Magali completou 60 anos de criação em 2024 e a MSP lançou um livro especial comemorativo. Nessa postagem faço review de como foi e o que achei desse livro.
Magali foi criada em 11 de janeiro de 1964 em uma tirinha do jornal "Folha de São Paulo" e como de costume fazem edições especiais para comemorar a data de aniversários redondos de personagens protagonistas. Todos tiveram seus livros especiais de 50 anos e nessa coleção "60 Anos", Mônica, Cebolinha e Magali tiveram seus livros e só Cascão e Chico Bento passaram em branco, nada de especiais quando fizeram 60 anos em 2021.
O Livro 'Magali 60 Anos' foi lançado em setembro de 2024 pela Editora Panini vendido em livrarias físicas, bancas de jornais e sites na internet. Com 162 páginas, e, diferente dos livros 60 Anos de Mônica e Cebolinha, esse da Magali não teve capa dura, foi com capa cartonada com verniz, papel interno tipo off-set bem fino e custando R$ 44,90, mais barato que uma capa dura como da Mônica, que foi R$ 89,90. Preferiram uma capa mais simples para baratear custos, só que não segue um padrão, já que os outros dois foram capa dura, o da Magali devia ser também, fica até desmerecendo a personagem de não ter importância. Livro ficou muito flexível assim. Ideal mesmo era esses livros terem duas versões de capas, dura ou cartonada, e o leitor escolheria qual seria mais conveniente comprar. Na internet é possível encontrar preço mais barato de capa, eu comprei só um ano depois, e setembro de 2025, pagando R$ 32,00 só que o frete de R$ 10,00 não ficou muita diferença de preço normal.
A capa não foi uma lustração nova, simplesmente pegaram a ilustração da capa do gibi da Magali Nº 1' da Editora Panini de 2007, mudaram fundo e colocaram efeitos de sementes de melancia caindo e pronto. Não gostei. Por ser uma edição especial merecia uma ilustração nova criada especialmente para ela. 'Mônica 60 Anos' também não teve ilustração nova, só 'Cebolinha 60 Anos' que teve uma ilustração bonita e digna de um livro especial.
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| Capa de 'Magali Nº 1' (Ed. Panini, 2007) |
Como foi uma capa cartonada, o logotipo da capa ficou sem efeito dourado como nos outros livros "60 anos" de capa dura, a lombada, também sem feito dourado e sem logotipo da Magali oficial. E o livro teve um brinde de marcador de página com ilustração da Magali Nº 1 da Globo de 1989. Também não tiveram brindes nos outros livros "60 Anos", foi diferencial.
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| Brinde de marcador de páginas |
O livro abre com frontispício imitando estilo de uma receita culinária e com uma ilustração nova da Magali como mestre-cuca. Gostei, ficou bem criativo e sem ficar mostrando só um texto simples falando sobre o livro e dizer que são histórias de outras épocas e não fazem mais histórias incorretas daquele jeito. No mesmo frontispício ainda teve índice de títulos de histórias e páginas que se encontram, coisa que não teve em outros livros comemorativos, foi bom também. Sendo que colocaram um "g" ao lado do número de páginas para representaram como gramas dos ingredientes que a receita tem.
Em seguida, vem as histórias, deixando extras com as curiosidades da Magali no final do livro. A relação das histórias publicadas nele, com o número da edição e ano de cada foram essas:
- "O peso da Magali" (MN # 5 - Ed. Abril, 1970)
- "Magalancia" (MN # 135 - Ed. Abril, 1981)
- "A menina e a Lua" (MG # 1 - Ed. Globo, 1989)
- "O controlador de apetite" (MG # 3 - Ed. Globo, 1989)
- "A mão errada" (MG # 11 - Ed. Globo, 1989)
- "Meu reino por um sorvete" (MG # 17 - Ed. Globo, 1990)
- "Brincando com a Magali" (MG # 41 - Ed. Globo, 1991)
- "A vice-dona da rua" (MG # 103 - Ed. Globo, 1993)
- "A hora da fome" (MG # 116 - Ed. Globo, 1993)
- "O que eu sou, afinal?" (MG # 124 - Ed. Globo, 1994)
- "Lalá, a lagosta" (MG # 194 - Ed. Globo, 1996)
- "Magalinha morena" (MG # 273 - Ed. Globo, 1999)
- "Comendo fora" (MG # 316 - Ed. Globo, 2001)
- "Pedido de aniversário" (MG # 336 - Ed. Globo, 2002)
- "Meu bolo é de bruxa?" (MG # 371 - Ed. Globo, 2004)
- Tirinha (MG # 2 - Ed. Globo, 1989)
Pode perceber que praticamente não tiveram histórias da Editora Abril, reservando só 9 páginas do livro com apenas uma história dos anos 1970 e uma dos anos 1980. Uma pena a fase da Abril praticamente esquecida, Magali estrelou histórias nessa fase que davam pra colocar, como as de de miolo dos anos 1980 com 3 a 4 páginas que davam para estar. Com isso, deixaram de mostrar diferenças de traços de todos os tempos, até estilo superfofinho entre 1977 a 1979 que marcou época ficou de fora.
De Anos 1970, foi representada pela história "O peso da Magali", escrita pelo Mauricio de Sousa, em que Magali descobre que é muito magrinha e a Mônica tenta ajudá-la só que do seu jeito. Primeira história da Magali nos gibis e com foco na característica de que ela come, come e continua magrinha sem aumentar um grama sequer. E representa os traços iniciais do Mauricio, bem simples e com personagens com bochechas pontiagudas.
De Anos 1980 da Editora Abril ficou representada pela história "Magalancia" em que a Mônica pensa que a Magali virou melancia por viver comendo muito a fruta. Representa um estilo de traços fofinhos típicos do ano de 1981, uma variação do superfofinho de 1977 a 1979, só que sem tantos exageros. Porém, tantos outros estilos de traços de anos 1980 da Editora Abril excelentes ficaram de fora por terem colocado só essa dos anos 1980 da editora.
Depois dessa, já pula para Editora Globo de 1989, com 3 histórias daquele ano, ocupando 24 páginas do livro. "A menina e a Lua", representando história de fábula, em que Magali conta uma história de uma menina que foi parar na Lua porque pensava que era feita de queijo. Teve a clássica "O controlador de apetite" em que a Magali toma um estimulador de apetite por engano fornecido pelo médico e ela passa a ter uma fome incontrolável comendo até árvores e o próprio gibi. E a outra de 1989, "A mão errada", mostrando a característica de que Magali é canhota e problema de habilidade de escrever e manusear com a mão direita.
A década de 1990 prevaleceu no livro, foram 7 histórias republicadas, reservando 67 páginas do livro. Aí de 1990 tem história "Meu reino por um sorvete", de fábula, em que a princesa de um reino, interpretada pela Magali, fica encantada por conhecer e tomar sorvete que não tinha no seu reino e como era muito longe para conseguir tomar de novo, resolve viajar escondida para lá e tomar todos os sorvetes que quisesse.
Em seguida, vem "Brincando com a Magali" em que Magali pensa em comida em todas as brincadeiras com as meninas. Representa histórias que Magali ser influenciável e não pensa em outra coisa sem ser comida. Teve presença da Denise da fase que era apenas secundária e aparecia diferente a cada história e sem personalidade alguma, ela foi a menina loira dessa vez. Depois vem "A-Vice Dona da Rua" em que a Mônica vai viajar e deixa a Magali como vice-dona da rua e ela faz os meninos trabalharem para deixar a rua limpa e preservada, Nessa, Magali sem querer se saiu uma grande prefeita, dando exemplos a vários prefeitos e governantes da vida real com o que realmente deviam se preocupar.
Em "A hora da fome", mostra o que acontece dentro do corpo da Magali quando ela come alguma coisa. Tudo indica que foi escrita pelo Flavio Teixeira de Jesus e representa traços do estilo de língua ocupando mais espaço da boca marcante dos anos 1990 para dar mais humor. Nunca gostei muito dessa história, a Magali quase não aparece já que é focado nos diálogos dos órgãos dela, comandado pelo cérebro e interação dele com nariz, fígado, estômago, esôfago, intestino delgado etc, ficou parecendo aula de aparelho digestivo só que sem ser tão didático. Até que é humorada, se fosse produzida hoje seria extremamente didática, mas tem histórias de 1993 bem melhores que essa e que ficaram de fora.
Em "O que sou, afinal?" mostrou outra história da Magali como canhota. Acho que duas assim do mesmo tempo foi sem sentido, uma já estava boa. Na verdade, foram só essas duas que mostraram como canhota, podia ter sido uma característica mais explorada nas histórias dela. Teve também "Lalá, a Logosta" em que a Magali leva uma lagosta viva do restaurante para casa com pena de ela ir parar na panela. Essa com traços da fase consagrada das personagens e representando histórias da Magali contracenando com os pais. E ainda teve "Magalinha morena", outra história de fábula com a turma como bichos, a Magali como galinha queria plantar grãos de trigo só que a seus amigos eram preguiçosos de ajudá-la a plantar e Magalinha tinha que faze tudo sozinha. Com isso, fechando anos 1990 do livro. Um exagero três histórias de fábulas nessa edição.
Anos 2000 da Globo foram 3 histórias ocupando 48 páginas do livro, uma normal e duas de aniversário da Magali. Nesses livros, acho que nem deviam ter histórias de aniversários para padronizar com os outros que não tiveram, mas já que teve, uma já está bom, já duas e em seguida considero desnecessário. Com isso, teve "Comendo fora" em que a Magali vai ao restaurante com os pais e ela pedindo várias coisas do cardápio, representando histórias da Magali com os pais dela, gulosa, dando prejuízo aos pais e passando vergonha.
Depois vem "Pedido de aniversário", história de aniversário escrita por Emerson Abreu e com a volta da Bruxa Viviane depois de 3 anos sem aparecer, já tinha aparecido em 'Magali Nº 239' de 1998, sua estreia, e em 'Magali Nº 264, de 1999, e essa foi a terceira aparição. Na época, Bruxa Viviane aparecia só de vez em quando, ficando bom tempo fora e depois retornando com seus planos de conquistar o mundo através de magia com a Lua. Nessa, revelou que a Tia Nena é uma bruxa de verdade e que depois passaram a dizer que Magali também é uma bruxa.
E a história de encerramento foi "Meu bolo é de bruxa?", outra de aniversário, agora escrita pelo Paulo Back, em que o Dudu pensa que a Tia Nena é uma bruxa, diz que tem várias provas e que o bolo de aniversário que a Tia Nena faria para a festa da Magali estaria enfeitiçado. Representa história da Magali com Dudu. Desnecessário 2 histórias de aniversário e ainda com tema de Tia Nena como bruxa, que já teve em "Pedido de aniversário".
Curiosamente, o livro acaba em 2004, sem nenhuma história da Panini dos anos 2000 e também nada dos anos 2010. Com isso, deixa de comparar diferenças de traços entre as décadas. Não são lá essas coisas em relação a roteiros, mas pelo menos uma de miolo até 2019 podia ter. Além disso, o livro não teve história da Magali contracenando só com o Mingau, nem seu namoro com Quinzinho. Eles até aparecem no livro, só que sem foco principal. E também não teve uma da Magali só com o Dudu a perturbando em alguma situação normal ou com ele recusando comida, não teve nem Denise extrovertida atual e nem Carminha Frufru, que começaram em gibis da Magali. Não ter Mingau achei pior e mais lamentável, nem que fosse história de anos 2010 tinha que tem alguma do gato dela com destaque e não só como figurante. Mingau participou da história "Lalá, a Lagosta" e a "Meu bolo é de bruxa", só que sem protagonismo, aparições bem rápidas como um gato comum, muito pouco para ele, mereceria bem mais. Quinzinho, idem, com participação rápida só em "Magalinha morena".
Em relação a terríveis alterações, tiveram muitas, mais do que em 'Mônica 60 Anos'. Sejam desenhos e textos, tudo alterado para favorecer ao politicamente correto, inclusive várias alterações em mesmas histórias tirando todo o sentido delas. Como foram tantas mudanças, resolvi mostrar todas em uma outra postagem à parte reunindo todas as alterações que tiveram nesse livro.
O "Extras" com curiosidades da Magali ficaram no final do livro (nos livros comemorativos de 50 anos colocavam no início deles). Ocupou x páginas de curiosidades nos extras, bastante curiosidades por páginas. Mostraram, dentre outras, sobre primeiras aparições da Magali em tiras de jornais antes da primeira tira oficial com a Mônica de 1964, capas de gibis "Nº 1", todas as capas de aniversário da Magali entre 1994 a 2024, primeira capa que Magali aparece nos gibis de outros personagens, concurso para ela ganhar revista, amor pela melancia, Mingau, vilãs que estrearam em gibis da Magali, etc. Foram fontes pequenas nas páginas de curiosidades e com fundo preto, que, pra mim é difícil de ler textos com fundo preto. E também tiveram erros nos "Extras" de que Bruxa Viviane estreou em 'Magali 39', o correto foi em 'Magali 239', de 1998 (erro de digitação neste caso), e mostraram que a capa do Chico Bento com primeira aparição da Magali foi a 'Nº 294', de 1998 e na verdade a primeira foi em 'Chico Bento Nº 249', de 1996.
O livro termina com uma tirinha, que foi publicada em 'Magali Nº 2', de 1989, diferente de outros livros comemorativos que nunca tiveram tirinhas.
A contracapa foi uma ilustração existente da capa de 'Magali Nº 35' (Ed. Globo, 1990). A classificação indicativa foi livre, diferente de 'Mônica 60 Anos' que deixaram classificação para maiores de 14 anos. Como esse da Magali foram histórias simples e atendendo ao politicamente correto, sem grandes coisas incorretas e aliado a alterações, censurando o que tinha de incorreto, aí deu para deixar classificação para todos os públicos e crianças podem ler sem se traumatizar.
Então, para mim foi um livro básico, uma espécie de almanaque convencional de luxo, feito às pressas, só para não deixar a data de 60 anos da Magali passar em branco. Acho que faltaram clássicos marcantes, mostrar mais traços diferentes em cada década, foram poucas histórias dos anos 1970 e 1980, praticamente não teve Editora Abril, podia ter alguma coisa de anos 2010 para deixar trajetória completa da personagem, também nada a ver duas histórias de Magali canhota e duas de aniversário da personagem, inadmissível não ter histórias com foco no Mingau, Quinzinho e Dudu, fora que o formato sem ser capa dura, nem criar ilustração nova para capa e as muitas alterações a perder de vista para atender o politicamente correto estragam mais ainda. Vale comprar se quiser ter ou gostar de edições comemorativas na coleção. Fica a dica.

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Mancada não darem a devida importância à fase da Editora Abril, talvez o motivo seja pela homenageada desta edição não deter titularidade naquele período.
ResponderExcluirConsiderando onde estrearam, ausências de Carminha Frufru e Denise são de boa, não são faltas que chegam a pegar mal em um livro comemorativo dedicado à esfomeada, já Mingau não ter dado as caras (exceto pela ilustração de capa), um importante pilar do título Magali, putz grila! Não precisaria de ter HQ com Mingau como protagonista, creditada a ele, tudo bem não ter, porém, deveriam ter selecionado uma com participação do bichano, porque, no tocante à comilona, o gato não é um secundário qualquer. Vacilo!
Quer dizer que foi o Dudu que teria cantado a pedra de que a Tia Nena sempre foi chegada em mexer os pauzinhos?! Era bem enrustida à época e exatamente o café-com-leite da turma foi quem manjou e matou a charada?! Foi isto mesmo?
Acho que não foi isso de titularidade porque a Magali já era considerada personagem principal desde os anos 1980, na verdade desde meados de anos 1970 ela já aparecia em ilustrações com os outros. Acredito que não teve Editora Abril porque não estão dando ênfase à isso nessa coleção, talvez por serem incorretas demais, a Mônica 60 Anos foi pouca coisa de Editora Abril. Teriam histórias muito boas da Magali dos anos 1980, como as que abrangeram os primeiros Almanaques dela da Globo, encaixariam tranquilo.
ExcluirCarminha e Denise não fizeram falta, serviriam se fossem colocar algo dos anos 2000 e 2010. A antiga Denise apareceu, já é alguma coisa. Mingau, sim, sem dúvida, foi ausência sentida, nem que fosse alguma daquelas histórias da Magali com ele dos anos 2000 poderia ser e não ficar em branco. Mingau participou da história "Lalá, a Lagosta" e a "Meu bolo é de bruxa", só que sem protagonismo, aparições bem rápidas como um gato comum.
Digamos que o Dudu foi o primeiro a sacar que a Tia Nena era bruxa, só que não tinha provas suficientes e deixou pra lá, nunca soube da confirmação de ela ser bruxa de fato. Hoje só Magali que sabe do segredo da tia, sendo que a própria Magali também é bruxa, revelado já na Panini, e só sua tia que sabe. Segredo entre as duas. Besteira isso que fizeram com as duas como bruxas. Primeira vez que deu cantada que Tia Nena era bruxa foi na história anterior "Pedido de aniversário " do Emerson.