domingo, 21 de setembro de 2014

Capa da Semana: Magali Nº 138

Há exatos 20 anos começou o 3D Virtual nos gibis. A princípio, em setembro de 1994, o recurso era só nas capas e a partir de novembro, passaram a ter histórias também. Em homenagem, mostro uma capa da Magali, com ela pensando nas guloseimas em 3D. De curiosidade, essa foi a única capa da Magali em 3D. 

Há quem nunca conseguiu ver as imagens saltando para fora, mas eu consigo ver tranquilamente, até assim na tela do computador. Para constar, eu já falei detalhes do 3D Virtual aqui no blog.

A capa dessa semana é de 'Magali Nº 138' (Ed. Globo, Setembro/ 1994).


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Turma da Mônica Extra Nº 13 - Vó Dita


Nas bancas, "Turma da Mônica Extra Nº 13" com a Vó Dita e nessa postagem comento sobre essa edição. 

Essa edição continua sem propagandas internas e custando R$ 3,20, e, com isso, é a revista mais barata da MSP atualmente. Chegou com um atraso de 4 meses, visto que a data original era de maio, conforme consta no expediente, e só chegou nas bancas em setembro. Não dá para entender um título chegar tão atrasado como foi esse, para ver como anda péssima a distribuição da Panini. Mesmo com atraso, as propagandas da página 2 e da contracapa foram atuais, mostrando os lançamentos de "Graphics MSP - Bidu Caminhos" e "Turma da Mônica Jovem # 74", de outubro. Provavelmente mudaram de última hora esses anúncios. 

A vó Dita é avó do Chico Bento, mãe do pai dele, o Seu Bento. Foi inspirada na avó de verdade do Mauricio de Sousa, de mesmo nome. Sua principal característica é contar histórias para o seu neto Chico Bento ou também para outras crianças da Vila Abobrinha. Essas histórias são baseadas no folclore brasileiro ou reais, baseadas na sua experiência de vida, repletas de sabedoria e com uma lição de moral para refletir no final. 

Quando o protagonista da história é criança, costuma ser o Chico Bento e seus amigos representando os personagens da sua histórias. O Chico pensa que tudo é imaginação da Vó Dita, mas no final é revelado para os leitores que realmente aconteceu no passado, mostrando a Vó Dita conversando com o personagem de quem ela contou. Até quando as histórias são sobre folclore também são verdadeiras. 

Algumas eram emocionantes, outras bem sinistras também, envolvendo pacto com diabo e o sobrenatural, e estas também aconteceram, mostrando os personagens no final. Há também histórias com ela só participando das histórias do Chico mesmo e dando conselho rápido. Não gostava muito da Vó Dita quando criança, não entendia muito as mensagens que queria dizer e achava sem graça. Depois de adulto, que passei a entender, mas mesmo assim prefiro as histórias divertidas.


Então, essa edição "Turma da Mônica Extra Nº 13" tem 12 histórias republicadas com a Vó Dita no total, incluindo a tirinha final  Prevaleceram histórias simples com a Vó Dita participando ou no início ou no final e infelizmente apenas 4 foram com ela contando histórias para o Chico. 

As histórias são da Editora Globo entre 1991 a 1994, mas teve uma de 1 pagina da Editora Abril, publicada originalmente em Chico Bento # 3, de 1982. Aliás, quase todas as histórias haviam sido republicadas no 'Coleção Um Tema Só # 48 - Chico Bento: Histórias da Vó Dita' (Ed. Globo, 2005). Apenas essa da Ed. Abril, além de "A vingança do peixe", de CHB #124, de 1991 (em que o Chico se engasga com uma espinha de peixe e o Zé Lelé tenta tirar), e "A importância de uma flor", de CHB # 125, de 1991 (em que conta a história de uma menina que cultivava flores), que não foram. Então, quem tem aquela edição, conhece as histórias também.

O gibi abre com a história "Chico Bento e o nome" (CHB # 144, de 1992), que mostra como foi o nascimento e a escolha do nome do Chico Bento. A intenção era os pais colocarem o nome dele através do santo do dia, mas como ele nasceu no "Dia de Todos os Santos", os pais e a Vó Dita procuram outros meios para escolherem um nome para o bebê. Um detalhe nela é que o seu Bento chama a Vó Dita pelo nome, e não de mãe.

De curiosidade, essa história é de uma época em que os personagens não tinham datas fixas de aniversário e qualquer data podia ser a de aniversário. Então, só nessa história, o Chico Bento nasceu dia 1º de novembro, e atualmente ele faz aniversário em 1º de julho. Porém, apesar da história falar de "Dia de Todos os Santos", o gibi original foi de julho de 1992, e, com isso, dá para notar que as histórias não tinham coerência com o mês corrente. 

A "Perigo na xícara chá" (CHB # 113, de 1991) é simples e interessante. Nela, a Vó Dita não vê um futuro  bom para o Chico na xícara de chá, mas não diz para ele o que é, e ele fica encucado com isso. 

Trecho da HQ "Perigo na xícara de chá" (1991)

O gibi encerra com a história "Chico Malasarte" (CHB # 132, de 1992), que conta a história de um menino que perdeu tudo e ficou só com a porta velha da casa e a companhia de um urubu e faz um plano para comer na casa de uma mulher que regula comida até para o marido.

Sobre as terríveis alterações em relação às originais, infelizmente tiveram algumas. A primeira foi logo na primeira página da história de abertura. Na original, o Seu Bento estava com um cachimbo na mão, e agora tiraram. Nas histórias atuais, cigarros, cachimbos, charutos estão proibidos e, então, eles alteram isso nas republicações dos almanaques. E nesse não foi diferente. Abaixo a comparação:

Trecho da HQ "Chico Bento e o nome", tirada de 'Chico Bento # 144' (Ed. Globo, 1992)

Trecho alterado da HQ "Chico Bento e o nome", tirada de 'Turma da Mônica Extra Nº 13'

Ficou tão mal feito que a gente sabe que ele está segurando alguma coisa ali e que foi apagado. Lembrando que as histórias com a Vó Dita com cachimbo não foram alteradas, e, com isso, nas que ela aparece sem o cachimbo, eram assim mesmo nas originais, mas foi falado no frontispício que "isso é folclore", ou seja, não existe nas histórias atuais.

Outra alteração, segue essa ideia também, só que aí tiraram o cachimbo do Saci na história "Quem canta" (CHB # 143, de 1992), em que o Chico canta para as assombrações ao voltar para casa, seguindo o conselho da Vó Dita. Acho absurdo isso, porque faz parte da cultura brasileira o Saci fumando cachimbo e agora a MSP tira, sem mais nem menos. Até na capa, ele aparece sem. Abaixo, a comparação dessa história:

Comparação da HQ "Quem canta": saci sem cachimbo na reedição

Na história de 1 página, tiveram mudanças. O caipirês em 1982 era diferente do que o atual em algumas palavras. Com isso, eles mudaram as palavras "melhor" e "de". Na original, a Vó Dita falava "mió" e "de" e nessa republicação mudaram para "mior" e "di", respectivamente. Não gosto quando muda o caipirês porque descaracteriza a linguagem da época. Abaixo, a comparação da palavra "mió" nessa história:

Comparação da HQ de 1982: alteração do caipirês na palavra "mió"

Em "Vó Dita sabe das coisas" (CHB # 158, de 1993), em que a Vó Dita conta para o Chico e o Zé Lelé a história de uma bruxa que transformou em sapos dois garotos que roubavam suas goiabas, trocaram o tempo inteiro a palavra "roubar" para "pegar". 

Em uma época que não tem mais bandidos nos gibis, a palavra "roubar" também está proibida atualmente. Ou seja, agora eles não roubam mais goiaba do Nhô Lau, e, sim, pegam as goiabas. Fica até estranho vendo a comparação, o Zé Lelé falando que roubada pegada é mais gostosa. Ridículo. Isso sem contar também a mudança de novo no caipirês, alterando de "memo" na original, para "mermo".  Lamentável.

Comparação da HQ "Vó Dita sabe das coisas": palavra "robada" alterada

Lembrando que na original, o Nhô Lau não aparece de trabuco e, logo, isso não foi alterado dessa vez. Porém, corrigiram erros de colorização. Na época, o Zé Lelé apareceu de cabelos brancos nas últimas páginas depois da história contada pela Vó Dita e agora corrigiram isso, assim como a camisa dele que apareceu branca na primeira página e agora corrigiram para rosa.

Trecho da HQ "Vó Dita sabe das coisas", tirada de 'Chico Bento # 158' (Ed. Globo, 1993)

Trecho alterado da HQ "Vó Dita sabe das coisas", tirada de 'Turma da Mônica Extra Nº 13'

Então, esse gibi vale para quem gosta da Vó Dita e conhecer um pouco das suas histórias. Para quem tem os gibis originais ou o 'Coleção Um Tema Só # 48' de 2005 pode não valer tanto, já que a maioria das histórias são as mesmas. Se não fossem as alterações toscas ficaria melhor.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Tirinha Nº 18: Mônica

Cebolinha aproveita que a Mônica pintou as unhas da mão e resolve xingá-la. Como a Mônica não deixa barato as provocações, o jeito foi dar coelhada nele com os pés. Muito legal.

Ela é uma tirinha inédita de almanaque, muito comum na época, já que os gibis da época que republicavam, colocavam mais anúncios da história da próxima edição no lugar da tirinha.

Tirinha foi publicada originalmente em 'Almanaque da Mônica Nº 13' (Ed. Globo, 1989).


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Capa da Semana: Cascão Nº 38

O que você faria se entrasse em um elevador e de repente entra o Cascão lá dentro? Foi o que aconteceu com o pessoal dessa capa, que teve uma experiência desagradável e constrangedora com o cheiro insuportável do Cascão.

Mais engraçado é o cachorro desmaiando e isso é que a parte incorreta dela, já que atualmente em muitos condomínios são proibidos animais dentro de elevadores.

A capa dessa semana é de 'Cascão Nº 38' (Ed. Globo, Julho/ 1988).


sábado, 13 de setembro de 2014

Chico Bento: HQ "A batalha do século"

Nessa postagem, mostro uma história de quando o Chico Bento conheceu o Capitão Feio e como ele enfrentou para impedir sujar tudo por lá. Ela tem 7 páginas e foi história de abertura de 'Chico Bento Nº 69' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Chico Bento Nº 69' (Ed. Globo, 1989)

Começa com um dia típico, com o Chico Bento com trabuco na mão querendo caçar uma onça com o seu cachorro Fido, que estava a procura de um osso, quando de repente, eles veem algo voando no céu. Chico vai atrás conferir, e descobre que era o Capitão Feio, que foi até a roça com para sujar tudo em paz sossegado sem ter ninguém da Turma da Mônica para atrapalhar os seus planos.


Chico pensa que o Capitão Feio era o super-homem e pede um autógrafo. Ele responde que era o Capitão Feio, o gênio do mal, que foi a deixa para o Chico pensar que ele saiu da lâmpada maravilhosa. Capitão Feio acha o Chico ignorante e vai embora falando que tem muito e que fazer. 

Como o Fido foi embora com  medo, Chico desiste de caçar e resolve pescar. Quando chega perto do ribeirão, vê os peixes pulando fora da água. Primeiro, ele acha que é um ótimo pescador, com os peixes indo direto nas suas mãos, mas quando vê melhor, os peixes estavam pulando porque a água estava toda poluída por causa do capitão Feio, que estava executando seu plano de poluir tudo por lá.


Em seguida, o Chico é sufocado com uma nuvem de poeira suja, que o faz tossir e percebe que a sua historinha estava toda encardida. Nisso, Chico  ouve uma gargalhada e era o Capitão Feio todo feliz com a sujeirada toda e que os seus raios de sujeira nunca deslizaram tão bem.

Chico vai tomar satisfação com ele, perguntando se não tem vergonha de espalhar a imundice por todos os cantos e o Capitão Feio lança seu raio de sujeira no Chico, que se assusta porque ficou igual ao Cascão. Capitão Feio sai e o Chico diz que isso não vai ficar assim. Ele vai para casa tomar banho e em seguida põe em prática o seu plano de dar um banho no Capitão Feio. Ele se esconde em cima de uma árvore e joga um balde d'água lá de cima, mas não consegue molhar o Capitão Feio, que fica furioso com o Chico e tenta lançar um raio de sujeira concentrado nele, mas que também não consegue atingi-lo.


Capitão Feio faz outras tentativas enquanto o Chico corre, até que ele fica encurralado sem saída. Quando o Capitão Feio ia lançar o seu raio, o Chico, sem poder fazer mais nada, começa a chorar muito, com lágrimas enormes que assusta e afasta o Capitão Feio. Ele vai embora e o Chico comemora que conseguiu se livrar dele.

No final, Chico vê que a história ficou toda encardida e se pergunta quem vai querer uma história dessa. Eis, então, que surge o Cascão com óculos escuros e cheio de malas para se mudar para a história do Chico, achando que ficou um maior barato assim.

Uma história muito legal, com crossover do Chico Bento com o Capitão Feio, com participação do Cascão no final. Essa foi a primeira vez que o Chico e o Capitão Feio se encontraram e a única até hoje nos gibis convencionais dele. 

Engraçado o Chico achando que o Capitão Feio era o Super-Homem com mais osso do que carne, e o Gênio da Lâmpada no inicio da história. A sua inocência, permite essas coisas. Quem sabe, poderia ser um pouco mais desenvolvida, na parte da tentativa do Chico dar banho no Capitão Feio, mesmo assim gostei exatamente desse jeito simples. Não perdeu o encanto desse jeito e deu conta do recado, sem enrolação, como tem que ser. 


Os traços dessa história ficaram maravilhosos, como é de se esperar na época. Na postagem a coloquei completa. Outra coisa interessante nela foi o recurso de metalinguagem, com o Chico falando que a "roça" era a "história", como, por exemplo, ele falar que a sua história estava imunda, em vez de falar roça. isso foi fundamental no final surpreendente com o Cascão se mudar para a história do Chico por causa da sujeira. Espetacular.


Gosto de história com crossover de personagens, acho válido acontecer de vez em quando para sair da mesmice. Para quem não sabe, "crossover" nas histórias em quadrinhos, significa personagens de núcleos diferentes contracenando, como, por exemplo, Mônica com Jotalhão, Cascão com Penadinho, Chico Bento com Piteco, entre outros.

Eu adorava quando o Capitão Feio aparecia e na época achei o máximo ele se encontrar com o Chico, afinal, o Capitão Feio só aparece para a Turma da Mônica. História como essa, se fosse Papa-Capim com Capitão Feio não mudaria muita coisa e atenderia o mesmo objetivo. 


Ela é politicamente incorreta pelo fato do Chico com trabuco na mão a fim de caçar uma onça no início da história, já que armas e caça de animais estão proibidos nos gibis atuais, fora também que hoje o Capitão Feio está com mais cuidado de não poluir tanto assim, principalmente rios e natureza, causar desmatamento, além de que tudo continuou sujo no final. Ou seja, impublicável.

Enfim, "A batalha do século" é uma história memorável, que sempre vale a pena relembrá-la.