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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Personagens Esquecidos 14: Zé Fuinha e Zé Furão

Nessa postagem falo do Zé Fuinha e Zé Furão, uma dupla de personagens pertencentes à Turma da Mata que também foram para o limbo dos personagens.

Zé Furão e Zé Fuinha

Zé Fuinha e Zé Furão, também conhecidos como "os pilantras da mata", foram criados nos anos 60 em tabloides de jornais. São uma dupla que vivem de dar golpe nos personagens da Turma da Mata  para conseguir alguma coisa deles para ficarem ricos. Seguem a linha de dupla de bandidos que eram muito comuns nas histórias da MSP, onde tinha um líder que planejava os planos e o outro que era mais atrapalhado e entregava tudo. Eles nem eram considerados bandidos, apenas queriam dar golpe em cima dos outros, jogarem suas lábias para ficarem ricos, embora já teve história com eles agindo como bandidos.

Como os seus próprios nomes diz eles são uma fuinha e um furão. No caso, o Zé Fuinha era alto, magro e o líder da dupla de pilantras, quem armava os planos. Já o Zé Furão era baixinho, gordo, burro e quem entregava os planos. Normalmente se fantasiavam de alguma coisa para fingir que era alguém importante para levar alguém na conversa e tirar proveito de alguma coisa e, logicamente, sempre se dando mal no final. Às vezes nem precisava o Zé Furão entregar tudo, já que o plano era tão banal que tava na cara que era golpe e então o personagem se passava por inocente, fingindo saber de nada. Ou ficava a dúvida se não sabiam que estavam sofrendo golpe.

No início, eles só perturbavam o Jotalhão. Depois passaram a dar golpe também a outros personagens como o Rei Leonino e Coelho Caolho. Suas aparições não eram frequentes, apareciam de vez em quando, as vezes demorando alguns anos para voltarem a aparecer até sumirem de vez em meados dos anos 80.

A estreia deles nos gibis foi em 1970 na história "Caçadores de marfins", publicada em 'Mônica Nº 3' (e republicada em 'Mauricio 30 Anos', de 1990). Uma história curta de 3 páginas em que Zé Fuinha e Zé Furão armam um plano para arrancar os marfins do Jotalhão para ficarem ricos produzindo estatuetas, bolas de bilhar, teclas de piano, entre outros. Zé Fuinha aparece para o Jotalhão falando que desde que conseguiu um talismã de marfim teve um azar danado, que tudo deu errado na vida dele, que quebrou a perna, destroncou o rabo, terminou com a namorada, teve intoxicação com queijo, mas desde que jogou fora o talismã tudo passou.

Jotalhão fica impressionado e Zé Fuinha e Zé Furão chegam a pensar que ele ia arrancar os marfins por causa disso, mas Jotalhão diz que está livre desse perigo de azar, já que ele colocou uma ponte de porcelana no lugar dos marfins, arrancando e segurando na mão para eles verem, deixando Zé Fuinha e Zé Furão passados.

Tem a curiosidade de no título chamar "Raposão" e ele nem aparece. Era comum isso acontecer nas primeiras histórias deles, visto que ainda não existia o temo "Turma da Mata" e o Raposão devia ser o protagonista do núcleo. Interessante também eles falarem a palavra "azar" abertamente, já que hoje em dia essa palavra está proibida, evitando mostrar histórias sobre esse tema e quando precisa substituindo "azar" por "má sorte" ou "falta de sorte".

Trecho da HQ "Os caçadores de marfim"

Outra história de destaque com Zé Fuinha e Zé Furão foi uma sem título, apenas "Jotalhão", que saiu em 'Cebolinha nº 43' (Ed. Abril, 1976). Nela, Jotalhão cai em um buraco e fica entalado. Zé Fuinha e Zé Furão ouvem os gritos dele e como reconhecem que ele é o elefante que faz propaganda na TV, eles providenciam arrumar uma barraca e anunciar para todo mundo verem o elefante da TV para eles ganharem dinheiro e ficarem ricos. Eles atraem uma plateia de ratos para assistirem o "elefante mais famoso da TV". Nesa hora, Jotalhão afunda do buraco e vai cair no inferno. A plateia fica uma fera que o Jotalhão sumiu e correm atrás do Zé Fuinha e Zé Furão tacando pedras neles e querendo o dinheiro do ingresso de volta.

Foi só uma participação, pois do nada a história toma outra rumo quando o Jotalhão cai no inferno e a partir daí tem que provar aos diabos que está vivo e caiu por engano. O chefe dos diabos pega a ficha do Jotalhão e vê que ele é um elefante muito bom e ordena que volte para a superfície. No final, Jotalhão tapa o buraco que caiu, dizendo que não quer ver mais um diabo na sua frente, só que vê um filho do Coelho caolho disfarçado de diabo e sai correndo.

Trecho da HQ "Jotalhão"

Em "Jotalhão e o pote de ouro", publicada originalmente em 'Cebolinha Nº 88' (Ed. Abril, 1980) e republicada em 'Almanaque da Mônica Nº 19' (Ed. Globo, 1990), um duende tem que levar um pote de ouro até onde começa o arco-íris para enterrar, só que fica cansado no meio do caminho e dorme. Como ele é invisível para os olhos dos humanos e bichos, Jotalhão vê o pote de ouro e pensa que está abandonado. Zé Fuinha e Zé Furão vê o Jotalhão ao lado do pote e tentam dar um golpe para poder levar o ouro do Jotalhão, com eles falando que são da "Companhia de Transporte de Valores da Mata" e que precisam levar o ouro e que eles passam a ser os responsáveis pelo pote e carregam para longe.

O duende acorda assim que eles vão embora e percebe que levaram o pote. Ele se torna visível para o Jotalhão e pergunta o que ele fez com o ouro. Jotalhão diz que 2 caras da "Companhia de Transporte de Valores da Mata" levaram. O duende vai atrás deles. Zé Fuinha e Zé Furão enterram o pote, prometendo voltar dentro de 3 meses para pegar de volta. Só que eles enterraram bem no local aonde começa o arco-íris e o duende fica até agradecido porque fizeram todo o trabalho para ele e depois vai pegar o pote de volta para levar até a outro arco-íris.

Trecho da HQ "Jotalhão e o pote de ouro"

Depois voltaram na história "A roupa mágica", original por volta de 1982 e republicada no 'Almanaque do Cebolinha Nº 7' (Ed. Globo, 1989). Agora já com traços diferentes, típicos dos anos 80, Zé Fuinha e Zé Furão se vestem de alfaiates para dar um golpe no Rei Leonino, dizendo que vão fazer uma roupa com um material mágico e precioso para ele com uma linha de costura tão fina que só um grande rei consegue ver e um tecido com fios de sabedoria que só os inteligentes conseguem enxergar. Tudo custando a metade da fortuna do reino. Rei Leonino, muito esperto, diz que não vai precisar dos serviços deles. Eles falam que se for pelo preço, eles fazem por um terço da fortuna real. Mas Rei Leonino diz que não porque ele já está usando uma roupa mágica e pergunta se eles não estão vendo. Lógico, que ele não estava usando roupa invisível nenhuma, só estava dando o troco a eles.

Trecho da HQ "A roupa mágica"

A última história que apareceram foi em "Babás exemplares", original de 'Cebolinha Nº 155' (Ed. Abril, 1985) e republicada no 'Almanaque da Mônica Nº 27' (Ed. Globo, 1991), dessa vez com eles tentando dar golpe no Coelho Caolho e com o Zé Furão estragando o plano. Nela, eles se passam por babás recomendadas pelo Rei Leonino para cuidarem dos filhos do Coelho Caolho enquanto sai com a esposa, com intenção de aproveitarem quando os filhos estiverem dormindo para levar tudo da toca do Coelho Caolho. Só que chegando lá, descobrem que são 300 crianças em vez de 2 ou 3 como pensavam. Zé Fuinha, então, fala para o Zé Furão limpar a casa enquanto o Zé Fuinha vai colocá-los para dormir.

Depois de um tempo, eles se encontram na sala, com Zé Fuinha exausto de tanto contar historias para dormir, balançar berços e cantar canções de ninar e o Zé Furão com um saco cheio. Zé furão pergunta se eles não tinham que esperar o Coelho Caolho e sua esposa e Zé Fuinha diz que não porque o trabalho está feito. No final, Coelho Caolho e a esposa voltam para casa, admirados que a casa estava muito limpa e admirando que as babás nem esperaram o pagamento. Então, é descoberto que o Zé Furão arrumou a casa e o que tinha no saco era só lixo em vez de ter levado os objetos da casa, deixando Zé Fuinha inconformando, chorando muito.

Trecho da HQ "Babás Exemplares"

Após essa história os personagens foram para o limbo do esquecimento. Inicialmente, deve ter sido por circunstâncias de criarem várias histórias e acabarem esquecendo de criar com eles até sumirem. Com o politicamente correto adotado na MSP anos mais tarde, de não ter mais histórias com bandidos e envolvendo golpes e trapaças, aí ficou de vez descartada a volta deles.

Porém, depois de muito tempo sumidos, fizeram uma participação na história "Todos os Zés", de 'Mônica Nº 234' (Ed. Globo, 2005), 20 anos após as suas últimas aparições. Nessa história metalinguística e informativa, foram mostrados os personagens da MSP que tem "Zé" no nome, como Zé Luis, Zé da Roça, Zé Lelé, Zé Vampir, Zé Finado, etc. E o Zé Fuinha e Zé Furão apareceram nela, em 4 quadrinhos: em 3 apresentando os personagens, e em outro quadrinho mais adiante, junto com todos os outros personagens "Zés". Após essa aparição-relâmpago, retornaram ao limbo do esquecimento, ficando até hoje.

Trecho da HQ "Todos os Zés"

Então, com suas histórias, os leitores se divertiam com os seus golpes e trapaças de um jeito bem humorado, e, de certa forma, tinha lição de moral e até dava para ter coerência com o mundo real, como alertar sobre golpes de telefone, por exemplo. Enfim, Zé Fuinha e Zé Furão tinham histórias divertidas e não mereciam ir para o limbo. 

Termino com algumas capas dos gibis que têm as histórias comentadas na postagem:

Capas: 'Mônica Nº 3' (1970), 'Cebolinha Nº 43' (1976), 'Cebolinha Nº 155' (1985), 'Almanaque do Cebolinha Nº 7' (1989), 'Mauricio 30 Anos' (1990), 'Almanaque da Mônica Nº 19' (1990), 'Almanaque da Mônica Nº 27' (1991) e 'Mônica Nº 234' (2005)

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Personagens Esquecidos 13: Teveluisão


Nessa postagem falo sobre o Teveluisão, um personagem criado nos anos 60 que também se enquadra na galeria de personagens esquecidos.

Teveluisão é um personagem criado em 1964 que é obcecado por televisão. Ele adora assistir e, de tão vidrado, só quer saber de ficar na frente da televisão o tempo todo. Sabe tudo que se passa em todos os canais, desde desenhos animados a notícias de telejornais, nada escapa. Seus assuntos com os amigos são só ligados aos programas de televisão, comentar como foi o capítulo da novela, o que passou nos programas, etc. 

Como passa o dia inteiro vendo televisão, ele não sai de casa e, com isso, não brinca com a turminha, que fazem de tudo para sair e brincar com eles. Histórias com ele ainda permitem uma lição de moral de mostrar que a vida real é melhor do que ficar só em casa vendo televisão e que as crianças têm que sair para brincar e ter uma vida social.

O Teveluisão possui óculos em formato de TV, uma camisa listrada azul e branca e é um adolescente aparentando ter uns 16 anos, mesma idade do Zé Luís. Com isso, é mais velho do que os personagens da turminha. Mas sua principal característica física e mais marcante é que está sempre com um sorrisão no rosto com dentes de fora, demonstrando que está gostando dos programas e bem concentrado ao que está assistindo. Até quando ele não está contente, os dentes ficam à mostra. Isso o torna engraçado e muito simpático. Só olhando a cara dele já dá vontade de rir.

Sua primeira aparição foi em 1964 nas tiras de jornais do Cebolinha, mostrando essa sua obsessão pela televisão e piadas envolvendo assuntos ligados à TV. O Cebolinha não gostava do Teveluisão falando o tempo todo sobre TV. Era normal, por exemplo, além de fazer piadas com programas da época, mostrar sufoco que passa com a televisão, como posição de antena, imagens de TV com fantasmas, interferências, ruídos impróprios, ou seja, problemas comuns que tem com a TV analógica e o sinal precário que era, principalmente nos anos 60, época das suas tiras. Às vezes era o próprio Teveluisão que sofria interferências, como se ele estivesse transformado em TV por passar tanto tempo em frente dela.

Tirinha tirada de "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica Nº 1" (Ed. Panini, 2007)

Naquela época, Teveluisão também foi garoto-propaganda da revista "Intervalo" da Editora Abril em 1965. Tratava-se de uma revista no formato da TV Guide norte-americana, que trazia o guia de programação, reportagens e fofocas com artistas. O personagem estampava várias páginas da revista para ilustrar. Abaixo, uma página semanal de 1965, tirada do blog "Tiras Memory":

Página semanal de 1965

Teveluisão ficou um pouco sumido das tiras nos anos 60 mesmo, após 1966, mas retornou em 1971 com algumas tirinhas, como a do lançamento da TV colorida no Brasil em 1972, até voltar a ficar no limbo a partir de 1973. Recentemente a gente pôde conferir suas tiras antigas republicadas nos livros "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" Nº 1, 2, e 7 da Editora Panini.

Tirinha tirada de "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica Nº 7" (Ed. Panini, 2011)

Nos gibis, Teveluisão apareceu de vez em quando, em algumas histórias voltadas com sua característica de mania de assistir à televisão, mas a maioria foi com ele apenas participando como um personagem qualquer, interagindo com a turminha normalmente e, com isso, descaracterizando o personagem. 

Ele estreou nos gibis em 1971, na história "Cascão contra a CISCA", de Mônica nº 13', em que o Zé Luís, Mônica, Cebolinha, Xaveco, Anjinho e Teveluisão formam a "Comissão de Inconformados com a Sujeira do Cascão" para tentar dar banho nele. Na participação do Teveluisão nessa história, ele convence ao Cascão a ver TV na casa dele, mas era uma armadilha que tinha uma mangueira atrás da TV  e enquanto o cascão mexia no botão para sintonizar canal, o Teveluisão abriria a mangueira e o Cascão levava um banho. Só que faltou água no bairro justamente na hora e o Cascão não se molhou.

Trecho da HQ "Cascão contra a CISCA" ('Mônica Nº 13' - Ed. Abril, 1971)

Depois o personagem ficou no limbo do esquecimento e voltou a ser lembrado em gibis de 1983 e 1984, também fazendo participações pequenas, só que sem ser assuntos ligados à televisão e interagindo normalmente com seus amigos, ou aparecendo rapidamente para formar diálogo nas histórias. Podia ser qualquer personagem no lugar, até mesmo o Manezinho, mas preferiram colocar o Teveluisão. O que mantinha da sua característica original é sempre estar com sorrisão de dentes à mostra. 

Uma dessas histórias dessa fase que destaco é a "A turma toda", de 'Cebolinha Nº 133', de 1984,  em que um menino pequeno taca uma bola sem querer na cabeça do Cebolinha, que parte para briga, aproveitando que o menino era menor que ele. Então, a cada momento surgia um garoto valentão para ajudar o menino mais fraco que estava apanhando. O Teveluisão, então, surge, no meio da história, para ajudar o Jeremias na briga e aparece, então, outro cara maior para ajudar o garoto que estava apanhando do Teveluisão e assim por diante. Podia ser perfeitamente o Zé Luís ou outro secundário qualquer no lugar do Teveluisão.

Trecho da HQ "Todos da turma" ('Cebolinha Nº 133' - Ed. Abril, 1984)

Depois de um tempo sumido, voltou a aparecer na história "O dono da rua", em 'Cebolinha Nº 19' (Ed. Globo, 1988), fazendo uma participação também. Nela, a Mônica perde a memória quando o Cebolinha taca um pião na cabeça dela e, aproveitando isso, Cebolinha faz com que ela pense que é uma menina frágil, fraca e que é ele que usa o Sansão para bater na Mônica. Teveluisão aparece junto com  Titi e Zé Luís duvidando que o Cebolinha tenha derrotado a Mônica.

Trecho da HQ "O dono da rua" ('Cebolinha Nº 19 - Ed. Globo, 1988)

Em 1989, finalmente Teveluisão teve uma história digna com sua característica de paranoia de ver televisão. Na história "S.O.S. Teveluizão", de Mônica Nº 30', a mãe do Teveluisão procura a turminha porque andava preocupada que o filho só ficava na frente da televisão  dia todo e queria que eles o convencessem a sair para brincar. A turminha aparece lá na casa dele, perguntando quais as novidades e ele só falava o que se passava nas novelas e nos jornais.

A turminha resolve, então, dançar, andar de carrinho, pular corda na frente do Teveluisão e da TV, mas ele fica imóvel e nada tira a sua concentração no que estava passando na TV. Até que Cascão joga bola e quando chuta, a bola quebra a TV. A turma aproveita e carrega o Teveluisão para rua para brincar e aí eles fazem com que o Teveluisão brinque de balanço, carrinho de rolimã, casinha,  cabra-cega, empinar pipa, entre outras brincadeiras. No final, Teveluisão vai embora gostando de ter brincado com eles e volta logo depois com uma filmadora para gravar tudo em vídeo e poder assistir tudo na televisão depois.

Um detalhe interessante nessa história é que a grafia do nome dele foi "Teveluizão". Vai ver que foi porque em histórias anteriores a essa, ele só participava sem mostrar o nome dele, então podem ter esquecido que a grafia certa é "Teveluisão".

Trecho da HQ "S.O.S. Teveluizão" ('Mônica Nº 30' (Ed. Globo, 1989)

Depois dessa, voltou a sumir por um tempo, só aparecendo eventualmente, do tipo, aparece uma vez e some, voltando a aparecer em torno de 5 anos depois. Ou seja, depois dessa história de 'Mônica Nº 30', voltou a aparecer na história "Na frente da televisão", com Zé Luís, de 'Mônica Nº 92', de 1994.

Nela, o Zé Luís vai a casa do Teveluisão e como estava vendo televisão. Zé Luís desliga a TV para eles irem à rua. Teveluisão aceita, mas queria levar sua TV de bolso, mas Zé Luís não deixa. Na rua, Teveluisão ainda tenta ver TV nas vitrines das lojas e sempre é impedido pelo Zé Luís. No final, eles chegam na casa das 2 garotas, elas pedem para esperá-las enquanto trocam de roupa e eles asistem TV enquanto esperam, sendo que as garotas demoram tanto que, já de noite, os 2 ficam imóveis, cansados de ver tanta TV. Nessa história, o seu famoso sorrisão de dentes não ficou à mostra o tempo todo e sua camisa foi com listras amarelas.

Trecho da HQ "Na frente da televisão" ('Mônica Nº 92' - Ed. Globo, 1994)

Após essa, o personagem voltou a aparecer por volta de 1999, na história "Mônica e o Teveluisão" (republicada no 'Almanaque da Mônica Nº 108' - Ed. Globo, 2005), em que a Marina conhece o Teveluisão  e estranha o seu jeito de querer ver TV o tempo inteiro. Marina faz uns desenhos e ele estranha que não fazem movimentos e não tem som e não dá bola. Depois que Mônica e Marina vão embora para assistir novela na casa delas, o Teveluisão resolve largar a TV e fazer desenhos e pintar, aproveitando que ninguém está vendo.

Trecho da HQ "Mônica e o Teveluisão" 

Em 2004, com a criação do personagem Bloguinho, Teveluisão voltou a ter atenção, já que o Bloguinho se tornou seu irmão. Enquanto Teveluisão tem mania de assistir à televisão o tempo inteiro, o Bloguinho é vidrado em internet, computador e tecnologia. Na história de estreia do Bloguinho, de 'Cebolinha Nº 221', chamada "Internetês", Teveluisão apareceu falando ao Cebolinha e Cascão que o Bloguinho era o seu irmão e tinha que levá-lo para casa.

Trecho da HQ "Internetês" ('Cebolinha Nº 221' - Ed. Globo, 2004)
A partir daí, tiveram algumas aparições rápidas do Teveluisão quando o Bloguinho aparecia. E também teve uma participação um pouco maior na história "A menina que queria limpar a praia", de 'Magali Nº 52' (Ed. Panini, 2011). Na trama em que a Magali mostra para Denise que não se deve jogar lixo na praia, Teveluisão surge do nada e se apresenta para a Denise, que não o conhecia, falando que seu apelido é esse porque gosta de televisão e fica irritado com a Denise quando ela fala que não assiste à TV porque tem vida. Teveluisão também ajuda elas, junto com Bloguinho, os pais da Magali e Ursinho Bilu na limpeza da praia.

Trecho da HQ "A menina que queria limpar a praia" ('Magali Nº 52' - Ed. Panini, 2011)

Sua última história solo foi em 'Mônica Nº 62', de 2012, na história "Televisão de cachorro", com 2 páginas, em que a tia do Teveluisão manda cuidar do cachorro dela enquanto vai ao cabeleireiro e, como a sua TV por assinatura, fica sem sinal, ele é obrigado a sair com o cachorro. Na rua, ele faz com que o cachorro assista frangos assando em frente a padaria, enquanto ele assiste à televisão da vitrine da loja. Nessa história, ele não ficou com seu famoso sorrisão de dentes à mostra, tirando a sua marca registrada.

Trecho da HQ "Televisão de cachorro" ('Mônica Nº 62' - Ed. Panini, 2012)

Como podem ver Teveluisão é um personagem que dava para render ótimas histórias e piadas com críticas à TV e problemas de imagens e som, além de uma forma de conscientizar que não se deve ficar o dia inteiro na frente da TV e deixar a vida passar. Pena que o personagem ficou no limbo, dava muito bem para ser aproveitado melhor. Sumiu por circunstâncias de novas coisas surgindo e acabou sendo esquecido pela MSP, só retornando eventualmente. Mas atualmente podem implicar pelo motivo que o personagem pode incentivar as crianças  a ficar vendo TV em vez do contrário. 

Termino com algumas capas dos gibis que tem as histórias citadas na postagem:

Capas: 'Mônica Nº 13' (1971), 'Cebolinha Nº 133' (1984), 'Cebolinha Nº 19' (1988), 'Mônica Nº 30' (1989), 'Mônica Nº 92' (1994), 'Cebolinha Nº 221' (2004), 'Magali Nº 52' (2011), 'Mônica Nº 62' (2012)

sexta-feira, 20 de março de 2015

Personagens Esquecidos 12: Zé Munheca


Zé Munheca foi um personagem criado nos anos 60, ficou muito tempo no limbo do esquecimento e que voltou a aparecer nos gibis. Nessa postagem, falo sobre esse personagem.

Zé Munheca foi criado nos anos 60 em páginas semanais publicadas no jornal "Diário Popular" de São Paulo. Um personagem avarento, mesquinho, ou seja, um verdadeiro pão-duro, que faz de tudo para não gastar dinheiro com qualquer coisa. Tudo ele acha caro demais e acaba criando um jeitinho para compensar o preço alto.

Suas histórias sempre eram mudas, que é algo bem interessante de entender as piadas só através dos desenhos, retratando essa crítica social às pessoas avarentas, permitindo refletir e discutir até que ponto se deve gastar ou não. Ele é magro, de óculos, cabelo parecendo um bigode, sempre se vestindo de camisa vermelha. No início dos anos 70, foi até considerado como um dos principais personagens do Mauricio de Sousa até então, como consta essa página que mostro abaixo do livro "A Linguagem dos quadrinhos: o universo estrutural de Ziraldo e Mauricio", do autor Moacy Cirne, de 1971.

Trecho do livro "A Linguagem dos Quadrinhos; o universo estrutural de Ziraldo e Mauricio (1971)

Infelizmente, o Zé Munheca não ficou muito tempo circulando nos jornais. O Mauricio deixou de produzir histórias do personagem porque não gostava do personagem, achava que não tinha nada a ver com ele e se sentia mal fazendo suas histórias. Com isso, o personagem ficou de lado nos anos 70 e foi para o limbo do esquecimento ainda na fase de páginas semanais de jornais.

Depois de um tempo, Zé Munheca voltou a aparecer, dessa vez nos gibis convencionais da Ed. Abril. Estreou em 'Mônica nº 141' e 'Cebolinha nº 109', ambos de janeiro de 1982. Como ficou algum tempo sem aparecer, Zé Munheca foi até considerado como um personagem novo. é que nas capas de gibis da Editora Abril falavam que tinham a estreia de um novo personagem. Para as crianças da época podiam ser de fato uma novidade, mas para os seus pais, por exemplo, já conhecia o personagem pelos jornais.

As histórias seguiam esse estilo de serem mudas e curtas, variando de 1 ou 2 páginas no total, o contorno dos quadrinhos era serrilhado, e retratando esse lado pão duro dele. Talvez até algumas dessas histórias foram republicações das páginas semanais dos anos 60 e 70. Nessa história publicada em 'Cebolinha Nº 110' (Ed. Abril, 1982), por exemplo, ele não queria fazer a barba em barbearias porque eram caras demais e só fez quando estavam oferecendo demonstração grátis de um novo aparelho de barbear.

HQ publicada em 'Cebolinha Nº 110' (1982)

Já nessa história publicada também em 'Cebolinha Nº 110' (Ed. Abril, 1982), ele foi capaz de arrumar emprego como lanterneiro só para assistir ao filme de graça, sem pagar a entrada  do cinema e ainda pedir demissão depois do filme acabar. 

HQ publicada em 'Cebolinha Nº 110' (1982)

Porém, o personagem não ficou muito tempo nos gibis daquela época, saindo logo, no máximo em 1983. Talvez por esse fato do Mauricio não gostar do personagem, ou até pelas crianças também não terem gostado. A partir daí, ele sumiu de vez sem ter nem referência em lugar nenhum. Nem nos almanaques da Editora Globo republicaram as histórias que sairam nos gibis da Editora Abril. 

Até que em 2005,  Zé Munheca voltou a ser lembrado, aparecendo na história "Todos os Zés", de 'Mônica Nº 234'. Nessa história metalinguística e informativa, foram mostrados os personagens da MSP que tem "Zé" no nome, como Zé Luis, Zé da Roça, Zé Lelé, Zé Vampir, Zé Finado, etc. E o Zé Munheca apareceu nela, em 2 quadrinhos: um anunciando o nome dele e outro junto com todos os outros personagens. 

Quando foi falado dele na história não foi mostrado detalhes de sua personalidade, só mostrando o seu nome e dizendo que era pão duro no desenho, diferente de personagens que apareceram no início, como o Zé Luís e Zé da Roça, que deram mais detalhes. Abaixo, o trecho que o Zé Munheca aparece nessa história, junto com os outros personagens "Zé".

Trecho da HQ "Todos os Zés" , de 'Mônica N º 234' (Ed. Globo, 2005)

Após essa aparição-relâmpago, voltou a aparecer na edição especial "Lostinho Perdidinho nos Quadrinhos"  (Ed. Panini, 2007), junto com vários personagens do limbo que estavam presos na ilha todos esses anos, fazendo referência que ele era um personagem esquecido. Também foi participação com aparições bem rápidas.

Trecho de "Lostinho - Perdididnho nos Quadrinhos" (Ed. Panini, 2007)

Depois apareceu na capa da 'Mônica # 50', de 2011, e participou na história de abertura "Mistério Cinquentão", em que a Mônica vai atrás do Cebolinha e de pistas, visitando todos os núcleos de personagens. Ao visitar a ilha dos personagens do limbo, o Zé Munheca aparece com outros personagens que estão no limbo do esquecimento e, mais uma vez, fazendo referência que é um personagem esquecido. Só que ele apareceu só em 1 quadrinho. E dessa vez falou.

Trecho da HQ "Mistério cinquentão", de 'Mônica nº 50' (Ed. Panini, 2011)

Logo depois em 'Mônica nº 51' e em 'Cascão nº 51', de 2011, Zé Munheca passou a ter histórias solo inéditas nos gibis da Panini. Marcou então a volta do personagem aos gibis depois de muitos anos sem produzir nada novo, já que as outras aparições foram apenas participações. Abaixo, a história de 'Mônica Nº 51', que marcou a sua volta:

Trecho da HQ "Um presente para a namorada", de 'Mônica nº 51' (Ed. Panini, 2011)

Em vários gibis, passaram a ter histórias de 1 ou 2 páginas e mudas, continuando a ser um cara mesquinho. Eles continuaram a colocar os traços serrilhados no contorno dos quadrinhos, mas, por causa do politicamente correto, não tem aquele brilho que era nos até os anos 80, deixando tudo mais amenizado, como é de se esperar nos gibis da fase Panini. Ou seja, ele até continuou mesquinho, mas tudo tratado de forma amena. Outra diferença é que passaram a colocar título nas histórias, e não deixando apenas "Zé Munheca".

Trecho da HQ "É caro!", de 'Cebolinha Nº 68' (Ed. Panini, 2012)

Suas histórias ficaram muito frequentes em 2012, quando a maioria dos gibis tinha alguma história dele. Depois suas aparições foram diminuindo nos gibis e atualmente aparece pouco, bem raramente, mas não sumiu de vez, aparecendo de vez em quando ainda pinta nos gibis. A última aparição até o momento dessa postagem foi em história de 2 páginas em 'Turma da Mônica Nº 98', de 2015.

Zé Munheca é um personagem legal, que não mereceria ficar tanto tempo no limbo. Suas histórias retratando a avareza, sempre rendiam ótimas piadas. Tomara que continuem fazendo histórias com ele, apesar de não serem iguais às antigas por causa do politicamente correto. 

Termino mostrando as capas de alguns gibis citados das histórias do Zé Munheca dessa postagem:

Capas: 'Cebolinha Nº 110' (1982), 'Mônica Nº 234' (2005), 'Lostinho' (2007), 'Mônica Nº 50' (2011), 'Mônica Nº 51' (2011), 'Cebolinha Nº 68' (2012)

sábado, 10 de janeiro de 2015

Personagens Esquecidos 11: Manezinho


Manezinho foi um dos primeiros personagens criados pelo Maurício de Sousa e que foi esquecido, mas retornou anos depois. Nessa postagem, falo sobre esse personagem.

Criado em 1959, como o amigo do Franjinha nas tiras de jornais do "Bidu e  Franjinha", Manezinho não tinha personalidade definida, apenas foi um personagem secundário, por volta de 10, 11 anos de idade, para contracenar com o Franjinha. Nessa época foram criados também o Titi, Jeremias e Humberto, todos com essa finalidade e nenhum com característica própria, nem o Franjinha tinha, por sinal. Apenas o Humberto que já era mudo, só falando "Hum!"Hum!". O nome Manezinho provavelmente foi em homenagem ao jogador de futebol Mané Garrincha. 

Quando foi lançado o gibi do Bidu pela Editora Continental em 1960, os personagens também apareceriam nos gibis em peso, inclusive o Manezinho, mas sempre servindo apenas para contracenar com o Franjinha, como a gente pode ver na história "O Cachorro falante", que foi a de abertura de 'Bidu Nº 1', de 1960. Nela, um mágico tenta fazer o Bidu falar, mas a mágica dá errada e acaba o mágico trocando de corpo com o Bidu, fazendo com que o Franjinha pense que o Bidu está realmente falando.

Trecho da HQ "O cachorro falante" ('Bidu Nº 1' - Ed. Continental, 1960)

Dá para notar que o Manezinho apenas fez participação nela e que os traços, tanto dele como de todos os personagens, eram completamente diferentes do que a gente vê hoje e até mesmo nos anos 70. Afinal, eram os primórdios dos trabalhos do Mauricio e nem estúdio tinha ainda.

Já na história "O ovo da discórdia", em que o Bidu e os meninos encontram um ovo gigante perto do campinho e cada um faz planos para tirar proveito do ovo, já que pensavam que era de dinossauro, Manezinho teve uma participação maior, com uma página só dele, mostrando o que ele faria com o tal ovo de dinossauro.

Trecho da HQ "O ovo da discórdia" ('Bidu Nº 1' - Ed. Continental, 1960)

Manezinho apareceu também em outros gibis do Bidu da Editora Continental e nas tiras de jornais e quando o gibi foi cancelado apenas nas tiras. Em 1970, com o lançamento do gibi da Mônica pela Editora Abril, ele continuou aparecendo. Como os gibis passaram a ser coloridos, o Manezinho passou a ser colorido com camisa branca e bermuda vermelha. Logo na história de estreia de 'Mônica Nº 1', "A Mônica é daltônica?", ele faz participação no plano infalível criado pelo Zé Luís, para que a Mônica pense que é daltônica.

Nesse mesmo gibi, a história "O cachorro falante" foi relançada, só que sendo redesenhada, colorida e adaptada para o estilo dos gibis do final dos anos 60. Ou seja, tinha o mesmo roteiro, só que com mais falas, tanto que na história original de 1960 tinha 4 páginas no total, enquanto que na de 1970, passou a ter 8 páginas. Logicamente o Manezinho não podia ficar de fora nela.

Trecho da HQ "O cachorro falante" ('Mônica Nº 1 '- Ed. Abril, 1970)

Em "Quem conta um conto", de 'Mônica Nº 2', de 1970,  também teve participação do Manezinho. Nela, o Franjinha ouve um comentário que sua barriga é supérflua e ele achando que é coisa boa espalha a novidade a seus amigos, que espalham também para todo mundo só que mudando a palavra para superfluor e superfuro, causando muitas confusões.

Trecho da HQ "Quem conta um conto" ('Mônica Nº 2' - Ed. Abril, 1970)
Manezinho continuou aparecendo no início dos anos 70, até porque muitas histórias eram adaptadas dos gibis do Bidu da Editora Continental e também de tiras de jornais, já que muitas delas eram histórias que saíam diariamente de forma seriada, mostrando 3 quadrinhos por dia, ficando meses circulando. Depois, o Mauricio adaptava essas tiras dos anos 60 para serem aproveitadas em uma única história para os gibis.

Uma das últimas aparições do Manezinho em sequência foi na história "Bidu e o mágico", de 'Cebolinha Nº 15', de 1974. Nela, Bidu foge de casa depois do Franjinha reclamar que ele não sabe fazer nenhum truque que os outros cachorros fazem, e acaba virando atração de circo. Franjinha e Manezinho veem o Bidu na plateia e tentam salvá-lo de lá. Nessa, o Manezinho até estava com uma camisa azul, e, com isso, uma roupa diferente da tradicional camisa branca e bermuda vermelha.

Trecho da HQ "Bidu e o mágico" ('Cebolinha Nº 15' - Ed. Abril, 1974)

A partir daí, Manezinho aparecia só de vez em quando no decorrer dos anos 70 e depois de algum tempo mais sumido, retornou participando na história "Zé Luis, o antiatleta", por volta de 1983 e republicada em 'Almanacão de Férias Nº 5', de 1989, em que o Zé Luís dá um chute na bunda do Manezinho jogando futebol e é expulso da partida. Com isso, o Anjinho tenta ajudar o Zé Luís a escolher o melhor esporte para ele praticar, só que nenhum dá certo. Nela, o Manezinho participa só na primeira página, e já com os traços adaptados para os anos 80.

Trecho da HQ "Zé Luís, o Antiatleta" (republicada em 'Almanacão de Férias Nº 5')

Após essa aparição-relâmpago, Manezinho ficou sumido de vez, não participando mais de nada, ficando no limbo do esquecimento. Ficou sumido pelas circunstâncias de novas coisas surgindo e acabou ficando esquecido pela MSP. E ficou assim até em 2004, quando o personagem volta a aparecer nos gibis. 

Com a criação da Turma do Bermudão, o Manezinho foi lembrado e resolveram colocá-lo como integrante do grupo, junto com Franjinha, Titi e Jeremias. A Turma do Bermudão, um núcleo com personagens por volta de 10, 11 anos de idade (fase de pré-adolescência) e com histórias mostrando dilemas dessa faixa de idade de transição da infância para adolescência. Viviam de calças compridas até altura da canela cheias de bolso, denominadas "bermudões" e nas suas histórias, eles andavam juntos, falavam gírias, procuravam namoro e não aceitavam brincar com as crianças menores porque eles já se sentiam como adultos, além de querer que os outros seguissem o estilo de vida deles.

Turma do Bermudão

Em algumas histórias, um deles ficaram de fora, só mostrando 3 personagens. De vez em quando, Cebolinha, Cascão, Xaveco e outros meninos menores queriam entrar para turma deles, mas sem sucesso, até por causa da idade.

Ao invés de criarem personagens novos para esse núcleo, preferiram colocar personagens já existentes. Por coincidência, os integrantes foram os mesmos da época dos gibis do Bidu da Editora Continental, só o Humberto ficando de fora, já que a partir dos anos 70, ele passou a ter a idade de 6 anos, as mesmas do Cebolinha e do Cascão, diferente nos anos 60, quando o Humberto era mais velho, com a mesma idade do Franjinha.

Uma história de destaque foi a "Turma do Bermudão no Parque, não", de 'Parque da Mônica Nº 144', de 2004. Nela, a Turma do Bermudão vai ao Parque e os meninos estranham a presença deles lá. Cada vez que eram vistos nos brinquedos, eles disfarçam, dando desculpas que não estão brincando, apenas vendo se estão funcionando e coisas semelhantes. No final, eles aceitam que ainda são crianças e vão brincar juntos com os meninos, com uma bonita mensagem  que não se deve privar de coisas que você gosta só porque cresceu e que a sociedade acha errado.

Nessa história tem até uma curiosidade do Jeremias não aparecer junto com eles,  só que aparece nela mais crescido que a Turma do Bermudão, aparentando ter a mesma idade do Zé Luís, que tem 16 anos.

Trecho da HQ "Turma do Bermudão no Parque, não" ('Parque da Mônica Nº 144' - Ed. Globo, 2004)

Além da Turma da Bermudão, o Manezinho também a aparecer sozinho às vezes, participando das histórias com a Turma da Mônica. Com a sua volta, ele passou a ter uma característica própria: o seu nome verdadeiro passou a ser Manuel, sendo filho de portugueses e foi falado que ele sumiu porque estava morando em Portugal.

Uma das histórias que ele aparece sem ser na Turma do Bermudão foi a "Conheço você de algum lugar", de 'Cebolinha Nº 232', de 2005. Nela, Dudu encontra o Manezinho na rua e diz que não o conhece, chegando a confundir com um ET e o tenista Guga. Após ver o gibi 'Mônica Nº 1' de 1970 do seu pai, Dudu descobre quem era o Manezinho, só estranhando que tinha cara pontuda. Manezinho revela, então, esse fato que sumiu porque estava morando em Portugal com os pais e que voltou. No final, depois do Manezinho ir embora, o Dudu encontra o Nico Demo, perguntando se  conhece de  algum lugar, começando a confusão novamente. tem umas tiradas engraçadas, o que estraga são as caretas exageradas, já comuns na época.

Trecho da HQ "Conheço voc~e de algum lugar" ('Cebolinha Nº 232' - Ed. Globo, 2005)

Em 2007, Manezinho ganhou um irmão caçula, o António Alfacinha, que veio de Portugal para morar com ele. Estreou em 'Cebolinha Nº 7' na história "António Alfacinha (O miúdo luso)", dividida em 3 partes, em que o Alfacinha ensina a Turma do Bermudão e o Cebolinha palavras curiosas da linguagem portuguesa, como "encarnada" que significa "vermelha", "catita", que é "engraçado", "xaveco", que é "velharia", e assim por diante, e ainda participa de um plano infalível contra a Mônica.

Trecho da HQ "António Alfacinha (O miúdo luso)" ('Cebolinha Nº 7' - Ed. Panini, 2007)

Vale lembrar que nessa história, o Franjinha não pareceu na Turma do Bermudão e o personagem António Alfacinha anda sumido também dos gibis.

Manezinho continuou a aparecer com frequência em outras histórias depois dessa com a Turma do Bermudão até por volta de 2012, mas nos últimos anos, tem aparecido poucas histórias desse grupo e nem histórias do Manezinho sozinho, contracenando com a turma. Acredito que não seja uma volta do personagem ao limbo, mas é que como os gibis novos estão cada vez mais voltados a crianças bem pequenas até por volta de 8 anos, então histórias da Turma do Bermudão não correspondem com a faixa etária do público alvo. Quando algum enredo puder encaixar o Manezinho, ele aparecerá de novo e com certeza quando tiver história da Turma do Bermudão, o Manezinho estará também.

Termino mostrando algumas capas dos gibis citados na postagem com presença do Manezinho:

Capas: 'Bidu Nº 1' (1960), 'Mônica Nº 1' (1970), 'Mônica Nº 2' (1970), 'Cebolinha Nº 15' (1974), 'Almanacão de Férias Nº 5' (1989), 'Parque da Mônica Nº 144' (2004), 'Cebolinha Nº 232' (2005), 'Cebolinha Nº 7' (2007)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Personagens Esquecidos 10: Seu Juca


Nessa postagem, eu falo sobre o Seu Juca, um personagem que ficou no limbo do esquecimento por muito tempo e que voltou anos depois.

Seu Juca é um personagem esquizofrênico que desenvolveu um trauma com as crianças da Turma da Mônica, que aprontam tanto com ele, mesmo que sem intenção algumas vezes, e por isso acaba ficando louco por causa deles, sendo internado no hospício.

Ele aparece sempre com uma profissão que aparentemente não tem a menor chance de encontrar com os pestinhas da Turma da Mônica. Mas, para a sua surpresa e o seu desespero, eles apareciam de repente. Enquanto fazia de tudo para se livrar da turminha, eles aprontavam e o Seu Juca começava a ficar com raiva. Como não tem paciência com as crianças e não bate bem da cabeça, Seu Juca acabava enlouquecendo, rindo sozinho e precisava ser levado para o hospício. Ele se recuperava e voltava a exercer um emprego novo, mas voltava a encontrar com os pestinhas, começando tudo de novo. E a turminha não se mancava que ele ficava louco por causa deles.

Sua estreia foi em 1975 na história "A máquina automática", de 'Mônica Nº 65' e tinha traços completamente diferentes. Era loiro e com barba, mas já mostrava o seu desespero em só ver a Mônica. Abaixo, um trecho da história "O vendedor", de 'Mônica Nº 72', de 1976, mostrando como era o Seu Juca quando foi criado. A imagem peguei na internet, já que não tenho esse gibi e não li essa história:

Trecho da HQ "O Vendedor": Seu  Juca com traços diferentes

Em 1977, na história "Um passarinho ensinado", de 'Mônica Nº 88', Seu Juca já estava com traços que estamos acostumados, com bigode e cabelos pretos, embora encaracolados. Provavelmente, uma das primeiras com traços assim. Abaixo, um trecho dessa história, com imagem tirada da internet:

Trecho da HQ "Um passarinho ensinado"

Ao longo da fase da Editora Abril, Seu Juca teve várias profissões. Já foi bombeiro, taxista, jardineiro, pintor, vendedor, ermitão, mágico, acrobata de circo, técnico de manutenção de telefone, leitor de texto de teatro, limpador de esgoto,  barbeiro, veterinário, astronauta, motorista de ônibus, mecânico, entre outras. Engraçado que aceitava profissão de qualquer nível de escolaridade, o importante era não se encontrar com a turminha. Só que tudo em vão, porque sempre se encontra com eles.

As crianças gostavam do Seu Juca, ficavam felizes quando o via, mas ele não podia vê-los nem pintados, tamanha a sua fobia pela turminha. Era só ver pelo menos um deles que já ficava desesperado, às vezes com tique-nervoso, como se tivesse visto uma assombração, como pode ser visto na história "Jukandrake", original de 'Cebolinha Nº 92' (Ed. Abril, 1980), republicada em 'Almanaque da Mônica Nº 29' (Ed. Abril, 1986) e em 'Almanaque do Cebolinha Nº 7' (Ed. Globo, 1989). Nela, o Seu Juca virou mágico e vê a Mônica e Cebolinha na plateia. Eles percebem que era o Seu Juca e vão falar com ele, estragando os números de mágica, além de tudo que o Seu Juca fazia passava a dar errado.

Trecho da HQ "Jukandrake"

Seu Juca sempre se dava mal nas histórias, mas em algumas das suas primeiras histórias dos anos  70, ele conseguiu se livrar dos pestinhas, como aconteceu em "Novamente Seu Juca", de 'Mônica Nº 92' (Ed. Abril, 1977) e republicada em 'Almanaque da Mônica Nº 18' (Ed. Globo, 1990). Nela, Seu Juca se torna pintor de quadros e encontra a Mônica por acaso. Ela exige que seja modelo da sua pintura, apronta com ele, como se aproximar da tela para ver ele pintando e se finge de morta pensando que ele queria pintar natureza morta.

Até que chegam Cebolinha e Cascão e tacam pedra na tela quando brincavam de jogar pedra mais longe. Seu Juca resolve pintar os 3 e pede pra se afastarem um passo pra trás e cada vez mais se distanciam e aí finalmente consegue se livrar deles, que chegam à África. Como era ainda as primeiras histórias, o roteirista deixou o Seu Juca se dar bem nessa, para variar um pouco, mas o normal era mesmo ele ficar louco no final.

Trecho da HQ "Novamente Seu Juca"

Outra clássica em que ele de seu muito mal foi quando Seu Juca foi limpador de esgotos em "O Seu Juca tá num buraco", (republicada em 'Almanaque do Cebolinha Nº 11' - Ed. Globo, 1990). Ele estava feliz por limpar o esgoto e se livrar dos diabinhos, quando é sugado pelo cano. Seu Juca estava embaixo do ralo do banheiro do Cebolinha, que estava desentupindo. Ele se desespera por ver o Cebolinha, que ainda sobe no seu Seu Juca para tomar banho antes de se encontrar com a Mônica o sabonete cai na boca do Seu Juca. Forma espuma no banheiro e o seu Juca volta ao esgoto se tornando louco de novo.

Trecho da HQ "O Seu Juca tá num buraco"

Uma coisa interessante é que não costumava aparecer todo mês nos gibis. Para ter uma coerência, levava alguns meses para voltar a aparecer, para justificar o tempo que estava no hospício, até voltar curado com uma profissão nova. O que era bom para não se tornar cansativo. E em algumas bem raras ele não exercia profissão, só contracenando com os personagens.  

Outra curiosidade comum nas histórias antigas, é que ele lembrava a sua última aparição, mostrando que ele ficou louco e foi parar no hospício por causa dos pestinhas, ou até mesmo o que realmente aconteceu na última história que havia aparecido. Por exemplo, na história "Quase se esqueceram do Seu Juca", republicada em 'Almanaque do Cebolinha Nº 8' (Ed. Globo, 1990), quando Seu Juca foi técnico de manutenção de linha telefônica e ficou preso na fiação da rede elétrica com as linhas das pipas do Cebolinha e do Cascão, ele lembrou que na sua aparição ficou entalado no ralo do banheiro Cebolinha, na história "O Seu Juca tá num buraco".

Trecho da HQ "Quase esqueceram do Seu Juca"

Quem aparecia para perturbá-lo era a Mônica, o Cebolinha e o Cascão. Apareciam os 3 juntos, ou só a Mônica, ou só o Cebolinha, ou Mônica com Cebolinha, ou  ainda Cebolinha com Cascão. Na fase Abril, o Cascão nunca o perturbou sozinho e a Magali apareceu apenas 1 vez, junto com os 3, na história "Toc-Toc do Seu Juca", de 'Cebolinha Nº 86' (Ed. Abril, 1980) e republicada no 'Almanaque do Cascão Nº 12' (Ed. Abril, 1986), em que ele foi um maestro. Como a Magali ainda não era uma grande personagem e fazia mais participação nas histórias na época, aí não costumavam colocá-la contracenando com o Seu Juca.

Suas histórias antigas da Editora Abril costumavam sair no miolo, apenas a história "Os exploradores", de 'Cebolinha Nº 58', de 1977, foi na abertura. E em algumas vezes, foram divididas em capítulos, como aconteceu em "O Barbeiro do Seu Juca" (republicada em 'Almanaque do Cebolinha Nº 16' - Ed. Globo, 1992), "O Trauma do Seu Juca" e "Quase se esqueceram do Seu Juca", sendo esta interligada com a do Bidu. 

"O trauma do Seu Juca", original de 'Cebolinha Nº 142' (Ed. Abril, 1984) e republicada no 'Almanaque do Cebolinha Nº 32' (Ed. Globo, 1996), foi dividida em 2 partes. Na primeira, o carro dos pais do Cebolinha dá defeito no meio da estrada e ele aparece como mecânico. Ao ver o Seu Cebola, ele acha que já viu aquele cabelo em algum lugar, mas se tranquiliza, até ver que o Cebolinha e a Mônica estão no banco de trás do carro. Ele fica com tique-nervoso, mas antes deles começarem a perturbá-lo, Seu Juca consegue contornar e toma iniciativa que vai se tratar com um psiquiatra e quando voltarem a vê-lo, ele vai estar curado do trauma.

Na 2ª parte, intitulada de "Seu Juca se curou do trauma", ele está com psiquiatra, que mostra uma foto das crianças para o Seu Juca, até ele perder o medo. E consegue. Do lado de fora da clínica, Mônica e Cebolinha estão em frente ao consultório esperando uma consulta ao dentista e o psiquiatra os vê e fala ao Seu Juca para ir lá para provar que está curado. Quando chega lá, eles tinham saido de lá. Com um jogo de ida e volta, com o psiquiatra falando que eles estão lá e o Seu Juca falando que não estão, no final , o Seu Juca e o psiquiatra acabam enlouquecendo juntos.

Trecho da HQ "O Trauma do Seu Juca" ("O Seu Juca se curou do trauma")

Seu Juca continuou a aparecer nos gibis até em 1985. A partir de 1986, o Seu Juca infelizmente foi para o limbo do esquecimento por mais de 10 anos. O motivo nunca foi muito bem certo, talvez foi apenas por esquecimento mesmo, com novas ideias surgindo e acabou ficando de lado. Com isso, nos primeiros anos da Globo não tiveram histórias novas com ele e apenas foi visto nas republicações dos almanaques. 

Para não dizer que foi totalmente esquecido, ele apareceu supostamente em 2 capas do Cebolinha, uma como médico em 'Cebolinha Nº 23', de 1988, e depois como oculista em 'Cebolinha Nº 30', de 1989. Aliás, são aparições que ficam dúvida se eram ele mesmo, ficando a imaginação do leitor. Abaixo, essas capas com suas supostas aparições:

Capas; 'Cebolinha Nº 23' (1988) e 'Cebolinha Nº 30' (1989)

Seu Juca ficou no limbo até em 1996, quando finalmente voltou a ter histórias inéditas. "Uma biblioteca do barulho", de 'Mônica Nº 117', marca a sua volta aos gibis. Nela, ele é um bibliotecário e estava feliz por ter saído do hospício, quando chegam a Mônica e o Cebolinha. Seu Juca chega a se esconder embaixo da mesa, mas eles o veem e ficam muito felizes com a sua volta e estavam com saudades. Eles estão lá para ler um livro infantil. Seu Juca os deixa sozinhos, que acabam aprontando, subindo nas estantes e conseguindo derrubar metade dos livros no chão.

Seu Juca manda organizarem tudo de novo, mas os 2 discutem e a Mônica fica correndo atrás do Cebolinha na biblioteca. Seu Juca tenta acabar com a correria deles, mas acaba derrubando várias estantes de livros. O dono chega, falando que ele tem que arrumar tudo, e acaba enlouquecendo no final.

Trecho da HQ "Uma biblioteca do barulho"

A partir daí, Seu Juca voltou a ter aparições inéditas regulares, sendo menos frequente do que na Editora Abril. Ele aparecia e depois voltava 1 ano depois, às vezes levava 3 anos para voltar a aparecer. Com o seu retorno, deixou de aparecer nos almanaques, já que pelo visto todas as suas histórias antigas já tinham sido republicadas.

Nessa nova fase na Globo, Seu Juca continuou com a mesma personalidade, exercendo profissões diversas e sendo enlouquecido no final pelos personagens. A diferença é que a Magali passou a a perturbá-lo também nas histórias com frequência, junto com a Mônica, Cebolinha e Cascão. Afinal, ela já era uma grande personagem.

A Magali chegou até a perturbá-lo sozinho, como foi o que aconteceu na história "Um restaurante muito louco", de 'Magali Nº 372', de 2004. Nela, Seu Juca é gerente de restaurante em bairro vizinho, aí a Magali aparece, come tudo sem dinheiro para pagar. Então, ela resolve ajudar no restaurante para compensar o prejuízo lavando louça e depois se tornando garçonete, causando muitas confusões, que piora com a chegada depois da Mônica, Cebolinha e Cascão. No final, seu Juca é internado no hospício e eles vão a outro restaurante, com o Louco como garçom.

Essa foi uma história de abertura bem grande, com 23 páginas, escrita pelo Emerson Abreu, já com caretas exageradas Teve uma curiosidade que a Magali não lembrava do Seu Juca, tendo uma referência a Editora Abril que praticamente não se encontravam. Mas, ela já havia aparecido em outras histórias do Seu Juca antes dessa, tanto que ele lembrava da Magali.

Trecho da HQ "Um restaurante muito louco"

Já o Cascão continuou a não contracenar sozinho com o seu Juca, apenas juntos com seus amigos, incluindo a presença da Magali. Também tiveram algumas histórias de abertura com seu Juca no Parque da Mônica, exercendo alguma função lá e, sendo irritado pelos pestinhas.

Outra novidade na Globo e que seguiu na fase Panini, foi que também a passou a ter crossover com outros personagens fora o quarteto. Já tiveram, então, histórias com o Chico Bento, Turma da Mata, Turma do Penadinho e Dudu perturbando o seu Juca, cada um do seu estilo. Desses crossovers, destaco um trecho da história "Seu Juca no cemitério", de 'Mônica Nº 56' (Ed. Panini, 2011), quando o seu Juca foi coveiro e foi perturbado pelo Penadinho e sua turma.

Trecho da HQ "Seu Juca no cemitério"

Nos últimos anos, a sua presença está mais constante, inclusive mais do que na Editora Abril, aparecendo até de um mês para o outro. Os enredos são um pouco diferente, adaptados ao politicamente correto, as crianças não aprontam nem a metade como fizeram antigamente, girando mais nos personagens querendo "ajudar" de uma maneira torta, ou seja, atrapalhando mais do que ajudando, de forma bem simples. Outra grande diferença na Panini é que o Seu Juca não vai mais para um hospício, e, sim para "casa de repouso". E andam investindo em crossover com a Turma do Penadinho, sempre como segurança, tirando a criatividade nas histórias.

Sem dúvida, o Seu Juca é um personagem muito legal, pena que ficou no limbo por 11 anos, mas felizmente voltou. Ultimamente não tem mais aquele brilho como era na Editora Abril e nas suas primeiras aparições na Globo, foi tudo amenizado por causa do politicamente correto, mesmo assim ainda é bom ver suas histórias nos gibis.

Termino com algumas capas que tem as histórias citadas na postagem:

Capas: 'Almanaque do Cebolinha Nº 7' (1989), 'Almanaque do Cebolinha Nº 8' (1990), 'Almanaque da Mônica Nº 18' (1990), 'Almanaque do Cebolinha Nº 11' (1990), 'Almanaque do Cebolinha Nº 32' (1996), 'Mônica Nº 117' (1996), 'Magali Nº 372' (2004), 'Mônica Nº 56' (2011)