terça-feira, 11 de março de 2014

Personagens Esquecidos 6: Nico Demo


Nico Demo foi um personagem incorreto criado ainda nas tiras de jornais e que se enquadra na galeria de personagens esquecidos. Nessa postagem, falo sobre ele.

Criado em 1966 em tiras do "Jornal da Tarde", de São Paulo, ele era um garoto levado com um humor sarcástico. Tinha um cabelo que se parecia com chifres e se vestia com roupas pretas bem formais. Ele era um capeta em pessoa, dai o nome Nico Demo, de demônio. Fazia o tipo de bom coração, com a intenção de sempre querer ajudar os outros, mas acabava atrapalhando em vez de ajudar, causando muitas confusões. 

Até ficava a dúvida do leitor se ele tinha mesmo a boa intenção ou se ele realmente queria aprontar com os outros. Era uma coisa muito comum nas tiras e histórias feitas pelo Mauricio do leitor usar a imaginação, interpretando como quisesse, e com o Nico Demo não era diferente.

Tirinha tirada do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

Além de tiras assim, tinham também em que o Nico Demo era egocêntrico, egoísta, tirando proveito com o sofrimento dos outros. Ele também se passava pelo inocente, não deixando claro se ele estava sendo inocente realmente ou fingindo ser só pra se dar bem. E em outras oportunidades, é confirmado que o  que ele quer mesmo é perturbar os outros. Interessante que raramente ele se dava mal, apenas os outros.

Ele fazia coisas do tipo: mendigo levantava braço pra pedir esmola e o Nico Demo dava um aperto de mão; ele ajuda velhinha a atravessar a rua, mas segura só a luva e ela acaba sendo atropelada; vê mulher caindo do prédio e em vez de socorrer corre para pegar um binóculos para ver a queda; a menina o paquera piscando pra ele e ele assopra os olhos dela; exibe uma faixa para sorrir sempre, enquanto passa um funeral carregando caixão, entre outras. Curiosamente, nessa tirinha apareceu o Charlie Brown, da turma do Snoopy:

Tirinha tirada do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

O que chamava atenção que suas tiras sempre eram mudas, o que tornava bem interessante, de fazer graça só com as ações e permitir que os leitores entendam a piada só através dos desenhos. Os traços também eram com um efeito serrilhado, meio tremido, como se não tivessem arte-final.

Por causa dessas travessuras todas, o Nico Demo foi o primeiro caso que o Mauricio sofreu censura. Apesar de que nos anos 60 ele ter mais liberdade nas suas criações, já que não tinha a onda do politicamente correto, mas tinha gente que não gostava e implicava com as travessuras do Nico Demo. O "Jornal da Tarde" pediu ao Mauricio amenizar as situações incorretas do personagem nas tiras. Mauricio não aceitou e passou a levar as tiras para o jornal "Folha da Tarde". 

Só que ainda assim continuava a receber críticas e recebendo cartas para que ele mudasse o personagem. Diante de tantas reclamações, para não tirar a essência do Nico Demo e mudá-lo completamente, Maurício simplesmente parou de produzir de vez tiras do personagem, deixando, com isso, no limbo do esquecimento. Afinal, a graça do Nico Demo era aprontar com os outros, mesmo de forma indireta, e tirar isso das tiras, iria descaracterizá-lo. 

Tirinha tirada do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

Nico Demo ainda aparecia nas propagandas da "Cica" tanto da TV, quanto dos gibis, contracenando com a Turma da Mônica, sendo a maioria das vezes apenas como figurante. As propagandas da "Cica" nos gibis da turma naquela época eram em quadrinhos, como se fosse uma história (provavelmente reproduzindo para os gibis o que passava na TV), então colocavam o Nico Demo em um quadrinho, por exemplo. Com uma curiosidade interessante que ele falou em uma dessas propagandas, que mostro abaixo, diferente das suas tiras antigas.

Propaganda tirada de 'Mônica nº 4' (Ed. Abril, 1970)

Após essas propagandas e sem tiras novas, Nico Demo sumiu de vez sem referência sequer em lugar nenhum. E permaneceu assim, até que em 2003, foi lançado o  livro "As Melhores Tiras do Nico Demo" pela Editora Globo compilando aquelas tiras de jornais dos anos 60. Um presente para os fãs, que aguardam algum material dele há anos. Esse livro tinha capa cartonada e papel de miolo offset, 96 páginas e com formato retangular 13,5 x 21 cm. Era bem semelhante aos livros de tiras da Editora Abril dos anos 70. Abaixo, a capa desse livro:

Livro "As Melhores Tiras do Nico Demo" (Ed. Globo, 2003)

Após esse livro, ele voltou a ser lembrado e apareceu em participações especiais em 2 ocasiões, mais como forma de homenagem e dar sentido às histórias. A primeira foi na história "O Arrependiz", uma paródia ao programa de TV "O Aprendiz" da Record, de Cebolinha # 229 (Ed. Globo, 2005), aparecendo só no quadrinho final, junto com outros personagens esquecidos dos anos 60 para dar graça na história.

Depois dessa, voltou a aparecer em "Lostinho- Perdidinhos nos quadrinhos" (Ed. Panini, 2007), junto com vários personagens esquecidos que estavam presos na ilha todos esses anos. Também foi apenas participação com aparições rápidas.

Cena tirada de "Lostinho - perdidinhos nos quadrinhos" (Ed. Panini, 2007)

Em 2011, foi lançado também um pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca". Esse pocket foi composto de 240 tirinhas, sendo 2 em cada página, assim como os outros da série. Todas sensacionais, mostrando a verdadeira face do Nico Demo. Aliás, esse pocket seria lançado na Panini em 2009, junto com mais 4 pockets diferentes, só que de última hora foram cancelados e esses títulos que seriam lançados pela Panini, foram lançados pela L&PM a partir de 2009 aos poucos.

Capa do Pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca" (2011)

Então, como o pocket seria lançado em 2009, também nesse ano, Nico Demo finalmente passou a ter histórias solo inéditas nos gibis da Panini. Era, então, a volta de vez do personagem depois de quase 40 anos sem produzir nada novo do personagem, já que os outros materiais lançados eram reedições ou apenas participações. Nem na Editora Abril tiveram histórias dele.

História tirada de 'Cebolinha nº36' (Ed. Panini, 2009)

A partir daí, em vários gibis, passaram a ter histórias de 1 ou 2 páginas e mudas também, como eram nas tiras dos anos 60. Eles colocavam os traços serrilhados, como se não tivesse feito a mão livre sem arte-final, igual às tiras antigas. 

Porém, sua personalidade estava um pouco mudada por causa do politicamente correto, como era de se esperar. Ele até continuava com a sua intenção de ajudar os outros, da sua maneira torta, só que de uma formam mais suave do que antigamente. Não seria possível, por exemplo, fazer brincadeiras com velhinha sendo atropelada na rua, defunto e caixão.

História tirada de 'Magali nº 49' (Ed. Panini, 2011)

As vezes ele exercia alguma profissão. Além disso, diferente das tiras antigas, ele passou a se dar mal nas suas tentativas de ajudar os outros, como forma de castigo e ensinar que ajudar de maneira torta é errado e não pode. Tudo do jeito que a patrulha do politicamente correto gosta. Pode ser até que seja a versão que poderia ser, caso o Mauricio aceitasse amenizar o personagem nos anos 70. O que não fizeram naquela época, passaram a fazer nos últimos anos.

História tirada de 'Cebolinha nº 68' (Ed. Panini, 2012)

Nesse período, ele chegou até a aparecer na capa e na história de abertura da 'Mônica # 50', de 2011, como participação em uma ilha junto co outros personagens que estão no limbo do esquecimento. Em "Clássicos do Cinema # 34 - Batmenino & Cascóbim", de 2012, ele contracenou com a Turma da Mônica, como vilão imortal Ra's Al Ghul e nessa ocasião falando e mais uma vez com referência que ele era um personagem esquecido.

História tirada de 'Clásicos do Cinema nº 34' (Ed. Panini, 2012)

Continuaram com histórias novas com o Nico Demo até em 2012, que, inclusive foi o ano que mais produziram histórias inéditas suas, quase todos os gibis tinham alguma dele. Uma das suas últimas histórias em 2012 (considerada mais uma tirinha) nessa nova fase foi essa, de 'Mônica #72'. Essa imagem enviada pelo Washington Brito:

História tirada de 'Mônica nº72' (Ed. Panini, 2012)

E mais recentemente teve participação em 'Cebolinha # 500', de 2014 em dois momentos: uma aparição no pôster na parede do estúdio, e outra junto com outros esquecidos na história do seu Juca. Já histórias solo, não. E em 'Mônica # 87' teve uma história solo de 3 quadrinhos, considerada uma tirinha, marcando a sua volta aos gibis, depois de quase um ano sumido. É que em 2013 praticamente não vimos suas histórias nos gibis.

É natural que tenha menos histórias com ele porque os gibis estão cada vez mais com uma pegada mais politicamente correta. Então, mesmo com atitudes mais amenas, não se pode afirmar que ele fique em definitivo ou não.. Quem sabe, também façam outro pocket da L&PM, caso tenham tiras que ficaram de fora do pocket lançado.

Termino mostrando as capas de alguns gibis citados das histórias do Nico Demo dessa postagem:

Capas: 'Cebolinha nº 229' (2005), 'Lostinho' (2007), 'Cebolinha nº 36' (2009), 'Magali nº 49' (2011), 'Mônica nº 50' (2011), 'Cebolinha nº 68' (2012), 'Clássicos do Cinema nº 34' (2012), 'Mônica nº 72' (2012)

domingo, 9 de março de 2014

Capa da Semana: Cebolinha Nº 27

Uma capa mostrando que o Cebolinha não consegue colocar fone de ouvido do walkman por causa do seu cabelo. E o Bidu só rindo da cara dele.

Aliás, o curioso que walkman não existe mais e se fizessem uma capa semelhante a essa atualmente, colocariam um smartphone no lugar.

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 27' (Ed. Globo, Março/ 1989).


quinta-feira, 6 de março de 2014

Propagandas anunciando gibis (Parte 8)

Nessa postagem, mostro várias propagandas anunciando os gibis convencionais a partir de 1998 até 2006, quando acabou a fase da Globo. De comum entre elas, é que as capas dos gibis passaram a ser os destaques em vez de uma ilustração nova feita pelo estúdio, como era antes.

Desde 1996, eles passaram a colocar as capas em evidência nas propagandas dos gibis. Pelo jeito, perceberam que as capas serviam de incentivo maior do público querer comprar novos gibis. Parece que quando vê o gibi estampado lá, fica com vontade de ler, nem que seja aqueles gibis estampados.

Seguindo essa ideia, em 1998 circulou essa propaganda anunciando todos os gibis em um só, que convida o leitor a comprar os outros títulos, além da revista que foi comprada. Repare que o gibi do Cascão não aparece nela. É que no caso foi publicada em um gibi dele. Então, se comprar um gibi da Magali, aparecia la as outras 4 revistas, menos a dela, e assim por diante. Para ilustrar, mostro uma dentre desse tipo. Foi ilustrada com capas das revistas 'Cebolinha nº 137', ' Chico Bento nº 293', 'Magali nº 231' e 'Mônica nº 137'.

Propaganda tirada de 'Cascão nº 294' (Ed. Globo, 1998)

Em 1998, colocaram a capa do gibi do 'Cebolinha nº 143'em destaque para anunciar o gibi dele, montando o texto a partir da capa.

Propaganda tirada de 'Cascão nº 306' (Ed. Globo, 1998)

Ainda em 1998 fizeram 2 propagandas diferentes para a Magali, com texto específico para ela. Nessa, a capa de 'Magali nº 244' foi a que ficou em total evidência, junto com uma poesia feita especialmente para ela.

Propaganda tirada de 'Cascão nº 308' (Ed. Globo, 1998)

Já nessa, até chegaram a colocar uma ilustração dela ao lado da capa, mas que foi tirada de alguma história da época. A capa de destaque dessa foi a edição de 'nº 245'.

Propaganda tirada de 'Cascão nº 309' (Ed. Globo, 1998)

No final de 1998, tiveram propagandas mais fixas, com a capa em destaque e o personagem no rodapé da página, falando com o leitor para que o veja nas bancas. Nessa, cada personagem teve a sua propaganda desse estilo, sendo que ilustro uma do Cascão pra ter uma ideia como era. A imagem do personagem foi tirada de alguma história da época e as capas iam mudando com a revista do mês corrente. A capa de destaque dessa foi de 'Cascão nº 308'.

Propaganda tirada de 'Almanaque do Cascão nº 48' (Ed. Globo, 1998)

Em 1999, vinham uma poesia e, junto, a capa do gibi do personagem do mês corrente em evidência. Para ilustrar esse tipo de propaganda, separei uma do Cebolinha, com a capa da edição 'nº 148', e uma do Chico Bento, com a edição 'nº 315' como destaque.

Propaganda tirada de 'Cascão nº 316' (Ed. Globo, 1999)

Propaganda tirada de 'Almanaque do Cebolinha nº 49' (Ed. Globo, 1999)

Ainda em 1999, passaram a colocar um design fixo com vários personagens nas laterais e no centro a revista a ser anunciada com um texto referente a edição. Aí só mudavam as revistas, mas o fundo com os personagens eram os mesmos. Nesse que separei está anunciando a revista do 'Cebolinha Nº 158' baseada na capa, mas tinham propagandas que contavam a sinopse da história de abertura, mesmo com a capa sendo uma piadinha.

Propaganda tirada de 'Cascão nº 336' (Ed. Globo, 1999)

Em 2002, como forma de anunciar todos em uma só, colocaram essa mostrando a diferença entre os gibis e videogame, ilustrada com os gibis: 'Mônica nº 170', 'Cebolinha nº 176', 'Chico Bento nº 373', 'Cascão nº 343' e 'Magali nº 297'. O curioso que são revistas dos anos 2000 e 2001, e não atuais, até então.  

Propaganda tirada de 'Cascão nº 421' (Ed. Globo, 2003)

Também a partir de 2002, ao anunciarem os gibis de um determinado personagem, além de um texto do personagem e a capa dele em evidência, passaram a colocar as capas dos outros também. A capa do personagem em destaque ficava ao centro e era maior que as outras. Ficaram circulando até em 2003. 

Para ilustrar, uma anunciando o gibi do Cascão e do Chico Bento, com texto  e capa dele maior e as dos outros personagens ao fundo. E todas as capas eram as mesmas em todas as propagandas. Foram ilustradas com capas das revistas de 2002: 'Cascão nº 409', 'Mônica nº 194', 'Cebolinha nº 194', ' Chico Bento nº 409'e 'Magali nº 345'.

Propaganda tirada de 'Magali nº 357' e 'Magali nº 358' (Ed. Globo, 2003)

Ideia semelhante aconteceu nos anos posteriores. Os textos eram os mesmos, só mudaram as capas. Assim como as de 2002, as capas não eram atualizadas ao decorrer dos meses, deixando circular até quando quiserem. Então, em 2004 o design das propagandas seguiam esse estilo. Destaquei duas delas, anunciando os gibis da Mônica e do Cascão, que foram ilustradas com capas das revistas de novembro de 2003: 'Mônica nº 209', 'Cebolinha nº 209', 'Chico Bento nº 430', 'Cascão nº 430' e 'Magali nº 366'. 

As 2 propaganda tiradas de 'Cebolinha nº 212' (Ed. Globo, 2004)

Já em 2006, elas ficaram assim. Nem mudavam os textos, apenas o design e as capas mais atuais. Essas propagandas, inclusive, sendo os últimos gibis a serem anunciados na Globo. Mostro duas delas, anunciando os gibis da Mônica e da Magali,  ilustradas com capas das revistas de abril de 2006: 'Mônica nº 238', 'Cebolinha nº 238', 'Chico Bento nº 459', 'Cascão nº 459' e 'Magali nº 395'. 

Propagandas tiradas de 'Magali nº 403' e 'Mônica nº 246' (Ed. Globo, 2006)

Como pode ver, a criatividade foi decaindo nas propagandas ao longo dos anos. As com ilustrações criadas pelo estúdio eram melhores, mas mesmo com as capas em evidência, até que de início não ficou ruim, só que depois não tiveram tanta criatividade e acabou perdendo a graça. Eles podiam ter feito algo parecido com as "Mó legal esse gibi", de 1997, que mostravam ilustrações novas e também as capas do mês corrente.  Ou senão colocava apenas o desenho de alguma capa qualquer, que tenha a cara do personagem, junto com um texto, como fizeram na propaganda "Cascão lama todo mundo", de 1990. Ficaria melhor.

Como são bem semelhantes uma das outras, muitas mostrando as mesmas capas, e também não tenho muitos gibis dessa época, não coloquei todas as versões possíveis, porém todos os tipos de propagandas estão aí. Ainda continuo essa série de propagandas anunciando gibis, mostrando propagandas que ficaram de fora nessa evolução que acabei encontrando ao longo desses meses e colocando propagadas de outros gibis fora dos 5 principais.

terça-feira, 4 de março de 2014

Capa da Semana: Magali Nº 18

As fábulas sempre foram presentes e bem marcantes nas histórias da Magali, se tornando um ponto alto nos seus gibis, sempre adaptadas ao universo alimentício da personagem. 

A capa que eu mostro, a primeira dela envolvendo fábula, segue essa ideia. Nela, Magali encarna a Chapeuzinho Vermelho, e, ao ser abordada pelo Lobo Mau, é descoberto que ela já tinha comido todos os doces que ia levar para a vovozinha.

A capa dessa semana é de 'Magali Nº 18' (Ed. Globo, Fevereiro/ 1990).  


sábado, 1 de março de 2014

Cebolinha: HQ "Carnaval muito louco"

Mostro uma história bem divertida do Cebolinha de quando foi atormentado pelo Louco em pleno Carnaval. Ela foi uma história de abertura com 11 páginas no total publicada em 'Cebolinha nº 86' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Cebolinha nº 86' (Ed. Globo, 1994)

Começa com o Cebolinha brincando tranquilamente no baile de Carnaval só que quando ele joga uma serpentina, eis que surge o Louco enrolado nela para seu desespero. Quando vê, Cebolinha corre do Louco, mas lembra que na última vez que p tinha visto, estava em um hospício e, como todos estavam fantasiados, então só podia ser alguém fantasiado de Louco e volta para falar com ele.


Cebolinha ajuda a tirar a serpentina do Louco e fala que ficou sem nenhuma depois de jogar nele. O Louco fala para usar a dele, e sem perder tempo já mostra a "serpentona", assustando o Cebolinha. Era uma cobra, como trocadilho de serpentina-serpente. Com isso, o Cebolinha sobe em um balões e fala que não achou graça. Então, o Louco fala que vai ajudá-lo a achar. Até que encontra um monte de confete que taca na boca dele, que se engasga e pergunta ao Louco se quer deixá-lo sem ar. Foi a deixa para ele colocar uma bomba de ar e começar a inflar feito balão a gás, até estourar o Cebolinha.


Irritado por ter rasgado a fantasia, Cebolinha mostra a língua para o Louco, que a segura e lança pelo salão como se fosse serpentina. E ainda por cima enrola a língua dele pelo salão até chegar ao Cebolinha. Depois, o Louco fala que é para o Cebolinha entrar no bloco dele, e ele responde depende de que tipo de bloco. O Louco fala que vai chegar dentro de um minuto e de repente cai um um bloco de concreto de 500 kg em cima do Cebolinha. Ele fala que pensava que era um bloco de carnaval e então cai um bloco cheio de foliões em cima dele.


Cebolinha fala que ele é um perigo igual a um amigo dele e pede licença que vai pular o Carnaval e aí o Louco pergunta se ele vai direto para a Páscoa. Irritado, Cebolinha fala que vai dançar e cantar no Carnaval. Com isso, a loucura pegou. Para cada marchinha que tocava, as letras viraram realidade. 

Da marchinha "Ala-la-ô", do nada surgiu um Sol que queimou a cara e o salão virou um deserto do Saara; na marchinha "Touradas em Madri", surge um touro e uma arena de tourada na Espanha e o Cebolinha leva uma chifrada que vai parar longe.Em "Mamãe eu Quero" surge uma chupeta; em "Estrela Dalva, surge uma estrela que dá uma pontada no Cebolinha; e em "Cabeleireira do Zezé", o Louco faz com que ele fique dentro de um vaso, igual a uma planta.


Diante de tanta loucura, Cebolinha ordena que parem e todos param. Ao falar quer quer tirar algo a limpo, o Louco joga um balde d'água nele, depois Cebolinha manda ele tirar a máscara. Ao tirar, é confirmado que era o Louco o tempo inteiro (a máscara era da cara dele mesmo).

Cebolinha pergunta como ele saiu do hospício, e o Louco responde que foi ele que entrou no Baile de Carnaval do Hospício Marrolouquinho, mostrando a faixa. Cebolinha sai correndo de lá imediatamente. No final, ele fica aliviado que se livrou do Louco e chega ao Baile de Carnaval do Maurício, que era onde ele tinha que ir desde o início. Só que ao chegar na porta, eis que surge um Louco em miniatura. Cebolinha, desesperado, sai correndo e na verdade era só o Cascão disfarçado, que se pergunta se o Cebolinha não gostou da fantasia.


Uma história muito legal, totalmente sem pé nem cabeça, com boas sacadas e trocadilhos muito comuns nas histórias do Louco. Sempre é engraçado ver o Cebolinha sendo azucrinado pelo Louco. Sem dúvida, é um Carnaval para o Cebolinha esquecer. Muito bom os trocadilhos e os absurdos nela, principalmente mostrando as marchinhas antigas literalmente ao pé da letra. E ainda permite a dúvida se esse hospício e tudo que aconteceu era coisa da cabeça do Cebolinha ou se era real mesmo. Afinal, com tanta coelhada que levou, pode ter afetado seu cérebro e se tornou esquizofrênico rsrs.


Os traços dessa história são muito bons também. Na postagem coloquei completa. Como curiosidade, essa foi uma das poucas histórias com o Louco foi na abertura, já que agrande maioria são de miolo. Até nas Revistas parque da Mônica costumavam ter mais histórias de abertura dele do que as do Cebolinha.


Para finalizar, a capa desse gibi também é sensacional e bem caprichada, com o Cebolinha vestido de bandido de faroeste com o Sansão como arma. Até que sem querer, faz referência ao Carnaval porque não deixa de ser uma fantasia.