terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Mudanças nos traços do Pelezinho, Jeremias e Dona Morte

Quem viu nas bancas 'As Melhores Histórias do Pelezinho # 8', 'Cascão # 84' e 'Mônica # 84' teve uma surpresa desagradável ao ver, respectivamente, os traços do Pelezinho, do Jeremias e da Dona Morte diferentes. Um desrespeito com fãs e profissionais da época e nessa postagem, comento sobre isso. 


Sobre o Pelezinho, ao ver a capa do almanaque, o público já nota que tiraram o círculo rosado em volta da boca do Pelezinho e colocando nariz que não tinha. Só que ao virar a página, a grande surpresa: simplesmente redesenharam todas as cenas do Pelezinho, colocando exatamente como estava na capa. Odiei a mudança. Se já não bastassem as modificações que fazem nas histórias dos almanaques para atender o politicamente correto, agora resolveram alterar os traços clássicos do personagem e sua turma. Revoltante. 

Ficou horroroso assim. Sem expressividade, conseguiram descaracterizar o personagem e estragar a arte dos anos 80. Ficou constrangedor. E ainda tem momentos que a boca dos personagens ficam retas demais ou tortas de tão mal feito que ficou. Totalmente sem noção.

Além do Pelezinho, todo os os personagens negros, lamentavelmente, tiveram seus traços alterados, deixando igual ao Pelezinho. Com isso, Cana Braba e Teófilo aparecem diferentes também. O pai do Pelezinho, seu Dondinho, não pareceu nessa edição, mas também terá seus traços alterados. O Cana, inclusive, conseguiu ficar o pior. Só a Bonga mantiveram, provavelmente, dizendo que está de batom, mas mesmo assim ela está com lábios menos carnudos e levemente menores do que antes.

Trecho da HQ "O segredo da fórmula X"

No prólogo, eles colocam um esclarecimento falando que "o traço foi reestudado para se tornar mais moderno, atualizado e universal". Como assim? Se for para modernizar todos os personagens, vão daqui a pouco alterar o cabelo da Mônica que parece um cacho de bananas, mudar a cor do Bidu porque não existe cachorro azul, além de tirar suas barbichas dele porque cachorro nenhum tem aquilo, ou modificar os narizes dos personagens porque um acento circunflexo está errado e assim por diante. Isso tudo é descaracterizar os personagens, e foi o que fizeram com a Turma do Pelezinho com essas mudanças. 

Turma do Pelezinho em sua versão clássica e consagrada

Já não bastava a Turma da Tina com aqueles traços feito "Barbie" (e que prometem mudar novamente para pior quando relançarem a revista da Tina) e agora essa com o Pelezinho. A Turma da Tina em 2008 ficou tão horrível que até mudaram algumas coisas depois para ficarem menos pior, mas está ruim da mesma forma, principalmente o Rolo. Ao menos, quando republicam histórias antigas da Tina, eles mantêm os traços como eram (só falta isso também). Não vejo motivo para modificar essas reedições do Pelezinho.

Se fosse só a capa, ou se fizessem histórias novas com esses traços, até aceitaria, por ser um desenho recente, embora achando feio assim. Mas alterar todos os desenhos das histórias não dá para engolir. Ficou péssimo. Fora o desrespeito com todos os profissionais envolvidos, alterando todo o trabalho dos desenhistas da época e toda a dedicação que tiveram, para mudar tudo assim, sem mais nem menos. Tudo para o desenho não parecer preconceituoso para as crianças de hoje. Ridículo.

Trecho da HQ "Bonga a conselheira"

Talvez a MSP recebeu vários e-mails e cartas de mães reclamando que aquela boca com círculo rosado ou com lábios exagerados era preconceituoso, que seus filhos estavam traumatizados e resolveram mudar para atender o politicamente correto, ou quem sabe, reclamando também que um personagem não pode aparecer sem nariz. E junta, com a vontade de modernizar os traços, aí fica essa tosqueira que descaracterizou o personagem.

Porém, segundo o "Universo HQ", em 'Pelezinho Coleção Histórica', os traços não vão mudar. O que é menos mal, porém dá impressão que eles pensam que só as crianças é que compram 'As Melhores Histórias do Pelezinho' (já que elas não vão se importar com as mudanças dos personagens) e só os adultos compram a Coleção Histórica, ou seja,  quem gostar da nova versão compra o almanaque e quem gostar da versão antiga que compre a Coleção Histórica.

Não acho isso não é correto, porque eu mesmo comprava os 2 títulos. As histórias republicadas no almanaque têm foco nas últimas edições de 'Pelezinho' da Editora Abril (por volta de 1981/ 82), enquanto que em 'Pelezinho Coleção Histórica' republica as primeiras histórias (atualmente em 1978). Eu nem fazia questão de ter material repetido, só queria ler as histórias logo. Comprar as originais, o que seria o ideal, sai muito caro na internet; agora, com essa palhaçada, teremos que esperar até por volta de 2016 para ler essas histórias com os traços do jeito que eram nas originais em 'Pelezinho Coleção Histórica', isso se até lá não resolveram modificar os traços na Coleção Histórica também, ou senão o título é cancelado antes da hora. Bola fora.

Comparando as 2 versões história "Bonga a conselheira", olha como ficou horrível a versão nova. A imagem da esquerda é a original, tirada de 'Pelezinho # 52' (Ed. Abril, 1981), e a da direita é dessa nova versão de 2013. A original é infinitamente melhor. 

Comparação da HQ "Bonga a conselheira"

Curiosamente, essa não foi a primeira vez que o Pelezinho teve seus traços alterados. Em 1990, a MSP tinha planos de criar uma versão adolescente do personagem, com 12 anos de idade. o projeto, felizmente, não vingou, ficando só as imagens de apresentação dos personagens na nova versão no especial 'Pelezinho 50 Anos' e aparecendo em uma propaganda de serviço telefônico da "Telesp" para ouvir dicas de futebol dele. A propaganda mostro a seguir:

Propaganda tirada de ' Chico Bento # 107' (Ed. Globo, 1991)

Já em 1992, o Pelezinho apareceu diferente em 2 ocasiões, ambas retratado como criança: na história "O Melhor", de 'Cascão # 136', e em todo o 'Gibizinho do Pelezinho # 24'. Na história "O Melhor", em que o Cascão deseja a um poço de desejos um amiguinho bom de bola para jogar futebol e aparece o Pelezinho. Nessa história, o Pelezinho aparece ainda sem nariz, porém com lábios rosados e carnudos, sem aquele círculo rosado em volta da boca. Já nas histórias do 'Gibizinho do Pelezinho # 24', o último com histórias inéditas dele até hoje, além de aparecer assim com lábios, colocaram um nariz nele. Abaixo, uma imagem da história "Embaixadas" com os traços do Pelezinho no "Gibizinho do Pelezinho # 24":

Trecho da HQ "Embaixadas" (Gibizinho do Pelezinho # 24 - Ed. Globo, 1992)

Apesar de ficar diferente e feio também, até que ficou menos pior do que o atual por causa dos lábios. Lembrando que apenas o Pelezinho sofreu alterações nessas histórias de 1992, os demais personagens da sua turma permaneceram inalterados. E as histórias do especial 'Pelezinho Copa 90' e no 'Gibizinho do Pelezinho # 15' (Ed. Globo, 1992), ambos com histórias inéditas também, tiveram traços tradicionais. 

Uma justificativa da mudança em 1992 era apenas para padronizar a forma como os negros eram retratados na época. Dando um exemplo do Jeremias, nos anos 70, ele era todo preto que nem um carvão e com um círculo rosado em volta da boca (o Pelezinho era pintado com um marrom bem escuro, quase preto). Em 1982, talvez para economizar nanquim, resolveram colocar um marrom mais claro no Jeremias, mas ainda com o círculo rosado na boca. Já em 1983, tiram o círculo rosado e colocaram lábios e que continua a ser desenhado assim até hoje. Abaixo, um comparativo da evolução dos traços do Jeremias:

Jeremias: evolução

Como o gibi do Pelezinho já havia sido cancelado em 1983, ele não sofreu alterações nos lábios na época e resolveram fazer isso em 1992, também não fazendo sucesso e, como o personagem foi para o limbo do esquecimento até em 2012, quando voltaram a republicar suas histórias, esses traços com lábios ficaram despercebidos. Provavelmente, eles devem alterar também os traços do Ronaldinho Gaúcho e do Saci das histórias do Chico Bento e de todos os negros da MSP, deixando todos sem lábios. Aliás, o Jeremias já apareceu sem lábios em 2 histórias de 'Cascão # 84' e também em 'Mônica # 84'. Nos futuros almanaques também deve ter a boca alterada que nem o Pelezinho. Abaixo uma imagem do "novo Jeremias". 

Novo Jeremias, tirado de "Cascão # 84' (Ed. Panini, 2013)

Sobre o conteúdo desse almanaque do Pelezinho, foi dose de ler as histórias com traços desse jeito. Nem deu gosto de ler direito. Aparentemente, não teve alteração nos textos dessa vez e continua com situações incorretas, como eles contracenando com bandidos e a mãe do Pelezinho mostrando chinelo para bater nele. 

Então, como conseguiram estragar uma revista tão boa com essa mudança ridícula, não vou mais comprar 'As Melhores Histórias do Pelezinho', ficando agora só com a 'Pelezinho Coleção Histórica'. Com isso, logicamente, não vou mais comentar sobre esse almanaque, que eu costumava elogiar tanto. Será uma pena que vou ter que esperar uns 3 anos para ler essas histórias que saem nesses almanaques, mas não dá para aturar traços assim, descaracterizando e avacalhando com os personagens.  

E, além do Pelezinho e Jeremias, quem teve traços alterados também foi a Dona Morte. Em Mônica # 84, colocaram a Dona Morte com lábios, seios e formato dos olhos diferentes, incluindo cílios, e tiraram o buraco do nariz, ridicularizando e descaracterizando completamente a personagem. Um horror. Tudo para deixar mais feminina e não assustar mais as crianças. Abaixo mostro a imagem da "nova Dona Morte".

Nova Dona Morte: ridícula

A Dona Morte quando criada tinha listas verticais, dando um ar mais sombrio e misterioso sobre sua forma, e  a partir dos anos 90 aparecia também com o rosto todo branco e colocaram o buraco do nariz, deixando claro que ela era uma caveira, prevalecendo essa 2ª forma nos anos 2000. Eu gosto dos 2 traços, preferindo os com traços verticais. Agora do jeito que apareceu em 'Mônica # 84' é avacalhação. As histórias dela e da Turma do Penadinho já estão péssimas e a Dona Morte não mata mais ninguém, e agora colocar traços horrorosos assim estragou totalmente.

Dona Morte: evolução

É revoltante a falta de consideração com os fãs. É difícil saber quem ficou pior dos 3, mas fico com o Pelezinho porque envolve trabalhos de outra época que foram alterados. Espero que percebam a burrada que fizeram e voltem com os traços antigos desses personagens. Só sei que não compro mais 'As Melhores Histórias do Pelezinho'.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Capa da Semana: Cebolinha Nº 12

A capa que eu compartilho é do Cebolinha recebendo um presente de grego do Papai Noel. E ele ainda ri da cara do Cebolinha. Muito engraçada..

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 12' (Ed. Globo, Dezembro/ 1987).


sábado, 14 de dezembro de 2013

Mônica Especial de Natal Nº 7 - Panini


Já nas bancas "Mônica Especial de Natal Nº 7", o mais recente almanaque com republicações de histórias de Natal. Nessa postagem, comento sobre essa edição e também a coleção como um todo.

Desde 1995, são lançados almanaques de Natal anuais com o formato tipo "Almanaque Temático", reunindo histórias sobre o Natal e, algumas de Ano Novo. Eles republicam histórias a partir de 1978, sendo a mais velha republicada até hoje foi a história "S.O.S. Papai Noel", com o Chacrinha, de Mônica # 104 (Ed. Abril, 1978). Nesses especiais, eles costumam colocar também histórias politicamente incorretas, só não republicam atualmente extremamente incorretas para os padrões corretos, como a história "Um ladrão na noite de Natal" (Mônica # 140, de 1981), em que um bandido invade a casa da Mônica bem no Natal (mas já saiu em Especiais da Globo). 

Trecho da HQ "Um Natal Glacial" (Cebolinha nº 96 - Ed. Globo, 1994)

Apesar da ideia de um almanaque anual de Natal ser interessante, o problema desses almanaques é que republicam sempre as mesmas histórias e por isso fica cansativo. Elas são ótimas, com boas mensagens e com situações incorretas, só que  são republicadas demais e já perdeu a graça. Muitas histórias já saíram umas 4 vezes ou mais, incluindo os almanaques das 2 editoras (Globo e Panini). Difícil alguém não tê-las. Até quando republicam as histórias da Editora Abril são as mesmas, ou seja, não são mais raras.

Na Globo, os especiais até o nº 4, de 1998, tinham histórias diferentes uma das outras. Já a partir do nº 5, de 1999, começaram a repetir algumas histórias que já haviam saído no nº 1 de 1995. Depois disso, deixou de circular por 4 anos e voltou em 2003, seguindo a numeração de onde havia parado, e mesmo assim continuaram a repetir as histórias de edições anteriores. Para piorar, o título "Mônica" deixou de ser metalizado e as capas deixaram de ser cartonadas como eram até 1999, passaram a ter menos páginas e com preço mais caro. Desses da Globo eu tenho do nº 1 ao nº 4.

Trecho da HQ "O bom menino" (Cascão nº 102 - Ed. Globo, 1990)

Quando foi para Panini, o especial voltou ao nº 1, logicamente, mas continuaram a colocar as mesmas histórias que saíram nos especiais da Globo. Uma ou outra diferente, aos poucos liberando histórias mais novas. Histórias de 5 anos já são permitidas para republicar. Só que no geral, tudo republicadas exaustivamente. 

Dos almanaques de Natal da Panini, eu tenho a nº 2, de 2008, não porque era quase todo com histórias da Editora Abril (as histórias dele também foram republicadas inúmeras vezes, assim mesmo); comprei porque republicaram uma história da Editora Abril que eu não tinha. 

E tenho também a nº 6, de 2012, o mais diferente de todos até agora porque republicaram as histórias do Especial "Natal da Turma" de 2004, que tinham histórias inéditas, como a ótima "A campanha de Natal" e que eu não tenho o gibi original. Pra mim, foi a chance de ter aquelas histórias de 2004 que não tinha até então. Nesse nº 6 também republicaram histórias que já foram republicadas em almanaques anteriores, como forma de preencher o almanaque.

Trecho da HQ "O bom menino" (Cascão nº 102 - Ed. Globo, 1990)

Falando sobre a recente edição nº 7, eu não comprei porque tenho todas nas originais e em outros especiais de Natal. Essa edição 7 não deixa de ser diferente dos outros. São 22 histórias, incluindo a tirinha final, todas da Editora Globo, originais de 1987 a 2001, e todas saíram em edições de Natal anteriores.

Abre com a história "Um Natal Glacial" (Cebolinha # 96, de 1994), republicada pela primeira vez no Especial de Natal nº 4 (Ed. Globo, 1998) e após essa várias outras vezes. Muito legal essa história. Tem também, "O Concurso de Presépios de Natal" (Cebolinha # 185, de 2001), "O bom menino" (Cascão # 102, de 1990), "Quebra-quebra", com Mingau (Magali # 39, de 1990), "Natal bom pra cachorro", com Bidu (Cascão # 24, de 1987), para citar algumas.

Trecho da HQ "Presente de Natal" (Chico Bento nº 24 - Ed. Globo, 1987)

A que menos saiu até agora foi a história "Presente de Natal" (Chico Bento # 24, de 1987). Muito bonita, por sinal, e teve alteração nessa história. Na revista original, o Chico fala "Diacho!", e agora trocaram por "Porquera". Essas mudanças toscas não podem faltar nos almanaques. Abaixo, o trecho da história, tirada da revista original: 

Trecho original da HQ "Presente de Natal", tirado de Chico Bento nº 24 (1987)

Além dessas, só para ter uma ideia como eles republicam tanto as mesmas, 7 histórias no especial desse ano já foram republicadas no Especial de Natal nº 1 da própria Panini. São elas: "O que eu queria..." (Cascão # 76, de 1989), "Natal feliz", com Penadinho (Cascão # 76, de 1989), "Feliz Natal, Cascão" (Cascão # 76, de 1989), "Natal para todos", com Bidu (Cascão # 102, de 1990), "Véspera de Natal, Magali e Mingau" (Magali # 300, de 2000), "Neve no Natal" (Cascão # 289, de 2001), além da tirinha final também, de Cascão # 102, de 1990.  

Então, mesmo quem não tem os especias da Globo, mas tem a coleção completa da Panini, já conhece 7 histórias republicadas no especial desse ano.

Trecho da HQ "Natal para todos" (Cascão nº 102 - Ed. Globo, 1990)

Como eu tenho as originais e até pra evitar tanto material repetido eu não comprei essa edição e não coleciono esse título. Para diferenciar e acabar com a mesmice, eles bem que podiam republicar as histórias dos Almanaques da Mônica da Editora Abril que tinham histórias inéditas e que não foram republicadas até hoje. O Almanaque da Mônica nº 7 tinham histórias de 1 página inéditas; já os almanaques nº 11, 16 e 20 só tinham histórias de Natal inéditas e também nunca republicadas. Só quem tem esses almanaques é que possuem essas histórias raras.

Podiam também republicarem histórias antes de 1978. Algumas só foram republicadas nos almanaques da própria Editora Abril ou senão nunca foram até hoje em almanaques convencionais, como a história "O garrafão de Ano bom" (Cebolinha # 24, de 1974) e "Uma festa natal" (Mônica # 68, de 1975). Ou no último caso, já davam para republicar histórias da própria Panini de 2007 e 2008, que já são permitidas para republicações. Tudo para não ficar com as mesmas histórias sempre. 

Então, o especial desse ano vale para quem não tem as revistas originais, ou os especiais de Natal da Globo, ou para quem está começando a colecionar, visto que foram republicadas dessa vez histórias dos especiais da própria Panini.

Só para constar, as imagens ao longo da postagem são de histórias presentes nessa edição 7, tiradas das revistas originais da minha coleção.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Tirinha nº 9: Cebolinha

Cebolinha e Cascão não deixam a Mônica em paz nem no Natal e fazem de tudo para não apanhar dela, como mostro nessa tirinha. Curiosamente,  não é de final de expediente e nunca foi republicada até hoje.

Foi publicada originalmente em 'Almanaque da Mônica nº 7' (Ed. Abril, 1980).


quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Rei Leonino: HQ "A Árvore Universal"

A história que eu compartilho é de Natal com o Rei Leonino, que por se sentir sozinho, é construída uma "Árvore de Natal Universal" para passar o Natal junto com seus súditos. Tem 11 páginas e foi publicada no 'Almanaque da Mônica nº 20' (Ed. Abril, 1983).

Capa do 'Almanaque da Mônica nº 20' (Ed. Abril, 1983)

Começa com o Rei Leonino se lamentando que está chegando o Natal e todos os súditos estarão comemorando juntos e que passará sozinho porque ele é um rei soberano e não pode demonstrar fraqueza e passar Natal junto com os plebeus.

O ministro Luís Caxeiro Praxedes ouve tudo escondido e sai para tomar providência, do seu jeito e aproveitar para tirar proveito disso. Então, quando o Rei Leonino volta ao seu trono, Luís Caxeiro aparece com um engenheiro de construção, anunciando sua nova ideia. Rei Leonino ainda cobra que ele estava ouvindo suas indagações escondido, mas deixa o ministro contar o seu projeto.



Trata-se de uma "Árvore de Natal Universal". Com a aprovação do Rei Leonino, será construída uma árvore gigante em frente ao palácio para que o rei e os súditos possam passar o Natal juntos. Só que com essa construção, o povo da mata teria que pagar impostos para o material e eles teriam que trabalhar na construção da árvore.

Rei Leonino assina, então, a autorização para a construção da Árvore de Natal Universal, sem saber que estava sendo enganado pelo Luís Caxeiro e o engenheiro para atender a interesses próprios e arrecadar dinheiro a custa do povo da mata.



Autorizada a construção, ao mesmo tempo que o Rei Leonino fica contente e se prepara para comemorar o Natal harmoniosamente junto com seus súditos, Luís Caxeiro obriga os súditos a pagar altos impostos e a trabalharem forçados contra a vontade, sendo ameaçados o tempo inteiro por guardas reais, para que a árvore fique pronta até aquela noite de Natal. Trabalham feito escravos e excessivamente, mas o Rei Leonino não sabe da tal exploração.



Chega a noite, assim que o Rei Leonino sai do palácio, os guardas ordenam para o Raposão ligar a árvore, através do projeto de tirar uma pedra da cachoeira para jorrar água até o aparelho e gerar a eletricidade na árvore. E então, ela é ligada. Rei Leonino fica contente e deseja um feliz Natal a todos os seus súditos e nota que eles estavam exaustos. Ao mesmo tempo, ele tropeça em um fio e acaba dando curto-circuito na árvore.



Com isso, o rei fica triste com o ocorrido e conta que deixou construir a árvore só pra passar o Natal junto com os súditos. Eles, então, falam que nunca convidavam porque pensava que não queria passar junto com os plebeus e que não precisava os guardas forçá-los a trabalhar só por causa disso. Então cai a ficha e descobre a tramoia do Ministro Luís Caxeiro.

No final, enquanto todos comemoram o Natal dentro do palácio, o Luís Caxeiro e o engenheiro são obrigados a limpar toda a sujeira da árvore na mata, mas o Rei Leonino, ainda sai da festa para cobrar o ministro para acabar logo e também para desejar um feliz Natal a ele, afinal um rei nunca perde a majestade.



Uma história de Natal muito legal, mostrando a vida solitária do Rei Leonino e a má índole do ministro Luís Caxeiro Praxedes, que além de ser puxa-saco, demonstrou ser interesseiro, ganacioso e tirar proveito próprio para o seu bolso à custa dos súditos. Nessa história, o Rei Leonino é retratado como um rei solitário e amigo de todos os súditos, mas existem histórias que ele é um rei ranzinza e autoritário. 

Nessa postagem não coloquei a história completa. Curiosamente, ela era inédita até então, e, assim como as outras desse almanaque, nunca foi republicada.



Falando brevemente desse 'Almanaque da Mônica nº 20', ele é completamente diferente dos outros. Tem formato canoa maior que os outros, com 15,5 x 23 cm e com 68 páginas. Foi uma edição especial, só que seguindo a numeração do Almanaque da Mônica. Foram 8 histórias no total, só que em vez de republicações, tem apenas histórias natalinas inéditas e que nunca foram republicadas.

Além dessa do Rei Leonino e a tirinha final de Natal, tem também as histórias: "Mônica e o presentão", Oh, Oh, Oh Louco", "A grande surpresa de Natal", "Presente errado" e "O Gorro rasgado", todas essas com a Turma da Mônica, além de ter uma também com o Astronauta. Uma melhor que a outra e nenhuma delas republicadas até hoje.



Alguns almanaques da Mônica na Abril entre 1980 e 1983 tinham histórias inéditas, ou apenas uma, ou até o gibi inteiro, como no Almanaque da Mônica de Natal nº 11 e esse nº 20. O nº 7 tinha algumas inéditas de uma página. E, dentre essas histórias inéditas de todos eles, jamais republicadas até hoje, sendo esquecidas completamente pela MSP. 

Além desses de Natal, os de números 9, 10, 12 e 14 também tiveram inéditas. Quem sabe um dia, eu consiga esses almanaques da Mônica com histórias inéditas. E também, quem sabe um dia republiquem essas histórias inéditas.