domingo, 21 de julho de 2013

Graphic MSP: Turma da Mônica - Laços


Depois de "Astronauta Magnetar" de Danilo Beyruth, foi lançado recentemente "Laços", dos irmãos Vitor e Lu Caffaggi, o segundo volume da coleção "Graphic MSP". Nessa postagem eu falo e dou minha opinião sobre a coleção e  sobre "Laços".  

"Graphic MSP" surgiu da ideia do projeto "MSP50", em que 50 artistas convidados pelo estúdio faziam a sua releitura para os personagens da MSP como forma de homenagem aos 50 anos de carreira do Maurício. À princípio seria um só volume, mas com o sucesso de vendas e críticas, o projeto ampliou e fizeram mais dois volumes do "MSP50", além de ter uma versão similar com a publicação "Ouro da Casa" em que os artistas da própria MSP faziam suas versões aos personagens. Com tanto sucesso foi criada a "Graphic MSP" que segue a mesma proposta. 

Em cada volume de "Graphic MSP", um artista convidado monta uma história mais desenvolvida com seu estilo. Tem formato 19 x 27,5 cm, 84 páginas, com versões de capas dura e brochura, ficando a escolha do leitor o que agrada mais e que atenda melhor o seu orçamento, e miolo papel couché bem grosso de alta qualidade.

Contracapa 

Em qualquer uma das versões eu acho o preço caro. A capa brochura (cartonada) custa R$ 19,90 e capa dura, R$ 29,90. Um absurdo, visto que serão edições regulares. E para piorar, a capa cartonada ficou disponível para as bancas, enquanto que a versão capa dura foi para as livrarias e internet. Então, se resolver comprar na internet, só vai encontrar a de capa dura (com desconto ou não) e infelizmente não será possível encontrar a versão cartonada com desconto.

Para uma obra como essa, a minha procura é pela capa cartonada. Acho mais interessante e é minha primeira opção. Claro que a capa dura é mais resistente e durabilidade maior, só que não vejo necessidade de tanto luxo para essa coleção. Ainda sobre preço, mesmo com o papel de miolo de alta qualidade, não justifica esse preço alto. Ou então, podia ser papel de qualidade inferior e baratear mais.

Eu não curto muito essa publicação porque não são feitos por artistas do estúdio, apenas usam os personagens do Maurício. Para uma só edição especial comemorativa do "MSP50" acho válido, mas tanto os os outros dois volumes de "MSP50", quanto "Ouro da Casa" e agora a "Graphic MSP" acho que só servem mesmo para a MSP ganhar dinheiro à custa dos artistas. Como já tenho a trilogia "MSP50" e a "Ouro da casa", que já acho que deram conta do recado, não vejo necessidade de acompanhar "Graphics MSP". Comprei mesmo essa edição para ter um na coleção e para saber como é.


Falando agora especificamente sobre "Laços", a arte é espetacular, tudo rico em detalhes, mas o conteúdo nem tanto. O álbum começa com 3 páginas antes da história do desaparecimento do Floquinho, com uma mini-história mostrando como o Cebolinha, ainda bebê, ganhou o Floquinho e depois do final da história mais 3 páginas mostrando como o Cebolinha conheceu a turminha.

Sobre a história de "Laços", não gostei muito, achei muita enrolação. A sinopse gira em torno do Floquinho que desapareceu e, com isso, o Cebolinha e a turma vão procurá-lo. Ela vai da página 10 a 71. Mesmo começando a história na página 10, a trama do desaparecimento do Floquinho só começa a se desenvolver no final da página 18. É que nas 9 páginas iniciais, os autores resolveram colocar o Cebolinha e o Cascão correndo da Mônica pelo bairro todo, depois de um plano infalível. 


Foi um critério utilizado pelos autores Vitor e Lu Caffaggi para mostrar os outros personagens da turma, como o Titi, Denise, Xaveco, etc, só que foge do contexto da história e muitas páginas dedicadas a isso. Acho que podiam ser mais objetivos e começar direto com a trama do Floquinho e como eles queriam que aparecessem os outros personagens, que colocassem na trama ajudando a procurar em algum momento. Tem outros pontos que também fogem do contexto da história, reforçando a enrolação. Mas, como são 60 páginas de histórias para desenvolver, é natural que encham linguiça mesmo para ocupar o número de páginas.

Já vi muitos comentários na internet que acharam o final da história emocionante. Eu achei normal. Não que seja ruim, mas não vi nada de emocionante. Deixando claro que me refiro ao final da história que está na página 71; e não a mini-história que vem depois contando como o Cebolinha conheceu a turminha, que também não é. Aliás, não tem quase nada de emocionante no livro. Algo mais assim foi na parte em que o Cebolinha descobre que o Floquinho sumiu e fica triste e deprimido no quarto no dia seguinte. De resto, é só aventura e humor. Outro ponto que não gostei que há muitas páginas inteiras mudas, como nas páginas 43, 44 e 68, para citar alguns. Acho que podiam colocar texto pelo menos na metade dessas páginas. 

Uma das páginas totalmente sem texto

O ponto alto são as referências a momentos nostálgicos que a turminha passou nos gibis. Algumas são lembranças dos autores e outras pesquisaram. Na página 45, o Cascão cita as balas Bilula da história "O Concurso das Balas Bilula" (CB #29, Ed. Globo, 1989). Na página 46, quando estão reunidos contando histórias cada um conta momentos que passaram, e interessante que um termina de contar, o outro começa a falar aproveitando o gancho. Nessa hora, o Cebolinha lembra do Garotão, a Mônica do que passou na história "Como atravessar a sala?" (MN #186 - Ed. Abril, 1985), dentre outros.

Tem outras referências a momentos históricos da turma, como a Magali vestida de verde no final que era a cor do seu vestido das suas primeiras tiras, conforme foi mostrado no álbum de figurinhas "A história da Turma da Mônica" da Editora Rio Gráfica (atual Editora Globo), de 1986, além de referências a filmes doa anos 80, como "Conte Comigo". "Goonies", "E.T. o Extraterrestre", etc.


A partir da página 75, tem páginas de "Extras". São 4 páginas mostrando os bastidores de como foi feito essa edição "Laços" e os esboços das artes. A seguir, 2 páginas contando a história da Turma da Mônica e falando dos personagens Cebolinha, Floquinho, Mônica, Cascão e Magali, apresentando também a primeira tira que esses personagens apareceram. 

Nessa parte, eles erraram dizendo que o Cascão foi criado em 1963 e depois da Mônica, quando na verdade foi criado em 1961, ou seja, antes da Mônica, que foi criada em 1963 (inclusive, foi falado isso em "Cascão 50 Anos"). E erraram ainda que a Magali foi criada em 1964, quando na verdade foi em 1963. Talvez colocaram até de propósito, por causa dos livros "50 Anos" que foram lançados atrasados ("Cascão 50 Anos" só foi lançado agora em 2013, depois de 2 anos de atraso). Se for levado em consideração a isso, fica a deixa que em 2014 teremos "Magali 50 Anos". 

Uma das páginas de "Extras"

Então, eu achei simplesmente uma edição normal, nada que chame grande atenção e que seja muito emocionante, como muitos falam. Esperava algo bem mais grandioso. Para mim, valeu apenas para ter uma edição da "Graphic MSP" na coleção e até para saber como é. Sinceramente, não me atraiu e não pretendo comprar nem "Astronauta Magnetar" que não tenho e nem acompanhar os outros que virão. Fora que o preço também é muito caro que não justifica para uma obra como essa. 

Para finalizar, informo que o próximo "Graphic MSP" a ser lançado será "Chico Bento por Gustavo Duarte" com lançamento na Bienal do Livro do Rio de Janeiro.

18 comentários:

  1. Há vários meses eu soube exatamente isso o que fala na tua postagem. Mas como o gosto é algo individual e muda muito de uma pessoa para outra, compreendo que esse exemplar tenha feito muito sucesso sim.

    O que me broxou na decisão de levar pra casa foi o fato de saber que é o mesmo tipo de enredo sem sal que encontramos nas mensais. Ele só está maquiado com a arte primorosa desses artistas brasileiros.

    Se tal artista tem um olhar dele sobre os personagens, deixa que ele traga o universo todo pronto, eu penso.

    Valeu por compartilhar!

    Abraços.


    Fabiano Caldeira.

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    1. Sim Fabiano, a arte é sensacional, mas o enredo é comum, história supernormal e q eu esperava bem mais, até pelos comentários q eu li. Não vi nada demais.

      Com certeza cada um vai ter uma opinião sobre esse album. Eu particularmente não gostei. Abraços

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  2. Eu gostei e me emocionei...lembrei do meu cãozinho Doo que me deixou este ano em março...comprei a versão de banca e apesar de ser uma HQ tipo essa das mensais,teve a arte por cima que ficou muito bacana...enfim,tenho o do Astronauta também e o próximo é do Chico...o mais esperado da coleção por mim,vamos ver! ;)

    Até, Xandro. http://blogdoxandro.blogspot.com.br/

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    1. Legal q vc gostou Xandro, eu não posso dizer o mesmo. Os outros dessa coleção também não vou comprar. Abraços

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  3. Oi, Marcos.

    Bem, minha opinião, já dei há uns dias. Achei uma ótima HQ. Foge do padrão MPS, mas utiliza seus personagens noutros aspectos etc.. É algo "de outro mundo"? Não. Realmente, não há nada de emocionante no final. É apenas uma HQ bacana para se ler e ter na coleção. No geral: um lançamento que valeu a pena (para mim!).

    Gostei das páginas mudas, por exemplo. Essas cena do confronto com a morte que você postou, por exemplo, ficou bonita assim: muda.

    Enfim, é algo que não agrada totalmente a seu gosto pessoal por quadrinhos. Normal. Mas é legal ver que você comprou e pode aproveitar algo dela.

    Sobre os preços, é só pesquisar, pegar cupom, descontos em internet etc.. Não esquente muito a cabeça com esses valores de capa de edições HC. Se um colecionador de HQs for sempre pagar preço de capa sobre gibis, ele quebra em um ano. Vou lhe dar uns exemplos, nos links abaixo onde já abordei o assunto:

    1 - http://kleitongoncalves.blogspot.com.br/2012/07/comprando-hqs-com-economia.html

    2 - http://kleitongoncalves.blogspot.com.br/2012/07/comprando-hqs-ii.html

    Quanto ao gibi do Chico, estou ansioso, pois sou grande fã de Gustavo Duarte e tenho todas as suas HQs, exceto "Có!".

    Abraços! E, novamente, ótima postagem, ainda mais pelas correções à edição, sobre datas.

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    1. Kleiton, comprei essa para saber como é, mas os outros da Graphic MSP não vou. Realmente achei fraco e não agradou.

      Sobre preço, é q para essa publicação prefiro a versão cartonada e eles não vendem essa versão na internet. Eu até vi na internet a versão capa dura por R$ 19,90, mas acho melhor a cartonada, aí tive q comprar na banca mesmo. Era pra vender a cartonada na internet também.

      Vacilaram feio com as datas de criação e dizer q a Mônica nasceu antes do Cascão. Valeu por ter gostado da postagem. E ótimas postagens suas q vc citou, eu desconhecia essas.

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  4. Realmente a história é bem simples e não traz nada de extraordinário, mas mesmo assim fiquei muito fascinado por essa edição, a arte na minha opinião compensa qualquer coisa. O que ela mostra, assim como a turminha original, é que por mais que briguem, as crianças em algum momento estarão unidos pra ajudarem uns aos outros, comum em qualquer grupo de crianças, e os autores souberam captar a essência da turminha justamente nisso.
    As páginas mudas pra mim estão em momentos realmente precisos. As cenas dele adentrando a floresta mostram toda a tensão daquele momento e que qualuqer fala seria desnecessária.
    Enfim, por causa dessa edição acabei comprando a do Astronauta que na época não tinha dado muita bola e foi outra surpresa.

    Abçs.

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    1. llpsdll, a arte é sensacional mesmo, nem posso falar mal. Como comprei pela história, já que tinha visto a arte na internet, aí decepcionou. Tem uma bela mensagem de fato, mas nada de extraordinário no roteiro, fora as enrolações, por isso não agradou.

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  5. E olha que eu já estava preparando o bolso pra comprar o do Astronauta?! Mas depois dessas críticas, não vou mais. Respeito e considero quem gostou, mas eu vou esperar cair online ou para baixar na net...

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    1. Muita gente gostou, mas eu não. Achei Laços tudo normal. Nem vou comprar os outros títulos, só vou ficar com esse pra ter um na coleção.

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  6. Olha, Marcos, eu gostei. os traços dos irmãos Cafaggi são excelentes, e a arte final é melhor ainda. não sei se você reparou, mas numa parte há uma homenagem á luluzinha!

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    1. Os traços são sensacionais, sem dúvida. O q não gostei foi do roteiro e nao curto a ideia dessa coleção. Nem lembro mais se tem referência a Luluzinha.

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    2. Por enquanto, estou tentando comprar o Horácio e Seus Amigos Dinossauros, que reedita aquelas páginas semanais (que parece até uma mini série).

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  7. Marcos, a tira em que a Magali estreou foi a do Cebolinha 367, em 11 de janeiro de 1964 (foi comentado isso no "Saiba Mais - Magali 50 Anos").

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  8. Não sei se essa data é correta, visto q em Mauricio 30 Anos fala q ela foi criada em 1963 e outras publicações tbm. Podem muito bem terem inventado a data.

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    1. É. Ou de repente foi criada num ano, estreou noutro... Cascão e Chico Bento estão aí pra provar.

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  9. pelo menos essa HQ não é feita no computador como as HQ comuns da MSP

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    1. É, a arte é incrível, nada de desenhos de computador como nas hqs atuais.

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