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domingo, 16 de fevereiro de 2020

Turma da Mônica Nº 58 - Editora Panini - 2020


Nas bancas a revista 'Turma da Mônica Nº 58' da Editora Panini com um crossover entre a Turma do Penadinho e a Bruxa Viviane. Nessa postagem mostro uma resenha desse gibi.

Lançada em fevereiro de 2020, custando R$ 6,00, com formato canoa e 68 páginas e com 12 histórias no total, incluindo a tirinha final. Bom que os gibis não tiveram reajustes de preço esse ano. A Distribuição chegou um pouco mais cedo, chegando aqui no dia 13 de fevereiro. Normalmente esse título chega depois do dia 20 de cada mês aqui.

Na trama, com o título "O Encanto da Lua Cheia", escrita por Lederly Mendonça e com 24 páginas no total, Bruxa Viviane pretende fazer um feitiço durante a noite de Lua Cheia para se tornar poderosa, mas para isso precisaria de pegar baba, lágrimas e pelos e um lobisomem para colocar no feitiço. Seu gato Bóris vai atrás do Lobi no cemitério do Penadinho para levá-lo até o castelo da Bruxa (na verdade uma casa grande próximo ao Bairro do Limoeiro) e quando consegue Penadinho e seus amigos vão lá para salvá-lo, mas ao verem que a casa é bem grande e tenebrosa resolvem levar todo o pessoal do cemitério para fazer um lual lá, e com a invasão deles, dificultou o plano da bruxa Viviane de pegar com o Lobi os ingredientes para a sua poção.

Trecho da HQ "O Encanto da Lua Cheia"

Apareceu toda a Turma do Penadinho, inclusive Zé Caveirinha e Pixuquinha que raramente aparecem nos gibis atuais. Os traços ficaram aceitáveis par aos padrões digitais atuais. A capa eu gostei, ficou bem interessante, mesmo fazendo alusão à história de abertura, teve uma piadinha com os personagens da Turma do Penadinho fazendo sopa com a poção mágica que a Bruxa Viviane estava preparando. Era bom quando as capas com alusão à história faziam piadinha em cima da história, mais comum nas capas da Editora Abril e Globo e dessa vez retornaram isso. No frontispício da página 3, retratou um livro de receitas de um passo a passo de como pegar os poderes da Lua Cheia com a baba, lágrimas e pelos de um lobisomem.

Foi a primeira vez que teve história de abertura sem ser dos personagens da Turma da Mônica nesse título desde que deixou de ser Revista do Parque da Mônica. Embora tenha o crossover com a Bruxa Viviane, que pertence à Turma da Mônica, mas nada de aparecer Mônica, Cebolinha, Cascão ou Magali. Dessa vez eles não apareceram, apenas uma citação rápida no início da Bruxa Viviane falando que Magali e sua turma sempre estragam seus planos. Isso achei bom e foi o que me motivou a comprar essa edição.

Sempre achei que nessa revista tinha que ter histórias de abertura com secundários como Penadinho, Tina, Piteco, Astronauta, entre outros, e não ficar só focado com Mônica e companhia. A edição mais perto sem foco neles foi a 'Turma da Mônica Nº 40' com a "Liga dos Pets", que foi mais estrelada pelos bichos da turma, mas ainda assim teve presença rápida da Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali e fora que Bidu, Floquinho, Chovinista, Mingau e Capitão Feio pertencem á Turma da Mônica.

Trecho da HQ "O Encanto da Lua Cheia"

Curiosamente, durante a história teve um descuido e em nenhum momento colocaram o nome Bruxa Viviane, ficou com uma personagem sem nome. Penadinho e sua turma não a conheciam e até natural só a chamarem de bruxa, mas podiam ter colocado o gato Bóris a chamando de Viviane em algum momento, tipo quando ele a chama de "bela dama" na página 6, podia ter sido Viviane, ou ela mesmo podia dizer na primeira página algo do tipo "Eu, Bruxa Viviane, encontrei um encanto". Quem está começando a colecionar agora ou está muito tempo sem acompanhar os gibis pensa até que é uma personagem nova ou que colocaram especialmente só para essa história.

Para quem não sabe, a Bruxa Viviane estreou em 1998 no gibi da 'Magali Nº 239' da Editora Globo. Criada pelo roteirista Emerson Abreu, ela desejava ser a bruxa mais poderosa do planeta, mas Magali e seus amigos sempre acabavam com seus planos. Pelo visto criou uma bruxa jovem e esbelta para diferenciar do padrão de bruxa ser sempre velha, gorda e feia. parece que foi inspirada em alguma amiga dele na vida real. No início só o Emerson que escrevia histórias com ela, era bem mais perversa e aparecia de vez em quando, em períodos longos de uma história para outra.

A personagem voltou depois na Editora Panini, também aparecendo de vez em quando, aí com histórias feitas por outros roteiristas e deixando menos perversa como era no início. Ela ainda teve uma edição só dela em 'Turma da Mônica Extra Nº 2' (Ed. Panini, 2008) republicando as 3 primeiras histórias dela feitas pelo Emerson (Magali Nº 239, 264 e 336).

Trecho da HQ "O Encanto da Lua Cheia"

Já o resto do gibi seguiu o normal para os padrões atuais que vem acontecendo, bem infantis, voltados para crianças de até 8 anos de idade e com lições de morais, traços e letras horrorosos de PC. Teve mais foco com os personagens da Turma da Mônica. Esse título costuma ter um mix bem variados com histórias de secundários, mas como a de abertura foi com a Turma do Penadinho, aí parece que preferiram deixar mais a Turma da Mônica no miolo para compensar. Foram histórias curtas entre 1 a 4 páginas e a de encerramento um pouco maior com 8 páginas.

Em "Só de saber...", com 3 páginas, em que Mônica volta de férias, mas ninguém dá atenção para ela por terem outras coisas para fazer, mas mesmo assim ela fica feliz. porque pelo menos eles sentiram falta dela na sua ausência. Bem educativa, valeu pela presença da Mônica contracenando com roteirista Mario Mattoso, ela nos quadrinhos e ele na MSP, coisa rara atualmente e que era bastante comum antigamente.

Trecho da HQ "Só de saber..."

Em "Futebol contagiante", de 2 páginas, de Edde Wagner, lembra um poucos as histórias antigas do Penadinho em que boa parte protagonizada por humanos secundários mostrando a vida dela e depois o que acontece quando morre. No caso, essa história mostrou a vida do humano Reinaldinho que adorava futebol enquanto vivo e quando morre procura saber se tem futebol na vida após a morte.

Em "O Acordar Real", com 4 páginas, Tarugo volta a trabalhar como carteiro e vai entregar correspondência com o Rei Leonino enquanto estava dormindo e fica nervoso ao ver o Tarugo lá e descobrir o seu segredo quando acorda. Apesar de mostrar lição de de moral, até que foi boa essa. 

Teve 2 histórias bobas com a Marina, uma "O lápis da Marina", de 3 páginas, com a turma encontrando o seu lápis mágico na rua, com direito até da Mônica perdoar Cebolinha ao invés de bater nele, e a outra "Tatuagem fixa", de 3 páginas, com Cascão querendo fazer tatuagem feita pela Marina ao verem os seus amigos todos com tatuagem dela, pelo menos envolveu característica do cascão de não se molhar. Acho Marina tão sem graça e dessa vez não foi diferentes.

Trecho da HQ "Tatuagem fixa"

Tem também "Igualzinha ao irmão", de 3 páginas, em que o Cebolinha deixa o cabelo da Maria Cebolinha arrepiado para ficar igual a ele. Teve ainda histórias de 1 página com Franjinha, Milena e Tina. E uma observação que tem uma história de 1 página da Magali com a sua mãe sobre descarte de embalagens, que é apenas uma propaganda institucional, não pertencente à contagem de histórias do gibi, sempre tem essas histórias institucionais nos gibis, capaz de ter essa mesma em outros gibis do mês.

Termina com "Se meu brinquedo falasse", com 8 páginas, com referência ao filme "Toy Story 4", em que a Mônica pensa que o Sansão cria vida quando não tem ninguém olhando e faz o teste fingindo que ele está sozinho para ver se ele se mexe. A tirinha final foi com o Dudu.

Trecho da HQ "Se meu brinquedo falasse"

Então, pode ver que 'Turma da Mônica Nº 58' no geral foi um gibi normal, mesmo estilo que vem sendo atualmente, bem infantil mesmo. O diferencial foi a história de abertura com a Turma do Penadinho e achei legal esse tema de feitiço e boa sacada o crossover entre eles e a Bruxa Viviane. Pode considerar que foi a história mais longa deles até hoje porque as mais compridas que costumam ter são com 15 páginas no miolo, no máximo. Sendo de abertura permitiu ser maior.  Tem também à venda as suas versões em inglês e espanhol "Monica and Friends" e "Mónica y sus amigos", respectivamente

Os outros gibis do mês não comprei, não vi nada de especial neles e aí não tem resenha. O mais diferente foi do Chico Bento com a menina Tábata, amiga da Rosinha, mesmo assim não motivou a comprar. Tábata é uma nova personagem negra que vai contracenar fixa com a Turma do Chico Bento, a exemplo que fizeram com a Milena na Turma da Mônica. Ela estreou em história de abertura de 'Chico Bento Nº 57' de janeiro de 2020 e agora primeira vez aparecendo em capa de gibi, aparecendo no lugar que seria do Zé da Roça ou Hiro. Fica a dica.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Almanaque da Mônica Nº 15 - Editora Globo

Há 30 anos era lançado o 'Almanaque da Mônica Nº 15' da Editora Globo, que foi em homenagem aos 30 anos da MSP até então. Nessa postagem, faço uma resenha de como foi esse almanaque especial.

Almanaque da Mônica Nº 15 (Ed. Globo, 1989)

Lançado em novembro de 1989, ele reuniu histórias dos primeiros números dos gibis da Mônica de 1970 e 1971 pela Editora Abril. O livro "Mauricio 30 Anos" pelo visto estava com produção atrasada, deveria sair em 1989 e acabou só sendo lançado em 1990, e para não passar em branco a comemoração dos 30 anos da MSP, fizeram esse almanaque.

Na época eles não tinham costume de republicar histórias muito antigas assim, entre 18 a 20 anos, era no máximo 11 anos de diferença, sendo mais comum histórias entre 5 a 7 anos. Assim, em 1989 era mais comum nos almanaques histórias entre 1978 a 1984, sendo mais frequente a partir de 1982. Isso para ter uma ideia de como voltaram no tempo com as histórias.

Foi a primeira que vi como foi a origem da Turma da Mônica, como era os traços dos anos 70. Até já tinha visto umas ilustrações do Cascão no frontispício do 'Almanaque do Cascão Nº 6' de 1989, mas nesse 'Almanaque da Mônica' já foi mais revelador, deu para ver como era e achei muito diferente em relação aos traços dos gibis atuais até então.


Esse 'Almanaque da Mônica Nº 15' seguiu o mesmo estilo de formato dos anteriores, saindo em bancas do jeito tradicional, com preço comum que era, acrescido da inflação que aumentava o preço de uma edição para outra em todos os gibis.Teve as tradicionais 84 páginas, formato lombada, capa em papel couché e miolo com papel jornal oleoso. Mantiveram até a faixa lateral com coelhinhos, tão comuns nos almanaques na época e histórias interligadas com propagandas normais dos gibis de 1989.

A capa teve uma ilustração muito bonita ambientada na virada dos anos 60 para os anos 70 com Mônica como fotógrafa lambe-lambe querendo tirar fotos do Cebolinha, Cascão, Magali e Bidu em um calhambeque caracterizados como na época proposta, mas com os traços de 1989. Pode dizer que Cebolinha, Cascão e Magali estão caracterizados como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia. A intenção foi para os leitores entrarem no clima nostálgico da época das histórias dos gibis originais que tinham nesse almanaque.

Abre com frontispício, mostrando capas das 12 primeiras edições de 1970 e 1971 e um texto com Mauricio falando do sucesso da Turma da Mônica desde os anos 70 e ressalta que as crianças daquela época já estavam crescidas, casados e com filhos e com a reedição daquelas histórias, os pais que leram quando crianças podiam reler agora junto com os seus filhos. Imagino a emoção de quem leu os gibis originais e terem a oportunidade de reler e mostrar par aos filhos o que leu quando era criança, já que não tinha internet e nenhum meio de ler a não ser procurando em sebos e que já era difícil encontrar aquelas edições de 1970 e 1971. Nas capas ilustradas, só não mostraram as de nº 6, 9, 10 e 11.

Frontispício da edição

A seguir vem as histórias clássicas, que foram tiradas de edições do "Nº 2" até o "Nº 17" e todas escritas e desenhadas pelo Mauricio de Sousa, já que era só ele que fazia as histórias na época. Procuraram colocar histórias mais curtas para ter noção de como eram vários personagens da MSP. Teve histórias de vários personagens secundários, mas não tiveram Chico Bento e Penadinho, que só foram estrear nos gibis a partir de 1972 e não teve Astronauta, pois as histórias costumavam ser longas nos primeiros números. De histórias de abertura originais foram só a de abertura e de encerramento, as outras de miolo curtas entre 1 a  5 páginas.

A gente nota um estilo bem diferentes, não só nos traços com personagens bochechudos, bochechas pontiagudas, assim com histórias bem incorretas, cheias de absurdos e personagens se dando mal ao extremo, inclusive no final, muitas vezes sendo ridicularizados. essa fase marcou também com personagens falando de boca fechada, uma linguagem bem culta, próclises e ênclises bem colocadas, palavras não muito faladas hoje, outras bem datadas e se falavam alguma gíria ou algo informal, aparecia palavra entre aspas. Cebolinha falava trocando o R pelo L entre aspas também. Única alteração foi ortografia da época, editada para não ensinarem errado a escrita atual (coisa que até fazem hoje desde que teve a nova reforma ortográfica). De resto, tudo igual, sem alteração nenhuma, nem no estilo de cores, já que na Globo não alterava nada sem ser ortografia.

A primeira foi a clássica "Os Azuis" (MN #15, de 1971), que inclusive recebeu vários prêmios depois de lançada, e discute o problema de racismo. Mônica acorda normalmente e vai a rua e encontra todos os seus amigos com peles azuis e pensa que eles se pintaram, e eles pensam que a Mônica se pintou de laranja. Quando descobrem que a Mônica tinha aquela cor de pele sentem nojo dela por estar com cor diferente que a deles e passam a fugir dela.

Trecho da HQ "Os Azuis"

Mônica até tenta ir atrás deles, mas é em vão. Cascão ordena que a Mônica o solte e Magali fala para não bater nela e faz expressão de nojo e joga na cara que a cor laranja da Mônica é horrível. Mônica ainda é insultada pelo povo da rua, que a chamam de "coisa", que uma "alaranjada" não deve andar por aí e é perseguida por um vigilante. Ela encontra um velhinho encostado no túnel que fugiu, explica seu problema dos outros implicarem com a cor, mas ele também foge.

Aparece o Bidu e é o único que a aceita do jeito que a Mônica era. Ela comenta que todos se pintaram de azuis e estão implicando com ela só por causa da cor, mas ela continua igualzinha a eles e tem todos os sentimentos iguais a eles, como ternura, saudade, contentamento, medo, entre outros. Depois, ela vai para casa almoçar e tem a surpresa que até a mãe dela está azul e Mônica ainda ouve a voz dela vindo do quarto, achando que está "lelé".

Trecho da HQ "Os Azuis"
Em seguida, vê um espelho que não tinha na casa dela e descobre que era um espelho teledimensional, que foi parar no mundo dela por engano e o espelho a transporta de novo para o mundo dela. De volta ao mundo real, Mônica fica emocionada ao ver a mãe com sua cor normal, vai para a rua e abraça Cebolinha e Magali, falando que gostaria deles mesmo se eles fossem azuis e fica triste em saber que existe um lugar que pensam que o que é mais importante é a cor da pele.

Essa história é sensacional, Mauricio quis mostrar em que há um mundo paralelo que tem preconceito de cor de pele, mas na verdade era uma crítica ao Brasil mesmo que tem preconceito com os negros. Incrível que nos anos 70  tinha esse preconceito de racismo e que ainda é um tema atual, até hoje o povo tem preconceitos. Fica na imaginação se a Mônica sonhou aquilo tudo ou se realmente ela foi parar no mundo dos azuis, Mauricio gostava dessas histórias de situações de imaginar se aconteceu ou não.

Trecho da HQ "Os Azuis"

Em seguida vem "A história do Horácio" (MN #2, de 1970) com 3 páginas, a estreia dele nos gibis. Mostra que Horácio não tinha mãe e foi expulso da aldeia dos homens porque comia demais e teve que passar a viver na floresta por conta própria. Os dinossauros da floresta não queria amizade com ele porque era domesticado e não selvagens como eles. Horácio tenta ser selvagem e feroz e tenta desafiar um dinossauro gigante, mas ele acaba sendo chutado por ele, sendo confundido por uma pulga atrevida. No final, Horácio volta para a aldeia dos homens, com Piteco falando que vai deixar passar a noite lá, mas que era pra tratar de arranjar lugar na floresta no dia seguinte,

Essa história foi republicada de tabloides do Horácio de 1963, ano que foi criado, só que redesenhada e colorida ao estilo dos gibis dos anos 70. Seria uma história seriada com Horácio procurando um lugar na floresta após ser expulso. Interessante o crossover com Piteco, por ele ter vindo da aldeia de Lem, mas depois essa ideia não seguiu adiante e eles não se cruzaram mais nos gibis.

Trecho de "A história do Horácio"

Em "A língua do Cebolinha" (MN #7, de 1970), de 4 páginas, ele comenta a sua tristeza de trocar o "R" pelo "L" e Mônica acha que ele tem um defeito na língua e passa a puxar a língua dele, só que ela corre segurando a língua do Cebolinha pelo bairro esticando toda quando a Magali a chama. Depois que se dá conta que está segurando a língua dele, Mônica solta e acaba o deixando com boca presa. Logo depois, descobre a língua ficou na nuca e a solução foi fazer espetáculo com Cebolinha como o garoto que tem língua na nuca para arrecadar dinheiro para bem próprio se aproveitando da situação dele.

Na época tinha vários absurdos e ao invés de ter solução, acabava piorando em situações mais incorretas ao extremo, fora ridicularizar o personagem E é tipo de história em que cada página tem uma piada no final, formando tabloides independentes e juntando tudo formando uma história principal.

Trecho da HQ "A língua do Cebolinha"

Depois vem a história de estreia da Tina nos gibis (MN #8, de 1970). Na fase hippie, sempre abordando os temas hippies e os conflitos com o pai. Nessa, com 2 páginas, o pai questiona Tina sobre seu jeito de vestir e ela diz que é o estilo da filosofia hippie e que vai trabalhar fabricando medalhões e cintos com couro que encontrar. O pai até acha uma boa ideia, mas fica furioso quando descobre que ela foi vender na rua os seus cintos que estavam no armário.

HQ da Tina completa

Bidu e Franjinha estrelam uma história muda de 3 páginas (MN #3, de 1970), em que o Franjinha deixa o Bidu em um manequim sem cabeça para poder ir ao supermercado, que proibia a entrada de animais. O povo da rua começou a achar engraçado manequim com cabeça de cachorro e pensavam que o manequim estava vivo ao Bidu reagir com raiva . Aparece a polícia e várias autoridades para prender a "pessoa com cabeça de cachorro", até que Franjinha aparece e tira o Bidu do manequim e, assim,  todos saem correndo atrás deles para bater e não pregar peças neles. Nota-se que mantiveram as cores originais da revista original, deixando Franjinha com camisa azul claro e bermuda azul escuro. E é uma reedição de gibi do Bidu da Editora Continental de 1960, só que redesenhada e colorida par aos padrões dos anos 70.

Trecho da HQ do Bidu

Em "Quase um monólogo" (MN #9, de 1971), de 3 páginas, Mônica conversa com os leitores, perguntando se acham feiosa, se não preferia outro personagem no lugar, se ela não tirou outro personagem do lugar e se ainda acham que ela é chata ou metida. Até que Cebolinha aparece  e confirma tudo isso e ela bate nele, falando que certas criaturas não sabem a diferença da realidade da vida e representação. Ou seja, ela estava representando o tempo inteiro e sobrou para o Cebolinha.

Trecho da HQ "Quase um monólogo"

Na história do Raposão, de 2 páginas (MN #10, de 1971), ele trabalha de recenseador e vai na toca do Coelho Caolho. A princípio ele tinha 118 filhos, mas enquanto Raposão estava lá, á ia nascendo mais filhos, deixando Raposão com raiva de ele fazer tantos filhos em tão pouco tempo e vai atrás dele para a mata  querendo bater com a pasta

HQ do Raposão completa

Em "O medo da Mônica" (MN # 4, de 1970), de 4 paginas, um ser misterioso fica impressionado com a força e coragem da Mônica e bater nos meninos sem dó nem piedade e quer que ela participe de seu plano, mas quando descobre que ela tem medo de maribondo, ele desiste que a Mônica participe do plano. Na verdade, ele era um extraterrestre que queria uma criatura poderosa no planeta Terra para reinar no seu planeta e desiste da Mônica e acaba chamando o maribondo no lugar, achando que ele é a criatura mais poderosa do planeta.

Trecho da HQ "O medo da Mônica"

Papa-Capim tem um tabloide (MN #5, de 1970) em que ele e Cafuné estão preocupados com uma plantinha que estava murcha por falta de chuva. Eles fazem dança da chuva, mas exageram, fazendo alagar a selva toda. Era raro de ter histórias do Papa-Capim nos anos 70, quando tinha eram histórias de 1 página assim.

HQ do Papa-Capim completa

Em "Ai, que dor de dente" (MN #5, de 1970), com 5 páginas, mostra o sofrimento do Cebolinha com uma dor de dente e Cascão e Mônica tentam ajudá-lo, mas fazendo coisas absurdas como puxar o dente com barbante, mudar o laço que estava na cabeça dele para ficar mais bonito. No final, Mônica o leva amarrado para o dentista, que acaba tirando o dente errado. Mauricio gostava de ridicularizar o Cebolinha nas suas historias, essa foi mais uma. E novamente uma piada independente em cada página que juntas forma uma história.

Trecho da HQ "Ai, que dor de dente"

Em "O coelho da Mônica" (MN #12, de 1970), com 2 páginas, Cebolinha e Cascão reclamam que o coelho da Mônica, (ainda sem nome) tinha criado vida e estava batendo neles sozinho. Mônica não acredita, mas no final acaba levando uma surra do coelho e fica de olho roxo, confirmando o que os menins disseram e pede desculpas a eles.

HQ "O coelho da Mônica"

Tina  tem mais uma história, de  xx páginas (MN #17, de 1971) em que ela idolatra o John Lennon e seu irmão Toneco passa a falar mal, que ele usa peruca, e aí Tina e Toneco brigam, Toneco a chama de macaco de auditório e Tina fala que quem é a avó deles, a Vovoca. No final, eles encontram Vovoca comprando um poster do John Lennon, confirmando que ela também é fã e macaca de auditório do John Lennon.

Trecho da HQ da Tina

Em "Moni X Cão" (MN #12, de 1971), de 6 páginas, Mônica tenta salva rum cachorrinho da carrocinha. As vezes defende o homem da carrocinha d elevá-lo por não ser vacinado, outras vezes defende o cachorrinho por não querer que ele se transforme em sabão. No final, o cachorrinho é vacinado e recebe sua licença, mas Mônica é perseguida pelo homem da carrocinha por ter dado fim a sua rede de laçar os cachorros.

Trecho da HQ "Moni X Cão"

Zum e Bum estrelam a história "A fuga" (MN #2, de 1970), de 3 páginas. Nela, eles tentam fugir do presídio com Zum colocando o Bum dentro da comida para despistar os sentinelas. Só que eles não contavam que a comida ia para os ciclopes que vigiavam bandidos fugitivos da prisão, e, com isso, o plano não deu certo mais uma vez. Foi a estreis deles nos gibis e interessante mostrar no título que Piteco apresenta Zum e Bum, confirmando que eles são do núcleo do Piteco.

Trecho da HQ "A fuga"

Bidu e Franjinha têm mais uma história muda, de 3 páginas (MN #5, de 1970), em que Franjinha coloca um espelho na casinha do Bidu para dar medo nele, mas tem um mistério do espelho mordê-los, deixando s 2 com medo, pensando que era uma assombração. No final ,descobre que era uma toupeira que tinha se escondido na casinha depois do Franjinha ter colocado o espelho lá.

Trecho da HQ do Bidu

O almanaque termina com a história "C.B. A nuvenzinha mau-caráter" (MN #12, de 1971), de 10 páginas, em que a turma está vendo nuvens no céu, até que uma nuvem rebelde chamada Cúmulus Nimbus (C.B.) cria vida e ameaça a Mônica de participar de seu plano de dominar o mundo.

Trecho da HQ "C.B. A nuvenzinha mau-caráter"

A nuvem C.B. a obriga ir a rádios e jornais anunciar que a população toda tenha que ferver água para formar novas nuvens que farão destruir o planeta. Na véspera do plano, durante a noite, a nuvem C.B. se transforma em líquido em um copo que estava no quarto da Mônica para descansar, só que a Mônica acaba tomando a água, e, com isso, engolindo e destruindo a nuvem, terminando os planos dela assim. Após tomar a nuvem, Mônica esquece de tudo e pensa que foi tudo um sonho e volta a dormir tranquilamente. Muito boa essa, ponto alto foi a Mônica beber a própria nuvem do mal. Os absurdos eram altos na época.

Trecho da HQ "C.B. A nuvenzinha mau-caráter"

A tirinha final foi inédita, desenhada com o estilo dos anos 70. Ficou muito igual e quem não tinha os gibis originais pensava que era uma republicação como as outras, mas foi inédita, já que nos primeiros números não tinham tirinhas nesse formato de 3 quadros ocupando uma coluna. Isso só aconteceu a partir de 1973, com o lançamento dos gibis do Cebolinha. A seguir essa tirinha inédita.

Tirinha da edição

Então é um almanaque histórico, reunindo várias histórias clássicas dos primórdios da MSP depois de muito tempo sem o público ver até então. Hoje em dia os leitores pôde ver essas histórias na "Coleção Histórica", mas em 1989 o acesso era difícil. Foi uma excelente comemoração aos 30 anos da MSP e prova que não precisa fazer edição de luxo, mostra que uma edição saindo em bancas normalmente com preço acessível pode ser especial da mesma forma. Só ppodiam ter colocado pelo menos alguma da "Nº 1" também, mas nada que estrague a edição por causa disso. Muito bom relembrar esse 'Almanaque da Mônica Nº 15' há exatos 30 anos.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Mônica Nº 600

Esse mês de outubro de 2019 a revista 'Mônica' comemora a marca de 600 edições. Nessa postagem mostro como foi esse gibi especial.


A revista 'Mônica' foi lançada em maio de 1970 pela Editora Abril e juntando todas as séries de numerações de todas as editoras que passou (Abril, Globo e Panini), essa edição "Nº 54" da 2ª série da Panini é a verdadeira "Nº 600", e, com isso, levou 49 anos para atingir essa marca. A tendência agora é sempre a cada 100 edições ter uma revista especial comemorando a marca com edições redondas. Na Panini já tiveram Mônica, Cebolinha e Magali "Nº 500", além de Cascão e Chico Bento "Nº 700".

'Mônica Nº 600', então, tem a história de abertura especial com a data e o resto do gibi é com histórias normais da turma toda. Segue o estilo tradicional de gibi formatinho com lombada, 84 páginas e preço de R$ 7,00, como vem sendo, bem caro por sinal um gibi de lombada da Mônica custar esse preço. A capa é uma releitura da edição "Nº 1" de 1970, fazendo alusão à história de abertura com a Mônica sendo levada por um portal no momento que segurava o carrinho do Cebolinha para dar passagem à tartaruga. Não tem frontispício comemorando a data, como foi na edição "Nº 500" de 2011, começa logo com a história de abertura.

Na trama, com o título "600 edições Grandes Emoções", com 31 páginas e escrita por Flavio Teixeira de Jesus, o vilão Cabeça de Balde captura e teletransporta a a Mônica de 1970 para os tempos atuais para impedir que a revista da Mônica chegue a 600 edições, só que a máquina que ele fez transportar a Mônica antiga é desregulada em uma tentativa da Turma da Mata tentar salvar a Mônica e, com isso, mistura "Mônicas" de diferentes épocas, percorrendo as 600 edições.

Assim, vemos a Mônica evoluindo, passando por várias histórias anteriores. Em cada passagem a Mônica é caracterizada de acordo com a história que foi retratada. Tipo, ao relembrar a Mônica da história "Um amor de ratinho" (MN #99 - Ed. Abril, 1978) ela é caracterizada como um ratinho rosa como foi na história original; ao relembrar "A jovem Frankestônica" (MN # 102 - Ed. Abril, 1978), ela se transforma em Frankestônica, e assim por diante.

Trecho da HQ "600 edições Grandes Emoções"

Temos várias lembranças de várias histórias clássicas durante a trajetória das revistas da Mônica. Entre as lembranças temos a Mini-Mônica (MN # 3, de 1970), Mônica-ermitã (MN # 6, de 1970), Mônica neném de "Tempo pra trás" (MN # 73, de 1976), Frankestônica (MN # 102, de 1978), Mônica come-come" de "Uma aventura eletrônica" (MN # 172, de 1984), Mônica vampira de "Amor dentuço" (Mônica # 54, de 1991), entre outros. Até o 3D Virtual foi lembrado, através da história "O espelho tridimensional" (MN # 95, de 1994). 

Durante a história também tem a presença de vários personagens secundários tentando salvar a Mônica presa na máquina, além de outros vilões históricos que marcaram as revistas da Mônica. Assim, temos Turma da Mata, Bidu, Piteco, Chico Bento, entre outros tentando salvar a Mônica e vemos vilões clássicos que apareceram em mais de 1 história nos gibis como  a volta do Lorde Coelhão, Doutor Olimpo, Bruxa Viviane, Boneca Tenebrosa, etc. Bom ver o crossover entre os personagens, nunca ia imaginar Piteco junto com Cabeça de Balde ou Chico Bento com Boneca Tenebrosa, por exemplo. Tiveram vilões que não chegaram a ter alguma história em gibis da Mônica como os ETs do Planeta Tomba que apareceram em gibis do Cascão e Bruxa Viviane, nos gibis da Magali, mas que por serem vilões clássicos da turma, aí resolveu colocar.

Teve também os personagens da turminha caracterizados como nas histórias antigas, como "Os Azuis" (MN # 15, de 1971) e "Os bruxinhos" (MN # 95, de 1978) e destaque para a volta do Super-Horácio e presença de alguns personagens esquecidos.

Trecho da HQ "600 edições Grandes Emoções"

Ele procurou colocar histórias em que remete a Mônica fantasiada, vestida diferente ou transformada em alguma coisa e não histórias de planos infalíveis ou com vilões que apareceram em 1 só história ou ainda as que tenham lembranças a algo muito politicamente incorreto, assim lembranças com assaltantes, diabos, por exemplo, ficaram de fora. Em cada referência da história tem a citação de qual história a Mônica antiga está representada com título e qual edição saiu, ou com o Cabeça de Balde falando de qual história foi ou o rodapé mostrar a fonte da história original quando aparecia um asterístico no texto dos balões.

Interessante que não teve nenhuma lembrança dos gibis da Editora Panini. Depois das passagens de 2002 foi tudo mais corrido, apresentando mais rápido os elementos das histórias e pra não dizer que não teve nada na Panini, teve uma alusão à história de 'Mônica Nº 9' de 2016, bem apagado mesmo. Só senti falta de lembranças de histórias dos primeiros números da Globo, pois de 1986 já pulou para 1991, mas mesmo assim tiveram bastante referências aos anos 80 através dos gibis da Editora Abril.

Os traços, com desenhos de Altino Lobo e arte-final de Reginaldo Almeida, até que não ficaram ruins no geral, dá pra aceitar. Curioso que primeira vez teve uma história com Cabeça de Balde sem ser uma história do roteirista  Paulo Back, quem criou o personagem vilão. Seguiu o mesmo estilo,  e inclusive, do leitor descobrir quem é o vilão que está por trás de cabeça de balde, cada história é revelado que ele é um personagem diferente disfarçado. Outro detalhe ao Zé Vampir falar que "histórias de transformação é tão anos 1990", então sinal que atualmente eles evitam de fazer histórias com os personagens se transformando em alguma coisa. Eu gostava tanto de histórias assim e pelo visto tiraram isso dos gibis.

Trecho da HQ "600 edições Grandes Emoções"

O resto do gibi seguiu o estilo normal do que vem sendo atualmente. O gibi teve 10 histórias no total, incluindo a história de abertura e a tirinha final. Chamou a atenção de ter tido mais histórias com personagens secundários sem ser da Mônica.

Tem Do Contra com "Um cavaleiro diferente", escrita por Edde Wagner e 7 páginas em que o Do Contra convida seus amigos pra encenar um teatro com aventuras de um cavaleiro medieval que faz coisas diferentes. Em "Pequenos Grandes" escrita por Roberto Munhoz e 8 páginas, em que o Papa-Capim e Cafuné tem que passar uma noite na floresta par aprovar que são grandes guerreiros. Já em "Zap-Zap", escrita por Lederly Mendonça e com 6 páginas, Tina está preocupada que o pessoal do shopping estão todas ocupadas olhando Whatsapp e esquecem de viver bons momentos com seus amigos na vida real, ou seja, uma lição de moral para que as pessoas vivam mais o mundo real e se desligar do mundo virtual.

Trecho da HQ "Zap-Zap"
A revista tem também história da Turma da Mônica na pré-história e histórias curtas de 1 ou 2 páginas com Milena com Marina, Turma da Mata e Turma do Penadinho. História de encerramento foi "O melhor balanço do mundo", escrita por Edson Itaborahy com 6 páginas, em que a Mônica pede para o Cebolinha ajudá-la a criar um balanço de pneu na árvore e Cebolinha pensa em algo mais ganacioso, com lição de moral no final. Até que histórias com lição de moral não foram tantas dessa vez, nessa revista, mas como de costume agora tem que algo mostrando boas maneiras..

Trecho da HQ "O melhor balanço do mundo"

Então, essa revista "Mônica Nº 600" não foi ruim, vale pelas boas lembranças com as histórias clássicas da Editora Abril e Globo. Essa de abertura podia ter tido mais páginas para não ficar um final tão corrido e ter mais outras lembranças de  histórias que ficaram faltando. Pelo menos a data não passou em branco. Eu compraria essa mesmo se não tivesse nada especial por ser de "Nº 600", tanto que busquei as outras de números redondos da Globo, mas tendo algo especial melhor ainda. Como previsão é a cada 100 edições ter especial desse estilo, então podem ser lembradas em outras edições. Podiam até fazer edições relembrando capas históricas para que não ficasse tão repetido isso. Não tem informação se vai ter exemplar especial de colecionador com capa metalizada como foi na edição "Nº 500" ou um com capa variante. Acredito que não. Os outros gibis desse mês de outubro não comprei nenhum, então não tem resenha deles. Fica a dica.

sábado, 12 de outubro de 2019

Saiba Mais Nº 141 e Nº 144 - Editora Panini

Nessa postagem comento sobre as edições de "Saiba Mais Nº 141" e "Nº 144" da Editora Panini que falaram sobre o filme "Laços"  e sobre os 60 anos da MSP, respectivamente.

Capas de 'Saiba Mais Nº 141" e"Nº 144"

Essas edições saíram mais recentemente, sendo a edição "Nº 141" foi lançada em junho de 2019 e a "Nº 144", em setembro de 2019. Essa revista depois do "Nº 100" se tornou mais reedição de revistas anteriores, colocando o mesmo conteúdo interno, só mudando a capa. Quase todas foram reedições, mas em alguns números eles lançam temas novos e essas 2 edições foram inéditas e com referência ao universo da Turma da Mônica. Curiosamente único título que não reiniciou numeração após o "Nº 100".

A distribuição desse título é horrorosa, é muito raro chegar aqui, uma vez ou o outra aparece e quando tem, vem só em algumas bancas e de 1 a 3 exemplares por banca no máximo. Essa edição "Nº 141" de junho só consegui encontrar no início de agosto em uma banca no Centro da cidade por acaso perdida no meio de outros gibis e a edição "Nº 144' de setembro até que chegou aqui perto, só que foi só 1 exemplar e em apenas 1 banca. Podiam melhorar essa distribuição, pelo menos quando forem temas inéditos ou que tenham referência a MSP.

No geral, as revistas "Saiba Mais" têm periodicidade mensal, 36 páginas, formato 19 x 27,5 cm, capa em papel couché e miolo em off-set, custando atualmente R$ 9,00. O preço aumentou bastante, um absurdo custar isso, por muito tempo custava R$ 5,70. Seguem o estilo das anteriores, com uma história, 4 páginas de passatempos, páginas de curiosidades e jogo de montar. Os passatempos são relacionados ao tema, estilo "exercícios de fixação" do que foi falado na história. A seguir comento sobre cada edição

Saiba Mais Nº 141 - Como se faz um um filme

Lançada em junho de 2019, com 20 páginas no total divida em 2 partes, a história mostra os bastidores do filme "Laços", que foi lançado nos cinemas no final de junho. Escrita por Flavio Teixeira de Jesus, a gente acompanha o Louco no set de filmagem do filme "Laços", mostrando desde como tiveram a ideia de criar o filme, passando pelos primeiros preparativos,  a escolha dos atores, os profissionais envolvidos no filme, como foi a filmagem. Mostra também as funções de diretor e produtores em um filme, o que é "story board" e coisas que acontecem em uma filmagem de qualquer filme convencional, daí o tema ser sobre como criar um filme e não terem colocado apenas que foi sobre o filme "Laços".

Trecho de "Saiba Mais Nº 141 - Como se faz um filme"

O Louco é quem comanda a edição, que interage com o diretor Daniel Rezende do filme, que  vai explicando sobre os bastidores, com mistura de humor e explicações. Legal ver realidade e ficção juntas, ver como foi os bastidores do filme misturado com a metalinguagem dos quadrinhos, ver atores e diretores contracenando com a turminha e todas as curiosidades envolvidas. Eles até colocaram Mônica Iozzi, Paulinho Vilhena e Rodrigo Santoro na história, assim como os atores que fizeram a turminha no filme contracenando com os personagens. Bem interessante.

Quando criaram o filme "Mônica e a sereia do rio" em 1987, chegaram a criar uma história no gibi da 'Mônica Nº 5' da Editora Globo mostrando os bastidores, mas criando uma aventura imaginária com o Capitão Feio invadindo o set de filmagem. Já nessa "Saiba Mais" sobre "Laços" foram os bastidores reais só com uns elementos imaginários de personagens em quadrinhos interagindo com atores para ter um pouco de humor na edição.

Trecho de "Saiba Mais Nº 141 - Como se faz um filme"

Os traços que ficam a desejar um pouco, normalmente nessas revistas "Saiba Mais " os desenhos ficam bem digitais mesmo, mas pelo menos o roteiro foi bom. Depois vem passatempos sobre o conteúdo da história e no final da revista há uma página de outras curiosidades que ficaram de fora da história, comentando um pouco mais detalhado o que foi citado na história e não dava para dar detalhes nela para não deixar tão didático.

No meio veio de brinde de montar uma cena 3D. Curioso que diz que é para a criança pedir para um adulto cortar a miniatura, deixando bem politicamente correto, com intenção da criança não se machucar ao usar uma tesoura. Do jeito que colocaram, é como que crianças não podem mais mexer em tesoura, só que assim nunca têm coordenação motora para cortar, o ideal seria elas cortarem com uma tesoura sem pontas, mas não impedir de elas terem essa tarefa, até para se divertirem cortando a sua miniatura.

Trecho de "Saiba Mais Nº 141 - Como se faz um filme"

Saiba Mais Nº 144 - 60 anos de Mauricio de Sousa Produções

Lançada em setembro de 2019, com 20 páginas no total divida em 2 partes, a história mostra uma homenagem aos 60 anos da MSP, contando um pouco sobre o histórico da MSP e onde está e como é o estúdio atualmente. Com isso, mostra a trajetória da MSP, desde a sua criação até a atualidade.

Nela, a turminha se disfarça como leitores visitantes para poderem conhecer a MSP e é guiada pela recepcionista de visitantes da MSP. Mônica se passa por Molica; Cebolinha, por Celinha; Cascão, por Casnicão; e Magali , por Magabo.

Trecho de "Saiba Mais Nº 144- 60 anos e Mauricio de Sousa Produções"

A primeira parte concentrou nas sedes anteriores, mostrou desde como Mauricio iniciou sua carreira de quadrinhista e montando a sua equipe aos poucos e mudando as sedes à medida que ia crescendo a equipe. Curioso  que vemos que durante a fase clássica do período de 1964 a 1988 o estúdio era em um prédio do jornal Folha de São Paulo, dava para comportar tudo e ainda que eram poucos roteiristas e funcionários na equipe esse tempo todo. Depois que precisaram de mais gente, aí se mudaram em 1988 na Rua do Curtume até em 2017, quando foram para a sede atual. 

Já a segunda parte teve foco  na sede atual. Mostra boa parte das instalações, como os setores de editoriais, MSP ao vivo (que cuida dos espetáculos de teatro da turma), departamentos de exposições e de roteiros, gazebo para os visitantes tirarem fotos, entre outros. A sede atual foi pensada nas visitações dos leitores para se sentirem como se estivessem no universo da Turma da Mônica,. As instalações são todas temáticas com os personagens, tem até uma "Pracinha da Mônica" lá, que é um parquinho para as crianças brincarem quando visitarem. Até pensei que na edição "Turma da Mônica Nº 51" era com capa ambientada no Parque da Mônica por causa de eles estarem em brinquedos de parque, mas era essa Pracinha dentro da MSP.

Trecho de "Saiba Mais Nº 144- 60 anos e Mauricio de Sousa Produções"

A história dessa revista sempre mesclada com humor, com a turma fingindo em ser visitante s e tentando disfarçar quando dava alguma mancada que entregava que eles eram os personagens disfarçados. Também tem eles querendo ir ao banheiro toda hora durante a visita, dando um mistério do que eles fazem tanto no banheiro e o que tem nos banheiros da MSP. Os traços que ficaram a desejar, bem digitais, mas o roteiro ficou legal.

No final, tem 4 páginas de passatempos com conteúdo do que foi falado na história e 2 páginas de curiosidades dando um aprofundamento maior de coisas que ficaram vagas na história, como o que a turma foi fazer no banheiro durante a história e sobre a cadela Maria da Penha que apareceu na história, entre outras curiosidades. No meio, veio de brinde uma miniatura do Carrossel da MSP e mais uma vez falando para os adultos cortarem a miniatura, e não as crianças.

Trecho de "Saiba Mais Nº 144- 60 anos e Mauricio de Sousa Produções"

Como podem ver são edições interessantes sobre a MSP, misturam informações com humor e ajudam a se informar sobre os bastidores do filme "Laços" e da MSP. Não sou de comprar esse título, ainda mais que agora praticamente vive de reedições, mas quando envolve metalinguagem da MSP acho válido. Pena que traços não são muito bons, vale por esses conteúdos especiais e atéu tive  de achar por acaso ou então pode comprar na internet, como no site da Panini ou sites que vendem gibis ou Mercado Livre. Fica a dica.

sábado, 27 de julho de 2019

Mônica Nº 51 / Magali Nº 51 - Panini - 2019


Os gibis do mês de julho de 2019 estão especias com histórias comemorativas dos 60 anos dos Estúdios Mauricio de Sousa. Todos os gibis principais tem histórias de abertura com algo relacionado à data, menos o do Chico Bento. Então, vou fazer durante esse mês resenha dos gibis que eu comprar e nessa postagem mostro como foram os gibis do 'Mônica Nº 51' e 'Magali Nº 51'.

Tem a promoção "Fantástica Fábrica de Quadrinhos" vindo um cupom para cadastrar o código no site para sortear uma visita aos Estúdios da MSP (10 ganhadores), 10 caixas com diversas revistas e livros e assinatura de 6 meses dos gibis. Nas capas, agora tem um selo de 60 anos da MSP e nas contracapas dos gibis de julho, uma propaganda celebrando o filme "Laços" como se  fosse uma capa alternativa, mostrando o ator/ atriz que fez o personagem no filme ao lado do personagem em quadrinhos em seus respectivos gibis, menos o do Chico Bento.

A seguir mostro como foram esses gibis da Mônica e Magali, com Mônica custando R$ 7,00 com formato lombada e 84 páginas e Magali custando R$ 6,00, com formato canoa e 68 páginas.

Mônica Nº 51

O gibi teve 8 histórias, incluindo a tirinha final. A história de abertura é "Nem tão diferentes nem tão iguais". Escrita por Paulo Back e com 32 páginas no total, Mônica tem a surpresa de que os nomes dos seus amigos foram todos trocados e ela vai investigar o motivo disso junto com Milena e Marina, que estavam nos corpos da Magali e Milena, respectivamente.

A homenagem aos 60 anos dos Estúdios Mauricio de Sousa ficou restrita a mostrar imagens da primeira tirinha que a Mônica apareceu em 1963 e algumas capas dos gibis do Bidu da Editora Continental de 1960, fora isso tudo normal. Os traços, embora digitais, ficaram aceitáveis, porém tem momentos que colocaram umas  caretas absurdas e sem necessidade, que deixaram a Mônica como um monstro.

Trecho da HQ "Nem tão diferentes nem tão iguais"

Teve presença do vilão Cabeça de Balde. Ele é um personagem novo, que estreou em 'Mônica Nº 14' (Ed. Panini, 2016) em que cada história é revelado que ele é um personagem diferente, de acordo com seus objetivos, nunca tem identidade própria. E também apareceu o Doutor Spam, que até andava meio sumido, que é um professor de informática que se transforma em um vilão cibernético quando está muito nervoso e estreou em 'Mônica Nº 233' (Ed. Globo, 2005).

Trecho da HQ "Nem tão diferentes nem tão iguais"

Histórias com secundários foram com Luca e Penadinho (2 histórias). O gibi como um todo chama a atenção do exagero de histórias ensinando boas maneiras, dar lição de moral, ou as histórias são focadas nisso ou fazem questão do final ter alguma lição de moral. Só pra ter uma ideia, das 8 histórias, só as 2 do Penadinho que não foram com algo didático. Até a história de abertura teve lição de moral no final. Uma ou outra até tudo bem, mas o tempo inteiro assim acho que fica cansativo e irritante.

De destaque, "A voz da razão", escrita por Edson Itaborahy e com 7  páginas, em que a Mônica perde a voz ao gritar com o Monicão e aí sempre que seus amigos fazem alguma coisa, ela consegue aconselhar, ensinar boas maneiras, fazer os meninos se regenerarem, mesmo sem falar nada. Mais uma da safra didática e com lições de moral, e chama atenção da Mônica não bater nos meninos, sempre arrumam uma forma de desviar a atenção para eles não levarem surra, o que é muito ruim e descaracteriza muito os personagens. Na tirinha o Cebolinha também não apanhou. Mostrar meninos com cartazes ao invés de desenharem nos muros também é lamentável sempre.

Trecho da HQ "A voz da razão"

Termina com a história "A boa ação da Milena". Escrita por Paulo Back e com 8 páginas no total, Mônica estranha que mesmo que a Milena gosta tanto de bichos, mas não tem nenhum bichinho de estimação. Mostra, então ,que a característica principal da Milena em suas histórias solo será sobre o amor e carinho aos bichos e como cuidá-los e procurar adotar bichos na rua, ainda mais que a sua mãe é veterinária. Mais um lado didático nas histórias e a personagem Milena vai servir pra aumentar as boas maneiras nos gibis.

Trecho da HQ "A boa ação da Milena"

A propaganda celebrando o filme "Laços" foi essa.

Contracapa celebrando filme "Laços"


Magali Nº 51

Tem a história "A Turma do Condomínio", escrita por Edson Itaborahy e com 30 páginas. Nela, a turminha  e os outros moradores do bairro do Limoeiro estão em um condomínio que foi disponibilizado pela Dona Carmem da Esquina e onde ela é síndica também para se refugiarem de um monstro que estava rodeando o Limoeiro. A turminha faz de tudo para descer do condomínio e poderem brincar no bairro e também descobrir o mistério do monstro que está lá.

A história se passa na comemoração dos 60 anos dos Estúdios Mauricio de Sousa. Não foi tão ruim, apesar e que poderia ter mais conflitos. Os traços aceitáveis, chama atenção de muitos olhos redondos e esbugalhados, não só nesse gibi, mas como todos no geral. Vale destacar que mais uma vez os meninos não apanharam quando tiveram oportunidade. Quando Mônica ia bater neles, teve a desculpa que a Dona Carmem estava se aproximando.

Trecho da HQ "A turma do condomínio"

Dona Carmem da Esquina é uma moradora do Limoeiro barraqueira, principalmente quando as crianças estragam as orquídeas do seu quintal. Ela foi criada nos anos 2000 pelo roteirista Emerson Abreu e só aparecia nas histórias dele e agora tem aparecido em histórias e outros roteiristas. 

O que dá surpreender é que agora a Dona Carmem está magra e esbelta, bem diferente que quando foi criada em que ela era gorda a obesa. No gibi do Cascão também estava magra.  Tia Nena, que também apareceu nela, está bem mais magra do que era. A MSP agora está emagrecendo os personagens que eram gordos, como a Dona Cebola, Pipa, Thuga, Nhô Lau, Tia Nena, seguindo um padrão de beleza, mas, com isso, descaracterizando os personagens e excluindo gordos nas histórias.

Trecho da HQ "A turma do condomínio"

O gibi segue com o estilo que está sendo nos gibis da Magali. Raramente fala de comida, fome exagerada da Magali, nem pensar. E quando fala de comida nem mostra ela comendo, só citando as comidas. Para ter uma ideia, teve uma história de 1 página em que a Magali pede panquecas desenhadas com rostos dos seus amigos, mas, ao invés de comer, ela coloca as panquecas em um quadro na moldura na sua sala para ficar admirando os seus amigos estampados nelas. Como assim? Em outras épocas, Magali já tinha devorado tudo de uma vez só lá no estabelecimento. Isso tudo desanima e deixa sem graça os gibis dela.

Histórias com secundários foram com Mingau, Penadinho e Bidu. Destaque para a história do Mingau, "Ah, família", escrita por Renatta Barbosa e com 4 páginas, em que ele vai visitar um novo gato no bairro, o Norberto, mas tem a surpresa que ele está cuidando de um filhote de gambá como se fosse um filho dele, com lição de moral. Bom que teve história do Mingau na rua contracenando com outros gatos para diferenciar do que vendo só ele junto com Magali em casa, mas é ruim  porque envolve boas maneiras, ser didático, coisa frequente ultimamente. 

Termina com "O brinquedinho novo", escrita por Paulo Back e com 9 páginas, em que a Magali dá um brinquedo de gato pra ficar indo atrás do objeto e ele fica a história toda tentando segurar o brinquedo no ar. Mostrando o cotidiano dos gatos, como vendo sendo as histórias do Mingau com a Magali nos gibis dela. Traços feios digitais.

Trecho da HQ "O brinquedinho novo"

A propaganda celebrando o filme "Laços" foi essa:

Contracapa celebrando filme "Laços"

Não comprei 'Chico Bento' por não ter nada especial em relação aos 60 anos dos Estúdios Mauricio de Sousa  e aí não tem resenha desse. Foi apenas história de aniversário do Chico, como acontece todos os anos nos meses de julho dos gibis dele e inseriram um trecho com o Chico Bento transformado em Chico Bento Moço. Agora quando mostram os personagens adolescentes ou adultos, mostram em suas versões mangá ao invés de desenhar no estilo clássico. Não gosto disso, era bom quando cada história dos personagens adultos tinham desenhos diferentes, seguindo o estilo de cada desenhista.

O que dá pra concluir nos gibis atuais, é que são voltados para crianças exclusivamente até 9 anos de idade. Não tem mais conflitos, é tudo ameno e voltado ao politicamente correto e ensinamento de boas maneiras. Vilões não são mais perversos, personagens descaracterizados, sobretudo Cascão sem mostrar o medo de água e sujeira do Cascão, Magali não é mais comilona, meninos não apanham da Mônica, Chico Bento sem fazer traquinagens e bom aluno, personagens que eram gordos agora são magros. Tudo isso desanima, por isso não compro gibis atuais, só as consideradas especiais.

Comprei os gibis mais pela comemoração dos 60 anos da MSP. Na minha opinião, as melhores histórias de abertura dessas edições "N° 51" que eu comprei, na ordem de preferência, foram: Cebolinha, Turma da Mônica, Cascão, Magali e Mônica.  Sendo que o Cebolinha foi o mais diferente de todos, o que mais vale a pena. Fica a dica.