quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Tirinha Nº 54: Chico Bento

Uma tirinha com Rosinha pensando que o Chico Bento ia pedir a mão dela em casamento para o seu pai e como ele falou que era cedo, Rosinha sugere pedir à noitinha. Ou seja, cedo porque eles eram crianças, mas a Rosinha acho uque era  cedo porque era de dia e à noite seria melhor. Esses trocadilhos eram muito comuns em tiras do Chico Bento envolvendo qualquer personagem. Era muito bom.

Tirinha publicada originalmente em 'Chico Bento Nº 83' (Ed. Globo, 1990).

domingo, 14 de janeiro de 2018

HQ: "Os pasteis da Magali"

Mostro uma história de quando a Magali foi preparar pasteis e eles acabaram criando vida e gigantes comendo tudo que vê pela frente, inclusive quiseram comer a Magali. Com 13 páginas no total, foi publicada em 'Magali Nº 121' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Magali Nº 121' (Ed. Globo, 1994)

Começa a Magali com fome, mesmo depois de ter comida uma jaca no café da manhã e vai até a casa da Tia Nena, já que estava próximo de lá. Quando chega, vê a casa vazia e encontra um livro de receitas na cozinha e estava aberto na página de pastel.


Magali fica com vontade de comer pastel por causa disso e ela mesma vai preparar, pois a Tia Nena tinha todos os ingredientes na despensa, inclusive encontra umas ervas mágicas, que para ela são "trecos estranhos", que sua tia gosta de experimentar. Magali põe o avental e prepara então os pastéis, sendo que ela fazendo é censurado por conta da sujeira que fez, apenas um letreiro do narrador falando que as cenas são de virar o estômago e foram censuradas para o alívio do leitor.


Depois da massa estar pronta e cozinha toda revirada, Magali se dá conta que faltava o recheio e vê a geladeira vazia. Ela lamenta que tinha que ter visto isso antes e que os pasteis vão ficar vazios, então para compensar coloca as ervas mágicas da Tia Nena pra servir como tempero e dar um gosto.


Magali frita os pastéis, lembrando que se a Tia Nena visse mexendo no fogão, ia dar umas palmadas na bunda. Quando ela vai falar "bumbum", um pastel grita  que está doendo o bumbum dele e os outros pasteis gritam para tirarem de lá e que a frigideira está pelando. Ela não entende de onde saiu as vozes e pensa que é um engraçadinho querendo tirar sarro da cara dela.


Magali tira os pastéis do fogão e leva para a mesa para comer. Quando ela vai segurar um pastel, ele grita para soltá-lo, chamando de "Monstra". Magali se assusta do pastel falando e ele diz que está vazio, mas não é burro de fritá-los para depois comê-los e Magali pensa que foi a jaca que comeu não caiu bem. Os pastéis ainda reclamam que não foram recheados e estão vazios e resolvem comer tudo que veem pela frente para ver se incham, mas ao invés disso eles ficavam maiores cada vez que comiam.


Os pastéis ficam gigantes e monstruosos depois de comerem tudo na casa e então resolvem comer a Magali. Ela foge para rua e eles vão atras dela para comê-la. Magali encontra o Cebolinha no caminho enquanto corre e ele a segura perguntando cadê os vinte Cruzeiros Reais que ele emprestou para comprar sorvete. Magali diz que depois paga por estar em apuros. Cebolinha pergunta qual é a desculpa esfarrapada que vai dar para dar calote nele. Magali diz que são pastéis gigantes devoradores de gente e um pastel acaba comendo o Cebolinha, deixando a Magali apavorada, apesar de que achar que pastel de cebola não ser mal.


Magali volta a correr, encontra o Cascão e diz para correr porque "eles" estão atrás deles. Cascão diz que se não é a Mônica, não tem medo de nada e acabam os pastéis comendo o Cascão. Em seguida, Magali encontra a Mônica falando que é para salvar sua vida, pois tem pastéis atrás delas. Mônica diz que não teve medo de nada, quanto mais de pastéis e resolve enfrentá-los, mas acaba sendo devorada também, com os pastéis falando que veio com tira gosto, deixando Magali desesperada que até Mônica conseguiram comer, a próxima seria ela, a cidade e o mundo e tudo por culpa dela.


Enquanto corre, Magali encontra balões na rua e para de correr. Diz que desistiu porque mais cedo ou mais tarde iriam comer tudo mesmo só para deixarem de ser murchinhos assim. Comenta que mesmo comendo ainda estão murchos e faz com que eles põem os canudos do gás na boca e ela bombeia como se fosse encher balão para eles ficarem gorduchos. Quando vão devorá-la, Magali pega um palito e estouram os pastéis e vão voando longe pelo céu. Ela lamenta que venceu os pastéis, mas ficou sem os seus amigos, até que eles caem do céu, assim como as outras coisas que os pasteis comeram. A turma vai pra casa, não gostando do cheiro de pastel que ficaram neles e Magali vai pra casa da Tia Nena levando as coisas de volta.


Chegando lá, encontra Tia Nena braba, por Magali ter feito bagunça na cozinha e mexeu nas ervas raras que não havia testado e podia ser perigoso. Magali pede desculpas e diz que só queria comer pastel. Tia Nena fica com pena e vai preparar para ela e enquanto isso Magali se pergunta qual a moral da história. "Nunca mexa na cozinha da sua tia enquanto ela não estiver" ou "recheie bem o seu pastel ou a vítima pode ser você", mas se convence que  se encaixa mais "quando for comer os pasteis, meta os dentes... eles merecem", marcando a sua vingança com os pastéis.


Uma história legal com a Magali às voltas com comidas falantes e monstruosas se tornando um pesadelo para ela. Dessa vez pastéis que criaram vida com ervas mágicas que se revoltaram e quiseram comer a Magali, invertendo os papéis. Engraçado ver a cara de desespero da Magali com a possibilidade de ser comida. Tudo indica que foi escrita por Rosana Munhoz. Era comum ter histórias da Magali sofrendo com as comidas falantes, seja por magia, bruxa, ou por uma invenção do Franjinha ou cientista maluco, ou extraterrestres em formato de comida se tornando um terror para ela, sempre rendiam boas histórias assim.


Em relação a Tia Nena, ela não era apenas a melhor cozinheira do bairro, segundo a Magali, mas volta e meia tinha alguma coisa mágica em seus pertences que seria o tema da história. Desde a mesa mágica que ela herdou em "Põe-te mesa" ('Magali Nº 9', de 1989) já tinha vestígios do seu envolvimento com magia, mas sempre ficou despercebido pelos leitores, até por ser só de vez em quando, e anos mais tarde que foi revelado ela era de fato uma bruxa e por isso ter esses pertences. Não se sabe se essa era a intenção da Rosana ao criar a personagem de que era bruxa ou se só tinha produtos mágicos por ter e gostar do tema de esoterismo, magia e coisas místicas, já que a revelação de ser bruxa só saiu depois da roteirista falecer.


Tem os fatos incorretos como Magali mexendo com fogão, a palmada na bunda, mesmo que só citada, os pastéis comendo os personagens que podem julgar que iam traumatizar as crianças, e então não fariam histórias assim atualmente. Nunca foi republicada até hoje, seria nos primeiros almanaques da Magali da Editora Panini e acabou não sendo nem nos Temáticos de fábulas, então ela é rara.


Os traços  são bons, típicos dos anos 90. tem detalhe de línguas dos personagens maiores que o habitual e algumas vezes de fora, porém diferente do estilo das línguas de fora do roteirista Emerson Abreu no final dos anos 90. Essas da primeira metade dos anos 90 apareciam quando eles estavam de boca aberta e bem empolgados, enquanto que os do Emerson eram com eles com  boca fechada no sentido de espanto, surpresa ou quando contavam uma piada infame.


Interessante o termo "sua monstra" dito pelo pastel, termo linguístico que não existe e já foi assunto de livros escolares. Já tive livro de português com trecho desse quadrinho mostrando esse termo e ter que passar para norma culta. Linguagem informal dos gibis eram muito trabalhados nas salas de aula para ver como era escrito errado e como deveria passar para norma culta e mostrar os erros de acordo com a matéria.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Capa da Semana: Mônica Nº 10

Uma capa com a Mônica de férias prestes a visitar os pontos turísticos de São Paulo como Playcenter, Instituto Butantã, Zoológico, Simba Safari e Museu do Ipiranga. Na verdade, a capa é uma alusão à promoção "Pinte em São Paulo" e nessa edição sairia os ganhadores da promoção. As vezes tinham capas fazendo referência a concursos e brindes que saíam nos gibis e essa foi uma delas.

A capa dessa semana é de 'Mônica Nº 10' (Ed. Globo, Outubro/ 1987).


domingo, 31 de dezembro de 2017

Chico Bento: HQ "Pra ver o ano passar"

Mostro uma história em que o Chico Bento faz de tudo para ficar acordado à meia noite, até contando com ajuda de um galo pra se manter acordado na passagem de ano. Com 10 páginas no total, foi publicada em 'Chico Bento Nº 77' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Chico Bento Nº 77' (Ed. Globo, 1989)

Começa com o Zé da Roça chegando na casa do Chico Bento e a mãe dele, Dona Cotinha, diz que ele estava tomando café na cozinha. Zé da Roça chega lá e vê o Chico de pijama e tomando café, só que já eram 3 da tarde.  Zé da Roça fala que sabia que ele era preguiçoso, mas nem tanto. Chico diz que vai explicar, mas antes fica tomando várias xícaras de café, causando estranheza ao Zé da Roça.


Depois de ter tomado café, Chico pergunta que dia era hoje. Zé da Roça diz que era 31 de dezembro, último dia do ano. Enquanto troca de roupa, Chico pergunta o que vai acontecer à meia noite e Zé da Roça responde que é a passagem de ano, 1990. Então, Chico diz que acaba sempre dormindo na hora da passagem de ano e nunca vê nada, só os outros que festejam. Zé da Roça também diz que nunca vê e eles imaginam que o ano é um bebê cruzando o céu cheio de estrelas brilhantes ou um cometa que de repente faz uma curva, simbolizando, assim, a "virada do ano".


Chico diz, então, que ele acordou tarde e tomou muito café pra aguentar acordado até meia noite e que dessa vez não escapa. Já no lado de fora da casa, Chico fala que não vai fazer esforço nenhum e mostra o seu galo Gerineldo, que foi treinado o ano inteiro para cacarejar bem alto assim que vê que ele fechou os olhos. Zé da Roça fica animado pra ver a passagem de ano também e vai pra casa tomar café.


Chico comenta que o Zé da Roça correndo daquele jeito vai se cansar e acabar com sono depois e por isso ele não vai fazer nenhum esforço, até que surge um touro na frente dele, fazendo o Gerineldo fugir e o Chico é obrigado a correr por causa do toro atrás dele. Ele consegue pular uma cerca e consegue despistar o touro e fica na esperança que pelo esforço que fez na correria, não tenha sono na passagem do sono.


Chega de noite e começa o Réveillon na casa do Chico. Começam a aparecer os convidados, Chico põe roupa bonita de domingo, seu pai Bento fica jogando na varanda com os amigos, sua mãe  põe a mesa cheia de comidas gostosas. Chico comenta que todo ano ele se entope de comida dando sono depois e naquele ano ele ia comer bem pouquinho pra não dormir, e depois todos ficam na sala para conversar enquanto ele fica sentado no banco. Ele fala que nessa hora acaba  caindo de sono, mas naquele ano não, e que nem vai precisar do galo Gerineldo. Até que chega quinze para meia noite e do nada Chico dorme enquanto tava falando com o Gerineldo que estava bem acordado. Nessa hora, Gerineldo cacareja bastante, chacoalha o Chico e ele não acorda. Os pais veem o Chico dormindo e o leva para dormir na cama.


No quarto, Gerineldo joga balde d'água no Chico e ele não acorda. Como última tentativa, Gerineldo tira uma pena dele e espeta a bunda do Chico, que dá um salto bem alto da cama gritando de dor, acordando assim.  Chico viu que era o seu "galinho" que fez acordá-lo e Gerineldo diz que fez isso porque ele não é besta porque depois ia sobrar para ele. Eles vão até o lado de fora da casa e todos estavam reunidos na contagem regressiva de 10 segundos da passagem do ano. Chega 1990 e eles se abraçam, estouram champanhe, tocam buzina, batem panela e soltam fogos de artifício, deixando Chico surpreso.

No dia seguinte, Zé da Roça encontra o Chico e fala que não conseguiu ver a passagem de ano porque acabou pegando no sono e pergunta se o Chico viu. Ele responde que até ficou bem acordado, mas bem na hora que o ano ia passar, o pessoal fez tanto barulho e estardalhaço, que não deu pra ver nem ouvir nada na hora do ano surgindo, terminando assim.


Uma história muito legal, mostrando que as crianças não conseguem ficar acordado até meia noite para ver a virada do ano e ficam imaginando como é. Para o Chico Bento e Zé da Roça, o ano era um bebê ou cometa que surgiam de repente no céu à meia noite e as pessoas davam boas vindas a ele e, então, quando o Chico viu a barulhada toda se decepcionou por não ter visto o bebê no céu como imaginava. Ele continuou pensando que o ano era um bebê, mas, na sua inocência e falta de explicação dos pais, o barulho e os fogos impediram de ver o ano-bebê. 


Interessante mostrar o galo Gerineldo fazendo de tudo para acordar o Chico, até balde com água fria jogou e nada de ele acordar, até ser espetado na bunda com a pena do galo. Era legal histórias do Chico ás voltas com os bichos. O Gerineldo só apareceu nessa história mesmo. Legal também ver a rotina simples de um Réveillon na roça do Chico Bento.  Os traços muito bons, bem típico dos anos 80 e consagrados, com direito a Chico com narigão do jeito como eu gostava.


De curiosidade, sempre que essa história foi republicada, eles alteram o ano "1990" para o ano corrente que está sendo republicada. Na própria Editora Globo já fizeram essa alteração, logo na primeira vez que foi republicada no almanaque "Mônica Especial de Natal Nº 3' (Ed. Globo, 1997), mudando "1990" para "1998" e nas outras vezes sempre alterados também, o que acho bobagem, pois a gente sabe que almanaques se tratam de republicações e podiam manter como foi no gibi original. Na Panini, além dessa troca de ano, eles ainda mudam tirando o cachimbo do Seu Bento na parte que ele estava conversando na cadeira de balanço com os convidados do Réveillon.


Outro ponto incorreto são os personagens soltando fogos de artifício nas mãos na hora da virada do ano e isso eles não aceitam hoje em dia e não fariam histórias assim atualmente. Talvez até quem sabe é por isso nunca mais fizeram histórias de Réveillon ultimamente, pois em algum momento teria que ter fogos de artifício para mostrar a passagem de ano. Eles fazem histórias de Natal sempre, mas histórias de Réveillon nunca mais teve.


Um detalhe na capa dessa edição 'Chico Bento Nº 77', que tiveram erros com o Zé Lelé aparecendo com dente e a Rosinha ficou com nariz como acento circunflexo ao invés do formato "c". Ficou diferente, mas mesmo assim muito boa a capa, principalmente a piada dos corações apaixonados do casal se misturando com as goiabas.

UM FELIZ ANO NOVO PARA TODOS!!!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Capa da Semana: Magali Nº 19

Uma capa bem caprichada com a Magali tomando banho em uma banheira, só que ela é toda em estampa de melancia, do jeito que a Magali gosta.

A capa dessa semana é de 'Magali Nº 19' (Ed. Globo, Março/ 1990).