quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Os parentes da Magali


Na Turma da Mônica sempre procuraram mostrar a família dos personagens. Além de mãe e pai, também mostravam outros parentes dos personagens como avós, tios, primos, etc. Em especial a Magali teve uma família muito rica nos quadrinhos e então nessa postagem reúno os parentes dela durante a sua trajetória.

No caso da Magali, os pais eram sempre fixos e aí de acordo com roteiros criaram avós, tios e primos, sendo que tios e primos costumam aparecer somente em uma história. A mãe, Dona Lili, e o pai, Seu Carlito, têm presença constante nos gibis. Na Editora Abril em cada história apareciam com traços diferentes e o Seu Carlito só passou a ter uma presença melhor e com os traços definitivos de hoje a partir de 1986.

Seu Carlito e Dona Lili: os pais da Magali

As avós da Magali passaram a ser fixas  quando ela passou a ter gibi próprio. A primeira que apareceu foi a avó Gertrudes. Ela é avó por parte de mãe, mãe da Dona Lili, e segue o estilo de uma velhinha bem tradicional e que era desligada e esquecida com as coisas e quem mais sofria com seus esquecimentos era o Mingau.

Na sua história de estreia, "Mingau com a véia", de 'Magali Nº 73', de 1992, Dona Gertrudes é encarregada de cuidar do Mingau quando a Magali e seus pais vão viajar, aí Dona Gertrudes faz de tudo com o Mingau, desde puxar o gato pelo rabo, dar óleo de fígado, colocar fralda e até colocá-lo dentro da máquina de lavar.

Vó Gertrudes na HQ "Mingau com a véia" (1992)

Nessa história também apareceu no final o avô da Magali, Seu Genésio, pai da Dona Lili, em que ele aparece para visitar a família e Mingau foge arrebentando a parede para não aguentar dois velhos dentro de casa aprontando com ele. Vô Genésio só apareceu nessa história, diferente da Dona Gertrudes que apareceu outras vezes, embora não tão frequente.

Vó Gertrudes e Vô Genésio na HQ "Mingau com a véia" (1992) ('Magali Nº 73' de 1992)

A outra avó foi a Dona Cota, mãe do Seu Carlito. Ela é nordestina do Ceará, bem obesa e come muito, tanto quanto a neta Magali, mostrando, assim, que ela puxou a Dona Cota em relação a sua fome exagerada e que sua família tem origem nordestina por parte de pai. 

Dona Cota estreou em 'Magali Nº 100' ,de 1993, na história "A avó (comilona) da Magali". Ela veio do Ceará para visitar a neta em São Paulo. Só que ela come tanto quanto a Magali e acabou dando prejuízo aos pais da Magali com 2 comilonas morando na mesma casa. Também apareceu outras vezes nos gibis, se tornando fixa. Já o avô por parte de pai nunca apareceu, nem fazendo ponta.

Vó Cota na HQ "A avó (comilona) da Magali" (1993)

Tia Nena e Tio Pepo foram criados em 1989 no lançamento da revista da Magali para serem os tios fixos da Magali. Tina Nena é irmã da Dona Gertrudes, e, assim, tia da Dona Lili e tia-avó da Magali. Ela é uma grande cozinheira, como a Magali dizia "a maior quituteira do bairro". Com o passar do tempo, os roteiristas passaram a dar outra personalidade, revelando que Nena uma bruxa do bem. Já Tio Pepo é casado com a Nena e é marceneiro, pronto para fabricar brinquedos para a criançada do bairro.

Tia Nena e Tio Pepo

Dudu inicialmente era só um vizinho da Magali que não gostava de comer e depois do nada virou primo dela, e passou a ser membro da família da Magali por volta de 2002. Pelo visto acharam melhor a Magali ter um primo fixo contracenando com ela e fizeram essa mudança. Sinceramente não gostei disso, não era essa intenção da roteirista Rosana Munhoz quando criou o personagem em 1989.

Dudu

Com isso, a mãe do Dudu, Dona Cecília, passou a ser tia da Magali, irmã do Seu Carlito, e o pai do Dudu, Seu Durval, tio da Magali por ser casado com a Dona Cecília. E os personagens ficaram mais próximos, com mais histórias com as famílias juntas, inclusive fazendo ceias de Natal juntos.

Dona Cecília e Seu Durval

E o Mingau não pode ficar de fora, o gato de estimação da Magali também é membro da família dela por morar na mesma casa. A gente  sempre considera  os nossos bichos de estimação como membro da família. Inclusive o Mingau até considera que ele é o dono da casa e o resto da família são inquilinos da casa.

Mingau

Fora esses fixos, tiveram também vários tios e primas da Magali que apareceram somente em uma história, a grande maioria. Nunca teve uma cronologia na MSP e aí criavam parentes só para atender a um roteiro específico para aquela história e deixavam de mão depois. Por conta disso, muitos não revelam se são parentes por parte de mãe ou de pai.

A primeira a aparecer foi uma prima, sem nome e sem personalidade, na história "O Caixote", de Cebolinha Nº 10' de 1973. Apenas participando como a prima que queria conhecer a força da Mônica para destruir só com um tapa um caixote onde estrava dento o Cebolinha, com medo da Mônica e Cascão cobrarem o dinheiro que estava devendo para eles.

Prima da Magali na HQ "O Caixote" (1973)

Depois apareceu a Tia Marli na história "Como manda o figurino", de 'Mônica Nº 56', de 1975. Foi apenas uma participação quando Mônica e Magali foram pedir emprestadas revistas de beleza para a Tia Marli.

Tia Marli na HQ "Como manda o figurino" (1975)

Prima Betinhac apareceu na história "Ela vem aí", de 'Mônica Nº 82', de 1977. Foi a primeira parente com uma personalidade maior e centro de atenção da história. Betinhac era obesa e comia de tudo que nem a Magali, só que mais ao extremo, chegando a comer até carrinho de maçãs. Mônica tem plano de esconder as comidas da Magali pelo bairro espalhando em árvores, arbustos e até no ninho de galinha, mas Betinhac acabou encontrando, achando que estava nascendo comida em lugares exóticos. Magali se dá conta que a Mônica tirou as comidas dela para o plano, ela se revolta e passa a querer dar uma paulada na Mônica, que se esconde em uma árvore. Quando os personagens ficam com grande raiva dos seus interesses, ficam mais fortes que a Mônica.

Prima Betinhac na HQ "Ela vem aí" (1977)

Teve a prima bebê da história "O jeitinho com crianças" de 'Mônica Nº 84', de 1977 , em que a Mônica ficou encarregada de cuidar da prima da Magali causando grandes confusões. Não foi revelado nome dessa prima bebê.

Prima bebê na HQ "O jeitinho com  crianças" (1977)

E a Magali ainda teve uma avó na história "Andando por aí", de Mônica Nº 119, de 1980, em que a Mônica vira sonâmbula quando é convidada para dormir na casa da Magali e a família dela ainda tem que enfrenta ruma assaltante que invadiu a casa deles. Foi apenas uma avó tradicional, sem nome, bem diferente da Dona Gertrudes e Dona Cota, participou assustada com a Mônica sonâmbula ter entrado no quarto dela. Interessante o pai da Magali desenhado bem diferente, bem parecido como o Seu Juca. Na Editora Abril, era raro o pai aparecer nos gibis e quando aparecia era desenhado diferente a cada história.

Avó da Magali na HQ "Andando por aí" (1980)

Tia Ana Fátima foi a primeira da Editora Globo. Ela é irmã de Dona Lili, come tanto quanto a sobrinha Magali e foi namorada do Rolo. Apareceu na história "Ana Fátima, garota bom de garfo", de 'Cebolinha Nº 7', de 1987, em que o Rolo namora a Ana Fátima, só que ela come tudo que vê pela frente. Eles vão a restaurante japonês, pizzaria e lanchonete e ela come tudo, deixando o Rolo sem dinheiro e de barriga cheia de tanto comer.

Eles se despedem, já que Ana Fátima tinha que ir jantar na casa da sua sobrinha. Quando Ana Fátima chega lá, a gente descobre que a sobrinha dela era a Magali, daí a quem puxar, e ainda reclama que o Rolo come pouquinho. Histórias com crossover sempre são legais, se o namoro do Rolo com Ana Fátima tivesse vingado, ele podia ser hoje o tio da Magali.

Tia Ana Fátima na HQ "Ana Fátima, garota bom de garfo" (1987)

Prima Sarali foi a primeira da Editora Globo, após o lançamento da revista da Magali. Ela é do interior,  idêntica à Magali, só que era mais velha, bem alta e magrela, além de não ser chegada à comida. Apareceu na história "A fina", de 'Magali Nº 5' de 1989, em que Mônica e Denise confundiram a prima com a Magali, achando que levou sério demais quando ela tinha que ser fina (educada em não devorar tudo que encontra pela frente) para continuar no clubinho das meninas.  Prima Sarali chegou a passar mal ao comer 5 cachorros-quentes e 3 frapês de morango que Mônica e Denise obrigaram comer. História que marcou a estreia da Denise nos gibis.

Prima Sarali na HQ "A fina" (1989)

Prima Vera apareceu na história "Ela não gostou de mim!", de Magali Nº 37, de 1990. Prima Vera não gosta de gatos e implicou com o Mingau, fazendo com que ele ficasse no lado de fora da casa durante o fim de semana que a prima passou na casa da Magali, deixando o gato passar por sufoco.

Prima Vera na HQ "Ela não gostou de mim!" (1990)
No final, também apareceu a mãe da Vera, no caso tia da Magali. Como apareceu a Dona Lili na despedida  delas, supões que são prima e tia por parte de mãe. Depois de uns anos, passaram a colocar o Dudu com medo de gatos no lugar e foi ele que passou a ter medo do Mingau.

Prima Vera e tia da Magali na HQ "Ela não gostou de mim!" (1990)

Tio Marcos e Tia Luísa apareceram em "Engoliu ou não engoliu", de 'Magali Nº 78,' de 1992. Nela, Tia Luísa estava grávida e o Tio Marcos fala para Magali que estava barriguda porque engoliu uma melancia e Magali chora, acreditando que era verdade e que não deixou nem um pedacinho para ela. Quando Tia Luísa fala que era um bebê, Magali pensa que ela engoliu um bebê e Tio Marcos despista que está grávida por ter colocado uma sementinha na barriga da tia e Magali fala que bebês não nascem que nem feijão, que são as cegonhas que trazem bebês.

Tio Marcos e Tia Luísa na HQ "Engoliu ou não engoliu" (1992)

Curioso que no final, aparece a Magali adulta, casada com Quinzinho e com um filho, que pergunta se a mãe estava grávida e Quinzinho responde que no caso da Magali ela havia engolido melancia inteira, literalmente. Pelo menos em 1 história, pode dizer que o Quinzinho e o filho foram da família da Magali no futuro.

Magali e Quinzinho adultos na HQ "Engoliu ou não engoliu" (1992)

Prima Bianca e Tia Cléo apareceram na história "De gato e sapato", de 'Magali nº 46' de 1991. Prima Bianca era uma bebê de quase 2 anos que gostava de brincar com o Mingau e fazia de tudo com ele como puxar orelha, bigode, rabo, aperar nariz, jogar dentro do aquário, entre outras coisas, e Tia Cléo, a mãe da Bianca e irmã da Dona Lili, queria impedir da filha brincar com o Mingau.

As 2 foram inspiradas em parentes reais da roteirista Rosana Munhoz, que resolveu criar a história em homenagem a elas. No caso, Bianca era a sobrinha e Cléo era a cunhada da Rosana na vida real.

Prima Bianca e Tia Cléo na HQ "De gato e sapato" (1991)

Elas voltaram a parecer depois na história "Priminha dedo-duro", de Magali Nº 141, de 1994. Na ocasião, Bianca já estava mais crescida, por volta de 5 anos, e dedurava tudo que a Magali fazia de errado para a Dona Lili, dedurando Magali não querer brincar com que Bianca queria, Magali querendo roubar biscoitos e mexer na maquiagem da mãe, deixando a Magali em maus lençóis e levando bronca da mãe. No final, aparece a Tia Cléo querendo buscar a Bianca e descobre que Magali amarrou a Bianca para  fazer questão que ela não dedurasse mais nada. A Cléo foi desenhada bem diferente de como apareceu em 1991.

Prima Bianca na HQ "Priminha dedo-duro" (1994)

Bianca ainda apareceu também na história "Farra na rua", de 'Cebolinha Nº 93', com os personagens enfeitando a rua para a Copa do Mundo. Com a morte da Rosana, ela não apareceu mais nos gibis e deixou de ser uma prima fixa. Se Rosana tivesse viva, ela poderia até ter se tornando personagem fixa nos gibis, tinha potencial.

Prima Bianca e Tia Cléo na HQ "Priminha dedo-duro" (1994)

Prima Silmara apareceu na história "Um ano depois... o ajuste de contas", de 'Gibizinho da Mônica Nº 64', de 1996. Ela era uma menina rica, mais nova que Magali e Mônica, e havia aprontado muito com a Mônica como não emprestar as bonecas importadas do Japão, fazer vergonha que a Mônica estava de mãos sujas de canetinha quando estava comendo e diz que sanduíche engorda e ela já estava uma "bola" para a Mônica não comer e deixar Silmara comer mais sozinha.

Um ano depois, Silmara visita Magali de novo e Mônica resolve dar o troco, e faz o mesmo, mas a menina estava mudada e começa a chorar, pois o pai estava desempregado e não podia comprar coisas caras para ela e Mônica se arrepende de ter maltratado a Silmara. Ela até lembra os traços da Bianca, mas era outra prima da Magali.

Prima Silmara na HQ "Um ano depois... o ajuste de contas" (1996)

Teve também o tio do sítio na história "Coisas de ruminantes", de 'Magali Nº 230', de 1998. Nela, Magali está no sítio com seu tio e nota que as vacas ficam mastigando o tempo todo antes de engolir de vez o que come, dando nojo da Magali. Porém, ela fica com isso na cabeça e acaba fazendo o mesmo com as comidas que ela come para ver se passa a comer menos. Não foi revelado o nome desse tio na história, a Magali chamou o tempo todo só de tio e por ele ser do sítio que Seu Carlito tem, deduz que seja tio por parte de pai.

Tio do sítio na HQ "Coisas de ruminantes" (1998)

A partir dos anos 2000 não tiveram muitos parentes dos personagens. Quase todos da Globo foram criados pela Rosana e após a sua morte passaram a criar poucas histórias com parentes dela e até de outros personagens. Teve o Dudu se tornando primo oficial por volta de 2002 e recentemente na Editora Panini teve história "Os tios doidinhos da Magali", de 'Magali Nº 48', de 2019, com tios distantes da Magali que moravam no litoral e depois de Magali e Cascão pensar que um casal da região eram tios malucos dela, descobre quem era os verdadeiros tios, que eram normais. Não foi revelado nomes deles e nem se eram tios por parte de pai ou de mãe.

Tios do litoral na HQ "Os tios doidinhos da Magali" (2019)

Como podem ver a família da Magali foi bem interessante, uma criatividade sem tamanho, sejam os parentes fixos ou os que apareceram só em uma história, formou uma verdadeira árvore genealógica. Para ficar completa, só faltou um avô dela por parte de pai, no caso um pai para o Seu Carlito. Fora isso, foi perfeita. E muito bom relembrar dessas histórias, uma melhor que a outra.

domingo, 17 de novembro de 2019

Tirinha Nº 66: Mônica

Uma tirinha bem legal  em que o Cebolinha pede para a Mônica contar até dez em um momento de muita raiva da Mônica e prestes a bater nele por ter aprontado mais uma, não com esperança de ela se acalmar, mas, sim, pra dar tempo de ele correr e  fugir da surra.

Tirinha foi publicada originalmente por volta de 1981 e republicada no 'Almanaque da Mônica Nº 21' (Ed. Globo, 1990).


quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Tina: HQ "Quero dormir!"


Compartilho uma história em que a Tina não consegue dormir na noite da véspera de uma prova importante de vestibular. Com 8 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 52' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Mônica Nº 52' (Ed. Globo, 1991)

Nela, Tina está estudando para a prova até tarde, quando para para tomar banho e dormir. Depois do banho, ela vai para a cama, se revira de um lado par ao outro e não consegue dormir, mesmo estando cansada. Ela vai até a cozinha, toma um chá quente e volta para a cama.


Ela comenta que não tem motivo para se preocupar, a prova está fácil, logaritmo está na ponta da língua, História geral, Química e as fórmulas de Física e fica memorizando as fórmulas. Com isso, o sono não vem e reclama que tem que pensar em outra coisa e relaxar. Ela lê um livro e logo depois tenta dormir de novo. Fica se martelando que precisa dormir porque senão estará um caco amanhã na prova e como não consegue dar um berro, que acaba acordando a Vovoca no outro quarto.


Vovoca corre até o quarto da Tina e pergunta o que aconteceu e Tina, aos prantos, fala para ajudá-la, pois não consegue dormir. Vovoca diz que Tina está um pouco nervosa é para relaxar e se acalmar e pensar em coisas agradáveis como no namorado Jaime e no vestido que ela queria comprar. Tina volta para cama, lembra que havia brigado com o Jaime por ela se atrasado no encontro deles e que o vestido estava um absurdo de caro e aí que não consegue dormir mesmo. 


Tina telefona para Pipa as 2 da manhã, pedindo ajuda, já tentou de tudo. Pipa, sonolenta, pergunta se ela não experimentou fechar os olhos. Tina fala que a Pipa fala muito e queria que chateasse bastante falando para dar sono nela. Pipa desliga o telefone na cara e Tina reclama que ela é mal criada. As  da manhã ainda estava acordada, falando que está abandonada à própria sorte, que er ao fim e o narrador avisa que ainda tinha uma página.


No dia seguinte, Vovoca leva um café para a Tina, mas ela já estava de pé desde ontem e um caco, pois não conseguiu dormir. Ela faz a prova e depois vai para casa, falando que acha que se deu bem e que agora só quer saber de dormir até o sabe ro resultado. Só que no final, ela acaba não conseguindo dormir da mesma forma, já que o resultado da prova sai amanhã e preocupada de saber se foi bem ou mal na prova.



História muito legal com a Tina sem conseguir dormir preocupada com a prova da faculdade e acaba sem dormir da mesma forma preocupada com o resultado da prova.  Aborda o tema de insônia, um problema muito frequente no cotidiano das pessoas,  com muito bom humor. Procurou mostrar que preocupações e problemas causam insônia e com estudantes fazer uma prova ou saber o resultado da prova tira o sono de qualquer um. Mostrou também alternativas pra conseguir dormir bem, como tomar chá, esquecer dos problemas e lembrar de coisas boas, mas no caso da Tina a preocupação era tão grande que nada resolveu.

Engraçado ver a Tina se revirando na cama, tomando chá pra tentar dormir e até telefonar para Pipa para dar sono com os papos chatos dela. Foi praticamente um monólogo da Tina, pelo menos a metade da história foi só ela tentando dormir, depois que ainda presença da Vovoca e da Pipa. legal também a interação do narrador avisando que ainda tinha 1 página de história quando a Tina fala que era o fim.


A partir de 1991, as características da Tina mudaram. Enquanto que nos anos 80 ela apenas fazia papel de conciliadora, dar conselhos e resolver os problemas dos seus amigos, agora ela passou a ter histórias mais próprias, com temas mais ligados aos adolescentes e jovens até então, passou a ser a gostosona com todos os homens caindo a seus pés, além de ter seus próprios conflitos amorosos com seus namorados. Nos anos 80 até tinha uma vez ou outra homens dando em cima dela, mas bem raro e ela sempre dava fora neles por ser fiel ao Jaime. Ficou frequente mesmo histórias assim nos anos 90..


Falando nisso, nessa história teve a presença do Jaime, mesmo que só em pensamento brigando com a Tina, mas vê que era sinal que eles ainda eram namorados. Jaime ainda chegou a aparecer no final da história "Palavras Cruzadas" de 'Gibizinho da Tina Nº 2' de 1991 como namorado dela e depois disso ele passou a ficar no limbo do esquecimento e a Tina passou a ter um namorado diferente a cada história ou pretendentes a namorados conforme roteiros da shistórias para seguir o estilo gostosona. Legal também ver a Vovoca na história, a Tina não tinha mãe na época e a Vovoca exercia essa função maternal nas histórias dando um ar mais humorada. Só nos anos 2000 que a Tina passou a ter mãe nas histórias. 


Os traços sensacionais, com a Tina sensualíssima e detalhes nos enquadramentos dos quadrinhos bem diferentes. A partir de 1991 mudaram os traços dela, embora era bonita nos anos 80 com os cabelos curtos até os ombros, mas nos anos 90 a ordem era sensualizar a personagem para deixar gostosona mesmo e encaixar mais nos roteiros das histórias aí passaram a colocar a tina com com cabelos compridos, pernas e barriga de fora e bem sexy.  Na época pessoas de todas as idades liam gibis e queriam agradar também os adolescentes e até adultos que liam os gibis. Hoje em dia, até poderia aprovar o roteiro dessa história, apesar de insônia não ser um tema infantil, mas provavelmente traços assim não fariam atualmente. A palavra "Droga!" seria mudada hoje em dia, pois é proibida nos gibis atuais.

domingo, 10 de novembro de 2019

Capa da Semana: Mônica Nº 96

Uma capa completamente impublicável em que a Mônica bate em uma onça para fazer um cachecol de pele com ela. Fica na imaginação do leitor se a Mônica matou a onça ou apenas deixou desacordada. Hoje em dia os personagens não enfrentam animais silvestres e ainda mais abatendo para fazer cachecol com sua pele, a Sociedade Protetora dos Animais ficaria de cabelos em pé vendo isso. Os traços muito bons da fase superfofinha dos personagens.

A capa dessa semana é de 'Mônica Nº 96' (Ed. Abril, Abril/ 1978).


quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Cranicola: HQ "Boca de ouro"


Mostro uma história em que o Cranicola teve seus dentes de ouro roubados por bandidos. Com 4 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 6' (Ed. Globo, 1987).

Capa de 'Cascão Nº 6' (Ed. Globo, 1987)

Nela, Cranicola está exibindo seus dentes de ouro, achando que está abafando com os novos dentes. Ele percebe dois homens olhando o tempo todo para ele e pensa que estão reencarnando de inveja.  Os bandidos comentam que a boca da caveira é ouro puro e vão em direção ao Cranicola para roubar seus dentes. Apontam a arma para ele, falando que é um assalto e aí Cranicola descobre que são ladrões. O Baixinho diz que ele é só uma caveira e não tem mãos e resolve atacá-lo para roubar os dentes, mas Cranicola o morde.


O Baixinho vai mandando o Cranicola parar de morder seus dedos e o Altão resolve dando uma paulada no Cranicola e consegue roubar os dentes de ouro. Muminho aparece perguntando por que o Cranicola está banguela e ele diz que foi assaltado. Muminho corre atrás dos bandidos, gritando por polícia e que roubaram a dentadura do Cranicola. Os bandidos acham que o Muminho era um trapo, quando são cercados também pelo Zé Vampir e Frank e o Muminho se desmancha formando um laço para prender os bandidos e devolvem a dentadura par ao Cranicola.

No final, Muminho arranja um cão de guarda para o Cranicola ficar seguro com seus dentes de ouro. Só que o cão acaba engolindo o Cranicola, achando que era um osso gigante e Muminho acha que não foi uma boa ideia.


Essa história é legal, bem simples, direto ao ponto. O Cranicola além de passar sufoco com os bandidos que roubaram seus dentes de ouro ainda acabou sendo engolido pelo seu cão de guarda. Achei engraçado o trocadilho de reencarnar de inveja, que seria morrendo de inveja, mas por ele ser morto, o sentido figurado seria viver e reencarnar. 


Não mostrou como o Cranicola conseguiu aqueles dentes valiosos, apenas apareceu já com os dentes para ser dinâmico, até por ser de um gibi quinzenal de 36 páginas e aí histórias da Turma do Penadinho nos gibis do Cascão não eram muito longas, no máximo 5 paginas, muito raro passar disso, e então não podiam deixar tão explicado e até acho melhor assim. Fica a função do leitor imaginar como ele conseguiu e quem colocou os dentes nele. 

Teve um erro dos bandidos chamarem um ao outro de "Eliseu". Primeiro o bandido alto chama o baixinho de Eliseu e depois o contrário. Eles gostavam de criar histórias com duplas de bandidos, era bem frequente. Impublicável justamente pela presença de bandidos e até pela violência como darem paulada no Cranicola e apontarem arma, coisas que não tem mais nos gibis por acharem traumatizante. Até o Cranicola sendo engolido pelo cachorro no final podiam implicar também.


Os traços muito bons, típicos dos anos 80. O Frank e Muminho foram desenhados diferentes como vemos hoje, Frank, inclusive, mais assustador. Na época eles não tinham traços definitivos e apareciam diferentes em cada história. Só a partir dos anos 90 que passaram a ter os traços que conhecemos. As cores com os personagens mais rosados, marca características dos primeiros números da Editora Globo de 1987.