terça-feira, 12 de agosto de 2025

Capa da Semana: Mônica Nº 170

Nessa capa, Mônica fica braba pela pintura de xingamento de Mônica dentuça, vai tomar satisfação para o Cebolinha, que nega que foi ele quem pintou, se fazendo de anjinho mas as manchas de tinta no rosto denuncia que foi ele. Mônica dessa vez não vai cair na lábia dele, é surra na certa.

Era legal quando Cebolinha e os meninos faziam caricaturas e desaforos da Mônica nos muros, era essência deles, hoje não tem mais e rabiscam em muros colando cartazes. Não ficou explícito onde o Cebolinha pintou o xingamento, se foi em um muro alto, parede ou até mesmo no fundo da revista, ficando na imaginação de cada um. Teve um erro da meia do Cebolinha ser pintado de marrom como o sapato, devia ser meia branca, erro típico que acontecia na época. 

Capa da semana é de 'Mônica Nº 170' (Ed. Abril, Junho/ 1984).

domingo, 10 de agosto de 2025

Cascão: HQ "Videogueime? Gamei!"

Em homenagem ao "Dia dos Pais", mostro uma história em que o Seu Antenor dá um videogame para o Cascão para deixá-lo mais quieto e sem quebrar as coisas dentro de casa, mas não fica como bem o pai esperava. Com 13 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 165' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Cascão Nº 165' (Ed. Globo, 1993)

Seu Antenor reclama com a Dona Lurdinha quem desmontou o barbeador e ela diz que o mesmo quem quebrou o vaso de estimação dela, o querido e superativo filhinho Cascão, que quebra o bibelô jogando bola na sala. Seu Antenor corre para bater no Cascão, que foge, dizendo que está atrasadíssimo para  uma partida de futebol. Seu Antenor queria que o filho fosse menos ativo e sai para fazer investimento que vai fazer o filho ficar mais quieto e ajudar a economizar em muitos consertos.

Mais tarde, Cascão volta do jogo, feliz que fez 3 gols e vai ser duro enfrentar o pai em casa, mas quem sabe ele já esqueceu tudo. Antenor reclama que o filho anda impossível ultimamente, quebrando tudo e resolveu dar uma coisa. Cascão acha que é palmada no bumbum e Seu Antenor lhe dá um videogame. Cascão adora e diz que vai passar a quebrar mais coisas em casa e Antenor quer que ele fique mais quieto.

Cascão joga o videogame, Lurdinha comenta que está tudo quieto, Antenor diz que Cascão está na sala, Lurdinha acha que está com a bola e quer salvar seus bibelôs e vê que estava quieto por causa do videogame e fica feliz que ele vai dar sossego algumas horas por dia e Antenor diz que até ele quebrar o videogame.

Na hora da janta, Cascão ainda está jogando, Antenor quer que o filho pare para jantar. Cascão dá uma pausa, come depressa em questão de segundos e voltar a jogar na sala. Antenor diz para a esposa que por ser primeiro dia, eles podem deixar. Nos dias seguintes, Cascão continua jogando, Antenor vai trabalhar, Cebolinha aparece chamando Cascão para o jogo de futebol, que é final de campeonato, Cascão recusa, Cebolinha fala que se não for, vão tirá-lo do time, Cascão diz, paciência se tirarem, sempre sem tirar olho da tela.

Depois, Xaveco convida Cascão para brincar, ele diz que só se for de videogame, dá um controle para o Xaveco, dizendo que quando ele perder, o Xaveco joga. Só que Cascão segue jogando sem perder nunca, entedia o Xaveco, que vai embora. Em seguida, Lurdinha limpa a casa com aspirador de pó, Cascão não sai do lugar enquanto joga o videogame, nem quando a mãe o levanta para limpar abaixo de onde estava. Lurdinha manda o filho parar de jogar e brincar lá fora e ele vai mesmo sem vontade.

Na rua, Cascão vai jogar futebol, mas só pensa em videogame, deixa o garoto driblar a bola e faz gol. Depois, o garoto faz pênalti com o Franjinha, Cascão é chamado para bater o pênalti e a bola sai para fora. Cascão sai do jogo e em seguida a Cascuda o chama para tomar refrigerante e diz que ela paga porque recebeu a mesada. Cascão fala que quer a parte dele em fichas de fliperama. Cascão joga sem dar atenção para a Cascuda, que se irrita e vai embora, chamando Cascão de mal-educado e avisa que não é mais para procurá-la.

A ficha do fliperama acaba, Cascão volta para casa e joga seu videogame. De noite, Seu Antenor volta do trabalho, Cascão não quer saber de conversa. Antenor fica feliz que o vaso está no lugar e Lurdinha reclama com o marido que o Cascão não sai da frente da TV e não fala mais com eles, parece que não tem mais filho e quer seu Cascãozinho de volta.

Antenor vai falar com o Cascão, diz que a vida não é só videogame e que a partir de agora vai ser só duas horas por dia, Cascão pergunta o que vai fazer no resto do tempo, Antenor fala que pode jogar bola, brincar de bangue-bangue, corrida, só que dentro de casa ele pode ler. Antenor entrega livro do Robin Hood, Cascão gosta e depois resolve pegar outro livro e acaba derrubando o vaso e os pais adoram que o hiperativo voltou e Cascão fala que precisa fazer umas artes mais vezes.  

História legal em que o Cascão ganha videogame do pai Antenor para que ele não fosse mais hiperativo e parasse de quebrar as coisas dentro de casa nas brincadeiras. Só que o videogame acabou sendo um problema maior porque o Cascão se viciou no jogo e não queria sair da frente da tela para fazer outras atividades. Depois de muitos problemas, o pai decide que videogame só duas horas por dia e nas horas vagas dentro de casa é para ler livro. No final, Cascão sobe para prateleira pra pegar livro, quebra o vaso e os pais adoram por ter voltado a ser hiperativo. 

Cascão era hiperativo, não conseguia ficar sem brincar nem dentro de casa, favorecendo a quebrar os objetos em casa. O videogame fez Cascão ficar quieto, só que também fez arrumar outro problema de vício no jogo, nem pra jogar futebol ou curtir namoro com Cascuda queria mais, bem grave.

Os pais não deram limites, não determinaram horas que o Cascão devia jogar, achavam melhor jogar do que ficar quebrando as coisas na casa, depois se arrependeram, viram que ser hiperativo é bem melhor. Se os pais falassem que só podia brincar no lado de fora da casa enquanto era hiperativo, nem precisa de videogame e depois de dado o presente, tinha que ter o limite, aí nada disso tinha acontecido.

Foi engraçado Cascão quebrando as coisas e dizer que vai passar a quebrar mais coisas em casa para poder ganhar presentes caros como videogame, comer rápido para voltar a jogar, não sair do lugar nem quando a mãe o segura ao limpar a sala com aspirador de pó, a desatenção no futebol fazendo o time perder, Xaveco entediado por Cascão não perder no jogo, Cascuda irritada com a falta de atenção, Cascão responder ao pai que o mundo não é só videogame, mas também fliperama, minigame. Só não retratou se o Cascão parava de jogar para ir dormir, ficou na imaginação dos leitores.

A grafia de videogame acabou sendo aportuguesada história toda, colocando "videogueime", talvez pra melhor entendimento de leitura para as crianças. Livro do Robin Hood não teve paródia do nome dele.  Eu gostava de absurdos de que as crianças não iam para a escola, mas sabiam ler e escrever perfeitamente. Tiveram outras histórias com Cascão hiperativo e sempre eram boas com ele agindo assim. A Cascuda apareceu com sujeirinhas no rosto,  na época variava de cada história,  não era padronizado.  Hoje, ela sempre aparece sem sujeirinhas.

Dessa vez não teve roteiro de banho, sujeira. História retratou de forma divertida problemas de crianças superativas e com TDAH, os perigos das telas para as crianças e também alertar  pais que ficam dando presentes como videogames ou celular para os filhos para ficarem quietos e que pode ser pior do que ficassem brincando e quebrando coisas Em vez de educarem, pais dão celular para os filhos achando que é solução de não ter trabalho com os filhos e vira problema maior no vício deles da tela. E história ainda teve dica de que em vez de dar videogame (ou celular na atualidade), melhor dar livro para as crianças.

Apesar da boa mensagem, é incorreta atualmente por Cascão desobediente, responder o pai, dizer que o pai pode dar palmada no bumbum de leve, dizer que não vai gostar de ler livro, Antenor querer bater no filho, Lurdinha com avental e fazendo tarefas domésticas dando ideia de que é só dona-de-casa, Cascuda com sujeirinhas no rosto, expressões populares de duplo sentido "vai ser duro" e "estou duro". Como não gostam de coisas datadas, hoje em dia mudariam a TV de tubo para uma TV LED, poderiam adaptar o Seu Antenor dar um celular para o Cascão no lugar daquele videogame Atari e o povo considera lição de melhor filho tempo todo em celular e videogame do que ficar brincando em casa quebrando tudo.

Traços muito bons da fase consagrada dos personagens. Tiveram alguns erros como Seu Antenor sem bigode e falando de boca fechada no antepenúltimo quadro da 2ª página da história e Dona Lurdinha sem lábios com batom em alguns quadros e de cabelo lateral branco no último quadro da 7ª página da história e uma seta do ladode fora do olho do Cascão no primeiro quadro da última página. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Mônica Nº 700

A revista 'Mônica' atinge a marca histórica de 700 edições lançadas no Brasil no mês de julho de 2025 e nessa postagem mostro como foi essa edição que está nas bancas.


A revista 'Mônica' foi lançada em maio de 1970 pela Editora Abril e juntando todas as séries de todas as editoras que passou (Abril, Globo e Panini), essa edição "Nº 84" da 3ª série da Panini é a verdadeira "Nº 700", levando 55 anos para atingir essa marca. É a terceira personagem da MSP a alcançar essa marca, depois de Cascão e Chico Bento.

Só que a edição não teve nada de especial comemorativa, foi tudo absolutamente normal do início ao fim, nem um selo de 700 edições na capa, nem um frontispício na página 3 parabenizando a personagem pelo feito. Na Editora Panini estavam com comemorações em números redondos de revistas, nos últimos anos, só 'Cebolinha Nº 600' que teve nada. Curioso Mônica não ter comemoração já que costumam dar todas as comemorações para ela e nem sempre para os outros. Talvez não estão mais interessados em comemorações, agora com revistas sendo quinzenais ficam muitas edições comemorativas uma perto da outra e ficaria repetitivo, mas pelo menos um selo 700 na capa como foi em 'Cebolinha 600' poderia ter.  Com isso, só Magali teve comemoração de edição 600.

Verdadeiras Mônica Nº 100, 200, 300, 400, 500, 600, 700
[MN #100 (A-1978), #200 (A-1986), #100 (G-1995), #200 (G-2003), #54 (P-2011), #54 (P-2019), #84 (P-2025)]

Falando, então, sobre essa edição normal, segue o estilo padrão que vem sendo, quinzenal com 52 páginas, formato canoa, 8 páginas de passatempos e 1 página de seção de correspondências e custando RS 7,90. Tirando capas, contracapas, propagandas, passatempos e seção de correspondências, fica 35 páginas com histórias. Em relação à distribuição, chegou aqui dia 28 de julho. Estão com brindes em todas as revistas desde as de "Nº 71" de janeiro de 2025 para compensar o reajuste de preços, mas geralmente são brindes bobos do estilo cortar e montar, nessa revista, então, teve brinde de jogo de quebra-cabeça simples com a ilustração da capa da revista. 

Capa com alusão à história de abertura e o desenho se estende na contracapa, como acontece com todas as mensais desde que reiniciaram numeração nessa 3ª série da Panini. Pena o logotipo de "Mauricio de Sousa Editora" antigo ser substituído por "MSP Estúdios" desde as edições "Nº 77", de abril de 2025, anunciando novo nome da empresa e nova direção.


A novidade, além de diálogos terminando com ponto final em vez do tradicional pontos de exclamação,  é que as letras nos balões estão sendo feitas por empresa terceirizada "Lua Azul" em vez de um letrista como sempre foi. As letras continuam horrorosas em estilo digital sem serem feitas a mão só que agora não sendo mais feitas por um profissional da MSP. Neste gibi, só uma história e a tirinha final foram com letras de uma pessoa, as demais histórias com créditos de letras "Lua Azul". E o que mais temia aconteceu, Mônica ofuscada em seu próprio gibi, Milena apareceu bem mais e com grande destaque mais do que a Mônica.

A história de abertura foi "Confusão laboratorial" escrita por João Xavier e com 11 páginas em que Mônica e Milena vão ao laboratório do Franjinha quando ele inventou um robô que arruma bagunça do quarto. Franjinha sai para arrumar o quarto dele atendendo o pedido da mãe, aparece o Binho e entra na entrada secreta do laboratório, que é gigante, fazendo Mônica e Milena procurá-lo se transformarem em monstros lá.


Tem absurdos de invenções do Franjinha e o laboratório dele ter entrada secreta de extensão do laboratório luxuoso de primeira categoria, sendo tudo tratado de forma fraca e corrida, ainda mais se tratando de ter Milena e seu irmão na história. Achei também a Mônica ofuscada na história, Milena e Binho tiveram mais protagonismo e destaque que ela como um todo.

Deu para perceber que a Milena é uma espécie de ajudante do Franjinha nas invenções dele, já conhecia muito bem por dentro da entrada secreta do laboratório, isso para retratar a característica de que ela gosta de Ciências. E o Binho agora está com muito mais destaque, antes era só um amigo do Dudu, agora estão colocando também como uma espécie de pestinha substituto do Dudu, só que bem "light", muito mais comportado e sem carisma, e agora o Dudu é que anda ofuscado dos gibis. Traços digitais feios e reforço de créditos de letras da empresa "Lua Azul" tirando vez de um profissional da MSP fazer.


Em seguida vem a história "Um herói de todo mundo" com 5 páginas em que Jeremias não deixa Binho e Dudu brincarem com seu boneco Guerreiro de Júpiter e depois estranha que o boneco sempre aparece em um lugar diferente de onde deixou quando brincou pela última vez. Uma história fraca de lição de moral de não ser egoísta e para aprender que devemos compartilhar as nossas coisas, final feliz para Binho e Dudu porque não pode mais ter finais tristes nas histórias. 

Jeremias bem infantil e nem de longe lembra o antigo que conhecemos. O Jeremias está com mais destaque atualmente para mostrar representatividade de personagens negros nas revistas, também ele está com roupa diferente a partir das edições "Nº 77" deste ano, com camisa azul, bermudão verde e tênis para ele ter roupa colorida como outros personagens e dar um ar mais moderno, ficou estranho assim. Os pais do Jeremias também estão com traços diferentes, mais modernos, bem longe do estilo "mauriciano" e lembrando como foram desenhados na Graphic "Jeremias Pele". 

Mais uma vez presença de Binho, irmão da Milena, dessa vez fazendo dupla com o Dudu, reforçando a família da Milena em evidência. Para quem gosta (ou não) de erros nas histórias, mesmo com tanta tecnologia e traços digitais, o Dudu apareceu falando de boca fechada no primeiro quadro da última página. E foi a única história com letras feitas por uma pessoa, Tatiana Josefovich, e não por "Lua Azul".


Em "Errar faz parte", de 5 páginas, Luca não consegue arremessar a bola de basquete no cesto como sempre conseguia e pede ajuda para o Anjinho e Franjinha. Nem precisava isso tudo de páginas, tiveram enrolações e com menos páginas dava pra ter o mesmo conteúdo. Traços digitais de copiar e colar a ponto do Luca aparecer com desenhos iguais nos primeiros quadros da primeira e segunda páginas e, sobretudo, no segundo quadro da segunda página e também no últimos quadros da primeira e segunda páginas, deixando tudo estático e sem vida. E outra com letras feitas por "Lua Azul".


Depois vem Milena com a história "Bolo perfeito", de 4 páginas, em que o Binho come o pedaço de bolo de chocolate com cobertura de morango que a Milena tinha reservado para a Magali e Milena e o pai vão a confeitaria comprar outro bolo igual. Tudo sem conflito, o homem da confeitaria nem achava ruim e nem contestava a exigência da Milena de ser um bolo igual. Ela nem brigou com o irmão por ter comido o bolo, Binho só deu explicação que comeu sem querer porque não sabia ler e pronto. Não gostei dessa. Mais uma que Milena e a família são protagonistas sem presença da Mônica e de outros personagens conhecidos. E outra com letras feitas por "Lua Azul".


Em "Fim de Papo", com 3 páginas, um coelhinho filho do Coelho Caolho pede para o Raposão pegar uma manga do alto da árvore e Raposão recusa ajudá-lo porque não queria se levantar e sair do seu descanso. História para encher linguiça, nada de mais, com final feliz para o coelhinho e também para o Raposão que não precisou fazer esforço, pelo menos não teve lição para o Raposão deixar de ser preguiçoso. 

Traços horrorosos digitais do estilo copiar e colar, o Raposão apareceu exatamente na mesma posição a história toda, só mudando a expressão de acordo com a cena e ainda assim expressões iguais quando estava com olhos abertos, fechados ou com pálpebras à mostra. Única história com secundários de outro núcleo fora Bairro do Limoeiro. Parece que agora estão colocando menos histórias com secundários e de preferência curtas para dar foco à Turma do Limoeiro e mais destaque à Milena e ao Jeremias. E mais uma vez letras feitas por "Lua Azul".
 

Em "Era uma vez um sapo", com 3 páginas, Mônica encontra um sapo encantado que não quer virar príncipe e continuar sendo sapo. História morna de estilo de conto de fadas, extremamente infantil, nada relevante. Traços deprimentes digitais e sem vida com direito à Mônica com mesmas expressões em vários quadros e o Sansão igual em todos os quadros. Foi a única história solo da Mônica na edição e curiosamente com menos páginas do que a da Milena solo.


Termina com a história "Educação Física", de 3 páginas, em que a Mônica tem dificuldade na aula de Educação Física da escola, se atrapalhava em todos os esportes. Tudo tratado de forma objetiva, diálogos curtos que nem dá emoção e graça. Traços horrorosos que desanima mais ainda. Embora gire em torno da Mônica, não teve empenho como foram as histórias com Milena e da família dela, tudo às pressas, sem contar que a Milena também aparece e foi a única da revista com presença de Cebolinha, Cascão e Magali e como meros figurantes. Teve um erro no uniforme da Mônica jogando vôlei no segundo e terceiro quadros da segunda página, o uniforme dela devia ser laranja e não azul ou então ela tinha que estar no lado do time das meninas que estavam de azul. Letras também feitas por "Lua Azul".


Tirinha final foi com Mônica e Milena, mais presença de Milena na edição até na tirinha, nessa teve letras feitas por uma pessoa sem ser de "Lua Azul". No expediente final confirma a numeração 700 da revista da Mônica desde 1970 juntando todas as editoras, se não fosse isso, nem saberíamos que era uma edição 700 da Mônica. E ainda informam no expediente que é uma revista mensal, e não quinzenal.


Então achei que foi uma revista toda fraca e sem comemorações de 700 edições da Mônica, nada de especial, seguindo o padrão atual voltado ao politicamente correto e parecendo cartilha educativa. Dava para ter algo comemorativo para as 700 edições, como uma capa especial ou um aviso na página 3 ou no mínimo um selo 700 na capa, nem isso teve. Não é sempre que um título de quadrinhos consegue uma marca histórica de 700 edições, não merecia ficar completamente em branco. O pior mesmo foi Milena e sua família tomarem conta da revista ofuscando a Mônica, ficou parecendo uma revista da Milena e dá ideia de como seria uma revista fixa dela e lamentavelmente justo na edição 700 da Mônica acontecer isso, poderiam ter deixado uma edição assim no título "Turma da Mônica". Não comprei as outras edições de "Nº 84" então não tem resenhas delas.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Uma história do Astronauta enfrentando o Mil-Caras


Mostro uma história em que um bandido extraterrestre rei dos disfarces foge da prisão e toma a forma do Astronauta para despistar os guardas que estavam o procurando. Com 8 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 118' (Ed. Abril, 1982).

Capa de 'Cebolinha Nº 118' (Ed. Abril, 1982)

Vários extraterrestres bandidos estão jogando baralho no presídio de um planeta de outra galáxia distante da Terra, quando eles sentem falta do Mil-Caras. Ouvem um barulho, encontram um guarda amarrado e amordaçado e pensam que era o Mil-Caras disfarçado. O guarda depois de solto reclama que estava há duas horas ali amarrado e descobrem que o Mil-Caras fugiu do presídio.


Mil-Caras percebe que descobriram sua fuga e se disfarça de pedra à beira de um rio. Astronauta vai tomar banho lá, o guarda pergunta se ele viu o bandido Mil-Caras, o rei dos disfarces, que fugiu do presídio e Astronauta promete que se vir o bandido, vai avisar. Mil-Caras resolve tomar a forma do Astronauta, que estranha se ver fora do rio se nem acabou de tomar banho.

Então, o Mil-Caras rouba o traje do Astronauta, que corre atrás dele e diz que vai contar tudo para polícia. Mil-Caras finge para os guardas que é o verdadeiro Astronauta e que está sendo perseguido pelo bandido. Na confusão de saber quem é o verdadeiro Mil-Caras, o guarda pergunta de novo quem de fato é, Mil-Caras diz que é o que está do seu lado e descobrem que ele é o verdadeiro porque ficou vermelho ao mentir.


Mil-Caras joga os guardas em cima do Astronauta e resolve se livrar deles e depois sair do planeta-prisão. Leva amarrados para um abismo e está prestes a cortar a corda quando eles acordam. Astronauta pensa rápido e diz para o Mil-Caras que pode fazer tudo, mas não apertar o botão que está no peito azul do traje porque é desastrosamente perigoso. Mil-Caras aperta, uma luva gigante dá um soco nele, que é derrubado.

Astronauta e os guardas se jogam para a superfície e conseguem se desamarrar. Os guardas levam o Mil-Caras para o presídio e Astronauta volta para sua casa com sua nave. Depois, na penitenciária, Mil-Caras está arraso que seu plano de fuga fracassou, os outros presos tentam consolá-lo, um preso tem ideias de Mil-Caras usar toda a técnica dele de disfarces e no final, fazem o Mil-Caras de bola no futebol do presídio com ele querendo fugir de lá porque não era isso que queria.


História legal em que o bandido Mil-Caras foge do presídio e toma a forma do Astronauta para enganar os guardas. Astronauta descobre e tenta contar para os guardas, que se confundem quem era o verdadeiro Mil-Caras. Conseguem descobrir através da mentira do Mil-Caras, que dá drible neles e consegue prendê-los, com intenção de jogá-los no abismo. Astronauta faz com que o Mil-Caras caia na armadilha do traje e conseguem prender o Mil-Caras. No final, os presos jogam futebol com o Mil-Caras em forma de bola, o deixando com muita raiva. 


Mil-Caras podia se disfarçar de tudo, criar a forma que quisesse, por isso se transformou em pedra e em novo Astronauta. Conseguiu à princípio até enganar o próprio Astronauta pensando que era ele do lado de fora do rio, mas logo caiu em si que era impossível acontecer, e quase enganou também os guardas, diante da situação era praticamente impossível descobrir quem era quem já que o Mil-Caras pelo visto imitava até a voz, daria certo se os guardas não tivessem ideia de quem mente fica vermelho. 


A captura e a intenção de jogá-los no abismo foi bem cruel, daria certo se Mil-Caras não fosse tão lerdo em acreditar que o que tinha dentro do traje seria pior que jogá-los no abismo. Engraçado  ter uma luva de boxe que dava um auto soco quando era acionado, ninguém contava com isso, traje do Astronauta tinha de tudo para ele se livrar dos perigos. No presídio de volta, Mil-Caras teve o castigo que mereceu de virar bola de jogo de futebol, uma grande humilhação para quem era o rei dos disfarces, que podia ser o que quisesse, e virar mísera bola sendo chutado pelos outros presos era fim de carreira de bandidagem para ele.

O presídio era em um planeta-prisão onde todos os extraterrestres bandidos do universo são levados para lá. Apesar de ter estrutura do planeta Terra com direito à árvores e rios, não era a Terra, mas pelo visto os guardas eram terráqueos. Astronauta foi para lá de visita só para tomar banho de rio, se soubesse o que iria passar, nem iria para aquele planeta, pelo menos ajudou na prisão do Mil-Caras.


Tiveram tiradas bem engraçadas, eles estavam bem-humorados. Destaques para Astronauta cantar música "Conceição" do Cauby Peixoto (letra não foi parodiada dessa vez), dizer que só viu a cara no espelho e que quebrou depois de tão feio, estranhar se ver fora do rio se nem acabou de tomar banho ao ver o Mil-Caras disfarçado como ele, Astronauta dizer que tinha que pensar em algo depressa e o guarda dizer na família que você vai deixar quando morrer e guarda dizer que Astronauta vai querer entrar no time do Cascão depois dessa aventura.

Foi sensacional a sustentação da corda no abismo amarrada na linha do quadro da história. Era muito criativa a metalinguagem assim de personagens amarrando coisas nos quadrinhos, saltando de uma beira do rio para outro pendurado na linha do quadrinho ou até segurando o quadro com metade do corpo fora do quadro. Adorava quando acontecia isso. Gostava também de absurdos nas histórias do Astronauta de associação de outros planetas que nem a Terra, como terem bandidos, penitenciária, jogarem baralho e futebol e planeta ter rio, árvores, arbustos, igual à Terra.


Não teve título, o que era normal nas histórias antigas do Astronauta. É incorreta atualmente por ter bandidos, amarrar e ameaçar jogar Astronauta e os guardas no abismo, além de palavras proibidas como "Droga!", "Diacho!", "louco", "imbecil",  expressão popular de duplo sentido "dar no pé" e palavras mais difíceis de entendimento imediato como "periculosidade", o que acho uma pena que não permite ampliar vocabulário das crianças.


Os traços ficaram bons, típicos da primeira metade dos anos 1980. Teve erro do Mil-Caras disfarçado de Astronauta com pernas da cor de pele sem ser amarelo da cor do traje no 5º quadro da 5ª página da história. Foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 8' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 8' (Ed. Globo, 1990)

sábado, 2 de agosto de 2025

Turma da Mônica Nº 83 - Panini

Nas bancas a edição 'Turma da Mônica Nº 83' de julho de 2025 da Editora Panini com história comemorativa de aniversário 10 anos do atual Parque da Mônica. Comprei essa edição e mostro uma resenha de como foi. 

O antigo Parque da Mônica do Shopping Eldorado inaugurado em 1993 foi fechado em 2010 e criaram um novo Parque no Shopping SP Market em julho de 2015. Diferente do outro Parque da Mônica que tinha revista e histórias ambientadas nele desde que foi inaugurado, esse novo Parque não seguiu com histórias temáticas a partir da segunda série da Panini em 2015. Agora que no último mês de julho completou 10 anos do Parque atual criaram uma história comemorativa, a primeira vez dele, e será apenas nessa edição, o título 'Turma da Mônica' segue normal só com histórias convencionais. 

Essa edição 'Turma da Mônica Nº 83' segue o estilo padrão que vem sendo, quinzenal com 52 páginas, formato canoa, 8 páginas de passatempos e 1 página de seção de correspondências e custando RS 7,90. Tirando capas, contracapas, propagandas, passatempos e seção de correspondências, fica 35 páginas com histórias. Em relação à distribuição, chegou aqui dia 15 de julho. Estão com brindes em todas as revistas desde as de "Nº 71" de janeiro de 2025 para compensar o reajuste de preços, mas geralmente são brindes bobos do estilo cortar e montar, nessa revista, então, teve brinde de jogo de emoções para as crianças cortarem rosto e expressões da Milena. Capa com alusão à história de abertura e o desenho se estende na contracapa, como acontece com todas as mensais desde que reiniciaram numeração nessa 3ª série da Panini. Pena o logotipo de "Mauricio de Sousa Editora" antigo ser substituído por "MSP Estúdios" desde as edições "Nº 77", de abril, anunciando novo nome da empresa e nova direção.

Foram 6 histórias no total, incluindo a tirinha final. A história de abertura comemorativa se chama "Aniversário do Parque", escrita por Edson Itaborahy e com 13 páginas, em que o Cascão acha que é um menino pré-histórico e a turma vai atrás dele pelo Parque todo. A história seguiu um estilo extremamente infantil, diálogos curtos apropriados para crianças em fase de alfabetização, sem um roteiro digno de comemoração. A menção ao aniversário de 10 anos do Parque ficou restrito só na primeira página com Mônica, Milena e Magali comentando sobre a data, depois a história se resumiu à Turma correndo atrás do Cascão pelos brinquedos do Parque, como forma de apresentar os brinquedos. Nem teve uma festa de aniversário do Parque, nem no final. 

Ficou um estilo de história das últimas edições com o Parque antigo da Panini de 2009 e 2010 que eram fracas, apareciam só personagens brincando com outras crianças convidadas sem enredos com aventuras como foram no auge das histórias do Parque da Mônica da Globo. Sem grandes conflitos, piadas e aventuras, bom que os meninos apanharam mais para o final, mas depois apareceram de costas sem mostrá-los surrados, já que o politicamente não permite mais aparecerem machucados. E nem terminou assim, final foi bem fraco e nem com festa de aniversário. Traços feios, por sinal, assim digitais padronizados.

Destaque também que Magali quase não apareceu, foi só no início e no final, com a desculpa de que iria lanchar na lanchonete "Hot Dog" do Parque. Assim, a Milena teve destaque maior, ficando no lugar da Magali. Horrível quando deixam Magali de lado para dar foco para Milena, como se ela fosse mais importante que a Magali, que colocasse então os cinco na trama toda já que consideram agora Milena como personagem principal formando quinteto. Aliás, Milena agora está com cor de macacão verde desde as edições "Nº 77", bem ou mal, ficou melhor assim na harmonização de cores do que camisa rosa com macacão vermelho anterior.

Os diálogos sem exclamação no final ainda fica mais estranho ainda, tudo sem emoção. É que a partir das edições "Nº 71", de janeiro deste ano, não estão mais colocando ponto de exclamação no final das frases e colocam ponto no lugar. Resolveram implicar com exclamação que sempre foi marcante nos gibis, agora deixam só quando falam alguma interjeição ou mostrar uma animação maior no diálogo. Dessa forma, fica uma leitura mais didática, não dá emoção, a gente até lê de uma forma diferente, muito esquisito.

Como nesse Parque novo não teve histórias ambientadas nele nas revistas, o grande público nem conhece os brinquedos de lá, viu pela primeira vez, e nem tem uma aproximação como era com o outro. Essa história ficou uma apresentação deles e vimos que são brinquedos diferentes do Parque do Shopping Eldorado, com destaque "Montanha-Russa do Astronauta", "Horacic Park", "Coelhadas nas estrelas", entre outros, e dá pra fazer comparação de que antigo "Carrossel do Horácio" virou "Carrossel da Mata", antigo "Sítio do Chico Bento" virou ""Brinquedão do Chico Bento", antiga "Casa do Louco" virou "Trombada do Louco", com proposta bem diferente do que era, e "Praça da Magali" passou a se chamar "Hot Dog". Os brinquedos do antigo Parque eram bem melhores e mais atrativos, Parque atual nem de longe tem a magia do Parque antigo.

Em seguida vem a história "Minha vida daria um livro", com 5 páginas em que a Tina conta sua rotina diária da sua vida.  Teve presença do Mauricio de Sousa no final resgatando histórias de metalinguagem com Mauricio ou funcionário da MSP formando a piada final que eram muito frequentes na Editora Globo e depois abandonaram. Só que nessa história nem foi bem uma piada final, nada relevante e surpreendente, bem sem graça. Foi a única história com secundários de outros núcleos fora da Turma do Limoeiro dessa edição.

Em "O retrato", com 4 páginas, Jeremias leva um quadro com pintura dele pintado pela Marina e a imagem do quadro ganha vida e pega o boné do Jeremias, que depois sente falta do boné e volta para casa para pegá-lo de volta. Teve absurdo de quadro ganhar vida, mas por causa da explicação que foi desenhado pelo lápis mágico da Marina, não foi só por acaso como acontecia nas revistas antigas. Tinham parado com histórias mudas grandes e parece que estão querendo voltar com isso. Tinham parado com histórias mudas grandes e parece que estão querendo voltar com isso.

O Jeremias está com mais destaque atualmente para mostrar representatividade de personagens negros nas revistas, só que agora é todo certinho e nem de longe lembra o Jeremias antigo que aprendemos a gostar. Também ele está com roupa diferente a partir das edições "Nº 77" deste ano, com camisa azul, bermudão verde e tênis para ele ter roupa colorida como outros personagens e dar um ar mais moderno, ficou estranho assim, pelo menos mantiveram o boné vermelho só que mais moderno.

Depois, uma história de uma página chamada "Aprendizado", com Milena e Binho em que ele conta para a irmã que aprendeu muita coisa no clubinho. Tudo raso e graça nenhuma nessa. Sem dúvida, Milena e sua família com destaque cada vez maior nas revistas. 

Termina com a história "Um ajudante focado", com 11 páginas em que o Cebolinha quer que o autista André o ajude a um plano infalível contra a Mônica. A ideia de um autista participar de plano até não foi ruim, problema que deixou tudo didático, Cebolinha tinha que parar para explicar para os leitores as atitudes diferentes do menino autista, era para deixar as coisas naturalmente e os leitores interpretariam o comportamento do André e não deixar tudo mastigado e explicado como foi. Tipo, neste trecho abaixo, não precisava de uma página inteira com Cebolinha explicando sobre hiperfoco e que autistas gostam das coisas que acham que é certo, ficou fraca assim. E Cebolinha apanha e fica nem um machucado sequer, por causa do politicamente correto e nem teve uma piada final.

A tirinha final foi com o Jeremias e curioso que no expediente final ainda mostram que são revistas mensais e que o título era da Mônica, já podiam ter mudado que são quinzenais e sem padronizar Mônica em todos os títulos. 

Então, achei um gibi fraco, extremamente infantil e didático, seguindo o padrão atual com histórias sem conflitos, poucos textos, voltadas ao politicamente correto, quase sem humor e traços feios digitais. História de abertura teve nada de comemoração de 10 anos do Parque da Mônica atual, ficou uma espécie de apresentação de brinquedos do Parque. Comprei só por ter sido a primeira história ambientada no Parque da Mônica atual, mas ficou bem aquém do esperado. Quem gosta do politicamente correto vai aplaudir, quem gosta das coisas incorretas das revistas antigas não vai se interessar. Não comprei as outras edições "N° 83" então não tem resenhas delas.