sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Mônica 40 Anos


Em 2004, foi lançada a edição especial "Mônica 40 Anos", em comemoração aos 40 anos de criação da personagem. Nessa postagem faço uma resenha sobre essa edição.

"Mônica 40 Anos" foi lançada com um ano de atraso, visto que a personagem foi criada em 1963 e, portanto, era para ser em 2003, mas o especial saiu só em abril de 2004, como consta a data do expediente. 

O livro tem 116 páginas no total, formato 21 X 27,5 cm, capa cartonada e papel de miolo de gibi convencional. A exemplo da "Mônica 35 Anos", de 1998, todas as histórias são inéditas. No miolo tem propagandas comuns que circulavam nos gibis da época.

Abre com um frontispício com o Mauricio de Sousa falando do sucesso da Mônica, e a seguir vem uma entrevista de 5 páginas com o Mauricio. Nessa entrevista, ele fala sobre a turma na escola, as novidades na internet e no cinema (lançamento do filme CineGibi), novos personagens com portadores de deficiência (não cita os nomes dos personagens e qual tipo de deficiências, mas no caso seriam o Luca e a Dorinha), além de responder o que os leitores mais pedem e de que tipos de histórias pedem mais, etc.

Na ficha técnica após a entrevista, erro ao dizer que a revista da 'Mônica Nº 1' foi a primeira revista de circulação do Mauricio. As do Bidu da Editora Continental em 1960 é que foram.

Uma das páginas  da entrevista com o Maurício

Depois, colocaram tirinhas dos anos 60 com as primeiras aparições do Anjinho e do Penadinho, que também estavam completando 40 anos, e o Maurício fala um pouco sobre esses personagens. Para constar, o Penadinho foi criado em 1963 e o Anjinho, em 1964. Então, foram reservadas 2 páginas com tirinhas do Anjinho (com 6 tirinhas no total) e 1 página do Penadinho (5 tirinhas no total).

Uma página de tirinhas do Anjinho

Uma coisa curiosa, é que até em 1963, a empresa do Mauricio se chamava "Bidulândia". Nas tiras do Penadinho que foram mostradas, aparecia "Bidulândia" nas laterais, enquanto que as do Anjinho, já era "Mauricio de Sousa Produções". Nos livros "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" isso ficou omitido, assim como as numerações das tiras, que foram mostradas em "Mônica 40 Anos".

Uma tirinha do Penadinho

As histórias foram 6 no total, contando com a tirinha final. A de abertura foi a "Mônica 40 Anos", comemorativa de 31 páginas, mostrando um passeio pelo estúdio, desde estacionamento, e como se faz os gibis. Falou sobre roteiros, desenhos, letras, arte-final, acabamento e cor, tudo com muito humor. Mostrou, inclusive, os roteiristas e os outros profissionais contracenando com os personagens, através de caricaturas e em certos momentos fotos reais deles.

A partir da parte que fala de "Letras" até o final, os traços ficaram diferentes em relação ao inicio da história. Dá a impressão que a mesma história foi feita por desenhistas diferentes. No desenho antes de "Letras" achei que ficou melhor. E nessa época, os personagens já não falavam mais "Droga!" nos gibis, visto que nessa história, o Cebolinha falou até "Papagaio!" para substituir a palavra.

Trecho da HQ de abertura "Mônica 40 Anos"

A seguir vem a história "Quem tem medo de filme de terror?", de 10 páginas, em que a Marina convida a Magali para assistir a um filme de terror na sua casa à noite, e aparece depois o Cebolinha e o Cascão também lá para fugir da Mônica, que também aparece depois. Essa achei uma história normal, que poderia muito bem sair em um gibi convencional da época, mas que resolveram colocá-la nesse especial. Além disso, acho que a Mônica ficou apagada nela, ficou sendo praticamente uma história da Marina.

Depois vem "Nimbus, Marina e Do Contra", que mostra, em 15 páginas, a origem do Nimbus, Do Contra e Marina, verdadeiros filhos do Mauricio, e como ele se inspirou para criar os personagens baseados nas personalidades reais dos filhos. Outra que acho que a Mônica ficou apagada, afinal, a edição especial é dela.

Trecho da HQ "Nimbus, Marina e Do Contra"

A história "Um dia no circo", é outra também que não é comemorativa e podia muito bem sair em qualquer gibi convencional da época. Com 9 páginas, nela, o Cebolinha é perseguido pela Mônica no circo e eles atrapalham as apresentações durante a perseguição.

Esse especial termina com a história "A origem da Mônica", escrita pelo Emerson Abreu. Ela tem 28 páginas, divididas em 6 capítulos, e um "narrador" conta, com muito humor toda a origem da Mônica, de onde ela veio e o segredo da sua força, mostrando, inclusive, que a Mônica foi adotada por uma família de elefantes, que eram retratados pelo Cebolinha, Cascão e Magali. Só que é descoberto que tudo foi plano infalível do Cebolinha com ajuda do Anjinho, que falava a história na nuvem com um megafone.

E a tirinha no final, mostra a evolução da Mônica ao longo dos 40 anos.

Trecho da HQ "A Origem da Mônica"

Esse livro "Mônica 40 Anos" foi reimpressa também em uma nova versão como formato livro mais luxuoso, com mesmo conteúdo e sem as propagandas. Foi lançada junto com as versões também de luxo de "Maurício 30 Anos", "Mônica 30 Anos" e "Mônica 35 Anos" (originais de 1990, 1993 e 1998, respectivamente). Essa versão de luxo eu não tenho. 

Aliás, uma grande mudança na versão de luxo foi a capa que é bem diferente da versão original. Acho que não deviam mudar a capa original tão radicalmente assim. A original é melhor.Abaixo, a capa dessa versão de luxo, tirada do site "Guia dos Quadrinhos":

Capa da "Mônica 40 Anos" da versão de luxo

Para mim, não achei uma edição tão boa assim, mas vale pelo valor histórico e pelo menos a data não passou em branco. Foi bom ter histórias inéditas para diferenciar, de preferência comemorativas que mostrem a sua personalidade. Não gostei da Mônica apagada em 2 histórias, já que o especial é dela. 

Podia ter bem mais curiosidades também, e não só uma entrevista com o Maurício, e podia ter tirinhas da Mônica de todos os tempos também. A edição "Mônica 30 Anos" foi, sem dúvida, a melhor desses especiais de criação dela. 

10 comentários:

  1. Tenho..achei muito boa esta edição só com HQs (a HQ A Origem da Mônica..eu rir muito)inéditas! ;)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Foi bom ter inéditas, mas acho q as hqs eram pra ser todas da mônica, e não com Nimbus, Marina e Do Contra. Em 2 hqs, ela ficou apagada.

      Excluir
  2. Eu tenho essa edição. Mediana mesmo se comparada ao especial de 30 anos que foi boa. Na postagem você diz 50 anos de Penadinho e Anjinho mas era 40? Marcos que você acha do encadernadão AS PRIMEIRAS HISTÓRIAs DA MÔNICA (ed. Globo, 2002) que teve o preço de R$ 95,00? Valeu amigo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah valeu Heri, corrigi o erro. Sim, essa foi bem mediana, pelo menos teve comemoração de alguma forma.

      Sobre "As primeiras Histórias da Mônica", eu não tenho, mas claro q tem hqs de 1970/ 71, como dá pra supor. Na época, até valeu pelo resgate, mas hj já não tem tanta importância por causa da Coleção Histórica. Não sabia q custou R$ 95,00... um absurdo.

      Excluir
  3. Oi, Marcos! Talvez a ideia fosse dar uma cara diferente do que foi a Mônica 30 e 35 anos.... mas concordo que não ficou assim tão legal. Até porque, muitos compram essa, mas não compraram as anteriores, então, se não tem as devidas homenagens, eles ficam sem captar direito o sentido da coisa toda. Histórias inéditas são sempre bem vindas, mas acho que o foco tinha que ser mesmo a Mônica. E a primeira capa é muito mais atraente, sem dúvida!

    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Mônica 35 Anos tbm foi com hqs inéditas, mas dentre as hqs q vi, foram com mais foco na Mônica do q esse de 40 Anos. Só q não conheço direito, já q eu não tenho esse Mônica 35 Anos.

      Acho hqs inéditas tbm bem vindas nesses especiais, desde q sejam comemorativas, q não tenham chances de sair em um gibi convencional. A capa da versão de luxo ficou sem graça mesmo, não sei porque mudaram.

      Abraços

      Excluir
  4. O Mônica 30 anos realmente foi melhor, mas para ficar ainda melhor, tinha que ter tido mais histórias clássicas, como "Os Azuis".

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, "Os Azuis" podiam ter colocado nele. Mesmo assim foi muito bom.

      Excluir