sábado, 26 de novembro de 2016

Zé Vampir: HQ "Sangue, Sangue, Sangue!"


Mostro uma história simples e muito divertida de quando o Zé Vampir inventou que havia se acidentado só para pegar o sangue do hospital. Com 4 páginas no total, foi publicada em 'Cascão Nº 31' (Ed. Abril, 1983).

Capa de 'Cascão Nº 31" (Ed. Abril, 1983)

Nela, o Zé Vampir está lendo jornal em um banco de praça quando vê um caminhão de banco de sangue que estava indo para levar sangue em um hospital. Ele sente o cheiro dá vontade de tomar, estava morrendo de sede, mas lamenta que aquele sangue não era para ele. Até que tem uma ideia e corre para pôr em prática.


Logo depois, Zé Vampir aparece no hospital com uma roupa toda rasgada e cheio de arranhões, se joga na recepção e fala para recepcionista que precisa de sangue porque foi atropelado por uma jamanta, caiu em um bueiro, foi parar em rio, caiu em cima de uma catarata de pedras e foi se arrastando até lá no hospital. A recepcionista diz que o estado dele é grave e fala  que vão atendê-lo e manda ficar atrás de um homem na fila. mas, quando ele vai ver, a fila era enorme, com muita gente para ser atendida.


Zé Vampir espera um tempão na fila e consegue ser atendido, mas a atendente o manda preencher uma ficha e se dirigir a outro guiché. Ele espera 1 hora na fila, afinal eram os mesmos que estavam esperando junto com ele antes, e finalmente entrega a ficha e entra no ambulatório. Lá, a enfermeira manda deitar na maca, quando bate o sinal da hora do almoço e ela sai falando que depois volta, deixando Zé Vampir esperar mais uma vez.

Depois de um tempo, ela volta e tira o sangue do Zé Vampir. Ele reclama, dizendo que não quer doar sangue, e, sim, receber. A enfermeira, então, diz que fez tudo errado, que tem que pegar outra fila, preencher uma ficha rosa e passar em outro guiché. Zé Vampir desmaia, caindo da maca, e a enfermeira o leva direto para outra enfermaria de maca, avisando ao pessoal da fila que era uma emergência, que ele estava precisando urgente de sangue, terminando assim.


Essa história é engraçada demais. Zé Vampir quis se aproveitar do hospital para tomar sangue, mas não contava que teria tanta burocracia e acabou se dando mal ao pôr em prática o seu plano infalível. Muito engraçado quando o Zé Vampir se dar conta que ia enfrentar fila para conseguir sangue e também quando a enfermeira deixa de atendê-lo para ir almoçar. Não é só o Cebolinha que tem seus planos infalíveis e como sempre em histórias de plano, o personagem se dá mal no final. Apesar, de certa forma, o Zé Vampir ter recebido sangue que queria, mesmo passando mal de verdade.

O roteirista quis fazer uma crítica com muito bom humor ao atendimento precário dos hospitais e burocracias, que infelizmente já acontecia nos anos 80. Tudo bem que Zé Vampir tinha inventado de ter sido acidentado, mas para ser atendido teve que esperar mais de 3 horas para ser atendido, com filas, preenchendo formulários, esperar enfermeira almoçar para ser atendido, coisas que não é muito diferente na vida real. Eu gostava quando tinha histórias fazendo críticas sociais e piadas em cima disso. Hoje em dia é impublicável por estar fazendo crítica social e também do Zé Vampir querendo tirar o sangue que seriam de outros pacientes do hospital.


Os traços muito bons, bem característicos do início dos anos 80 e ainda com o Zé Vampir sem traços muito definidos, tanto que seus olhos não apareceram brancos e os dentes caninos diferentes. Na postagem a coloquei completa. Teve propaganda do lápis amarelo Labra inserida na lateral direita da última página, o que era muito comum na época e eu gostava quando acontecia. Ela foi republicada depois em 'Almanaque do Cascão Nº 9' (Ed. Globo, 1990). Abaixo, a capa desse almanaque.

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 9' (Ed. Globo, 1990)

22 comentários:

  1. Essa história é muito boa. Eu li ela na coleção histórica, mas confessor que a coloração original era bem melhor. Eu adorava a turma do penadinho com os traços indefinidos. Tem como fazer uma postagem sobre isso, que nem você fez com a turma da Tina?

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    1. Sem dúvida a coloração original era melhor. Essa digital é muito forte. Se der, eu faço post com a evolução deles.

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  2. Eu li essa HQ na Coleção Histórica, uma das poucas edições que eu tenho todas as revistas. Essa história é bem engraçada e brinca com a precariedade do nosso SUS. É uma pena que a CHTM não republicava também as propagandas... Acho que seria uma Coleção Histórica mesmo se eles fizessem como foi aquele Fác-simile da revista Mônica 1, lançado pela Editora Globo em 2002, mas agora o que eu mas desejo mesmo é que a Coleção Histórica volte, pelo menos, sem mudar o conteúdo das historinhas.

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    1. Pois é, uma crítica bem feita. Eu também achava ruim a CHTM omitir as propagandas, só colocavam as relacionadas á Turma da Mônica e mesmo assim tão pequenas que não dava pra ver nada. E ainda assim algumas ficavam de fora. CHM não volta mais, e, principalmente, sem mudar as hqs. Com certeza mudariam conteúdo.

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    2. Mas sei lá, a MSP podia fazer alguma coisa, relançar edições especiais, lançar livros com as primeiras edições encadernadas, fazer alguma coisa!!!! Acho improvável que isso aconteça, mas a MSP não pode deixar sua era clássica morrer... Ainda mais pra quem não viveu essa época e tem interesse em acompanhar histórias divertidas e politicamente incorretas

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    3. Eles até vem republicando histórias da Globo que não deixam de ser antigas também, mas, claro, que com suas alterações terríveis. Agora essas clássicas da Abril são mais difíceis, principalmente as incorretas. Acho também que não querem republicar essas clássicas porque o pessoal compara a qualidade com as novas e não ia querer comprar gibis novos.

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    4. Sim, eles republicam as da Globo, mas as revistas da Globo são as mais fáceis de encontrar nos sebos, pelo menos no que eu vou. O que você acha que os leitores vão querer? Uma história republicada no almanaque cheia de alterações ou uma original no sebo?? Parece que a MSP perdeu muito seu senso comercial. Deveriam republicar as da Abril, não deixando de republicar as da Globo, e sem alterações, incluindo as incorretas. É só direcionar a revista para um público mais adulto que está tudo resolvido (Apesar do fato de que a revista NÃO influencia na vida real). E eu acho que não importa se o pessoal comparar, porque vai vender e MUITO e essas revistinhas já estão perdendo muito público, a TMJ que está em alta na MSP. Sinceramente, eu não sei o que está acontecendo com a MSP, eles estão perdendo dinheiro e público.

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    5. As revistas são mais por obrigação por ter algo novo nas bancas, mas nem crianças não estão ligando pra ler os gibis, desinteressam logo. Lamentável estar assim o nível das hqs, tudo a favor do politicamente correto. Podia sim ter alguma publicação de histórias bem antigas para o público adulto.

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    6. Acredito que nem seja só porque as crianças estão cada vez mais "precoces", mas também pelo conteúdo está bem infantilizado e decadentes mesmo, desenhos digitalizados, conteúdo infantil ou educativo (que porre), até mesmo os anúncios estão decadentes com aquele INFORME PUBLICITÁRIO na frente... Lamentável

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    7. Tá tudo mudado pra pior infelizmente, aí afasta o público. E sobre escolher entre originais da Globo e republicações da Panini, lógico que originais sempre melhores.

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  3. Oi Marcos, tudo bom?
    Descobri seu blog semana passada e admito que fiquei lendo até as postagens mais antigas, muito bom trabalho ��
    E sobre esta história do Zé Vampir: gostei bastante, mas é uma pena que com o mundo do politicamente correto de hoje, uma história deste tipo jamais seria cogitada.

    Abraços

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    1. Oi, Tudo certo. obrigado por ter gostado do blog. Com certeza seria impublicável hoje em dia. Uma pena

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  4. Essas foi uma das HQs memoráveis que eu gostava de ver, normalmente nas revistas do Cascao. Eu tinha essa revista. Acho que devo ter a coleção histórica. Preciso fuçar na minha pilha de gibis. Essas propagandas nas laterais eram o maior barato. A qualidade de impressão de hoje está muito superior à antigamente. Mas confesso que é bom pegar edições da Abril e ver aquelas páginas com aquela impressão de cores. Melhor seria se tivessem como dosar/equilibrar a colorização hoje em dia. Não está ruim. Mas não precisam caprichar tanto.

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    1. Essa fase foi muito boa na MSP. Mesmo que a qualidade de impressão era ruim, mas até que eu gostava daquele jeito. Pelo menos era à mão até nas cores.

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  5. Mudando de assunto,Marcos,uma amiga do Facebook,uma índia que mora numa aldeia no Maranhão,vive uma realidade bem diferente da retratada nas HQs do Papa Capim,influenciadas pela atual sociedade careta politicamente correta da cidade grande!Veja:
    https://m.facebook.com/photo.php?fbid=1760360900890792&id=100007506974175&set=a.1539421416318076.1073741828.100007506974175&source=48

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  6. Que triste aquele acidente que aconteceu com a Chapecoense, não é Marcos??? Brasil inteiro está triste #Forçachape

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    1. verdade, triste demais essa tragédia. Que a familia de todos tenha muitas forças pra lidar com isso que não é fácil. #Forçachape

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  7. Olá marcos ,
    Será q vc se lembra de ter lido alguma história da magali em q um vampiro entra na casa dela de noite (a magali estava dormindo) dai o vampiro mordr ela sem querer e ela vira vampira e sai voando pela rua a noite e encontra várias pessoas numa parada de ônibus e ela morde as pessoas e as pessoas viram vampiras e saiem voando também
    Eu li essa história em 2007 mas creio q era antiga ja q a coloração parecia ser da década de 90
    Será q vc sabe qual é?

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    1. Lembro dessa. É de Magali Nº 88 de 1992.

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