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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Livros "As Melhores Piadas" / "As Grandes Piadas"


Postagem "Nº 800" do Blog. Os livros de tirinhas  "As Melhores Piadas" e "As Grandes Piadas" circularam nas bancas entre 1985 a 1988, foram um grande sucesso e nessa postagem mostro como foram essas coleções.

A coleção "As Melhores Piadas" foi lançada em julho de 1985. Foram livros em formato de bolso "pocket" reunindo tirinhas da Turma da Mônica que saíram em jornais de todo o Brasil. Esse título já tinha sido usado antes em livros de tiras da Editora Abril entre 1974 a 1978, sendo que tinham um formato horizontal (bem semelhante aos mais recentes "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" da Panini ente 2007 a 2011), e nos anos 80 fizeram uma 2ª série com esse título com um formato diferente. Esses dos anos 70 eu não tenho.

Inicialmente "As Melhores Piadas" seriam edições especiais mensais de 6 edições, que iriam circular entre julho e dezembro de 1985. Seriam da Mônica, Cebolinha, Cascão, Chico Bento, Bidu e Penadinho. Tiveram ao mesmo tempo edições desse formato da Disney. Com o sucesso, a MSP resolveu prolongar a série se tornando um título fixo mensal a partir de 1986. Foram 18 edições até dezembro de 1986 com tiras maravilhosas, abordando as principais características dos personagens e sem sobra do politicamente correto.

Tirinha tirada de "As Melhores Piadas do Penadinho Nº 6" (1985)

Cada volume teve capa cartonada plastificada e miolo em papel jornal, formato lombada 10,5 X 17,5 cm, 84 páginas, uma tira por página, totalizando cerca de 75 tiras por edição. As tiras eram originais dos anos 70 e 80, entre 1977 a 1984, em preto e branco exatamente como de jornais, sem ordem cronológica, sendo organizadas na vertical, disponibilizadas com arte em quadrinhos deslocados para direita e esquerda para não ficar espaços em brancos em cada página.

Cada edição era estampada por um personagem diferente, até porque a intenção inicial era pra ter um livrinho para cada personagem diferente, aí depois foram repetindo os títulos entre eles. Nem todas as edições da Mônica, Cebolinha e Cascão eram somente do personagem em destaque, tipo, em pocket da Mônica podia ter tiras do Cebolinha, do Cascão, entre outros, mas a grande maioria era do personagem em destaque. Já os pockets de secundários como Bidu, Chico Bento, Penadinho, etc, aí eram só tiras deles mesmo em seus respectivos números.

Tirinha tirada de "As Melhores Piadas do Cebolinha Nº 15" (1986)

As capas eram formadas por tiras, um grande diferencial, já comprava lendo uma tirinha na banca. Algumas com texto e outras sem texto de acordo com cada edição. Único exemplar que não teve capa formada por tira foi a "Melhores Piadas Nº 7" de Roque Sambeiro, em janeiro de 1986, que preferiram colocar os personagens caracterizados como os personagens da novela "Roque Santeiro". Embora as capas eram plastificadas, as edições entre "Nº 7" a "Nº 10" não foram plastificadas, mas depois retornaram ao estilo tradicional.

As tiras tinham de 1 a 5 quadrinhos, de acordo com cada piada, sendo  a maioria eram 3 quadrinhos cada tira. Muitas das tiras dos livros dos personagens da Turma da Mônica e do Chico Bento foram aproveitadas depois republicadas nos primeiros anos dos gibis da Editora Globo, principalmente as de 3 quadrinhos e foram coloridas para saírem nos gibis. Ficaram muitos anos mostrando as tiras desses pockets nos gibis. Já os do Bidu e Penadinho não saíram em gibis convencionais e, portanto, são todas mais raras.

Capas "As Melhores Piadas Nº 1 ao Nº 9" (1985/1986)

Além os de Bidu e Penadinho, os mais diferentes foram os "Nº 7" e "Nº 10", de Roque Sambeiro e da Tina, respectivamente. Em Roque Sambeiro foi parodiando piadas sobre novela Roque Santeiro, um grande sucesso da Rede Globo de Televisão em 1985, que a MSP resolveu entrar na onda e colocar os personagens caracterizados como os da novela e ainda mostravam piadas sobre televisão. Enquanto as outras edições eram compilações de tiras de jornais, nesse foram tirinhas inéditas especialmente para aquela edição.

O da Tina mostravam piadas sobre comportamentos dos jovens, eram tiras dos anos 70, logo depois da transição da Tina hippie. Com isso, os personagens não tinham uma característica definida e procuraram colocar os costumes que os jovens daquela época tinham. Esses, então, eu considero os mais raros da coleção até hoje, até por não ter tido volumes desses nos pockets da Editora L&PM.

Capas "As Melhores Piadas Nº 10 ao Nº 18" (1986)
Quando a MSP mudou para a Editora Globo em 1987, o título mudou para "As Grandes Piadas", já que o título "As Melhores Piadas" era da Editora Abril e a MSP não podia ficar com esse nome na Globo, ainda mais que em 1987 ainda circulavam "As Melhores Piadas" com os personagens da Disney pela Editora Abril.

Com isso, "As Grandes Piadas" da Editora Globo foi lançada nas bancas a partir de março de 1987 e ficou circulando mensalmente até a edição "Nº 20", em novembro de 1988. Seguiu o mesmo estilo,  mesmos formato e números de páginas dos exemplares da Editora Abril. Até o "Nº 12" um personagem diferente tinha destaque de título próprio na capa. Foram praticamente os mesmos da Editora Abril, de novidade foram Magali (na edição "Nº 5") e Pelezinho (na edição "Nº 7") que não tiveram títulos próprios na Editora Abril. Já Tina não teve um novo número na Globo. Assim, eu considero Magali e Pelezinho os mais raros da Globo.

Capas "As Grandes Piadas Nº 1 ao Nº 9" (1987)
A partir da edição "Nº 13", de abril de 1988, colocaram o título apenas "As Grandes Piadas da Turma da Mônica" ao invés de ser um só personagem. Então, as tiras tiveram mais abrangência de vários personagens e não só de um, até Anjinho teve mais presença de tiras solo. Na verdade, as tiras sempre foram com a turma toda, mas sendo um pocket do Cebolinha, por exemplo, tinham mais tiras com ele no total, e passando a ser Turma da Mônica foi mais equilibrado as quantidades de tiras de cada personagem por edição.

Também após a edição "Nº 13", passaram a  ter primeira metade de tiras com a Turma da Mônica e a outra metade outras turmas de secundários como anunciados na capa mensagem de "participação especial de Fulano". Foi uma forma para que personagens como Penadinho, Bidu e Chico Bento não deixassem de ter suas tiras publicadas com a mudança de título para "Turma da Mônica".

Nas edições "Nº 19" e "Nº 20", de outubro e novembro de 1988, respectivamente, passaram a colocar nas capas um desenho de personagem como mágico ao lado da tira, como se tivessem apresentando as tiras. Assim na "Nº 19" foi a Mônica apresentando a tira e na "Nº 20" foi o Cebolinha. Se tivesse continuado a coleção, provavelmente colocariam outros personagens nas capas, mas acabou a coleção sendo cancelada de repente na "Nº 20".

Capas "As Melhores Piadas Nº 10 ao Nº 18" (1988)
Sem dúvida esses livros foram uma excelente coleção, para quem gosta de ver tirinhas com leitura rápida é um prato cheio. Hoje em dia até perde um pouco de valor por conta dos pockets da Editora L&PM e de terem sido republicadas nos primeiros gibis da Editora Globo, mas muitas delas não saíram nesses pockets da L&PM e as tirinhas de 1 ou 2 quadros também não saíram nos gibis da Editora Globo, assim como as tiras do Bidu e do Penadinho, aí já seriam material inédito. 

Acho que podiam ter feito também pockets com tirinhas do Anjinho, Os Sousa e Nico Demo. Se você por encontrar algum volume desses, não pense duas vezes para comprar, vale a pena. Hoje eu só não tenho "As Grandes Piadas Nº 19" e "Nº 20" da Editora Globo. As imagens da postagens são da minha coleção pessoal. Devo ainda fazer algumas postagens aqui no Blog em breve mostrando com mais detalhes como foram algumas edições, pelo menos as das mais raras.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Pocket L&PM: Os Sousa - Uma família do barulho


Em 2018 foi lançado o pocket "Os Sousa - Uma família do barulho" pela Editora L&PM, o mais recente da coleção. Nessa postagem mostro como foi essa edição de tirinhas.

Os Sousa foi um núcleo adulto da MSP criado em 1968 de uma família composta pelo marido, pela esposa e o irmão Mano, mostrando cotidiano e os problemas de uma família tradicional brasileira, como se os leitores se vissem com as tiras e histórias mostradas. O marido trabalhava em escritório, a esposa era dona de casa e o irmão Mano era um cara folgado que vivia às custas do irmão Sousa, além de não querer nada com trabalho e mulherengo. Inicialmente saíam em tiras de jornais e depois passaram a  ter histórias mais desenvolvidas nos gibis da Mônica e Cebolinha da Editora Abril.

Esse é o segundo pocket de Os Sousa da Editora L&PM. Já havia sido lançado o pocket "Os Sousa - Desventuras em família" em 2010, marcando a volta do público a ter acesso a material dos personagens depois de muito tempo e agora um novo título com tirinhas que não saíram na edição anterior.

Capa do pocket "Os Sousa - Desventuras em família" (2010)

Esse pocket "Os Sousa - Uma família do barulho" foi lançado junto com o "Nico Demo - O rei da travessura". Ele tem 128 páginas, formato de bolso 10,5 x 17,5 cm, papel de miolo off-set e reúnem 240 tiras que saíram nos jornais, com 2 tiras por página em preto e branco, na horizontal. Já capa e contracapa foram em papel couché um pouco reforçada em vez de ser cartonada como foram todos os pockets anteriores. Desde o pocket "Procurando diversão" mudaram o tipo do papel da capa. 

Reuniram tiras entre 1977 a 1978, sendo que curiosamente foram colocadas de forma decrescente, ou seja, colocaram das tiras mais novas até a mais antiga, começando da nº 3556 até chegar a de nº 3101, com poucas puladas nesse período e prevaleceram mais as de 1978. As imagens da capa e da tirinha da contracapa foram as mesmas dessa vez, tiradas da tirinha da página 37.

Contracapa do pocket "Os Sousa - uma família do barulho"

Preço custando R$ 16,90, já foi mais barato, aos poucos vão aumentando o preço a cada lançamento. Quando iniciaram a coleção custava R$ 13,00.  Esse não consegui achar em nenhuma livraria, nem no centro da cidade, aí comprei na internet, o que foi bom que economizei pagando R$ 11,90 sem frete. Distribuição desses pockets é muito ruim, não vendem em bancas por aqui e poucas livrarias vendem.

Nas tiras desse pocket novo em geral vemos, então, essas características dessa família de personagens.  Tiras com humor bem inteligentes do nosso cotidiano, muitas delas se tornam bem atuais, mesmo sendo produzidas há mais de 50 anos.

Uma página do pocket "Os Sousa - uma família do barulho"

Por parte do casal, vemos tiras envolvendo machismo e feminismo, quem deles manda na casa, mulher demorando no banho ou para se arrumar antes do casal sair para se divertir, ela dirigindo mal dando fama que mulheres não sabem dirigir, problemas domésticos, o Sousa com problemas no escritório e com seu chefe, mão gostar da sogra, etc. Já por parte do Mano, vemos bastante tiras com ele mulherengo, indo atrás de mulheres, em campo de nudismo, além de querer se dar bem à custa do irmão e da cunhada, dando desculpas para não trabalhar, entre outras. Também tiveram tiras fazendo piadas com inflação, alta da gasolina, aluguel, violência, problemas no trânsito, eles sendo assaltados por bandidos e por aí vai. Muito bom.

Uma página do pocket "Os Sousa - uma família do barulho"

De curiosidade, eles tiveram o nome rebatizado. Inicialmente, eles eram chamados de Os Souza" com "Z" até pra diferenciar da família do Mauricio de Sousa, mas desde que criaram o pocket de 2010, passaram a colocar Sousa" com "S" e, com isso, todas as tiras que falam "Souza" nas originais foram alteradas nesse pocket, assim como aconteceu no pocket de 2010. 

Como podem ver, é um livro que vale a pena ter, não só pela raridade assim como pelo excelente conteúdo do nosso cotidiano. Um ótimo conteúdo adulto, com piadas que se tornam atuais até hoje, mesmo depois de mais de 40 anos da produção original, nada mudou e melhor que não tem sombra do politicamente correto. Todos esses pockets da Editora L&PM são muito bons. Até agora foi o último pocket lançado da Editora L&PM, infelizmente não fizeram outros depois desse até agora em 2019. Tomara que façam outros pockets, que a coleção não tenha terminado nesse de "Os Sousa".

Uma página do pocket "Os Sousa - uma família do barulho"

Para finalizar, deixo um guia atualizado de todos que foram lançados até agora, para quem se interessar em colecionar os pockets da L&PM e tem dúvidas quais foram reedições da Editora Panini de 2008. Eu expliquei melhor sobre isso AQUI. Foram lançados 21 pockets até agora e estão dispostos assim:

  • Pockets que seriam lançados pela Panini:
  1. "Mônica tem uma novidade"
  2. "Cebolinha em apuros"
  3. "Os Sousa - Desventuras em família"
  4. "Bidu arrasando"
  5. "Nico Demo - Aí vem encrenca"
  • Pockets que são reedições da Panini:
  1. "Mônica está de férias"
  2. "De quem é esse coelho"
  3. "Bidu - Diversão em dobro"
  4. "Chico Bento - Plantando confusão"
  5. "Penadinho - Quem é morto sempre aparece"
  •  Pockets novos da L&PM:
  1. "Pintou sujeira"
  2. "Chico Bento - Histórias de pescador"
  3. "Coleção 64 páginas - 120 tirinhas da Turma da Mônica" (reedição das tiras já lançadas em números anteriores até então)
  4. "Cadê o Bolo?"
  5. "Bidu - Hora do Banho"
  6. "Penadinho - Alguém viu uma assombração?"
  7. "O amor está no ar"
  8. "Chico Bento - Ê soneca boa!"
  9. "Procurando diversão"
  10. "Nico Demo - O rei da travessura"
  11. "Os Sousa - Uma família do barulho"

Na dúvida de quais tem o mesmo conteúdo, esqueça os da Panini e compre só os da L&PM.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Pocket L&PM: Nico Demo - O rei da travessura


Postagem Nº 700 do Blog. Em 2018 foi lançado o pocket "Nico Demo - O rei da travessura" pela editora L&PM. Nessa postagem faço uma resenha de como foi essa edição.

Esse é o segundo pocket do Nico Demo da Editora L&PM. Já havia sido lançado o pocket "Nico Demo - Aí vem encrenca" em 2011. Além do pocket de 2011, Nico Demo também teve um livro especial de tirinhas, "As melhores tiras do Nico Demo", pela Editora Globo, em 2003.

Outros livros do Nico Demo

Assim como os outros pockets da coleção, "Nico Demo - O rei da travessura" tem 128 páginas, formato de bolso 10,5 x 17,5 cm, papel de miolo off-set e reúnem 240 tiras que saíram nos jornais, com 2 tiras por página em preto e branco, na horizontal. Já capa e contracapa foram em papel couché em vez de ser cartonada como foram todos os pockets anteriores. Desde o pocket "Procurando diversão" mudaram o tipo do papel da capa. Reuniram tiras entre 1966 a 1971 e a imagem da capa foi tirada da tirinha da página 26 e também colocaram essa tirinha na contracapa.

Preço custando R$ 16,90, já foi mais barato, aos poucos vão aumentando o preço a cada lançamento. Quando iniciaram a coleção custava R$ 13,00. Junto com esse pocket do Nico Demo, foi lançado também "Os Sousa - Desventuras em família", sendo que esse ainda não comprei. Esse do Nico Demo achei por acaso em livraria e aí comprei, mas Os Sousa, que não encontrei em nenhuma livraria, pretendo comprar pela internet, até para ficar mais barato. Distribuição é muito ruim, não vendem em bancas aqui e poucas livrarias vendem.

Uma página do pocket "Nico Demo - O rei da travessura"

Para quem não sabe, o personagem Nico Demo foi criado em 1966 em tiras de jornais, sempre eram mudas, com exceção de cartazes e onomatopeias para poder entender a situação, quando necessário, fazendo com que os leitores entendam a piada só através dos desenhos. Os traços também eram com um efeito serrilhado, meio tremido, uma coisa característica nas tiras dele. 

Nico Demo seguia o estilo de que fazia o tipo de bom coração, com a intenção de sempre querer ajudar os outros, mas acabava atrapalhando em vez de ajudar, piorando a situação da pessoa que já estava ruim e causando muitas confusões. Em outros casos, ele era egocêntrico, egoísta, tirando proveito com o sofrimento dos outros e as vezes se passava de bonzinho, ficando dúvida se queria ajudar mesmo ou não, mas em algumas tiras ficava claro que ele queria mesmo é perturbar os outros. Suas tiras acabaram sendo censuradas, mas a MSP guardou as tiras e agora compilam em livros especiais de vez em quando.

Uma página do pocket "Nico Demo - O rei da travessura"

Nas tiras desse pocket novo em geral vemos, então, essas características do Nico Demo. Comum então ver o Nico Demo amarrar tênis de um homem gordo, mas acaba amarrando os dois cadarços na perna fazendo o homem cair, vê um garoto pobre querendo tomar sorvete e Nico Demo põe uma venda nos olhos do garoto para não vê-lo comer sorvete ao invés de dar o sorvete para ele, vê um cara se afogando em uma enchente e, ao invés de salvá-lo, acena uma bandeira para dar largada fazendo de conta que está em uma competição de natação, entre outras coisas. Tem também tiras contracenando com bandidos, diabos, coisas também impublicáveis hoje em dia. Ele raramente se dá mal nas suas tiras, nesse pocket, ele só se deu mal em poucas tirinhas.

Vale destacar que em muitas constam outros anos sem ser o ano original que saiu. Isso é porque eles colocaram as tiras dos jornais que elas foram republicadas e não dos jornais de quando saíram pela primeira vez. Até porque impossível uma tira nº 282 ser de 1966 e uma de nº 283 ser de 1970, por exemplo. Porém, a maioria das tiras foram omitidas o ano.

Contracapa do pocket "Nico Demo - O rei da travessura"

Como podem ver, é um livro que vale a pena ter pela raridade, não é qualquer lugar que se encontra as tirinhas do Nico Demo. Para quem gosta de um humor assim mais sarcástico, vai gostar desse livro. Bom que não tem sombra do politicamente correto e mais uma vantagem de ter, assim como os outros pockets da Editora L&PM.

sábado, 2 de julho de 2016

Pockets L&PM: O Amor Está No Ar / Ê, Soneca Boa! / Procurando Diversão


Em 2015 foram lançados os pockets L&PM "O Amor Está No Ar", "Ê, Soneca Boa" e "Procurando Diversão". Comprei esses e nessa postagem faço uma resenha como foram essas edições.

Em comum nos 3 pockets, eles têm 128 páginas, formato de bolso 10,5 x 17,5 cm, papel de miolo off-set e reúnem tiras que saíram nos jornais, com 2 por página em preto e branco, na horizontal, seguindo cronologia. Os textos seguem a ortografia atual e as imagens das capas foram retiradas de alguma tirinha publicada na edição. 

Os preços tiveram reajuste e os 3 custam agora R$ 16,90, contra R$ 14,90 pelo pocket "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?" e R$ 13,00 pelos demais pockets anteriores. Ou seja, estão ficando caros. Eu consegui esses com desconto comprando na internet e então saíram mais em conta. "O amor está no ar" paguei R$ 8,55, "Ê, soneca boa" por R$ 11,90 e "Procurando diversão" por R$ 10,90, em livrarias diferentes. Até os livros recentes "Coleção Histórica Mauricio - Bidu Zaz Traz" consegui comprar com descontos bem consideráveis, sendo "Bidu Zaz Traz" paguei R$ 69,50 (preço normal R$ 102,00) e "Mauricio, O Início" paguei R$ 52,45 (preço normal é 104,00). Por causa dos fretes, tudo ficou por R$ 161,00 e se comprasse pelo preço de capa, pagaria R$ 256,70. Por isso tem que pesquisar bastante e não ter pressa para comprar logo para não pagar esses preços absurdos.

Exemplares lançados em 2015

A seguir comento o que pode encontrar em cada um desses 3 pockets, pela ordem de lançamento:


Turma da Mônica: O amor está no ar

Esse pocket teve 242 tiras no total da turma toda. Apesar de aparecer a Magali na capa, as tiras não são só dela nem com tema romance ou só com personagens apaixonados. A maioria são do Cebolinha. A imagem da capa, sempre tirada de alguma tirinha da edição, foi tirada da tira da página 82. Como foram 2 tirinhas a mais (o normal é ter 240 tiras), eles tiraram do final da edição a seção "sobre o autor", falando sobre o Mauricio de Sousa.

Uma página do pocket "O amor está no ar"

Reúne tiras em ordem cronológica, do número 5300 até 5545, que saíram originalmente em jornais de 1982 e 1983, com poucas puladas. Nelas, em muitas constam outros anos sem ser o ano original que saiu, variando até 1995, mas prevalecendo 1989. Isso é porque eles colocaram as tiras dos jornais que elas foram republicadas e não dos jornais de quando saíram pela primeira vez. Até porque impossível uma tira nº 5310 ser de 1990 e uma de nº 5311 ser de 1987, por exemplo. Em algumas omitiram o ano. Os traços a gente vê bem nítido que são do inicio dos anos 80, e não do final da década.

Nas tiras, no geral, vemos situações cotidianas da Turma da Mônica, mexendo com suas principais características. envolvendo trocadilhos, politicamente incorreto e as vezes fazendo alguma crítica social, como poluição, por exemplo. Além dos 4 personagens principais tem tiras com o Anjinho também. Curiosidade, que aparece o pai da Magali com visual diferente do que estamos acostumados. Na época, ele raramente aparecia e não tinha traços definidos, e quando surgia, sempre era desenhado completamente diferente.

Uma página do pocket "O amor está no ar"

Muitas delas são conhecidas pelo grande público, já que primeiro saíram nos pockets "As Melhores Piadas" da Editora Abril e "As Grandes Piadas" da Editora Globo e logo depois aproveitadas em gibis da Editora Globo dos anos 80 e 90. Afinal, as tiras que saíam nos gibis daquela época eram republicações das de jornais, principalmente as que tiveram 3 quadros. As que são formadas por 1 ou 2 quadros dificilmente saiam em gibis e aí sim são mais raras porém quem os pockets da Editora Abril e Globo irão lembrar de algumas. 

Então, se você olhar gibis da Globo dos anos 80 e 90 que compreende essa sequência de numeração, conhece essas tiras. Na contracapa mesmo já dá para perceber isso, que a gente já viu aquela tirinha republicada no gibi 'Magali Nº 60' da Editora Globo, 1991.

Contracapa do pocket "O amor está no ar"


Chico Bento: Ê Soneca Boa!

Esse é o 3º pocket L&PM do Chico Bento, dessa vez reunindo 240 tiras entre 1978 e 1979, seguindo sequência cronológica, com poucas puladas. As tiras, compreendidas entre número de 3449 a 3720, não alcançaram a época dos gibis e dos pockets "As Melhores Piadas" da Editora Abril e "As Grandes Piadas" da Editora Globo, então são mais raras de se ver por ai. A imagem da capa desse pocket foi tirada da tirinha da página 54.

Uma página do pocket "Chico Bento: Ê. soneca boa!"

Não são tirinhas só com o Chico preguiçoso, como parece ser na capa e sim com todas as características dele e da sua turma. Não mudaram os textos, deixando os personagens sem falar caipirês como era na época. De caipirês, só a palavra "você" que colocavam "ocê" nas tiras pra indicar que eles eram da roça, só para ter uns traços caipiras nas falas dos personagens. 

Tiveram muitas tiras com o Zé Lelé, personagem criado em 1974 e que só agora passou a ter destaque maior. Mesmo assim o Chico também tinha o seu lado lerdo em muitas tiras em que o Zé Lelé não aparecia. Hiro e Rosinha aparecem bastante também. Muitas piadas com o Chico preguiçoso, que não queria trabalhar na roça, burro na escola, enganando os pais, etc. Ou seja, repleto de situações incorretas. Tem também críticas sociais, principalmente relacionadas a Ecologia.

Uma página do pocket "Chico Bento: Ê. soneca boa!"

De curiosidade a professora (que ainda não tinha nome) aparecia com traços diferentes a cada aparição, era morena, loira, mais velha, mais nova, de acordo com o desenhista. E o Nhô Lau era chamado de Seu Juca e o Chico roubava de preferência maçãs, e não goiabas. Ou seja, tinha muita diferença as histórias do Chico dos anos 70.

Contracapa do pocket "Chico Bento: Ê. soneca boa!"


Turma da Mônica: Procurando diversão

Esse pocket teve capa e contracapa em papel couché em vez de ser cartonada como foram todos os pockets anteriores. A imagem da capa foi tirada da tira da página 87. Reúne 238 tirinhas entre 1983 e 1984, mas mostra datas até 1995 porque eles colocaram do jornal que elas foram republicadas (em algumas o ano foi omitido). 

Foram puladas poucas tiras desse período, colocando as tiras de nº 5550 até 5798. Bem semelhante ao "O amor está no ar", com os traços consagrados que estamos acostumados, sendo que com muito mais tirinhas que foram aproveitadas depois em gibis e nos pockets "As Melhores Piadas" da Editora Abril e "As Grandes Piadas" da Editora Globo, principalmente as que tem 3 quadros. Para quem tem gibis da Editora Globo com tiras nessa sequência de numeração conhece com certeza.

Uma página do pocket "Procurando diversão"

São tirinhas com a turma toda, com vários temas, sendo que a princípio seria um pocket do Cebolinha por ter imagem dele na primeira página antes de começar. Notei também mais tirinhas com o Cascão do que o costume. Vemos tirinhas com as características clássicas dos personagens, trocadilhos, com muitas cenas incorretas e críticas sociais em algumas. Tem também tiras semelhantes, que se não vimos no próprio pocket, já havia saído no pocket "O amor está no ar". Ou seja, mesma piada, só que redesenhadas.

Uma página do pocket "Procurando diversão"

O pai da Magali apareceu 1 vez e com o cabelo e estilo de traços que estamos acostumados, então pode dizer que foi em 1983 a primeira vez que apareceu assim em alguma publicação, mas que nos gibis a estreia dele nos traços assim somente na história da Magali chamada "Baita fome", de 'Mônica Nº 193', de 1986.

Contracapa do pocket "Procurando diversão"

Então, os 3 pockets são muito bons,  tirinhas muito engraçadas que dão gosto de ler. Pena que os da Turma da Mônica já estão nos anos 80 e essas tirinhas não são raras, mesmo assim são divertidas do mesmo jeito. Para quem busca raridades, e dar prioridade por enquanto a um só, recomendo o do Chico por ter tiras mais raras. Já quem não gosta dos traços dos anos 70 e não tem os últimos gibis da Editora Abril e primeiros da Globo, os da Turma da Mônica vão ser melhores. De qualquer forma,  todos os 3 pockets valem a pena ter na coleção.

Para finalizar, deixo um guia atualizado de todos que foram lançados até agora, para quem se interessar em colecionar os pockets da L&PM e tem dúvidas quais foram reedições da Panini de 2008. Eu expliquei melhor sobre isso AQUI. Foram lançados 19 pockets até agora e estão dispostos assim:
  • Pockets que seriam lançados pela Panini:
  1. "Mônica tem uma novidade"
  2. "Cebolinha em apuros"
  3. "Os Sousa - Desventuras em família"
  4. "Bidu arrasando"
  5. "Nico Demo - Aí vem encrenca"

  • Pockets que são reedições da Panini:
  1. "Mônica está de férias"
  2. "De quem é esse coelho"
  3. "Bidu - Diversão em dobro"
  4. "Chico Bento - Plantando confusão"
  5. "Penadinho - Quem é morto sempre aparece"

  •  Pockets novos da L&PM:
  1. "Pintou sujeira"
  2. "Chico Bento - Histórias de pescador"
  3. "Coleção 64 páginas - 120 tirinhas da Turma da Mônica" (reedição das tiras já lançadas em números anteriores até então)
  4. "Cadê o Bolo?"
  5. "Bidu - Hora do Banho"
  6. "Penadinho - Alguém viu uma assombração?"
  7. "O amor está no ar"
  8. "Chico Bento - Ê soneca boa!"
  9. "Procurando diversão"

Na dúvida de quais tem o mesmo conteúdo, esqueça os da Panini e compre só os da L&PM.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Pocket L&PM: Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?


Nessa postagem comento sobre o pocket L&PM "Turma do Penadinho: Alguém viu uma assombração?", o mais recente da coleção.

Lançado em 2014, esse é o 2º pocket do Penadinho. O outro que foi lançado foi o "Turma do Penadinho -  Quem é morto sempre aparece", que na verdade, foi uma reedição do pocket lançado pela Panini em 2008, "As melhores Tiras do Penadinho", com conteúdo completamente igual, só mudando a capa. Então, desse eu tenho a versão da Panini que já tinha adquirido antes. Para saber outros pockets da L&PM que são reedições da Panini, entre AQUI.

Pockets do Penadinho da Panini e da L&PM: conteúdos iguais

Uma desvantagem desses livros é a distribuição. Pelo certo deveria vender em bancas e livrarias, mas não chega em todas as livrarias e as bancas daqui, muito menos. Esse pocket comprei junto com "Magali 50 Anos" na internet, pelo menos ambos com desconto. Vale lembrar que o preço original desses pockets custava R$ 13,00 e agora passou para R$ 14,90. Eu consegui na internet por R$ 12,90.

Assim como os outros pockets L&PM, "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?" tem capa cartonada, miolo off-set, 128 páginas, formato 10,5 x 17,5 cm e reúnem tiras que saíram nos jornais, com 2 por página, em preto e branco, na horizontal. Os textos seguem a otografia atual e como a imagem da capa sempre é retirada de alguma tirinha publicada na edição, dessa foi tirada da tira da página 102.

Esse volume reúne 240 tiras entre 1975 a 1977, prevalecendo 1975, já que mostram o ano das publicações originais das tiras, assim como a numeração delas, coisa diferente de "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica". As tiras seguiram uma cronologia original que saiu nos jornais até a página 98, só que sendo puladas algumas. Depois dessa página, não seguiram cronologia.

Uma página do pocket "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?"

Sobre as tiras, como não podia deixar de ser em tiras do Penadinho, elas fazem piadas misturando o mundo do cemitério com o mundo atual, o Penadinho recebe as almas novas no cemitério, querendo saber como foram parar lá, ou seja o motivo que fez o fantasma morrer. Em algumas tiras, os fantasmas ficam com aparência da causa da morte, como ficar braços espichados quando estava segurando a beira do precipício, ficar lambuzado com bolo de creme porque pediu para ser "cremado" quando morresse, entre outras. 

Também não pode faltar os absurdos típicos dos quadrinhos, como os fantasmas sentindo dor, levar surra, nascer cabelo, que as tornam mais especiais. Apenas uma tira foi seriada, ou seja, que mostrou continuação, que foi a tira do Penadinho sendo assaltado por um fantasma-ladrão.

Uma página do pocket "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?"
A maioria das tiras são mesmo o Penadinho contracenando com fantasmas desconhecidos, e dentre os que a gente conhece, com o Zé Finado e o Pixuquinha. Dos monstros, aparecem o Cranicola, Zé Vampir, Muminho e o Diabo. Mesmo assim, foram poucas tiras que eles apareceram. O Muminho, por exemplo, só apareceu em 2 tiras nesse volume. Os outros foram mais um pouco. De curiosidade, o Zé Caveirinha apareceu nesse pocket em uma tira, sendo que ele foi chamado de "Zeca Veira". Só anos mais tarde, então, que passou a se chamar Zé Caveirinha.

Eu sempre pensei que o Cranicola, Zé Vampir e Muminho haviam sido criados no final dos anos 70. É porque dificilmente apareciam, já que davam ênfase em histórias do Penadinho contracenando com fantasmas, além de ser raro sair histórias do Penadinho nos gibis da época.

Uma presença do Muminho, Cranicola e Zé Vampir que vi foi em 'Mônica Nº 31', de 1972, em uma história de 1 página com o Penadinho contando história para eles só que apenas como figuração, sem falarem nada e a piada fica a cargo do Pixuquinha. Eles eram até diferentes nas cores, com o Cranicola amarelo e o Zé Vampir com rosto rosa.

Eles foram crescendo participação aos poucos ao longo dos anos, isso quando tinha história do Penadinho, até quando foi lançado o gibi do Cascão em 1982, quando a partir daí, passaram a ter características próprias e, inclusive protagonizando histórias solo. E a criação dos novos personagens, Frank e Lobisomem e Dona Morte, deu uma outra cara a esse núcleo. Frank e Lobisomem só estrearam nos anos 80, lá por volta de 1982. Já a Dona Morte só foi criada em 1983. Com isso, eles não apareceram nas tiras desse pocket. 


Contracapa do pocket "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?"

Então, esse pocket "Turma do Penadinho - Alguém viu uma assombração?" vale a pena ter na coleção, gostei não só pela alta qualidade das tiras, mas também pela raridade, já que não foram publicadas nos gibis, apenas nos jornais da época. Aliás, todos os pockets da série são ótimos e recomendo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Mônica 40 Anos


Em 2004, foi lançada a edição especial "Mônica 40 Anos", em comemoração aos 40 anos de criação da personagem. Nessa postagem faço uma resenha sobre essa edição.

"Mônica 40 Anos" foi lançada com um ano de atraso, visto que a personagem foi criada em 1963 e, portanto, era para ser em 2003, mas o especial saiu só em abril de 2004, como consta a data do expediente. 

O livro tem 116 páginas no total, formato 21 X 27,5 cm, capa cartonada e papel de miolo de gibi convencional. A exemplo da "Mônica 35 Anos", de 1998, todas as histórias são inéditas. No miolo tem propagandas comuns que circulavam nos gibis da época.

Abre com um frontispício com o Mauricio de Sousa falando do sucesso da Mônica, e a seguir vem uma entrevista de 5 páginas com o Mauricio. Nessa entrevista, ele fala sobre a turma na escola, as novidades na internet e no cinema (lançamento do filme CineGibi), novos personagens com portadores de deficiência (não cita os nomes dos personagens e qual tipo de deficiências, mas no caso seriam o Luca e a Dorinha), além de responder o que os leitores mais pedem e de que tipos de histórias pedem mais, etc.

Na ficha técnica após a entrevista, erro ao dizer que a revista da 'Mônica Nº 1' foi a primeira revista de circulação do Mauricio. As do Bidu da Editora Continental em 1960 é que foram.

Uma das páginas  da entrevista com o Maurício

Depois, colocaram tirinhas dos anos 60 com as primeiras aparições do Anjinho e do Penadinho, que também estavam completando 40 anos, e o Maurício fala um pouco sobre esses personagens. Para constar, o Penadinho foi criado em 1963 e o Anjinho, em 1964. Então, foram reservadas 2 páginas com tirinhas do Anjinho (com 6 tirinhas no total) e 1 página do Penadinho (5 tirinhas no total).

Uma página de tirinhas do Anjinho

Uma coisa curiosa, é que até em 1963, a empresa do Mauricio se chamava "Bidulândia". Nas tiras do Penadinho que foram mostradas, aparecia "Bidulândia" nas laterais, enquanto que as do Anjinho, já era "Mauricio de Sousa Produções". Nos livros "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" isso ficou omitido, assim como as numerações das tiras, que foram mostradas em "Mônica 40 Anos".

Uma tirinha do Penadinho

As histórias foram 6 no total, contando com a tirinha final. A de abertura foi a "Mônica 40 Anos", comemorativa de 31 páginas, mostrando um passeio pelo estúdio, desde estacionamento, e como se faz os gibis. Falou sobre roteiros, desenhos, letras, arte-final, acabamento e cor, tudo com muito humor. Mostrou, inclusive, os roteiristas e os outros profissionais contracenando com os personagens, através de caricaturas e em certos momentos fotos reais deles.

A partir da parte que fala de "Letras" até o final, os traços ficaram diferentes em relação ao inicio da história. Dá a impressão que a mesma história foi feita por desenhistas diferentes. No desenho antes de "Letras" achei que ficou melhor. E nessa época, os personagens já não falavam mais "Droga!" nos gibis, visto que nessa história, o Cebolinha falou até "Papagaio!" para substituir a palavra.

Trecho da HQ de abertura "Mônica 40 Anos"

A seguir vem a história "Quem tem medo de filme de terror?", de 10 páginas, em que a Marina convida a Magali para assistir a um filme de terror na sua casa à noite, e aparece depois o Cebolinha e o Cascão também lá para fugir da Mônica, que também aparece depois. Essa achei uma história normal, que poderia muito bem sair em um gibi convencional da época, mas que resolveram colocá-la nesse especial. Além disso, acho que a Mônica ficou apagada nela, ficou sendo praticamente uma história da Marina.

Depois vem "Nimbus, Marina e Do Contra", que mostra, em 15 páginas, a origem do Nimbus, Do Contra e Marina, verdadeiros filhos do Mauricio, e como ele se inspirou para criar os personagens baseados nas personalidades reais dos filhos. Outra que acho que a Mônica ficou apagada, afinal, a edição especial é dela.

Trecho da HQ "Nimbus, Marina e Do Contra"

A história "Um dia no circo", é outra também que não é comemorativa e podia muito bem sair em qualquer gibi convencional da época. Com 9 páginas, nela, o Cebolinha é perseguido pela Mônica no circo e eles atrapalham as apresentações durante a perseguição.

Esse especial termina com a história "A origem da Mônica", escrita pelo Emerson Abreu. Ela tem 28 páginas, divididas em 6 capítulos, e um "narrador" conta, com muito humor toda a origem da Mônica, de onde ela veio e o segredo da sua força, mostrando, inclusive, que a Mônica foi adotada por uma família de elefantes, que eram retratados pelo Cebolinha, Cascão e Magali. Só que é descoberto que tudo foi plano infalível do Cebolinha com ajuda do Anjinho, que falava a história na nuvem com um megafone.

E a tirinha no final, mostra a evolução da Mônica ao longo dos 40 anos.

Trecho da HQ "A Origem da Mônica"

Esse livro "Mônica 40 Anos" foi reimpressa também em uma nova versão como formato livro mais luxuoso, com mesmo conteúdo e sem as propagandas. Foi lançada junto com as versões também de luxo de "Maurício 30 Anos", "Mônica 30 Anos" e "Mônica 35 Anos" (originais de 1990, 1993 e 1998, respectivamente). Essa versão de luxo eu não tenho. 

Aliás, uma grande mudança na versão de luxo foi a capa que é bem diferente da versão original. Acho que não deviam mudar a capa original tão radicalmente assim. A original é melhor.Abaixo, a capa dessa versão de luxo, tirada do site "Guia dos Quadrinhos":

Capa da "Mônica 40 Anos" da versão de luxo

Para mim, não achei uma edição tão boa assim, mas vale pelo valor histórico e pelo menos a data não passou em branco. Foi bom ter histórias inéditas para diferenciar, de preferência comemorativas que mostrem a sua personalidade. Não gostei da Mônica apagada em 2 histórias, já que o especial é dela. 

Podia ter bem mais curiosidades também, e não só uma entrevista com o Maurício, e podia ter tirinhas da Mônica de todos os tempos também. A edição "Mônica 30 Anos" foi, sem dúvida, a melhor desses especiais de criação dela. 

terça-feira, 27 de maio de 2014

As Tiras Clássicas do Pelezinho - Volumes 1 e 2


"As Tiras Clássicas do Pelezinho" é uma coleção da Editora Panini que reúnem as tiras do personagem e de sua turma que saíram nos jornais em ordem cronológica, desde que foi criado em 1976. Nessa postagem eu falo sobre os 2 volumes lançados até agora.

Desde 2012, Pelezinho voltou a ter gibis nas bancas, e, com isso uma série de lançamentos foram criados desde então, envolvendo republicações antigas dos anos 70 e 80, como o almanaque "As Melhores Histórias do Pelezinho" e "Pelezinho Coleção Histórica", além de revistas de passatempos e para colorir. Junto com esses títulos, foram lançados também os livros "As Tiras Clássicas do Pelezinho".

Capa do "Volume 1 "(2012)

Aproveitando o sucesso dos livros da coleção "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica", fizeram o mesmo com o Pelezinho. Então, "As Tiras Clássicas do Pelezinho" seguem o mesmo formato dos da Turma da Mônica e cada volume tem formato quadrado 21 X 21 cm, capa cartonada, papel de miolo offset e 132 páginas no total, com 3 tirinhas em preto e branco por página, na horizontal, totalizando 360 tiras no total. São vendidos em livrarias e bancas especializadas, custando R$ 19,80 cada. As capas são retiradas de imagens de várias tirinhas publicadas na respectiva edição. 

Não seguem a ortografia da época, e, sim a atual. E omitem também a numeração original das tiras. De comum também, cada volume começa com uma introdução com um convidado falando sobre a publicação (com um destaque desse texto na contracapa) e no final de cada um, aparece a seção "Notas", que mostra curiosidades e explicações sobre as tiras e aproveitar para dizer que hoje os personagens não agem de forma incorreta.

Nos 2 volumes de "As Tiras Clássicas do Pelezinho", além do público acompanhar a evolução dos traços da Turma do Pelezinho, dá para acompanhar tiras envolvendo piadas e trocadilhos do mundo do futebol. São muito comuns encontrar tiras com situações inusitadas do Pelezinho comemorar gol pulando e dando soco no ar e com seus chutes fortes de superpotência comparados a força da Mônica. 

Capa do "Volume 2" (2013)

O volume 1 foi lançado em 2012 e reúnem tiras de 1976 a 1978. São as primeiras tiras criadas e dá para ver a diferença nos traços dos personagens, principalmente a Bonga e o Cana Braba, que aparece com lábios superexagerados. Ao longo da edição, a gente vê que os desenhos foram mudando gradualmente e já mais no final, já apresentavam os traços superfofinhos, bem característico do final dos anos 70.

Como o Pelezinho foi criado em outubro de 1976, tem poucas tiras daquele ano. Foram apresentadas as características dos personagens pela primeira vez, antes mesmo do gibi ser lançado, que aconteceu em 1977. Conhecemos a Bonga que todos os meninos desejavam, o Cana Braba que jogava mal e vivia falando palavrão, o Frangão, que era goleiro e não agarrava nenhuma bola, a Samira, que oferecia seus quibes duros pra turma, entre outros.

Tiras publicadas no "Volume 1"

Todos os personagens apareceram com frequência nesse volume, só o Jão Balão, o rival do Pelezinho, que apareceu só em 1 tira na página 94, já de 1978. E a Neusinha, a namorada japonesa do Pelezinho, não apareceu porque em boa parte desse volume ela nem havia sido criado. Ela estreou nos gibis na história "Rove Story, Nô", de 'Pelezinho # 7' (Ed. Abril, 1978) e por isso as tiras desse volume não teve presença dela.

O curioso que os amigos só chamavam o Pelezinho de "Pelé" nas primeiras tiras, e só nas tiras de 1978 que passaram a chamar de "Pelezinho" em definitivo. Vale lembrar que as tiras dos jornais originais muitas vezes eram creditadas como "Pelé" e nos gibis de 1977, ele também era chamado de Pelé nas histórias. Como O Pelezinho era versão do jogador Pelé na infância, então eles chamavam o personagem de Pelé mesmo, sem apelido, e depois mudaram.

Na parte de introdução desse volume, o texto foi escrito pelo próprio Pelé, falando sobre o livro e a nova parceria com a MSP. E na seção "Notas" só teve 1 página e não mostrou muitas curiosidades interessantes, foi praticamente toda falando que nas histórias atuais não tem cenas incorretas, como não ter bandidos, não usarem armas, não falar palavrões e nem chamar alguém de "burro", entre outros.

Contracapa do "Volume 1"

Já o volume 2 foi lançado em 2013 e reúnem tiras de 1978 e inicio de 1979. Os traços são os superfofinhos característicos do final dos anos 70. Como não podia deixar de ser as piadas também são referentes ao futebol, a grande maioria.

O Frangão foi o grande destaque do volume, com muitas tiras com ele envolvendo suas lutas e tentativas frustadas em defender uma bola, sobretudo do Pelezinho, em situações absurdas e engraçadas. Ainda em relação aos personagens, a Neusinha apareceu pouco, a partir da página 49. O Jão Balão não apareceu em nenhuma tira. Ele aparecia bem nos gibis, mas em tiras não muito. Já os outros personagens tiveram boa frequência.

Tiras publicadas no "Volume 2"

A introdução desse volume foi escrita por José Alberto Lovreto, o Jal (jornalista e cartunista que criou o "Troféu HQ Mix"), e as "Notas" tiveram 2 páginas e até mostraram mais curiosidades sobre o futebol, mas, lógico, não perdendo oportunidade de falar que hoje não existe mais politicamente incorreto nas produções atuais.

Desde que foram lançados "As Tiras Clássicas do Pelezinho", não produziram mais volumes novos com a Turma da Mônica. As tiras desta coleção já estavam em 1973, e, com isso, os próximos volumes dessa coleção já vão ter muito conteúdo repetido que sairam nos pockets de tiras da L&PM e aí devem estar querendo dar um tempo. Fora que em 2013 havia  muitos lançamentos pelos 50 anos da Mônica e aí acabou não tendo um volume novo com eles.

Contracapa do "Volume 2"

Como podem ver, "As Tiras Clássicas do Pelezinho" reúnem tiras antológicas dos primórdios do personagem e sua turma, com todas as cenas incorretas tão característico da MSP da época. Vale a pena ter na coleção. Afinal, se fizessem histórias novas com os personagens nunca seria a mesma coisa, já que não falariam palavrão e nem agredir ninguém, por exemplo. Como se alguém passa a falar palavrão constantemente ou ser violenta porque leu história em quadrinhos. Até porque no caso dos palavrões são só símbolos como cobra, lagartos, bomba, representando que era um palavrão naquele quadrinho.

Capaz de ter o 3º volume agora em 2014. Pode ser que não, caso tenha o volume 8 de "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica", ou quem sabe lancem os 2 títulos ao mesmo tempo. Só espero que quando lançarem um novo para o Pelezinho não tenha aquela avacalhação de tirar o círculo em volta da boca das tiras que nem como fizeram com o almanaque "As Melhores Histórias do Pelezinho"

Pelo menos as histórias que saem no almanaque são tiradas dos últimos números do Pelezinho da Editora Abril e dá para conseguir tê-las na Coleção Histórica daqui uns 2 anos, ou até mesmo comprar as originais. Já a maioria dessas tiras são muito raras, e mudar tudo, tirando o círculo em volta da boca e colocando nariz seria inadmissível e totalmente lamentável se fizessem isso. Espero que tenham bom senso e continuem como está, ficando aquela coisa tosca e ridícula restrita só ao almanaque "As Melhores Histórias do Pelezinho" para não estragar essa coleção.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

As Melhores Tiras do Nico Demo - Editora Globo


Há algum tempo, falei sobre o personagem Nico Demo e na ocasião eu não tinha o livro "As Melhores Tiras do Nico Demo" lançado em 2003 pela Editora Globo. Consegui comprar na internet e nessa postagem comento como foi esse livro especial.

Estava à procura desse livro e consegui comprar no site "Estante Virtual" indicado pelo amigo Kleiton Gonçalves quando fiz a postagem sobre o personagem. O livro custou R$ 16,00 mais R$ 4,00 de frete, totalizando R$ 20,00. Pela raridade e ótimo estado de conservação que se encontra não achei caro, é como se estivesses comprando "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" da Panini que custa R$ 19,90 cada volume. Por isso agradeço mais uma vez ao Kleiton pela indicação. 

"As Melhores Tiras do Nico Demo" se torna raro porque foi recolhido nas livrarias quando a turma mudou de editora. Todos os livros lançados pela Editora Globo nos últimos anos, como "As primeiras histórias da Mônica", "Coleção Um Tema Só" versão livraria, reedição da Mônica nº 1 da Ed. Abril, reedições de "Maurício 30 anos", "Mônica 30 Anos", "35 Anos" e "40 Anos" e "Coleção As Melhores Tiras" da Mônica, Cebolinha e Cascão. Tudo foi recolhido no inicio de 2007, quando mudaram para Panini. Por isso são atualmente itens de colecionadores. Já livros lançados pela Panini continuam vendendo até hoje, alguns sendo encontrados em livrarias físicas ou são encontrados mais fácil na internet, muitos até ainda com preço original ou mais barato. Por exemplo, livros "Maurício de Sousa Biografia em Quadrinhos" e "Turma da Mônica Mágico de Oz" ainda vendem até hoje.

Contracapa

Esse livro "As Melhores Tiras do Nico Demo" tem capa cartonada e papel de miolo offset, 96 páginas e com formato retangular 13,5 x 21 cm. Era bem semelhante aos livros de tiras "As Melhores Piadas" da Editora Abril dos anos 70. Abre com um frontispício com o Mauricio falando sobre o personagem e porque teve que deixá-lo de lado. Interessante a ilustração que colocaram o Nico Demo desenhando bigode na foto do Maurício. 

Frontispício do livro

A seguir vem as tirinhas. Em cada página, vem 2 tirinhas, totalizando 182 tiras publicadas originalmente em jornais. Uma coisa boa é que revelam ano da maioria das tiras. Com isso, vemos que tem tiras variando entre 1966 a 1978. Eu até pensava que as tiras dele pararam de ser produzidas no inicio dos anos 70 e com esse livro descobri que estava enganado. As tiras do livro não seguem sequência cronológica, colocando tiras de variados anos em cada sequência. Informam também numeração original das tiras, coisa que também não informam em "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica". 

Tiras do livro

Diferente também do que pensava, as tiras não são iguais as que sairam do pocket L&PM "Nico Demo - Aí vem encrenca", de 2011. Como eu pensava que tinha poucas tiras produzidas, seria normal que o material fosse semelhante. Apenas duas que estão nos 2 livros, as demais são tudo diferentes. Fica a deixa, então, para que possam ser produzidos outros pockets L&PM com o Nico Demo. Afinal, foram mais de 12 anos de tiras produzidas, tem bastante material com ele.

Ao comprar o livro, dá pra conferir tiras são mudas, o que tornava bem interessante, de fazer graça só com as ações e permitir que os leitores entendam a piada só através dos desenhos. Os traços também eram com um efeito serrilhado, meio tremido, como se não tivessem arte-final. E como não podia deixar de ser com muitas situações incorretas, mostrando a essência do Nico Demo: um garoto com humor sarcástico, que gosta de aprontar e ser mal com os outros, e também com a intenção de ajudar os outros, mas acabava atrapalhando em vez de ajudar, causando muitas confusões.

Tiras do livro

O leitor confere Nico Demo fazendo coisas do tipo: jogar graveto para o cachorro pegar quando passava o homem da carrocinha perto, ver a pessoa se afogando e aproveita para estourar as bolhas que formam na água, entre outras. Não é a toa que o livro tem o subtítulo "o politicamente incorreto". Interessante também ver tiras datadas como o homem revelando filme de máquina fotográfica antiga, de forma bem caseira. Essas noltalgias são bacanas de ser ver nos gibis antigos.

Sempre bom lembrar que as tiras dessas capas estão presentes na publicação, assim como os outros livros desse gênero. Então, as tiras que aparecem na capa foram tiradas do livro das páginas 39 e 49.  E as imagens do Nico Demo na contracapa também são de tiras variadas dos livros.

Tiras do livro

Como podem ver, esse livro é muito bom e vale a pena ter na coleção, até pela raridade. Para quem gosta de tirinhas antigas é diversão garantida. Até pelo subtítulo "O politicamente incorreto" já dá pra perceber que as boas maneiras passam longe. É uma excelente aquisição e vale procurá-lo em sebos ou na internet. Recomendadíssimo.