Mostro uma história em um extraterrestre sai do seu planeta em busca de um conhecimento perdido para salvar a sobrevivência dos habitantes do planeta dele. Com 9 páginas, foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 40' (Ed. Globo, 1988).
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| Capa de 'Chico Bento Nº 40' (Ed. Globo, 1988). |
O Imperador de um planeta encarrega um jovem extraterrestre para uma importante missão de sair em busca do conhecimento perdido, a sobrevivência do planeta deles dependerá do sucesso e se ele fracassar, seria viagem sem volta, não terá por que voltar lá.
Assim, o jovem pega a nave espacial e parte para outros planetas. Passa por planetas cujos povos se empenham em guerras sem fim, planetas em ruínas que a vida não existe mais, outros habitados por seres irracionais, outros onde a vida nem surgiu, até que chega no Planeta Terra, o último a ser explorado e sua última chance dessa missão ser cumprida com êxito.
Na Terra, o ET lança luz em cima dos grandes estudiosos para absorver a grande inteligência que procura. Absorve conhecimento do maior químico do planeta, não é o conhecimento que procura e desaparece sem nem ter sido visto, depois de um cientista que projeta novos armamentos, não aceita, dizendo que é o conhecimento que menos interessa. Depois, revista cérebros de engenheiros de informática, políticos, escritores, jogadores de futebol, banqueiros, nada serviu.
O alienígena admite que fracassou, procurou os homens mais poderosos do planeta e ninguém tinha o conhecimento perdido. Está com pouco combustível, pode tentar voltar ao planeta para o merecido castigo ou passar o resto dos dias ali mesmo, pouco importa, quando Chico Bento aparece perguntando por que a tristeza dele. O ET diz que fracassou na missão do Imperador, Chico não entende e convida para almoçar na casa dele e explicar tudo no caminho.
Na casa do Chico, o ET comenta que se alimenta de pílulas concentradas, aí prova a canja e se delicia e depois come toda a comida servida e depois diz que está satisfeito, como nunca esteve antes. Depois, Chico vai cuidar da horta para o almoço de amanhã e mostra as plantações que tem no sítio. Em seguida, Chico dá comida para as galinhas e porcos, tira leite da vaca Malhada e o ET só observa. Após o trabalho, Chico vai nadar no rio e o ET absorve o conhecimento do cérebro do Chico e vai embora.
No final, o narrador explica sobre o Planeta Futuros com um progresso em um nível inimaginável, mas seus habitantes usam armaduras porque seus organismos tornaram-se frágeis, sensíveis a qualquer tipo de vírus e bactérias, talvez pelo tipo de alimentação, constituída só por pílulas químicas. O planeta é todo de concreto, porém tem uma esperança com o espaço reservado com o sítio que o jovem ET da missão criou, mostrando ele feliz capinando terra em volta dos bichos.
História legal, bem profunda em que um alienígena é enviado para missão de buscar um conhecimento perdido em outros planetas para conseguirem a sobrevivência deles. Era um planeta com um alto progresso, porém não tinham mais verdes, alimentações naturais, estavam mais doentes e risco de habitantes serem extintos. O ET, quando já não tinha esperança de encontrar o tal conhecimento perdido, vê na simplicidade do Chico a esperança do planeta ter uma segunda chance.
Situação do planeta Futuros era tão crítica que habitantes se vestiam armaduras medievais e não podiam nem expor seus rostos para se protegerem de doenças e até dos efeitos nocivos de poluição. Tinham inteligência para progredirem tecnologicamente, mas não eram capazes de resolver os problemas ambientais que eles próprios criaram, não pensaram na destruição do meio ambiente teriam consequências. Se não tem verde, matas, árvores plantações, aumenta o aquecimento climático, não tem o que eles comerem, pílulas não têm vitaminas suficientes como de alimentos, então perdem imunidade e sensíveis a qualquer doença, favorecendo extinção deles.
O ET percorreu vários planetas e até em situações piores que o dele destruídos por guerras, na Terra, os grandes cientistas, políticos, banqueiros não tinham o conhecimento que buscava, afinal, era mais do mesmo que eles tinham, apenas encontrou o que procurava na simplicidade do Chico e da roça. O ET deixou o conhecimento só pra si, com ele criando o seu próprio sítio e esperança que outros que vejam e possam copiar a ideia dele e renascer o verde e a vida natural nos planetas deles.
Interessante que mostrou o nome do planeta Futuros e explicou a crise só no final da história, normalmente os 5 primeiros quadros da última página estariam na primeira, abrindo a história, mas deixaram no final de propósito para entender e transmitir a mensagem de reflexão que queriam, achei uma ótima sacada assim. O título diferente, em vez de "Chico Bento em: " , colocaram "com Chico Bento", ideia de que o protagonista foi o ET do Planeta Futuros e o Chico foi coadjuvante e fez só participação. Fez todo sentido e bem sensato, afinal Chico só apareceu a partir da 5ª página e só em 4 do total de 9 páginas.
Teve seus momentos de humor como nomes dos estudiosos Leal Quimista, Joca Brum, com referência a alquimista e onomatopeia Cabrum, respectivamente, Chico perguntar se tristeza do ET é esperando o carnaval chegar e a metalinguagem de ET sugerindo ler as primeiras páginas da historinha para entender. A engenheira de informática ficou parecendo a roteirista Rosana, história pode ter sido escrita por ela, se não foi, chance de ser do Rubão ou do Robson.
História teve mensagem de cuidar do planeta, tantas guerras, armas, poluição vai destruir o planeta e não deixar como ficou o planeta Futuros, ajudar leitores terem consciência das consequências do progresso e preservar meio ambiente e ficarem atentos a governantes que só pensam em progresso, dinheiro e poder e nem aí para natureza. Passados 38 anos continua atual e continuará sendo o tempo que passar se não mudarem o pensamento. Conhecimento perdido do ET revistar cérebro dos outros com a luz pode ter referência a Inteligência Artificial que busca conhecimentos de sites da internet para ter a sua resposta, o que deixa mais atual ainda.
Traços ficaram muito bonitos da fase consagrada dos personagens nos anos 1980. Incorreta atualmente pelo tema filosófico não ser apropriado para crianças e ainda traumatizar, Chico trabalhando na roça, tomando banho no rio pelado, jogador negro com lábios com círculo em volta da boca, além de coisas datadas como informática com mainframes e escritora usando máquina de escrever.
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O mais engraçado foi o planeta Futuros ter porcos e vacas. A menos que ele tenha trazido alguns da Terra.
ResponderExcluirSim, pelo estado que o planeta Futuros estava com eles precisando usar armaduras pra se protegerem de não ficarem doentes, não devia ter animais lá, aí tudo indica que o ET levou galinha, porcos e vaca da Terra assim como algumas árvores e sementes para ele formar o sítio dele.
Excluir"Em busca do conhecimento perdido" é mais uma daquelas em que Chico, sem a menor pretensão, se passa por "professor" devido sua simplicidade e sua sabedoria inata, instintiva...
ResponderExcluirRessaltando que tanto mãe quanto filho aparentemente não exprimiram curiosidade sobre como seria a face do sujeito. Entretanto, como a trama conta com vários pontos resumidos, provável que em algum momento tenham indagado a respeito, quiçá apenas entre eles ou perguntando diretamente ao visitante, pois, ao menos fica claro se tratar de um ser humanoide e, não com base somente na forma física, também pelo modo como age e se expressa, claramente denotando comportamento humano.
Irônico o fato de sua civilização ser tão, tão, tão avançada tecnologicamente e trajarem "cópias" hi-tech(s) de armaduras medievais.
Nem mesmo apenas a face, só de levar um estranho que encontrou no meio do caminho e nunca nem viu para almoçar em casa já é bem surreal e impróprio. Só o Chico mesmo... só numa história em quadrinhos mesmo.
ExcluirTiveram muita sorte do sujeito não ser um ladrão disfarçado, ou mal-intencionado mesmo.
A simplicidade do Chico conquistava todo mundo até extraterrestres, do seu jeito Chico conseguia ensinar muita coisa sem querer. O rosto fica na imaginação, acho que ele contou para o Chico que era um ET e sobre o que passava no planeta dele, só ficou sem mostrar porque tinha intenção de se ruma história curta e objetiva, aí resumiram o máximo que dava.
ExcluirAs roupas podiam ser tecnológicas que ajudavam a driblar os efeitos nocivos da poluição e o que abaixa imunidade deles, podia ser, no mínimo, com um traje do Astronauta. Aí ficou contraste do futuro tecnológico com o passado da época medieval, mesmo assim ficou legal.
Isabella, pelo visto o Chico e a mãe não tinham maldade, todo mundo era bem vindo lá, mas de fato podiam ter risco de ser um assaltante, não é bom se ligarem como qualquer um é amigo e poder entrar na casa deles, não duvido do povo do politicamente correto implicarem com isso.
ExcluirPois é, gente. Convidar para almoçar qualquer novato desconhecido que aparece na pacata cidadezinha pode ser uma baita roubada. Todavia, as HQs ambientadas em Vila Abobrinha são pautadas na boa e velha "hospitalidade do campo".
ExcluirÉ, o Chico já fez muito isso de levar alguém desconhecido para casa dele, por ser um local pacato e ser história em quadrinhos, está valendo, na vida real inimaginável poder fazer isso.
ExcluirExato. Para uma compreensão (leitura) com menos "choques culturais" possíveis temos de considerar o caráter hospitaleiro do campo (por incrível que possa parecer, continua sendo realidade em boa parte das regiões rurais brasileiras) somado ao lúdico ficcional. Lembrando também que convidar o "Jaspion do (M)medievo" e Dona Cotinha receber de braços abertos um desconhecido, ainda por cima excêntrico e recepcioná-lo com um "banquete" são atos que claramente refletem infância, adolescência e primeiros anos de fase adulta de Mauricio quando esse passava suas temporadas no campo. Pois o Brasil das décadas de 1930, 1940, 1950 detinha um tipo de sociedade em que era comum os cidadãos confiarem uns nos outros, mesmo se conhecendo de pouquíssimo tempo e outrossim entre desconhecidos. Confiança era um ativo mútuo, recíproco, tempos em que as "palavras valiam quase tanto quanto os jamegões (assinaturas)", e tanto no rural quanto no urbano. Tal padrão social ainda persistiu no decorrer dos 1960 e atingiu determinada altura dos anos 1970. Obviamente que existia todo tipo de desonestidade naquelas épocas, existia bandidagem naqueles "anos dourados", porém, não em escala industrial como a partir dos anos 1980. E os cidadãos de bem lá dos meados do século passado ademais eram munidos de desconfiança, digo isto a fim de quebrar a romantização de que tudo eram flores e que aquele tipo de sociedade era majoritariamente ingênua, pelo contrário, a vida naqueles tempos era muito, muito, muito dura!...
ExcluirSim, a conduta hospitaleira no campo rural continua até hoje embora pouco mais precavidos. Histórias do Chico baseiam no tempo da infância e adolescência do Mauricio até meados dos anos 1950, o que implicava também o Chico e a mãe agirem assim com um desconhecido lá sem estranhar. No meio urbano naquela época também não era diferente, criminalidade era menor, podiam confiar mais nos outros. A vida dura também fazia serem assim, como serem solidários com quem precisa e nos anos 1980 em diante com criminalidade mais alta passaram a desconfiar das pessoas e não foram mais ingênuos, assim que posa ainda existir no meio rural em menor escala.
ExcluirSaudades de histórias filosóficas assim, bem antológicas. São sutis com a forma que passam a mensagem, sutileza que falta muito hoje em dia. É tudo escancarado, soletrado para as crianças. Fica extremamente forçado, como lacrar ao máximo, ao invés de deixá-las absorver a mensagem naturalmente. Oh, como e quanta falta faz esse tato hoje em dia...
ResponderExcluirÉ uma história que funcionaria bem com o Astronauta, tema teria bem a ver, mas com o Chico ficou realmente ótima. Quem entende melhor de viver a vida do que ele, com simplicidade, pouca ambição e ao mesmo tempo paixão por tudo que se tem... Sempre icônico e eterno.
Verdade, eram histórias simples, singelas e com grande conteúdo. Hoje tem que ser tudo explicado, sem nem deixarem as crianças interpretarem, imaginarem, muito ruim isso para elas. Daria certo com Astronauta e também com o Papa-Capim, mas ficou bom assim com o Chico mostrando como uma criança pode ajudar a resolver problemas assim do seu jeito natural e inocente.
ExcluirEu meio que gostaria de mais histórias do Astronauta com os pais na fazenda. As dos espaço são bem legais, mas podem ficar repetitivas com o tempo. Eu gosto mais quando o cenário muda e vemos a vida familiar dele na Terra (mas acredito que histórias assim ficaram mais frequentes nos anos 2000).
ExcluirMas para essa história específica, seria bem legal, com o Astro levando o cara para conhecer os pais e como eles vivem bem no campo.
Assim como fazia com Chico Bento, Bidu e Horácio, volta e meia Mauricio de Sousa manifestava-se através do Astronauta, expressou-se por meio do herói em diversas tramas do (A)antigo (T)testamento.
ExcluirIsabella, infelizmente foram poucas histórias do Astronauta na fazenda com os pais, muitas vezes eram aparições no final pra tirar descanso, agora foco do início ao fim foram poucas, bem que podiam ter investido mais com ele na fazenda pra diferenciar das aventuras espaciais. Pode ter tido mais família dele nos anos 2000 em diante, mas ainda assim prevaleciam o Astronauta com os alienígenas.
ExcluirZózimo, o Mauricio se manifestava mais em histórias do Horácio, Astronauta e Turma da Mata. Apesar de se identificar com o Chico Bento, ele não fazia muitas histórias dele, tanto que quase todas as do Chico nos anos 1970 eram voltadas para o humor pastelão. Já o Bidu ele fazia mais até por volta de 1972, muitas até adaptações de tiras seriadas dos anos 1960 que juntas formavam história, depois disso, o pessoal do estúdio que passaram a fazer histórias do Bidu.
ExcluirAh, é! Como fui esquecer(?!), Mauricio de Sousa "protestava" por meio da Turma da Mata. Muito bem lembrado!...
ExcluirSerá mesmo, Marcos, que escreveu Bidu até 1972? Bom, você tem suas fontes genuínas (confiáveis) e quem sou eu para duvidar do que afirma. E, ademais, entendi, quis dizer que, ☞com maior frequência, Mauricio roteirizou HQs do Bidu até aquele ano, após isso, escreveu pontualmente☜.
Acreditava numa frequência mais duradoura como argumentista de seu personagem inaugural por ter lido, não lembro onde, de que o antagonismo entre Bugu e Bidu foi baseado nas recorrentes discordâncias entre Mauricio e seu irmão, o Marcio (ou Márcio, acentuado). Naquele fictício contexto de rivalidade o cão amarelo representava seu irmão mais novo e o cão azul representava ele, o (P)pai da Turma da Mônica.
Estreia do Bugu foi em 1972 ou em 1973? E esse está entre aqueles que Mauricio assina(va) dos quais não saíram da cachola dele, isto é, o amarelinho xarope foi criado pelo irmão, correto?
É, Turma da Mata teve muitas histórias do Mauricio nos anos 1970. Quando tinham histórias do Bidu escritas pelo Mauricio nos anos 1970 eram reedições das tiras seriadas de jornais dos anos 1960 ou as publicadas nos gibis do Bidu da Editora Continental só que redesenhadas. Até em 1976 ainda eram possíveis ver histórias assim do Mauricio, mas foram mais frequentes até em 1972. O Bugu estreou em dezembro de 1972, em Mônica Nº 32 e foi criado pelo Marcio Araujo, Bugu representava o irmão do Mauricio, aí a partir de quando criou o Bugu, o Marcio assumiu as histórias do Bidu com o Bugu, as do estilo de metalinguagem e conversando com objetos.
ExcluirHistória bem bacana faz as crianças pensarem, diferente de hoje tudo mastigado para as crianças aprenderem.
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