sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Chico Bento: HQ "Fez Aqui, Aqui Paga!"

Mostro uma história de duplo sentido com o Chico Bento em que ele diz para os adultos que fez bobagem com a Rosinha. Com 5 páginas no total, foi história de encerramento de 'Chico Bento Nº 27' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Chico Bento Nº 27' (Ed. Globo, 1988)

Começa com o Chico na igreja se confessando par ao Padre Lino que fez bobagem com Rosinha. O padre fica assustado e dá a penitência de 1 milhão de ave-marias e 400 mil pais-nossos e ainda querer falar com os pais deles.


Chico fica nervoso porque não sabe quanto é 1 milhão porque só sabe contar até 100. Ele encontra a professora Marocas e ela diz que é mil vezes mil. Chico diz que complicou por não saber quanto é mil. A professora pergunta porque ele quer saber isso e ele diz que o padre mandou rezar um milhão de ave-marias por ter feito bobagem com a Rosinha. Professora Marocas se assusta e sai correndo.

Depois Chico caminha pela vila e ouve comentários de 2 meninas comentando que a mãe não quer que chegue perto dele e saem correndo quando o Chico se aproxima delas quando percebeu que estavam falando dele. Até um cachorro correu dele. Ou seja, a notícia se espalhou e todo mundo estava sabendo.


Quando chega em casa, o seu pai está brabo e com galho de árvore na mão e querendo satisfação do filho ter feito besteira com a Rosinha. Chico diz que foi só uma besteirinha e quando vai falar o que era, o Seu Bento tampa a boca dele, falando que é uma revista infantil. E já suspende o galho para dar uma surra nele.

Chico chora e diz que nunca mais vai roubar goiaba com a Rosinha. Sabe que é feio roubar e a besteira está feita e abaixa a bunda para o pai bater nele. Seu Bento dá gargalhada e não bate no Chico, que fica sem entender o motivo da gargalhada. No final, Chico caminha e encontra a Rosinha e diz que não vão mais roubar goiaba. Rosinha pergunta se é errado e Chico responde que não é, que o pai até deu gargalhada, mas o padre deu penitência grande e pede para a Rosinha dividir as ave-marias com ele.


Essa história é bem simples e muito engraçada, como um duplo sentido dá pra dar boas risadas. Legal ver a inocência do Chico e a mente poluída dos adultos. Ele nem conseguia se explicar que havia roubado goiaba e já criavam caso. A maldade está na cabeça de quem vê. Engraçada a parte do Seu Bento tapando a boca do Chico falando que é uma revista infantil, deixando claro que estava pensando em maldade e também do Chico não saber quanto é 1 milhão e saber contar até 100.


Na MSP às vezes apareciam histórias de duplo sentido, que sempre eram bem divertidas. Fora, em situações de quadrinhos soltos que colocados fora da história dão esse sentido de várias interpretações, mas se ler a história completa via que não é nada daquilo, coisa que era mostrada muito no site "Porra, Mauricio!". Hoje em dia essa história é completamente impublicável por ter esse duplo de sentido de sexo, além do Chico ser ameaçado de levar surra do pai na bunda e o Chico ser burro a ponto de saber só contar até 100.


Os traços muito bons, bem característicos do final dos anos 80. O Padre Lino foi desenhado diferente, ainda não tinha característica fixa, em cada história aparecia diferente e nem nome fixo também. nessa, foi só chamado de padre.

46 comentários:

  1. hoje em dia essa história iria deixar o publico do politicamente correto de cabelos em pé,adorei essa historinha,que hoje em dia não seria republicada e nem fariam uma nova assim.......uma pena a sociedade querer isso pras nossas crianças.....queria ter vivido os anos 80,pra eu comprar os gibis da turminha dessa época,mas deus não deixou........:`(

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    1. Nem republicação e nem fazer uma nova assim nesse estilo. Nem pensar hoje em dia. Uma pena, era muito legal histórias assim. Infelizmente você não comprou gibis novos em bancas assim, mas pelo menos dá pra comprar em sebos e curtir da mesma forma.

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  2. Hahaha. Esta história é ótima!!
    Conheci por algum almanaque.

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    1. Muito engraçada, que bom que já tinha lido no almanaque.

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  3. Eu tenho esse gibi aaaaaaaaaah! <3

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    1. Pois é, nem dava pra se explicar, já interpretavam de outra forma. Muito bom.

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  5. seria legal se tivesse um epilógo com Chico,Rosinha e todo mundo que interpretou mal o "pecado" dos dois rezando suas penitências. Chico e Rosinha pelo seu pecado de roubar (que seria muito menor do que aquele que eles receberam originalmente) e os outros por ter uma ideia tão suja e maldosa da traquinagem que os dois fizeram. Chico e Rosinha só olhariam para eles,ainda sem saber o que está acontecendo. é só minha opinião

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    1. Sim, Chico e Rosinha erraram por roubar goiaba, mas os adultos também por pensarem mal das crianças, inclusive o padre. Todos deviam rezar suas penitências.

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  6. Que história fantástica, sensacional, valeria por 1 milhão de gibis novos, isso prova que a Turma da Mônica tinha também piadas com duplo sentido. Pena que o politicamente correto predomina nas HQs atuais. Pai batendo em filho, duplo sentido e a palavra roubar, tudo que precisa para a história ser muito boa. Pra mim, o que mais mudou com o politicamente correto foi o Chico Bento, depois foi o Cascão, e depois o Rolo. Seu blog é o melhor de todos. Eu lembro de uma história, mas não lembro o título, e foi na Editora Abril. O Franjinha fala que tem uma barriga supérflua, só que a notícia começa a se espalhar, primeiro um menino fala para Titi e Jeremias que ele tem Superflúor (flúor é substância encontrada na pasta de dente) na barriga do Franjinha. Depois Titi conta para Cebolinha, mas ele entende que tem Superfuro na barriga do Franjinha. Cebolinha liga pra ambulância, e estava todo mundo desesperado. No final não era nada, apenas que a barriga dele era supérflua. Se você conhece essa história por favor coloque no blog, é uma das histórias que eu mais procuro, junto com a Paraíso Astral, uma das melhores do Émerson Abreu.

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    1. Sim, já teve de tudo na MSP. Hoje só coisa bem infantil, voltada para o politicamente correto. Bem lembrado da palavra roubar que não é mais falada nos gibis, que agora eles não roubam mais goiaba, trocaram pra pegar goiaba. Dentre os principais, o que menos mudou foi o Cebolinha, os outros estão descaracterizados completamente.

      Eu lembro por alto dessa história do Franjinha, mas não lembro a edição que li, provavelmente algum almanaque da Globo. Se eu encontrar eu posto, e se der essa do Paraíso Astral do Emerson. Valeu por estar gostando do blog. Obrigado.

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    2. Eu conheço outra história, mas não li e só a conheço pelo título. A HQ se chama Reencarnação, da Magali, e não sei do que se trata, estou muito curioso, mas pelo nome, acho que vai ser complexa e "pesada". Pode contar o roteiro da história? Se der, fico muito agradecido. Tchau.

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    3. Essa é de Magali nº 368 de 2004. Também é do Emerson e virou livro agora. Se der, eu posto aqui.

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  7. Mesmo sendo infantil, há quem hoje em dia pense ser forte demais para um personagem criancinha como Chico Bento... também o fato de mostrar o confessionário remete à preferência da religião católica, coisa até bem habitual e natural em roças e idades pequenas, mas que hoje em dia alguém pode achar ruim. Se bem que ainda na Panini volta e meia colocam historinhas com quermesses e comemorações católicas... então...

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    1. Verdade, eles evitam criar histórias agora com foco em religião e tradições católicas, para não desprezar as outras religiões. Ou seja, mais um motivo bobo e que não fariam mesmo uma história assim de novo.

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  8. Agora não sei porque, ainda hoje, o Chico é visto em cima de goiabeira. Nenhum moleque sobre mais nesses pés hoje em dia.... não que isso me incomode, mas a MSP preza tanto por se atualizar...

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  9. As índias agora tem TOP, ninguém nada pelado no rio e criança nenhuma faz trabalho na roça... mas a goiabeira está sempre ali pra ser trepada pelo Chico.

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    1. Daqui a pouco vão inventar de tirar Chico em goiabeira. Mas de certa forma já mudaram alguma coisa, em vez de roubar goiaba, agora é pegar goiaba... :(

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  10. História muito divertida! O que será que as crianças da época imaginaram?

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    1. Pois é, podiam imaginar qualquer coisa, alguma coisa bem terrível.

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  11. História excelente. Saudade disso daí nos dias de hoje... Não tenho mais nem como me desanimar com a Turma. Pra mim, é algo que ficou no passado. Só faltam enterrar o defunto do que um dia foram as criações do MSP.

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    1. Hoje em dia não tem nem sombra do que já foi um dia. Temos que se contentar com as histórias do passado, que essas valem a pena reler sempre.

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  12. já vi outras histórias do Chico Bento com duplo sentido: Uma em que uma perereca gruda na mão do Chico Bento e ele fala para um padre que está com a perereca na mão e o padre bate nele. Outra em que o seu bento estava na varanda com dois amigos e eles iam contar umas piadas, mas o Chico e a Rosinha chegaram, ai os adultos ficaram nervosos e mudaram o final das piadas. No final da história, o Chico e a Rosinha comentam que eles conheciam outros finais para as piadas (os verdadeiros).

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    1. Eu lembro de uma cena onde o Chico Bento briga com a Rosinha e eles se separam, então o Chico arruma outra namorada, e ela chama o Chico pra ir atrás do arbusto. Depois o Chico sai todo vermelho dizendo para parar com aquilo.

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    2. bons tempos em que estas coisas eram permitidas.

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    3. Atualmente não podem nem falar perereca nos gibis. Agora mudam pra sapinho pra não ter duplo sentido. Foi o que fizeram no Grande Almanaque Turma da Mônica Nº 21 recentemente em que mudaram o título da história "No meio do caminho havia uma perereca" para "sapinho". E em toda a história aonde era perereca mudaram para sapinho. Completamente sem noção e desnecessária essa alteração.

      Histórias excelentes que vocês citaram, aliás.

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    4. Daqui a pouco, não vão poder mais chamar aquele mamífero com chifres em forma de galhos de veado (ou "viado", em caipirês), nem aquele peixe carnívoro de rio de piranha... mas eles vão continuar aparecendo nas historinhas do Chico Bento... se é que já não mudaram seus nomes nas HQs atuais do caipirinha!

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    5. E isso porque nunca li, em nenhum gibi, a palavra "perereca" como sinônimo de "dentadura"... Coisa que já ouvi em certos programas humorísticos na televisão!

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    6. Eles ficam inventando muito, se preocupam demais com bobagem. Creio que também não falam mais piranha e veado nos gibis. Chico mesmo não é mais mordido por piranhas por ser perigoso.

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    7. Já é absurdo ele parar de pescar, mesmo que exista na realidade a pesca esportiva (com programas na televisão mostrando a prática), na qual o pescador só usa iscas artificiais e, depois de pegar os peixes, retiram o anzol com todo o cuidado, tiram fotos com eles e os devolvem ao rio, soltando-os com muito carinho em vez de jogar os peixes menores na água!

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  13. Mudando de assunto:https://m.facebook.com/monicasdeformadas/photos/a.1736526586613313.1073741828.1736491286616843/1821016908164280/?type=3

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    1. Isso é só o começo!A página na qual está a imagem é só de bizarrices não-intencionais com os traços(ou troços?)da TM!

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    2. Eu vi a página. Só desenho tosco e amador.

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    3. eu to me divertindo com essa página

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  14. Foi mai eu ainda não ter blog(é a preguiça tem dessas coisas),Mas Marcos Você Pode Postar A HQ "Os Adolecentes" da Magali 168 Ed.Globo?

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    1. Apoiadíssimo! Essa foi uma pré-TMJ, kkkkk

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    2. História legal. Se der, eu posto. :)

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  15. Valeu!se der par ser inteira eu agradeço!:D

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  16. Hahahaha impublicável!
    Olha a vara de marmelo na mão do Seu Bento, prontinho pra bater no Chico!
    Mas olha, em tempos de politicamente correto, teve aquela história do Rolo em que ele foi na farmácia e encontrou o irmãozinho da Tina com vergonha de comprar o que queria. Claro que o Rolo levou pra maldade. Uma boa surpresa entre as historinhas atuais.

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    1. Verdade, essa do Rolo é de 2005 e já tinha politicamente correto. Embora, lá pra 2005/ 06 eles estavam querendo ser mais ousados, estavam soltando uma ou outra incorreta. Mas depois que foram pra Panini, voltaram par ao politicamente correto com tudo e pior do que era.

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  17. GENIAL! Apesar de eu achar meio desnecessário esse tipo de história, não há como não admitir que foi uma história genial.

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