quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Dona Morte: HQ "O último servicinho do ano"

Mostro uma história da Dona Morte com a missão de matar o Ano-Velho no último dia do ano. Tem 4 páginas no total e foi publicada em 'Cascão Nº 77' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Cascão Nº 77' (Ed. Globo, 1989)

Nela, Dona Morte acorda, se despreguiça, falando que nunca dormiu tão bem e percebe que já é quase meia noite e está muito atrasada. Ela lembra que é o último trabalho do ano e no caminho até imagina tirar férias no ano que vem. Ela demora para encontrar a sua vítima, se perguntando aonde ele está, até que encontra um homem, que se assusta com a presença dela, mas Dona Morte vê que não era quem estava procurando e diz que foi um engano, que só vai buscá-lo ano que vem.


Dona Morte fica braba, querendo saber aonde sua vítima se meteu, quando bate meia noite no relógio. Ela ouve uma risada, falando que conseguiu passar da meia noite e ele não foi embora. Descobre-se, então, que a Dona Morte queria buscar o ano 1989, o Ano-Velho, e pela primeira ela fracassou. O Ano-Velho vai continuar vivo por mais um ano. Dona Morte lembra para ele que desse jeito o Ano-Novo não vai nascer e tudo que se passou vai se repetir. O Ano-Velho diz pra ela que sente muito, mas ela perdeu.


Nessa hora, surge um relojoeiro, com suas ferramentas para consertar o relógio da catedral, reclamando que está adiantado outra vez. Como foi defeito do relógio, ainda não era meia noite e então a Dona Morte consegue matar o ano 1989. Ele chora, mas logo em seguida, aparece um anjo falando que ele está na lista que irão reencarnar. Em seguida, aparece Dona Cegonha, com o Ano-Velho, agora como um bebê, que será o Ano-Novo que estava nascendo.

Dona Morte volta para casa, falando que ele conseguiu uma vida nova e já dentro do casarão, ela deseja um feliz Ano-Novo aos leitores, com um ar pensativo. Afinal, se o espírito do Ano-Novo era o mesmo do Ano-Velho, será que 1990 seria um ano novo realmente?


Essa uma história simples e muito boa, sem enrolação, indo direto ao ponto. Muito interessante colocarem os anos como espíritos e que um tem que morrer para o o outro nascer. E ainda fica uma reflexão no ar dos espíritos dos anos serem os mesmos, será que tudo não iria se repetir também.

Era comum de colocar o Ano-Velho representado como um coroa e o Ano-Novo um bebê recém-nascido. Nessa não foi diferente.  Na postagem a coloquei completa. Normalmente, quando republicam histórias envolvendo anos, eles mudam para o ano corrente em questão e, mais recentemente, colocam mudam apenas para "Ano-Novo" ou "Ano-Velho no lugar. Os traços ficaram muito bons e caprichados, como sempre na época. Teve crédito a Penadinho no título, mas a história é toda da Dona Morte e Penadinho nem apareceu.


Uma grande curiosidade é que nessa história a Dona Morte morou em casarão velho e abandonado ao invés do cemitério, com direito a cama e tudo. Engraçado a Dona Morte dormir que nem os seres humanos, absurdo que a gente tanto gosta e torna a história mais divertida. Legal também ela falar com o homem que só vai buscá-lo ano que vem e interessante como os personagens falavam "diacho" na época. Nessa mesmo foi 2 vezes. Era mais frequente nas histórias do Chico Bento, mas qualquer um falava isso.

Um Feliz Ano-Novo para todos!!!

26 comentários:

  1. Essa história é curta,porém muito engraçada!As mais engraçadas geralmente são mais curtas,não?Bom,Feliz ano novo Marcos!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. As simples são as melhores, sem dúvida. Pelo menos não tem enrolação, encheção de linguiça. Um feliz Ano Novo pra você também.

      Excluir
  2. Lembro que na minha infância lá pelos anos 90 achava as histórias da dona morte muito divertidas e curiosas. Essa não ficou atrás. Muito boa. Feliz ano novo Marcos e que 2016 traga ótimas pastagens no blog como sempre. Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Dona Morte tinha hqs muito boas. Valeu. Um Feliz Ano Novo pra vc tbm. Abraços

      Excluir
  3. Caramba, Marcos! Eu tinha esquecido sobre essa história! É curta, mas é muito divertida. A Dona Morte e toda a Turma do Penadinho tinham histórias muito mais divertidas antigamente do que hoje, não é?

    É que, tipo assim, por causa do maldito politicamente correto, a Dona Morte não pode mais matar pessoas, né não? Se for assim, acho que nem o Zé Vampir pode mais morder o pescoço das pessoas. Eu não acompanho os gibis novos, então acho que é mais ou menos assim que acontece hoje.

    Voltando a história acima, eu já li ela no Mônica Especial de Natal nº 1 de 2007, mas essa não foi a única republicação dela. Uma dessas republicações, se não me engano, foi no Mônica Natal nº 5 de 1999. Mas assim como muitas outras histórias de Natal e Ano Novo, ela foi republicada um monte de vezes. Você teria alguma republicação dessa história?

    Pra terminar, gostaria de te deseja um feliz ano novo e um ótimo 2016 pra você! Outro desejo é que você fale de mais histórias da turma do Penadinho em breve, principalmente da Dona Morte, do Zé Vampir e do Frank, que são os meus favoritos.

    Abraços, um feliz Ano Novo e uma boa noite pra você!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, mais uma coisa, Marcos! Eu acredito que a única mudança nas republicações dessa história foi mudar o ano, pra ficar mais atual. Por exemplo, se ela foi republicada em 1999, trocaram 1989 para 1999. E se republicaram em 2007, mudaram pra 2007. E por aí vai.

      Excluir
    2. É q parece q hj em dia as hqs da Turma do Penadinho são mais focadas nos personagens do cemitério, são raras vezes q aparecem eles com os humanos ou até secundários protagonizando as hqs e a turma do penadinho aparecendo só no final. Hqs assim eu achava melhor.

      Sim, essa hq foi republicada algumas vezes, mas não tenho nenhum almanaque com ela republicada. E nas republicações mudam a faixa, de 1989 para o ano atual ou então colocando "Ano velho" no lugar.

      Valeu. Um Feliz 2016 pra vc e vou ver se posto mais hqs com a Turma do Penadinho. Abraços

      Excluir
    3. Como que alguém vai ter "morte" no nome se não pode matar ninguém?Só no Politicamente Correto,mesmo.

      Excluir
    4. É mesmo, não faz sentido. Tudo pra não traumatizar.

      Excluir
  4. Muito boa..kkk Feliz Ano Novo, Marcos! :D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito legal essa. Obrigado. Um ótimo 2016 pra vc. :)

      Excluir
  5. Marcos, feliz ano novo!
    Você gosta do efeito do cabelo do Cascão nas produções feitas com a Labocine Digital?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu gosto do cabelo do Cascão com impressão digital como sai nos gibis. Para filmes, parece ser mais fácil produzir do jeito q aparece neles.

      Um Feliz Ano Novo pra vc.

      Excluir
  6. Sim,as histórias sempre vinham creditadas à Turma do Penadinho,raramente ao membro que não seja ele.

    Mudando de assunto,Marcos,eu comecei a ler Turma da Mônica na editora Globo.Na época da Abril,tinha nudez de meninos e seios expostos de índias?

    Ah,e feliz morte de ano velho!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Igualmente pra vc... Era normal mesmo ter créditos ao Penadinho ou "Turma do Penadinho". E tinha nudez de meninos e seios expostos de índias as vezes na Editora Abril.

      Excluir
    2. Desde os anos 70,então.Era uma curiosidade minha de anos.Então não tinha a frescura do politicamente correto de hoje.Hoje em dia,pasmem,mulheres amamentando seus bebês em público vem sendo violentamente reprimidas,e por outras mulheres!Não sei o que deu nelas,mas inventaram que expor os seios e dar de mamar é feio,condenável e que deve ser restrito ao lar!
      Felizmente os estados estão criando leis contra essas repressões!

      Excluir
    3. Ah, o mundo hoje tá chato, independente de quadrinhos hoje qualquer coisa é motivo de mimimi. Isso aí é só mais um exemplo. Uma pena chegar a esse ponto.

      Excluir
    4. Uma pena ter chegado a esse ponto,mas há pessoas combatendo esse mimimi,ainda bem,senão o mundo vira do avesso!

      Excluir
  7. Muito legal essa história. O Chico Bento que também teve uma história em que queria ver a virada de 1989 para 1990, né?

    Outra da Dona Morte relacionada a esse tema que sempre curti muito também foi uma da época do Bug do Milênio, quando os bebês começaram a reencarnar no ano 1900 em vez de 2000.

    Feliz Ano Novo! E parabéns pelo trabalho no blog.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, Zé, essa história do Chico que você citou é assim mesmo. O nome dela é Pra Ver o Ano Passar e ela é de Chico Bento nº 77 de 1990, mas é engraçado que ela foi publicada logo no primeiro gibi dele de 1990, ou seja, atrasaram um pouco pra ela ser republicada no final de 1989. Bem que poderiam publicá-la em Chico Bento nº 76, não acha?

      E essa história da Dona Morte se chama O Bug do Morte e ela foi publicada em Mônica nº 159 de 1999, sendo que você acertou novamente no enredo.

      Enfim, um feliz ano novo pra você também! Abraços!!!

      Excluir
    2. Essas hqs são muito legais. Muito bem bolada a Dona Morte. Obrigado Zé, um ótimo 2016 pra vc tbm.

      Daniel, esse gibi do Chico Bento nº 77 foi o último de 1989, saiu na última semana de dezembro daquele ano. No site do Paulo Back dá um erro em relação ao nº 75 q foi de novembro (foram 3 gibis de novembro), daí ficou a confusão. A nº 76 tiveram histórias de Natal, mas não na abertura. E a nº 77 reservaram para Ano Novo.

      Excluir
  8. Olá! Essa Dona Morte com cara de caveira eu gostava. Até a roupa - igual - parecia ter um contraste diferente. Os roteiros tinham essas coisas de querem transmitir mais de uma mensagem ao mesmo tempo. Isso fica explícito quando ela diz pro homem que ele só vai morrer ano que vem. E em vários momentos sobre a questão do ano velho ter que ir para poder vir o ano novo, mas que na verdade tudo não passa de uma transformação. Leitura que serve pra criança, jovem e adultos em geral, sendo religiosos ou não. Cada um vai guardar pra si as particularidades que lhe convém. Isso é ARTE.
    Você sabe me dizer se ela entrou em alguma republicação de algum Almanaque do Penadinho? Tenho dois aqui, mas não tenho essa HQ.

    Um forte abraço! Que 2016 seja um ano de paz no coração de todos.

    Fabiano Caldeira.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, eles costumavam passar uma mensagens nas hqs, isso era muito bom. Eu tbm gostava bastante dos traços da Dona Morte parecendo uma caveira. Os com sombra no rosto tbm gostava bastante.

      essa história não foi republicada em Almanaque do Penadinho. Foi republicada um monte de vezes em almanaques de natal. Dois deles, pelo menos, foram no Mônica Especial de Natal nº 5 de 1999 da globo, e também no Mônica Especial de Natal nº 1 de 2007 da Panini.

      Um excelente 2016 pra vc. Tudo de bom. Abraço

      Excluir
  9. Os traços da Dona Morte estão sensacionais nesta postagem. Ela está bem assustadora e bem desenhada.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito bem desenhada, sem dúvida. Eu tbm adorei os traços dela assim.

      Excluir