quinta-feira, 2 de abril de 2026

Anjinho: HQ "Um anjo na chaminé"

Mostro uma história em que o Anjinho fica entalado em uma chaminé na fábrica deixando o dono muito irritado. Com 7 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 165' (Ed. Abril, 1984).

Capa de 'Mônica Nº 165' (Ed. Abril, 1984)

Anjinho voa no céu quando é atropelado por um avião e com a queda fica preso em uma chaminé de uma fábrica. Tenta voar para sair de lá, mas não consegue e fica cansado. Na fábrica, o Chefe está trabalhando fumando charuto e comenta consigo que está soltando muita fumaça e esfumaçou toda a sala. Ele apaga o charuto e ainda assim a sala fica cada vez mais esfumaçada. 

Um funcionário entra, avisando que tem alguma coisa entupindo a chaminé da fábrica, por isso a fumaça toda está entrado lá. No lado de fora, o Chefe quer saber por que eles não desentopem logo a chaminé e o funcionário pede desculpa, é porque nunca desentupiu anjo.

O Chefe sobe até a chaminé, Anjinho diz que ele foi lá soltá-lo, só que não adianta, está entalado e até está gostando porque ali era uma área muito poluída, tinha que passar ali tapando nariz e agora que ele está entalado, já dá pra ver o Sol, apareceram pássaros cantando e borboletas, muito melhor que aquela nuvem mal cheirosa.

O Chefe reclama que a fábrica e a chaminé são dele e manda sair porque está atrapalhando a produção da fábrica. Anjinho pergunta se não dá para produzir sem poluir o céu e o ar. O Chefe grita que agora ele quer ensiná-lo a conduzir seus negócios, um filtro de chaminé custa muito caro e ainda tem muito ar por aí, não seria a fumacinha dele que vai fazer diferença. 

Anjinho comenta se todo mundo pensasse assim, a essa hora já teriam que usar máscaras de oxigênio. O Chefe acha ótimo porque ele tem uma fábrica de máscara de oxigênio e que ia faturar uma nota e tenta tirar o Anjinho na força. Ele consegue tirar, mas passa a voar quando segura o Anjinho. Ele solta a mão do Anjinho para descer e cai, ficando entalado na chaminé. Os funcionários em baixo correm, mandando todos fugirem. 

O Chefe olha para baixo, a chaminé incha que nem um balão e estoura por causa da pressão da fumaça para sair e ele vai parar longe se acidentando. No final, Anjinho está em frente ao hospital que o Chefe está internado, fazendo fumaça com a fogueira, Cascão pergunta se Anjinho está brincando de índio e ele responde que é fumaça para o caso do Chefe recair enquanto ele fica gritando que é para tirar a fumaça, que odeia fumaça e chaminé. 

História legal em que Anjinho fica preso em chaminé , que faz a fumaça entrar pra dentro da fabrica, fazendo o dono subir até lá para tirar o Anjinho de lá. Anjinho gosta porque ajudou a despoluir, deixar o ar mais limpo na área, fazendo até Sol, passarinhos e borboletas voltarem a passar ali. O Chefe não quis saber desse papo ecológico, tira Anjinho de lá, só que voa também e cai na chaminé ao se soltar do Anjinho. Com seu peso gordo, a chaminé incha e estoura fazendo ele parar no hospital e, assim, ficou traumatizado com fumaça e chaminé.

O Chefe aprendeu na marra e no sofrimento que não deve poluir meio ambiente com sua fábrica, precisou ficar todo quebrado e internado no hospital para se traumatizar e Anjinho ainda faz fumaça na fogueira ao lado do hospital pra deixar mais traumatizado e não ter risco de mudar de ideia. Se ele tivesse chamado bombeiros para tirar o Anjinho de lá, não precisaria passar por isso, mas era do estilo muquirana, que queria gastar com nada, nem com filtros de chaminé.

Anjinho só se preocupava com o ar da região e deu uma aula ao Chefe que não se deve poluir pensando que o diálogo ia ser o suficiente para se tocar e o Chefe nem ligando e achando bom mundo poluído porque iam comprar as máscaras de oxigênio da fábrica dele. Ainda bem que se deu mal no final.

Foi engraçado o choque do Anjinho com avião de frente, o Chefe achar que era o charuto que estava esfumaçando a sala e depois ficar tudo esfumaçado lá, o funcionário dizer que nunca desentupiu ônibus, ele discutir com o Anjinho, tirá-lo à força, voar e cair e todo quebrado no hospital. Muito bom também o recurso do Sol personalizado, feliz que acabou a poluição no local, sempre caía bem esse recurso. Não mostrou nome do dono da fábrica  e ele só apareceu nessa história, como de costume de personagens secundários criados para história única. Nas histórias antigas, os adultos viam o Anjinho, depois predominou de só as crianças da turma o verem.

Ensinou sobre poluição, perigos de chaminés de fábricas, empresários egoístas que só querem saber de lucrar com seus negócios sem se importar com meio ambiente e bem estar das pessoas, tudo de forma divertida sem deixar didático. É assim que a gente aprendia muito mais sobre as coisas do que do jeito de uma cartilha educativa que se encontram os gibis atuais.

História é completamente impublicável hoje por conta de Anjinho ser atropelado, ficar preso em chaminé, homem fumando charuto e ainda em ambiente fechado, mostrar gordofobia por homem estourar chaminé por ser gordo, se acidentar parando em hospital, todo quebrado e enfaixado, Anjinho mexer com fogueira, citação do Cascão de brincar de índio, além de palavras proibidas "Droga!" e "índio". Nada disso tem mais nos gibis atuais.

Traços ficaram bons do estilo consagrado dos personagens, estava começando o estilo de traços assim. Na época o Anjinho não tinha auréola, só foi  ter em definitivo a partir de 1988, já na Editora Globo. Essa história foi republicada depois em 'Almanaque da Mônica Nº 22' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 22' (Ed. Globo, 1991)