quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Magali: HQ "Comidinha esperta"

Compartilho uma história muito engraçada de quando todos os alimentos que a Magali tocava passaram a criar vida. Escrita por Rosana Munhoz, tem 16 páginas e foi publicada em 'Magali Nº 33' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Magali Nº 33' (Ed. Globo, 1990)

Começa com a mãe da Magali, Dona Lina, dando café-da-manhã para ela, que era a forma mais rápida de acordá-la. Magali decide começar pelo sanduíche e quando vai tentar morder, ouve uma voz gritando para não morder. Magali pergunta quem falou isso e era o sanduíche, deixando a Magali apavorada. O sanduíche diz que era ele quem devia ficar assustado porque iria ser devorado. 


Magali estranha um sanduíche falar e ele diz que foi sorte senão já estaria na boca dela. Magali acha que é o resto do pesadelo e, para acalmar, ela pega o copo d'água para tomar e, para sua surpresa, a água começa a falar também, mandando nem tentar tomar, a chamando de "monstra". Magali apavorada derruba o copo no chão e a água reclama que ela é uma desastrada e vai dar queixa na Sociedade Protetora dos Alimentos.


Magali sai correndo do quarto gritando pela mãe, e tenta avisar que o sanduíche está falando, mas a mãe interrompe, achando que ela já comeu todo e avisa que na mesa tem café com bolo e também que vai sair por um instante. Magali se conforma que aquilo foi só um pesadelo e vai comer o bolo. Quando corta os pedaços de bolo falam também, dizendo que foram separados um do outro. Magali se convence que é imaginação dela e resolve ignorar. passa manteiga no bolo, mas quando vai comer, ele faz cara de triste e ela não consegue comer com pena, com o bolo aliviado, falando que valeu a pena o seu "olhar 43".


Magali vai para rua, achando que a comida da casa dela está contaminada e vai comer cachorro-quente. Ela pede 5 ao vendedor e os cachorros-quentes começam a latir e a correr atrás dela pela rua. Magali se esconde no restaurante e o garçom pergunta se ela já recebeu a mesada. Magali diz que não é nada disso e o garçom interrompe, falando que é pra ela ir embora porque não faz mais fiado lá. Magali diz para não pô-la pra fora porque têm cachorros-quentes ferozes a esperando na rua. O garçom não entende e para ela não se passar por louca, resolve comer por lá porque tem dinheiro.


O garçom traz um bife fidalgo com batatas-fritas e quando espeta o garfo para cortar o bife, ele dá um grito muito alto e sai correndo falando que ela o espetou. Isso assusta os clientes do restaurante e todos correrem apavorados para o lado de fora. Na rua, os cachorros-quentes que estavam esperando a Magali sair voltam a correr atrás dela e Magali acaba derrubando as frutas de uma barraca do fruteiro. Então, todas as frutas passam também a persegui-la, porque já conhecem a sua fama de comilona. Magali corre e vai parar na casa da Mônica, que estava almoçando com os seus pais.


Magali explica para Mônica que estava sendo perseguida por comidas e que tudo que ela toca, passa a andar e a falar com ela. Mônica pergunta se é alguma doença e Magali diz que não sabe, mas precisa encontrar uma solução logo. Mônica pergunta como foi o dia dela ontem e Magali diz a sua lista do que comeu no café, no lanche, no almoço. E diz também que foi a um rodízio de pastéis em um restaurante chinês com os pais à noite, lembrando que o dono ficou muito brabo com ela porque comeu tudo, acabando com o lucro de um mês do restaurante, mas que depois ele se arrependeu fazendo com que ela limpe as mãos em uma toalha perfumada.


Mônica alerta que foi esse o motivo e as duas saem de casa pela janela dos fundos para fugir dos alimentos que estavam em frente a casa e elas vão ao restaurante. Magali não acha que foi culpa do chinês porque ela é muito querida nos restaurantes que ela frequenta, mas se convence quando vê placas dizendo que é pra Magali não entrar. Elas entram no restaurante do chinês Is-Ti-Ling, que se assusta com a presença da Magali e a manda ir embora. Mônica cobra satisfação o que ele fez com a Magali de que tudo que ela toca cria vida. Is-Ti-Ling se faz de desentendido e a Mônica manda a Magali tocar nos pastéis, que criam vida e passam até fazer números musicais, assustando toda a clientela.


Is-Ti-Ling fica furioso por ter perdido os fregueses e Mônica exige que ele faça a Magali voltar ao normal, senão ela vem todo dia tocar nos pastéis. Ele diz que usou um feitiço milenar do poderoso Ming-Ali e dá uma toalha com o antídoto para a Magali tocar. Em seguida, ela já consegue tocar no pastel sem ele falar e finalmente ela come algo na história. 

No final, quando Is-Ti-Ling já estava convencido que estava falido, chega uma multidão para ver os pastéis falantes que cantam e dançam e seu restaurante volta a fazer sucesso com isso. Mônica vai para casa acabar de almoçar e Magali vai para dela começar. Em casa, Magali conversa com o bife que a mãe deu, dando uma cutucada com garfo. E explica para mãe que é bom avisar para não se enfezar, com a Dona Lina sem entender nada.


Acho essa história sensacional mostrando as confusões que a Magali se meteu com as comidas falantes. Muito movimentada e de rachar de rir com as comidas falando com ela. A parte do sanduíche falando no início da história foi o máximo, Para Magali sem dúvida foi um pesadelo as comidas criarem vida e ela não poder comer nada. Dessa vez o vilão se deu bem no final, mas nem o considero como um vilão. Ele só queria se vingar da Magali por ter dado prejuízo para o restaurante. Não a coloquei completa na postagem.


Eram normais histórias da Magali contracenando com comidas falando. De alguma forma elas passavam a falar ou por causa de uma bruxa, com mágicas, ou eram extraterrestres, etc. Era muito bom histórias assim mostrando esses absurdos. A Rosana, principalmente, adorava escrever histórias assim cheias de absurdos, envolvendo magia, fábulas e, logicamente, mexendo com a fantasia dos leitores.

A grafia "monstra" de que a água chamou a Magali não existe, colocaram só para deixar uma linguagem mais informal. Muito legal também a referência a música "Olhar 43" da banda RPM, quando o bolo falou que valeu mostrar o seu "olhar 43". Bem criativo o chinês se chamar Is-Ti-Ling, paródia de estilingue e gostei do jeito de falar igual ao Cebolinha para demonstrar que é chinês.


Os traços maravilhosos, contornos bem grossos e com os personagens com sobrancelhas nos olhos, sem deixar com fundo branco, com a finalidade expressar sentimento com intensidade. Traços só com riscos inclinados no olho demonstrava que estavam emocionados ou bem tristes e quando aparecia só uma curva para baixo no meio dos olhos demonstrava que estava com muita raiva. Adorava traços assim. Enfim, valeu muito a pena relembrar essa história excelente e marcante que completa 25 anos esse mês.

23 comentários:

  1. Tenho essa no box da coleção histórica! Muito boa!

    Boas históricas que não voltam mais.... pena.

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    1. Muito engraçada, com certeza. Uma pena mesmo q não fazem mais hqs assim.

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  2. Oi, Marcos! Lembro que fiz uma postagem sobre essa revista no meu antigo blogue. Só não a trouxe para o atual porque eu acredito que o público anda sendo o mesmo. Então seria uma postagem onde SS pessoas certamente se lembrsriam da anterior e talvez ficassem chateados comigo. Essa HQ e simplesmente espetacular, do mesmo nível da paródia dos Gremlins que saiu em uma revista da Mônica sinda na Abril. Os traços são os mesmos e a criatividade andsvs livre e solta. A Magali também participou dessa paródia dos Gremlins. Aliás, foi porque a Mônica trombou com ela (que comia um sorvete de creme) que o coelhinho que a Monica carregava sofreu uma mutação e se multiplicou em centenas de coelhos mZlvsdos e feiosos. O coelho era de um lojas cujo dono er um chinês velho e sábio que sabia que o coelhinho não podia ser lambrecsdo com sorvete de creme. Eu nunca mais vi essa HQ republicsda. Mas ela e tão espetacular quanto essa daí da Magali. Formidável!!!

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    1. Esse tablet me fez errar um monte de palavras. Desculpe. Espero que compreenda o que escrevi. Um abraço.

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    2. Essa hq da Magali é fantástica, toda perfeita. Criatividade era alta na época.

      Quanto a hq dos Cremilins tbm é muito boa. Só q os traços não são tão iguais a essa da Comidinha Esperta da Magali, tem suas diferenças. mesmo assim as 2 tem traços ótimos.

      Se vc for procurar gibis, a dos Cremilins é original de Mônica Nº 180 - Ed. Abril, 1985... e foi republicada, sim. Foi no Almanaque da Mônica Nº 23 - Ed. Globo, 1991.

      Abraço

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  3. Eu posso estar confusa, mas eu nunca entendi porque nas HQs alguns donos de restaurante/feiras ficavam tristes/bravos quando a Magali comia tudo. O lucro deles não é vender a comida pras pessoas comerem? E eu não acho que a Magali ia roubar.

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    1. Acho q é porque a Magali tira a vez dos outros clientes, não deixando sobrar nada para os outros e eles têm q fechar o restaurante mais cedo por falta de comida. Fico imaginando de como ela consegue tanto dinheiro pra pagar tudo que ela come. Coitado do pai rsrsrs, Se bem q em algumas vezes ela não pagava rsrs

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    2. Na minha humilde opinião, acho que deve ser porque ela pode passar mal de tanto comer e aí o restaurante acaba levando a fama de fazer um cliente passar mal.rsrsrs. acho que a raiva dos donos na verdade seria um tipo de medo.

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    3. Acho que é porque muitos destes restaurantes vendiam comida a rodízio, ai era prejuízo para eles, pois ela paga apenas uma quantia e logo em seguida comia tudo.

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    4. Também são outras possibilidades q vcs dois disseram, principalmente quando ela ia em rodízios. prejuízo na certa.

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    5. Suas opiniões fazem sentido :D
      Concordo!

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  4. Marcos, qual a sua opinião das mensais atualmente? Eu acho que elas estão um pouco melhores do que as ultimas revistas da primeira leva da Panini. Eu vi nesse mês uma HQ em que o Humberto tenta tocar instrumentos, mas se dá mal por não poder falar. o que você acha dela? Acha que o politicamente correto pode ao menos diminuir?

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    1. Bruno, eu não acompanho gibis novos, só compro edições especiais. Pelo q folheio nas bancas, tudo a mesma coisa, desenhos feios de PC, roteiros bobos, aí não compro. Acho q vi por alto essa do Humberto, bom saber q ele se deu mal, como vc falou. Quem sabe, diminuam o politicamente correto nas hqs.

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    2. Da Magali, só comprei a número 1. Em geral as HQs estão boas mas acaba ficando enjoativo ver sempre as mesmas coisas em toda santa edição. Os anos 80 e 90 havia mais diferencial mesmo que o tema fosse o mesmo.

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    3. Provavelmente irei comprar de novo por volta do número 10. Será o suficiente pra saber se realmente as mudanças se perpetuaram na qualidade das HQs ou se aquilo que houve nas edições 1 e 2 tratou-se de algo isolado.

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    4. Verdade, mesmo com temas iguais, principalmente hqs q tratavam as verdadeiras personalidades dos personagens, eles conseguiam uma criatividade incrível na hora de escrever as hqs.

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    5. Antigamente haviam muitas histórias épicas, com personagens criados apenas para tais histórias, mas que sempre são lembrados, como os que apareceram em Cebolinha 500. Atualmente é raro de isso acontecer.

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    6. Sim. Apareceram em uma só hq, mas q marcaram. Hj eles procuram padronizar os vilões, as bruxas, etc. Tipo, em vez de mostrar uma bruxa diferente a cada hq, eles procuram colocar a Bruxa Xanda como oficial e assim por diante.

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  5. Essa história é ótima.
    Conhecia através de um almanaque.

    Seu blog é excelente. Parabéns!

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    1. Obrigado Zé. Que bom que gostou do blog. E essa hq é espetacular, sem dúvida.

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