quarta-feira, 18 de março de 2026

Capa da Semana: Chico Bento Nº 25

Nesta capa, Chico Bento se arruma para sair, bem produzido da cintura para cima, mas calça e pés imundos e ele nem ligou. Devia estar cuidando da roça e dos porcos e depois resolveu sair sem tomar banho. Fica a dúvida se ele não percebeu de fato que estava sujo por baixo ou sabia e deixou como estava por achar nada de mais e também para onde estava indo, quem sabe, um encontro com a Rosinha.

Capa dessa semana é de 'Chico Bento Nº 25' (Ed. Globo, Dezembro/ 1987).

sábado, 14 de março de 2026

HQ "Magrali"

Em março de 1996, há exatos 30 anos, era lançada a história "Magrali" em que a Magali sofre chacota da Carminha Frufru e da Denise por ser magra demais e resolve engordar de qualquer jeito para dar uma lição nelas. Com 13 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 177' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Magali Nº 177' (Ed. Globo, 1996)

As meninas trocam de roupa em um vestiário após jogo de vôlei e Carminha Frufru e Denise dão risadas do corpo da Magali e as duas falam que estavam lembrando de uma amiga delas muito magrela, tão magrela que quando jogam vôlei, têm medo de ela cair e se quebrar toda, que a amiga tem pernas de mosquito, que parece que um vento mais forte a leva para sempre, mas que seria bom porque magrela daquele jeito é muito feia. Magali pergunta quanto ela pesa e Carminha diz que não é para se preocupar, a amiga é bem menos magra que ela.

Na rua, Magali fica cismada e pergunta para a Mônica se ela é magricela e Mônica responde que o céu é azul e o dia vem da noite e pergunta e daí. Magali chora e Mônica fala que aparência não importa, o que é importante é a gente de gostar de si mesma. Magali diz que não interessa e quer engordar e Mônica pergunta de que jeito se ela come por dez e adianta nada. Magali diz que não vai ser como a Mônica que se conforma em ser baixinha e dentuça e Mônica diz que se não fosse amiga, quebrava a cara dela.

Magali procura na TV anúncios de produtos para ter um corpo legal. Vai trocando de canais, mostrando anúncios para queda de cabelo e mau hálito, quando encontra um produto para engordar, o Forçuder, tomando 19 cápsulas todo dia vai ganhar massa muscular. Magali pede para mãe comprar Forçuder para ela engordar. Dona Lili diz que jeito nenhum, nunca se deve tomar remédios e vitaminas sem orientação médica. No quarto, Magali lamenta na cama que queria tanto mostrar para aquelas meninas, quando olha o seu guarda-roupa, que estava aberto e tem uma ideia.

No dia seguinte, Carminha Frufru pergunta se as meninas viram a Magali. Mônica responde que ela ainda não apareceu hoje e Carminha diz que está com vergonha de exibir os ossinhos e que a verdade que nem todas são tão bem feitas de corpo como ela e a Denise. Magali aparece com casaco, calça e um corpo mais cheio e curvilíneo e as meninas se espantam, querendo saber como foi ficar assim e que deve ser algum truque. Magali diz que tomou Forçuder para desenvolver massa muscular.

Aparecem Titi e Jeremias e assobiam para Magali. Carminha lamenta que eles nem olharam para elas e Denise diz que nunca se sentiu tão criança. Carminha quer ir embora com Denise para ficarem bem longe da Magali e Mônica diz que elas ficaram caçoando da Magali e agora engulam o que disseram, vão brincar juntas como sempre e sugere jogar vôlei. Magali diz que não que jogar vôlei e Mônica acha bobagem, Magali vai poder exibir o visual.

Magali não troca de roupa mesmo com o calor, achando que está bem assim e elas descobrem que tem plateia de meninos para assisti-las jogando. Franjinha diz que foram ver a Magali e Zé Luís, que falaram que ela estava diferente e mandam as fofuras começarem o jogo, deixando Magali com vergonha com todos a olhando e Mônica pergunta se não era isso que ela queria.

Começa o jogo, Mônica e Magali contra Carminha e Denise, Carminha manda Denise jogar bola bem forte para acabar com a pose da Magali, que consegue atacar. Jogam por 15 minutos, Magali correndo muito tempo todo e cai no chão. Os meninos querem ajudá-la, Denise acha que é exibida, que foi só para chamar atenção. 

Magali diz que está bem, só precisa tirar a roupa. Ela tira vários casacos e calças, um atrás do outro e duas bolas para imitarem seios e descobrem que tudo era enchimento e que ela continua magra. Os meninos acham decepção e vão embora e Carminha e Denise xingam Magali de magrela.

No final, Magali aprende lição que o importante é a gente gostar de si mesma, se sente bem melhor assim, livre, leve e solta, sente aroma da comida de casa e vai correndo almoçar. Mônica, olhando a amiga comer por um batalhão, comenta que engordar para ela não deve ser fácil, mas que a tadinha se esforça.

História legal em que Magali cansada de ser chamada de magra pelas amigas, tem um plano de se vestir com vários casacos e calças e colocar bolas servindo como seios para mostrar que ganhou massa muscular. Só que não contava que ia atrair atenção dos meninos de paquerá-la, dando vergonha para ela e que ia jogar vôlei ao ar livre em dia ensolarado, fazendo suar muito e passar mal, sendo obrigada a tirar todas as roupas e revelar que continuava magra como sempre.  

Incrível como ninguém desconfiou da Magali engordar e ganhar corpo de um dia para o outro, só Denise que ainda pensou que seria um truque, mas descartou logo a possibilidade. Se fossem mais espertas, dava para descobrirem a farsa antes do jogo de vôlei. Carminha Frufru e Denise pegaram pesado com o bullying com a Magali, como dizer que ela tem perna de mosquito, se cair, quebra toda,  vento forte vai levar para longe para sempre, depois Carminha dizer que Magali não sai de casa porque está com vergonha de exibir os ossinhos, e ainda ficaram com inveja quando viram o corpo bonito da Magali e meninos assediando, realmente mereciam lição, só que acabaram não se arrependendo no final, continuaram a fazer bullying e agirem da mesma forma. 

Interessante Mônica dar conselho que importante é gostar da gente, mas se irrita e bate nos meninos quando xingam de baixinha, dentuça e gorducha. O típico dizer que faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Também meninos dando em cima de menina mais nova, sendo pior o Zé Luís que era o mais velho de todos dando em cima de menina de 6 para 7 anos. Titi teve sorte da Aninha não ter descoberto, a namorada não ia gostar de saber de ele estar investindo na Magali, mais nova que ela.

Dona Lili bem que poderia levar a filha para endocrinologista e nutricionista por ver que está triste magra, porém agiu certo em não comprar Forçuder para a filha, não dá para tomar sem recomendação médica. Foi bom esse alerta de produtos milagrosos para engordar e para emagrecer que vendem livremente por aí e que resolvem nada, só para enganar os outros.

Engraçado o bullying da Carminha e da Denise no início da história e Magali nem se tocar que estavam falando dela, Mônica responder que o céu é azul e o dia vem antes da noite como era coisa normal a Magali ser magra, Magali xingar Mônica de baixinha e dentuça e Mônica dizer que se não fosse amiga, quebrava a cara dela, os produtos anunciados na TV, como "Peruquei" para queda de cabelo e "Tapaboca" para mau hálito, os meninos assediando a Magali, ficando com vergonha, Carminha dizer que Magali tão desenvolvida olhando para os seios e Denise, nunca sentiu tão criança quando meninos não repararam nela.

Mostrou a característica de Magali comer, comer e continuar magrinha, sem engordar um grama e sofrer por causa disso e dessa vez ela comeu só no final. Até teve coisa rara de meninas aparecerem sem camisa, sem top e só de calcinhas, era mais comum meninos sem camisa, não as meninas. Foi legal também meninas jogarem vôlei juntas, assim como eram meninos jogando futebol, ficou diferente. Fica a dúvida de onde tinha vestiário lá se jogavam na rua e não em um clube.

Zé Luís apareceu em dois quadros da página 11 do gibi, mas depois sumiu no resto da história. Era normal quando tinham muitos personagens juntos, acabarem um ou outro sumindo ao longo da história. Jeremias já tinha lábios comuns desde 1983, porém uma vez ou outra parecia com círculo em volta da boca, variando de cada desenhista. Denise aparecia diferente a cada história, dessa vez ela foi morena com penteado de cabelo diferente. Já Carminha Frufru com visual loira e até parecida como ficaria definitiva nos anos 2000. Carminha já estava fixa nos gibis em 1996, aparecendo mais, e adotando um jeito menina vilãzinha, rivalizando com a Magali.

História póstuma de Rosana, lançada depois de ela morrer. Creio que se Rosana continuasse conduzindo, a Carminha ficaria com destaque maior do que é a Denise hoje, talvez Carminha seguiria essa linha, se tornaria uma vilã ácida e invejosa e a Denise formando dupla como sua assistente. 

Essa é impublicável atualmente por mostrar meninas só de calcinhas, com direito a Denise com calcinha de cor de pele que parecia que estava nua, bullying com corpo magro da Magali, Carminha e Denise não se arrependerem do bullying no final, Magali procurar produtos milagrosos para engordar, fingir que tem seios e meninos assediando e dando em cima de menina mais nova, Carminha e Denise preocupadas em não serem assediadas pelos meninos, Jeremias com lábios com círculo rosa em volta da boca e colorido com pele escura assim.

Traços muito bonitos do estilo consagrado dos personagens. Teve erro dos cabelos da Carminha e do Franjinha com tom de amarelo mais escuro no primeiro quadro da penúltima página. O enquadramento foi de até 6 quadros por página, o que estava bem comum na época em histórias de abertura escritas pela Rosana. Pena as cores tão escuras assim, sobretudo o marrom com mesmo tom em tudo e até Jeremias ficando mais escuro que o normal, e até capas também adotaram esse estilo como pode reparar o cabelo da Aninha com tom mais escuro do mesmo tom do caule  da árvore. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos. 

terça-feira, 10 de março de 2026

Piteco: HQ "Caiu na rede é marido"

Mostro uma história em que o Piteco cai em uma armadilha e tem risco de ser devorado se não quiser se casar. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 21' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Cebolinha Nº 21' (Ed. Globo, 1988)

Piteco caça um dinossauro, cai em uma armadilha e cai em um abismo subterrâneo. Fala que está frito, surge uma voz que diz que frito, não, assado, que é assim que prefere suas vítimas. Piteco, em uma rede, quer saber quem é e onde está e a voz diz que é ela quem faz as perguntas e quer saber como está a saúde dele. Piteco acha que está bem, a voz o toca com um pedaço de madeira e vê que é gordinho, do jeito que ela gosta.

A voz pergunta se Piteco é casado, que é o mais importante, ele diz que não e nem pretende ser e pergunta por que quer saber isso. A voz responde que não devora animais casados por preservação de espécie, mas por ele ser solitário e não terá filhos, pode saboreá-lo sem culpa e só não vai devorá-lo se ele casar e ter muitos filhotes.

Piteco quer saber como vai arrumar alguém para casar naquele buraco e a voz diz que tem uma moça que capturou ontem e não pôde devorá-la porque garantiu que sua vocação é para casar e ter filhotinhos. Piteco acha que é a Thuga, é capaz de tudo para tentar amarrá-lo, e tem uma ideia, assim diz para a voz que morre, mas morre solteiro, que pode assar, cozinhar e avisa que ele fica muito bem com cebola.

A voz fala que de repente perdeu o apetite, Piteco pergunta se então ele pode ir embora. A voz lança uma corda e Piteco sai do buraco. Piteco fala que queria ter visto a cara da Thuga, que devia ter ficado tão decepcionada, quando vê Thuga conversando com a Ogra, descobre que não era ele e pergunta quem era então. No final, é mostrado que eram dois monstros, com o pai falando que é para filhinha parar de apaixonar pelas presas e ela diz chorando que ele era tão bonitinho e quem um dia vai se casar.

História legal em que o Piteco cai em uma armadilha de alguém que quer se casar e que vai ser devorado a não ser que se case e tenha filhos. Piteco fica o dilema de se é devorado ou se case. Com o desenrolar da conversa, acha que foi plano infalível da Thuga para se casar com ele e diz que prefere morrer a se casar, assim desiste de devorá-lo e manda de volta para superfície. Ao sair, Piteco descobre que não era a Thuga e os leitores descobrem que era a filha do monstro que queria se casar atraindo vítimas para o buraco.

Na verdade, de fato os monstros criavam armadilha para devorarem as vítimas que caíam, só que a filha se apaixonava por quem caía e dava a condição de não ser devorado se casasse com ela. Piteco quase se casa para não ser devorado, lembrou da Thuga a tempo para jogar lábia que preferia morrer do que se casar. Realmente tudo levava a crer que era ela, já que costumava fazer planos infalíveis para ver se conseguia casamento, mas todos tiveram surpresa que não era ela dessa vez. Piteco teve sorte da monstrinha desistir de comê-lo por conta da desilusão amorosa, se não tivesse se decepcionado ou se estivesse com muita fome, poderia ter sido devorado, mesmo ele falando aquilo. 

 Apenas os leitores que ficaram sabendo da identidade dos monstros, Piteco continuou na curiosidade porque não ia voltar lá pra descobrir. A conversa foi com o pai monstro já que falou sobre moça que capturou e que queria se casar, então ele ouviu uma voz masculina e pensado que a Thuga combinou com alguém para fazer o plano. Quem se deu bem também foi o dinossaurinho que deixou de ser capturado pelo Piteco quando ele caiu no buraco. 

Foi engraçado a criatura dizer que prefere comer assadas suas vítimas, pergunta rpela saúde e tocar na barriga do Piteco com galho pra ver se era gordinho, procurar ver o que vai bem com ele, salsinha ou cheiro verde, e depois o Piteco dizer que ele vai bem com cebola, criatura perguntar do nada se Piteco é casado e a cara de surpresa quando soube que não era a Thuga. Incorreta atualmente por envolver armadilha, Piteco ser preso em rede e quase ser devorado, casamento à força, Piteco caçar dinossaurinho e clava com prego, que, além de não existir prego na Pré-História também dá ideia de machucar mais ainda quando a vítima recebe paulada.

Traços bem bonitos da fase consagrada dos personagens. O título foi uma paródia da expressão "Caiu na rede é peixe" e ficou bem criativo. Interessante que enquanto o Piteco esteve no buraco, mantiveram cor verde em todos os quadros, deixando só alguns um pouco mais escuros para ter uma certa variação. Normalmente na MSP eles mudam cores de fundo mesmo se for toda ambientada em um cômodo de uma casa, por exemplo. Teve erro do Piteco falando de boca fechada no 3º quadro da penúltima página, mas nesse caso também fica a dúvida se o erro foi que deveria ser balão de pensamento no lugar de balão de fala.

sábado, 7 de março de 2026

Tirinha Nº 123: Chico Bento

Uma tirinha em que o Chico Bento e Zé Lelé brigam, Chico reclama que Zé Lelé é burro e como ele nega, Chico manda catar coquinho e Zé Lelé prontamente vai catar coquinho no coqueiro mais próximo. Muito engraçada.

Comprovou que Zé Lelé era burro mesmo, lerdo ao extremo, não conseguiu entender expressão "vai catar coquinho" e levou ao pé da letra. Não dá para defendê-lo. Chico falou a expressão no lugar de um palavrão, se tivesse palavrão, o Zé também teria levado ao pé da letra. 

Interessante que tinha vezes que o Chico que executava essa função de burro, herdado de quando ele foi criado e era lerdo, depois deixaram essa característica para o Zé Lelé, mas o Chico também tinha suas recaídas, variava de como achava melhor qual personagem ficaria melhor para o roteiro da história. Essa tirinha ainda teve erro do Zé Lelé falar de boca fechada, coisa que acontecia bastante na época.

Tirinha publicada em 'Chico Bento Nº 128' (Ed. Globo, 1991).

quarta-feira, 4 de março de 2026

Mônica: HQ "A Árvore Do Paraíso"

Compartilho uma história em que uma cobra ofereceu uma maçã para Mônica e Cascão com intenção de tirar a inocência das crianças assim como aconteceu com Adão e Eva no jardim de Éden. Com 12 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 111' (Ed. Abril, 1979).

Capa de 'Mônica Nº 111' (Ed. Abril, 1979)

Depois dos meninos terem aprontado, Mônica bate no Cebolinha e corre atrás do Cascão pela floresta, que está escura e Mônica enxerga nada, quando ela se assusta com o Cascão tocando nela. Mônica diz que nunca pensou que um dia ia fosse gostar de ver o Cascão, que mostra uma árvore gigante e bonita e acham que deve ser a tataravó de todas as árvores e admiram seus cipós e galhos e a árvore comemora que tem visitantes depois de tanto tempo.

Nisso, toca o alarme no céu acusando que duas crianças entraram na Zona Proibida e o Anjo Guardião grita que a humanidade está em grande perigo e voa ligeiro para avisar ao chefe porque não pode acontecer de novo. Os outros anjos guardiões estranham ele falar com o chefe, só sai dali quando a Terra está em grande perigo. No caminho, o Anjo Guardião é atropelado por um avião e cai em um a nuvem onde o Anjinho estava dormindo. O Anjo Guardião, todo machucado, fala para o Anjinho sobre a Árvore do Paraíso, que precisa salvá-los, e lhe entrega um papel. Anjinho vê foto da Mônica e Cascão diante da Árvore Proibida e que não há tempo de pedir ajuda.

Enquanto isso, Cascão está segurando cipó da Árvore do Paraíso, falando que não é à toa que  chamam de "Cascão das Selvas" e a Árvore diz que é um par perfeito e finalmente vai terminar o plano e já está na hora de aparecer para eles. O galho sai e Cascão cai no chão, ele pergunta para Mônica se cipó pode se mexer, Mônica diz que claro que não e ele manda dizer isso para ele, e olham assustados para uma cobra gigante, que se transforma em uma figura conhecida deles, o Seu Juca.

Mônica e Cascão pensam que o Seu Juca Quitandeiro era mágico, Mônica pede para ele se transformar na "minhocona" de novo e Cascão diz que já viu aquele truque e quer que ele se transforme em um sapo. A Cobra como Seu Juca pede calma, vai fazer tudo que eles querem, mas antes, quer que eles comam a deliciosa maçã. Anjinho tira a maçã da mão da Cobra e pede cuidado para eles não comerem aquela maçã. A Cobra paralisa Mônica e Cascão e diz que a turma lá de cima deve está com pouco pessoal para mandar um mísero anjinho enfrentá-lo em seus próprios domínios.

Anjinho manda flechas do amor para acabar com as maldades e as flechas engatam nos cipós e a Cobra diz que aquele é o reino dele e que a árvore, desde suas folhas até suas raízes estão sob domínio dele e prende o Anjinho dentro de uma maçã gigante e não consegue nem falar. 

A Cobra diz que agora nada impede de executar o grande plano, explica que há milhões de anos ofereceu maçã para o casal Adão e Eva e quando deram primeira mordida passaram a ter ódio, inveja, revolta, assim como seus descendentes, assim como todos seus descendentes e agora é a vez dessas crianças, quando eles morderem a maçã, todas as crianças do mundo perderão sua pureza e ingenuidade e a Terra ficará como ele quer.

A Cobra desparalisa os dois, Cascão quer comer logo e Mônica avisa que os pais deles disseram para não aceitar presentes de estranhos. A Cobra diz que não é presente, está vendendo e Mônica acha que agora sim e Cascão pergunta quanto custa. A Cobra responde que custa 5 Cruzeiros, Cascão quer pechinchar por 4 Cruzeiros, A Cobra aceita e Cascão fala que a maçã está opaca e muito pequenina, aí leva por 3 Cruzeiros. A Cobra acha pouco valor pela maçã dele e Cascão acha que está muito cara e fica por 2,50. 

A Cobra a contragosto aceita, Cascão deixa cair a maçã no chão e como está suja diz que não vale mais que 1 Cruzeiro, só que só tem 50 centavos no bolso. A Cobra aceita e Cascão diz que para vender tão barato, a maçã deve estar bichada e não cai nessa. A Cobra grita que não está bichada e Mônica pergunta por que então não o viu comer nenhuma. A Cobra come  e dá um efeito contrário, virando um pombinho, já que bonzinhos quando come a maçã ficam maus como uma cobra e cobras ficam boazinhas como um pombo.

Mônica acha o máximo o mágico que o Seu Juca era por ter virado pombinho. Cascão deseja comer maçã e o Anjinho, livre da magia da Cobra, tira todos dali voando. Mônica reclama porque queria ver mais mágicas e Cascão queria uma maçã e Anjinho diz que merecem um sorvete cada um e Mônica quer dois sorvetes para cada. No final, a Cobra reclama que um dia volta ao normal e manda a pombinha interessada nele se afastar.

História fantástica em que Mônica e Cascão vão parar na zona proibida onde tem uma cobra que oferece maçãs a eles. Disfarçou de Seu Juca para pensarem que era ele e comerem as maçãs mais fácil só que não contava que eles não aceitavam presentes de estranhos e que o Cascão queria pechinchar a venda da maçã. Com a Cobra atrapalhada ao dizerem que maçã está bichada, acaba comendo a maçã e vira um pombinho, como efeito contrário de gente má que come a maçã proibida.

O plano da Cobra era de deixar as crianças nascerem sem inocência. Criança nasce pura e o Diabo em forma de Cobra quis que desde que nascem já possam sentir sentimentos ruins. Anjinho tentou impedir após o Anjo Guardião  ter sido atropelado pelo avião e não poder avisar o ocorrido para Deus, só que não foi páreo para a Cobra que conseguiu prendê-lo facilmente em seus domínios, assim a missão de salvar a Terra ficou nas mãos da turminha. 

Mônica e Cascão agiram na inocência sem saber da gravidade que estavam passando, eles acharam que Seu Juca estava fazendo mágica e Cascão foi o grande salvador, derrotou a cobra na lábia da pechincha, de querer pagar menos na maçã. Se não tinha dinheiro, era mais fácil ter de graça como a Cobra queria inicialmente. Sobrou para a Cobra, que se atrapalhou na conversa e se dando muito mal, se transformando em pombinho após comer maçã por engano e ainda teve que aturar pomba apaixonada por ele. Bem feito.

Não era o Seu Juca de verdade, mas Cascão conseguiu deixar a Cobra irritada e tão louca como o verdadeiro Seu Juca.  Ele tinha profissão diferente a cada história e dessa vez foi retratado que era quitandeiro e como mágico nas horas vagas. Foi bom ter colocado o Cascão junto com a Mônica, ajudou a diferenciar, normalmente seria o Cebolinha no lugar. Se fosse a Magali, a Cobra teria sucesso no plano já que ela comeria todas as maçãs da árvore antes de ser oferecida para ela. A Cobra se pareceu com a Cobra Celeste de "Castelo Rá Tim Bum" da TV Cultura, aí no caso, quem sabe, a Celeste ter sido inspirada no visual desta história, ou apenas mera coincidência. E Cruzeiro era a moeda do Brasil na época, ficando até em 1986.

Foi engraçado Mônica dizer que nunca pensou que ia gostar de ver o Cascão depois que ele a tocou na escuridão da floresta, o choque do Anjo Guardião com o avião, Cascão brincando de Tarzan nos cipós, Anjinho dizer que mísero anjinho vai acabar com a pança dele, Mônica falar que não aceita presentes de estranhos, Cascão pechinchando a maçã e a Cobra dando deslize que a maçã custava mais do que o Cascão estava querendo pagar, mesmo querendo que eles comessem a maçã também não queria vender por pouco e depois não aceitarem comer porque barata demais deve está bichada.

Foi uma paródia de Adão e Eva, com o absurdo de ter o Jardim no Éden no Bairro do Limoeiro, aqui chamado de "Zona Proibida". Eles gostavam de histórias de Jardim do Éden e escada espiritual na Editora Abril, sempre eram envolventes quando tinha. Tudo indica que foi escrita pelo roteirista Reinaldo Waisman.  Incorreta atualmente por ter cunho religioso, paródia de Adão e Eva, Deus sendo chamado de "chefe", uma cobra e, principalmente, Seu Juca representados por Diabo, podem achar que seria traumático para crianças. Também não usam pombos nas histórias atuais, consideram que são bichos sujos e ideia contrária de ser um bicho bom, além de palavra proibida "louco" e alterariam "Cruzeiro" para "Real" em republicação porque não gostam de coisas datadas.

Traços excelentes do estilo do final dos anos 1970, ricos em detalhes que dava gosto de ver. Anjinho não tinha auréola na época, apareceu de auréola algumas vezes só nos anos 1980, sendo em definitivo só em 1988 quando já estavam na Globo. Tiveram erros como do Seu Juca sem bigode no último quadro da página 12 do gibi e Mônica e Anjinho de língua branca em alguns quadros. Foi republicada depois na própria Editora Abril no 'Almanaque da Mônica Nº 23', de 1984, porém até dava para ter republicado em 'Almanaque do Cascão' visto que teve participação importante e decisiva na história. Curioso que na Ed. Abril, qualquer título como 'Almanaque da Turma da Mônica', 'Mônica Especial', temáticos e afins, tudo englobava no título 'Almanaque da Mônica'

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 23' (Ed. Abril, 1984)