 1993).

Escrita por Mauricio de Sousa, um dinossauro sorridente pergunta ao Horácio se continua cultivando alfaces ridículas. Horácio diz que vive disso e é a sua alimentação básica. O Dinossaurinho diz que a nova onda são as flores. Horácio diz que não come flores e o Dinossaurinho responde que Horácio não tem ambição, se cultivasse flores ia lucrar muito mais que alface e com o dinheiro comprava quantas alfaces quisessem.

Horácio, com sua sabedoria, dá lição que se todo mundo cultivasse flores, de quem ele compraria alface e se sobrar alguém plantando alface, ele poderia cobrar o quanto quiser. Com isso, o Dinossaurinho muda de ideia e resolve ser sócio do Horácio na plantação de alface.

Nessa história, Mauricio quis mostrar mensagem de ambição, monopólio e empreendedorismo, de algum produto ficar na moda, todos querem vender e quem for esperto, que venda um produto alternativo em falta no mercado e poder cobrar o quanto quiser já que não terá concorrente de vendas. O Dinossauro Sorridente tinha ambição de plantar flores porque todo mundo vendia, mas viu que podia lucrar mais sendo sócio do Horácio que plantava alface e que ninguém vendia, podendo cobrar o quanto quiser. Antes, o Dinossaurinho até achava as alfaces ridículas, mas mudou de ideia ao ver melhor visão de negócio para lucrar mais.

Horácio, apesar de ser dinossauro, era característica dele de só comer alfaces, diferenciando de seus amigos dinossauros. Por isso ele plantava, apenas para consumo próprio, nem tinha intenção de montar negócio com plantação de alface. Já o Dinossaurinho só queria visar o lucro, seja como for. Apareceu só nesse tabloide, como de costume de personagens secundários. Mauricio elaborava muito bem as histórias do Horácio, sempre tinha uma pegada filosófica, nem que seja nas entrelinhas. Histórias do Horácio eram páginas semanais dos jornais e que depois eram republicadas nos gibis em 1 página mesmo ou em 2 páginas com desenhos ampliados. Traços ficaram muito bem caprichados. A seguir, mostro a história completa:


segunda-feira, 10 de maio de 2021

Magali : HQ "Duas Magalis comem comem muito mais"


Dia 10 de maio é aniversário da Magali e para comemorar, mostro uma história em que ela teve que lidar com uma sósia por causa de invenção do Franjinha bem na sua festa de aniversário. Com 13 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 180' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Magali Nº 180' (Ed. Globo, 1996)

Na sua festa de aniversário, Magali estava vendo o presente que a Denise deu para ela, uma minifeirinha. Tenta comer, mas as frutas são de plásticos. Chega o Franjinha com seu presente, que era uma invenção. Magali até pensa que era um moderador de apetite como foi ano passado, mas, na verdade, era um pôster da sua supermáquina fotográfica que cria posteres instantâneos em tamanho natural da pessoa e Franjinha tira a foto dela.


Magali gosta do presente, põe o pôster na cama e faz todos irem para a sala antes dos outros convidados comerem tudo da festa. Mônica comenta que Magali convida pouca gente e, de fato, só tinha o Cascão lá na sala, e Magali diz que é porque gosta de festas íntimas e Cebolinha fala que é para sobrar mais comida.

Volta aparecer o quarto da Magali, bem na hora que a imagem do pôster da Magali cria vida e sai do poster e anda como uma sósia dela. O Franjinha não testou a invenção e não sabia disso. A porta do quarto estava trancada, a sósia sente o cheiro de comida e sai pela janela até à entrada da casa.

Na festa, Magali oferece empadinha para o Cascão e ela diz que é feio ele encher a mão para pegar, era para comer só uma. Depois, ela come as outras empadinhas que sobraram escondida. A porta bate, Cebolinha pensa que é penetra, e quando Mônica abre, era a sósia da Magali, mas eles não sabiam ainda. A sósia vai direto para a mesa dos quitutes da festa. 

Em seguida, a verdadeira Magali oferece bolinha de queijo para os amigos. Denise e Franjinha pegam uma, aí uma pessoa pega vários. Quando vê, ela dá de cara com a sua sósia do pôster. Magali acha que é uma brincadeira dos amigos e eles pensam que é brincadeira de alguém que ela não convidou para aprontar com ela. Cascão puxa o cabelo pensando que era peruca, mas era de verdade e a sósia taca bolinhas de queijo neles. 

A turma vê que ela come igual à Magali e deduzem que é irmã gêmea da Magali. Mônica faz comparação a novelas "Sangue do meu sangue", " Cara e Coroa", emendando com medo de se tornar "A próxima Vítima" e "Explode coração" e Cebolinha comenta que ela está vendo novelas demais. Magali diz que não tem irmã gêmea, o rosto é só dela e o aniversário é só dela. 

Cascão vai falar com os pais da Magali dizendo que o aniversário é dela, mas quem ganha o presente são eles, mostrando a sósia. Os pais se assustam, acham que é brincadeira e Cascão conta que ela é a outra filha deles desaparecida. Seu Carlito fica desesperado, pergunta ajoelhado para Dona Lili por que nunca contou e a esposa diz que sempre tiveram um filha, a não ser que o médico os enganou. Deduzem, então, que elas foram separadas na maternidade.

Seu Carlito chora, não de felicidade, e, sim, de desespero, pois não sabe como vai sustentar 2 comilonas. Dona Lili comenta que vai passar a trabalhar também. Magali fala que não está tudo bem e não quer irmã gêmea, começa a chorar  e vai para o quarto e Seu Carlito pergunta se era a Magali ou Margô, já dando nome para sua nova filha.

No quarto, Magali vê o pôster só com uma sombra e deduz com a "Margô" na sala que era invenção do Franjinha, cientista maluco. Ela vai até à sala, bem na hora dos "Parabéns" com todos cantando com a Margô, pensando que era a Magali. Ela diz que não era a Margô e aquela coisa não era irmã dela e, ao mostrar o pôster para o Franjinha, ele se imagina um cientista genial e comemora que inventou uma máquina que cria pôsteres holográficos tridimensionais ambulantes.

Franjinha pega a sósia, passa cola nas costas e gruda no pôster e com o uso do seu spray bidimensionalizante, volta a ser um poster comum como qualquer outro. Seu Carlito comemora que não tem uma filha gêmea e Magali também fica feliz por ser a titular. Ela pede desculpas aos amigos por ter sido regulada com eles e que podem comer à vontade. Franjinha fala que havia feito um pôster com a turma enquanto esteve no quarto e, assim, todos tiveram seus clones comilões espalhados pela festa e Magali fala que não tem problema, depois cola um por um, quanto mais gente na festa é melhor, aprendendo a lição de não regular comida para os outros.

É bem legal essa história, tem invenção do Franjinha que mais uma vez deu confusão com a turma. Dessa vez com uma máquina de criar pôsteres ambulantes, que fez todos pensarem que a Magali tinha irmã gêmea separada na maternidade. Histórias mostrando sósias dos personagens sempre eram divertidas. 

Mostra também o lado egoísta da Magali que regulava as comida da festa para os seus amigos, convidou só 5 amigos para sobrar mais comida, se pudesse, não iria ninguém para ela comer tudo sozinha, e ficou desesperada em saber que podia ter uma irmã gulosa que nem ela e ter que dividir comida com ela, dessa vez ela se arrependeu no final. O clone da Magali não falava, só onomatopeias alimentícias. Isso foi interessante.

Foi divertido ver a Magali ordenando que os amigos pegassem só uma guloseima quando ela oferecia, o seu desespero em pensar que tinha irmã gêmea, mas o ponto alto, sem dúvida, foi o jeito do Cascão contar aos pais da Magali sobre o clone ser irmã separada na maternidade e o Seu Carlito desesperado em saber que tinha mais uma filha e não ter como sustentar 2 comilonas. Era legal quando o Cascão se referia aos pais dos amigos como "Dona mãe" e "Seu pai", não foi só nessa história, era algo característico dele, de vez em quando falava isso, como aconteceu na história "Cebolan, o Destruidor", em 'Cebolinha Nº 158'  (Ed. Abril, 1986).

Foi bom ver também as referências da Mônica a novelas envolvendo gêmeos e emendar outras novelas da época na sua frase. Nas histórias antigas, era comprovado que ela era noveleira de carteirinha, tiveram várias histórias com ela abordando novelas, hoje em dia não tem mais isso porque novelas não coisas de crianças. E dessa vez, os nomes das novelas não foram parodiados para fazer mais sentido ao diálogo dela, mas, normalmente eles parodiavam os nomes. O título bem criativo com referência à brincadeira de "Dois elefantes, incomodam, incomodam muito mais".

A invenção do Franjinha foi boa da máquina fotográfica já revelar foto como pôster em tamanho natural, bem que podia existir. Na época, a mais parecida era as do tipo Polaroid que imprimia a foto em tempo real, só que de tamanho pequeno, em formato quadrado, em vez de retangulares 10 x 15 tradicionais, ainda assim já era um marco para a época porque não precisaria esperar revelar negativo para ver a foto que tinha acabado de tirar. Surpresa maior foi criar clones humanos a partir dos pôsteres com essa foto, bem a frente do seu tempo também.

A capa da revista desse vez com alusão à história de abertura, na época só tinham capas com assim com histórias mais especiais. Os traços da história ficaram bons, no estilo anos anos 1990, com direito a personagens com línguas maiores dentro da boca, inspirados no estilo dos anos 1970. Denise ainda aparecia desenhada diferente a cada história, só teve estilo definitivo em 1998, na historia "Tribo das modernosas", de 'Magali Nº 245'. A colorização é que não gostava assim mais escura, sobretudo o marrom que ficava muito escuro em um só tom, como pode ver no cabelo da Denise e do Seu Carlito e cores de portas e cama, por exemplo. Cores assim ficaram entre fevereiro a junho de 1996, acabou coincidindo com a morte da roteirista Rosana Munhoz e sem querer ficou parecendo como um luto a ela. 

Falando em Rosana, quem sabe, essa história até seja dela, já que morreu em janeiro de 1996 e as revistas de maio já estavam prontas, fora que mesmo depois que faleceu, ainda tiveram várias histórias póstumas dela que colocavam nas revistas, histórias arquivadas que ela tinha deixado prontas antes de morrer. Em 1996 tiveram ainda várias histórias dela normalmente e até em 2002 ainda podiam ser vistas histórias dela, só que com menos frequência que antes. Enquanto eles tinham roteiros arquivados dela, eles publicavam.

FELIZ ANIVERSÁRIO, MAGALI!

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Cebolinha: HQ "Cebolan, O Destruidor"


"Dia das Mães" chegando e em homenagem compartilho uma história em que o Cebolinha quebra móveis da sua casa e faz de tudo para a sua mãe não perceber a arte. Com 11 páginas, foi história de abertura de 'Cebolinha Nº 158' (Ed. Abril, 1986) e republicada em 'Almanaque do Cebolinha Nº 27' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 27' (Ed. Globo, 1994)

Nela, Cebolinha está brincando, se imaginando o "Cebolan, o Destruidor" e fica caçando uma mosca na brincadeira. Quando está prestes a pegar a mosca, falando que ela vai sentir o poder dele, a sua mãe, Dona Cebola, interrompe e complementa que ele vai sentir o poder do chinelo castigador.

A cena de imaginação para e volta á vida real e Dona Cebola pergunta que bagunça  era aquela. Cebolinha diz que queria pegar uma mosca e ela pergunta por que não pegava o chinelo e matava. Cebolinha responde que assim não tem graça e Dona Cebola diz que não tem graça é ele caçar mosca dentro de casa e acertar o aquário que a avó deu ou na televisão ou na cadeira valiosa que ela comprou no antiquário.


Cebolinha diz que "Cebolan, O Destruidor", nunca iria acertar as coisas e Dona Cebola fala que é bom porque senão ele ia entrar no chinelo castigador e manda guardar a vassoura porque não tem mais mosca, e que ela viu o Cascão lá fora e manda brincar com ele. Cebolinha concorda na hora, mas desobedece á mãe e continua a brincadeira sem ela ver. Só que ele escorrega no tapete e a vassoura fica em pé por um momento. 


Ele fica olhando para ela e imagina se cair, vai cair no aquário e vai levar surra de chinelo. Cebolinha corre e pega a vassoura e fica aliviado e resolve guardar vassoura antes que aconteça alguma coisa. Só que ao virar de costas, ele consegue derrubar o aquário e ao mesmo tempo consegue a façanha de queimar a televisão e quebrar a cadeira valiosa de uma vez só, ficando boquiaberto com aquilo.


Cascão vê tudo pela janela e aplaude, achando sensacional o amigo ter destruir tudo aquilo ao mesmo tempo e acha que realmente é um destruidor e resolve chamar a turma para ver e buscar máquina fotográfica. Cebolinha puxa Cascão pelo suspensório e o leva para casa. Cebolinha tem plano de Cascão pintar aquário, televisão e cadeira na parede para a mãe não perceber. Cascão faz em troca de 10 figurinhas, Cebolinha acha que não ficou legal e pretende pagar só 1 figurinha. Cascão não gosta e chama a Dona Cebola.


Enquanto ela não vem, Cebolinha tenta entregar 10 figurinhas e logo em seguida dar 20 figurinhas, seu pião e sua coleção de tampinhas de refrigerantes para ele não contar nada para a mãe. Dona Cebola aparece e Cascão pergunta se ela não está vendo nada diferente na sala. Ela não vê nada e Cascão diz que é o cabelo que ele cortou ontem. Cebolinha fica aliviado, Dona Cebola pergunta se ele está sentindo alguma coisa e ele diz que é só cansaço e vai sentar na cadeira para descansar. Só que esquece que era pintura e acaba caindo.


Dona Cebola descobre que tudo era pintura, fica desesperada. Cascão tenta fugir pela janela, mas é segurado pelo suspensório. No final, Dona Cebola dá castigo de Cebolinha e Cascão pintarem a parede da sala, mas enquanto eles pintam, ficam brincando de "Cebolan, O Destruidor" e "Cascan, O Terrível" e Dona Cebola comenta com o Seu Cebola que acha que não foi boa ideia de dar aquele castigo a eles, achando que eles não aprenderam a lição.


Muito engraçada essa história, o Cebolinha desobedece a mãe em não brincar na sala para não quebrar algum objeto da sala com valores sentimentais e financeiros e acaba quebrando tudo de uma vez. Tenta consertar a arte com plano com ajuda do Cascão, mas a mãe descobre com a sua falta de atenção. Sensacional a cara do Cebolinha quando viu que quebrou tudo, muito hilária.

Se Cebolinha tivesse obedecido a mãe, nada disso teria acontecido, pior foi o prejuízo que deu aos pais. Foi muito divertido ver o Cebolinha se imaginando o "Cebolan, o Destruidor", uma paródia de "Conan, O Bárbaro". De fato, se tornou um destruidor, só que de móveis e aquário. Legal também o Cascão ameaçando contar para Dona Cebola só porque o Cebolinha queria diminuir as quantidades de figurinhas por ter achado ruim o trabalho de desenho dele.

A Dona Cebola tinha é que dar surra neles, pois só pintando parede os meninos ficaram se divertindo de super-heróis do que ser sacrifício pintar. Vai ver que ela só não bateu de chinelo porque não podia bater no Cascão por não ser mãe dele, a não ser fazer queixa para Dona Lurdinha de ter pintado os objetos na parede. Incrível também a Dona Cebola não desconfiar que aqueles desenhos na parede não eram os objetos da casa, absurdos que gostavam de colocar nas histórias.

Impublicável hoje em dia por conta de ter desobediência do filho com a mãe e, principalmente, a ameaça da Dona Cebola de bater no Cebolinha de chinelo. Na época era comum crianças apanharem de chinelo como castigo, mas na sociedade atual os pais não podem mais fazer isso e, consequentemente, cenas assim foram abolidas nas revistas. E mudariam até desenhos da televisão, colocando uma TV LED no lugar para dizer que é uma história atual e tirariam avental da Dona Cebola, por incrível que pareça.

Os traços ficaram sensacionais, foram um show a parte, principalmente vendo Cebolinha e Cascão musculosos como super-heróis, um estilo até diferente e difícil de se ver na MSP. A arte-final do Alvim Lacerda também deu charme a mais, gostava quando as histórias tinham arte assim. Dessa vez a Dona Cebola apareceu de vestido rosa em vez do vermelho tradicional, diferenciou e ela ficou bem assim.

FELIZ DIA DAS MÃES!!!

terça-feira, 4 de maio de 2021

Almanaque da Turma da Mônica Nº 1 - Panini

Nas bancas em abril de 2021 o 'Almanaque da Turma da Mônica Nº 1', o título de lançamento da MSP. Comprei esse almanaque e mostro como foi essa edição e conto as novidades dos almanaques após reiniciarem numeração da nova série.

Quando as revistas mensais reiniciaram numeração em março de 2021, também resolveram reiniciar os almanaques, que estavam no "Nº 85" em janeiro e fevereiro de 2021. Eles não reiniciaram almanaques em 2015 com a segunda série das mensais, deixando para fazer isso agora. Eu achei uma pena porque nunca vamos ver almanaques estampando "Nº 100" na capa e estavam bem próximos. Até hoje, só Mônica que conseguiu chegar ao "Nº 100" na Editora Globo, em 2004, e Cebolinha, Cascão e Chico Bento quase chegaram, mas tiveram que terminar no "Nº 96" em 2006 com a troca para a Editora Panini no ano seguinte.

Com o reiniciamento, os almanaques tiveram várias novidades. Passaram de 84 para 100 páginas e custando R$ 9,90 (antes custavam R$ 7,90). Todos tiveram selo de edição de lançamento, personalizados com cada personagem. O design das capas estão diferentes, com ar mais moderno, tiraram a moldura colorida grande e deixaram todos com bordas brancas e dando mais valorização ao desenho e sem personagem ao lado do logotipo, ficando expandido como nas antigas e em HD. Isso foi bom porque aquelas molduras estavam desde 1993 e já tinham dado o que falar. Também não mostram mais preço, códigos de barras, QR Code nas capas, ficando tudo isso nas contracapas. 

Capas dos Almanaques "Nº 1" (2021)

Agora, a mudança mais marcante, foi que agora os almanaques não tem mais lombada quadrada e todos são com formato canoa com grampos, a exemplo que aconteceram com as revistas mensais, que como todas têm agora 84 páginas, todas deviam ter lombadas. Desse jeito, ficaram com aspectos pobres, ar decadente, querendo economizar no custo das lombadas quadradas e nos almanaques mais estranhos vê-los assim, é como eu estar vendo almanaques antigos da Editora Abril como Gugu, Trapalhões, Menino Maluquinho, que de repente mudaram para canoa antes de serem cancelados de vez. 

As lombadas ajudavam na organização e deixavam as revistas retas, achava bem melhor. Nas revistas mensais, justificaram ser formato canoa porque os desenhos das capas se expandem com a contracapa, mas nos almanaques não tem isso. As contracapas são propagandas normais, um pouco ajustada para colocarem preços, códigos de barras, QR Code no rodapé de cada contracapa. Podiam ser pelo menos uma ilustração do personagem principal. Por isso não deu para entender tirarem as lombadas.

Capa não estende desenho com contracapa

Frontispícios na página 3 continuam, só que nenhum fez menção ao reiniciamento de numeração, só destaques a histórias de abertura. Com o aumento de páginas, aumentaram páginas de passatempos. Agora são 8 páginas de passatempo, antes eram 4. Como não tem outras seções extras como aconteceram nas revistas mensais que passaram de 68 para 84 páginas, até que almanaques tiveram mais páginas com histórias, de fato. Bem que podia ter seção de tirinhas clássicas no lugar de tantos passatempos.

Passatempos com novo layout

Continuam sem mostrar a fonte de quais edições as histórias originais saíram. Já que reiniciaram, podiam passar a colocar isso. Nos almanaques da Editora Abril e os da Globo entre 1996 a 2003 tinham, através de códigos. Na Panini não teve na primeira série de almanaques e perderam oportunidade de colocarem agora, infelizmente.

No expediente final não mostra a numeração real dos almanaques contando todas as editoras junto com a numeração atual como fizeram nas revistas atuais. Foi o apenas o Nº 1 atual. Esse da Turma da Mônica por ser lançamento, tudo bem, mas os outros podiam ter a numeração real, seria melhor.

Expediente final dos almanaque não mostram numeração real

A periodicidade dos almanaques continuam a mesma. Continuam bimestrais, com Mônica, Cebolinha e Cascão publicados nos meses ímpares e Magali e Chico Bento, nos meses pares. E foi lançado agora o 'Almanaque da Turma da Mônica' no lugar dos almanaques da Tina, Penadinho e Bidu & Mingau, que foram cancelados. Esses almanaques de secundários nos últimos anos, eram semestrais para cada personagem (Tina saía em fevereiro e agosto, Penadinho saía em abril e outubro, e Bidu & Mingau, em junho e dezembro) e no final das contas sempre eram 3 almanaques cada mês. Fora que outros secundários que também chegaram a ter almanaques por um período e foram cancelados há algum tempo. Então, resolveram cancelar todos que ainda existiam e criar um único almanaque com histórias só com secundários para diminuir títulos a serem produzidos e ficarem em circulação nas bancas.

Desses novos almanaques "Nº 1" comprei só esse da Turma da Mônica por ser novidade, já os outros não comprei, mesmo sendo Nº 1 por que não me agradaram como um todo ao folhear nas bancas. Todos com histórias só dos anos 2000, entre 2002 a 2006 (últimos da Globo), só Cebolinha que ainda teve uma ou outra do final dos anos 1990, os demais só anos 2000. Para ter uma ideia, histórias de aberturas da Mônica e Magali foram de 2005 e Cascão e Chico Bento, já estão em 2004! Só Cebolinha que foi 1999, sendo que já havia até sido republicada antes na própria Panini e miolo repleto de 2002 em diante.

Curioso que eu não tenho almanaque dos 5 personagens principais da Panini até hoje. Nenhum. As histórias dos anos 2000 não me interessam e quando republicavam histórias da Globo dos anos 1980 e 1990 eu já tenho as originais, fora os riscos de alterações em relação a originais a favor do politicamente correto. Como não comprei os outros, a resenha nesse post vai ser só desse 'Almanaque Turma da Mônica Nº 1'.

Capas do almanaques não tem mais lombada quadrada

Falando então sobre essa edição, a distribuição chegou aqui dia 23 de abril, poderia chegar junto com os almanaques da Magali e Chico Bento, mas chegou mais de 1 semana depois. A capa faz jus a uma edição "Nº 1" com alguns secundários que já tiveram almanaques cancelados vendo ilustrações ancestrais deles que estão chegando na caverna do Piteco. Pena Papa-Capim e Jurema apareceram de roupa, como nova ordem da MSP de modernizarem a tribo dele. O selo de lançamento foi com Milena, em outros tempos, fariam com o Mauricio de Sousa. O almanaque abre com frontispício dando destaque à história de abertura, com ilustração tirada da própria história, do estilo copiar/ colar ao invés de criar uma nova ilustração.

Frontispício da edição

Foram 17 histórias no total, incluindo a tirinha final. Todas as histórias são entre 2002 a 2006, as últimas da Editora Globo, assim como foram nos outros almanaques "Nº 1" de março e abril. As histórias dessa fase acho a maioria com desenhos feios, não tinham mais tanto capricho, com raras exceções embora ainda feitos a mão. Os roteiros até um ou outro pode agradar, mas os traços desse jeito acabam desanimando em ter.

Tiveram histórias de quase todos os núcleos de turmas de secundários do Mauricio, inclusive Horácio, e, além deles, ainda tiveram de alguns secundários da Turma do Limoeiro, como Jeremias e Anjinho. Só não teve história do Chico Bento entre os universos da MSP porque, provavelmente, é para ter histórias com quem não tem revista mensal fixa própria e, aí só apareceria se fizesse figuração em alguma história de crossover com outro personagem. Pode ser que nas outras edições coloquem alguma curta do Chico, quem sabe tirinha final, pelo menos.

A presença de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali foram só nas histórias do Mingau e Anjinho e curioso que eles eram secundários nas tramas, o protagonismo eram dos amigos da turma, isso ficou interessante. Só a tirinha final que teve protagonismo da Mônica, até porque maioria das tirinhas eram dos personagens principais de cada revista. Ainda assim, se pesquisassem melhor encontrariam alguma com Bidu, Penadinho, Anjinho, por exemplo. Nessa edição, então, teve histórias com Mingau, Penadinho, Jeremias, Papa-Capim, Teveluisão, Turma da Mata, Horácio, Rolo, Astronauta, Dona Morte, Piteco e Bidu. 

Alguns núcleos tiveram mais de uma história na edição. Turma da Mata tiveram 2, sendo uma com a turma toda e protagonizada pelo Jotalhão e outra só com Coelho Caolho. Turma do Penadinho tiveram 2, sendo uma protagonizada pelo Penadinho e presença dos outros do seu núcleo,  e a outra só com a Dona Morte. E o Bidu teve 3 histórias, sendo 2 delas com o Zé Esquecido. Histórias mudas foram só 2, uma com Bidu e outra com Horácio. Eram bem comuns nas revistas dos anos 2000 encherem de histórias mudas longas, pelo menos nessa edição foram poucas. No Almanaque da Magali, por exemplo, encheram de histórias mudas assim.

Analisando algumas histórias, a de abertura foi "Rabo de lagartixa" do Mingau, tirada de 'Magali Nº 347', de 2002. Nela, Mingau, cansado de ser puxado pelo rabo, prega peça na Magali e seus pais, fazendo com que eles pensam que arrancaram o rabo quando puxam, igual quando segura uma lagartixa pelo rabo. É até engraçadinha a história, tem também seus momentos educativos, não gosto mesmo são dos traços assim com direito de tracinho da curva dos olhos saírem do rosto quando estão assustados e Mingau com dente de fora o tempo todo.

Pode notar que mesmo sendo história do Mingau, teve a presença da Magali da Turma do Limoeiro, só que como secundária. Acho que tendência nos próximos números começarem com algum personagem secundário do Limoeiro para ter presença de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali na abertura, mesmo que de forma secundária.

Trecho da HQ "Rabo de lagartixa" (2002)

Papa-Capim teve presença em "Todo mundo vai entrar na dança" ('Parque da Mônica Nº 142', de 2004) em que Pajé, Papa-Capim e os outros índios fazem dança da chuva para conter a seca na tribo. Uma coisa que não dá pra entender que agora colocaram roupa no personagem e modernizaram a tribo dele, mas nos almanaques pode aparecer sem roupa, não fazem alteração. Interessante que todos os novos  almanaques Nº 1" tiveram histórias dele e sem alterações. Se pode nos almanaques, poderia nas mensais tranquilo. Hoje, Papa-Capim está praticamente um personagem esquecido nas revistas mensais novas, colocando Os Amazônicos no seu lugar e os indiozinhos desse núcleo aparecem sem roupa. Sem noção.

Trecho da HQ "Todo mundo vai entrar na dança" (2004)

Teveluisão foi a grande surpresa de colocarem história dele. Já estava sumido na época e aparecia só de vez em quando, bem raramente. Na história "Tantas opções" ('Parque da Mônica Nº 140' , de 2004), Teveluisão fica deslumbrado com a TV por assinatura na sua casa, várias opções de canais que aí que não saía mais de casa. Apareceu só ele, foi um monólogo com ele e bem divertida. Os grandes personagens e mais carismáticos conseguem fazer graça sozinho. Até os traços ficaram bons nessa, para mim foi a melhor da edição. 

Porém, teve alteração na televisão, em vez de colocarem uma TV tubo, redesenharam a história toda mudando para uma TV LCD para ficar mais atual, fora que mudaram toda a colorização da história, desde cor do título até mudança de sofá roxo para verde, cor da calça do Teveluisão de branca para verde e alguns fundos do cenário, por exemplo. Incrível que hoje até com TV de tubo implicam e fazem alterações, chega ser bizarro. Parece que foi a única mudança nesse almanaque, pode ter tido outros em relação a colorização, mas a de mais grave com certeza foi essa da televisão. Lembrando que histórias de qualquer época podem ser alteradas, não é porque é anos 2000 e aparentemente não ter coisas incorretas que não iam mudar, sempre implicam com alguma coisa, já tiveram histórias da Panini de almanaques alteradas.

Comparação da HQ "Tantas opções" (2004): alterações de desenho TV tubo para LED e de cores 

Destaque também para Jeremias com "Revista de super-herói" ('Cebolinha Nº 239', de 2006) em que ele se sente verdadeiro super-herói quando lê seus gibis. Nessa o Titi aparece de bermuda grande por ser da fase da Turma do Bermudão.  Turma da Mata com "Os lenhadores noturnos" (Mônica Nº 229, de 2005), em que o Jotalhão não consegue dormir com um barulho grande, pensando que estão serrando madeira na mata. A outra do Coelho Caolho, "Não falta nenhum!" ('Mônica Nº 244', de 2006) com ele com dificuldade de contar os filhos enquanto faziam atividades. E em "O esquecidinho" ('Cascão Nº 418', de 2003), Bidu apresenta o Zé Esquecido ao Duque e Zé esquecido esquece de como sumiu por tanto tempo. Essa parece ser a volta do personagens às histórias do Bidu, com eles voltando a se contracenar, na verdade, ele aparecia em tiras de jornais dos anos 1970, mas em gibis normais nunca havia aparecido até então.

Trecho da HQ "Os lenhadores noturnos" (2005)

As outras histórias achei mais simples,. foram mais curtas, típicas de miolo, consideradas mais normais para os padrões da sua época. O almanaque termina com a história "Focinho para baixo, queixo para cima" em que o Zé Esquecido fica no dilema se deve andar olhando para baixo ou olhando para cima e Bidu e outros cachorros cada um ficam dando conselho diferente e o Zé Esquecido acabava se dando mal. Essa foi legal. E uma tirinha final muda com a Mônica.

Trecho da HQ "Focinho para baixo, queixo para cima" 

Como podem ver, almanaques ficaram mais pobres sem lombada quadrada e bem caros, excesso de passatempos, podiam ter ter fonte de quais gibis saíram as histórias originais e ter histórias mais antigas, nem que fosse uma como uma "seção nostalgia" colocando uma antiga da Editora Abril ou ter tiras de ornai clássicas de todos os tempos. A tendência é permanecer assim para depois colocarem histórias da própria Panini. Ponto positivo pelo design de capa, tirando aquelas molduras que desvalorizavam as ilustrações. Foi boa a ideia de ter esse 'Almanaque da Turma da Mônica' bimestral só com secundários, embora gostava dos títulos individuais para cada personagem. A edição foi regular, se as histórias fossem mais antigas, seria melhor. Comprei por ser verdadeira "Nº 1". Fica a dica. E vamos ver se esse título continuará nesse estilo nas próximas edições, principalmente não dando destaque a Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e Chico Bento como foi nessa.