quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Uma homenagem a Rosana Munhoz


Hoje completa 20 anos do falecimento da Rosana Munhoz, roteirista e desenhista que brilhou na MSP nos anos 80 e 90. Nessa postagem mostro uma homenagem a ela, uma das artistas mais importante da MSP e uma das mais lembradas até hoje.

Rosana entrou na MSP por acaso quando foi visitar os estúdios ainda criança com 9 anos de idade, o Mauricio de Sousa ficou encantado com os desenhos dela e pediu para que retornasse aos 14 anos. Com os desenhos cada vez mais aprimorados, não deu outra e o Mauricio a contratou para ser desenhista do estúdio no final dos anos 70.

Ela tinha desenhos com traços maravilhosos, com delicadeza e ricos em detalhes que encantavam todos. Fazia desenhos para as histórias, mas os que destacavam bastante eram as do Papa-Capim em que a selva era desenhada cheio de detalhes, que davam gosto de ver.

Por volta de 1984 passou a fazer de vez em quando roteiros de algumas histórias, no início mais do Papa-Capim, sendo que suas histórias eram também desenhadas por ela. Já por volta de 1985 se tornou roteirista oficial do estúdio e com cada vez mais roteiros produzidos por ela e, então, passou a fazer menos desenhos para as histórias. Fazia desenhos só para algumas histórias roteirizadas por ela. Abaixo, uma história do Papa-Capim roteirizada e desenhada por ela para conferir como era o estilo dela:

Trecho da HQ "Prenderam Tupã" ('Chico Bento Nº 50' -  Ed. Abril, 1984)

Rosana fazia vários estilos de histórias, sendo que de preferência eram mais voltados enredos com conto de fadas, magia, algo místico, os personagens enfrentando vilões malucos. Era comum também histórias de planos infalíveis dar nomes aos planos no título ou no enredo das histórias, como "O plano sangrento", "O Plano alimentício", etc. Outra coisa é que ela gostava era de incorporar pessoas da sua família ou seus amigos na vida real nas histórias, virando personagens, como aconteceu com a sua irmã Cleo e sua sobrinha Bianca, que viraram personagens e então se tornaram tia e prima da Magali, respectivamente, na história "De gato e sapato" de 'Magali Nº 46' (Ed. Globo, 1991).

Falando em Magali, ela era a personagem que a Rosana mais gostava e foi a grande responsável para a criação do gibi da Magali em 1989. Começou produzindo histórias solo da Magali nos gibis da Mônica dos anos 80 da Editora Abril e nos primeiros números da Globo para o pessoal ir se acostumando. Ela fazia muitas histórias para a Magali, quase todas as de abertura nos primeiros números foram feitas por ela, e foi a Rosana quem incorporou paródias de contos de fadas nas histórias da Magali, parodiando Branca de Neve, Rapunzel, Cinderela, etc. Antes da Magali, histórias de contos de fadas, também criadas pela Rosana a maioria, eram mais com o Cascão, mas claro que sempre podia ter com qualquer personagem. Abaixo, um trecho de uma história da Magali, escrita e desenhada pela Rosana.

Trecho da HQ "É um espanto" ('Magali Nº 44' -  Ed. Globo, 1991)

Foi ela também quem criou a personagem Denise, estreando na história "A Fina", de Magali Nº 5, de 1989. É que na época tinham poucas meninas para contracenar com a Mônica e Magali e aí criou a Denise para fazer esse papel. Era apenas para fazer figuração e sempre era desenhada diferente a cada história que aparecia.

Por ser uma artista importante, não demorou muito para Rosana também virar personagem nas histórias, assim como outros roteiristas e desenhistas da MSP. Histórias do tipo que mostravam bastidores do estúdio, ou senão aparecendo no final para concluir a história. Ou aparecia fazendo participação ou em algumas vezes até sendo protagonista das histórias. Claro que sempre mudando estilo de traços, de acordo com o desenhista e seguindo o visual que ela estava adotando em cada época.

A primeira vez que Rosana foi lembrada nas histórias foi "Rolo, o calouro", original de 'Mônica Nº 134' (Ed. Abril, 1981) e republicada em 'Almanaque do Mônica Nº 5' (Ed. Globo, 1988). Nela, um grupo raspa o cabelo e barba do Rolo por ter passado no vestibular e ele passa sufoco por isso. Nela, só aparece o nome da Rosana, junto com outros artistas da MSP da época que começavam com a letra "R" na lista dos aprovados do vestibular, junto com o Rolo. Eles gostavam muito de colocar nomes dos funcionários da MSP como homenagem quando citavam muito nomes nas histórias.

Trecho da HQ "Rolo, o calouro" (1981)

Depois teve a sua primeira aparição com seu desenho parodiado na história "Ponha-se no meu lugar", original de 'Cascão Nº 87' (Ed. Abril, 1985) e republicada em 'Almanaque do Cascão Nº 35' (Ed. Globo, 1996). Na trama, em que o Cascão faz o Mauricio virar personagem dentro da história em quadrinhos para ele sentir tudo que os personagem sofrem, a Rosana aparece no final, junto com outros roteiristas da época, falando que não entende porque o Mauricio só estava aprovando histórias sem violência, que era para poupar os personagens. Aparecem atrás dela os roteiristas Robson Lacerda, Rubão e Reinaldo Waisman e Lucia Nobrega.

Trecho da HQ "Ponha-se no meu lugar" (1985)

Na Editora Globo, ela foi protagonista da história "O casamento da roteirista", de Mônica Nº 18', de 1988. Na época em que ela se casou com o Airon, desenhista da MSP, fizeram essa homenagem a ela, com os personagens no casamento dela e eles tem que procurar o anel de casamento que havia sumido. Depois de muita confusão, o Bidu consegue encontrar o anel, eles se casam e a turminha aparece desurpresa no carro que o casal iam para a Lua-de-Mel, mas no final era tudo um sonho da Rosana, preocupada com o futuro casamento.

Trecho da HQ "O casamento da roteirista" (1988)

O casamento dela também foi tema de roteiro na história "Sem roteirista" do Bidu ('Cascão Nº 48', de 1988). Nela, em uma época que só tinha 3 roteiristas na MSP e mais o Mauricio, Manfredo avisa que não tinha roteirista na firma: Rubão estava doente, mais para lá do que para cá, Robson estava de férias e a Rosana se casou e estava em Lua-de-Mel, e o Mauricio viajando a negócios. e, como não tinha ninguém para fazer roteiro, Bidu tinha que se virar na história. No final, todos eles voltam, mas já era tarde porque a história estava acabando.

Trecho da HQ "Sem roteirista" (1988)

Em "História em quadrinhos" ('Cebolinha Nº 75', de 1993), em que o Cebolinha cria uma história em quadrinhos e ninguém dos seus amigos dá importância para o seu roteiro, Rosana aparece no final, encontrando o roteiro que ele havia deixado no lixo e achou muito bacana e que era uma ótima ideia para história em quadrinhos.

Trecho da HQ "História em quadrinhos" (1993)

Em "Ih! Mais um plano infalível, Cebolinha?!" ('Cascão Nº 183', de 1994), em que o Cebolinha faz o cascão se fantasiar de gênio da lâmpada para derrotar a Mônica, Rosana aparece no final, depois da história concluída, mostrando para o Mauricio para ver se ele aprovava. Mauricio reprova, achando que o começo era interessante, mas o final repetitivo. Rosana faz outra história de  plano, Mauricio comenta que estava de novo com outra história de plano e ela diz que aquele era infalível.

Trecho da HQ "Ih! Mais um plano infalível, cebolinha?!" (1994)

Em "O sugador de inspiração" ('Mônica Nº 85', de 1994), em que o Capitão Feio se passa por faxineira e suga a inspiração de todos os roteiristas da MSP com um aspirador de pó inventado por ele para eles não criarem histórias com o vilão se dando mal no final, Rosana aparece no decorrer de toda a história, junto com os outros artistas da MSP.

Trecho da HQ "O sugador de inspiração" (1994)

A história "A Pedidos..." (Mônica Nº 86', de 1994) brinca com o fato dela transformar seus amigos em personagens. Na trama, aparecem várias crianças se apresentando para Mônica e cebolinha. Quando a história estava cheia de gente, Mônica e Cebolinha gritam pela roteirista, querendo saber satisfação de tanta gente, e Rosana explica que é duro ter muitos amigos querendo se tornar personagens em quadrinhos, com todos eles adultos em volta dela.

Trecho da HQ "A pedidos..." (1994)

Em "Chico Bento Nº 200", de 1994, em que bandidos trocam o saco de dinheiro com exemplares da edição "Nº 200" do Chico, Rosana aparece junto com o pessoal do estúdio, indo para Vila Abobrinha levar o saco de gibis quando se esbarram com Chico e os ladrões. Além dela, foram mostrados os desenhistas Sidão e Julinho, o arte-finalista Beto e a coordenadora Fátima.

Trecho da HQ "Chico Bento Nº 200" (1994)

Infelizmente,  Rosana morre em 14 de janeiro de 1996, com apenas 32 anos de idade, interrompendo uma linda trajetória. Muitos pensam que a causa foi um acidente de carro, mas na verdade ela sofreu afogamento durante uma excursão que envolvia esporte radical. Ela caiu do bote de caiaque, mas ninguém percebeu por causa do barulho da água e então quando se deram conta, já era tarde. Muito triste. Para muitos, isso foi um divisor da MSP, pois depois da sua morte, coincidência ou não, a qualidade das histórias começaram a cair e foi adotado conceitos do politicamente correto.

Foram publicados 2 propagandas nos gibis de 1996, com textos do Mauricio, falando sobre isso. Em uma época que a internet estava começando, notícias da MSP eram divulgadas nos gibis. Uma dessas propagandas foi essa com o Mauricio falando de como a Rosana entrou no estúdio.

Propaganda tirada de 'Cebolinha Nº 112' (Ed. Globo, 1996)

A outra foi a relação que ela tinha com a Marina, filha do Mauricio, que mostro abaixo:

Propaganda tirada de 'Magali Nº 186' (Ed. Globo, 1996)

Interessante que já nos gibis de fevereiro de 1996 eles passaram a colocar umas cores mais escuras, tirando boa parte do degradê característico do segundo semestre de 1995, com destaque a um mesmo tom de marrom bem escuro para tudo. No sapato do Cebolinha ou uma árvore até que não ficava ruim, mas Papa-Capim, Raposão, Jeremias, por exemplo, eles ficavam negros e era muito estranho coloridos daquele jeito. 

Entre fevereiro a maio de 1996, os gibis ficaram com cores assim e depois retornaram com vários tons de marrom normais. Como os gibis são feitos com antecedência de pelo menos 3 meses então ou foi uma grande coincidência (visto que eles viviam mudando as cores dos gibis e então era normal ver essa diferença de cores em poucos meses) ou eles pediram a editora recolorir às pressas o marrom para dar esse aspecto de luto nos gibis.

trecho da HQ "Verde que te quero verde", de 'Mônica Nº 110', de 1996

Após a morte da Rosana, teve a emocionante "Mais uma estrela no céu", história póstuma em sua homenagem, publicada em 'Mônica Nº 113, de maio de 1996. Nela, Chico e Rosinha observam uma estrela brilhosa que pisca o tempo todo na presença deles e eles percebem que era a Rosana, que havia morrido, e lamentam que nunca mais ela ia escrever história deles.

Trecho da HQ "Mais uma estrela no céu" (1996)

Rosana também recebeu uma bonita homenagem da MSP em 2012 no livro "Ouro da Casa", em que o roteirista Lancast Mota cria uma história homenageando, falando que foi ela quem mostrou o estúdio quando ele visitou quando criança. Com detalhe que foi desenhada com asas para representar que era um anjo que estava no céu.

Trecho da HQ do Lancast Mota em "Ouro da Casa" (2012)

Uma dúvida dúvida que fica que, após a sua morte, até quando tiveram histórias da Rosana nos gibis. Até por volta de maio de 1996 com certeza tiveram por causa da antecedência dos gibis. Depois podem ainda ter tido algumas de acordo com o que encontravam. Vale lembrar que nos créditos do expediente, o nome dela apareceu até em 1999, quando mudaram o layout dos créditos e então atualizaram o nome do pessoal. É que os créditos eram padronizados e eles custavam a atualizar quando surgiam profissionais novos. O Emerson mesmo entrou na MSP em 1996, mas só passou a ter crédito no expediente em 1999, após essa mudança de layout. Então, não se sabe se em 1999 ainda tinha histórias da Rosana nos gibis.

Sendo que em 2015 já na Editora Panini, as edições da 2ª série do 'Cascão Nº 5' e 'Mônica Nº 7', colocaram histórias de abertura arquivadas da Rosana. Foram as histórias "Cascão Ramsés (aquele que nunca lavou os pés)", do Cascão e "Será que o seu signo não combina com o meu?", da Mônica. Lembrando que foi apenas o roteiro, já que os traços e letras infelizmente seguiram o estilo atual. 

Pelo menos no Cascão o motivo disso deve ser porque a história de mais de 30 páginas era muito grande para sair em um gibi convencional dele de 36 páginas, aí arquivaram e resolveram colocar agora, aproveitando o sucesso da novela "Os Dez Mandamentos" da TV Record que estava no ar. Prova, então, que material antigo que não foi aprovado na época pode ser arquivado e aproveitado anos depois. Quem sabe possam vir outras histórias da Rosana arquivadas ainda de vez em quando, levando em conta isso.

Capas de 'Cascão Nº 5' e 'Mônica Nº 7' de 2015: gibis com histórias da Rosana

Uma pena a Rosana ter morrido tão cedo, uma grande perda, sem dúvida. Podia estar fazendo histórias e desenhos incríveis até hoje. Claro, que infelizmente teria que atender ao politicamente correto, teriaalguma diferença de roteiros em relação às suas histórias dos anos 80 e 90, mas com certeza seriam especiais assim mesmo. Fica então essa homenagem a essa artista que marcou a MSP.

84 comentários:

  1. Uma pena mesmo.
    Tenho algumas dessas HQs aqui e não sabia que tinham o toque dela. Essa do Chico e da Rosinha foi república da em um almanaque recente. Eu o tenho aqui.
    Bela postagem, Marcos!
    Um abraço!

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    1. Verdade, Fabiano, partiu muito cedo. Legal q vc tem algumas dessas, são muito boas. A do Chico e Rosinha foi republicada há pouco tempo na Panini sim.

      Valeu! Abraço

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    2. Sério que a do Chico e da Rosinha foi republicado recentemente na Panini, Marcos? Se foi, provavelmente foi num almanaque do Chico ou num almanacão/Grande Almanaque, mas eu sei que ela foi republicada antes na Globo. Caso você não saiba, ela foi republicada no Almanacão de Férias nº 38 de 2003.

      Abraço!!

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    3. Foi tbm na Panini em um almanaque do Chico Bento há uns 2 anos, só não lembro o número. Legal q foi republicada em um Almanacão. Sabia q havia sido republicada, mas não a edição.

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  2. Que peróla e que ostra no meio do oceano da internet é o seu blog. Que alegria. Que achado e estou feliz.

    Muito obrigado, tornarei-me leitor,

    Luiz

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    1. Obrigado Luiz, que bom que gostou do blog. Continue visitando a vontade. Valeu!

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  3. Uma profissional que marcou história. Interessante manterem e voltarem a publicar roteiros dela atualmente. Tomara que ainda tenham roteiros dela pra publicar pois atualmente essa qualidade faz uma grande falta.

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    1. Ela marcou mesmo. Seria legal q ainda tenham roteiros dela q ainda não foram publicados. mas claro q eles só vão colocar os q não tenham algo incorreto.

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  4. Nossa! Essa semana já tô tão sensível demais, e essa postagem me chorar mais ainda! Realmente a Rosana fez boas histórias da turminha! Eu tenho essa história do Chico Bento 200! A Rosana não sabe pra que lado o mapa é, muito legal essa! Ela recebeu homenagens merecidas!

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    1. Foi uma grande perda com certeza, era tão nova. E eu gostava dos funcionários da MSP contracenando com os personagens, eram muito engraçadas hqs assim.

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  5. Como você consegue saber quando o roteiro é da Rosana? Existem detalhes, a forma como a história é contada, gostaria muito de saber como você faz essa distinção.

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    1. Saber muito quais são da Rosana eu não sei, alguns tipos estava começando a identificar por causa dos comentários na Coleção Histórica. De fato é difícil identificar histórias de determinados roteiristas, tanto que nem citei nomes de histórias feitas por ela.

      Eram mais comuns serem essas com contos de fadas, planos infalíveis nomeados, com eles enfrentando vilões e bandidos, mas também não dá para generalizar.

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  6. Então,os traços mostrados na primeira HQ exposta,do Papa Capim,são da Rosana?

    Era o meu estilo de desenho preferido,que depois de um tempo,não via mais!Agora entendi.

    Aliás,os traços dela e de outros eram muito melhores que os traços bobos de hoje.

    E isso me faz lembrar que nos gibis da TM as histórias não tinham créditos de roteiristas,desenhistas,letristas,etc.,que em outras produções existiam.Aí eu saberia quem tinha os traços tão diferentes!

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    1. Sim, eram dela. Muito bom esses traços. Naquela época todos eram melhores que os traços de hoje, sem comparação.

      Uma desvantagem dos gibis da Turma da Mônica é q nunca colocavam créditos, com raríssimas exceções. Aí difícil saber quem escrevia, desenhava as hqs e tudo mais.

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  7. Caramba! Que linda homenagem! Acho que a Rosana acompanharia as mudanças do estúdio mas continuaria desenhando a mão e não pelo computador. Traços a mão dão mais vida e movimento em qualquer desenho. Excelente matéria!

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    1. Também acho que os roteiros dela iriam se adequar ao politicamente correto, mas desenhos continuariam a ser manuais. Valeu por ter gostado. :)

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  8. Parabéns pela linda e informativa matéria! Estava fazendo testes para tentar uma vaga como desenhista no Maurício de Sousa, entre 1982 e 83. Maurício me recebeu pessoalmente e depois me encaminhou para o setor de HQ, para tratar com a Alice. Foi lá que vi a Rosana pela primeira vez, desenhando uma HQ da Turma da Mata. Ela era muito jovem, e além de ficar encantado por sua beleza, fiquei maravilhado com o seu desenho. Foi a primeira vez que vi um esboço (rough-rafe) desenhado com grafite azul, e a partir dali, não sosseguei até conseguir os mesmos grafites para desenhar. Nesse dia no estúdio, até flagrei a Rosana dando uma escapadinha no corredor para namorar o Ayron nas escadas. Anos depois a revi numa reunião de quadrinhos, para tratar sobre um evento de HQ. Ela sempre tímida, não demonstrava ser a talentosa artista que era. Fiquei muito chocado quando soube da sua morte...

    Gustavo Machado

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    1. Que legal, Gustavo. Muito bacana que chegou conhecer a Rosana pessoalmente. Os desenhos dela eram incríveis mesmo. Excelente artista. Pena que partiu tão cedo. Muito obrigado por ter gostado da postagem. Valeu!

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    2. Eu que agradeço por sua matéria tão bela. Tomei a liberdade de postá-la no meu perfil no facebook, contando junto essa minha história, assim como pedi para ser adicionado por você. Em tempo: No quadrinhos com a fila de roteiristas que vc mostra na matéria, a desenhista misteriosa no final da fila, com certeza é a minha querida amiga Lucia Nobrega, que iniciou a carreira como roteirista no Maurício, se consagrando depois como argumentista creditada em muitas HQs feitas na Abril Jovem, onde trabalhamos juntos posteriormente. Abraço,

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    3. Nao conhecia essa roteirista, não era muito retratada nas hqs e o nome dela não aparecia nos créditos dos gibis. Vou alterar isso lá no texto. Abraço

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  9. Olá, Marcos! Muito bom ler sobre a Rosana, pessoa de muito talento e que infelizmente nos deixou tão cedo e tragicamente. Mesmo indiretamente, fora das homenagens póstumas, a morte dela deixou a Turma mais triste nos anos seguintes. Sobre o estilo de desenho dela, apontado por você na história do Papa-Capim, eu gostaria de saber se duas histórias que eu gosto bastante (mas que não leio há quase 20 anos) têm o traço dela. Uma eu lembro o nome: Se chama "Amor Dentuço", é uma história em que um vampiro-criança, muito parecido com o Drak da "Turma do Arrepio" se apaixona pela Mônica. A outra é sobre o Tesouro do Pirata Cacareco, em que o Cebolinha e o Cascão inventam um "antepassado", um mapa do tesouro e armam todo um cenário numa lagoinha para sacanear a Mônica. Será que você se lembra? O seu blog é muito legal, Marcos, continue assim. Super conteúdo! Um abraço!

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    1. Muito triste mesmo. Sobre a hq "Amor dentuço" já vi q o roteiro é dela, mas os desenhos não. Já a do Pirata Cacareco não tenho certeza, mas creio que roteiro e desenhos sejam dela sim. Muito boas essas.

      Valeu por estar gostando do blog. Abraço

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    2. Pirata cacareco? na globo? isso quer dizer: Re-pu-bli-ca-do num al-ma-na-que meu do ce-bo-li-nha

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  10. Sem duvida, uma artista muito dedicada que deixou sua marca na vida da Turma da Monica!

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    1. Uma grande perda com certeza. Ela marcou a MSP.

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  11. Nossa, não sabia que ela tinha sido vítima de um acidente de carro. Sempre me perguntei o que havia acontecido a ela, já que via as homenagens nos gibis.

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    1. Nanda, soube hj q não foi acidente de carro. Tinha até lido algo sobre isso de carro, mas na verdade ela sofreu afogamento durante uma excursão que envolvia esporte radical. Ela caiu do bote de caiaque, mas ninguém percebeu por causa do barulho da água e então quando se deram conta, já era tarde.

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  12. Amei esse texto, quanta sensibilidade. Tive o prazer de conviver com ela, era prima do meu pai e morávamos de frente uma para a outra. Aos finais de semana ela me levava, junto com seus sobrinhos Renato, Bruna e Bianca, ao Parque da Mônica. Doces lembranças desses momentos. Certa vez fui personagem de uma de suas histórias, onde junto com a Turma da Mônica, enfeitamos a rua para a Copa do Mundo, se não me engano de 1994. O gibi era da Magali, o fundo era branco. Infelizmente emprestamos o gibi e não nos devolveram. Já procuramos em diversos sebos e não encontrei mais o exemplar.

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    1. Muito legal. A Rosana gostava mesmo de colocar parentes e amigos nas hqs. Por coincidência eu já comentei sobre essa história aqui no blog e coloquei completa. Realmente aparece vc, Renato, Bruno, Bianca e Fernanda, que é chamada de Fê na história. Essa também deve ser conhecida de vcs.

      Só a edição que vc se enganou, é de Cebolinha Nº 93 de 1994. A capa está lá na postagem.

      http://arquivosturmadamonica.blogspot.com.br/2014/07/turma-da-monica-hq-farra-na-rua.html

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    2. Marcos, estou imensamente grata pela resposta. Sim, a Fê era uma amiga de infância muito querida. Obrigada por me passar o exemplar correto, agora vou procurar por esse nos sebos. Ou você sabe me dizer se tem outra forma para conseguir o exemplar?
      Agradeço também a postagem sobre a histórinha, foi uma delícia relembrar. Parabéns pelo excelente trabalho.

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    3. Lisi, eu tenho esse exemplar em formato CBR. Se quiser, me passe seu e-mail que mando.

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    4. Obrigado Lisi. Esse gibi só em sebo ou quem sabe em sites como mercado Livre ou Estante Virtual. Tomara q vc consiga.

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    5. Cassio, acho que pra ela seria melhor ter o gibi impresso.

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  13. Adorei a postagem, muito legal. Destas que você mostrou, pra mim a Rosana ficou mais bonita desenhada nas histórias "O sugador de inspiração", "Chico Bento nº 200" e "Ponha-se no meu lugar". Você pretende falar de outros roteiristas, como o Reinaldo Waisman, o Rubão, o Emerson Abreu? A propósito, eu tenho a edição da Mônica 134 da editora abril. Ela é muito legal. Tem um hq em que o Zé Luis aparece diferente, menor que o cabelo proporcionalmente menor, parecido com o do Titi. Nessa hq ele se fantasia de fada madrinha para enganar a Mônica. Curiosamente ele também aparece em outra hq desse gibi, só que com a aparência que estamos acostumados. Na hq em questão a Mônica obriga todos os meninos a brincarem de casinha. O Jeremias também aparece nessa hq, mas pretotipo carvão e não marrom.

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    1. Que bom que vc gostou. Sobre outros roteiristas a princípio não, mas vai que eu mude de ideia rs.

      Eu conheço essa hq com o Zé Luis. De fato ele ficou bem diferente, parecia q tinha menos idade. E o Jeremias era pintado de preto carvão, só por volta de 1983 que passaram a colorir marrom e colocaram lábios em vez do círculo rosa em volta da boca, provavelmente por causa de racismo.

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    2. Uma Curiosidade: Eu vi numa revista da coleção histórica que a aparência definitiva do Lobi foi criada pela Rosana.

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    3. Nem lembro disso, mas isso foi definitivo mesmo nos anos 90 porque antes ele sempre aparecia diferente.

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  14. Oi, Marcos! Linda postagem! Rosana era uma excelente artista! Achei muito legal que a MSP tenha recuperado alguns roteiros dela! Abraço! :)

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    1. Verdade, foi muito legal. Tomara que venham outros. Abraço

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  15. Poxa, Marcos! Que homenagem linda! E que postagem! Essa deve ser mais um daqueles posts especiais. Tão especial que será um dos seus posts que eu nunca esquecerei.

    Mas sabe, eu tenho um problema: Como eu nasci em 1998, ou seja, 2 anos depois da morte da Rosana, então obviamente eu nunca acompanhei a época dela, mas quando eu era criança, eu conheci suas histórias nos almanaques e nas histórias que tinham disponíveis no antigo portal da Mônica.

    Por isso que eu te digo que a época de ouro da Turma da Mônica foi quando a Rosana Munhoz trabalhava na MSP, e é lógico que você concordaria comigo, não concordaria?

    Eu só tô em dúvida se eu vou querer ter Cascão nº 5 e Mônica nº 7 de 2015 na minha coleção. Pelo fato dos roteiros serem da Rosana, é bom ter na coleção. Mas como os traços e as letras são atuais, então é melhor nem comprar.

    Bom, não importa como seja o motivo. Só sei que se esses gibis estiverem por acaso no sebo aqui de casa que eu sempre te falo nos meus comentários, acho que eu vou querer comprar os dois na hora, mesmo gostando das histórias ou não.

    E pra terminar o comentário, uma pergunta: Quando der um tempo, você poderia falar as histórias citadas nessa postagem por completo, ou melhor dizendo, separadamente em cada postagem? Cê sabe do que eu tô falando, né?

    Abraços!!!

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    1. Legal q vc gostou, Daniel. Com certeza vc conhece muitas hqs dela através dos almanaques q vc lia. Também acho q foi a fase de ouro da turma quando ela fazia as hqs.

      Eu não comprei esses da Panini, quem sabe se eu encontrar em sebo eu compre, pelo menos vai ser mais barato. Não gostei dos desenhos e letras dessas hqs. Se estiverem vendendo no sebo perto da sua casa, aí é contigo se compra ou não.

      Quem sabe falo algum dia dessas hqs aí com mais detalhes. São ~tao boas q é difícil escolher rs. Pelo menos a sinopse de todas eu coloquei.

      Abraços

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    2. Por isso é que Cascão Ramsés (aquele que nunca lavou os pés hehe) é tão boa! Eu raramente compro edições atuais, mas na banca esse gibi me chamou atenção, e a história é ótima. Tá explicado um plot tão bom diante das historinhas bobinhas de hoje

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    3. Pois é, as hqs da Rosana eram outro nível. Pena q os desenhos foram feitos atuais. Se fossem como nos anos 90 estaria melhor ainda. Eu não comprei esse gibi pq na sequência tiveram muitas hqs mudas, quase todas foram, aí desanimou.

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    4. O que era engraçado é que no final o cascão ramsés lavou os pés

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  16. Até hoje eu me lembro das revistas que comprei em 1996 que tinham essas homenagens à Rosana. Sempre fiquei curioso em saber o que realmente havia acontecido a ela. E foi só nessa reportagem que descobri que o meu segundo tipo de traço preferido da turma da Mônica era o dela (o meu primeiro é a fase que você chama de "traço superfofo", kkk...)

    Quem sabe a MSP tire dos arquivos mais coisas legais que ela tenha feito. Parabéns pela matéria!

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    1. É, eu tbm fiquei curioso na época pra saber do q ela havia morrido. Os desenhos dela eram muito bons.

      Tomara q a MSP encontre outros trabalhos da Rosana. Pelo menos algumas hqs dela são republicadas nos almanaques, embora a gente não saiba quais eram roteiros dela.

      Valeu por ter gostado.

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  17. A única coisa que o politicamente correto impede é histórias que podem ter conteúdo racista, homofóbico, degradante ou contra minorias de alguma forma. Tipo as crianças gritando "bicha! bicha!" para o Cebolinha numa historinha dos anos 1980.

    O nome do que você aponta como algo que prejudica a qualidade das histórias é MORALISMO.

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    1. Tem razão, mas independente disso, tudo prejudica muito a qualidade das hqs novas.

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    2. O que seria esse moralismo? Evitar coisas do tipo Bidu fazendo xixi no poste ou armas de brinquedo, crianças interagindo com bandidos etc? Se for em relção ao xixi eu acho bobagem mesmo, mas quando a interagir com bandidos acho complicado, pois temos notícias de cada crueldade hoje...

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    3. São essas coisas mesmo. É inacreditável q até Bidu não pode mijar nos postes. Nada a ver isso. Dizem q tem países q é proibido isso, mas aí seria só não exportar hqs assim.

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  18. Que ótimo Marcos. Parabéns. Linda homenagem. Rosana era especial e até hoje é uma das inspiradoras. As histórias publicadas recentemente não foram rejeitadas, muito pelo contrário. São ótimas. Qto a HQ mais uma estrelinha no céu, eu fiz o roteiro e o Mauricio deixou no estilo dele. Então foi a 2 mãos. ������

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    1. Obrigado Paulo Back! Imagino sim que ela devia ser uma excelente pessoa. Legal saber que a história Estrelinha no céu foi sua junto com o Mauricio. Foi uma linda homenagem sem dúvida. :D

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  19. Realmente uma perda muito grande. Como me lembro, como se fosse hoje, criança atrás dos gibis. Li muitos gibis e imaginei que só eu havia reparado que caíram muito a qualidade das história da turminha, penso comigo que a melhor fase de roteiros e desenhos forma entre os anos de 1980 a 1991.

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    1. Com certeza essa foi a melhor fase da Turma da Mônica, exatamente esse período. A Rosana fez muita falta.

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  20. Como é que eu, fã da TM que sou, não tinha descoberto seu blog, ainda???
    Tá de parabéns, to supernostálgica aqui!

    E gostaria que vc falasse mais sobre o tal do politicamente correto (ou melhor, moralismo, como apontou o colega acima), quem sabe fazer uma postagem sobre isso, mostrando trechos que jamais ssairiam hoje etc.

    Um abraço de urso à moda Mônica

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    1. Que bom que vc gostou do blog Cecília. Continue visitando. Quanto a postagem do politicamente correto eu já fiz uma mostrando alguns casos sobre eles. Mas nada impede de eu fazer outra mostrando outros casos. É esse aqui:

      http://arquivosturmadamonica.blogspot.com.br/2013/09/os-primordios-do-politicamente-correto.html

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  21. Que pena,uma artista tão bonita mesmo e tão jovem,mas,não sabia desse ocorrido da morte dela,alias,quero um dia ter todos os arquivos da MSP,me ajudem

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    1. Muito triste, ainda mais da forma q morreu. Sobre encontrar gibis antigos, só em sebos e sites como Mercado Livre e Estante Virtual. Aos poucos, vc vai montando a coleção.

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  22. Gente, eu amo a Rosana! Tem uma história dela que eu gostaria muito de reler... Se chama "Não me mande... peça!".. uma pena, realmente.

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    1. Muito triste ela ter morrido tão cedo. E não sabia q essa hq era dela. É muito boa sim. Essa saiu depois q ela morreu. É de Mônica nº 113 de maio de 1996.

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    2. Marcos, quem me confirmou foi o próprio Paulo Back, num fórum do Orkut. Eu amo essa história e ainda não consegui reler. Fico esperando sair em algum almanaque..rs

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    3. Ah não sabia. legal saber que foi dela. Tomara que republiquem de novo.

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  23. Todos os que marcam, todos os que são bons, morrem. Tudo que é bom acaba: Politicamente incorreto, Rosana Munhoz, qualidade nas revistas da TM. Muito triste isso.
    Aliás, poderia me explicar como que identifico cada roteirista da TM?
    Abraços

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    1. Foi uma perda grande, sem dúvida. Não sei identificar muito os roteiristas, tava começando a perceber um pouco por causa da Coleção Histórica que acabou. Hoje em dia identifico só os do Emerson por causa de um ritmo acelerado no roteiro e muitas caretas exageradas.

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  24. Muito boa a postagem. Lembro de histórias no estilo do Papa-Capim quando criança então acho que sei o estilo de traço dela. Pelos quadrinhos postados dava pra ver que ela era muito querida. Foi muito bom nas novas histórias quando eles colocaram o crédito no começo, podiam fazer isso com histórias dos almanaques também, tenho essas revistas novas do Cascão e Mônica e não sabia que eram dela, uma história arquivada, muito interessante eles terem usado roteiros tão antigos. Legal que a Denise hoje é uma personagem forte e não só figurante, é como se fosse um token da lembrança dela que sobreviveu pelos quadrinhos.

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    1. Verdade, foi uma surpresa ver essas hqs dela em revistas recentes. Devem ter tido outras, mas não colocavam créditos ai não dá pra saber.

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  25. Trabalhei como roteirista da MSP por 08 anos (1998 a 2006) e fui contratado na época para tentar suprir a enorme lacuna deixada pela Rosana. Infelizmente, não tive o prazer de conhecê-la, mas ouvi muitas histórias sobre ela contadas pelo pessoal mais antigo do estúdio. Pouca gente sabe, mas a Rosana foi a roteirista de maior produção da história da MSP. Criava, em média, cerca de 300 páginas por mês ( para efeito de comparação, o Paulo Back, produz "apenas" 160 pgs). A quantidade de material era tamanha que lembro de, quase dez anos após sua morte, que ainda existia um estoque de roteiros dela ainda esperando para ser publicados.

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    1. Legal. Realmente ela fez muita falta. Eu também imagino que após a sua morte, ainda foram publicadas por muito tempo histórias dela. pena a gente não saber quais eram histórias dela. Uma dúvida qual seu nome?

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  26. sera que a rosana tinha alguma coisa de importante pro politicamente correto nao atrapalhar? porque o chapolin animado tambem tem isso e ao é problema

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    1. As histórias dela tinham as incorretas, mas tinham outras que davam pra ser aceitas hoje em dia normalmente,

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