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domingo, 10 de maio de 2020

Tirinha Nº 71: Aniversário da Magali

Em comemoração ao aniversário da Magali, hoje, 10 de maio, uma tirinha com a Magali comendo todo o bolo bem no meio de quando a turma estava cantando Parabéns na festa dela e sem deixar nada para eles. Uma piada bem utilizada nos gibis, mas sempre bom ver Magali comendo exageradamente. Feliz aniversário, Magali!!!

Tirinha publicada originalmente em 'Magali Nº 383' (Ed. Globo, 2005)


quinta-feira, 7 de maio de 2020

Capa da Semana: Chico Bento Nº 242

Uma capa em homenagem ao Dia das Mães apenas com imagem bonita com o Chico Bento dando de presente para a sua mãe seu chapéu com passarinho entregando uma flor para ela, representando todo o seu amor. Muito caprichada.

A capa dessa semana é de 'Chico Bento Nº 242' (Ed. Globo, Abril/ 1996).


segunda-feira, 4 de maio de 2020

Magali: HQ "Os pirulitos do Tio Teleco"

Em maio de 1990, há exatos 30 anos, era lançada a história "Os pirulitos do Tio Teleco" em que a Magali resolveu vender pirulitos para ajudar o velhinho a comprar um carrinho e continuar vendendo. Com 11 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 23' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Magali Nº 23' (Ed. Globo, 1990)

Escrita por Rosana Munhoz, começa com a Magali pedindo dinheiro para mãe comprar doce. Dona Lili fala para maneirar porque já gastou toda a mesada e Magali comenta que o chocolate estava em liquidação e Dona Lili comenta que a o estômago dela também porque comeu tudo no mesmo dia.


Magali resolve comprar pirulitos do Tio Teleco, os melhores da região. A princípio não o vê no local de venda, mas ele estava atrás do muro descansando as pernas dele. Tio Teleco fala que a Magali que é a melhor e única freguesa dele no momento e que será o último dia que vai vender pirulitos, ninguém está comprando e vai desistir antes que perca seu último tostão. Ele tem uns parentes no interior e vai se mudar e ver o que pode fazer de serviço lá.


Magali fica arrasada de não poder mais ficar com os pirulitos dele todas as tardes e Tio Teleco fala que não está sendo fácil carregar o peso dos pirulito todos os dias, só se tivesse um carrinho, mas para comprar, teria que vender uns 200 pirulitos. Magali, então, resolve vender os pirulitos para ele comprar o carrinho e não se aposentar. Ela tem muitos amigos, com um pouco de propaganda e as criança provarem vão querer comprar mais. Tio Teleco aceita, ainda mais pela insistência da Magali de não querer que ele vá embora, e arruma os pirulitos para ela vender.


Magali arruma placas e anúncios em árvores e começa a vender, mandando todos provarem os pirulitos do Tio Teleco. Cebolinha estranha Magali vendendo e diz se fossem gostosos ela comeria, e, não venderia. O pessoal ouve e todo mundo cai fora concordando se Magali que come tudo e não gosta porque deve ser ruim. Ao ver que Cebolinha espantou a freguesia, Magali exige que ele compre um pirulito. Cebolinha escolhe um vermelho, ela diz que custa 1 cruzado novo e ele diz que dia 10 paga. Magali não aceita, fala que fiado só no ano dois mil e Cebolinha responde que perdeu um freguês e vai embora.


Logo em seguida, um menino pergunta se ela está vendendo pirulitos e ela diz que são rodas de bicicleta e o menino diz se fosse pirulitos, ele compraria. perdendo mais um freguês assim. Magali, com raiva, comenta que Cebolinha a tira do sério, quando surge o Cascão e pergunta quem fez os pirulitos. Magali fala que são do Tio Teleco e Cascão diz se fosse dela, ia tirar os palitos para usar como bolinhas de gude.


Magali comenta que é um fracasso de vendedora, pirulitos tão gostosos e não conseguiu vender um, não entende como alguém pode resistir aos pirulitos e ao olhar para eles, acaba comendo tudo e se desespera, qe estragou tudo e o Tio Teleco confiou tanto nela. Magali não se entrega e resolve preparar os pirulitos em casa. Depois vai vender de novo os que fez e ao tropeçar em uma pedra o pirulito que estava na mão acaba furando um muro d emadeira , de tão duro que estava.


Magali começa a chorar, dizendo que ninguém vai comer aquela droga e os meninos aparecem querendo saber o motivo do choro e ela conta tudo. Todas as crianças do bairro se solidarizam e resolvem comprar os pirulitos da Magali e, assim, ela consegue o dinheiro e vai entregar ao Tio Teleco, que compra o carrinho e consegue ir até às crianças e eles o adoram. Magali comemora que não ficou sem os pirulitos, comenta que Tio Teleco até a convidou para fazer os pirulitos com ele, mas achou melhor que não ,pois não quer que ele saiba que os meninos estavam usando os pirulitos dela como bolinhas de gude, bolinha de pingue-pongue, rodas de caminhãozinho, terminando assim.


História muito legal com a Magali tentando o ajudar o Tio Teleco a não se aposentar vendendo pirulitos na rua  só para não ficar sem os seus pirulitos preferidos. Foi uma boa ação de solidariedade dela, só que faltou persuasão para vender e para piorar comeu tudo sem ter vendido nada, bem a cara dela. Levando em consideração a vida real, claro que Tio Teleco não conseguiria comprar um carrinho com 200 pirulitos, mas serve pra transmitir a mensagem que eles queriam passar.


Muito bom ver as tiradas do Cebolinha afastando freguesia ao falar que se ela está vendendo porque os pirulitos eram ruins e querer pagar fiado, além de ver que os pirulitos que a Magali preparou eram tão duros que serviram para furar um muro e serem usados como bolinhas de gude, rodas de caminhãozinho, entre outros. Interessante  a Magali falar "fiado só no ano dois mil", isso foi porque na época eles estavam na expectativa de como seria o ano 2000 e o século XXI, consideravam algo futurístico a passagem de um novo século e novo milênio, várias mídias gostavam de citar algo de ano 2000. 


É incorreta para os padrões atuais. Apesar da mensagem de solidariedade, mostra Magali trabalhando como ambulante, comendo vários pirulitos, mexendo com fogão sozinha, gastando mais dinheiro da sua mesada precisando pedir pra mãe pra comprar pirulito, falar palavra "droga", nada disso tem nos gibis de hoje.


Curioso também que na época a moeda daquele mês de maio de 1990 já era o Cruzeiro, mas na história foi falado Cruzado Novo. É que a mudança para Cruzeiro aconteceu em março e o gibi já estava produzido com antecedência e não dava para eles mudarem isso. As capas, inclusive, vinham com etiquetas com o preço atualizado em Cruzeiros, e se conseguisse tirar a etiqueta sem rasgar a capa da revista, a gente via que o preço original ainda estava estampado como Cruzado Novo ou nem tinha preço estampado, como aconteceu na capa dessa edição. Porém, o valor numérico seria o mesmo, já que 1 Cruzado Novo correspondia a 1 Cruzeiro, só o nome da moeda que havia mudado na prática.


Os traços excelentes, era encantador ver os personagens desenhados desse jeito, tinha que ser Rosana com traços e roteiro assim. O recurso de aparecer 2 cabeças quando os personagens viravam rápido de um lado para o outro era muito legal também. Na 6ª página da história (página 8 do gibi) aparece Magali falando com boca fechada, um erro mais comum na Editora Abril, mas que as vezes acontecia na Globo também. Gostava também quando tinha cenário com fundo voltado para o roxo e lilás, na verdade onde seria o rosa a Editora Globo colocava o roxo pra diferenciar, aconteceu algumas vezes em determinados períodos de meses, mas logo paravam com isso já que viviam mudando as cores na Globo. Enfim, uma história clássica e excelente, um grande presente para os leitores e muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Capa da Semana: Cebolinha Nº 107

Em homenagem ao Dia do Trabalho, mostro uma capa com Cebolinha e Mônica trabalhando como pedreiros e Cebolinha faz caricatura dela no muro que estavam construindo. Até trabalhando ele apronta com a Mônica e engraçada a cara que ele fez, já sabendo que vai apanhar, mas não perdeu a oportunidade de fazer a piada.

A capa dessa semana é de 'Cebolinha Nº 107' (Ed. Globo, Novembro/ 1995).


quarta-feira, 22 de abril de 2020

Capa da Semana: Cascão Nº 22

Eram comuns capas com piadas envolvendo o logotipo das revista. Normalmente, o personagem se refugiava no logotipo para fugir de algum perigo de acordo com a sua personalidade. Nessa capa, o Cascão se pendura no logotipo da sua revista para escapar do jato d'água da arma que do Cebolinha, que fica sem entender foi parar o Cacão, pois o banho era certo. A agilidade para o Cascão fugir do banho de forma inesperada também era muito bom. E incorreta por Cebolinha aparecer de arma na mão, mesmo que de brinquedo é proibido atualmente.

A capa dessa semana é de 'Cascão Nº 22' (Ed. Globo, Novembro/ 1987).


domingo, 19 de abril de 2020

Papa-Capim: HQ "Olhos azuis, olhos negros..." / Mudanças do Papa-Capim com roupa


No Dia dos Índios, mostro uma história em que o Papa-Capim encontra uma menina branca perdida na selva. Com 5 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 170' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Chico Bento Nº 170' (Ed. Globo, 1993)

Papa-Capim ouve um barulho na selva e quando vê era uma menina "caraíba" chorando. Papa-Capim pergunta para ela quem é, se está perdida e de onde veio e a menina, que se chama Olga,, por sua, também pergunta quem é ele, mas como falam em línguas diferentes (ele fala em tupi-guarani e ela em português), um não entende o que o outro fala.


Papa-Capim acha que é uma caraíba que se perdeu e Olga acha que ele é um selvagem que vive por lá. Ele diz que nunca viu uma caraíba dr olhos desbotados e faz umas caretas para ver se ela enxerga e acaba se assustando. Ele convida para ir até a aldeia dele e pelo sinal que faz, Olga entende que é para ir com ele e acaba indo por ser melhor do que ficar sozinha.

Na aldeia, Papa-Capim apresenta o seu povo e Olga se pergunta quais as intenções dele de lavá-la até lá. Os índios estranham a caraíba ter olhos da cor do céu e cabelos pálidos como fios de espigas de milho. A mãe do Papa-Capim dá beijus para a Olga pensando que ela esta com fome e faz todos os índios se afastarem dela, pois acha que pode estar doente, já que uma  menina tão diferente e tão pálida  não pode ser saudável enquanto que a menina fala que a comida é boa, mas não sabe por que eles se afastaram dela e estranha também eles serem tão morenos e de olhos tão negros e devem tomar Sol demais.


Papa-Capim fala com a mãe que não importa que a Olga é diferente, deve estar se sentindo muito só e resolve fazer companhia para ela. Assim, Papa-Capim ensina para ela os costume dos índios, oferece água, pega frutas da árvore com arco-flecha, mostra os pássaros da região e ela fica encantada e bem feliz.

Até que o Pajé avisa que os pais dela chegaram para buscá-la. Papa-Capim estranha os pais da Olga ter os olhos iguais aos dela e Pajé comenta que são da tribo dela. A mãe do Papa-Capim comenta que ainda bem que se foi, era uma aberração diferente deles enquanto que os pais da Olga falam também que os índios eram diferentes demais deles. Papa-Capim fala que seria bom se eles não fossem tão iguaizinhos e se alguns deles tivessem olhos azuis enquanto que Olga fala que não há nada de mau ser diferente e não para de pensar naqueles olhos negros do Papa-Capim, terminando assim.


Essa história é muito bonita abordando preconceitos. Mostra as diferenças de raças indígenas e do homem branco tão extremas e como eles nunca haviam visto antes alguém daquele jeito, um estranhou o outro. E ensina a todos não terem racismo, não ter preconceito com alguém só por ter cor de pele diferente.

A mãe do Papa-Capim e os outros índios achavam a menina uma aberração pálida  e com doença só porque nunca viram alguém loira, muito branca e com olhos azuis enquanto que os pais da Olga e até a menina no início achavam os índios uns selvagens. Papa-Capim que mostrou humano e sem racismo e foi o único a fazer companhia quando toda a deixaram em isolamento e se tornou um grande amigo da Olga e ficaram com saudades um do outro quando e separaram.


Muito bom mostrar uma comparação da visão entre os índios e os homens brancos em uma mesma situação. Tipo, ao mesmo tempo que a mãe do Papa-Capim falava que a Olga pálida, a Olga falava os índios morenos e olhos negros de pegar Sol e ao mesmo tempo que a mãe do Papa-Capim achava os brancos diferentes, os pais da Olga achavam os índios diferentes. Não fazem mais histórias assim nem mesmo se for para ensinar, chamar uma pessoa de aberração seria ofensa demais. 

Curioso dessa vez os índios não entenderam a Olga falando e vice-versa, só se entendendo por gestos. Ficou muito bonito já que Papa-Capim e Olga se entenderam mesmo sem falarem nada e isso se diferenciou de outras histórias do Papa-Capim em que homens brancos e índios conversavam normalmente. Boa sacada também de narrador avisando que a fala do Papa-Capim. que era em tupi-guarani foi traduzida para os leitores entenderem o que ele está falando. A Olga só apareceu nessa história, como de costume figurantes em histórias do Papa-Capim.


Os traços ficaram muito caprichados, típicos dos anos 1990. Bom relembrar há exatos 30 anos.

Nela seguiu o estilo padrão dos personagens da Turma do Papa-Capim representando índios primitivos, como sempre foi. Hoje em dia a MSP lamentavelmente estão colocando roupas no Papa-Capim para modernizar e ser a favor do politicamente correto. Primeiro a novidade foi em capas de almanaques, os primeiros foram 'Almanaque da Mônica Nº 80' e depois 'Almanacão Turma da Mônica Nº 5' de 2020.

Capas de estreia com papa-Capim com roupa

Agora nas histórias estão mostrando Papa-Capim assim com roupa, descaracterizando completamente seu núcleo. A primeira vez foi na história "Ondinas", de Chico Bento Nº 60', de 2020. Revoltante. Não dá para entender a implicância do povo do politicamente correto em ver um menino sem camisa em histórias. Já não bastavam as mudanças na Turma da Tina, os emagrecimentos de personagens e agora mostrar índios com roupas. Não gostei. Imagem da história enviada por Xandro.

Trecho da HQ "Ondina" (Chico Bento Nº 60' - Ed. Panini, 2020)

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Bidu: HQ "Atividade difícil"


Em abril de 1990, há exatos 30 anos, foi lançada a história "Atividade difícil" com o Bidu procurando um emprego com a sua personalidade. Com 5 páginas, foi publicada em 'Cascão Nº 85' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Cascão Nº 85' (Ed. Globo, 1990)

Nela, Bidu chama o seu amigo Rick para fazer corrida atrás de algum carteiro. Rick fala que não dá porque agora é um cão de utilidades e está trabalhando como guia de cego. Depois, Bidu encontra eu amigo Trovão e pensou que estava preso e ele diz que está trabalhando como cão de guarda. Ainda encontra o Rex treinando duro para ser campeão de corrida e dar inveja a Aírton Senna e a amiga Lili sendo adestrada pelo seu dono.


Bidu acha legal seus amigos trabalhando, come um pouco e depois que vai para a sua casinha dormir, se dá conta que só ele que não faz nada e resolve procurar aprender alguma coisa. Primeiro, ele tenta ser cão de caça, fareja um tempo e só encontra uma cadela interessada nele. Depois resolve ser cão de guarda, fica rodando na área, aparece um gato e quando ele vai atacar, é o gato que dá surra nele.


Ao ver o Franjinha, quer ser um cão de luxo, mas acaba trombando no Franjinha, que xinga o Bidu por ter machucado. Tenta ainda ser cão de pesca, mas quase morre afogado ao entrar no rio. Assim, Bidu fica triste e deprimido por não servir para nada, se sentindo inferiorizado, como se tivesse diminuído de tamanho. Até que aparece um cachorro reconhecendo o Bidu como famoso personagem de histórias em quadrinhos e pede autógrafo por ser fã dele. Assim, Bidu reconhece que tem uma profissão, que é artista, terminando assim.


É uma história legal, simples e típica de miolo, mostrando o Bidu à procura de emprego depois de ter visto todos os seu amigos com alguma ocupação e depois de muita luta ele viu que sua vocação é ser artista de história em quadrinhos, que é o que ele sempre fez muito bem. Embora adaptada à vida de cachorros, ensina aos leitores que cada um tem uma vocação, não ficar deprimido se não encontrar logo, é só saber procurar a sua vocação que mais encaixa no seu estilo.


Mistura estilo de história do Bidu como cachorro comum com metalinguagem no final. Legal ver diferentes profissões de cachorros, como cão-de-guarda, cão-guia de cego, cão de caça, entre outros. Bom também ver o Bidu contracenando com outros cachorros diferentes que não estamos acostumados, todos esses só apareceram nessa história. Teve citação ao Ayrton Senna, apesar da leitura não ser parodiada, a grafia foi aportuguesada, diferente do que o nome original dele.


Traços muito bonitos e bem caprichados, principalmente os dos cachorros. Teve um erro do balão do Bidu ao aparecer na frente do Franjinha sem ser de pensamento, já que o Bidu só fala nas história deles de metalinguagens ou com outros cachorros, bichos e objetos, mas não na presença dos humanos. Gosto quando tinham esses erros. Os palavrões do Franjinha não seriam colocados atualmente. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Tirinha Nº 70: Chico Bento

Uma tirinha muito engraçada com Zé Lelé machucado na cabeça e bem alienado, pensando que tinha que passar pomada no poste e não na cabeça, quando o médico falou para ele para passar pomada no local da batida, deixando Chico Bento surpreso com a lerdeza dele.

Tirinha publicada em 'Chico Bento Nº 197' (Ed. Globo, 1994).


domingo, 5 de abril de 2020

Momentos que o Cascão perdeu invencibilidade do banho


Cascão era um personagem muito interessante que fugia de tomar banho e que foi mudado muito por causa do politicamente correto. Nessa postagem, então, reúno momentos de todos os tempos em que o Cascão teve contato com água e que ele aderiu à limpeza em forma oficial, sejam em tirinhas, nos gibis e em campanhas da MSP.

O Cascão inicialmente foi criado em 1961 como um personagem que tem medo de água e que nunca tomou banho na vida. Quem cresceu lendo gibis da Turma da Mônica sempre viu o Cascão fugindo do banho. Seja fugindo da chuva ou vilões querendo dar banho nele, como as irmãs gêmeas Cremilda e Clotilde, Doutor Olimpo, etc, ou a turma fazendo plano infalível para dar banho, ele sempre conseguia escapar de alguma forma, nem que fosse apelando para os absurdos como voar, se pendurar nos quadrinhos da página, sair da história e ir parar no estúdio da MSP ou na história do Penadinho, por exemplo.

Tudo era o máximo e garantia boas risadas para gente ver como ele escapava do banho. Além disso, ele fazia apologia à sujeira, entrava em latas de lixo, adorava brincar no lixão, queria ver tudo sujo ao seu redor, não aceitava nem que limpasse o quarto dele. Quando aparecia suposta situação que dava impressão que finalmente o Cascão tomou banho, era uma pegadinha e na verdade era alguém disfarçado nele ou um sósia ou até mesmo um sonho ou uma miragem no deserto. No máximo, tomava banho retratado como propaganda das "Cenas Impossíveis" de 1993.

Cenas Impossíveis (1993)
Porém, durante a sua trajetória tiveram algumas vezes que a invencibilidade foi quebrada e teve contato com água, seja lavando as mãos ou até mesmo tomando banho. Fora que atualmente o personagem está completamente mudado. Cascão até ainda aparece sujinho nas historias, só que ele está aderindo à limpeza, achando que é bom, só para não dar mau exemplo e atender ao politicamente correto. Com isso, praticamente não tem mais histórias atuais envolvendo água e banho, maioria são histórias normais que serviriam para qualquer personagem. Aí ao longo da postagem vou mostrar esses momentos lastimáveis do Cascão, muitos são cenas fortes.

A primeira vez que o Cascão tomou banho foi em uma tirinha de jornal de 1964 em que ele apareceu limpo do nada e ao ser perguntado pelo Cebolinha o motivo do banho, o Cascão responde que foi para agradar a mãe como presente do Dia das Mães. Embora os personagens estavam ainda definindo suas personalidades, o Cascão havia sido criado há pouco tempo até então, mas fugiu da proposta inicial de que ele nunca tomaria banho, não gostei. Essa tirinha ficou esquecida muitos anos, até ser resgatada nos livros da coleção "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica Nº 1" (Ed. Panini, 2007).



Nos gibis, a primeira vez que o Cascão lavou a mãos foi na história "O mundo vai explodir" ('Cebolinha Nº 4' - Ed. Abril, 1973). Um cientista criou uma fórmula que descontrolou e estava prestes a explodir o mundo e para alvar a Terra teria que ser com a água de um menino que nunca lavou as mãos. Franjinha consegue convencer o Cascão a lavar ao falar que se o mundo explodisse, ia o sistema solar ficar poluído de água e seria pior e acaba Cascão tendo que fazer sacrifício e lavar.

Não mostra cena lavando, ó depois do ocorrido enrolado com uma toalha com frio por ter contato com água, mas pelo menos depois o cientista precisaria também do Cebolinha ter que tirar um fio de cabelo pra pôr na fórmula de salvar o mundo e Cascão se vingando por isso. Acho que não precisava disso, se o gibi era do Cebolinha, que já colocassem apenas a parte do fio de cabelo dele para salvar o mundo da explosão.


Em 1977 teve uma série de tirinhas no jornal Folha de São Paulo com Cascão prometendo tomar banho se o Corinthians fosse campeão depois de 23 anos até então. O time foi campeão, mas em última hora o banho ficou só na promessa já que o Cascão sujo como era, ia poluir o rio Tietê. Esse vale mais como caso do Cascão aderindo à limpeza por causa do seu time de coração.


Em 1983 teve uma grande enchente na região Sul do Brasil, deixando muita gente desabrigada e sem comida. Mauricio criou, então, uma campanha de solidariedade em um conto publicado no Jornal Folha de São Paulo no dia 31 de julho de 1983 e acabou fazendo o Cascão tomar banho na enchente, andando na chuva com água pela cintura, levando trouxinhas de roupas e biscoitos  para ajudar as crianças vítimas da enchente. Embora uma boa causa de solidariedade, podiam ter colocado no lugar vários personagens em mutirão ajudando, deixando o Cascão de fora, e não só ele fazendo o serviço. Ficaria bem melhor. No máximo, colocá-lo em um barco coberto e ele com guarda-chuva até o local das vítimas.


Ja primeira vez que apareceu Cascão tomando banho nos gibis foi em uma tirinha publicada em 'Cascão Nº 108' (Ed. Abril, 1986) e republicada depois em 'Cascão Nº 37' (Ed. Globo, 1988). Nela, Cascão não consegue escapar da chuva e quando se molha acaba se derretendo todo. Não gosto essa tirinha, sem necessidade de terem criado e  nada a ver se derreter quando se molha.


A primeira história em que o Cascão lavou as mãos foi "Morto de fome" de 'Cascão Nº 19' (Ed. Globo, 1987). A mãe dele, Dona Lurdinha, estava reclamando que ele não lavava as mãos para comer e proibiu de comer até que lavasse a mãos. Cascão vai à rua atrás de comida dos seus amigos e todos recusam dar até lavar as mãos. Como ele estava com muita fome, quase desmaiando, ele vê uma torneira na rua e acaba molhando as mãos e desmaia com o choque do contato da água nas mãos . No final, a mãe parabeniza o feito dele e enquanto o Cascão come, ela fica imaginando quando ele resolver tomar banho por completo.

Odeio essa história, podiam ter recorrido a outro final sem Cascão precisar tomar banho. Fora que ele só molhou as mãos, mas, por não ter sabão, as bactérias continuaram da mesma forma, só água não elimina bactérias. Felizmente, para tentar consertar a situação, eles criaram depois 2 histórias semelhantes, "A fome" (Cascão Nº 70', de 1989) e "Lave as mãos" (Cascão Nº 186', de 1994) com Cascão no final sem precisar lavar as mãos para comer e dando final feliz para ele.


A avacalhação com o personagem aconteceu quando fizeram a capa de 'Cascão Nº 299' (Ed. Globo, 1998) com ele lavando as mãos e encarando o leitor falando que se o leitor não lava também as mãos depois de ir ao banheiro. Foi uma grande surpresa e bem lamentável ver nas banca uma capa daquelas, descaracterizando o personagem. Tudo pra dar bom exemplo que todos devem lavar as mãos antes de comer, até o Cascão.


Depois dessa, Cascão volta a lavar as mãos na história "Casco-Cola Issequié!", de 'Cascão Nº 438' (Ed. Globo, 2004). Nela, Cascão faz ma groselha deliciosa e resolve vender no bairro. Apesar de ser só groselha, água e limão, todos gostavam e quando tentavam fazer em casa não era igual a dele. Foi descoberto que o segredo para ficar tão gostosa é que ele não lavava as mãos para fazer, com todos com nojo e passando mal ao descobrir isso. No final, o Cascão acabou se convencendo a lavar as mãos para comer na lanchonete e que teria que se acostumar a fazer sempre isso antes das refeições.

Essa marcou a real mudança do Cascão, o público confirmou que ele estava diferente de como era até meados dos anos 1990 por causa do politicamente correto. Seria uma história até legal se acabasse com o pessoal com nojo de tomar groselha com as mãos sujas dele, mas acabaram colocando esse final besta com ele lavando as mãos. Embora não apareceu cena lavando, mas sabe que ele fez já que apareceu de mãos limpas comendo o lanche e ainda falando que vai passar a lavar sempre as mãos. Outro detalhe na história de ele precisar mexer com água para fazer a groselha, porém aparece ele manuseando a garrafa d'água bem distante com auxílio de uma invenção de alavanca pra pôr a água no copo.



Na história "Mãos", de Cascão Nº 451' (Ed. Globo, 2005), Cascão volta a lavar as mãos Na trama, Cebolinha não deixa Cascão segurar a Maria Cebolinha, Magali não deixa Cascão colocar as mãos no pacote de batata que ela estava comendo e Dudu não deixa ele pegar no seu boneco. Como Cascão viu que estava sendo evitado porque tinha mãos sujas, ele lava as mãos e ainda faz questão de mostrar para todos que lavo e que vai deixar assim limpinha, até no final precisar segurar as mãos da Cascuda, mas que depois lavaria de novo.

Roteiro lamentável, em outros tempos ele estaria nem aí porque osa outros estavam evitando por causa das mãos sujas, mas pra dar bom exemplo, mudaram a personalidade dele. Também tiveram cuidado que de não mostrar a cena com ele lavando, apenas mostrando escondido que lavou e gritando com o contato da água.


No gibi institucional "Água boa para beber", de 2006, depois do Astronauta mostrar para a turma toda a importância da água para o planeta Terra, Cascão resolve se conscientizar e lavar as mãos. Ficou só como ele criando coragem, ficando na imaginação se lavou ou não, mas fica como um caso de aderindo à limpeza.


Depois, eles tentaram ainda justificar o Cascão lavando as mãos na capa de 1998 e em algumas histórias em "O mistério do personagem que lavou as mãos", de Cascão Nº 9 (Ed. Panini, 2007) em que o Mister B explica o mistério do Cascão lavar as mãos.


Depois de várias enrolações,  Mister B revela que o truque foi que sempre quando apareceu o Cascão lavando as mãos até então, era o Xaveco fantasiado como ele, sendo um dublê. Foi como uma espécie de consertar o erro que haviam cometido, porém na época que mostraram ele lavando as mãos  ou tomando banho não tinham essa intenção, ainda mais que na história de 'Cascão Nº 19' de 1987 , ele contracena com o Xaveco, então não tem como justificar, explicação pior do que se não tivessem feito nada.


Após isso, o Cascão ganhou mais força em aderir à limpeza na Editora Panini. Já não tinham mais histórias com ele no lixão, dentro da lata de lixo, brincando com lama, os outros implicando com o mau cheiro dele desde o final dos anos 1990, só que além disso e com os gibis cada vez mais educativos, a MSP fez questão do personagem passar a ter apologia às coisas limpas, de ter cuidado com poluição, mudando de vez a personalidade do Cascão e aumentando ainda mais o politicamente correto, a cada ano que passa piora.

Um exemplo disso, aconteceu na história "O aniversário do vampiro" , de 'Cebolinha Nº 82' , de 2013, em que o Cascão fica contente em limpar a garagem do Cebolinha e ainda fala que limpeza é com ele mesmo e ainda pede vassoura para começar a varrer. Em outros tempos, ele odiava limpar até o quarto dele e ainda fazia sujar mais ainda. Agora, ele limpa todo sorridente sem achar ruim.


Outro exemplo foi na história "A fantástica fábrica de guarda-chuvas" de 'Cascão Nº 89', de 2013, em que o Cascão sai para rua embaixo de chuva só porque estava entediado ficar dentro de casa por causa da chuva. O Cascão antigo ficava em casa o tempo que fosse preciso até passar a chuva, como prova na história "Dia de chuva, dia de solidão" ('Coleção Coca-Cola - Cascão', de 1990), e só ficava na chuva quando era pego desprevino, sempre escapando, e atualmente sai na rua normalmente.


Nessa mesma história de 'Cascão Nº 89', ele ainda se  molhou quando o guarda chuva quebra enquanto ele estava na chuva. No momento que quebra, Cascão corre onde estava o homem do guarda-chuva, porém ele se molhou, nem que seja uns respingos, já que a chuva estava bem forte. Então, mais um caso do Cascão se molhando na chuva.

Já  na história "Inimigo é pra isso", de 'Cascão Nº 29', de 2017, Cascão fica inconformado com as ruas e becos da cidade todos sujos e resolve se transformar no Super-impermeável" para limpar os becos sujos do bairro. É surpreendido com vilões querendo dar banho nele e na correria para escapar dos vilões, acaba o bairro limpo por conta dos vilões terem colocado água e produtos de limpeza na rua e no final o Cascão como Super-impermeável adora ver tudo limpo e prometendo acabar com os planos do Capitão Feio que estava querendo sujar o beco de novo.


Um roteiro lamentável, em outros tempos o Cascão adoraria as ruas todas sujas e ainda seria um herói para sujar ainda mais e agora tudo invertido. Desnecessário uma história assim, que não façam apologia à sujeira, mas que também não façam com ele adorando limpeza. Em tempo: a páginas ficariam bem melhores se fosse um quadrão com desenho do beco sem ser divididos por quadrinhos, assim como eram nos gibis da Editora Abril e Globo quando aconteciam isso.


Na história "O mestre dos mares", de 'Cascão nº 44' , de 2018, Cascão resolve ajudar o Aquaman, que estava fraco, ao ter o seu tridente roubado pelo vilão Cúmulos. Aparece o Cascão enchendo e carregando baldes d'água. Pior que o Aquaman nem usou a água dos baldes depois (ou pelo menos não ficou explícito por não terem mostrado Aguaman jogando água de balde na cabeça), e, com isso, não teve necessidade nenhuma, só encheção de linguiça e só para colocarem o Cascão com contato direto com água. Constrangedor.

Na época da Editora Abril chegou a ter história "Oh! O Príncipe Submarino!" ('Cascão Nº 42' , de 1984) com o Cascão não ajudando o Aquaman voltar para o mar, agiu como vilão, para fazê-lo se acostumar com vida fora da água. Aí na Panini essa história e mais uma outra antes dessa ajudando o Aqaman, ficando como um conserto do que o Cascão fez no passado a favor das boas maneiras.


Em "Cascão Nº 50', de 2019, teve uma capa revoltante também com ele aderindo á limpeza. Aparece Cascão todo sorridente em uma enchente fazendo campanha contra poluição dos oceanos e a favor do meio ambiente. Como assim? Em outros tempos, ele  no máximo estaria no alto do mastro da jangada cheio de medo por estar em uma enchente e nessa capa mostra descaracterização total do personagem.


Na história "Um menino especial", de 'Cascão Nº 57', de 2020), Cascão volta a lavar as mãos. Cascão lava a louça da cozinha para ajudar a mãe, que estava trabalhando em home-office. Cascão aparece vestido com roupa de mergulhador submarino para a água da pia não respingar nele, porém ele não usa luvas, então as mãos foram molhadas. Antigamente, ele se recusava a lavar louça para a mãe, era um sufoco, até tiveram história assim, como "Lava o prato Cascão, lava" ('Cascão Nº 55' - Ed. Abril, 1984). Ele sempre escapava de lavar louças, tinha pânico até de se aproximar da torneira e agora ele lava de boa, tudo para ensinar que deve obedecer a mãe e ajudar nos serviços domésticos.


Em 2020 com a pandemia mundial do Coronavírus (COVID-19), Mauricio resolve fazer campanha na internet em redes sociais da Turma da Mônica de conscientização de lavagem das mãos e higiene para evitar a doença. E usou nada mais, nada menos que o Cascão nessa campanha. Primeiro foi uma imagem com mistério se o Cascão ia ou não lavar as mãos, com ele com sorriso amarelo e todos incentivando a ele lavar para salvar vidas.


Depois, foi divulgado que ele realmente lavou, tudo a favor da boa causa de mostrar que se deve lavar as mãos. Afinal, se ele lava, todos vão querer lavar também. Mauricio faz questão de afirmar que era ele mesmo, dessa vez sem Xaveco como dublê como já inventaram antes.


A campanha até teve boa intenção de alertar, porém e acho que não deviam envolver o Cascão nisso. Que colocassem então o Cascão com álcool em gel ou todos da turma lavando as mãos em coletivo ou escolheriam outro personagem. Podia ter sido o Do Contra, já que ele sempre contraria as coisas e não lavaria as mão enquanto todo mundo lavava e por essa causa ele lavaria também. Ou podiam ter deixando um personagem fixo com mania de limpeza como antítese do Cascão, assim como criaram o Dudu, que não gosta de comer sendo a antítese da Magali. Chegaram a criar o Renato, vizinho do Cascão que apareceu em "Influências opostas", de 'Cascão Nº 111 (Ed. Gobo, 1991) e o Alvinho, primo do Cascão. Se deixassem esses personagens como fixos e bem conhecidos desde que foram criados, podiam ter sido aproveitados nessa campanha contra o COVID-19.

Para piorar, nos comentários dessas postagens da campanha nas redes sociais, o pessoal tudo apoiando, achando muito bom o Cascão ter lavado as mãos e ainda criticavam quem achava ruim o Cascão ter feito isso. Ou seja, o púbico está mudado e está a favor do politicamente correto e, assim, a MSP acaba atendendo e descaracterizando os personagens para atender a vontade do grande público. O Mauricio deu a entender em entrevistas que vai ter campanha mostrando o Cascão tomando banho por completo para combater o Coronavírus , se acontecer mesmo, aí atualizo o post.

Alguns consideram como fatos só os que aconteceram nos gibis, mas ainda assim tiveram vários exemplos do Cascão se molhando ou aderindo à limpeza nos gibis mesmo. Tiveram outras situações com Cascão aderindo limpeza nos últimos anos, essas da postagem foram só algumas para destacar e agradeço ao Washington Brito por mostrar algumas dessas edições.


Muito triste e revoltante ver essas mudanças de personalidade no Cascão. Ele era um personagem muito legal, porém mudou completamente, seja lavando mãos, tomando banho ou aderindo à limpeza, virou outro personagem. Podia até não mostrar mais Cascão fazendo apologia à sujeira, mas também não precisava mostrar adorando a limpeza. Para isso o ideal seria um menino fixo com mania de limpeza mostrando o certo, sem precisar Cascão ficar ensinando boa maneiras com a limpeza.

A gente se divertia e aprendia com os erros, no caso o Cascão era como exemplo  a "não ser seguido", a gente aprendia a não ser como ele, valia só a diversão de vê-lo escapando da água e do banho. Hoje, eles defendem que as crianças têm que seguir os exemplos dos personagens e  pensam que as crianças vão deixar de tomar banho e de lavar as mãos porque viram o Cascão fazendo coisa errada e aí mudam o personagem completamente para atender ao politicamente correto. Todo os personagens foram mudados por conta disso. Uma pena isso acontecer, aí quem não apoia as mudanças, vale mais a recorrer os gibis do passado.