quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Capa da Semana: Cebolinha Nº 127

Uma das raras capas com o Louco aparecendo. Nela, o Louco fica sendo o reflexo do Cebolinha na água quando ele estava pescando em um barco. Façanhas que só o Louco consegue.

Capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 127' (Ed. Globo, Julho/ 1997).


domingo, 6 de agosto de 2017

Tirinha Nº 50: Chico Bento

Uma tirinha toda incorreta muito engraçada e bem a cara do Chico Bento. Ele bebe água da torneira com as mãos sujas e quando é repreendido pela Rosinha ai resolve beber água com os pés que estavam descalços mais sujos ainda . Ainda  que ele bebesse com um copo normal já estava errado em beber água direto da torneira contaminada. 

Tirinha publicada originalmente em 'Chico Bento Nº 122' (Ed. Globo, 1991).


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Cascão: HQ "Pobre menino da lata"

Mostro uma história em que dois caras de um programa sensacionalista de televisão pensam que o Cascão morava na lata de lixo e levam a lata para ser atração do programa para emocionar os telespectadores e conseguir audiência a custo disso. Com 7 páginas no total, foi história de abertura de 'Cascão Nº 57' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cascão Nº 57' (Ed. Globo, 1989)

Chove forte sem parar no bairro do Limoeiro e Cascão se esconde dentro de uma lata de lixo para fugir da chuva e acaba dormindo. A chuva passa e aparece no local um apresentador e um produtor de programa de curiosidades de TV  reclamando que a audiência está mais baixa que programa político e precisam de uma atração para o programa.


O produtor diz que vai levar um homem que come ferro, mas só quando ele sair do hospital porque está com gastrite. O apresentador Alberto Pereira senta na lata de lixo e reclama que não tem nenhuma atração par ao programa daquele dia e o produtor diz que vão cortá-los da TV. Nessa hora, Cascão ronca dentro da lata de lixo e chama atenção deles.

O produtor pensa que é a barriga do Alberto Pereira roncando e pergunta se está com fome. O apresentador, por sua vez, pensa que é a do produtor. Logo veem que o barulho veio da lata de lixo e quando vão conferir era o Cascão lá dentro dormindo e pensam que ele morava lá dentro. Então eles levam o Cascão para a emissora "Tevê Robô" para ser a atração do programa como o "pobre menino que mora na lata de lixo" com a ambição de emocionar os telespectadores e conseguir muita audiência, mais que novela das oito, e mais patrocinadores e ficarem ricos.


Começa a transmissão ao vivo do programa "Curiosidades das Cidades" com o Alberto Pereira apresentando a atração do programa. Ele mostra a lata de lixo e pergunta para plateia e telespectadores o que havia na lata de lixo. Além do lixo, ele prepara para verem uma cena chocante. Quando abre a tampa, aparece Cascão acordando e Alberto Pereira falando que ele era o menino que morava na lata de lixo.

Cascão se espanta com tanta luz e quer saber onde está. Alberto fala que está em um programa de TV e quer que sua voz seja um alerta par ao mundo. Cascão se amostra para as câmeras entusiasmado e Alberto fala para sair da frente para continuar o programa. Alberto pergunta como é viver dentro da lata de lixo, quanto tempo faz. Cascão nem chega a responder e o Alberto fala que é de apertar o coração.


Cascão resolve ir embora do programa e Alberto o impede falando que tem que falar com as autoridades competentes e que precisa de ajuda. Cascão grita por socorro enquanto o Alberto o segura pelo braço e  aí nessa hora aparece o pai do Cascão, seu Antenor, invadindo o programa ao vivo e dá uma surra no produtor e no apresentador, falando que é uma palhaçada, que já estava sentindo falta do filho e a sorte que ligou a TV naquele programa sensacionalista e leva Cascão pra casa.


No final, Alberto Pereira manda cortar a transmissão e eles são demitidos com direito ao chefe expulsar dando chute na bunda deles. Alberto lamenta por estarem na rua, não tem mais nada e arruinados. O produtor pergunta aonde vão passar a noite e eles resolvem dormirem em uma mesma lata de lixo, com um arrumando jeito de se encaixarem melhor lá dentro. Ou seja, se tornaram os verdadeiros moradores de lata de lixo  como castigo.


História legal com os caras da televisão com ambição de ter atração sensacionalista para dar audiência no programa deles. Serve como uma crítica a programas sensacionalistas que procuram mexer com a emoção dos telespectadores, expondo publicamente o sofrimento dos outros em busca da audiência. Na época até que não tinha muitos programas assim, pareceu até uma previsão do que seria mais comum a partir de meados dos anos 90 e hoje em dia são mais frequentes programas assim.


Interessante que Cascão até apareceu pouco, contracenando poucas vezes com o apresentador de TV, embora ele estava dentro da lata de lixo o tempo todo. Legal o nome do canal deles chamado de "Tevê Robô", eram bem criativos nesses nomes. Impublicável hoje em dia porque além do tema de estar explorando sofrimento de uma criança de rua que supostamente morava na lata de lixo, tem também o fato do Cascão ficar dentro da lata de lixo que não é permitido atualmente, fora os personagens falarem abertamente certas palavras também proibidas nos gibis atuais como "Droga!", xingar os outros de imbecil e idiota e sendo chutados no final. 


Os traços muito bons, adorava os desenhos assim e as cores também excelentes, uma das melhores cores dos gibis da Editora Globo. Parece que não foi republicada até hoje, pelo menos não tenho conhecimento. Quase todas dessa época foram republicadas, mas essa acho que não. Se foi, talvez em algum Almanação a partir de 1999. O que é legal por ser uma história rara aqui no Blog.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Capa da Semana: Mônica Nº 51

Nessa capa, a turma está no fundo do mar e a Mônica descobre que o Cebolinha escondeu o Sansão dentro de um baú e ainda por cima com orelhas cheias de nó. Capa muito bonita e desenhos bem caprichados.

A capa dessa semana é de 'Mônica Nº 51' (Ed. Globo, Março/ 1991).


sábado, 1 de julho de 2017

Chico Bento: HQ "Chico, 7 anos"

Primeiro de julho, dia do aniversário do Chico Bento. Então, mostro uma história clássica em que o Chico entrou em uma gruta misteriosa no dia do seu aniversário de 7 anos, que marcou o seu crescimento e maturidade. Com 9 páginas no total, foi publicada em 'Chico Bento Nº 2' (Ed. Abril, 1982).

Capa de 'Chico Bento Nº 2' (Ed. Abril, 1982)

Escrita por Mauricio de Sousa, Chico está indo para uma gruta que está sempre acostumado a ir. Ele costuma ir escondido dos pais por acharem que eles iam achar perigoso entrar sozinho lá. Ele entra através de um buraco bem pequeno e sempre se encanta com a paisagem quando vai lá.


Chico dá a sua volta habitual que está acostumado comentando que os pais iam achar perigoso ele ir sozinho e que o seu pai nem ia conseguir entrar no buraco da boca da gruta. Chico vai ao encontro com seu bisavô Firmino e leva um rolo de fumo para o o seu cachimbo

Então, Chico pergunta onde está o resto do pessoal de casa e  e o seu bisavô diz que estão preparando algumas coisas para ele. Chico pergunta por que estão preparando coisas para ele e seu bisavô diz que não esqueceram do seu aniversário que estava completando 7 anos hoje. Nessa hora, aparece sua bisavó com um bolo de fubá, biscoitos e guarapa.


Chico pergunta por que fez tanta coisa e sua bisavó diz que é por causa que hoje ele vai fazer uma viagem. Ele estranha da viagem porque seu pai não avisou nada. Sua bisavó diz que é uma vagem que todos nós fazemos um dia, que às vezes começa e acaba e a gente nem se dá conta. Nhô Firmino pergunta se o bisneto não vai se arreliar com os "coisa-ruim" (saci, bruxa, diabinhos, mula-sem-cabeça, etc). Chico diz que eles estão quietos e vai deixar para lá, hoje só está com vontade de ficar com seus bisavós.


Nhô Firmino faz questão do Chico dar uma última olhada nos seus amigos da gruta. Chico se encontra com anjos, cachorro, Doceira. Ele comenta que vai fazer uma viagem e a Doceira diz que para onde ele for, não esquecer nunca deles. Chico se despede dos seus amigos e no caminho encontra um balanço e vai brincar. Ele nota que o balanço está cada vez mais para baixo, que nem dar para balançar e se pergunta se foi ele quem cresceu.


Enquanto sai da gruta, ele fica comentando no caminho da saída que seu pai ia dar uma surra se o pegasse naquela gruta, que era para estar estudando ou ajudando na roça ao invés de sumir para lá. De repente, passa a dar razão para o pai, falando que está atrasado na escola e que já está encorpado para ajudar na roça sem problema e se não ajudá-lo não vai poder passear na vila nem se encontrar com a Rosinha e o seu sorriso bonito.


Chico encontra a saída da gruta e acha o buraco da boca da gruta muito apertado, mas consegue sair com dificuldade e acha que é porque está comendo muito feijão. Então, ele se lembra que esqueceu de pegar as coisas do seu aniversário com seus bisavós. Ele tenta voltar, mas ele não consegue mais entrar na gruta pelo buraco e começa a chorar. No final, ele sai triste da gruta e no caminho de volta de casa, ele vai listando suas responsabilidades de estudar, ajudar o pai na roça, juntar dinheiro para no futuro se casar com a Rosinha, afinal a partir daquele momento ele não era mais criança.


Uma história filosófica e séria, estilo Mauricio de Sousa,  retratando o final da infância, quando a pessoa se dá conta que não é mais criança, sem ligar mais para as brincadeiras e passando a ter responsabilidades. Chico Bento ia nessa gruta desobedecendo aos pais, para encontrar com seus bisavós já mortos e sempre conservava com eles. A partir que completou 7 anos, a magia acaba e ele não consegue mais ter contato.


Fica a dúvida se ele conversava mesmo com seus bisavós mortos ou se tudo era imaginação, assim como seus amigos e "coisas-ruins" que conversava lá, enfim, se aquele lugar existia mesmo ou era fruto da imaginação do Chico. Mauricio gostava de histórias de dúvida se tudo aconteceu de verdade ou não, ficando o leitor a julgar da forma que achar melhor. Podia ter colocado algum personagem mais velho pra retratar esse fim da infância como Franjinha, Titi, Jeremias, mas pelo visto Mauricio preferiu o Chico por se encaixar mais em histórias desse tipo, mesmo que com 7 anos ainda ser criança na vida real.


Os traços ainda não estavam do jeito consagrado dos anos 80, estava em evolução. Nota-se pelo formato das bochechas do Chico formando só uma curva direto dos seus olhos. Eram traços típicos de gibis de 1982 e estavam em evolução até chegar ao estilo consagrado lá em meados de 1984. Muito lindo os cenários da história, É impublicável por mostrar assuntos filosóficos sérios como esse, além de mostrar Chico conversando com bisavós mortos e até mostrando o bisavô fumando cachimbo. Curiosidade de não ter mostrado nome da bisavó do Chico, só do seu bisavô Firmino e que nessa história o Chico fez aniversário em setembro, quando foi que saiu esse gibi. Os personagens não tinham data certa de aniversário na época e em qualquer mês podia ter histórias assim.


Dá para notar um caipirês bem diferente do atual, nos primeiros gibis do Chico o sotaque era bem carregado, predominando o gerúndio "-ano". A gente precisava até ler mais devagar pra poder entender melhor certas palavras. Com o passar dos anos forma mudando, seguindo um estilo mais parecido ao atual a partir de 1985. Lembrando que até 1980, a Turma do Chico falava sem caipirês porque a MSP era proibida de colocar personagens falando caipirês. Quando foi liberado, o período de 1980 a 1985 foi de experiência com o seu caipirês. Nas suas republicações, porém, o texto foram alterados para o caipirês atual, tanto no 'Almanaque do Chico Bento Nº 3' (Ed. Globo, 1988) quanto na 'Coleção Histórica Nº 2' (Ed. Panini, 2007). Enfim, um clássico muito bom que vale a pena relembrar.