sábado, 18 de agosto de 2018

Chico Bento: HQ "Isto é uma piscina!"

Nessa postagem mostro uma história de quando o Chico Bento foi com o seu Primo Zeca a um clube com uma piscina na cidade  pela primeira vez. Com 8 páginas no total, foi história de abertura publicada em 'Chico Bento Nº 70' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Chico Bento Nº 70' (Ed. Abril, 1985)

Começa com o primo Zeca apresentando para o Chico a piscina do clube, que estava lotada de gente lá, tanto dentro quanto fora da piscina. Chico se impressiona e pergunta ao Zeca que era aquele o lugar que o pessoal da cidade vão nadar e então Zeca pergunta se Chico está com inveja.

Chico se abana dizendo "Ô" com desdém, afinal na roça ele tinha o ribeirão que era bem melhor na visão dele. Zeca diz que vai levar o primo toda vez que for visitá-lo. Zeca entra na piscina, falando que a água tá uma delícia e Chico vai até lá. Ele caminha e comenta que já devia está na tal piscina, aí quando vai ver, eles estava pisando a cabeça do pessoal que estava nadando lá e eles xingam o Chico com palavrões de tanta raiva que ficaram.


Chico sai da piscina e depois Zeca lá dentro fala para ele ir logo lá. Chico então tira o calção e fica pelado na frente de todo mundo. Zeca sai desesperado da piscina, falando que o Chico está doido e colocar logo a calça. Chico, na sua inocência, diz que no rio ele nada pelado e Zeca diz que lá não é um rio, e, sim, uma piscina e ele tinha que nadar de roupa. Nesse momento, Chico vê uma mulher com um mini biquíni com quase tudo de fora, e pergunta se o primo tem certeza disso.

Em seguida, Zeca entra na piscina e logo em seguida o pessoal do clube entra também passando a vez do Chico. Ele, então, resolve pegar uma vara de pescar e passa a pescar cada pessoa da piscina uma a uma e aí sim quando tira todo mundo, ele vai nadar, falando que chega de pescaria por hoje. Lá, na piscina, ele até que acha gostoso nadar lá, até que uma menina gorda cai em cima dele e quase se afoga. Zeca está na beira da piscina, quando o Chico surge agitado, gritando que está chovendo gente em cima dele, acabou de cair uma gordona na cabeça dele e Zeca avisa que ele não tinha que ficar embaixo do trampolim.


Chico vai até o trampolim para saber como era essa novidade. Chegando lá no topo, acha alto demais, fica assustado e pretende voltar, mas já tinha muita gente atrás dele querendo pular no trampolim e o jeito era ele pular para não dar vexame. Ele lembra do salto que um homem fez ao ver o trampolim lá de baixo e resolve fazer o mesmo, mas o pé acaba encostando na ponta do trampolim e acaba o Chico subindo e vai parar em cima de um salva-vidas. Então, Chico deduz que um salva-vidas serve para quando despencar do trampolim para cair em cima dele. O salva-vidas fica uma fera e xinga o Chico com palavrões e Chico reclama que não entende o motivo do salva-vidas estar brabo se aquilo era o trabalho dele e se não gosta não devia estar lá.


Zeca tira o Chico de lá e chama para tomar sol e ficarem bronzeados nas cadeiras do clube. Chico diz que na próxima vai levar a rede da roça porque o povo da cidade não sabem de nada. Eles ficam 1 hora debaixo do Sol e então Zeca acha que está forte e resolve ir para sombra e pergunta para o Chico se ainda vai ficar lá no Sol. Chico diz que o pessoal da cidade não é de nada, que ele está acostumado a pegar Sol e que para ele o Solzinho era mixuruca e então continua lá se bronzeando cada vez mais. No final , Chico volta para a roça e quando o ônibus desembarca, Zé Lelé fica feliz com a volta e resolve abraçá-lo. Zé Lelé comenta que o passeio fez bem ao Chico, por ele está animadinho, sendo que na verdade, ele teve insolação e tava todo queimado com corpo ardendo e arrependido de não ter ouvido o primo e sair do Sol naquela hora.


Uma história muito engraçada com o Chico vendo uma piscina pela primeira vez, causando várias confusões lá. Gostava dessas histórias do Chico na cidade, descobrindo como era os costumes da cidade pela primeira vez e esse contraste da roça com a cidade era muito bom. Uma simples visita a um clube, como ele pôde arrumar tanta confusão. É de rachar de rir vendo o Chico tirando a roupa como se fosse o ribeirão da roça, pescar as pessoas pra nadar sozinho, pular de trampolim, entre outros. tudo na inocência e do seu jeito espontâneo de ser, agindo como se fosse uma coisa mais natural possível, mas na visão dos outros ele se passa por lerdo e retardado.

Deu para notar várias situações isoladas, de coisas que podiam fazer em um clube e que com o Chico causa confusão. Essa foi uma das primeiras histórias desse estilo do Chico na cidade com o primo, agindo como um lerdo que não conhecia nada. Na Globo ficou mais frequentes histórias assim e muitas delas antológicas e agora na Editora Panini não fazem mais histórias assim, só aparecendo o Zeca na roça.


Tem várias situações incorretas que se tornam impublicável hoje em dia, como o Chico Bento pelado no clube, os palavrões, a visão dos seios e corpo da mulher em destaque, Chico chamar a menina de "gordona" dando um ar preconceituoso, Chico e Zeca ficarem 1 hora no Sol direto sem protetor solar e ainda o Chico ter ainda mais ficado mais tempo ainda sofrendo com insolação e pele ardendo por isso no final. Apesar da lição no final de que não deve ficar exposto ao Sol forte por muito tempo, mas ainda assim hoje em dia não é bem visto finais com personagens sofrendo.


Os traços muito bons do início da fase consagrada, e dessa vez com os cabelos dos personagens com brilho azul ao invés de brilho branco. É que nos gibis de 1985 era característico colocarem os personagem com cabelo com brilho azul. As imagens eu tirei do 'Almanaque do Chico Bento Nº 33' (Ed. Globo, 1996) e eles preservaram isso, só que os tons de cores por ser uma história da Editora Abril, eles colocaram os tons de cores iguais aos dos gibis convencionais da época, por isso o tom de marrom por exemplo, bem escuros, como estavam saindo, como uma espécie de luto à morte da roteirista Rosana Munhoz, que havia falecido meses antes. 

O título dessa vez formado pela fala do Zeca, coisa muito comum de ter títulos com as falas dos personagens na época. Alguns quadrinhos apareceram 3 ou 4 quadros por linha, diferente do convencional, hoje em dia colocariam tudo no formato padrão como alternativa da história de ocupar mais páginas no gibi. Termino com a capa do 'Almanaque do Chico Bento Nº 33' onde foi republicada:

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 33' (Ed. Globo, 1996)

domingo, 12 de agosto de 2018

Capa da Semana: Magali Nº 83

Em homenagem ao Dias dos Pais, uma capa com a Magali em uma pescaria com o seu pai, Seu Carlito, em que cada peixe que ele pescava, a Magali comia em seguida, não sobrando nenhum peixe depois que eles pescaram. 

Magali chegou a ficar barrigudas de tanto peixe que comeu. Embora, ela come, come e não engorda, mas deixaram barriguda dessa vez pra dar esse sentido que comeu vários peixes na pescaria. O Seu Carlito tinha hobby de pescaria e um sítio no interior para passar com a família e isso era explorado nos gibis de vez em quando e era bom essa característica para diferenciar dos outros personagens,

A capa dessa semana é de 'Magali Nº 83' (Ed. Globo, Agosto/ 1992).


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Papa-Capim e Cafuné: HQ "A coragem do guerreiro"


Mostro uma história em que o Cafuné foi em uma mata selvagem perigosa para encontrar a sua coragem. Com 8 páginas no total, foi publicada em 'Mônica Nº 94' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Mônica Nº 94' (Ed. Globo, 1994)

Nela, um grupo de índios chama o Papa-Capim para caçar na selva. Papa-Capim chama o Cafuné, que estava sentado em uma frente da árvore, e o índio fala que era só para o Papa-Capim ir porque o Cafuné é um medrosão.


Papa-Capim pergunta para o Cafuné se vai continuar ouvindo desaforo e ele diz que não e pega um pouco do arbusto e põe nos ouvidos para não ouvir e continua relaxado. Os índios dão gargalhada da atitude dele e vão embora, falando que se o Papa-Capim quiser ir caçar, ele alcança. Papa-Capim quer saber por que o Cafuné não se defendeu e ele diz que os índios têm razão, ele é medroso, não pode nem ver besouro, quanto mais cobra ou jacaré. Com isso, Papa-Capim leva o amigo até o Pajé para ver se dar um jeito nisso.


Chegando lá, o Pajé diz que não tem nenhuma poção para deixar o Cafuné corajoso e completa que ele tem coragem sim e os levam até a mata cerrada. Lá, Pajé fala que a coragem do Cafuné está em um poço no meio das pedras da mata cerrada e ele teria que ir lá buscar. Cafuné não entende como foi perder a coragem na mata se ele nunca esteve lá. Pajé diz que isso não importa e tudo o que tem que fazer é ir lá e tinha que ser sozinho, sem ajuda do Papa-Capim, o que deixa Cafuné mais aflito ainda.


Papa-Capim incentiva o amigo, perguntando se não quer encontrar sua coragem e ser respeitado pelos outros índios. Cafuné, então, aceitar ir mata adentro em busca da sua coragem. No caminho, fica assustado co  a escuridão da mata e quando encontra uma teia de aranha, fica desesperado e começa a correr, mas quando lembra dos índios o chamando de medrosão e o Pajé avisando que a coragem está no fundo do poço, ele volta atrás e passa por cima da teia da aranha, falando que precisa passar.


Em seguida, Cafuné se depara com uma cobra e enfrenta para encontrar logo a coragem. Também enfrenta uma pantera dando um golpe marcial jogando contra a árvore, até que encontra o poço onde está a sua coragem. Ele vê que é bem fundo e escuro, mas escala assim mesmo, falando que não tem tempo de ter medo e já está bem perto de encontrar a coragem. Acaba pisando em um galho no meio das pedras, que se quebra e ele acaba caindo no fundo poço. Lá, Cafuné procura a coragem no meio das pedras  e acaba de se dando conta que foi tapeado, pois não tinha coragem nenhuma lá e fica muito brabo.


Depois, do lado de fora da mata, Papa-Capim comenta que está preocupado com o Cafuné, quando ele chega e dá a maior bronca que foi enganado pelo Pajé, quase se matou lá dentro da mata e no fundo do poço e não tinha coragem nenhuma lá. O Pajé fala que não o enganou, pergunta se não enfrentou vários perigos e que teve que tomar várias decisões sozinho. Cafuné diz que sim e Pajé então responde que ele venceu o medo e encontrou a coragem dele e.com isso, Cafuné e Papa-Capim comemoram.

No final, Papa-Capim convida o Cafuné para caçar com os outros índios, enfrentar muitos perigos, jacaré, piranhas e onças e aí o Cafuné imagina tudo isso e volta a ter medo, falando que prefere não ir e vai descansar debaixo da árvore. Papa-Capim estranha porque o amigo havia encontrado a coragem no fundo do poço e Cafuné diz que tinha, mas que quando subiu o poço de volta, a coragem escorregou para baixo de novo.


Uma história muito bem bolada, mostrando um Cafuné medroso e o Papa-Capim e o Pajé procurando ajudá-lo, e, com isso, o Pajé bolou um plano para ele conseguir acabar com os seus medos. O Cafuné enfrentou vários perigos na mata pensando em buscar a sua coragem. Interessante que, por ele ser ingênuo, tratou como se fosse um objeto, uma coisa personificada e se sentiu que foi tapeado ao não ver nada concreto no fundo do poço.


Quando os personagens estão com medo, são capazes de tudo, as coisas mais absurdas e nessa história a vontade do Cafuné de encontrar a coragem, enfrentou os perigos sem notar. Seria o mesmo que se fosse o Cascão enfrentar a Mônica para escapar do banho, que ele era capaz de ser mais forte que a Mônica para escapar de tomar banho. Hoje em dia, seria incorreto a parte do Cafuné dando surra nos animais, pois seria taxado como maltrato aos animais.


Os traços muito bem caprichados, tanto dos personagens quanto da selva, que dão gosto de ver. Era raro ter histórias da Turma do Papa-Capim em gibis da Mônica e Cebolinha, mas quando tinha costumavam ser mais elaboradas e com mais páginas do que nos gibis do Chico Bento, onde é que realmente tinha histórias com o Papa-Capim. É que como os gibis do Chico tinham só 36 páginas, aí era mais comum ter histórias mais curtas de no máximo 5 páginas, quando muito 6. O mesmo acontecia com histórias do Penadinho e Bidu nos gibis do Cascão, já que eles eram os personagens secundários dos gibis do Cascão.

domingo, 5 de agosto de 2018

Magali: HQ "A escrava"

Mostro uma história em que a Magali sem querer salvou a Terra de ser escravizada por extraterrestres. Com 6 páginas no total, foi publicada em 'Magali Nº 6' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Magali Nº 6' (Ed. Globo, 1989)

Nela, 2 extraterrestres estão a caminho de um planeta azul à procura de um povo calmo, submisso e trabalhador para que sejam escravos no planeta deles. Logo é descoberto que eles estão indo a Terra para transformar todos em escravos. 



Chegando lá, eles lançam um raio transportador pra levar até à nave deles e um habitante aleatório. É mostrado uma visão dos habitantes da Terra e o narrador-observador comenta que a Terra tem 5 bilhões de habitantes e teria que ter muita sorte ou azar para ser atingido pelo raio dos extraterrestres. O raio acaba conduzindo a Magali até à nava deles. Ela não entende porque está subindo e para onde está sendo levada, quer ir para sorveteria e pede socorro.


Magali chega à nave e os Extraterrestres fazem análise do seu porte. Eles veem que ela é um filhote, sexo feminino, 6 anos de idade, boa massa encefálica, dotada de raciocínio, boa dentição e boa saúde. Não gostam que tenha só 2braços, mas alegam que os cientistas podem resolver. Magali não entende o papo e pergunta quem são eles e um ET diz que não é permitido escravo falar com os seus senhores. 

Magali os chamam de malucos e um deles diz que eles têm que resolver esse gênio indolente e um bom trabalho de condicionamento resolve isso. Os alienígenas levam a Magali para uma cápsula para testar a resistência dela. Magali resiste bem ao calor, ao frio e à umidade e eles concluem que os terráqueos têm boa capacidade de adaptação e darão bons escravos.


Em seguida, o estômago da Magali ronca alto e ela diz que está faminta por não ter ainda comido nada na historinha e eles acham que é uma ótima oportunidade para estudarem a alimentação dos seres da Terra. Um ET avisa que uma cápsula do pote de vidro gigante deles equivale a uma refeição. Magali corre em direção dele e toma todas as pílulas do vidro de uma só vez. Não fica satisfeita e corre pela nave atrás dos outros potes de pílulas. Os extraterrestres ficam desesperados com a Magali acabando com a dispensa deles e acabam tomando o pote da mão dela e ficam correndo pela nave para ela não pegar.


No final, os alienígenas devolvem a Magali para a Terra concluindo que não daria para manter escravos que se alimentam daquele jeito porque comeriam mais do que produziriam e eles saem da Terra com a nave à procura de outros seres para escravizar. Magali fica braba porque agora a historinha estava boa e aí acaba. Não satisfeita, ela vai para casa e pergunta mãe se demora muito para o almoço ficar pronto. Ou sejam as pílulas não foram suficientes para saciar a fome e precisa comer mais.


História bem legal, mostrando como extraterrestres queriam escravizar os humanos, dava tudo certo se não escolhessem a Magali com sua fome exagerada para fazer os testes. Eles pensavam que todos os humanos comiam do jeito que ela comia e desistiram de escravizar a Terra. Bastava fazerem testes com outras pessoas e veriam que nem todos tem a fome dela. Por outro lado, também poderiam ver que nem todos tem a saúde e a resistência da Magali, como eles desejavam. Cada um tem seu organismo.

Gostava de histórias com alienígenas, sempre rendiam boas aventuras e os personagens salvavam a Terra de acordo com a sua personalidade. Nessa, a gula da Magali que ajudou. Engraçado ver a Magali comendo todo o estoque de pílulas deles e ainda assim não ficando satisfeita. Ela comeu o suficiente pra alimentar boa parte da população da Terra e ainda queria mais. Falando em população, interessante ver que em 1989 a Terra tinha 5 milhões de habitantes, hoje em dia já somos mais de 7 bilhões. Além disso, o letrista errou ao colocar "milhões", devia colocar "bilhões". Apenas um ET que teve o seu nome divulgado, o Gorat da esquerda.


Os traços muito bons como sempre na época.  Interessante o narrador falar a palavra "azar" tranquilamente e hoje em dia ia ter alteração nisso, mudando para "má sorte" ou "falta de sorte" para atender o politicamente correto.

domingo, 29 de julho de 2018

Gibizinho do Pelezinho Nº 15 e Nº 24 - Editora Globo


Em 1992 foram lançados os gibizinhos do Pelezinho Nº 15 e Nº 24, os últimos exemplares com histórias inéditas do personagem e sua turma. Nessa postagem mostro como foram esses gibizinhos.

Depois que cancelaram o gibi mensal do Pelezinho em 1982, pela Editora Abril, praticamente só tiveram material com republicações antigas, como 8 almanaques lançados pela Editora Abril e 3 gibis lançados na Copa de 1986, com republicações de histórias, sendo que as de abertura dos 2 primeiros números eram inéditas. Pela Globo, Pelezinho teve um pocket "As Grandes Piadas do Pelezinho Nº 7" em 1987, um almanaque em 1988 e uma edição especial "Pelezinho 50 Anos" em 1990, seguindo a linha de republicações. Porém em 1990 passaram a ter edições com histórias inéditas como o "Pelezinho Especial Copa 90", além desses 2 gibizinhos em 1992, que terão o destaque dessa postagem.

Esses gibizinhos seguiram a linhas dos que eram lançados na época, seguindo a numeração atual, vindo junto com os dos outros personagens da Turma da Mônica.  Cada gibizinho tinha formato 13,5 X 9,5 cm, 32 páginas, com capa e miolo todos em papel couché com cores bem vivas e sem propagandas no miolo, apenas nas página 2 e 32 da contracapa. A seguir comento como foi cada exemplar individualmente.

Gibizinho do Pelezinho Nº 15

Lançado em maio de 1992, junto com gibizinhos do Cebolinha, Tina e Franjinha, essa edição teve 2 histórias e 1 página de passatempo de "Jogo dos 7 Erros" na última página. Os traços seguiram o tradicional do personagem, com círculo rosa em volta da boca e sem nariz, só que com estilo dos anos 90, assim como aconteceu com o "Pelezinho Especial da Copa 90". A capa não teve referência à história de abertura, como era de costume nos gibizinhos, apenas uma imagem com ele cumprimentando uma bola em um estádio cheio.

Começa com a história "Uau! Que bicão!", de 18 páginas. Nela, Pelezinho chuta a bola bem alto enquanto jogava futebol com seus amigos e ele vai ter que ir buscar. A bola vai para muito longe, para fora do Brasil, percorrendo o mundo inteiro. Pelezinho caminha atrás da bola e chega na fronteirado Brasil com a Argentina e encontra um guarda, que diz que ele não pode passar pela fronteira, mas ele reconhece o Pelezinho e também ajuda a procurar a sua bola.

Trecho da HQ "Uau! Que bicão!"

Eles atravessam o Oceano Atlântico de barco com a ajuda de um português, que pensa que a bola era um cometa quando avistou no céu, e vão a Portugal. Lá, perguntam a um senhor se viu a bola e ele confunde a bola voando no céu como um cometa e que foi adiante em direção à Espanha. Pelezinho, o guarda e o português vão para a Espanha de trem. Lá, o espanhol diz que viu a bola voando e deve ter caído na Inglaterra. Eles vão pra lá e o inglês diz que inventaram a bola, mas não viu aquela.

Trecho da HQ "Uau! Que bicão!"

Eles vão indo de país a país para ver onde foi parar a bola. Na França, a bola faz entortar a Torre Eiffel. No Vaticano, o Papa pensa que a bola era estrela de Belém. Eles vão também para o Oriente Médio, para o Egito, Arábia e Japão. Depois, Pelezinho olha o mapa e vê que a bola deu a volta no mundo inteiro e pela rota o próximo destino foi o Brasil, deixando o guarda argentino e o português bem brabos. Pelezinho diz que culpa é do morrinho artilheiro. 

A bola chega ao Brasil e cai no mesmo lugar bem em cima da cabeça do Cana Braba. Frangão avisa que a bola voltou e o Pelezinho também. Ele convida o  guarda argentino e o português para assistirem ao jogo. Pelezinho dá outro chute forte na bola e vai parar muito longe, sendo que dessa vez mais longe ainda e vai parar para fora do planeta terra, na cabeça de um exraterrestre, terminando assim.

Trecho da HQ "Uau! Que bicão!"

Foi bacana essa história. O chute do Pelezinho se compara à força da Mônica e então rendiam boas histórias assim, cheia de absurdos. Legal ver os estrangeiros comparando a bola como outras coisas, já que a velocidade que percorria o céu era tão grande que não dava pra distinguir que era uma bola. Como a Terra é redonda, ela percorreu o mundo inteiro voltando exatamente ao lugar inicial, nem era preciso o Pelezinho ir buscá-la, era só esperar que uma hora voltava sozinha.

Trecho da HQ "Uau! Que bicão!"

A segunda história foi "Vestindo a camisa", de 9 páginas em que o pai do Pelezinho lhe dá uma camisa da Seleção Italiana ao invés da Brasileira que o filho tinha pedido. Quando o Pelezinho vai à rua com a camisa da Itália, passa a ser linchado pelos amigos, considerado um traidor por não estar com a camisa da Seleção Brasileira. Todos correm atrás do Pelezinho, que avista o Cana Brava no caminho e pede para ajudá-lo e acaba correndo também correndo atrás do Pelezinho para bater nele.

Trecho da HQ "Vestindo a camisa"

Pelezinho se esconde da turma dentro de uma lata de lixo e depois que vão embora, ele  se encontra com a Neusinha, que quer que ele dê satisfação por que está com a camisa da Itália. Ele diz porque não tinha a da Seleção Brasileira e então Neusinha diz que poderia ter usado a do Japão e por isso ele era duplamente traidor. Em seguida, chega a Bonga e se assusta ao ver o Pelezinho com a camisa da Itália. Ele tenta explicar, mas ela quer saber de nada e vai embora chorando. Pelezinho, então, tem a ideia de tingir a camisa de amarelo pra ficar igual à do Brasil. Como ele tinge com a camisa e tinta no fogão, a camisa acaba encolhendo e então a solução foi fazer a camisa como uma bandeira amarela, como se fosse bandeira do Brasil.

Trecho da HQ "Vestindo a camisa"

Foi legal essa história, em um tempo em que os brasileiros era mais patriota e não aceitavam alguém vestir uma camisa de outro país sem ser a do Brasil. Hoje em dia  o povo não ia ligar muito para isso, seria só apenas uma camisa qualquer, no máximo podiam implicar se fosse camisa da Argentina, país maior rival do Brasil no futebol. Teve suas cenas incorretas como o Pelezinho entrar em lata de lixo para não apanhar e por ele mexer com panela no fogão com chama acesa, coisas inadmissíveis nos gibis atualmente.

Trecho da HQ "Vestindo a camisa"


Gibizinho do Pelezinho Nº 24

Lançado em outubro de 1992, junto com os gibizinhos da Mônica, Pipa e Penadinho, essa edição teve 3 histórias no total e sem passatempo na última página. A novidade dessa edição é que os traços do Pelezinho foram mudados, deixando bem diferente que conhecemos. 

Tiraram os lábios formando um círculo na boca e passaram a colocar lábios mais discretos, bem semelhante como fizeram com o Jeremias a partir de 1983, e passaram a colocar um nariz nele, deixando o personagem mais humanizado. O Cana Braba também teve seus lábios mais discretos, já que nos anos 70 e 80, os lábios eram bem mais carnudos.

Traços do Pelezinho clássico

Essa mudança aconteceu também nos gibis de 2013 e 2014 na Panini, só que aí foi pior porque enquanto esses gibizinhos eram com histórias inéditas, os da Panini eles alteraram os desenhos de todas as histórias, colocando o personagem ainda pior sem lábios e com nariz e aí estragando com tudo. Para entender melhor essa mudança de traços ridículas nos gibis do Pelezinho da Panini, clique AQUI.

O motivo, pelo visto, é que a boca com lábios em forma de círculo dar um ar preconceituoso, chamando os negros de palhaços. O Jeremias havia feito essa mudança, após cancelarem os gibis do Pelezinho, mas sempre que o Pelezinho aparecia nas imagens das capas dos seus almanaques e em algumas inéditas, ainda seguiam o estilo tradicional e a partir desse 'Gibizinho Nº 24', a tendência era sempre aparecer o personagem dessa forma, mas acabou não aparecendo mais depois dessa edição.

Traços novos do Pelezinho em 1992

A princípio até dava pra imaginar que era o Pelezinho adolescente, que haviam prometido lançar uma coleção de gibis assim no Especial "Pelezinho 50 Anos" de 1990, mas que acabou não saindo do papel e imagens aparecendo só nesse especial e uma propaganda da Telesp. Nesse gibizinho se trata, então, do Pelezinho criança, assim como os outros da sua turma, só com traços diferentes. Com isso a edição "Nº 15" foi a última de inéditas com os traços clássicos.

Esse 'Gibizinho do Pelezinho Nº 24' teve a capa de alusão à história de abertura, sendo na verdade uma piada em cima da história de abertura com uma bola tentando impedir briga entre os meninos durante o futebol, e não teve passatempo no final.

Começa com a história "A decisão", com 10 páginas, mostrando um jogo de futebol com a Turma do Pelezinho. Os meninos estão jogando a decisão do campeonato de futebol com as meninas na plateia, lideradas por Bonga e Samira. Pelezinho começa a bola da partida e faz um gol logo nos primeiros minutos e a torcida do time dele vibra. Depois, ele dá uma canelada na perna do menino e logo faz outro gol, com direito a cantadas das meninas da torcida.

Trecho da HQ "A decisão"

Depois, o menino da torcida adversária faz com que a bola passe entre as pernas do Pelezinho e faz um gol, sem chance para o Frangão pegar a bola. Acaba o jogo e o time do Pelezinho vence de 2 a 1. Os jogadores adversários vão  em direção ao Pelezinho com raiva e ele pensa que vão querer briga, mas o garoto só cumprimenta o Pelezinho, dando parabéns à conquista do campeonato. Então, Pelezinho e todos se dirigem aos leitores falando que é pra praticar esporte e não praticar violência.

Uma história típica pra mostrar como deve ser um jogo e ensinar que não deve ter violência nas partidas, saber ganhar e perder um jogo com amizade entre todos. e uma forma também de apresentar essa nova fase do Pelezinho.

Trecho da HQ "A decisão"

Em seguida vem a história "O rebatedor", de 6 páginas, em que Pelezinho e Cana Braba estão jogando beisebol. Pelezinho rebate a bola de golfe tão longe que Cana Braba tem que ir correr muito para pegar a bola de volta.

Trecho da HQ "O rebatedor"

Ele bate a cabeça no muro, precisa nadar um rio, tropeça em uma pedra, cai em um precipício, mas consegue pegar a bola que cai na cabeça dele. Cana Braba promete que nunca mais o Pelezinho vai fazer correr mais daquele jeito e ao lançar a bola de novo, ela cai na cabeça do Pelezinho, formando um galo nela e Pelezinho corre atrás do Cana para bater nele, e, com isso, ele acaba correndo inclusive mais do que quando tinha só pegado a bola longe da primeira vez.

Mostra mais uma vez a força exagerada do Pelezinho ao praticar esportes, causando muita confusão, não só para ele como também para seus amigos.

Trecho da HQ "O rebatedor"

Termina com "Embaixadas", com 12 páginas, em que o Pelezinho encontra o Cana Braba fazendo embaixadas com a bola e já estava em 1005 embaixadas, quando faz cair. Pelezinho diz que ele foi muito bem por nunca ter conseguido fazer mais que 5 embaixadas e pergunta como ele conseguiu. Cana Braba diz que ele começou a embaixada a partir do número mil.

Trecho da HQ "Embaixadas"

Pelezinho diz que consegue fazer mais que isso e eles apostam um sorvete que Pelezinho consegue fazer duas mil embaixadas. Pelezinho começa as embaixadas e vai muito bem. Cana debocha quando ele está em 11 embaixadinhas falando que isso até a avó dele faz e Pelezinho diz para não atrapalhar. Cana diz que a vó dele nunca ligou para provocações e Pelezinho responde que mesmo provocando vai conseguir fazer as duas mil embaixadas. Pelezinho prossegue dando show, fazendo embaixadas até de calcanhar, de cabeça e deitado. Chega a noite e ele continua a todo vapor, já com mais de 1200 embaixadas e até dormindo ele não para.

Trecho da HQ "Embaixadas"

Amanhece e Pelezinho continua e já com mais de 1800 embaixadas. Ele prossegue e começa a contagem regressiva de 1990 embaixadas. Quando ele tá em 1999 embaixadas, Pelezinho espirra e acaba não completando as 2 mil embaixadas e Caba Braba fica zoando o Pelezinho e gargalhando que ele é muito grosso e não consegue fazer 2 mil embaixadas.

Essa foi a melhor do gibi, as de absurdos são as melhores. Como o Pelezinho é o craque da turma ele não pode errar e sempre é engraçado quando ele vacila e se dar mal por se gabar de ser o grande craque do futebol.

Trecho da HQ "Embaixadas"

Como podem ver, são edições históricas do Pelezinho, mostrando histórias inéditas, coisa rara desde que seu gibi foi cancelado em 1982 e as últimas inéditas dele até hoje. Depois disso, só teria gibis nas bancas novamente 20 anos depois, em 2012 ("As Melhores Histórias do Pelezinho" durando 14 edições, até 2014), e uma "Coleção Histórica" (durando 6 edições entre 2012 a 2014), sendo que tudo foram republicações e, portanto, as últimas histórias inéditas mesmo do personagem foram nesses gibizinhos de 1992 até hoje. 

Uma pena que os traços do Pelezinho foram mudados para pior na sua última participação em gibis, mas pelo menos eram com histórias inéditas, diferente da tosqueira que fizeram nos gibis da Panini em 2013 alterando as histórias clássicas da Editora Abril, tirando o círculo da boca e colocando lábios e nariz no lugar que não tinha nas originais, descaracterizando completamente as histórias antigas e desrespeitando os desenhistas originais da época. Ainda assim, vale a pena ter esses gibizinhos "Nº 15" e "Nº 24" clássicos e raros com a despedida dos Pelezinho nos gibis.

Para saber mais detalhes da série "Gibizinho", entre AQUI e AQUI.