domingo, 17 de maio de 2026

Top 5 Melhores Traços da Turma da Mônica

A MSP ao longo da sua trajetória tiveram excelentes traços variados nos desenhos das histórias que encantaram os leitores. Nessa postagem eu mostro um "TOP 5" com os traços que eu mais gostei de todos os tempos.

MSP sempre teve como base até 2 tipos de traços. Os originais com personagens com bochechas pontiagudas criados pelo Mauricio de Sousa nos anos 1960 e 1970 e os da fase consagrada que presenciamos nas capas dos gibis passaram a ser os oficiais ao longo dos anos 1980. E em cima desses traços, os desenhistas e arte-finalistas tinham liberdade para variar como quisessem e como achavam que ficaria melhor de acordo com o roteiro e sem perder a essência do Mauricio.

Tiveram, assim, vários desenhos espetaculares e em cada gibi dos mais variados estilos, dos simples aos desenvolvidos, atendendo a todos os gostos. Eu particularmente gosto de todos os traços até os anos 1990, o que pode alguns serem menos atraentes do que outros, principalmente os de segunda linha em histórias de miolo, mas mesmo esses menos atraentes tinham seu charme merecido. 

Então, mostro a seguir os 5 melhores que gostei, em cada estilo destaquei trechos de duas histórias e com personagens da Turma da Mônica ou "Turma do Limoeiro" para servir melhor de comparação, lembrando que todos núcleos secundários também tiveram todas as versões de traços e ficavam muito bons também.

5º LUGAR:

Os desenhos de José Márcio Nicolosi eram um show à parte. Derivado dos personagens com bochechas pontiagudas dos anos 1970, os desenhos dele tinham detalhes e ângulos diferentes e ele gostava de colocar toda a sequência de um movimento longo de personagens sem serem divididos com quadros e já dava um diferencial do estilo da época. E ainda costumava ter arte-final do Alvin Lacerda, com contornos únicos que ficavam melhores ainda. Traços assim ficaram nos gibis entre 1977 a 1979. 

Nessa história de miolo "A campeã", de 'Mônica Nº 96' (Ed. Abril, 1978), exemplifica bem o estilo de traços dele de brincar com o movimento da Mônica no skate, mostrando todo o trajeto que ela fez em vários ângulos e retratando o medo dela de cair. E ainda ficava uma mistura de personagens com bochechas pontiagudas e com corpo rechonchudo. Muito bom.

HQ "A campeã" - 'Mônica Nº 96' (Ed. Abril, 1978)

Outro exemplo é da história "Baile à fantasia", de Mônica Nº 97' (Ed. Abril, 1978), que era de abertura e tinham quadros normais misturado com cenas sem quadros. Quando tinham quadros tinham uma estruturação diferente, podendo ser de diversos tamanhos e quadros em diferentes formatos, podendo ser redondos. losangos em vez dos tradicionais quadrados ou retangulares. E juntando a arte-final de Alvin Lacerda ficou espetacular.

Trecho da HQ "Baile à fantasia" - Mônica Nº 97' (Ed. Abril, 1978)

4º LUGAR:

Os traços denominados "superfofinhos" da Emy Acosta eram excelentes. Nesse estilo, os personagens ficavam fofos em excesso, vários ângulos e expressões deles diferentes, formatos de balões diferenciados em figuras geométricas. O estilo superfofinhos foi determinante para a transição dos personagens pontiagudos para a versão consagrada dos anos 1980. Entre 1970 a 1977 já teve mudanças bem graduais que os leitores nem percebiam, mas para deixarem com bochechas redondas como conhecemos ia demorar, aí resolveram arredondar em exagero, em excesso, para depois diminuir arredondamento no ponto que queriam, sem ser de forma abrupta e que cause estranhamento e deu certo. Traços assim ficaram nos gibis também entre 1977 a 1979 e a história "No mundo de Romeu e Julieta", de 1978, é a mais conhecida com esse estilo.

Nessa história "A nuvenzinha do amor", de 'Cebolinha Nº 68' (Ed. Abril, 1978), vemos os personagens bem redondos e vários formatos de quadros, podendo até a grama ter um formato arredondado quando quadros eram brancos sem linhas. Muito lindos esses desenhos.

Trecho da HQ "A nuvenzinha do amor" - 'Cebolinha Nº 68' (Ed. Abril, 1978)

Já na história "Fofocas mil"de 'Cebolinha Nº 73' (Ed. Abril, 1979), os personagens estão superfofinhos e nesse trecho os quadros todos em formatos diferentes, podendo ter curvas, nenhum quadro do tradicional quadrado ou retangular. Os quadros interagiam com a cena, era perfeito.

Trecho da HQ "Fofocas mil" - 'Cebolinha Nº 73' (Ed. Abril, 1979)

3º LUGAR:

A arte-final de Alvin Lacerda nos anos 1980 deixava um diferencial muito bom. Já com base no estilo consagrado de personagens, quando tinham histórias com arte-final do Alvin ficavam incríveis. Nem dava para saber que duas histórias desenhadas por mesmo roteirista e com arte-final diferentes eram do mesmo desenhista. O Alvin Lacerda deixava contornos mais profissionais, um ar sombrio, que só de olhar já dava pra saber que a arte era dele. Traços dele funcionavam bem tanto em histórias de abertura quanto de miolo e histórias da Turma do Penadinho e da Turma do Papa-Capim também ficavam muito bem com arte-final dele. Alvin ficou na MSP desde o início e podia ver traços dele até no começo dos anos 2000, quando se aposentou.

Nessa história de miolo "A fitinha", de Mônica Nº 176' (Ed. Abril, 1984) já com base na fase de traços consagrados dos personagens, vemos o estilo de arte-final do Alvin Lacerda, contornos únicos, e que se tivesse contornos de outro arte-finalista e com os mesmos desenhos já ficaria diferente. Adorava traços assim.

Trecho da HQ "A fitinha" - 'Mônica Nº 176' (Ed. Abril, 1984)

Já na história de abertura de "O terrível plano olharis tremendus minhocais", de 'Cebolinha Nº 157' (Ed. Abril, 1986) também vemos contornos espetaculares e únicos mesmo em cenários simples e ao mesmo tempo dava movimento. Como gosto mais de simplicidade com as variações de traços personagens, esses traços para mim ficam como 3º lugar.

Trecho da HQ "O terrível plano olharis tremendus minhocais" - 'Cebolinha Nº 157' (Ed. Abril, 1986)

2º LUGAR:

Os traços de Rosana Munhoz eram lindos, deixavam os personagens fofinhos, mas não superfofinhos dos anos 1970. Ela iniciou na MSP como desenhista e depois passou para o roteiro, mas depois disso de vez em quando ainda desenhava, normalmente em algumas histórias escritas por ela. Desenhos dela já foram como base da fase  consagrada e em histórias com grandes cenários eram ricos em detalhes que davam gosto de ver. Desenhos dela também ficavam muito bem em histórias da Turma do Penadinho e da Turma do Penadinho.

Nessa história "A fome", de 'Cascão Nº 70' (Ed. Globo, 1989), foi de cenários simples, com base de desenhos da fase  consagrada com destaques para os personagens bem fofos e ângulos bem variados. Muito bonito, ficou fofinho dos anos 1980.

Trecho da HQ "A fome" - 'Cascão Nº 70' (Ed. Globo, 1989)

Já em "Sapatinho vermelho", de 'Magali Nº 7' (Ed. Globo, 1989), de fábula e também em cenários simples, vemos uma bruxa bem gordinha e um quadro da Magali fofinha em movimento, dançando com os sapatinhos mágicos que recebeu da bruxa. Traços fofinhos exatamente desse jeito ficaram com frequência entre 1986 a 1989.

Trecho da HQ "Sapatinho vermelho" - 'Magali Nº 7' (Ed. Globo, 1989)

1º LUGAR:

Os desenhos da fase consagrada são o que prevaleceram nos gibis, vistos em maior quantidade e esse estilo de traços considero o melhor. Esse estilo desenhado por Sidnei Lozano Salustre, o Sidão, com destaque a personagens com pernas mais gordinhas, com curvas nos olhos e de preferência sem fundo branco para expressar que estavam com muita raiva ou muito tristes, personagens de perfil em muitos quadros, falando com dentes à mostra e um andar diferente com mãos esticadas. Traços assim ficaram com frequência entre 1990 até parte de 1993.

Nessa história "Crochetando", de 'Mônica Nº 58' (Ed. Globo, 1991), com a fase consagrada, vemos um cenário simples, Cebolinha e Cascão com curvas nos olhos quando estavam com raiva sem preencher o contorno normal dos olhos e sem fundo branco, Cebolinha falando com dentes à mostra quando estava planejando aprontar com a Mônica e Cascão com andar com braços esticados e pernas mais grossas. Muito bom assim.  

Trecho da HQ "Crochetando", de 'Mônica Nº 58' (Ed. Globo, 1991)

Já nesse trecho da história "As manicures", de 'Magali Nº 61' (Ed. Globo, 1991), os personagens ficaram com olhos do estilo tradicional com fundo branco e sem curvas, mas mostra eles mais gordinhos nas pernas, Mônica andando com braços esticados, Cascão falando com dentes à mostra quando ficou surpreso que tinha que deixar as mãos de molho com água e sabão para cortar a unha no 2º quadro da página 11, e Cebolinha, a partir do 6º quadro da página 11. Sidão arrebentava. Ficava encantado com esses traços e para mim o primeiro lugar de todos os tempos.

Trecho da HQ "As manicures", de 'Magali Nº 61' (Ed. Globo, 1991)

Coloquei na postagem a ordem que eu achei de melhores desenhos, apesar dos traços do Nicolosi e da Emy serem maravilhosos, mas como prevaleceu o estilo da fase consagrada nos gibis, mais acostumados com eles, e eu gostar mais de traços com cenários simples, o meu "TOP 5" ficou assim, cada um vai ter os seus traços preferidos. Fora esses, tiveram outros traços tão bons quanto estes que ficaram de fora da postagem por ter sido apenas os 5 melhores, aí merecem também de destaques de artistas como arte-finalistas Sergio Tibúrcio Graciano, Kazuo Yamassaki, Carlos Alberto Pereira (Beto), desenhistas Olga Ogasawara Yuhara, Julio Cesar Mauricio (Julinho), Aluir Amâncio nas histórias da Turma da Tina,e tantos outros que marcaram a MSP. Posso depois fazer postagens com histórico de traços, foram tantos variados que precisa de uma postagem por década e em breve posto outro "Top 5" no Blog

7 comentários:

  1. Agora vc arrembetou Marcos esse top 5 ficou top 👏👏👏👏👏gosto dos traços do Nicolosi e da Emy mais concordo com vc os traços da década de 90 mais simples, não tão fofinhos eu acho melhor.

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    1. Obrigado, Drico. De fato sensacionais traços do Nicolosi e da Emy, valem muito pra diferenciar os estilos e sair do padrão, mas nada como a simplicidade dos traços dos anos 90 e seguindo o estilo clássico, foram os mais usados e se acostumamos com eles.

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  2. Traços tops! E o memorável estilo fofinho como responsável pelo arredondamento dos personagens. Sem falar no⁠ ⁠☞estilo fofinho noventista☜, que não foi tão marcante quanto o original, mas, tem sim, óbvio, seu valor, tem seu lugar na trajetória dos traços da MSP antes desta resolver colocar a questão visual em segundo plano e, mais recentemente, foi fixada no terceiro plano - junto à nova gestão vem a promessa de elevar os traços a ⁠☞algo inovador☜, quero só ver...

    Conheço todas as HQs dos trechos* exibidos nesta postagem, exceto a das duas como manicures.
    *A do skate, curtinha, exibida integralmente. Com Mônica de calcinha rosa, mudando para branca; brilho exótico no cabelo da Magali; Xaveco e Cascão conectados pelas camisas no segundo e último quadro em que ambos aparecem.

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    1. Um mais lindo que o outro e foi bem interessante isso os superfofinhos serem fundamentais para arredondamento dos personagens da fase consagrada. Agora este estilo vai ser rebaixado a terceiro plano, bem observado, querem apostar em modernidade.

      Essa das manicures da Magali é engraçada demais, quando der, posto aqui. Todas aí são muito boas e com o tempo devo postar todas completas, foram só trechos pra poder destacar os traços e algumas delas só eram usados em histórias de abertura. Por isso a do skate a única completa delas.

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  3. Traços íncriveis, de fato. Dá orgulho e alegria de ver (especialmente para os profissionais, posso imaginar). Acho que meu favorito é o da Rosana, sem surpresa nenhuma. Gostaria que pudessem manter assim até hoje.

    Pena que dizem que tudo que é bom demais um dia acaba... depois veio a decadência gradual, até chegar ao que se encontra hoje. Eu achava que não tinha nada pior do que aqueles traços PC, mas esses novos em lançamento conseguiram superar... que coisa é aquela, na boa? Ah, já dizia minha avó ''nada é tão ruim que não possa piorar''.

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    1. Todos muitos caprichados, tudo feito a mão, esses profissionais tinham gosto do que faziam. Bom que depois dessas a mudança foi gradual pra ainda ter um tempo de ver traços bonitos a aceitáveis. E pior que a cada mudança fica mais decadente, quem diria ter saudades dos traços de PC e conseguiram lançar estilo ainda pior. Vamos ver se esses novos serão temporários ou fixos.

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  4. Todos os traços listados são incríveis e com certeza tenho saudades de todos. Aliás, Marcos, não sei se você viu que os traços dos gibis vão mudar nessa nova fase da Panini, variando de acordo com o estilo do desenhista. A princípio acho ótimo e espero (apesar de não acompanhar os novos gibis) que venham traços, se não tão bons quanto os antigos, pelo menos melhores que os que se viam até então.

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