terça-feira, 3 de março de 2020

Capa da Semana: Chico Bento Nº 30

Nessa capa, a Turma do Chico Bento está brincando de colocar o rabo no burro com olhos vendados e o Zé Lelé acaba colocando o rabo na bunda o Chico Bento com Rosinha e Zé da Roça dando gargalhadas por estarem confirmando o Chico como um burro, até por conta das notas zero dele na escola, e por ele ter gritado com o prego na bunda. Incorreta atualmente por conta de comparar o Chico como um animal, o Chico se machucar com o rabo espetado na bunda e o bullying dos seus amigos por conta disso tudo.

Curiosidade do Zé Lelé aparecer de dente pra fora igual ao Chico. Embora o padrão é aparecer sem dentes, mas alguns desenhistas na época desenhavam o Zé Lelé de dente. E a revista teve aquelas terríveis etiquetas de preço por conta da inflação e quando retiravam sempre danificava o papel. Nessa a etiqueta foi retirada.

A capa dessa semana é de 'Chico Bento nº 30' (Ed. Gobo, Março/ 1988).


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Cascão e Cebolinha: HQ "O plano do vestidinho vermelho"

Em fevereiro de 1990, há exatos 30 anos, foi lançada a história "O plano do vestidinho vermelho" em que o Cebolinha teve um plano infalível de tirar o vestido vermelho da Mônica pensando que o vestido seria o segredo da força dela. Com 7 páginas, foi publicada como história de encerramento de 'Cebolinha Nº 38' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Cebolinha Nº 38' (Ed. Globo, 1990)

Começa com o Cebolinha falando com o Cascão que descobriu o segredo da Mônica. Cascão fala que já tentaram de tudo, não era cabelo, dentões ou coelhinho, e Cebolinha diz que ainda não tentaram uma coisa. Ele leva o Cascão até à Mônica e diz que ela está sempre com vestidinho vermelho e o segredo da força estaria nele e precisariam tirar o vestido da Mônica

Cebolinha diz que quem ia tirar a roupa dela seria o Cascão. Ele pergunta por que tem que ser ele e Cebolinha responde não tem problema se não quiser tirar, mas quem levaria a fama de ter derrubado a Mônica seria só ele, fazendo, assim, o Cascão participar do plano infalível.


Cascão pergunta para a Mônica se pode tirar a roupa dela. Mônica acha uma safadeza em cima dela e Cascão diz que era a forma de tirar a barata que estava nas costas dela. Mônica fica desesperada e vai até a uma moita pra tirar o vestido e dá para o Cascão, que entrega par ao Cebolinha. Mônica vê que era um truque e sai da moita para bater neles, mas vê algo e sai correndo. Os meninos comemoram que ela correu por estar sem força e vão atrás dela, mas logo aparecem dois velhinhos conservadores, reclamando que a menina estava correndo pelada.

Mônica vai para casa e eles pensam que fugiu de medo. Cascão avisa que ela pode pegar outro vestido porque ela tem vários vestidinhos vermelhos e imediatamente vão ao quarto dela e roubam todos os vestidos do guarda-roupa e correm rindo da cara que ela ficou por ter sido roubada. De fato, ela só tinha vestidinhos vermelhos.


Cebolinha tem a ideia de como a Mônica fica forte com o vestido, que eles vão vestir e distribuir para a turma toda para ficarem fortes e, juntos, derrotarem a Mônica. Logo depois, todos os meninos estão usando os vestidos da Mônica, com Jeremias reclamando se estão mais fortes mesmo vestidos daquele jeito e Zé Luís se achando ridículo. Mônica aparece com camisa e bermuda e eles aproveitam para testar a força com os vestidos dela. Cebolinha fala que ela não aprendeu a lição, que a fracota agora não é de nada e xinga de baixinha e dentuça.

Mônica fica furiosa, vermelha de raiva e bate em todos eles. No final, os velhinhos conservadores veem tudo e reclamam que no tempo deles meninos não apanhavam de meninas e nem andavam por aí de vestidinho, era tudo uma pouca-vergonha enquanto os meninos ficam cheio de dores e Cascão contente que pelo menos dessa vez não foi ele quem estragou o plano.


É muito engraçada essa história, típica história de plano infalível padrão, dessa vez com Cebolinha e Cascão querendo confirmar se o segredo da força da Mônica seria por causa do seu vestidinho vermelho. Muito boas as tiradas com Cascão inventando que tinha barata as costas da Mônica para poder tirar o vestido dela, Mônica achando safadeza do Cascão querer tirar roupa dela, os meninos roubando todos os vestidos dela e ainda vestir para ver se conseguem ter a força dela.


Foi confirmado o mistério dos personagens sempre vestirem as mesmas roupas. Eles têm várias roupas de um só modelo no guarda-roupa e, assim, a Mônica só tem vestidinhos vermelhos no seu. Nunca foi revelado o motivo da força da Mônica, não tem nada que comprove por que ela é tão forte, como um objeto ou cabelo ou os dentes como eles falaram. Por exemplo, o Popeye era forte quando comia espinafre, o Sansão por causa do cabelo. Já com a Mônica, é apenas forte e pronto. Até já teve uma história similar, "O plano da calcinha de rendinha" (Cebolinha Nº 11 - Ed. Globo, 1987), com a ideia de que a força da Mônica era por causa da calcinha que usava, mas o desenrolar foi diferente.


Foi legal ver o Zé Luís participando do plano infalível. Quando criado, era ele quem criava os planos, depois de um tempo passou essa função para o Cebolinha, mas de vez em quando ele participava dos planos do Cebolinha mesmo com idade de 16 anos, bem mais velho que os outros meninos. Ficava engraçado na idade dele interagindo e participando de planos com as crianças. Uma vez ou outra ele  também tinham histórias com ele bolando planos como no final dos anos 60 e início dos anos 70.


Os velhinhos conservadores deram um ar diferente e indício de politicamente correto, quando frisavam que meninas não andam peladas na rua, meninos não andam de vestidos nem apanham de meninas, que tudo era vergonhoso e indecente. Só faltaram falar da Monica vestida com bermuda como roupa de menino. Serviu como contraste de como era no início e final do século XX, os tempos eram diferentes, não dava para comparar, tudo muda. A história tem momentos incorretos como os meninos roubando as roupas da Mônica, agindo como ladrões, não seria permitido história assim hoje em dia.

Os traços muito bons, como sempre na época. O Jeremias dessa vez apareceu com círculo em volta da boca ao invés de lábios, não sendo padronizado como era. Apesar de prevalecer os lábios, mas as vezes desenhavam com círculo em volta da boca dependendo do desenhista. Os meninos menores com 6 anos de idade apareceram só os vestidos por serem da mesma altura e os maiores como Jeremias e Zé Luís ainda apareceram bermuda e calça, respectivamente. Fica até o absurdo como o vestido entrou no Zé Luís.


Tudo indica que seja da roteirista Rosana Munhoz, ela quem gostava de nomear planos infalíveis, mas nada confirmado que seja dela. No título acabou aparecendo crédito de nome do Cascão primeiro do Cebolinha, podia ter sido "Cebolinha e Cascão" ou até mesmo "A turma". Talvez, a princípio seria publicada em algum gibi do Cascão e depois mudaram para gibi do Cebolinha. Teve um erro em posições de balões no último quadrinho. Pelo visto o balão de "plano infalível"que ficou como fala do Cebolinha, seria fala do Jeremias e "Cascão ter estragado o plano" que ficou como fala do Jeremias, seria fala do Zé Luís. Enfim, história muito legal e foi bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Cascão: HQ "As irmãs Cremilda e Clotilde atacam no Carnaval"

É Carnaval e mostro uma história em que as irmãs Cremilda e Clotilde tentaram dar banho no Cascão durante o Carnaval. Com 5 páginas, foi história de encerramento de 'Cascão Nº 65' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cascão Nº 65' (Ed. Abril, 1985)

Nela, Clotilde vê a Cremilda  no sofá e pergunta no que está pensando. Cremilda diz que é nos planos delas no Carnaval. Clotilde pensa que era onde vão pular o Carnaval, qual salão, mas Cremilda fala que está é planejando dar um banho no Cascão, que o Carnaval é melhor época para se molhar alguém e depois do Carnaval ele vai se chamar "Limpão".


Cremilda e Clotilde se fantasiam de caubóis e vão à rua para tentar molhar o Cascão com garrafa squeeze (bisnaga) e quando o encontram, elas jogam água nele e finalmente conseguem dar banho nele. Mas elas têm a surpresa que não era o Cascão, e, sim, o Xaveco fantasiado por causa do Carnaval e Xaveco reclama que elas estragaram a fantasia dele.

Depois encontram o suposto Cascão comendo melancia e quando molham, veem que era a Magali disfarçada. Em uma nova tentativa acabam molhando o Anjinho disfarçado de Cascão. Em seguida, percebem que todos resolveram se fantasiar de Cascão e único jeito para descobrir quem era o verdadeiro foi jogar água em cima de todo mundo, mas ninguém era o Cascão.


De repente Cremilda e Clotilde sentem um cheiro fedido, parecendo um caminhão de lixo, e aí era o verdadeiro Cascão fantasiado de imperador romano. Elas tentam molhá-lo, mas por terem molhado todos da turma, acaba toda a água delas. Cascão dá um abraço nelas e comenta que nesse ano todo mundo resolveu se fantasiar de Cascão. No final, quando ele vai embora, Cremilda e Clotilde estavam imundas com o abraço  do Cascão e uma joga água na outra para ver se limpam da sujeira impregnada enquanto o povo na rua pensam que elas estavam se divertindo no Carnaval.


Uma história legal com as irmãs Cremilda e Clotilde fazendo planos de dar banho no Cascão no Carnaval, mas não contavam que a turma toda iam se fantasiar de Cascão. Na época, o povo tinha o costume das pessoas darem banho uma nas outras com garrafas durante o Carnaval e os roteiristas sempre procuraram fazer histórias e piadas de tentativas de darem banho no Cascão no Carnaval por causa disso. 

O Cascão dessa vez apareceu só na última página, mas ficou sendo representado com seus amigos fantasiados como ele. Como Cremilda e Clotilde estavam vestidas de caubóis de faroeste, até poderiam ter colocado armas com água para dar uma impressão mais real de faroeste, mas pelo visto preferiram as bisnagas para ter mais capacidade de água dentro. Na época as armas nas histórias eram liberadas normalmente, as bisnagas foram só para seguir a tradição do Carnaval. Para republicação hoje em dia, até seria um ponto positivo para não ter alteração, porém eles não costumam mais fazer histórias com os outros fazendo planos infalíveis para dar banho no Cascão, contra a vontade dele, fora que não fazem mais histórias de Carnaval e os palavrões ditos pelo Xaveco e a palavra "Diacho" não seriam bem vindos hoje, aí não fariam atualmente história assim.


As irmãs gêmeas Cremilda e Clotilde foram criadas no lançamento do gibi do Cascão pela Editora Abril em 1982, como vilãs para dar banho no Cascão. Elas foram morar no bairro do Limoeiro e tinham mania de limpeza extrema, tudo tinha que estar um brinco sem um mínimo de poeira sequer. Ao verem que o Cascão era muito sujo tinham obsessão de dar banho nele a todo custo e faziam planos para dar banho nele, mas sempre fracassavam. 

No início, o Cascão era inocente, não sabia que Cremilda e Clotilde só tinham desejo de dar banho nele e as irmãs fingiam que eram amigas dele para tentar banho nele. Com o passar dos anos isso mudou e ele passou a saber dos planos e fugia das irmãs, provavelmente para não mostrar falsidades nos gibis. Eu preferia quando ele era inocente de não saber dos planos delas como foi nessa história, ficava mais engraçado. Essa foi uma das primeira vezes que elas contracenaram com outros personagens da turma sem ser o Cascão, no início era raro elas contracenarem com outros personagens sem ser o Cascão.


Traços ficaram bacanas, típicos de histórias de miolo da época. A capa da edição bem interessante, como Cascão deixando um aviso dando satisfação que não apareceu na capa por causa do pessoal jogar água nos outros no Carnaval. Eram interessantes capas assim sem ele aparecer por causa da água predominando. E de certa forma, até teve um pouco a ver com o tema dessa história do gibi por conta disso. 

Foi republicada depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 13'- Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996). Deixo aqui a capa dessa edição.

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 13 - Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Capa da Semana: Cebolinha Nº 74

Uma capa em clima de Carnaval com  Cebolinha e a turma curtindo o Carnaval com as fantasias que usaram na história "Estripulias no salão" que abre esse gibi. Destaque maior do Cascão fantasiado de lata de lixo como ele gosta tanto. Na Globo era raro ter capas com alusão à histórias de abertura, no caso, fizeram um desenho com eles curtindo com base nessa história de abertura.  Ficou muito legal.

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 74' (Ed. Globo, Fevereiro/ 1993).


terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

HQ: "Chico Bento e o velho cão"


Em fevereiro de 1990, há exatos 30 anos, foi lançada a história "Chico Bento e o velho cão" mostrando a morte do cachorro Fido, que já estava bem velhinho. Com 6 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 38' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Mônica Nº 38' (Ed. Gobo, 1990)

Começa com o Chico Bento assobiando para chamar o seu cachorro Fido, assobiou bastante e Fido não atendia. Chico vê que o Fido, que estava dormindo na hora e reclama que ele não ouviu, que estava assobiando há mais de 1 hora e fala que vão caçar tatu.


Fido tenta farejar, mas acaba espirrando e tossindo e Chico estranha que ele nunca espirrou daquele jeito. Surge um tatu e Chico manda o Fido correr para pegá-lo e quando vai ver encontrar ao Fido cansado e ofegante só do pouco tempo que correu e Chico reclama que ele perdeu a pista do tatu.

Chico lembra dos bons momentos com o Fido como a vez que foram caçar tatu e Fido partiu para briga com uma onça que ia pegar o Chico e da outra vez que foram caçar tatu e Fido conseguiu pegar 3 trazendo amarrados para ele e comenta que já tem alguns aninhos aquilo. Aí Chico se toca que o Fido estava velho, mas ainda assim era o melhor, nenhum cachorro vai ser igual a ele e que a nova missão era ensinar aos cachorros mais novos tudo que sabe.


Assim, Chico põe o Fido para ensinar táticas de caça e luta para dois cãezinhos. Fido fica só olhando os cachorros, cada vez mais cabisbaixo. Depois, Chico vai levar um osso par ao Fido e encontra morto no chão. Chico chora muito e lamenta que não pôde fazer nada. Seu Bento chega e conta que o que o filho podia fazer pelo Fido já fez, amou, cuidou dele e não deixou faltar nada enquanto que o Fido ensinou o Chico a ser responsável, gostar dos bichinhos e a cuidar do próximo.

Chico concorda com o pai e diz que vai guardar o Fido para sempre no coração. Nessa hora, aparece o espírito do Fido e dá uma lambida no Chico como forma de gratidão e amor que teve enquanto estava vivo e Chico estranha que parece que sentiu uma lambida enquanto o espírito do Fido fica olhando para ele, terminando assim.


Sem dúvida uma história muito emocionante e com bonita mensagem, mostrando para os leitores a morte de um animal de estimação querido, como lidar com a perda e mostrar que é uma coisa natural quando envelhece. . Chico não estava sabendo que o Fido estava velho e prestes a morrer e estava tratando bem rude, como se estivesse preguiçoso para caçar como sempre faziam e sentiu muito quando ele morreu. 

Muito emocionante ver o corpo do Fido caído morto no chão, o Chico chorando por ele ter morrido e ainda aparecer o espírito no final lambendo como gratidão e que mesmo morto estava lá sempre presente com o Chico mesmo depois de morto. Todos que á tiveram perda de um animal de estimação com certeza se identifica muito com essa história. 


O Fido é o cachorro oficial do Chico e nas histórias antigas aparecia mais em histórias do Chico caçando animais selvagens e apesar de ter morrido nessa história, logo depois ressuscitou, ainda mesmo em 1990 ele apareceu na capa de 'Chico Bento Nº 85' e em outras histórias. Durante os anos 90 ficou um tempo sumido, mas voltou a aparecer com certa frequência a partir de 2004, principalmente em histórias do roteirista Paulo Back e ultimamente é raro aparecer. 


Os traços muito bons, bem típicos de histórias de miolo da época. É incorreta atualmente, além do tema envolver morte de cachorro e nos dias de hoje não podem ter histórias com final triste, ainda tem os fatos de ter o Chico com trabuco na mão (os personagens não aparecem mais com armas nas histórias), caçando tatus, contracenando com onças e envolver espiritismo. Completamente inadmissível nos dias de hoje, podem achar tudo traumatizante, principalmente ver o cachorro morto, o que é uma pena por não ver histórias assim.


Seria melhor essa história ter saído em um gibi do Chico Bento, tipo no encerramento de gibi dele, inclusive foi a primeira vez que mostrei uma história do Chico de um gibi da Mônica. Eles colocavam histórias do Chico em gibis da Mônica e do Cebolinha para os leitores terem noção de como eram os gibis dele e até servia também para mostrar qe o Chico era um personagem do Mauricio de Sousa, já que nos gibis dele não tinham histórias com a Turma da Mônica e aí quem começa a colecionar custa a perceber que Chico era da MSP. Eu mesmo quando comecei a colecionar só fui perceber que o Chico era da MSP por causa de suas histórias nos gibis da Mônica e Cebolinha. 

Sem dúvida uma história excelente e bem marcante, muito bom relembrar há exatos 30 anos.