Dia primeiro de maio é o "Dia do Trabalhador" e em homenagem mostro uma história em que o cascão trabalha como vendedor de gibis usados para conseguir dinheiro para comprar uma bola da loja. Com 7 páginas, foi história de abertura de 'Cascão Nº 78' (Ed. Globo, 1990).
![]() |
| Capa de 'Cascão Nº 78' (Ed. Globo, 1990) |
Cascão vê uma bola na loja, pede para os pais comprarem e eles alegam que estão sem dinheiro. Depois, Cascão vê uma um homem vendendo revistas usadas e tem ideia de vender seus gibis velhos e acha que vai faturar uma nota com eles. Assim, leva os gibis para a rua pra vender e espera seus fregueses.
Aparece uma menina e Cascão diz que está vendendo gibis usados por apenas cinquenta centavos cada um, na banca, qualquer gibi não sai por menos de 2 Cruzados, que estão quase novos, não tem rasgos nem páginas faltando e pergunta se ela gostou e quantos gibis ela vai levar e ela responde que gostou, mas vai levar nenhum porque não sabe ler. Cascão comenta que tem que ver com quem desperdiça sua genial tática de venda.
Em seguida, chega Titi comentando sobre o negócio novo do Cascão, pega um gibi, Cascão pergunta se gostou desse e se vai comprar. Titi diz que não sabe, tem que examinar bem para saber se vale a pena, aí ele lê, ri , chega até sentar para ler e depois devolve o gibi, dizendo que não vai levar porque já leu tudo, fazendo Cascão de burro.
Depois, Cebolinha aparece perguntando pela novidade e Cascão trata com grosseria, grita que ele está vendendo gibis, perguntando se não sabe ler. Cebolinha deduz que o negócio vai mal, Cascão comenta que ainda vendeu nenhum gibi e se continuar assim, nunca vai conseguir juntar dinheiro para comprar a bola de capotão. Cebolinha resolve comprar um gibi dele e escolhe o número 1 do "Batimão". Cascão fala que esse gibi é de estimação e não pode vender.
Cebolinha, então, escolhe um do "Home-Aranho" e Cascão não pode vender porque tem a história do Home-Aranho contra o Siri Verde. Cebolinha escolhe outro e Cascão fala que é edição comemorativa, tem as melhores histórias do "Rato Ronald", não pode ficar sem ele. Cebolinha sugere para Cascão escolher quais gibis ele pode comprar. Cascão demora a selecionar e Cascão separa só o gibi do Ursinho Bilu e isso porque ele tem repetido. Cebolinha joga o gibi no chão e não quer isso e dar a real para o Cascão que vai conseguir vender nada, desse jeito.
Cascão tem uma ideia e passa a fazer aluguel de gibis, ler qualquer um por dez centavos a hora. A turma toda se empolga e aluga os gibis, sendo um sucesso. Depois, Cascão fica feliz que conseguiu juntar o dinheiro que precisava e ainda ficar com todos os gibis. Quando vai comprar a bola, encontra o vendedor de revistas usadas no caminho e no final, chegando em casa, avisa para o pai para comprar a bola de capotão para ele no mês que vem porque gastou todo o dinheiro com gibis.
História legal em que o Cascão queria vender os gibis da coleção dele para comprar uma bola que viu na loja, mas não conseguiu, primeiro porque sofreu com fregueses inconvenientes, não contava que a menina não sabia ler, e Titi sacana de fazer o Cascão de burro, dizer que estava folheando, conferindo detalhes, mas estava lendo sem pagar. Cascão também nem para desconfiar que ele estava lendo pela demora de examinar. São perrengues que vendedores podem passar.
Problema maior foi o Cascão não querer se desapegar dos seus gibis, todos eram de estimação. A solução foi alugar os gibis, pagando por hora de leitura, só que o dinheiro que ganhou o aluguel, gastou tudo em gibis no lugar da bola que queria. Ele devia ter visto primeiro em casa quais gibis podiam ser vendidos ou não, evitaria problemas com os fregueses, pelo menos teve ideia boa de alugar seus gibis e não ficou sem eles. Cebolinha teve boa vontade de ajudar, cascão que não colaborou em vender.
Com uma coleção de gibis grande de dar inveja, cheia de raridades, não merecia serem vendidos e se desfazer deles por causa de uma bola. Não tinha dinheiro para comprar brinquedos, mas para gibis, tinha. Sua paixão por gibis tão grande que preferiu aumentar sua coleção com vendedor de revistas usadas do que comprar a bola, colecionismo em primeiro lugar.
Engraçado ver os sufocos do Cascão para vender os gibis, dizer que tem que ver com quem desperdiça sua genial tática de venda, se imaginando com orelha de burro por ter sido passado por trás pelo Titi que leu antes de comprar, o cabelo ficar arrepiado de só imaginar que iria perder edições raras se fossem vendidas, escolher para o Cebolinha só o gibi do Ursinho Bilu, isso porque era repetido, e Cebolinha jogar no chão porque não queria aquela porcaria. As paródias usadas foram um show à parte, Batman, Homem-Aranha e Mandrake como "Batimão", "Home-Aranho", "Pandrake", respectivamente, e teve até do Pato Donald como "Rato Ronald". Personagens da Disney não costumavam aparecer fisicamente, mas costumavam ter nomes parodiados nas histórias, não deixavam de ser homenagens também.
Primeira vez que foi citado o Ursinho Bilu nas histórias. Depois com o tempo, passou a ser o ursinho oficial de personagem de desenho animado que as crianças da turma gostavam. Curioso que eles não iam à escola na época, mas sabiam ler e escrever tranquilamente e até melhor quem ia á escola, absurdos bons de histórias em quadrinhos. "Cruzado Novo" era a moeda do Brasil na época, porém muitos chamavam só de "Cruzado", pois "Cruzado Novo" foi só dividir por mil o valor do "Cruzado" para diminuir os zeros dos preços, interferiu em nada na hiperinflação da época.
Além de divertir muito, mostrou situações de colecionadores na vida real que não conseguem desapegar dos gibis ou de coleções em geral, sabem que se desfazer, vai se arrepender depois de não ter mais as raridades. E também mais uma vez a característica do Cascão representado como o mais pobrezinho da turma e que ele trabalhava como vendedor ou engraxate para ter dinheiro pra comprar o que queria, eram boas histórias dele assim. Incorreta atualmente por mostrar criança trabalhando como vendedor, inadmissível isso hoje em dia, assim como Cascão ser comparado por burro com orelha, Dona Lurdinha de avental e lavando louça dando ideia que é dona-de-casa, e a palavra proibida "Droga!".
Traços ficaram muito bonitos e caprichados. Colorização eu também gostava assim clara e em tons pasteis. Eram comuns histórias curtas na abertura, alternando com histórias mais desenvolvidas em edições seguintes, até em gibis da Mônica e Cebolinha, com mais páginas, e, com isso, não terem padronização de estilos de histórias. Tiveram erros como Cascão de língua branca no penúltimo quadro da primeira página, Cascão falando de boca fechada no penúltimo quadro da penúltima página e Seu Antenor com sujeirinhas no penúltimo quadro da última página.
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
.jpg)
Que vendedorzinho esquizofrênico... Protagonista não é o Chico Bento, mas, mandaria tomar no olho da goiaba se eu fosse o Cebolinha. Também não conta com a ilustre participação de Penadinho, porém, depois baixou-lhe o espírito empreendedor. Locadora de gibis, boa! Comparada à pernada do Titi e, Cebolinha, que foi tirado de panaca, os locatários não foram feitos de otários nem o locador passou por trouxa - passou antes, com o dentuço, no entanto, a rasteira ocorreu em outro modelo de negócio.
ResponderExcluirAo contrário da "versãozinha feminina do Dudu", me encantei por histórias em quadrinhos quando ainda era "anarfa".
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirAgora eu comprei um acesso de um colecionador no Facebook de milhares de gibis antigos em formato digital. Tem da Marvel, Disney, Turma da Mônica infantil e Jovem, Chico Moço, Tex, Luluzinha, Chaves e Chapolim, Asterix e Obelix... enfim, milhares mesmo por R$ 39,90. Uma verdadeira banca em meu tablet. Vou levar anos para ler tudo. O nome dele é Tiago.
ResponderExcluir