terça-feira, 27 de setembro de 2016

Bidu: HQ "Uma ilustre visita"


Mostro uma história de quando o Bidu recebeu a visita do Diretor da Editora dos gibis da Turma da Mônica. Com 5 páginas no total, foi publicada em 'Cascão Nº 4' (Ed. Abril, 1982).

Capa de 'Cascão Nº 4' (Ed. Abril, 1982)

Nela, um carteiro entrega correspondência ao Bidu e, quando ele lê, leva um susto e chama desesperado o Manfredo para ler a carta. Ele até chega imediatamente, mas diz ao Bidu que demorou porque o elevador quebrou e precisou subir 5 andares a pé. Manfredo lê a carta pausadamente e pergunta qual é o problema. Bidu responde que o problema é a carta e Manfredo fala que vai jogar fora então. Bidu se desespera que a carta diz  que o Diretor da Editora vem visitar a historinha e avisa ao Manfredo que eles precisam arrumar a historinha, fazer limpeza dos quadrinhos, tirar dobras das páginas antes do Diretor chegar.


Manfredo arruma tudo e assim que acaba, o Diretor da Editora aparece tocando a campainha. Bidu atende e o diretor acha a historinha toda organizada, tudo limpinho e com impressão ótima. Bidu diz que nem teve tempo de arrumar, quando de repente a parte de cima do quadrinho cai na cabeça do Diretor e ele vê que tem uma sujeiras atrás e pede explicação de como eles colocaram um quadrinho limpo em cima da sujeira. Bidu fica sem saber o que falar e o Diretor diz que vai prestar queixa ao desenhista para tomar providências com a equipe de personagens do Bidu.


Quando o Diretor anda, ele tropeça em uma ondulação do quadrinho. O diretor puxa o quadrinho e descobre que era um chão falso para cobrir um monte de sujeira em baixo e inclusive caiu o seu óculos escuros. O Diretor fala que o Bidu devia se envergonhar e o Bidu diz que não é para falar nada com o desenhista, e vai chamar o Manfredo para dizer que tem razão. Manfredo aparece todo sujo e o Diretor se espanta perguntando quem é aquele maltrapilho e diz ainda que não fica mais lá mais nenhum quadrinho.


Bidu diz que está arruinado e Manfredo pergunta o que pode acontecer com ele. Bidu, nervoso, segura a camisa do Manfredo e diz que vai ser criticado, xingado,  pichado, linchado e vai perder o emprego. Nisso, o Diretor volta e fala que não vai, falando que todo mundo adorou a história, inclusive o Mauricio de Sousa, e fez tanto sucesso que pediram para ele aparecer lá pelo menos 1 vez por semana. Ele vai embora, Bidu e Manfredo se olham e providenciam prender a porta com madeiras com urgência para não terem que aturar o diretor de novo, terminando assim.


Essa história é muito bacana, envolvendo metalinguagem, bem típico em histórias do Bidu. Muito bom ver esses bastidores dos quadrinhos. Dessa vez o Bidu recebe a visita de um Diretor chato, com mania de limpeza e tudo em ordem e Bidu teve que fazer de tudo para dar um jeito na bagunça para agradar. Muito legal ver a história sendo tratada como uma casa, uma empresa, com o Diretor entrando por uma porta. E também o Bidu preocupado em perder emprego de personagem de quadrinhos. Se perdesse o emprego, ficaríamos sem Bidu nas histórias desde 1982.

Os traços muito bons, com direito ao Bidu visto de frente, que aparecia com ângulo diferente quando aparecia assim. Na postagem a coloquei completa.Eu gostava desse ângulo nos traços dele. Interessante que o carteiro foi retratado como um cachorro, mas o Diretor não. O Bidu normalmente não fala com humanos, só quando ele contracena com alguém ligado aos estúdios da MSP. E mesmo assim tem vezes que o pessoal do estúdio eram desenhados como cachorros, de acordo com o roteiro da história.


Vale lembrar que esse Diretor foi da Editora Abril, editora que produzia os gibis da MSP na época, mas que vale para qualquer editora, de acordo com o almanaque a ser republicada. Tipo, essa história foi republicada no 'Almanaque do Cascão Nº 4' (Editora Globo, 1988), e aí ele foi Diretor da Editora Globo nessa ocasião, visto que não especificou nome de editora na história, nem nome dele. Abaixo, a capa desse Almanaque em que ela foi republicada.

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 4' (Ed. Abril, 1988)

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Capa da Semana: Magali Nº 15

Eram muito comuns capas com os personagens fazendo números de circo adaptados para a sua característica. Nessa, a Magali está fazendo sua apresentação de equilibrista de melancia, como não podia deixar de ser.

A capa dessa semana é de 'Magali Nº 15' (Ed. Globo, Janeiro/ 1990).


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Cascão: HQ "É hora de Cascão Já!"

Estamos em época de eleições, então mostro uma história envolvendo esse tema em que a turma convocou eleição pra escolher o novo da rua. Com 12 páginas no total, foi publicada em 'Cascão Nº 71' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cascão Nº 71' (Ed. Abril, 1985)

Começa com os meninos reunidos com placas na mão em frente à casa da Mônica, que pergunta se "Cascão Já" é um tipo de corrida e se querem o Cascão dispute uma corrida com ela. Eles falam que "Cascão Ja" é o lema da campanha para disputar entre Cascão e Mônica quem é o novo dono da rua. Mônica dá uma coelhada forte no chão para provar que é forte que derruba os meninos longe. Eles falam que será feita uma eleição para isso, com votos, urnas e tudo mais.


Cebolinha diz para Mônica que não pode ser dona da rua só porque ela quer. Mônica pergunta por que não e Franjinha responde que é porque o povo não quer. Mônica diz que só vê moleques com cartazes na mão, que tem muito o que fazer e volta para casa. Cascão grita que ela está com medo de enfrentá-lo na eleição porque sabe que vai perder e Mônica volta braba para frente da casa e aceita disputar eleição e diz que vai vencer.


Começa então a campanha eleitoral. Os meninos colam cartazes do Cascão nos muros e as meninas logo colam outros cartazes da Mônica por cima dos do Cascão. Tem discursos também sendo que cada um querendo falar mais alto que o outro, e acabam colocando caixas de sons ensurdecedoras que afastam os seus eleitores. Até que chega o dia da eleição, mas antes tem um debate entre os concorrentes.


No debate, Cascão diz que como é cavalheiro e respeita as meninas, deixa a Mônica começar a falar primeiro, com os meninos aplaudindo o Cascão, que isso que é candidato, um cavalheiro, um gentleman. Mônica diz que não aplaudiria tanto um menino que faz xixi na cama, assim como muitos da plateia que seguem o mesmo caminho e aí as meninas aplaudem, dizendo que a Mônica só fala verdades, tem opinião e é corajosa. 


Cascão diz que é melhor do que ter medo de minhocas e ela diz que se começar a falar dessas coisas nojentas, não conversa mais com ele. Cascão pede desculpas e grita que não fala mais de minhocas, lesmas, ratos, besouros e centopeias. Aí, a Mônica o chama de mijão e ele vai falando outros insetos. Mônica diz que não conversa mais com o Cascão e ele faz o mesmo e os dois viram as costas, sem ter mais debate, deixando a plateia sem entender nada.


Sem mais debate, começam as eleições. Franjinha põe a urna e cada um vota no seu candidato. Cebolinha aparece com uma pilha de votos, dizendo que um voto é para o charme do Cascão, outro para sua bela voz, outro para sua inteligência. Eles não aceitam e Cebolinha deposita só um voto na urna. Aparece uma menina gorda também querendo colocar 2 votos e Cascão diz que não é porque ela vale por duas que pode dar dois votos para a Mônica. Cebolinha aparece disfarçado querendo dar outro voto, mas Mônica descobre e o acusa e também Magali tenta fazer sua melancia votar e Cascão diz que não pode. Continua o pessoal votando depois sem problema.


Depois que todos votaram, começa a apuração dos votos. Franjinha é quem faz a contagem e vai falando quem teve votos. Disputa acirrada, com cada candidato recebendo votos alternados. No final da contagem, Cascão teve 15 votos e Mônica, 16, se consagrando vencedora, continuando a ser a dona da rua e é foi ovacionada pelas meninas. Depois eles se perguntam como isso foi acontecer, se eram 15 meninas e 16 meninos votando. Logo, deduzem que teve um traidor entre eles e eles ficam se olhando desconfiados, tentando descobrir o traidor. Todos vão embora, contrariados, e depois de uns quadrinhos o Cascão volta a aparecer se revelando o traidor e votou na Mônica, comentando com os leitores que quem disse que ele queria ser eleito.


Essa história é muito bacana, mostrando eleições com a ótica da turminha. Para saber o novo dono da rua, fizeram uma eleição igual da vida real, com todas as etapas com campanhas eleitoras, discursos, debate, o momento do voto, apuração até revelar a vencedora, tudo com muito bom humor. Mostraram até um candidato mostrando podres do outro, como na hora do debate, assim como acontece na vida real, só que no caso, o Cascão acusando a Mônica de ter medo de insetos e ela por sua vez chamando o Cascão de mijão.


Na MSP já tiveram várias histórias de eleições, umas com temas mais voltados ao humor, outras mais sérias, tudo para conscientizar as crianças desde cedo da importância do voto, além de ajudar os pais que liam os gibis dos filhos a terem essa consciência. Tanto no humor quanto na seriedade dava para transmitir mensagem do voto. Hoje em dia por causa do politicamente correto temas adultos assim não são explorados nos gibis. O lema da campanha "Cascão Já" foi inspirado na "Diretas Já" que o Brasil presenciou em 1984 contra o fim da Ditadura Militar, para provar como eles gostavam de mostrar nos gibis situações que estavam acontecendo na sociedade na atualidade.


Os traços muito bons e caprichados, na postagem a coloquei completa. O título teve mais uma vez sendo representado pelas falas dos personagens, um recurso muito utilizado na época. Eles colaram cartazes nessa história por ser mais coerente  para a história, mas o normal era eles rabiscarem os muros, quando colocavam desaforos para a Mônica. Interessante o Cebolinha falar a palavra "Droga!" no momento que estava disfarçado, hoje em dia isso seria alterado se republicassem. 


Para constar, essa história foi republicada depois em 'Almanaque do Cascão Nº 31' (Ed. Globo, 1995). Abaixo, mostro a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 31' (Ed. Globo, 1995)

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Capas Semelhantes (Parte 22)

Nessa postagem comparo capas semelhantes que saíram em gibis do Chico Bento, Cascão e Magali. Dessa vez todos da Editora Globo, menos a primeira do Chico que envolve a Editora Abril.


Chico Bento Nº 44 X Chico Bento Nº 175

Chico afundando dentro do barco enquanto estava pescando no rio. Na versão original, de 'Chico Bento Nº 44', de 1984, ele afundou porque pescou um peixe enorme que ocupava todo o barco. Já na 2ª versão, de 'Chico Bento Nº 175', de 1993, afundou depois de ter pescado vários peixes pequenos.



Cascão Nº 28 X Cascão Nº 401

Cascão com reflexo limpo depois de terem feito limpeza no espelho. A 1ª versão, de 'Cascão Nº 28', de 1988, a capa foi dividida em 2 quadros formando uma tirinha, um recurso bem utilizado na época, e foi uma faxineira que fez limpeza no espelho. Já na 2ª versão, de 'Cascão Nº 401, de 2002, com uma imagem tradicional, foi a mãe do Cascão que fez a limpeza e  o reflexo dele mudou de roupa também, agora de terno cinza.



Cascão Nº 120 X Cascão Nº 406

Cascão tirando o cenário chuvoso da capa da sua revista. Foi publicada primeiro em 'Cascão Nº 120', de 1991, com o Cascão segurando e dobrando a página chuvosa e tem um cenário com Sol ao fundo e depois fizeram uma nova versão, que saiu em 'Cascão Nº 406', de 2002, com ele empurrando a página chuvosa e o outro cenário é vazio, só com uma cor rosa ao fundo.




Magali Nº 20 X Magali Nº 257

Magali esquentando seu alimento com o fogo de um Dragão. Na versão original, de 'Magali Nº 20', de 1990, a Magali encarna uma princesa de conto de fadas e o Dragão esquenta um churrasco pra ela, não gostando muito de ter que fazer isso. Já na 2ª versão de 'Magali Nº 257', de 1999, a Magali está na Lua, o Dragão é de São Jorge e ele está esquentando queijo (pedaço da própria Lua), gostando de fazer isso.



Magali Nº 70 X Magali Nº 251

Magali telefonando em um orelhão de melancia e gancho de banana. Na versão original, de 'Magali Nº 70', de 1992, a Mônica aparece ao fundo falando no orelhão original para mostrar a diferença entre os orelhões porque era comum mostrar nas capas a versão original dos objetos e o que os personagens parodiavam. Depois fizeram outra versão, que saiu em 'Magali Nº 251', de 1999, só com a Magali mostrando o seu orelhão alimentício, que ainda teve o poste representando por um pirulito em forma de bengala. 



Capas muito bacanas, interessante comparar as diferenças entre elas. Em todas eu preferi a primeira versão de cada, menos a do Chico, que preferi a 2ª versão. Em breve posto novas capas semelhantes aqui no Blog.

domingo, 11 de setembro de 2016

Capa da Semana: Cebolinha Nº 57

Uma capa bem simples e muito legal em homenagem ao Charles Chaplin com o  Cebolinha encarnando o Chaplin, só que ele não contava com a trapalhada do chapéu não encaixar na sua cabeça por causa do cabelo.

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 57' (Ed. Globo, Setembro/ 1991).