domingo, 18 de maio de 2025

HQ "Cascão, o Menino-Tatu"

Em maio de 1995, há exatos 30 anos, era lançada a história "Cascão, o Menino-Tatu" em que ele cava um túnel abaixo da terra que nem um tatu para fugir da chuva e passa sufoco com bandidos. Com 15 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 219' (Ed. Globo, 1995).

Capa de 'Cascão Nº 219' (Ed. Globo, 1995)

Cascão e Cebolinha estão em local descampado e começa a chover. Cebolinha pensa que que o Cascão derreteu por não ter dado tempo de se esconder, acha que devia ser sujeira até a alma e vai embora chorando. Só que o Cascão tinha cavado a terra para fugir da chuva e segue cavando até encontrar um lugar bem sequinho pra se esconder.

Cascão encontra sua casa e tenta cavar para sair pelo piso, mas o assoalho é duro e não consegue sair por ele. Enquanto isso, Seu Antenor ouve batido no assoalho, Dona Lurdinha está preocupada com a demora do filho e Seu Antenor tranquiliza que ele deve estar protegido na casa de algum amiguinho. Cascão bate de novo no piso, assusta Seu Antenor e Dona Lurdinha acha que são cupins.

Cascão desiste, segue cavando por horas e chora por ter se perdido e não saber onde está, pode estar há muitos metros abaixo da superfície, não sabe se cava para cima ou para baixo e vai morrer ali ou sobreviver comendo minhocas e talvez um dia encontre a saída, virando um monstro de menino-tatu, nem os pais vão reconhecê-lo e vão obrigá-lo a tomar banho e se desespera. 

Em seguida, ouve um barulho e cava até onde ouviu. Era um esconderijo de bandidos que estavam planejando cavar um túnel até à delegacia para soltar os colegas de cadeia. Ouvem um barulho no piso, bandido Marcão pensa que é no porão, que eles não têm, e logo veem Cascão arrebentando o chão podre e os bandidos apontam armas para ele, deixando como refém.

Marcão verifica que não tem ninguém com o Cascão e tem um túnel comprido a perder de vista, Cascão diz que cavou hoje mesmo para escapar da chuva e o bandido Maldívio o coloca para fazer o serviço que planejaram. Eles chegam em frente à prisão de segurança máxima, os colegas estão presos no térreo e Cascão cava túnel até onde eles estão. Um bandido grita que um ladrão entrou, o outro dá soco dizendo que eles que são ladrões. Os presos entram no túnel, a gritaria atrai os policiais, que descobrem que saíram pelo piso.

Maldívio acha que devem mudar de rumo já que os guardas vão esperar no outro lado do túnel. Marcão sugere que o Menino-Tatu os guie já que eles encontrou o esconderijo do nada. Cascão é ameaçado por Maldívio para usar o senso de direção para tirá-los de lá, Cascão cava com arma apontada por Maldívio e leva todos até onde era a delegacia. Maldívio reclama que ele os enganou e Cascão fala que o local era seguro para ele, se concentrou no lugar longe dos guardas, só que seu senso de direção é péssimo.

De manhã, os policiais levam Cascão de volta para casa e vê os pais e amigos chorando, achando que ele derreteu e virou poço de lama ao pegar chuva e ficam felizes ao vê-lo de novo. Cascão conta a história e os pais resolvem lhe dar banho para perder o medo de água. Não teria como fugir porque o chão era de cimento, então Cascão se enrola como bola e vai rolando até sair de casa e no final comenta que quem diria que ele é um Menino-Tatu-Bola.

História legal em que o Cascão cava um túnel igual a um tatu para se esconder da chuva e fica perdido por não encontrar um chão podre para que ele possa sair de lá. Segue cavando até encontrar um esconderijo de bandidos que planejavam soltar colegas presos cavando túnel até lá. Cascão é obrigado a fazer o serviço de cavar, até consegue soltá-los, mas para levá-los à superfície, cava até onde era uma delegacia e consegue prender todos os bandidos. No final, os pais obrigam a tomar banho e Cascão vira tatu-bola para fugir.

Para fugir do banho, Cascão é capaz de tudo, quando imaginava que não tinha como escapar da chuva em local desacampado, ele cava terra que nem um tatu. Em momentos de  medo e de perigo, personagens podiam fazer de tudo de absurdos e que seria imaginável, o próprio Cascão frisou, isso era muito bom nas histórias em quadrinhos. Interessante que ele cavava muito rápido, com muita habilidade, não foi à toa de ser apelidado de menino-tatu.

Após Cascão cavar até a sua casa e não conseguir sair, poderia ter voltado no caminho que entrou que não precisaria passar sufoco com os bandidos para ajudá-los no plano de fuga. Ficariam 10 dias para cavar túnel até á prisão e com sorte de encontrarem o Cascão, foi questão de minutos. Pelo menos agiu com esperteza de procurar o local onde era a outra delegacia para escapar deles e prendê-los. 

Cebolinha podia ter verificado melhor que a terra não era o Cascão derretido, foi legal ele pensar isso e que o amigo era só sujeira até na alma. Também surpreendente a eficácia do Cascão de fugir do banho dos pais, de última hora descobriu que além de ser tatu que cava terra, também poderia ser tatu-bola para fugir em locais com piso de cimento. Ou seja, onde quer que esteja, Cascão vai escapar do banho de qualquer forma.

Foi engraçado Dona Lurdinha dizer que são cupins batendo no piso, Cascão desviar de tesouro, petróleo e ossos de dinossauros, se seguisse caminho certo estaria milionário. Também hilário ele imaginar como seria se saísse de lá depois de muitos anos com unhas enormes, corpo coberto de terra e sem se lembrar como se fala, se transformando em um monstro menino-tatu, além do grito do  ladrão na cadeia assustado que tinha ladrões lá, mas eles eram já eram os ladrões, motivando atenção dos guardas.

Eles adoravam colocar histórias com bandidos aparecendo do nada como reviravolta no roteiro e também era bastante comum histórias com Cascão envolvido e tramas policiais, enfrentando bandidos, sendo sequestrado, ajudando em assaltos, era praticamente uma característica fixa de histórias do Cascão. Com os outros personagens poderiam ter, mas com o Cascão costumavam deixar mais pesado que o normal.

Essa história é completamente impublicável hoje em dia por ter bandidos armados, Cascão como refém, com arma apontada na cabeça e obrigado a ajudá-los no plano deles, bandido levar soco na cabeça do outro, bandido negro com círculo rosa na boca representando lábios, absurdo de Cascão cavar terra como um tatu, além de palavra proibida "gozado!". Tanto que nunca foi republicada até hoje já que histórias de 1995 do Cascão passaram a ser republicadas só na Editora Panini a  partir de 2008 e como já estava com o politicamente correto consolidado, aí não republicaram. Só quem tem o gibi original que conhece.

Traços ficaram bem caprichados do estilo clássico consagrado. Não gosto é dessas cores muito fortes e escuras nos gibis do primeiro semestre de 1995. Tiveram erros de esquecimento de gola do Maldívio no último quadro da página 8 do gibi e um acréscimo de tijolo no presídio no segundo quadro da página 12 do gibi. Provável que na parte do bandido chamar "Chipão", deveria chamar "Marcão", a não ser que tenha se referido ao bandido negro. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

E só uma curiosidade, a partir de maio de 1995, os gibis passaram a ter propagandas em capas finas interrompendo histórias. Os gibis passaram a ter 4 páginas a mais com propagandas em papéis couchés e eram dispostas em páginas de numerações fixas. Intenção não era interromper as histórias, essas propagandas podiam também sair depois de final de história e até antes ou depois de outra propaganda, isso era só uma forma de substituir as propagandas inseridas nas histórias ocupando espaço de quadrinhos ou nos rodapés ou laterais das páginas como eram nos anos 1980 até início dos anos 1990 devido que tinham muitos anunciantes parceiros. Só que quando interrompia história ficava legal que ficava um mistério do que aconteceria depois. Como eles acrescentaram páginas em vez de tirar, afetou nada, em gibi quinzenal de 36 páginas, por exemplo, passaram a ter 40 páginas com as mesmas quantidades de páginas de histórias que tinham antes. 

Esse estilo de propagandas de capas finas, que podiam ser também anunciantes diversos, não só relacionadas à Turma da Mônica, ficaram nos gibis até em 1998, sendo que com menos frequência a partir de 1997 e não tinham em almanaques, apenas em gibis convencionais mensais e quinzenais. Termino como ficavam disponibilizadas nos gibis em frente e verso para ter uma ideia de como eram, nota-se a pausa da propaganda do chocolate deu um suspense do que aconteceria depois que chegaram em frente ao presídio de segurança máxima. 

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Cebolinha: HQ "De rosto colado"

Mostro uma história em que a Mônica fica com o coelhinho colado no rosto e Cebolinha e Cascão aproveitam para fazer plano infalível. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cebolinha Nº 78' (Ed. Abril, 1979).

Capa de 'Cebolinha Nº 78' (Ed. Abril, 1979)

Uma ventania forte faz a lata de cola que o cara estava colando cartaz no outdoor cair no rosto da Mônica. Em seguida, ela coloca seu coelhinho de pelúcia no rosto, Cebolinha e Cascão a provocam e quando a Mônica vai lançar o coelhinho, ela vai junto no arremesso e descobre que está colado no seu rosto. Os meninos tentam tirar, sem sucesso, depois tentam com tesoura e Mônica entorta as tesouras neles.

Cebolinha tem ideia de um plano infalível. Mônica se imagina velhinha com o coelhinho colado no rosto, quando aparece Cebolinha disfarçado com placas que Pedrinho Aquinágua vem aí. Aparece o Cascão disfarçado de Pedrinho e Cebolinha disfarçado de tiete.

Mônica pergunta se ele é o Pedrinho Aquinágua, pensava que ele era mais alto. Cascão responde que foi porque tomou chuva ontem. Mônica quer ver o joelho dele, que é o joelho mais sexy do mundo. Ele mostra uma perna postiça, Mônica fica emocionada que  esteve com seu ídolo, que Magali vai morrer de inveja e pede um autógrafo. 

Cascão diz que não tem caneta nem  papel, mas pode dar um beijo, só que tem que ser do lado que está o coelhinho porque é supersticioso. Mônica tenta desgrudar, Cascão ajuda e consegue tirar. Mônica quer o beijo, Cascão se entrega tirando o disfarce e que foi tudo plano do Cebolinha. Mônica bate neles e no final Magali acha que o Cascão está fazendo sucesso e bem que gostaria de estar no lugar dele e Mônica diz que ela não, com Cebolinha correndo com placa atrás do Cascão para bater nele por ter estragado o plano mais uma vez.

História engraçada em que a Mônica fica com o coelhinho colado no rosto após cola cair nela e Cebolinha e Cascão aproveitam para fazer plano infalível de ela pensar que estava falando com o seu ídolo Pedrinho Aquinágua e ganharia beijo dele com o intuito de pegarem o coelhinho. Daria certo se Cascão não estragasse o plano mais uma vez porque não queria beijar a Mônica.

Cascão preferiu apanhar do que beijar a Mônica, era muito pra ele. Mônica sempre boba em acreditar nos disfarces, não prestar atenção que a tiete chamou de "Pedlinho", sempre tem sorte de Cascão estragar porque se dependesse de esperteza dela, já seria derrotada há muito tempo. Aliás, Mônica bem saidinha em querer ver joelho sexy do ator, criança na idade dela reparar e saber o que é sexy ou não.

Foi engraçado o salto que a Mônica deu ao arremessar o coelhinho colado, absurdo de entortar as tesouras nos pescoços dos meninos, imaginando velhinha com o coelhinho no rosto, Cebolinha como tiete e Cascão como Pedrinho Aquinágua, com a parte da perna postiça para mostrar joelho mais hilária, como eles imaginaram que a Mônica ia perguntar sobre o joelho. A paródia em questão foi do ator Pedrinho Aquinaga. Na época, o Sansão não tinha nome e era chamado só de coelhinho e preferi no texto sem deixar o nome dele.

Foi uma história padrão de plano infalível que mesmo batida nunca se cansa histórias de planos nesse estilo. À princípio pensava que seria muda, mas depois colocaram os devidos textos, ficou um diferencial de metade muda e metade com diálogos, lembrando que nessa fase de 1978 e 1979 tiveram muitas histórias completamente mudas em sequências nos gibis, nunca gostei muito, sempre preferi histórias com textos. 

História foi  considerada curta para padrão de abertura, mas na época da Editora Abril tiveram muitas histórias assim curtas abrindo os gibis, procuravam ser mais objetivos, indo direto ao ponto. Incorreta atualmente por absurdos mostrados de coelhinho não desgrudar com a cola, Mônica entortar tesouras nos meninos, Mônica dar atenção à perna sexy do ator e querer beijar supostamente um adulto, expressão com duplo sentido "tomou chuva" e "macaquinha de auditório" iriam problematizar muito hoje em dia por chamar alguém de macaco.

Traços ficaram bons, típicos do final dos anos 1970, já começando arredondar as personagens. Erros de tom de cor  do vestido da tiete e orelha do Sansão sem ser completamente pintada de azul no 6º quadro da 3ª página da história, Mônica falar de boca fechada no 6º quadro da 4ª página. A capa de 'Cebolinha Nº 78' ficou sensacionalista, muitas vezes capas com alusão à história de abertura na Editora Abril não tinha nada do que aconteceu na história, apenas o tema que era real. Foi republicada depois em 'Almanaque do Cebolinha Nº 5' (Ed. Globo, 1989). 

Capa de 'Almanaque do Cebolinha Nº 5' (Ed. Globo, 1989)

sábado, 10 de maio de 2025

Magali: HQ "Sorria e... engula!"

Em homenagem ao "Dia das Mães" mostro uma história em que a Magali foi entrevistada para uma revista de culinária e sua mãe aproveitou a oportunidade para que a filha ficasse famosa internacionalmente. Com 12 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 188' (Ed. Globo, 1996).

Capa de 'Magali Nº 188' (Ed. Globo, 1996)

Dona Lili atende telefone de uma repórter da revista "Engula" sobre comida e quer entrevistar a Magali, a fama de gulosa dela chegou até lá e Dona Lili fica eufórica da filha ser famosa e ela ser mãe de uma menina famosa, pode ser início de grande carreira como modelo e atriz, viajar pelo mundo todo nas passarelas e diz que vai junto defendendo interesses e cuidando do futuro da filha. 

Dona Lili fica feliz que todos esses anos cozinhando toneladas de comida seriam recompensados e sai pra trocar de roupa e ficar bem bonita e manda Magali também trocar de roupa. Mais tarde chegam os repórteres, Dona Lili os recebe, apresenta a casa e a filha e diz para não repararem, não tiveram tempo de se arrumar. 

Começa a entrevista, a repórter lembra que a revista "Engula" é feita para gourmets, apreciadores de iguarias finas e Magali foi escolhida como personalidade do mês porque deve ter um paladar bastante apurado. Pergunta para Magali desde quando ela tem grande apetite. Dona Lili responde que desde pequenininha, eram 38 mamadeiras por dia, fora chazinhos e sopinhas.

Repórter pergunta para Magali o que ela mais gosta de comer, Dona Lili responde de tudo e citando algumas coisas que ela gosta. A repórter quer a filha responda, Dona Lili diz que vai preparar um chá para eles e volta um segundo depois, sem nem dar tempo de Magali responder a pergunta. O assistente sugere que vão fazer a entrevista na redação da revista, apenas a Magali sem a mãe ir junto. Dona Lili lamenta, mas deixa. 

Já na redação, Magali responde suas comidas preferidas por ordem alfabética e a repórter dar entrevista como encerrada porque só a lista das comidas já ocupa página inteira. Magali pergunta se não tem lanchinho porque a conversa deu fome e a repórter fala que depois de fotografarem. O assistente leva Magali ao estúdio de fotografia com as comidas expostas par serem fotografadas para a revista do mês e o assistente segura Magali para não comer.

Magali senta na poltrona para ser fotografada com melancia na mão e ela come antes de tirar a fotografia. O assistente fala que ela pode fazer tudo que quiser, só não comer aquela melancia. Magali aproveita pra comer toda a comida da exposição e o assistente manda todos fotografarem todos os pratos que ainda conseguem salvar.

Depois, Dona Lili reclama que eles estão demorando, quer ir até lá, quando eles trazem a Magali de volta, a tirando do carro e chamando de monstrinho. Magali fala para mãe que ela vai sair na revista, não haveria tempo de mudar tudo por conta da revista estar atrasada, só que o artigo vai ser um pouco diferente. No dia seguinte, Dona Lili compra a revista e vê que a matéria era os perigos do exagero e cenas chocantes do apetite descontrolado de uma menina.

Dona Lili lamenta preocupada que depois dessa pode dar adeus á carreira internacional da filha e reconhece que ela foi boba, exagerada, ridícula, até. Em seguida, aparecem repórteres da revista "À toa em forma" querendo entrevistar a Magali para saber como consegue manter o corpinho esbelto comendo tanto. Dona Lili ouve, se apresenta como mãe dela, troca de roupa e passa a responder perguntas no lugar da filha.

História engraçada em que a Dona Lili acha que a Magali poderia ficar famosa aproveitando oportunidade que a filha seria entrevistada para matéria de uma revista de culinária. Dona Lili ficou tão entusiasmada que não deixava a Magali responder as perguntas da repórter e tiveram que entrevistar na redação sem presença da mãe. Magali come todos os pratos expostos para serem fotografados para a revista e o jeito é mudarem matéria de alerta de perigo de menina que tem um apetite descontrolado. Apesar de tudo, tem uma nova oportunidade de Magali ser entrevistada para outra revista e Dona Lili faz tudo de novo como na primeira vez.

Magali começou comportada, mais lúcida que a mãe, obedecendo caprichos da mãe obcecada pela fama da filha, mas quando chega em um estúdio repleto de comida, não conseguiu se controlar, virando um monstro devorando tudo e isso ainda virou assunto da nova matéria. Se Dona Lili não fosse tão intrometida em casa, a entrevista e as fotos poderiam ter continuado lá mesmo sem precisar ir para redação e nada desse constrangimento aconteceria. A revista teve prejuízo com a comilança da Magali, mas se vingou a retratando como monstro perigoso para a sociedade que devora tudo descontroladamente, se a revista vendeu bem com o sensacionalismo, compensou o prejuízo dado.

Mostrou que Dona Lili aprendeu nada, queria que a Magali fosse famosa e ter carreira internacional de modelo e atriz e ela ir junto nas viagens como empresária da filha e mesmo vendo o escândalo que foi a primeira entrevista, continuou a mesma coisa na segunda entrevista, sem deixar Magali responder as perguntas, queria se intrometer em tudo. Nem pensou em constrangimento da filha, se ela queria ser famosa, só pensava na fama e ganhar muito dinheiro e viajar com a filha. O final ficou em aberto se foi tudo igual como na primeira entrevista ou imaginar como foi nessa nova.

História retratou de forma divertida mães que querem que filhos fiquem famosos a todo custo sem nem perguntar se filho quer isso e sem preocupar com o bem estar deles, que infelizmente acontece muito na vida real principalmente com mães de meninas. Até foi uma personalidade diferente da Dona Lili, mais eufórica e sem pensar na Magali, já que o normal era mais equilibrada e sensata, mas sendo só por uma história para diferenciar e alertar sobre esse problema de mães agindo assim, tudo bem.

Engraçado a mãe atendendo telefone só dizendo sim, chamar filha de comilona e depois corrigindo como gulosa, dizer que valeu o sacrifício de cozinhar toneladas de comidas esses anos todos, Magali parada só ouvindo a mãe, Magali listar suas comidas preferidas, devorar tudo na redação e sendo jogada para fora do carro e tratada como monstrinho pelos repórteres. A revista "Engula" foi paródia da revista "Gula" da vida real e "À toa em forma" foi fictícia porque não existia revista de boa forma com nome semelhante.

Os traços ficaram bons, típicos dos anos 1990. Tiveram erros de algumas cenas com Dona Lili sem lábios com batom e sem bolinhas de maquiagem nas bochechas da Magali e a repórter falando de boca fechada em dois quadros seguidos da última página. Incorreta atualmente por Dona Lili agir como mãe que quer fama da filha a todo custo sem se preocupar nos constrangimentos dela e sem aprender lição no final, deixar a Magali ir sozinha de carro com desconhecidos, hoje adaptariam pra ela ir junto e deixar a Magali entrevista em uma sala e Dona Lili esperando em outra sala reservada, dirigirem sem cinto de segurança e implicariam também com absurdos de Magali devorar um bolo de uma só vez e todos os pratos da redação em questão de segundos, palavras de duplo sentido como "pimpolho" e coisas datadas como televisão de tubo.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Capa da Semana: Cascão Nº 259

Nessa capa, Cascão está em um museu e quando passa em frente ao quadro da "Mona Crespa", ela tampa o nariz. O cheiro do Cascão é tão ruim que nem um quadro aguenta. Muito legal.

As capas envolvendo mau cheiro do Cascão sempre eram bem criativas. Quadro criar vida por causa do mau cheiro dele é sinal que estava muito ruim, adorava absurdos assim. O quadro foi referência à Mona Lisa, sendo que na MSP adotaram como nome parodiado oficial como "Mona Crespa" desde a história de abertura de 'Cascão Nº 72', de 1989. O logotipo com contorno branco sem ser preto dava um charme a mais nas capas parecendo iluminado sempre que tinham contornos coloridos. 

A capa dessa semana é de 'Cascão Nº 259' (Ed. Globo, Dezembro/ 1996).

domingo, 4 de maio de 2025

Mônica: HQ "Voa, Seu Juca, Voa!"

Compartilho uma história em que o Seu Juca vira ermitão, mas mesmo assim não evitou a Turma da Mônica aprontar com ele. Com 5 páginas, foi história de encerramento de 'Mônica Nº 118' (Ed. Abril, 1980).

Capa de 'Mônica Nº 118' (Ed. Abril, 1980)

Seu Juca vira ermitão em um alto de montanha, comenta com si mesmo que foi a melhor coisa que fez porque só assim terá paz e sossego e ficará livre daquela turminha, só pensar neles que fica todo arrepiado. Fica aliviado que finalmente nunca chegarão ali, quando o Cascão entra por debaixo da sua manta e logo em seguida, o Cebolinha.

Seu Juca acha que a solidão está causando alucinações, que só faltava aparecer a Mônica, quando ela aparece. Seu Juca tenta se concentrar a fim de afastar suas alucinações e leva soco da Mônica parando longe nas pedras da montanha. Os meninos riem por ela ter errado o soco e Mônica viu que acertou o Seu Juca. Mônica tenta ajudá-lo a sair dali, Seu Juca implora que não precisa e no desespero acaba caindo da montanha.

Mônica lamenta que Seu Juca chegou e já foi embora, Cebolinha queria cumprimentá-lo, Mônica volta a acertar as contas com os meninos e ao tentar dar pancada com bengala neles, atinge o Seu Juca que estava voltando da montanha e Mônica reclama com Seu Juca para decidir se fica ou vai embora. Cebolinha sai da manta, deixa a bolsa d'água na frente, Mônica fura a bolsa, atingindo Seu Juca, que fica desesperado de como vai ficar isolado de ermitão ali sem água.

A turma gosta de saber que Seu Juca virou ermitão, Cascão quer autógrafo e Mônica pergunta se ermitões e monges conseguem levitar e Cebolinha quer que ele dê uma voadinha ali.  Seu Juca fala que não sabe voar. Eles insistem que é só uma voadinha até os rochedos, dar umas piruetas e voltar. Seu Juca grita que não sabe voar. Cebolinha diz que é certo se quem é feio soubesse voar, a Mônica seria um passarinho. Ela não gosta, dá um soco e acerta o Seu Juca, caindo da montanha de novo.

A turma reclama que não vale, voou enquanto eles não estavam olhando. Seu Juca confirma que não sabe voar, não está mentindo e começa a chorar. Mônica fala que não é para ficar triste, não precisa mais voar hoje, mas amanhã quando eles levarem os amigos deles, aí vai fazer demonstração. Seu Juca passa a ficar louco, dá gargalhadas e surpreendentemente voa, saindo da montanha e fugir da turma e Mônica comenta que sabia que ele estava mentindo.

História engraçada que o Seu Juca vira ermitão para se livrar da Turma da Mônica, mas para o seu desespero eles aparecem lá após uma fuga dos meninos da Mônica. Seu Juca tenta se afastar deles, não consegue e sofre várias confusões, até que perguntam se ele sabia voar. Como nega e até chora, a turma fala pra voar amanhã junto com os amigos deles e Seu Juca pira de vez e voa bem longe para se livrar deles.

Seu Juca tinha pânico só de pensar nas crianças, se fosse mais firme, era só expulsá-los de lá. Até poderia aceitar a ajuda da Mônica para tirá-lo das pedras, mas como sabe que a ajuda deles era torta e sempre atrapalhavam mais ainda, mesmo que sem querer, preferiu não arriscar. A turma não acreditava que ele não sabia voar e ficavam insistindo, o medo dele das crianças era tão alto que conseguiu o inimaginável de voar só para se livrar deles, do tipo do medo conseguir fazer coisas impossíveis, era engraçado isso. Afinal, se já estava sofrendo com três, conhecer e aturar mais crianças malucas como eles, Seu Juca não iria aguentar.

Mônica dessa vez estava sem pontaria boa, azar do Seu Juca que sofreu com os socos dela. Ficou em aberto se ela bateu nos meninos depois que Seu Juca fugiu já que eles tinham parado lá depois de terem aprontado com ela. Interessante o Cascão querer autógrafo do Seu Juc apor ele ser ermitão, virou ídolo porque ia ficar sem água.

Foi engraçada do início ao fim com destaques do Seu Juca pensar que era alucinação as crianças entrando na manta dele, os socos da Mônica fazendo ele parar longe, absurdos de eles chegarem naquela montanha só na fuga para não apanhar da Mônica e de Seu Juca cair e escalar montanha toda hora e Cebolinha dizer que a Mônica seria passarinho de tão feia que é. Incorreta atualmente pelas crianças perturbarem homem desequilibrado, as pancadarias que o Seu Juca sofreu, aparecer surrado e os absurdos mostrados. 

Pareceu desenho animado com muito movimento de socos e Seu Juca caindo da montanha e voltando e caindo de novo. Definitivamente ele sofreu com a turma dessa vez, pelo menos não terminou internado no hospício, mas não deixa de ter ficado louco com a turma e ter se dado mal. Mostra que ele era um cara desequilibrado, com alta crise de pânico e que não sabe lidar com as emoções, preferia isolamento social do que se esbarrar com a turma. Mereceria uma super terapia para se livrar disso. A turma, por sua vez, gostava do Seu Juca, mas não se tocavam que ele não os suportavam e muito menos que estavam sendo inconvenientes, ficavam bem bobos nas histórias com o Seu Juca, que já chegou a ficar no limbo do esquecimento entre 1985 a 1996 e quando voltou, foi mais brando do que era na época da Editora Abril, já falei mais detalhes sobre o personagem AQUI.

Os traços ficaram bons, ainda seguindo estilo de desenhos de 1979 com personagens já começarem a ficar com contornos arredondados, ficou até bem parecido com a forma consagrada de traços como seria no decorrer dos anos 1980. Tiveram erros de balão não ser todo pintado no 4º quadro da 2ª página da história e do Cebolinha com pálpebra branca no penúltimo quadro da 4ª página da história.  Curiosidade desse gibi 'Mônica Nº 118' ser o primeiro a ter formato reduzido com 2 cm a menos na altura em relação como era nos anos 1970 e foi um padrão de todos os gibis lançados a partir de fevereiro de 1980. Essa história foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 6' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 6' (Ed. Globo, 1989)