quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Coleção Histórica Nº 39


Já nas bancas a Coleção Histórica # 39. Esta coleção é formada pelas 5 revistas números 39: Mônica (1973), Cebolinha (1976), Chico Bento e Cascão (1984), e Magali (1990).

Na capa  dessa vez é a Lucinda, com imagem tirada dos primeiros números da Mônica. A seguir, comento cada revista separada desse box, destacando o título e sinopse das histórias de abertura de cada uma e o que for relevante em cada revista.



Histórias de abertura e comentários gerais:

Mônica - "E novamente... Capitão Feio" - Capitão Feio volta a atacar e sequestra o Cebolinha para que a turma não interfira nos planos. Então, Mônica e Anjinho têm que salvá-lo, só que o Cascão atrapalha mais ainda o resgate, já que bajula o tempo todo o Capitão Feio, que era o seu ídolo.

Foi a segunda aparição do Capitão Feio nos gibis (sua estreia foi em 'Mônica nº 31', de 1972) e dessa vez, diferente da primeira história, ele já não é mais tratado como tio do Cascão, apenas ídolo dele.

Destaque para a história "Emoção! ternura! Mistério! É o que vocês encontrarão nessa aventura envolvente e empolgante com a Mônica". com um título gigantesco e a história sendo narrada como se fosse uma novela, em que um quadrinho representa um capítulo e no quadrinho seguinte, há uma narração de suspense com o que acontecerá no próximo quadrinho, uma espécie de "cenas do próximo capítulo". Muito interessante.

Trecho da HQ "Emoção! Ternura! Mistério! (...)"

Legal também ver um título da história como "Uma fita azarada", já que a palavra "azar" também não é mais usada na MSP. Falando nisso, fita cassete também está extinta atualmente e é bom ver roteiro datado assim. Nessa história, infelizmente, não mostra nenhum crédito, nem de quem escreveu. A maioria das histórias desse gibi, aliás, foram escritas pelo Maurício, mas nem todas mostram se foi ele quem desenhou.

Cebolinha - "O nariz da verdade" - Baseada na história do Pinóquio, uma joaninha com poderes mágicos, depois de levar um piparote (peteleco) do Cebolinha, faz com que o nariz do Cebolinha cresça toda vez que ele conta uma verdade.

Nessa edição, são 14 histórias no total, incluindo a tirinha final, e dentre 11 histórias comentadas, 4 infelizmente não foram mostradas informações de créditos de roteiristas, desenhistas e arte-final. Aliás, só as histórias de abertura e de encerramento tiveram todas essas informações completas. Na história "Atrás da Porta", por exemplo, só informa nome do desenhista Sidnei Lozano (Sidão).

Curioso que a história "Uma rápida solução" é do Cascão e foi creditada ao Cebolinha. Nessa história, nos comentários, só informam nome do roteirista nela. Pena não ter mostrado quem desenhou porque os traços tem referências aos que ficaram nos anos 80.

De destaque, a história "A importância do som" da Tina muito legal, com o Rolo com uma tuba assustando a Tina e um gato que ela viu na rua, que acaba subindo em um poste por causa do susto. Ela tem que resgatar o gato de lá, mas o Rolo continua atrapalhando. Uma típica história pastelão da dupla Tina-Rolo hippies, muito comum nessa fase.

Trecho da HQ "A importância do som"

Sobre alteração em relação ao gibi original, aconteceu na história de encerramento "O soro do mal", em que colocaram o Cebolinha falando certo no pensamento. Na revista original, ele pensa "Que besteila!" e agora alteraram para "Que besteira!". Uma grande besteira foi essa mudança, acho que tinham que ser tudo igual como saiu na original e não mudar assim do nada. Abaixo, uma comparação da original de 1976 e como saiu na Coleção Histórica. Como não tenho o gibi original, o André Felipe me enviou a imagem.

Comparação da HQ "O soro do mal": alteraram a palavra "besteira"

Chico Bento - "Um monstro de espantalho" - Um cientista cria um Frankstein e é expulso pelos moradores da cidade, cansados de suas experiências. Quando o cientista procura outro lugar pra morar, o Franksteim cai do carro e toma o lugar de espantalho do Chico Bento por engano e acaba criando vida ao ser atingido por um raio.

Sobre os créditos das histórias, na 1ª história do Papa-Capim de 1 página, não informam nos comentários os créditos de nome do roteirista que a escreveu.

Os textos do caipirês praticamente seguem como nas originais, inclusive os gerúndios "-ano". Porém, na história só com o título "Chico Bento", alteraram o Chico falando "vredura" em vez de "verdura". No caipirês da época, palavras como "verdura" e "verdade" eram escritas normalmente e não eram adaptadas para o caipirês. Ainda vou procurar  no Almanaque da Globo, para confirmar isso, mas está parecendo que mudou. As letras estão muito afastadas, dando impressão que mudou algo ali.

Trecho da HQ "Chico Bento"

 Cascão - "Uma questão de ponto de vista" - O pai do Cascão, seu Antenor, consegue dois ingressos para a decisão do campeonato de futebol, mas impõe a condição do Cascão ir só se tomar banho. Então, o Jeremias e o Cebolinha resolvem "ajudar", fazendo vários planos para ele tomar banho.

 Destaque para a história "O grande Final", em que o Cascão está prestes a ler o final da história do livro e de repente a acaba a luz na casa e ele encontra formas para poder ler o final do livro. Muito hilária essa história e ri alto com o final dela. Com direito ao cascão mexer com fósforo e falar palavrão, tudo inadmissível atualmente. Eu já a conhecia, e sempre bom reler e gargalhar novamente. Uma pena é não terem informado o nome do roteirista dela nos comentários.

Aliás, de 6 histórias comentadas, 3 infelizmente não foram mostradas informações de créditos dos nomes dos roteiristas que as escreveram, apenas informaram os desenhistas e arte-final. E as propagandas que colocam nos comentários cada vez mais minúsculas. Foram 5 no total e nem com lupa dar para ler o que está escrito nelas.

Magali - "O caso do presente muito esperado" - Magali não recebe o presente de Natal do Papai Noel e, com isso, o Anjinho a leva até o Polo Norte para falar com o Papai Noel para saber porque não recebeu seu presente.

O gibi é todo com histórias de Natal. Uma melhor que a outra, tem até história do Mingau sobre a data, que descobri agora que foi escrita brilhantemente pela Rosana Munhoz. Aliás, esse gibi da Magali foi o único com todas as informações de créditos em todas as histórias, incluindo, ainda, nomes de letristas em todas e colorista na de abertura.

Na história "Quem espera sempre alcança", o título não ficou colorido, como era na original. E ficou feio o título todo branco daquele jeito. Abaixo, mostro uma comparação das páginas da revista original de 1990 e a da Coleção Histórica, que até serve como comparação sobre tons de cores de cada uma. As cores da Globo, eram muito melhores.

Comparação da HQ "Quem espera sempre alcança": título sem cor na CHTM

A capa mostra referência à história de abertura. Para ter noção como era raro, essa foi a 2ª vez que a revista da Magali teve alusão à história de abertura. A primeira foi a nº 30 com a excelente história "Magalice no país das melancias".

O que chama a atenção também nessa capa da Coleção Histórica é que, diferente da original, eles colocaram o logotipo tradicional em vez do "achatado". Essa revista originalmente foi a primeira com o logotipo diferenciado, mais achatado na altura, mais distância entre as letras, deixando todo desproporcional. Antes, o logotipo só saía assim nos almanaques dela, e nos gibis convencionais foi uma novidade. Colocavam o logotipo assim quando o desenho ultrapassavam o espaço do logotipo. 

Nos primeiros números era raro o logotipo desproporcional assim , ficando mais frequente a partir de 1995 e essa versão se tornou definitivo  a partir de 'Magali nº 206', de 1997, até mesmo quando passaram a colocar o rosto da Magali ao lado do logotipo a partir de 2003. E quando os gibis foram para a Panini, voltaram com o logotipo tradicional, inclusive nos almanaques.

Sinceramente, eu odiava quando o logotipo era desproporcional. Achava feio e prefiro mil vezes o tradicional. Então, mesmo com o selo da CHTM e o do Maurício de Sousa Editora ao lado, achei que ficou melhor o logotipo tradicional em vez do outro. Por outro lado, acho que devia manter como na original, mesmo sendo feio. Talvez foi uma forma para encontrar o espaço que faltava pra colocarem os selos da CHTM. Abaixo, comparação das capas original e a da Coleção Histórica para acompanhar a diferença no logotipo:

Comparação entre as capas: logotipo diferente na CHTM

Dá pra notar também que a proporção do desenho foi diminuída para adequar as informações que não podem ser vendida separadamente. Após essa 'Magali nº 39', só em 'Magali nº 60', de 1991, que voltou a ter logotipo assim. Ainda bem.

O bom que as capas da CHTM pararam de colocar o selo ao lado do logotipo como acontecia muito nos primeiros números, muitas vezes até sem necessidade, pois tinha espaço pra colocar os selos. E ainda bem que depois pararam com isso e passaram a colocá-los ocupando toda a largura do gibi, só nessa da Magali que retornou ao que faziam antes.

26 comentários:

  1. Teve uma edição da Magali CHTM, não me recordo o número, que TODOS os títulos ficaram brancos, eu até fiquei na dúvida se era "normal" na época ou se foi adulterado.
    O que a MSP tem contra títulos coloridos? :P

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    1. Eu tbm não me recordo q número foi, mas aconteceu sim. Com certeza, na original os títulos não eram brancos, eles simplesmente não pintaram os títulos na CHTM. Vai ver q foi preguiça de pintar como era na original rsrs.

      Além de não seguir como foi na original, fica feio todo branco, sem colorir.

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  2. Essa historia quem espera sempre cansa foi republicada no especial de natal numero 7 com o titulo colorido , muito legal a edição adorei a do cebolinha!

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    1. Pelo menos no Almanaque de Natal 7 eles pintaram a hq, como deve ser. Eu tbm gostei da edição do Cebolinha.

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    2. Marcos tem a historia quebra quebra do mingau ouvir dizer que era nessa edição da magali

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    3. Sim, a hq do Mingau nessa edição da Magali é "Quebra-quebra"... muito boa.

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  3. Bom saber que já chegou às bancas. Ainda estou lendo algumas que comprei aqui. Ontem li a Mônica 34 dessa coleção e achei fantástica.

    Obrigado por compartilhar as informações.

    Abraços.

    Fabiano Caldeira.

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    1. Fabiano, aqui chegou dia 05/02, como sempre atrasada, já q era pra ter chegado em janeiro. Se não chegou ainda, fique de olho q tá pra chegar.

      Essa da Mônica 34 é muito legal mesmo. De nada, sempre bom compartilhar. Abraços

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  4. Dessas revistinhas da coleção eu tenho apenas a da Magali, então vale a pena adquirir o pacote.
    Marcos, eu abri aquele blog chamado Relendo Quadrinhos, mas no fim ele me serviu de inspiração para continuar postando no Duas épocas. Resumindo: ficarei apenas com o Duas épocas, que está sendo reformulado. Estou ajeitando as postagens antigas e republicando, depois darei continuidade com postagens novas. Um abraço!!

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    1. Nanda, só essa da Magali já vale. As outras são boas tbm.

      Eu tinha visto o outro blog e aí fiquei com dúvida. Não o conhecia, aí se fosse atualizar lá, colocaria nos favoritos. Até q a proposta era boa. Atualiza o Duas Épocas, sim. O layout tá ótimo.

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  5. Eu tenho a mônica 31, coleção historica....(comprei ontem, na sebo, por R$ 1,50)... além disso, comprei a monica 19 coleção historica pelo mesmo preço. sou muito colecionador! mesmo com 10 anos! eu tô ameaçando comprar os bonecos moonica e cebolinha da Trol. quando eu comprar, irei postar lá no blog.

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    1. legal André, aos poucos vc vai conseguir uma grande coleção. Se comprar os bonecos, posta lá.

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    2. acredito q não vou comprar tão cedo.... os bonecos são muito caros, aqui na web. a monica eu vou comprar a boneca da multibrink na lojinha da monica (mais barato que a original) agora o cebolinha eu vou comprar da trol, mesmo.... vou comprar dos outros, também!
      Tchau (e não aguarde muito, que vou gastar dinheiro com a Monica 50 anos, apesar de vc dizer q não vale, num post. só vou comprar pelo valor historico)

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    3. É, a Mônica 50 Anos foi bem fraca. vale mesmo pelo valor histórico, q foi por isso q comprei. Tenho colecionado essa série "50 anos", mas nenhum está à altura q merecem.

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  6. Sempre vejo essas suas resenhas antes de começar a ler as minhas revistas. :-)

    Eu já havia reparado essa variação com "ver" e vre" nas HQs do Chico. Penso que, atualmente, o MSP tem um dicionário de capirês rígido e extenso, sempre a ser observo pelos roteiristas.

    Ótimo "review".

    Abraços!

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    1. " Penso que, atualmente, o MSP tem um dicionário de capirês rígido e extenso"

      É o q fica parecendo mesmo, pra ficar tudo padronizado e aproveitarem pra trocar na CHTM. Uma bobagem. Tava lendo agora há pouco uma hq de 1986, e ele falava "verdura", logo tá na cara q foi trocado nessa CHTM, alterando conteúdo original.

      Q bom q gostou... Abraços

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  7. Fico triste quando mudam o caipirês do Chico :(
    Minhas revistas chegaram apenas hoje (comprei pela internet) e ainda não li. Fiquei com raivinha pq na banca elas já estavam desde 07/02 (eu vi!!) kkkkkkkk
    bjs, Marcos

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    1. Eu tbm não gosto Natália, tinham q preservar a cultura da época.

      Pra vc valeu ter comprado na internet pq comprou com outras coisas. Agora, comprar só uma CHTM sai caro por causa do frete. Aqui chegou nas bancas dia 05/02. Bjs

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    1. As revistas da CHTM são boas, todos da fase de ouro da Turma. Tem os seus defeitos e desvantagens, mas se for só pela intenção pra ler hqs de qualidade vale a pena.

      Se vc achar vendendo na sua cidade, compre um pra ver o q acha. Tudo indica q vai gostar.

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  9. Detalhes como esse do logotipo passam despercebido por muita gente. Muito bom o post, Marcos. Parabéns.

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    1. Acho q só quem tem ou teve a original q pode reparar mesmo na diferença do logotipo.

      Mesmo assim muitos sabem q a Magali teve 2 logotipos. Eu não gostava dessa 2ª versão desproporcional, ficava muito feio. Ainda bem q na Panini voltaram com o antigo.

      Valeu pelo elogio. Abraços

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  10. Qual e o final da história do Cascão (O grande Final)????????????

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    1. No final, falta luz de verdade na casa do Cascão, aí Cebolinha inventa fazer fogo com papel para o Cascão ler o final do livro. Só que o papel foi justamente a última página do livro que estava lendo e queria saber o final, deixando o Cascão uma fera, solta muitos palavrões e taca o livro em direção ao Cebolinha que foge na chuva mesmo.

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  11. Olá! Você sabe me informar se a história "O grande Final" do cascão já foi republicada?

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    1. Foi sim, no Almanaque do Cascão nº 18 (Globo, 1992).

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