sábado, 5 de junho de 2021

Rolo: HQ "Casal sem vintém"

Mostro uma história com o Rolo tentando enganar sua namorada no encontro para ela pensar que ele tinha dinheiro, quando na verdade, não tinha. Com 6 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 165' (Ed. Abril, 1986).

Capa de 'Cebolinha Nº 165' (Ed. Abril, 1986)

Rolo pede dinheiro emprestado para o seu pai. Ele nega porque já emprestou semana passada. Rolo insiste para quebrar essa e o pai fala que só se for a guitarra na cabeça do filho. Rolo lamenta que está mais liso que nem quiabo em pleno sábado, dia do encontro com a sua namorada Lilian e nem adianta pedir aos amigos porque são mais duros que ele e se pergunta onde é a forca mais próxima para se matar.

Tina aparece e pergunta o motivo do baixo astral. Rolo diz que vai sair com a Lilian e está sem dinheiro. Tina o aconselha a Lilian financiar o passeio e pergunta se eles não racham as despesas. Rolo diz que as vezes, mas não queria que a Lilian soubesse que ele estava duro, ia ficar sem graça. Tina acha bobagem, a Lilian entenderia. Rolo tem uma ideia da namorada não perceber que eles estava sem dinheiro e aí resolve ir ao encontro sendo muito sutil.

À noite, Rolo toca a campainha e Lilian comenta que ele demorou. Rolo diz que esqueceu de pôr gasolina no carro. O casal vai ao cinema a pé e na fila da entrada, Rolo finge que está distraído para Lilian pagar as entradas. Ele sai da fila bem na vez que era para eles pagarem, fica uns minutos olhando para o Céu, até achar que já deu tempo da namorada pagar.


Rolo volta e Lílian pergunta onde ele foi. Rolo diz que pensou que era o Cometa Halley, mas era só um vagalume e na distração nem viu que era a vez deles, mas já diz que era para eles entrarem no cinema. Lilian fala que falta comprar os ingressos. Rolo se espanta  que ela não comprou e, então, fala que não vão ver aquele filme, é uma droga. Lilian comenta que o filme ganhou o Oscar e ele diz que foi marmelada e o casal vai a uma lanchonete.

Lilian pede várias coisas e Rolo, aflito, dá desculpa que só trouxe talão de cheques e o estabelecimento não aceita. Lilian diz que aceitam e continua pedindo mais coisas. Rolo apela falando que ela está gorda, comendo daquele jeito tinha que estar e melhor começar um regime já. Lilian fala que não está gorda e Rolo diz que é o que ela pensa e vão embora da lanchonete.


Lilian acha que o Rolo está esquisito e a noite está acabada para ela e manda pedir táxi para levá-la para casa. Rolo fala que vão voltar a pé para aproveitar para ela perder peso andando. Lilian, dá uma bolsada na cabeça dele, dizendo que não precisa perder peso e nem dele também e termina o namoro. Rolo confessa que estava sem dinheiro e não queria que ela percebesse. Lilian diz que era bobagem, tinha que ter falado antes. Rolo pergunta se ela pagaria tudo e ela diz que não porque o pai dela também não emprestou dinheiro e estava dura. Os dois riem e no final vão namorar no banco da praça e Rolo fala que  ainda bem que as melhores coisas da vida são de graça.


História engraçada demais com Rolo fazendo de tudo para que sua namorada Lílian não perceba que ele estava sem dinheiro no encontro. Se tivesse dito a verdade desde o início e ter ouvido o conselho da Tina, não precisaria passar por toda essa vergonha. Felizmente, ele se deu bem dessa vez já que a namorada também estava sem dinheiro. Mostra situação de jovens que querem sair, mas estão sem dinheiro e nem os pais querem ajudar a emprestar dinheiro para sair e mostrar que não precisar gastar muito para namorar.

Foi muito divertido ver o Rolo pedindo dinheiro para o pai, que, por sua vez, só quebraria guitarra na cabeça dele, as desculpas do Rolo como sair da fila do cinema para ver o Cometa Halley e dizer que a namorada estava gorda só para ela não pedir nada na lanchonete, assim como ele levar uma bolsada na cabeça. Tudo isso foi rachar de rir. Incorreta por um tema assim mais para jovens em um gibi infantil, fora a ideia de Rolo enganar namorada só por não ter dinheiro não ser bem vinda. As falas do Rolo de suicídio na forca e de que filme é uma "droga" (palavra proibida) e a violência da bolsada na Lilian na cabeça do Rolo também seriam censuradas.


Tina naquela época só aparecia para ser a conselheira, livrar os amigos dos seus problemas, principalmente os amorosos e ser conciliadora para que eles voltem a namorar. Era muito comum Tina assim em vez de ter os seus próprios conflitos, tendo mais destaques Rolo, Pipa e Zecão neste núcleo e Tina passou a ter histórias mais frequentes com os seus problemas a partir dos anos 1990. Já a Lílian apareceu só nessa história já que o Rolo aprecia com namorada diferente a cada história, mesmo quando ele se dava bem no final. A ideia era essa de ele sempre ter uma namorada diferente apropriada ao roteiro de cada história ou paquerar várias em uma mesma história por ser a característica principal na época. 

Interessante ver as coisas bem datadas como gírias como "estar liso", "tostão", e também a moeda "Cruzado" que circulava na época e, principalmente, Cometa Halley, que foi o que mais chamou a atenção, que era a sensação de 1986, ano em que ele passou na Terra pela última vez. Naquele ano era o assunto do momento e a MSP não ficou de fora e criou capas especiais no mês de fevereiro e histórias especiais sobre o cometa e fora ainda ser citado algumas vezes ao longo das revistas de 1986 já que as histórias eram produzidas alguns meses antes de chegarem a bancas, como foi nessa história.


Os traços excelentes da fase consagrada dos anos 1980 que nunca deviam ter mudado, principalmente na Turma da Tina. Foi republicada depois no 'Almanaque da Mônica Nº 48' (Ed. Globo, 1995) e no 'Almanaque do Cascão Nº 40' (Ed. Globo, 1997). Curioso ser republicada em almanaques diferentes com 2 anos só de intervalo, histórias para republicações não faltavam, podiam estar com pressa para fechar a edição. quem sabe. Aconteceram outras vezes republicações recentes entre almanaques da MSP. Termino mostrando as capas desses almanaques republicados.

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 48' (1995)

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 40' (1997)

terça-feira, 1 de junho de 2021

Capa da Semana: Chico Bento Nº 105


Uma capa bem caprichada com o Chico Bento fazendo formar um grande coração para a Rosinha com a bolinhas de sabão para demonstrar todo o seu amor para ela. As capas do Chico namorando Rosinha eram muito bonitas. 

A capa dessa semana é de 'Chico Bento Nº 105' (Ed. Abril, Agosto/ 1986).

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Mônica: HQ "Péssimo Negócio"

Em maio de 1991, há exatos 30 anos, era lançada a história "Péssimo Negócio" em que a Mônica passa sufoco para se livrar de uma lagartixa de plástico. Com 10 páginas, foi  história de abertura de 'Mônica Nº 53' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Mônica Nº 53' (Ed. Globo, 1991)

Mônica encontra um ambulante chorando porque estava lá há horas e não conseguiu vender nada e que desse jeito vai à falência. Mônica pergunta quanto custa a mercadoria e como custava 20 cruzeiros, ela resolve comprar para ajudá-lo. O vendedor entrega o produto rapidamente falando que Mônica fez um ótimo negócio e vai embora, falando que esse truque nunca falha.

Mônica comenta que é bom ajudar os outros e quando vai ver o que comprou, vê que era uma lagartixa, fica desesperada de medo e tenta soltar, mas a lagartixa fica grudada na mão dela. Mônica tenta desgrudar a todo custo, já com medo de pôr a outra mão, descobre que não era uma lagartixa de verdade, era de plástico com uma ventosa e por isso ficava grudada. Quando joga fora, a lagartixa gruda no cabelo de uma mulher que estava passando na rua e ela desmaia. O marido vê que não era de verdade e taca a lagartixa na Mônica, a chamando de menina má.

Mônica resolve jogar a lagartixa no lixo, mas no caminho encontra a Magali e a Denise. Não queria que as amigas a vissem com a lagartixa e resolve esconder na boca. Denise fala que elas fundaram o clubinho das meninas e foram convidar a Mônica para ser sócia. O clubinho só aceita meninas finas, elegantes e educadas. Magali vê a Mônica com boca cheia e comenta que não é nada elegante comer e não oferecer para os outros e quer saber o que ela tem na boca. Mônica tenta desviar, se assusta ao pisar em uma pedrinha e mostra a língua com a lagartixa. Denise informa que Mônica está excluída do clubinho, Magali pede licença e as duas desmaiam.

Mônica fica furiosa e joga  a lagartixa no lixo, mas o lixeiro manda a Mônica não jogar a coisa nojenta no lixo, dizendo que os lixeiros são o quê. Mônica fica mais furiosa ainda, soltando palavrões e vai para casa pra deixar bem escondida. A mãe se assusta vendo a Mônica com lagartixa no ombro. Antes de desmaiar, Mônica avisa que é de brinquedo e Dona Luísa manda a filha tirar aquilo da vista dela.

No quarto, Mônica procura um esconderijo para lagartixa e põe na sua testa para não ficar olhando para a cara de boba da lagartixa. Nisso, Cebolinha e Cascão estão planejando plano infalível para a Mônica: ou ela entrega o Sansão a eles ou vão ameaçar a  tacar besouro e minhoca nela. Cascão comenta que foi um sufoco catar aqueles bichos nojentos e cebolinha diz que vai valer a pena porque a Mônica sente mais nojo que eles

Os meninos ordenam Mônica entregar o "coelhinho encardido". Mônica não aceita e antes de eles falarem que é bom porque senão tacam bichos nela, eles veem lagartixa na cabeça da Mônica. Ela diz que foi ela quem colocou, é uma praga e até na boca já escondeu. Os meninos se espantam e acabam desmaiando.

Mônica vê que eles iam tacar besouro e minhoca nela e quando acordam, correm com medo de ela colocar os bichos na boca deles. Mônica gosta porque depois dessa vão demorar a bolarem outro plano infalível e passa a achar que bom que comprou a lagartixa. Mônica fala com ela que prestou um favorzão e olhando bem nem é feia e é de brinquedo e fez perder um pouco o medo que tinha de lagartixa. Mônica toca nela, põe na cabeça e comenta que estava mais geladinha e escorregadia. 

No final, Dona Luísa aparece falando que deixou a lagartixa de plástico medonha junto com os trastes da garagem. Então, Mônica se toca que estava tocando em uma lagartixa de verdade e desmaia e Dona Luísa, sem saber, pensa que é efeito retardado, e a lagartixa pensa que a Mônica é bicho pegajoso.

História muito engraçada. Mônica tenta se livrar de uma lagartixa de brinquedo que comprou com um ambulante malandro e arruma muita confusão ao causar medo e nojo em quem via e pensavam que era uma lagartixa de verdade. No final, quando se acostumou, acabou tocando em uma de verdade e ela que desmaia com nojo. Foi querer fazer boa ação e se deu mal. Erro dela também de ela comprar sem perguntar antes o que ambulante estava vendendo.

Foi engraçado ver a Mônica e todos com medo ou nojo da lagartixa, inclusive o lixeiro, ela colocar na boca e na cabeça. Na vida real também muita gente tem pavor de lagartixa, aí ficou também a crítica a isso. Eu até acho lagartixa normal, não tenho medo nem nojo, mas muitos não pensam assim.

É também tipo de história com a personalidade da Mônica de medo de bichos e insetos sujos como lagartixa, ratos, minhocas, baratas, etc. Ela toda valentona, bate em todo mundo, mas tinha ponto fraco de ter pânico desses bichos a ponto de fazer escândalos e até ser derrotada por eles. Nessa história até que incluíram também Cebolinha e Cascão com nojo, não só as meninas e mulheres, mas normalmente os meninos não tinham nojo desses bichos.

Legal também as partes de monólogo da Mônica. Eu gostava de ver os personagens falando sozinhos, ficava engraçado. Dessa vez não foi história toda, mas em boa parte a Mônica falava sozinha. Os grandes personagens conseguem fazer graça sozinhos. Incorreta por ter envolvimento de personagens com bichos assim considerado sujos, no final a Mônica até tocou em uma lagartixa de verdade, assim como Mônica falar palavra "Droga!" e palavrões. Ela tinha que ter jogado no lixo desde o início, é incorreto jogar coisas no chão.


Na parte que Cebolinha e Cascão falam ao mesmo tempo para a Mônica entregar o Sansão para eles, tem a curiosidade de quando o Cebolinha fala alguma coisa ao mesmo tempo com alguém, a fala dele saía sem trocar "R" pelo "L", prevalecia a fala de quem falava certo. A propaganda inserida na história dessa vez foi na lateral direita foi do grupo "Ama", escola de música, bem frequente nas revistas de 1991. 

Os traços muito bonitos e caprichados inclusive com curvas nos olhos quando estavam bem brabos, adorava assim. Denise ainda com traços diferentes a cada história, até que ficou bonita assim. Primeira vez que Denise apareceu em uma revista da Mônica, antes aparecia só nas revistas da Magali. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Uma história do Astronauta enfrentando um Novo Demônio


Compartilho uma história em que o Astronauta teve que livrar a Terra de ter dois Diabos dominando o planeta. Com 15 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 75' (Ed. Abril, 1979).

Capa de 'Cebolinha Nº 75' (Ed. Abril, 1979)

Começa com anjos subindo a "Escada da Ascensão Espiritual" no universo e um anjo para de subir no meio do caminho e senta na escada. Um anjo comenta que já aconteceu há milhões de anos e o último que fez isso foi confinado no planeta Terra e está até hoje provocando confusão com seu mau gênio, rebeldia e todos os seus poderes e deve acontecer com esse ser que acabara de sentar.

O outro anjo comenta que ele não parece ser mau e o outro ser diz que quando param de subir, começam a transforma-se e em seguida aparecem os Anjos Guardiões que só aparecem quando o equilíbrio do universo está ameaçado.

Eles perguntam ao Anjo porque parou, a ascensão é obrigatória. O Anjo responde que teve uma vaga lembrança quando eles podiam subir ou descer há milhões de anos, e teve saudade de quando tinham aquele alegre irresponsabilidade. Os Anjos falam da consequência dessa "alegre irresponsabilidade": gases e matérias em explosão contínua, constelações formando-se e desmanchando e o universo explodindo mil vezes, tudo por causa de forças terríveis que são desencadeadas quando algum deles resolve descer.

O Anjo fala que não estava descendo, apenas parou um pouco. O Anjo Guardião diz que nenhuma força pode parar no universo e, então, o Anjo resolve descer como rebeldia. O Anjo Guardião aciona a emergência que tem um anjo caído ameaçando o universo. Eles tentam a técnica do circuito alado dimensional para irem atrás dele e o Anjo não entende por que tata pressa deles.

Cada vez que desce, começa a transformação e ele passa a entender a preocupação dos anjos. Passa a se transformar em um diabo e diz que quanto mais desce, mais sente energia que nunca imaginou que tivesse no corpo, é a dor e a força de mil universos explodindo dentro dele. Os Anjos Guardiões unem as asas para a formação do circulo dimensional, cercam o Anjo Diabólico e conseguem se livrar do segundo Ser Diabólico e lamenta que o "Planeta Prisão" vai ter mais um diabólico motivo para se preocupar.

Nas proximidades da Terra surge o Ser Diabólico e ao ver a Terra e diz que seja quem for que viva lá, vai conhecer a força dos seus novos mil ódios e maldades. Astronauta estava próximo e Vê um vulto na sua nave e pensa que era um anjo no vácuo espacial. Ele vai conferir mais de perto. O Ser Diabólico considera o Astronauta uma coisa insignificante e que deve ser habitante do "Planeta Prisão" e joga o Astronauta de volta à nave apenas com um gesto. 

Astronauta vai checar o que é aquela criatura que pode ser perigosa para a humanidade e descobre que ele era um demônio, vindo de outra dimensão e com tantos poderes quanto o velho Diabo Terrestre. Comenta que o nosso Diabo deve ter vindo do mesmo lugar que ele e reconhece que existe de fato. O Ser Diabólico fala que tem bilhões de habitantes na Terra e vai gerar mais guerras, desconfiança e destruições  e o Velho Diabo exilado terá muita coisa que aprender com ele.

Surge o Velho Diabo da Terra e fala que mais um deixou de subir a escada e foi parar nos domínios dele. O Novo Demônio diz que era domínio até agora e pergunta por que ele não pensa em aposentadoria, Astronauta vê que eles estão discutindo e isso não pode acontecer, pois são muito poderosos e seria perigoso para a humanidade. O Velho Diabo fala para ele voltar para a escada como um bom diabinho e evitar aborrecimentos e o Novo Demônio sugere que para ele partilhar o mundo da Terra e se não concordar disputam duelo na força e ele ganha por ter a força de mil demônios novos.

Astronauta interrompe, avisando que se eles brigarem lá perto da Terra, vão destruir todo o sistema. O Novo Demônio fala que é o terráqueo insignificante de novo e Velho Diabo corrige que nenhum deles são insignificantes se podem ser grandes aliados e fora que Astronauta tem razão, quem quer que vença, vai ficar vagando pelo vácuo espacial porque não sobrará muita coisa do sistema solar se desencadearem todas as energias na luta.

Astronauta leva os demônios à sua nave e, através de aparelhos especiais, fazem brigar no universo neutro para não atingir a humanidade e dentro de uma hora, ele traz o vencedor do duelo. Então, o Novo Demônio volta à escada celestial e fica revoltado que foi enganado pelo humano e pretendia ensinar muitas coisas aos terráqueos. Logo reconhece que eles não tinham nada a aprender com um pobre diabo como ele e resolve subir a escada com os outros anjos.

Na nave, Astronauta comenta que um toque no botão "retorna às origens" e a Terra fica livre dos 2 Diabos, teve que enganá-los, mas não ficara com consciência pesada. Vão ficar lutando por uma hora e o vencedor da batalha mortal vai ficar toda eternidade esperando que ele ligue a máquina de retorno, e ficar para sempre vagando no vácuo espacial. Acha que foi uma ideia diabólica e dá gargalhada, mas logo percebe falou palavra "diabólica" e estranha.

No final, o Velho Diabo, vencedor do Duelo, estava em cima da nave do Astronauta, só esperando ele chegar na terra para voltar a domina ro Planeta Prisão, e comenta que desde o início já sabia da "ideia diabólica" do Astronauta com tanto tempo de serviço, não era difícil imaginar a verdadeira intenção do Astronauta.

História maravilhosa, envolvente do início ao fim mostrando a ideia da "Escada de Ascensão Espiritual", escada para aumentar o nível espiritual dos anjos, mas quando um anjo desce e se transforma no Diabo e é exilado no Planeta Terra. Mostra também como seria a Terra se tivessem dois diabos ou então ter um pior que o Diabo atual. Como não podia ter dois diabos na Terra, resolvem duelar e Astronauta aproveita para fazer os dois sumirem e não ter mais diabo na Terra, mas não contava com a habilidade do Velho Diabo já saber do seu plano e conseguiu reverter e voltar à Terra.

Como já estava sabendo das intenções, por isso o Velho Diabo aceitou e ainda disse que terráqueos podem ser grandes aliados. Astronauta não teve ética e pensava que podia enganar o Diabo, mas viu que não era bem assim. Percebeu que o plano deu errado quando falou a  palavra "diabólica" que, naquelas alturas, não devia mais existir e tudo devia estar em harmonia na Terra. Astronauta não podia destruir o Diabo porque na vida real ele ainda existiria e daria mensagem errada para os leitores, por isso o Diabo se deu bem nessa história.

Sensacional também ver a rebeldia do Novo Demônio em descer a "Escada de Ascensão Espiritual", a luta dos anjos guardiões para não desequilibrar o universo e a luta entre o Novo e o Velho Diabo para ver quem vai ficar governando a Terra. Interessante que Astronauta foi só aparecer a partir da página 7, roteirista quis deixar bem explicada a forma do Novo Diabo aparecer na Terra. No início também não falaram abertamente sobre diabos e que o anjo estava virando um novo diabo, só deixavam a  entender, e só foi sendo explicado melhor depois da presença do Astronauta. A Terra considerada como Planeta Prisão, um castigo para os seres maus foi legal também.

Capaz de até ter sido o Mauricio de Sousa o roteirista dessa, visto que nos anos 1970 ele gostava de escrever histórias longas de aventuras e com ar filosófico para personagens secundários como Astronauta, Horácio, Piteco, Turma da Mata. 

É considerada bem pesada para um gibi infantil e impublicável atualmente, sem dúvida, achariam traumatizante para as crianças. Nem pode mais ter diabos nos gibis, muito menos assim nesse nível. Na época, os gibis atendiam a todas as idades e por isso até era comum esse estilo de histórias. Depois, fizeram a história "O Deus Cebola" ('Cebolinha Nº 155' - Ed. Abril, 1985), antológica também, com esse tema da "Escada de Ascensão Espiritual" com a diferença naquela que o Anjinho teve ética de ajudar o Diabo no final e nessa, o Astronauta agiu de má fé, pensando que podia enganar o Diabo.

Os traços são um show a parte, sensacional ver desenhos assim bem detalhados, nunca foi visto o Diabo desenhado assim. O Astronauta ainda com bochechas pontiagudas, característico dos anos 1970 e na colorização, o Astronauta aparece com cabelo de cores diferentes, na época prevalecia com o cabelo branco, mas as vezes aparecia de cor amarelo e outras da cor da pele dele e nessa ficou variando cabelo entre branco e cor de pele, mas nada que tire a magia da história.

Tudo indica que nunca foi republicada até hoje, e, com isso, se torna bem rara, mas não seria republicada porque era considerada incorreta para os anos 1980, muito pelo contrário, por sinal, já que seguiam com histórias incorretas a todo vapor. É que pouquíssimas histórias de secundários dos anos 1970 foram republicadas por padrão. Nos Almanaques do Cebolinha, Cascão e Chico Bento só tinham histórias dos respectivos personagens. Já nos almanaques da Mônica, normalmente os chamados "Almanaques da Mônica" tinham histórias só dela e os com termo "Almanaque da Turma da Mônica" é que tinham também histórias com secundários e mesmo assim procurando colocar histórias mais curtas deles. Essa do Astronauta podia ser sido republicada a partir de 1984 a 1986 pela Editora Abril e por causa disso não deve ter sido. E na Editora Globo não foi por ter passado o tempo, ser considerada velha para republicação.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Capa da Semana: Cebolinha Nº 89

Uma capa em que o Cebolinha cria um novo plano infalível para derrotar a Mônica logo após ter sido bastante surrado por ela quando descobriu o seu plano infalível. Bem a cara do Cebolinha a sua paranoia de derrotar a Mônica, custe o que custar, e não sossegar até conseguir. Desistir, jamais! Muito legal.

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 89' (Ed, Globo, Maio/ 1994).