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sábado, 5 de outubro de 2019

Jotalhão: HQ "Memória de elefante"

Mostro ma história em que teve o mistério de qual motivo o Jotalhão colocou um laço na sua tromba e não se lembrar da coisa que tinha que lembrar. Foi publicada em 'Gibizinho da Turma da Mata Nº 19' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Gibizinho da Turma da Mata Nº 19' (Ed. Globo, 1992)

Com 15 páginas no formato gibizinho, começa com o Jotalhão arrasado, que não acredita, é ridículo, é a vergonha dos elefantes. Raposão chega e pergunta o que acontece e Jotalhão responde que colocou um laço na tromba para lembrar alguma coisa e não lembra o que era.


Rita Najura chega e Jotalhão diz que lembrou que era do encontro que teria com ela. Rita fica feliz por ele ter lembrado, mas o encontro será só semana que vem. Em seguida, Jotalhão vê o Tarugo e fala que pensou que ia esquecer. Tarugo fica assustado e entrega o dinheiro que estava devendo ao Jotalhão e ainda diz que memória de elefante é fogo. Na verdade, Jotalhão pensava que era ele quem estava devendo ao Tarugo quando o abordou.


Jotalhão fica irritado por não saber o que o laço quer dizer, o que ele tem que lembrar. Raposão tenta acalmá-lo, falando para esquecer isso e aí Jotalhão fica brabo e envolve a tromba no pescoço do Raposão, que se desculpa foi força de expressão. Jotalhão lembra de algo e joga o Raposão no chão e vai até a toca do se compadre Coelho Caolho, achando que tinha que levar seus afilhados para passear. Raposão diz que Coelho Caolho e as crianças saíram de férias e Jotalhão não se lembrava.


Jotalhão fica desesperado por não se lembrar de nada, fala que está caducando e começa a chorar. Raposão tenta animá-lo, falando que é melhor ir para casa relaxar, vai ver que o que esqueceu não é tão importante assim, talvez não tenha nada para lembrar e que esteja caducando mesmo. Jotalhão olha brabo para ele e Raposão desconversa, falando que foi nada.


Quando chega em casa, Jotalhão pede para Raposão ligar a luz. Ele diz que já ligou e Jotalhão acha que esqueceu de pagar a conta de luz e Raposão o lembra que ele não tem energia elétrica e a luz da caverna é fogueira. Jotalhão finalmente lembra que o laço não era para lembrar alguma coisa, era o cadarço do tênis dele que lavou e colocou na tromba para secar. Raposão fica furioso e coloca um laço gigante na tromba do Jotalhão para ele se lembrar de não esquecer mais nada, terminando assim.


Essa história é bem legal, do nada o Jotalhão esquece por que deixou aquele laço na tromba e sem querer acabou desvendando outros esquecimentos dele em relação a seus amigos, o que não era normal para um elefante, e acabou que era só um cadarço de tênis que havia deixado na tromba para secar.


Engraçado ver que o Jotalhão esqueceu que o Tarugo estava devendo dinheiro para ele, que esqueceu que o seu compadre Coelho Caolho viajou com os filhos e achar que não pagou conta de luz e sequer tinha luz elétrica na sua toca e o Raposão achar que ele estava caducando por casa de tanto esquecimento.


A história brinca com a memória de elefante, já que tem boa capacidade de armazenar informações e que originou a expressão de fulano ter memória de lembrança, que são aqueles que não se esquecem de nada. Com isso, a história fez o oposto, fazendo com que o Jotalhão não se lembre de nada, sendo a vergonha dos elefantes.


Os traços muito bons, bem clássicos dos anosa 90. Na postagem coloquei completa.No gibizinho ela ocupou 15 páginas, mas se fosse em gibi normal e adaptando o formato daria umas 5 páginas mais ou menos se colocassem 8 quadros por página. Não foi a história de abertura, foi a de encerramento desse gibizinho, por isso a capa não aparecendo o Jotalhão e fazendo uma piada bem criativa em cima da história de abertura do Raposão com insônia.


Para saber mais detalhes da série "Gibizinhos", entre AQUI e AQUI.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Rei Leonino: HQ "O roubo dos capacetes reais"


Mostro uma história de quando Rei Leonino precisou desvendar um mistério dos capacetes dos guardas reais desaparecerem de repente. Com 9 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 184' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Mônica Nº 184' (Ed. Abril, 1985)

Começa com narrador observador apresentando a Floresta do Matão, que estava toda adormecida e que o barulho é quebrado apenas pelas aves noturnas, como corujas, mas que o leitor desconfiar que algo misterioso está prestes a acontecer. Aparece o Palácio Real, onde o guarda estava dormindo imprudentemente e criaturas estranhas invadem o Palácio do Rei Leonino Primeiro e Único. As criaturas saem de lá e o guarda ainda estava dormindo e sonhando, inclusive.


No dia seguinte, Ministro Luís Caxeiro Praxedes descobre algo terrível aconteceu e precisa contar o ocorrido ao Rei Leonino, mas tem medo de como ele vai ficar furioso e ainda contando logo no momento que acorda. Rei Leonino pergunta o que ele está fazendo tão cedo em seus aposentos reais e Luís Praxedes pergunta como ele vai naquela manhã.

Rei Leonino conta que mais ou menos e para contar logo o que quer. Luís Praxedes conta que ladrões estiveram no Palácio durante a noite. Rei Leonino fica furioso e pergunta o que roubaram lá, se foi o tesouro real, as joias da coroa ou o ursinho de pelúcia. Luís Praxedes conta que foram os capacetes reais. Rei Leonino acha uma vergonha os guardas serem roubados e como vão protegê-lo se não cuidam nem de si próprios. Os guardas falam que não foi culpa deles, os ladrões arrombaram os armários e o alojamento fica do outro lado do Palácio.


Um guarda fala que a culpa foi do sentinela da entrada, que estava dormindo na hora. Ele diz que lutou bravamente, mas como eram muitos o levou a nocaute. Os ladrões eram monstros gigantes, mas logo é descoberto que estava mentindo, pois as pegadas que estavam na entrada do Palácio eram pequenas e, assim Rei Leonino ordena que eles organizem uma busca e prendam os ladrões, que é a honra do Palácio que está em jogo.


Luís Caxeiro e os guardas vão atrás dos ladrões e como não tem sucesso, eles vão interrogar todos os súditos do reino, mas acabam todos zombando deles por causa desse roubo, achando que os guardas eram incompetentes. Logo depois, enquanto caminho, eles reparam que aumentou a população de tartaruga no reino e quando Luís Caxeiro vê o casco de uma delas, nota que eram os capacetes dos guardas que elas estavam usando como cascos e, assim, todas as tartarugas são levadas para o Palácio, inclusive o Tarugo que não tem nada a ver com isso.


Rei Leonino fala que as tartarugas vão aguardar julgamento do crime na cadeia. Então, uma tartaruga interrompe e diz que foram elas que foram roubadas, que um misterioso forasteiro invadiu o vale delas enquanto dormiam e roubaram os cascos de todas elas. Quando amanheceu, viram que estavam peladas, tentavam outros vestimentos, mas não adiantavam, até que avisaram que naquele reino os guardas estavam usando os cascos delas como capacetes e as foram lá buscar o que eram delas.

Luis Caxeiro Praxedes interrompe, falando que era uma infâmia e que o Rei Leonino não devia acreditar nelas. Rei Leonino pergunta onde ele mandou fazer os capacetes dos guardas, já que era o encarregado dos uniformes deles. Com a pressão, o ministro confessa que se apropriou dos cascos porque serviam como uma luva como capacetes e ainda eram de graça. Rei Leonino manda soltar as tartarugas e as convidam para ficarem como súditas do reino, mas elas preferem voltar para o vale.


Rei Leonino dá bronca no Luís Caxeiro, que foi ridicularizado, desmoralizado e os guardas desuniformizados por causa da incompetência dele. O ministro sugere que vai providenciar capacetes parecidos com os outros, mas que vai demorar um pouco para chegar. Rei Leonino ordena que ele arrume capacetes provisórios já e, assim, os guardas ficam com capacetes de panelas, e continuam sendo ridicularizados de qualquer forma.


Uma história muito legal e bem bolada, deixa os leitores envolvidos com um mistério do sumiço dos capacetes dos guardas reais, interesse em saber quem foi, por que fizeram isso. É até grande para os padrões da época da Editora Abril, mas como é tão bem roteirizada, que chega a ser envolvente e nem percebe que tem 9 páginas.


Legal ver as tartarugas sem casco e colocando folhas e flores pra se cobrirem, assim como as desculpas dos guardas pra justificar o roubo dos capacete se as broncas do Rei Leonino para o Luís Caxeiro Praxedes, sempre rendiam boas histórias. Teve absurdo das tartarugas não verem seus casacos sendo tirados pelo Luís Caixeiro, iam acordar com o movimento, mas por ser histórias em quadrinhos, é válido e fica mais interessante. O narrador observador contando a história no início sempre fica legal esse recurso. Curioso a Coruja falar "Bidu" no início da história, mas foi como para interagir com o narrador, no sentido de que ele adivinhou.


Gostei também do termo "Floresta do Matão" onde a Turma da Mata vive, mas esse nome não seguiu adiante, ficou só nessa história. Bem que podiam ter mantido esse nome para o lugar que eles vivem, ou terem inventado outro depois. Impublicável hoje em dia, justamente por ter esse tema de roubo e ladrões fora o maltrato aos animais, com tartarugas tendo seus cascos tirados à força, e também um personagem fixo ser o vilão e ladrão da história, no caso o Luís Caxeiro Praxedes. E mais uma vez "Droga!" sendo falado livremente sem paranoia nenhuma como é hoje em dia.


Os traços muito bons, já na versão clássica dos personagens consagrada dos anos 80. Interessante que o Coelho Caolho ficou com roupa vermelha ao invés da amarela tradicional. Gostava também do recurso das cores em tons azuis quando os personagens pensavam ou mostrava algo que aconteceu no passado. 

Foi republicada em 'Almanaque do Chico Bento Nº 12' (Ed, Globo, 1990), que foi de onde eu tirei as imagens da postagem. Abaixo, a capa desse almanaque:

Capa de 'Almanaque do Chico Bento N 12' (Ed. Globo, 1990)


terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Uma história do Coelho Caolho


Mostro uma história de quando o Coelho Caolho precisou ser escravo de uma minhoca para não ter trabalho de cavar terra para comer. Com 7 páginas no total, foi publicada originalmente por volta de 1978 e foi republicada em 'Almanacão de Férias Nº 4' (Ed. Globo, 1988).

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 4' (Ed. Globo, 1988).

Começa com Coelho Caolho lendo o seu jornal quando de repente ouve um grito. Era uma minhoca que havia sido pisada pelo Coelho Caolho quando estava distraído lendo o jornal.  A Minhoca fala que vai morrer porque foi esmagado e caso resistir ao sofrimento, não terá forças para cavar os túneis e procurar as suas terras prediletas para comer e vai morrer de fome.


A Minhoca fala ainda que tudo por culpa do Coelho Caolho, o "pisador de minhocas indefesas". Coelho Caolho fica com pena e diz que não pode deixá-lo morrer de fome e pergunta se tem algo que possa fazer par a ajudar. A Minhoca, malandramente, fala para o Coelho Caolho cavar as suas "terrinhas" em seu lugar porque não tem forças para isso e como forma de indenização terá que cavar terra  todos os dias durante 3 meses por 2 horas por dia.

Coelho Caolho começa a cavar imediatamente e a Minhoca vai coordenando os locais que ele teria que cavar os túneis. Enquanto cava, Coelho Caolho fica pensando o motivo da Minhoca querer tanto túnel e do lado de fora surgem outras minhocas perguntando para a Minhoca Golpista se o plano deu certo ele diz que o bobalhão está aumentando ainda mais a galeria delas.


Passadas 2 horas, Coelho Caolho volta á superfície e pergunta à Minhoca se o castigo do dia terminou. Ela diz que sim e é para retornar no dia seguinte e assim Coelho Caolho vai embora exausto. Quando vai embora, surge outra minhoca e a Minhoca Golpista diz que ele deixou terra fresquinha para elas. Comentam que agora todo dia vão ter toneladas de terras frescas para comer sem precisar fazer esforço nenhum e que o golpe foi genial e por ter terra demais convidam outras minhocas para dividir o banquete e comemorar o golpe do século.


São convidadas minhocas de outras colônias, mas fala que algumas foram quadradas e não quiseram vir porque não era certo o que fizeram com o Coelho Caolho. A Minhoca Golpista diz que se elas querem continuar gastar energia por conta própria, paciência. Ele vai se aproveitar do coelho. As outras minhocas chegam e já de prontidão esperando Coelho Caolho voltar para cavar a terra de novo. Ele chega uma hora depois, já preparado par ao seu castigo de cavar e não encontra a Minhoca Golpista lá e estranha a terra revolvida.


No final, aparece Jotalhão todo feliz com um saco cheio de peixes. Ele conta que pescou milhões de peixes e agradece a quem revolveu aquela terra toda porque o local se transformou em um viveiro de minhocas e foi fácil pegar todas elas para a sua grande pescaria, deixando Coelho Caolho surpreso e assim marcou o fim do castigo dele com a morte das minhocas.


História muito bacana mostrando a fábula do golpe da minhoca que queria explorar o Coelho Caolho. Minhoca aproveitou a distração dele e preparou o golpe de inventar que foi pisada só para o Coelho Caolho cavar as terras para ela sem precisar de fazer esforço para isso, e acabou morrendo como castigo. A lição de moral da fábula foi essa de não se aproveitar da boa vontade dos outros para se beneficiar que acaba sendo castigado depois.


Embora a Minhoca a gente fala no feminino, mas o personagem aí é masculino, era uma minhoca-macho. Coelho Caolho também é macho. Não colocaram nome na Minhoca dessa vez, sendo chamada só de Minhoca mesmo. Interessante o linguajar dos anos 70, tinha um jeito mais formal no texto como "desculpe-me", "machucou-se", e até termo que não falam mais atualmente como "à guisa de indenização", que é o mesmo que "como forma de indenização".


Os traços ainda com os personagens com bochechas pontiagudas típicos dos anosa 70 , marca registrada da década e ainda com personagens falando com boca fechada. Como era de costume nos anos 70, as histórias muitas vezes só tinham o nome dos personagens sem colocar um título e essa aí foi mais uma delas que só colocou "Coelho Caolho" no título. Isso quando não colocavam só "Raposão", mesmo quando ele nem aparecia nas histórias. A partir dos anos 80 já passavam a colocar mais títulos nas histórias dos secundários com mais frequência, sendo que Astronauta que não tinha títulos nas histórias.

terça-feira, 28 de março de 2017

Turma da Mata: HQ "Olha o carteiro!"


Mostro uma história simples em que o Tarugo foi carteiro e teve problemas na entrega das correspondências. Com 5 páginas no total, foi publicada em 'Chico Bento N º 181' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Chico Bento Nº 181' (Ed. Globo, 1993)

Tarugo está trabalhando como carteiro e entrega uma carta para o Jotalhão. Quando ele abre, vê que a carta está atrasada em 1 mês. Depois, Tarugo entrega carta para o Raposão e ele lê que era alguém dando Parabéns pelo seu aniversário, mas que havia passado há 6 meses.


Todos da mata recebem cartas atrasadas e eles vão ate a agência dos correios reclamar. Chega Tarugo e estranha a multidão na porta da agência. Outro carteiro diz que querem falar com ele e Tarugo pensa que querem cumprimentar pela sua competência.


Jotalhão diz que as correspondências estão todas atrasadas e Tarugo diz que é culpa dos remetentes que enviam cartas com assuntos antigos. Jotalhão diz que o problema é com ele por andar devagar. Tarugo fica triste e larga o emprego de carteiro, enregando o uniforme para a agência. No final, depois de passado um tempo, Tarugo volta e fala com o Jotalhão a sua nova profissão. Será agora piloto de fórmula 1. Ou seja com o seu jeito de andar lento, não vai dar certo de novo.


Uma história legal com o Tarugo com sua dificuldade de andar lento e ai teve problema nas correspondências em ser carteiro. Era comum histórias do Tarugo com essa característica de se dar mal pela sua lerdeza de andar por ser uma tartaruga. Sempre passava sufoco e se dava mal por isso. A história aproveita pra mostrar uma crítica ao serviço dos correios de atrasar as nossas correspondências.


Engraçado ter agência dos correios na mata igual a uma cidade grande. Era legal essa adaptação da Turma da Mata com as coisas dos humanos. Os traços muito bons, bem típico dos anos 90. Era bem comum também os títulos das histórias serem as próprias falas dos personagens ou então placas ou o que eles estavam lendo, etc.


Curioso de ter uma história da Turma da Mata em um gibi quinzenal do Chico Bento, já que saiam mais nos gibis da Mônica e Cebolinha. Normalmente era só Papa-Capim como personagem secundário nos gibis do Chico, e então em 1993 e 1994 algumas edições passaram a colocar Turma da Mata no lugar do Papa-Capim. A partir de 1998 de vez em quando tinha do Piteco e Turma da Mata também nos gibis do Chico. E voltando ainda mais no tempo, nos primeiros números da Ed. Abril tinham histórias do Anjinho, Bidu, Titi, Humberto, Jeremias, além do Papa-Capim como forma de preencher o gibi por ter poucas histórias do Chico produzidas a tempo de fechar os gibis. À medida que foram criando mais histórias do Chico passaram a colocar só Papa-Capim como secundário.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Capa da Semana: Almanaque do Cebolinha Nº 33

Carnaval chegando e mostro uma capa com a turma em um baile a fantasia e o Jotalhão conseguiu voar ao se fantasiar de Super Homem, mesmo com o seu enorme peso, deixando a turma impressionada com sua façanha.

O bom em capas de almanaques com presença de secundários que às vezes as piadas eram com eles, coisa que não dava nos gibis mensais, com raras exceções.

A capa dessa semana é de 'Almanaque do Cebolinha Nº 33' (Ed. Globo, Maio/ 1996).


sexta-feira, 8 de julho de 2016

Uma história do Rei Leonino e o seu primo Leopoldo


Mostro uma história de quando o Rei Leonino recebeu a visita do seu primo que estava em busca de moradia e um emprego no Palácio Real. Com 7 páginas no total, foi publicada originalmente por volta de 1982, mas que eu li primeiro republicada no 'Almanaque da Mônica Nº 13' (Ed. Globo, 1989). 

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 13' (Ed. Globo, 1989)

Rei Leonino está descansando quando ouve uma barulheira. Ele quer saber quem ousa interromper a sua meditação real e descobre que eram os guardas impedindo um leão de invadir o Palácio. Era o seu primo Leopoldo, que diz que os tempos estão difíceis, abandonou a vida do circo e resolveu procurar o Rei Leonino para morar no Palácio, prometendo que iria trabalhar enquanto estivesse lá, mas com interesse mesmo de um emprego como ministro. 


A princípio, Rei Leonino diz que não sabe, mas diante do lamento do Leopoldo, chorando que o próprio primo não o aceita, Rei Leonino fica com pena, vasculha o arquivo real e arruma um emprego de secretário para o primo e avisa ao ministro Luís Caxeiro Praxedes que o primo vai trabalhar com eles a partir de agora.


Depois passa um tempo e Rei Leonino pede ao Luís Caxeiro para ler os relatórios. Quando ele lê, era uma receita de bolo. Rei Leonino quer saber que diabo era aquilo e o ministro fala que deve ter pegado o papel errado. Com outro papel, Luís Caxeiro lê uma história da Chapeuzinho vermelho. Rei Leonino, irritado, quer saber quem separou aqueles papeis e o Luís Caxeiro diz que foi o primo dele, o novo secretário.

Rei Leonino vai até onde estava o Leopoldo e quer satisfação por que trocou os papéis do relatório. Leopoldo diz que eram monótonos e trocou por algo mais interessante, aí Rei Leonino exige que ele entregue os relatórios, mas Leopoldo fez aviõezinhos com todos eles. Rei Leonino diz que foi um engano ter dado um cargo de secretário e agora o primo a ser o vigia do Palácio Real, substituindo o outro que está gripado.


Leopoldo fica na entrada do Palácio, falando que é um cargo de responsabilidade e precisa ficar atento, porém acaba dormindo de repente. Rei Leonino vai conferir como ele estava se saindo e encontra o primo dormindo em pé. Rei Leonino o acorda e dá uma bronca de como ele ousa dormir na hora do serviço. Leopoldo diz que se distraiu e que é chato ficar parado o tempo todo sem fazer nada.


Diante disso, o Rei Leonino dá ao primo um cargo de cozinheiro real. Chega a hora da janta, a comida demora e Rei Leonino diz que está com uma fome de leão e quer saber onde está o cozinheiro. Ele vai até á cozinha e vê o Leopoldo com barriga cheia por ter devorado toda a despensa, alegando que estava com fome atrasada e tinha muita coisa gostosa lá. Rei Leonino fica uma fera e Leopoldo diz para ele arrumar outro emprego mais de acordo com as aptidões dele. Rei Leonino fala que não há mais empregos e Leopoldo diz que ele é o rei e pode inventar um servicinho especial para o seu querido primo.


Rei Leonino, se convence que o Leopoldo tem razão e fala que tem algo com o talento dele. Então, a partir de agora ele será ministro. Na verdade, Leopoldo se transformou no "ministro da ventilação" e passou a abanar com folha de bananeira o Rei Leonino, que exige que o Leopoldo o abanasse mais rápido e diz que é mais agradável trabalhar com ar condicionado, conseguindo, assim, dar o troco no primo interesseiro, terminado assim a história. 


Muito engraçada essa história com o primo do Rei Leonino querendo se dar bem e ter mordomia com um emprego fácil por saber que ele era o rei da mata. Arruma muita confusão até o Rei Leonino colocá-lo no seu devido lugar. A MSP gostava de colocar histórias com parentes dos personagens, principalmente criar um primo ou prima para eles, que causavam muitas confusões. Normalmente apareciam apenas em uma história e, então, o Leopoldo só apareceu nessa.

Legal o Rei Leonino falar a expressão "Que diabo é isso?". Provavelmente, hoje em dia essa expressão seria mudada para algo do tipo "Que é isso?", "Que palhaçada é essa?" nos gibis para evitar a palavra "diabo" em vão.


Traços muito bons, por sinal, bem característicos dos anos 80. Na postagem a coloquei completa. Acabou sendo sem título, apenas colocando "Rei Leonino". Era muito comum ter histórias de personagens secundários colocando só nome do personagem, principalmente com o Astronauta.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Capa da Semana: Almanaque da Mônica Nº 16

Normalmente quando está brincando de gangorra, é a Mônica quem faz seus amigos voarem longe por causa da sua força e do seu peso. Nessa capa, porém, foi ela quem voou longe quando Astronauta, Jotalhão, Horácio e Rolo estavam juntos na gangorra, precisando ela se segurar no logotipo para não parar mais longe. Só assim com 4 pesos-pesados juntos para conseguir tirar a Mônica do lugar.

A capa dessa semana é de 'Almanaque da Mônica Nº 16' (Ed. Globo, Janeiro/ 1990).


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Personagens Esquecidos 14: Zé Fuinha e Zé Furão

Nessa postagem falo do Zé Fuinha e Zé Furão, uma dupla de personagens pertencentes à Turma da Mata que também foram para o limbo dos personagens.

Zé Furão e Zé Fuinha

Zé Fuinha e Zé Furão, também conhecidos como "os pilantras da mata", foram criados nos anos 60 em tabloides de jornais. São uma dupla que vivem de dar golpe nos personagens da Turma da Mata  para conseguir alguma coisa deles para ficarem ricos. Seguem a linha de dupla de bandidos que eram muito comuns nas histórias da MSP, onde tinha um líder que planejava os planos e o outro que era mais atrapalhado e entregava tudo. Eles nem eram considerados bandidos, apenas queriam dar golpe em cima dos outros, jogarem suas lábias para ficarem ricos, embora já teve história com eles agindo como bandidos.

Como os seus próprios nomes diz eles são uma fuinha e um furão. No caso, o Zé Fuinha era alto, magro e o líder da dupla de pilantras, quem armava os planos. Já o Zé Furão era baixinho, gordo, burro e quem entregava os planos. Normalmente se fantasiavam de alguma coisa para fingir que era alguém importante para levar alguém na conversa e tirar proveito de alguma coisa e, logicamente, sempre se dando mal no final. Às vezes nem precisava o Zé Furão entregar tudo, já que o plano era tão banal que tava na cara que era golpe e então o personagem se passava por inocente, fingindo saber de nada. Ou ficava a dúvida se não sabiam que estavam sofrendo golpe.

No início, eles só perturbavam o Jotalhão. Depois passaram a dar golpe também a outros personagens como o Rei Leonino e Coelho Caolho. Suas aparições não eram frequentes, apareciam de vez em quando, as vezes demorando alguns anos para voltarem a aparecer até sumirem de vez em meados dos anos 80.

A estreia deles nos gibis foi em 1970 na história "Caçadores de marfins", publicada em 'Mônica Nº 3' (e republicada em 'Mauricio 30 Anos', de 1990). Uma história curta de 3 páginas em que Zé Fuinha e Zé Furão armam um plano para arrancar os marfins do Jotalhão para ficarem ricos produzindo estatuetas, bolas de bilhar, teclas de piano, entre outros. Zé Fuinha aparece para o Jotalhão falando que desde que conseguiu um talismã de marfim teve um azar danado, que tudo deu errado na vida dele, que quebrou a perna, destroncou o rabo, terminou com a namorada, teve intoxicação com queijo, mas desde que jogou fora o talismã tudo passou.

Jotalhão fica impressionado e Zé Fuinha e Zé Furão chegam a pensar que ele ia arrancar os marfins por causa disso, mas Jotalhão diz que está livre desse perigo de azar, já que ele colocou uma ponte de porcelana no lugar dos marfins, arrancando e segurando na mão para eles verem, deixando Zé Fuinha e Zé Furão passados.

Tem a curiosidade de no título chamar "Raposão" e ele nem aparece. Era comum isso acontecer nas primeiras histórias deles, visto que ainda não existia o temo "Turma da Mata" e o Raposão devia ser o protagonista do núcleo. Interessante também eles falarem a palavra "azar" abertamente, já que hoje em dia essa palavra está proibida, evitando mostrar histórias sobre esse tema e quando precisa substituindo "azar" por "má sorte" ou "falta de sorte".

Trecho da HQ "Os caçadores de marfim"

Outra história de destaque com Zé Fuinha e Zé Furão foi uma sem título, apenas "Jotalhão", que saiu em 'Cebolinha nº 43' (Ed. Abril, 1976). Nela, Jotalhão cai em um buraco e fica entalado. Zé Fuinha e Zé Furão ouvem os gritos dele e como reconhecem que ele é o elefante que faz propaganda na TV, eles providenciam arrumar uma barraca e anunciar para todo mundo verem o elefante da TV para eles ganharem dinheiro e ficarem ricos. Eles atraem uma plateia de ratos para assistirem o "elefante mais famoso da TV". Nesa hora, Jotalhão afunda do buraco e vai cair no inferno. A plateia fica uma fera que o Jotalhão sumiu e correm atrás do Zé Fuinha e Zé Furão tacando pedras neles e querendo o dinheiro do ingresso de volta.

Foi só uma participação, pois do nada a história toma outra rumo quando o Jotalhão cai no inferno e a partir daí tem que provar aos diabos que está vivo e caiu por engano. O chefe dos diabos pega a ficha do Jotalhão e vê que ele é um elefante muito bom e ordena que volte para a superfície. No final, Jotalhão tapa o buraco que caiu, dizendo que não quer ver mais um diabo na sua frente, só que vê um filho do Coelho caolho disfarçado de diabo e sai correndo.

Trecho da HQ "Jotalhão"

Em "Jotalhão e o pote de ouro", publicada originalmente em 'Cebolinha Nº 88' (Ed. Abril, 1980) e republicada em 'Almanaque da Mônica Nº 19' (Ed. Globo, 1990), um duende tem que levar um pote de ouro até onde começa o arco-íris para enterrar, só que fica cansado no meio do caminho e dorme. Como ele é invisível para os olhos dos humanos e bichos, Jotalhão vê o pote de ouro e pensa que está abandonado. Zé Fuinha e Zé Furão vê o Jotalhão ao lado do pote e tentam dar um golpe para poder levar o ouro do Jotalhão, com eles falando que são da "Companhia de Transporte de Valores da Mata" e que precisam levar o ouro e que eles passam a ser os responsáveis pelo pote e carregam para longe.

O duende acorda assim que eles vão embora e percebe que levaram o pote. Ele se torna visível para o Jotalhão e pergunta o que ele fez com o ouro. Jotalhão diz que 2 caras da "Companhia de Transporte de Valores da Mata" levaram. O duende vai atrás deles. Zé Fuinha e Zé Furão enterram o pote, prometendo voltar dentro de 3 meses para pegar de volta. Só que eles enterraram bem no local aonde começa o arco-íris e o duende fica até agradecido porque fizeram todo o trabalho para ele e depois vai pegar o pote de volta para levar até a outro arco-íris.

Trecho da HQ "Jotalhão e o pote de ouro"

Depois voltaram na história "A roupa mágica", original por volta de 1982 e republicada no 'Almanaque do Cebolinha Nº 7' (Ed. Globo, 1989). Agora já com traços diferentes, típicos dos anos 80, Zé Fuinha e Zé Furão se vestem de alfaiates para dar um golpe no Rei Leonino, dizendo que vão fazer uma roupa com um material mágico e precioso para ele com uma linha de costura tão fina que só um grande rei consegue ver e um tecido com fios de sabedoria que só os inteligentes conseguem enxergar. Tudo custando a metade da fortuna do reino. Rei Leonino, muito esperto, diz que não vai precisar dos serviços deles. Eles falam que se for pelo preço, eles fazem por um terço da fortuna real. Mas Rei Leonino diz que não porque ele já está usando uma roupa mágica e pergunta se eles não estão vendo. Lógico, que ele não estava usando roupa invisível nenhuma, só estava dando o troco a eles.

Trecho da HQ "A roupa mágica"

A última história que apareceram foi em "Babás exemplares", original de 'Cebolinha Nº 155' (Ed. Abril, 1985) e republicada no 'Almanaque da Mônica Nº 27' (Ed. Globo, 1991), dessa vez com eles tentando dar golpe no Coelho Caolho e com o Zé Furão estragando o plano. Nela, eles se passam por babás recomendadas pelo Rei Leonino para cuidarem dos filhos do Coelho Caolho enquanto sai com a esposa, com intenção de aproveitarem quando os filhos estiverem dormindo para levar tudo da toca do Coelho Caolho. Só que chegando lá, descobrem que são 300 crianças em vez de 2 ou 3 como pensavam. Zé Fuinha, então, fala para o Zé Furão limpar a casa enquanto o Zé Fuinha vai colocá-los para dormir.

Depois de um tempo, eles se encontram na sala, com Zé Fuinha exausto de tanto contar historias para dormir, balançar berços e cantar canções de ninar e o Zé Furão com um saco cheio. Zé furão pergunta se eles não tinham que esperar o Coelho Caolho e sua esposa e Zé Fuinha diz que não porque o trabalho está feito. No final, Coelho Caolho e a esposa voltam para casa, admirados que a casa estava muito limpa e admirando que as babás nem esperaram o pagamento. Então, é descoberto que o Zé Furão arrumou a casa e o que tinha no saco era só lixo em vez de ter levado os objetos da casa, deixando Zé Fuinha inconformando, chorando muito.

Trecho da HQ "Babás Exemplares"

Após essa história os personagens foram para o limbo do esquecimento. Inicialmente, deve ter sido por circunstâncias de criarem várias histórias e acabarem esquecendo de criar com eles até sumirem. Com o politicamente correto adotado na MSP anos mais tarde, de não ter mais histórias com bandidos e envolvendo golpes e trapaças, aí ficou de vez descartada a volta deles.

Porém, depois de muito tempo sumidos, fizeram uma participação na história "Todos os Zés", de 'Mônica Nº 234' (Ed. Globo, 2005), 20 anos após as suas últimas aparições. Nessa história metalinguística e informativa, foram mostrados os personagens da MSP que tem "Zé" no nome, como Zé Luis, Zé da Roça, Zé Lelé, Zé Vampir, Zé Finado, etc. E o Zé Fuinha e Zé Furão apareceram nela, em 4 quadrinhos: em 3 apresentando os personagens, e em outro quadrinho mais adiante, junto com todos os outros personagens "Zés". Após essa aparição-relâmpago, retornaram ao limbo do esquecimento, ficando até hoje.

Trecho da HQ "Todos os Zés"

Então, com suas histórias, os leitores se divertiam com os seus golpes e trapaças de um jeito bem humorado, e, de certa forma, tinha lição de moral e até dava para ter coerência com o mundo real, como alertar sobre golpes de telefone, por exemplo. Enfim, Zé Fuinha e Zé Furão tinham histórias divertidas e não mereciam ir para o limbo. 

Termino com algumas capas dos gibis que têm as histórias comentadas na postagem:

Capas: 'Mônica Nº 3' (1970), 'Cebolinha Nº 43' (1976), 'Cebolinha Nº 155' (1985), 'Almanaque do Cebolinha Nº 7' (1989), 'Mauricio 30 Anos' (1990), 'Almanaque da Mônica Nº 19' (1990), 'Almanaque da Mônica Nº 27' (1991) e 'Mônica Nº 234' (2005)