sexta-feira, 12 de abril de 2013

Coleção Histórica nº 34



Esta coleção é formada pelas 5 revistas números 34: Mônica (1973), Cebolinha (1975), Chico Bento e Cascão (1983), e Magali (1990). Sempre que eu comentar sobre a Coleção Histórica, eu colocarei o título e a sinopse da história de abertura de cada um, e vou comentar o que acho relevante e curioso em cada revista e vou procurar falar também sobre as modificações toscas que eles fizeram em relação aos gibis originais.

Sobre a capa dessa edição, gostei muito. Já estava na hora de colocarem alguém da turma da Magali na capa. Ficou ótimo o Mingau antigo. Adorava os traços dele com pelo mais arrepiado nos primeiros anos. As capas da CHTM eles costumam tirar imagens dos primeiros números, ou seja, a primeira vez que algum personagem apareceu nos box. No caso, essa imagem do Mingau foi tirada da 1ª história dele de Magali nº 1 de 1989. E a escolha do personagem na capa é, de preferência, de alguém que tenha algum destaque no box atual, mas não é regra isso. 


Histórias de abertura e comentários gerais:

Dessas histórias de abertura, eu só não tinha lido antes a da Mônica. E dentre as outras histórias de miolo, tenho todas da Magali e é impressionante o box estar no nº 34 e eu tenho todas as histórias que saíram do Cascão e Chico Bento nos almanaques da Globo, sem exceção até agora. Nessa edição não foi diferente. Vamos aos comentários:

Mônica – "Levitação" - Mônica compra um livro de levitação pensando que era um livro pra subir na vida. E faz a Magali levitar com as lições do livro para ela pegar as maçãs da árvore, mas não sabe como desfazer a levitação. Só tem 5 páginas. É uma história bem curta para nível de abertura.

Aliás, o gibi marca por só ter histórias curtas de até 5 páginas. A maioria são de 3 páginas. Com isso, esse gibi tem impressionantes 19 histórias no total, incluindo a tirinha final. Diferente dos outros 2 anos anteriores, não tem nenhuma história de Carnaval na edição, só a capa que é carnavalesca. E na revista original veio a 1ª parte do "Teatrinho da Mônica" para montar que logicamente não veio nessa edição. Apenas informou. A 2ª parte veio em Cebolinha nº 2 com os personagens.

Cebolinha - "O Planão" - Sensacional história em que o Cebolinha arma um plano infalível onde o Cascão se fantasia de um costureiro francês com jeito tipo Clodovil para que a Mônica se torne mais elegante e não bata mais neles. Afinal, menina elegante não fica batendo em meninos na rua. O costureiro foi inspirado em Dener que era muito famoso na época.

Os traços dessa época já estavam ficando bem parecido com  o que conhecemos, não sei porque as capas tinham desenhos tão diferentes. Acho feias essas capas da Ed. Abril entre 1974 e 1976. A Mônica fica com um dentão, parecendo as caricaturas dos meninos nos muros. 

Nos comentários, o Paulo Back errou dizendo que a edição original era de outubro/77, quando na verdade é de outubro/75. Até curioso que nos primeiros números da CHTM, não eram colocados as datas e os preços das revistas originais nos comentários. De tanto que o pessoal reclamou, passaram a fazer isso nos comentários.  

Chico Bento - "Um papo com o Sol" - Sem chover há vários dias e um calor infernal, Chico Bento começa a conversar com o Sol contando os problemas causados pelo calor forte e a grande seca da região.

Não curto muito histórias filosóficas assim, mas a arte dessa história é espetacular. A história que mais gostei  dessa edição dele foi a última em que ele acorda atrasado para ir à escola, encontra ninguém na portae pensa que todos já entraram e resolve mata aula para enganar a mãe.

Em relação às propagandas, infelizmente não mostraram o anúncio da revista do Cebolinha nº 132 de dezembro/1983, com a história "Um papai Noel na minha cama". Capaz de não terem colocado também a propaganda da Lojinha da Mônica que sempre vinha na Ed. Abril. E uma pena não mostrar a faixa e o texto da cartela milionária, embora já era previsível isso. Até  em Chico Bento nº 44 e Cascão nº 45 apareceram isso nas capas originais da edição deles.

Cascão – "Mãos para o alto" - Quando o Cascão ia pegar o Sansão, a Mônica amarra as mãos dele no coelhinho e gira o Cascão junto com o Sansão igual como ela faz quando vai bater neles. Só que uma abelha pica a Mônica e com a sua força arremessa o Cascão para ao Céu. Os anjos pensando que era diabo invadindo o Céu, aciona uma máquina de raio temporal que iria levá-lo a à pré-história . Como estava em fase de conserto, a máquina o leva para a época de Moisés exatamente no momento da travessia do Mar Vermelho.

Nesse gibi tem também uma história do Penadinho que satiriza o filme "E.T., o Extraterrestre" em que na história ele é chamado de "Iti". E, assim como em Chico Bento, não mostra a cartela milionária na capa, nem por dentro. Mostro a capa original com o selo e texto da cartela milionária.

Cascão nº 34 original
Magali – "Animal sagrado" - Mingau cansado de seus donos não darem atenção a ele, sai de casa. Ao passar em frente ao laboratório de 2 cientistas que inventaram uma máquina do tempo, eles pegam o Mingau para testar a máquina. E ele vai parar no Antigo Egito aonde os gatos eram sagrados. Lá, o Mingau é tratado como rei com todas as mordomias possíveis pelo Faraó que o acolhe e passa a se chamar de Mingófis I.

No gibi, Mingau ainda aparece em mais 2 histórias. E na 3ª que tem a participação-chave dele, a Denise aparece com cabelo preto e está bem diferente da atual. Naquela época, em cada história que ela aparecia, ela era desenhada de uma forma diferente. Denise só ficou definida do jeito que a gente conhece só em 1998. 

Na capa, gostei deles terem preservado o texto do direito das crianças. Em outubro/90, todas as revistas principais da turma tinham esses direitos em um círculo na capa em homenagem ao "Estatuto da criança e adolescente" que era recém-lançado na época. Em Magali nº 35 também vai ter. Só não gostei de não colocar o selo da revista original onde tinha a Mônica e Cebolinha com dizeres de "Outubro - mês da criança". Colocaram no lugar o selo da capa da CHTM. Não colocaram também uma história especial de uma página sobre o direito da criança estampado na capa, que vinham em todos os gibis de outubro/90. No caso, tinha uma história na revista original sobre o direito ""Toda criança tem direito à saúde", que simplesmente omitiram, sem mais nem menos.

E nos comentários, Paulo Back falou que a revista promocional do "Estatuto" foi lançada em 1993, mas na verdade, teve uma versão original em 1990 mesmo, e em 1993 que foi relançada. Abaixo, a capa original com o selo que vinha nas revistas da época e que foi omitido nessa CHTM.

Magali nº 34 original

terça-feira, 9 de abril de 2013

Coleção Histórica: Minhas considerações



Coleção Histórica é um dos títulos da MSP que eu realmente coleciono. Na verdade, eu só compro mesmo por causa das histórias da Mônica e Cebolinha que não tenho e que sairiam muito caro comprando os gibis originais no site Mercado Livre, por exemplo. De início eu ficava em dúvida em comprar, já que as histórias da Magali eu tenho os gibis originais e as histórias do Cascão e Chico Bento eu tenho nos almanaques da Globo. Mesmo eu tendo as histórias do Cascão, Chico e Magali resolvi colecionar, pois as histórias dos gibis da Mônica e Cebolinha só tenho com mais frequência a partir de 1978 nos almanaques da Globo.

Box 1 ao 6
 A Coleção Histórica (CHTM) foi lançada em 2007, no ano que a Turma da Mônica foi para Panini. Até o nº 8 as caixas vinham montadas, mas com o transporte, as caixas vinham tudo amassadas. Por causa disso a partir do nº 9 a coleção veio em caixas montáveis, em que o próprio leitor monta e evita de virem amassadas. A periodicidade até o nº 8 era à princípio mensal, só que tinha muito atraso, ficava até uns 4 meses sem aparecer nenhuma nova na banca. Então, a partir da nº 9 passou a ser bimestral. Infelizmente a CHTM não é uma réplica dos gibis originais, e sim um almanaque mais sofisticado. Assim como tem as suas vantagens, tem também série de desvantagens. Nessa postagem vou falar sobre o que eu penso dessa coleção.

A grande vantagem é proporcionar aos fãs conhecer ou reler histórias antigas em ordem cronológica de uma época que a MSP tinha mais liberdade e ousadia em criar suas histórias. Não se preocupavam com o politicamente correto e a intenção era realmente divertir os leitores. É bom que os gibis são reproduzidos com histórias na íntegra, e, normalmente, a grafia da época é mantida, como "êle". Outra vantagem é que o papel da capa é de melhor qualidade, é mais grosso que os gibis convencionais. E o preço não sofreu reajuste até hoje, continua custando R$19,90 desde que começou (que continue assim).

Box 7 ao 12
Claro que uma coleção dessas têm as suas desvantagens. E não são poucas. Têm vários detalhes que eu não gosto. A começar que eles não reproduzem as propagandas da época, colocando no lugar comentários de cada história feitos pelo roteirista Paulo Back (ele só não comenta histórias de uma página e a tirinha final). Quando muito, colocam apenas propagandas relacionadas à Turma da Mônica e olhe lá, só que são tão pequenas que não dá pra ler nada. Claro que pode ser que não colocam por causa de direitos autorais, mas pelo menos as propagandas das revistas produzidas pela MSP tinham que ter em tamanho natural.

E os comentários? Como o box já está na faixa do nº 30 e, com isso, é normal não ter nada relevante de comentar sobre as histórias, aí é o tempo inteiro comentando que "nas histórias de hoje não é mais assim", "não tem mais isso", "não tem mais aquilo". Dá raiva. Tipo assim, fala que hoje não mostra mais histórias com violência explícita, não tem diabos nem bandidos nas histórias, o Chico não caça onça, Cascão não brinca mais no lixão e nem entra na lata de lixo, Magali não tem a fome exagerada, etc. Coisas que a gente sabe que não tem mesmo e fica enchendo de comentários só com isso. Infelizmente cada vez mais frequentes comentários desse tipo. No box 31 da revista do Chico Bento 31 é um exemplo disso: só deu comentários assim. Preferia mil vezes as propagandas em tamanho original no lugar.

Box 13 ao 18
Outro ponto negativo é deles recolorirem as histórias, "consertando" erros de colorização que saíram nos gibis originais. Por exemplo, no box 3 o chapéu do Chico Bento saiu verde na edição original de 1982, e na CHTM recoloriram de laranja. Recolorem o cabelo do Astronauta de amarelo, sendo que até em 1975 ele tinha cabelo branco nas histórias e vários outros inúmeros erros corrigidos. Às vezes é falado nos comentários que as cores foram corrigidas, outras vezes não. Sem contar que o tom das cores são diferentes das revistas originais. As republicações nos almanaques da Globo eram mais fiéis nas cores do que na Coleção Histórica. Não corrigiam erros de cores, os tons das cores eram bem iguais aos originais. Até o papel colocavam parecido.

O texto realmente mantém grafia da época. Ou seja, a acentuação, as expressões e as gírias da época foram mantidas. Até recentemente no box 28 mantiveram "arquiinimigo", cuja palavra foi mudada de acordo com a nova ortografia. Mesmo assim volta e meia trocam algum texto em relação às revistas originais. Por exemplo, no Box 6 na revista da Magali trocaram "catchup" do gibi original de 1989 para "ketchup", no box 33 na revista da Magali mudaram "Faustão" para "Fostão", e outros deslizes. Não gosto porque acho que tem que manter como a original. Assim como nas cores, às vezes é falado nos comentários que os textos foram corrigidos, outras vezes não. 

Box 19 ao 24
Ainda em mudanças em relação aos originais, também não curto na capa os selos e o texto informando que não pode ser vendido separadamente. Acho que polui muito a capa. Até sobre não vender separadamente, por ironia é o que mais ocorre nos sebos. O formato das revistas da Mônica e Cebolinha eram maiores na altura na Ed. Abril e na CHTM são todos do mesmo formato dos gibis convencionais. Além disso, apesar da capa da CHTM ser mais grossa, o papel por dentro é igual a dos gibis convencionais. Ou seja, de qualidade duvidosa, pois são muito finos.

Outra coisa que não gosto é que não reproduzem seção de cartas dos leitores. A partir do Cebolinha nº 17 começou a ter seção de cartas na revista ("Coleio do Cebolinha"), e eles nem mencionaram que aquela era a edição de estreia de cartas dos leitores. Passou em branco e até hoje não colocam as cartas dos leitores. Está certo que muitas cartas mostravam endereço dos leitores, mas era só omitir isso. Pode ter também o aspecto de direitos autorais, a criança da época que hoje já tem seus 40 a 50 anos não querer ver sua carta numa edição nova, o que acho bobagem, já que se eu tivesse carta publicada em gibi adoraria rever na CHTM. Independente disso, tinham que informar que naquela edição nº 17 tinha seção de cartas, com uma imagem em miniatura. No mínimo isso. Vamos aguardar para ver se no box 50 (quando estreou no gibi da Mônica a seção de cartas "Vamos bater um papo?") vão falar sobre isso na revista da Mônica.

Box 25 ao 30
 A circulação bimestral não gosto também. Preferia que fosse mensal. Para se ter uma ideia, as revistas do Cascão, Chico Bento e Magali eram quinzenais e vinham 26 edições por ano. Como na CHTM são 6 edições por ano, demoram mais de 4 anos para fechar 1 ano original. Estamos desde 2009 (Box 11) com gibis do Cascão e Chico Bento de 1983 e até hoje ainda estão em 1983. Magali ainda está em 1990 desde 2010 (Box 15) e só ano que vem ela entrará em 1991. Para se ter a coleção completa do Chico e Cascão da Abril teremos que esperar mais uns 12 anos para chegar até o último número. É muito tempo. Se fosse mensal seria bem melhor. Se falam que CHTM é bimestral por causa do preço, já que tem muitos títulos em bancas, não vejo como desculpa porque quem compra mais CHTM são os adultos. A criançada nem deve gostar de CHTM.

Agora, o pior de tudo é a distribuição irregular pela Panini. É difícil encontrar essa coleção nas bancas. Não é toda banca que vende, e, dentre as que vendem, a gente só vê 1 ou 2 exemplares. Conclusão: uma luta para encontrar pelo menos 1 exemplar nas bancas. No meu bairro mesmo, vinha com mais frequência até o nº 10. Depois disso só voltei a encontrar no nº 28 em diante, sendo que só encontra mesmo em 2 bancas, e ainda assim com essa limitação de 1 ou 2 exemplares por banca. O ideal eram todas as bancas venderem com tiragem igual a qualquer gibi. Não entendo isso. Qualquer dia desses, ainda vou mandar e-mail para MSP perguntando por que isso.

Box 31 ao 34
Apesar de todas esses deslizes eu compro. Por mim, continuaria tudo intocável, manter todos os seus erros dos originais e não deviam modificar nada, principalmente o texto das histórias, porém para acompanhar as histórias que eu não tenho acho que vale muito ter na coleção. Diante de tudo que abordei, a minha opinião é a seguinte: se você nunca comprou CHTM e espera encontrar uma réplica das revistas originais, esqueça porque vai se decepcionar, pois é apenas uma versão melhorada dos originais. Agora se você quiser apenas acompanhar as histórias, vale muito a pena porque vai encontrar histórias de alto nível da fase de ouro da MSP. Histórias excelentes que nunca mais serão vistas na MSP. Fica aí a dica.

Só para terminar a postagem, muita gente costuma perguntar quando terminará a CHTM? Alguns roteiristas já responderam que não vai terminar, vai ter o nº 40, nº 64, nº 100 e por aí vai. Eu acho que enquanto estiver vendendo vai ser produzida ou pelo menos enquanto a MSP estiver na Panini. Até porque se por acaso trocarem de editora de novo algum dia e quiserem continuar com a coleção, eles teriam que manter a numeração. E outra dúvida que costumam perguntar é como eles vão fazer quando CHTM estiver depois do nº 114 que foi o último número do Cascão e Chico Bento na Ed. Abril. Como será o box nº 115? Será que vão colocar nº 115 na numeração ou colocar nº 1 referente a Globo nas revistas deles? Dúvida que só será respondida daqui uns 12 anos. Aguardemos rsrsrs.

sábado, 6 de abril de 2013

Magali: HQ "Perigo no Supermercado"

O que acontece quando Magali vai ao Supermercado? Só pode dar confusão na certa. E foi isso que aconteceu na divertida história "Perigo no Supermercado", publicada originalmente em Magali nº 54 - Ed. Globo, 1991.

Capa da Magali nº 54  - Ed. Globo, 1991


Na história, Magali vai ao supermercado para fazer compras para sua mãe. Assim que chega, os funcionários e o gerente que estava lá na hora já a olham de cara feia porque ela sempre apronta quando vai lá. Um funcionário novo até pergunta por que ela é tão terrível assim, aí o gerente fala que ela foi capaz de pegar 50 saquinhos de bala e fez o maior escândalo porque a mãe só podia comprar um, comeu a compra inteira antes de pagar, e tiveram que fazer Raio X para fazer a conta, dentre outras loucuras.


Nisso, a Magali reclamando que era tortura que a mãe só deu dinheiro contado para as compras e o troco só dava pra comprar uma barra de chocolate, ela já começa a aprontar. Estavam anunciando amostras grátis de iogurte e bolo de milho e ela comeu tudo de uma vez só.


O gerente furioso corre atrás dela e a única alternativa é ela se esconder debaixo de uma prateleira e acaba dormindo. Ninguém a encontra e o supermercado fecha. Já altas horas da noite, Magali acorda e começa a fazer as compras da mãe. Para surpresa dela, o supermercado estava fechado com ela sozinha dentro. Ela pensa que é sonho e come tudo do supermercado.


A história tem uma reviravolta quando nessa hora aparecem 2 ladrões atrapalhados com a intenção de assaltar o mercado. Cada um ouvem barulhos. Como Magali pensa que não tinha ninguém lá dentro, e nem os ladrões também não sabiam que ela estava lá, tanto a Magali e os ladrões pensam que o mercado era mal assombrado e que tinha fantasma lá.


Com os barulhos cada vez mais fortes, os 3 ficam desesperados. Diante da correria, Magali escorrega num skate perto da seção de produtos de limpeza, fica com uma coberta branca na cabeça e aparece na frente dos ladrões, quando se choca com eles e acabam presos dentro de uma máquina de lavar. Ela liga pra polícia e acaba se tornando heroína. No final, como recompensa, o gerente fala que a Magali pode pegar o que quiser de graça. Ela só pega um saquinho de bala, já que ela havia comido o supermercado inteiro e as balas era a única coisa que havia sobrado, deixando o gerente furioso.


Para constar a história tem 15 páginas no total, os assaltantes e chamavam Debi e Loide e as marcas do iogurte e do bolo eram "Tanone" e "Bautuco", respectivamente. E o supermercado se chamava "Ganhe-Lá-Deixe Aqui". Muito boa essa história. Roteiro, traços, tudo ótimo. Sem contar que bandidos nas histórias sempre rendem boas histórias. Era muito frequente histórias com bandidos naquela época, mais que normal histórias assim.


É uma história muito engraçada que mostra a verdadeira Magali comilona que conhecemos com todos os seus absurdos que são a sua marca registrada. Se fosse pra levar para a realidade, como a mãe da Magali deixa ela ir sozinha ao supermercado sabendo que ela não tem controle no apetite? Como ela consegue tomar litros de iogurte e comer 3 bolos inteiros de uma só vez? E pior comer tudo de um supermercado inteiro? como um supermercado não tem vigia à noite? Nada disso importa. O que importa é a diversão da história, e são esses absurdos que a tornam tão especial e divertida.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Chico Bento: HQ "Parece Outro"



Publicada originalmente em 'Chico Bento Nº 65' (Ed. Abril, 1985) e escrita pelo Mauricio de Sousa em 15 páginas, a história "Parece Outro" é um clássico da MSP. A começar pela capa que faz alusão à história, coisa que não era muito comum na época. Só em histórias importantes que mostrava a história de abertura nas capas dos gibis da Editora Abril, com exceção da revista do Cebolinha.


Para quem não leu, a história "Parece Outro" mostra um Chico diferente após acordar numa certa manhã. Ele acorda, pela manhã, e não reconhece os próprios pais. Ele começa a falar português corretamente e estranha os próprios pais e a casa onde mora. Os pais ficam assustados vendo o filho daquele jeito.


Na verdade o que aconteceu foi que, por um dia, o espírito do Chico e o de um menino rico da cidade grande trocaram de corpo e viveram em realidades trocadas. Ou seja, o garoto rico está no corpo do Chico, e o Chico está no corpo do menino rico. Por um dia, o garoto rico passa a conviver com os pais do Chico no sítio e eles mostram ao menino a rotina do sítio, sem mordomias de geleia e "cornflakes" no café da manhã, banho com água encanada, ônibus pra ir pra escola, etc.


Aí depois de um dia cheio, com direito de até pegar inchada no roçado, ele vai dormir. No final, já no dia seguinte, tudo volta ao normal: o Chico volta a falar acaipirado como antes dizendo que teve um sonho maluco em que estava num casarão rico e ao mesmo tempo a mãe pensa: "Quem qué qui tenha sido, foi bão ter tratado ele como fio! Ele parecia tão percisado!"


Essa troca de corpos foi feita para ajudar o menino rico a dar valor às coisas simples da vida, já que dá pra entender que ele só dá valor aos bens materiais. Sendo que em nenhum momento da história aparece o Chico na casa do menino em que trocou o corpo.


Não fica claro se realmente aconteceu ou se foi um sonho do Chico, fica a dúvida se foi realmente uma "realidade paralela" que ele viveu por um dia ou não. O Maurício adorava fazer histórias assim que do nada acontecia algo e no outro dia voltava ao normal como se nada tivesse acontecido ficando a cargo do leitor a interpretar e tirar suas próprias conclusões se aquilo aconteceu ou não. Algo semelhante aconteceu também em Mônica nº 3 (Ed. Abril, 1970) na história "Quem tem medo da mini-Mônica" em que a Mônica acorda em forma de miniatura do nada e no dia seguinte volta ao normal, ficando a dúvida se ela encolheu de verdade ou não.


Só não gostei muito do aquadrinhamento dessa história "Parece outro" ter só 3 quadrinhos por página (em algumas só 2 quadrinhos). Embora para essa história até que não ficou ruim. Muitas histórias de 1985 colocavam aquadrinhamento desse jeito. À princípio, eu pensava que eram só nas histórias sérias, mas tem outras normais também com esse formato. Depois, eles pararam com isso e, ultimamente nos gibis, parecem que infelizmente estão retornando isso de 3 ou 4 quadrinhos por páginas. Nunca gostei porque fica parecendo que estão enchendo linguiça para fechar o gibi.


E muitas histórias do Chico Bento em 1985 têm esses temas sérios, com lição de moral, às vezes até emocionantes. Aliás, nem eram só do Chico, os outros personagens também tinham, mas do Chico eram mais frequentes.


Quando criança eu também não gostava muito de histórias sérias assim. Na verdade, nem entendia direito. Sempre achei que gibi é pra diversão, ter apenas histórias que fazem a gente rir. Hoje, não mudo muito essa opinião de gibi tem que fazer rir, mas, de vez em quando, é bom histórias assim para gente pensar. E bem  ou mal, apesar de tudo, nessa história tem a fantasia de criança dele acordar do nada diferente e voltar ao normal no dia seguinte, sem nenhuma explicação. Isso é bom e boa sacada do Maurício. O leitor é quem decide o que aconteceu.


Enfim, uma história do Chico Bento bem interessante e profunda. Um clássico. Na postagem a história está história completa. Eu a li pela primeira vez quando foi republicada no Almanaque do Chico Bento Nº 31 (Ed. Globo, 1995):

Almanaque do Chico Bento nº 31 - Ed. Globo, 1995

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Almanacão de Férias



Hoje vou falar sobre a coleção Almanacão de férias que marcou a infância de muita gente e todas as suas curiosidades. Almanacão de Férias surgiu da ideia de um especial de 1986 da Editora Abril, o Superalmanaque do Maurício que tinha 212 páginas, sendo 80 páginas de passatempos, e o resto era dividido entre republicação de histórias e aulas de violão. Essas aulas de violão eram muito comuns nas últimas revistas da turma na Editora Abril.

Quando a Turma da Mônica passou para a Globo, a ideia se manteve e foi lançado um Superalmanaque do Maurício em julho com o mesmo formato da Ed. Abril, formato 16 x 23 cm, com capa cartonada e as mesmas 212 páginas sem as aulas de violão. Então a revista ficou sendo 80 páginas de passatempos e 132 páginas de histórias republicadas. Por conta de direitos autorais, a MSP teve que mudar o nome da edição, sendo lançado então o Almanacão de Férias, mas para nossa surpresa veio a numeração nº 2 na capa em vez do nº 1. Então fica a confusão para muitos colecionadores que procuram o Almanacão de Férias nº 1 e não encontram, pois simplesmente não existiu um Almanacão de Férias com esse nº 1 na capa. O verdadeiro nº 1 foi o Superalmanaque do Maurício nº 1 de 1987.


O Almanacão de Férias nº 2 (ou nº 1 como preferir) teve formato igual ao Superalmanaque do Maurício, mesmas 212 páginas,divididos com 132 páginas de republicação de histórias e 80 páginas de passatempos. Realmente nunca gostei desse grande número de páginas de passatempos na edição, mesmo sabendo que a ideia da edição sempre foi esse mesmo de manter as crianças ocupadas nas férias. Mas como eram 132 páginas de histórias, contra 84 páginas nos almanaques convencionais (em uma época que não tinham passatempos nos almanaques convencionais), valia a pena. Na verdade, nunca gostei de passatempos nas revistas convencionais, eu nunca fazia, só deixava para fazer nos Almanacões.

Sobre as histórias um caso a parte. Muitas raridades e histórias excelentes de serem lidas. Muitos clássicos da Editora Abril. A gente teve o privilégio de ler histórias como "A galinha de Troia" (CB #65, de 1978), "Cadê meu coelhinho" (MN #107, de 1979), "A sombrona" (MN #110, de 1979),"O maior mistério da Terra" (Com Pato Donald, MN #187, de 1985), dentre outras da fase de ouro da Abril. No nº 7 chegou a ter até na abertura história de Festa Junina (MN #158, de 1983). 

Um grande destaque é que tinham muitas histórias de abertura originais dos 5 personagens principais no miolo. Sempre essas histórias de abertura no miolo que não valeriam a pena estar num almanaque convencional. Ou por ser curta demais, ou por ser muito clássica que seria mais interessante ser republicada num almanaque especial. Da fase da Ed. Abril dou destaque para as histórias "Um dragão de estimação" (CB #84, de 1980), "Um bastão muito louco" (CB #86, de 1980), "Uma cupida dentuça" (MN #103, de 1978), "Papai Noel dentuço?" (MN #116, de 1979), "O dente-propaganda" (MN #156, de 1983) e várias outras.


Até o nº 10 (em 1991) manteve esse formato 16 x 23 cm e tinham histórias apenas da Editora Abril. Esses números do 1 ao 10 foram os melhores, são os que eu mais gosto e que eu considero os especiais mesmo porque têm mais raridades. A partir do nº 11 o formato ficou maior aumentando para 21 x 26,5 cm, manteve as 212 páginas, com o mesmo número de histórias e passatempos e passou a já ter algumas histórias de 1987 da Globo. É que os almanaques da MSP têm data limite de republicarem histórias até de 5 anos atrás, e até hoje é assim. Tipo almanaques de 1987 vai ter histórias até 1982, almanaques de 1991, histórias de até 1986, almanaques de 1992, histórias até 1987, daí o motivo o Almanacão nº 11 passar a ter histórias da Globo, mas mesmo assim não deixou de ter o seu brilho.


Os Almanacões também costumavam ter brindes dentro. Algumas edições, vinham com ele, muitas vezes brindes, como giz de cera, lápis de cor, viseira de praia, quebra-cabeça, e vários outros. A partir do nº 17 a capa além de continuar cartonada, começou a ser plastificada. O nº 18 surpreendeu um pouco. Como as histórias normalmente são republicadas até 5 anos atrás, o normal era ter histórias até 1990, só que esse Almanacão teve 4 histórias das 4 primeiras edições do Parque da Mônica de 1993. Apesar dessas histórias serem boas, achei muito cedo republicá-las, já que eram apenas 2 anos das originais, mas mesmo assim ainda tinha outras histórias antigas e boas nele.

A decadência da coleção começou a se desenvolver no nº 19. A partir desse número, o número de páginas passou de 212 para 192 páginas, sendo 80 páginas de passatempos e 112 de histórias. E, mais tarde, iria piorar regredindo para 160 páginas, sendo 80 páginas de passatempos e 80 de histórias. 


A partir do nº 23, de 1998, passou a ter 3 almanacões por ano. Assim, como as revistas da Mônica e Cebolinha entre 1997 e 2002 inexplicavelmente tinham 13 edições por ano em vez de 12, em vez de ter Almanacão só em julho e dezembro, passou a ter em janeiro, julho e novembro. Nas férias de fim de ano eram maiores, passaram a ter 2 novos entre novembro e fevereiro. Nessa época já tinham reduzido o número de páginas para 160 páginas. Esse lance de 3 almanacões por ano permaneceu até a edição nº 36 de 2002 quando voltou ao normal de 2 por ano, porém com as mesmas 160 páginas. A coleção durou até em julho/2006, até o nº 43.

Em outubro/1994 passou a ter também Almanacão Turma da Mônica que era publicado fora das férias. Normalmente lançado nos meses de abril e outubro, com mesmo número de páginas do Almanacão de Férias, regredindo o número de páginas quando o "de Férias" diminuía  A diferença que no nº 1 foram só histórias inéditas (com curiosidade que essas histórias nunca foram republicadas até hoje) e a partir do nº 2 republicações. Desses, eu tenho até o nº 5 de outubro/1996. A coleção durou até o nº 24 em outubro/2006.


Agora na Panini, por causa dos mesmos direitos autorais, "Almanacão de Férias" passou a chamar "Grande Almanaque de Férias" e "Almanacão Turma da Mônica" se chama "Grande Almanaque Turma da Mônica", com as mesmas 160 páginas (80 de passatempos de 80 de histórias), continuam com histórias de abertura originais dos 5 personagens principais no miolo, só que tem a desvantagem a capa não ser mais cartonada e plastificada como na Globo.

Todas as fotos dessa postagem são da minha coleção pessoal, com exceção do Superalmanaque do Maurício nº 1 que ainda procuro na coleção. Por isso que coloquei só fotos até do nº 20. Eu colecionei até o nº 20 porque, além de terem diminuído o número de páginas no total e também o de histórias, a maioria das histórias eu já tinha nos gibis originais. Assim como os demais almanaques, aos poucos, passou a ter menos história da Abril ao passar os anos até não ter mais. Como vinham embalado com brinde, não sabia na hora quais histórias eu tinha ou não, sendo que geralmente quando tinha alguma da Ed. Abril, era só uma ou do Cascão ou do Chico Bento (no caso, as histórias de abertura das últimas edições do cascão ou Chico de 1986). Depois fui descobrir que até o nº 25 tinha pelo menos uma deles da Abril. Vale lembrar que as histórias nessa época ainda eram boas, só não comprava porque já tinha a maioria. Decadência total só as últimas edições, já que tinham mais histórias mais recentes.

Uma boa coleção que vale comprar se achar em algum sebo ou lojas virtuais, principalmente do nº 1 ao 10.