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domingo, 3 de novembro de 2019

Um tabloide com Papa-Capim e Cafuné

Nessa postagem compartilho uma história de 1 pagina com o Papa-Capim e Cafuné. Foi publicada originalmente em 'Cebolinha Nº 112' (Ed. Abril, 1982) e republicada em 'Almanaque do Cebolinha Nº 7' (Ed. Globo, 1989).

Voltada ao absurdo, Papa-Capim e Cafuné estão tentando derrubar uma árvore com machadinhos, que acabam quebrando, pois eram muito pequenos com uma árvore forte como era. Ameaça chover e eles resolvem serrar a árvore com o raio que havia caído na hora.

Era bom ver esses absurdos envolvendo fenômenos da natureza, sempre mito engraçado. Impublicável hoje em dia por conta de eles derrubarem árvore, sendo contra preservação da natureza, fora que não gostam de envolver absurdos assim. Na época não tinham muitas histórias do Papa-Capim nos gibis, era bem raro e quando tinha, era assim em formato tabloide. Só quando o Chico Bento ganhou gibi próprio em 1982 que começaram a desenvolver histórias com a Turma do Papa-Capim. A seguir, mostro essa história completa. 


quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Papa-Capim: HQ "Banho da Lua"


Compartilho uma história em que o Papa-capim e Cafuné ficam desesperados por terem sumido com a Lua quando ela estava tomando banho no rio. Com 8 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 125' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Chico Bento Nº 125' (Ed. Globo, 1991)

Nela, Papa-Capim e Cafuné estão admirando a noite linda na selva, quando Cafuné olha para o rio e avisa o Papa-Capim que a "Jaci" está tomando banho. Papa-Capim dá bronca que é feio ficar olhando os outros tomaram banho e Cafuné diz que não é Jaci índia, e, sim, a Jaci Lua, mostrando o reflexo da Lua no rio.


Papa-Capim acha melhor eles irem embora para deixar a Jaci sossegada e Cafuné tem a ideia de pegá-la para levar até a taba deles para conhecer o pessoal e deixar o Pajé feliz. Papa-Capim não acha bom, seria uma ofensa para uma deusa como a Jaci e Cafuné responde que não é ofensa, eles vivem a homenageando e que já era a hora da Jaci conhecê-los e agora que está tão pertinho, aposta que ele vai virar herói da tribo.


Cafuné mergulha no rio e para sua surpresa o reflexo da Lua se desmonta em mil pedacinhos e eles pensam que Cafuné quebrou a Lua. Ele tenta consertar, pegar os pedaços um a um, mas acaba sumindo de vez, achando que ela afundou no rio. Eles ficam desesperados, Papa-Capim comenta que ele não devia ter se metido com a Jaci e agora não sabem quais os castigos cairão contra eles e o pior será a surra que vão levar das mães. Cafuné diz que ninguém precisa saber, é só não contar para o povo da tribo, boca-de-siri.


Eles chegam na tribo e encontra uma reunião entre o Cacique e outros índios. Cacique os chamam de pequenos aventureiros noturnos, pede para se juntarem a eles e perguntam se caçaram alguma coisa. Eles falam que nada, bem assustados. Cacique oferece um caldo quente e comenta que estavam contemplando a Jaci e de repente ela sumiu. Na hora, Papa-Capim e Cafuné se engasgam com o caldo.


O Cacique percebe que estão assustados e conta para eles uma história da indiazinha que se chama Jaci, como a deusa Lua, pois vivia no mundo da Lua, e que o Pajé da tribo dela disse que ela viverá enquanto a Lua brilhar. Aí a indiazinha diz que viverá para sempre, pois enquanto o mundo for mundo a Lua sempre existirá, nada poderá destrui-la. Papa-Capim e Cafuné ficam mais assustados ainda, achando a história uma tortura e antes do Cacique acabar, eles gritam e confessam que o Cafuné quebrou a Lua, ao mergulhar quando estava tomando e a fez quebrar em mil pedacinhos.


Cacique pergunta se tem certeza que Jaci estava no rio e mostra uma tigela com água e um reflexo do Cafuné ao olhar a tigela. Cafuné acha que não porque a Lua não estava no céu. Nessa hora, as nuvens se afastam e ela aparece. Eles comemoram ao saber que era a nuvem que estava cobrindo e coincidiu quando o Cafuné mergulhou no rio. Cacique diz que não é qualquer coisa que vai destruir a Lua e jamais descerá á Terra. Continuará redonda e brilhante, mas acha estranho estar um pouco rosada. No final, depois de se afastarem, a Lua no céu comenta que tem que estar rosada, pois não pode tomar banho sossegada, que já vem algum assanhado espiar.


Muito boa essa história. Papa-Capim e o Cafuné pensaram que a Lua estava tomando banho no rio e que tinham acabado com ela só por conta de ter despedaçado o reflexo dela no rio. Como eles não sabiam que era apenas um reflexo da projeção da Lua no alto até o rio, acharam que tivessem cometido um crime.

Engraçado ver achando que receberiam castigo dos céus e levar surra das mães e o Cacique falando da Lua o tempo todo dando mais medo neles, fazendo a consciência pesada falar mais alto e acabarem confessando, só aliviando quando descobriram que ela estava coberta pelas nuvens. Legal também ver os costumes e culturas dos nossos índios, assim vendo eles chamarem a Lua de Jaci e considerar como uma deusa, isso era bacana nas histórias do Papa-Capim.


Na época os roteiristas gostavam de colocar um final dando razão à imaginação e inocência nas crianças em histórias desse tipo. No caso, apesar de terem explicado sobre o reflexo para eles, acabou que no final a Lua estava mesmo tomando banho no rio e ficou rosa por estar com vergonha de terem visto ela lá tomando banho. Eu gostava de finais assim, mesmo sendo absurdo, ajudava a manter a fantasia das crianças.


Os traços ficaram lindos, muito bem desenhados. Em alguma republicação, com certeza mudariam a parte que o `Papa-Capim fala que as mães deles dariam surra neles, já que atualmente os pais não podem bater nos filhos. No geral, a história foi até grande para os padrões da fase dos gibis quinzenais, já que histórias do Papa-Capim e secundários em gibis de 36 páginas costumavam ser em média até 4 páginas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Chico Bento Nº 53 - Editora Globo


Em janeiro de 1989 chegava nas bancas o gibi "Chico Bento Nº 53' pela Editora Globo. Então, nessa postagem falo uma resenha desse gibi lançado há exatos 30 anos.

Com uma capa bem legal com o Chico Bento ouvindo um canto de uma ave no lugar de um rádio de pilha, interessante o logotipo com contorno vermelho, parecendo iluminado. Esse gibi da fase quinzenal teve 36 páginas e 5 histórias, incluindo a tirinha final, e com história de secundários com Papa-Capim.

Abre com a história "O bom português", com 7 páginas. Nela, Chico é chamado pela professora Marocas para ler a redação que ele fez em voz alta na frente da classe toda. Chico lê 2 linhas e é interrompido pela professora, alegando que com os erros de português no trecho que leu já daria para serem discutidos a aula toda e diz que ele precisa ler mais para escrever direito e conhecer o bom português.

Chico diz que só conhece o Nhô Mané da venda, que ele é um bom português, só erra nas contas as vezes. Marocas fala que é para o Chico consultar o dicionário e ele responde que sim, se ela disser onde ele mora. Marocas perde a paciência, termina a aula e diz para o Chico descobrir sozinho. Na rua, Chico pergunta para um senhor onde pode achar o dicionário e o senhor aponta para a biblioteca da vila. Chico vai até à porta e vai embora, reclamando que só tinha uma mulher lá.

Trecho da HQ "O bom português"

Em casa, Chico conta tudo para o seu pai e ele diz que dicionário é um livro e não gente e vai procurar um que tem em casa. É encontrado em lugar misterioso e Chico espanta no tamanho do livro e vai para o quarto ler. Ele estranha palavras quando folheia e se pergunta se é língua portuguesa ou estrangeira. Ele não desanima e resolve ler tudo, pois prova que ele não sabe nada e quer mostrar para a professora que aprendeu o bom português e lê tudo durante a madrugada sem dormir.

Amanhece,  a mãe Dona Cotinha estranha o estado cansado do filho e enquanto ele toma café já vai dando descrição de algumas palavras faladas na conversa com a mãe, como "insônia", "estudando" e "escola". Já chegando lá na escola, em cada palavra que é falada, ele dá a sua descrição. Assim, ao falarem "professora", "dicionário", "esforço", "bem", ele dá seus significados. Marocas fica com medo com a atitude do Chico, manda parar de falar e lhe dá um "Dez" e ele acaba desmaiando.

Trecho da HQ "O bom português"

Marocas leva o Chico para casa para ser atendido por um médico, que fala que está bem e só teve uma estafa mental. Marocas fala para o Seu Bento que prefere o Chico aprender aos poucos, mas que gostou do pai ter apresentado o dicionário ao Chico e sabe da importância dos livros e passam esse conhecimento aos filhos. Depois que ela vai embora, Seu Bento fica sem graça e fala para Dona Cotinha que, assim que o Chico melhorar, vai arrumar outro pé para a cama no lugar do dicionário que estava servindo como pé. Ou seja, a família não dá bom exemplo de leitura, não tem como o filho ter interesse. 

Muito legal essa história. Engraçado ver a fase do Chico burro, escrevendo tudo errado, respondendo mal para professora e não saber nem o que é dicionário, pensando que era uma pessoa. Quando descobriu o que era, decorou tudo nos mínimos detalhes, exatamente como estava escrito lá e a acabou passando mal com tanta informação na cabeça que não estava acostumado. Adorava essa fase burra do Chico. E interessante o Seu Bento com cachimbo na boca e ultimamente  não é permitido personagens fumarem e então em republicações de almanaques atuais eles alteram os desenhos, tirando cachimbo das cenas.

Trecho da HQ "O bom português"

Em seguida, vem "Lenhador", com 4 páginas, em que o Chico ver um lenhador querendo derrubar uma árvore e diz que está sentindo um grande aperto no coração, mas por ver sua amiga  sendo derrubada e sem poder fazer nada. O lenhador pergunta se pode ajudar e Chico diz que ele quer matar a sua árvore, quem tem cortado árvores demais na região, que elas são amigas, pode brincar com elas, ficar debaixo da sua sombra quando tem Sol forte, fazer tatuagens de amor, pegar suas frutas, apesar de levar tiro de sal quando rouba as goiabas do Nhô Lau.

Trecho da HQ "O lenhador"

Com tudo que Chico falou, ele desiste de ser lenhador e vira plantador. Em casa, Chico se desespera ao ver seu pai com lenhas no fogão e fala que seria bom comprar um fogão a gás.

História mostrando a característica ecológica do Chico, preocupado com o desmatamento de árvores e fazer de tudo para evitar isso. Bom ver Chico levando tiro de sal do Nhô Lau e fazendo questão de dizer que rouba goiaba, coisas que não aconteceriam e iam modificar tal cena se fosse pra republicar hoje.

Trecho da HQ "O lenhador"

Depois vem Papa-Capim com a história "O Dia do caçador", com 10 páginas. Nela, o narrador apresenta o Papa-Capim como um grande caçador, prestes a caçar uma ave na selva. Quando ele lança a flecha do seu arco para atingir a ave, acaba acertando um Curupira, que fica com muita raiva do Papa-Capim ter o acertado e por estar caçando na região. Abre um parênteses do narrador explicando quem é o Curupira, que é o defensor da natureza e dos animais e prega peças nos caçadores, e, logo conclui que Papa-Capim está em maus lençóis.

Trecho da HQ "O dia do caçador"

O Curupira dá um castigo de transformar o Papa-Capim em vários animais para ele aprender como os animais lutam pela sobrevivência. Assim, é transformado primeiro em uma ave que ele queria caçar e passa a ser caçado por 2 indiozinhos. Ao desejar ser outro bicho, Papa-Capim é transformado em tatu e consegue cavar um túnel pra desviar dos índios, mas acaba o túnel indo parar em uma correnteza do rio e estava quase afogando até que se transformou em tartaruga e, assim ele consegue nadar. Porém, passa a ser perseguido por jacaré, até conseguir se transformar em um pássaro e voar e, assim, ele consegue dormir e descansar em uma ´árvore a noite toda.

Trecho da HQ "O dia do caçador"

No dia seguinte, ele acorda como macaco e como não pode voltar para a sua aldeia daquele jeito, ele volta para a selva e comenta com os animais como eles se sentem. Nisso, Papa-Capim ouve 2 caçadores com planos de capturar vários animais da selva. Papa-Capim tenta avisar o pessoal da aldeia, mas ele se transforma em onça na hora e assusta seus amigos. Então, como onça, ele resolve atacar os caçadores que se assustam e fogem da selva. O Curupira vê tudo e perdoa o Papa-Capim transformando em gente de novo. Papa-Capim volta para a sua aldeia. a mãe dele fala que tem perdiz assada, cozido de tatu e sopa de tartaruga no almoço,  animais que ele foi transformados pelo Curupira, e, com isso, Papa-Capim diz que prefere um purê de mandioca, enquanto o Cafuné comenta sobre uma onça que ele pôs para correr ontem.

Uma aventura bem bolada, legal ver a cultura do Curupira do folclore brasileiro nos gibis. Gostavam de histórias com personagens se transformando em alguma coisa e aí dessa vez foi por causa de um Curupira. Interessante uma história bem grande do Papa-Capim em um gibi do Chico, normalmente eram de 3 a 4 páginas, no máximo 5. Foi maior até que a história de abertura do Chico e, sem dúvida foi a principal história da edição.

Trecho da HQ "O dia do caçador"

O gibi encerra com "Quero a lua", com 7 páginas. Nela, chico e Rosinha estão namorando e Rosinha pede a Lua para o Chico após ele falar que se pudesse dava a Lua para ela. Chico diz que não pode, mas ela quer assim mesmo. Ele pergunta para o pai como pode pegar a Lua e Seu Bento diz que a Lua é de todos e quem sabe daqui 10 anos quando as pessoas poderão viajar para lá e aí eles compram um pedacinho de terra para morar lá.

Trecho da HQ "Quero a Lua!"

Quando está jantando, Dona Cotinha oferece um queijo para o chico. O Queijo era amarelo e  redondo e então ele pega o queijo escondido par afazer de conta que seria a Lua para dar para Rosinha e embrulha de presente. No dia, seguinte ele entrega o presente para Rosinha e quando ela abre pensa que o queijo era a Lua mesmo. enquanto namoram, um rato rouba o queijo, Chico tenta pegar de volta, mas o rato se esconde em uma brecha da parede e Chico fica sem o queijo.

Chico diz que o rato comeu a Lua e Rosinha fica chocada porque além de ela ficar sem a Lua, o céu também não vai ter Lua de noite e que as pessoas vão namorar á luz de velas de noite. Chico se arrepende e conta que aquilo era um queijo e não a Lua de verdade, que errou porque enganou, mas não queria vê-la decepcionada. Rosinha conta que já sabia desde o início e estava esperando Chico contar a verdade, que a professora falou que a Lua é muito grande e só de foguete para ir lá e só louco ia querer a Lua só para ele. No final, é mostrada a Lua no universo, com 2 astronautas brigando entre si, disputando quem ficaria com a Lua.

Trecho da HQ "Quero a Lua!"

História bem legal, mexendo com a fantasia da Lua ser feita de queijo e a inocência do Chico pensar que a Rosinha queria mesmo a Lua e uma lição de contar sempre a verdade para os outros, seja qual for a situação. Referência ao Chapolim, quando falou "Quem será que pode me ajudar?" e mais uma vez o Seu Bento apareceu fumando cachimbo, coisa que ia alterar nos almanaques atuais. Teve várias outras histórias semelhantes com esse tema da Rosinha pedir a Lua para o Chico e algumas delas até com o mesmo título. Mas a maioria era só o início igual e o desenrolar das histórias iam mudando entre uma e outra com o decorrer dos roteiros.

Trecho da HQ "Quero a Lua!"

Na tirinha final, Rosinha lembra que tinha um encontro com o Chico Bento quando olha um peixe com um olhar muito parecido com o Chico. Hoje em dia, evitam isso de comparar personagens a bichos ou alguma situação que ridicularize o personagem para não gerar bullying e traumatizar. Tipo, colocavam muito comparando Chico como um espantalho feio e isso não fazem mais. Abaixo, a tirinha completa:

Tirinha da edição

Como podem ver, esse gibi é muito bom, histórias bem caprichadas, além de desenhos com traços bem feitos também, cada uma desenhada a seu estilo. As cores também bem caprichadas no gibi gostava, gostava dessas cores do início de 1989. Chama a atenção de ter histórias mais longas do que um gibi quinzenal convencional, sem histórias de 1 ou 2 páginas no miolo, e consequentemente tendo menos histórias no total. Papa-Capim que foi o grande destaque da edição. Vale a pena ter esse gibi na coleção e muito bom relembrar lançado há exatos 30 anos. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

TOP 5 Piores Alterações em Histórias


Atualmente, as histórias da Turma da Mônica giram em torno do politicamente correto, ou seja, os personagens não podem dar mau exemplo e tem que seguir os bons costumes. Por causa disso, além de não produzirem histórias incorretas, a MSP passou a fazer várias alterações nas histórias originais republicadas nos almanaques desde que foram para a Editora Panini em 2007, para atender ao politicamente correto. 

Tudo que consideram incorreto nos gibis originais, eles fazem mudanças para poder republicar, seja alterações de texto ou até mesmo desenhos. Todo almanaque tem pelo menos uma mudança de histórias, principalmente o "Almanaque Temático" e até na "Coleção Histórica" que não devia ter alterações, eles faziam sempre. O problema que tais mudanças acabam estragando os conteúdos originais, estragando as personalidades dos personagens e, muitas vezes ao tentar consertar os erros do passado, acabam não tendo coerência piorando ainda mais a situação, chegando a ficar bizarro tais alterações.

Então, nessa postagem mostro o "TOP 5" com um ranking das alterações mais surpreendentes e absurdas de todos os tempos que já fizeram até hoje, na minha opinião, chegando a ser revoltante envolvendo as personalidades dos personagens ou até mesmo cômico de tão mal feito.

5º LUGAR: Índia com top onde não tinha na original.

Antigamente, apareciam mulheres e índias com seios de fora e ninguém implicava. Agora com o politicamente correto, toda vez que apareciam mulheres de seios de fora eles cobrem com um top para não ficar tudo de fora e não uma impressão de sensualidade em um gibi infantil. Isso agora vale para as meninas índias como a Jurema que não aparecem mais de peito de fora, mesmo não tendo nada. 

Para ilustrar isso, teve uma alteração na história "Socorro! Quero Casar" do Papa-Capim, original de 'Chico Bento Nº 11 (Ed. Globo, 1987) e republicada em 'Almanaque Turma da Mata & Papa-Capim Nº 4" (Ed. Panini, 2011).

Na história, a menina índia inventa que está perigo na selva para se casar com o Papa-Capim de qualquer jeito. No final da história, é mostrada uma passagem de tempo com a índia e o Papa-Capim crescendo e ele mudando de ideia quando ela cresceu bonita. Sendo que nessa passagem é mostrado na original de 1987, a índia de seios de fora e na republicação de 2011, eles resolveram colocar um top de penas nos seios dela. Detalhe que até quando ela estava no início da adolescência, por volta de 12 anos, eles já colocaram o top. Podiam pelo menos era deixado quando estava já adulta. Além de mal desenhado esse top na reedição, sabe que teve mudaram coisa ali, ainda estragou a história original.  A seguir como ficaram essas alterações. Imagens cedidas por Julio Cesar.

Comparação da história "Socorro! Quero casar!" (1987/ 2011)

4º LUGAR: Cascão deixando de apanhar de chinelo da mãe

Com o politicamente correto, os personagens não podem mais apanhar dos pais, nem levando tapa na cara e nem apanhando na bunda de chinelo, por mostrar agressão física com os filhos. Como na vida real os pais não podem mais bater nos filhos, a MSP aderiu a isso. Então, cada vez que acontecia isso nas histórias antigas, as histórias são mudadas por conta disso.

Uma das histórias que fizeram isso foi "Lava o prato, Lava", original de 'Cascão Nº 55' (Ed. Abril, 1984) e com alteração no livro 'Cascão 50 Anos' (Ed. Panini, 2013). Na revista original, a mãe do Cascão mostra o chinelo para dizer que o Cascão apanharia se ele ousasse não lavar a louça e em 'Cascão 50 Anos' redesenharam a cena, tirando o chinelo da mão dela e colocaram no lugar Dona Lurdinha apontando o dedo dizendo que ele ficaria uma semana sem jogar videogame. Na outra cena, a mesma coisa: quando o Cascão fala que nada vai fazer com que ele mexe na água, eles tiraram ela mostrando o chinelo, redesenhando apenas ela apontando o dedo.

Essa foi revoltante, já que era o ponto mais forte e engraçado da história,  e com essa mudança perdeu o sentido e até a personalidade do Cascão, pois ele não se sujeitaria a lavar louça para não ficar sem videogame. Ele nem é fã de jogos eletrônicos, gosta mesmo de futebol e de brinquedos velhos. Sem contar que tirou a ideia do roteirista original. Bola fora. Abaixo, mostro como foi essa alteração que ficou em 4º lugar.

Comparação da história "Lava o prato, Lava!" (1984/ 2013)

3º LUGAR: Sai água dos dedos do Dudu ao tirar arma da mão dele

Atualmente, os personagens não podem mais ficar com armas na mão, nem que seja de brinquedos ao brincar de faroeste. Na verdade, até evitam de fazer histórias de faroeste por conta disso. Então, sempre que aparecem armas nas revistas originais, eles fazem adaptação para tirar as armas das mãos dos personagens, tipo colocando uma garrafa squeeze no lugar se eles estão brincando de faroeste ou qualquer outra coisa. Só que ao tentar consertar isso, acaba ficando bem bizarro as alterações.

Assim, uma alteração de arma que ficou bem cômica e que mereceu o 3º lugar do ranking foi a da história "Terríveis torturas", original de 'Magali Nº 42' (Ed. Globo, 1991) e republicada em 'Turma da Mônica Exrtra Nº 11 - Dudu' (Ed. Panini, 2013). Nela, Dudu imagina várias situações de torturas e então na parte que o Dudu usava uma arma munida de água no gibi  de 1991, resolveram mudar na reedição, só mostrando o Dudu apontando os dedos para os índios, saindo água dos dedos dele do nada, deixando o Dudu com dedos mágicos, só apontar o dedo que sai água.

Ficou uma coisa muito mal feita, se querem que mudar que façam direito, que colocassem então uma squeeze no lugar que não ficaria tão absurdo assim. Lamentável! Olha como perdeu o sentido, comparando as edições nas imagens abaixo:

Comparação da história "Terríveis torturas" (1991/ 2013)

2º LUGAR: Mudanças nos traços do Pelezinho

A MSP desenhava nos anos 70, os personagens negros com lábios como um círculo rosa em volta da boca. Pela pressa de desenhar os personagens nas tiras de jornais, os personagens negros eram desenhados assim e o Pelezinho foi criado com esses desenhos de círculo rosa na boca e sem nariz em 1976 nas tirinhas e também nos gibis a partir de 1977.

Em 2013, teve a volta dos gibis, com o título "As Melhores Histórias do Pelezinho". Até a edição "Nº 7" os traços originais da época. Porém, a partir da edição "Nº 8", a MSP surpreendeu e alterou todos os desenhos das revistas originais, tiraram o círculo rosado em volta da boca do Pelezinho, deixando o personagem sem lábios nenhum e colocando nariz que não tinha.

Trecho da alteração da HQ "O segredo da fórmula X" ( 2013)

Segundo a MSP, "o traço foi reestudado para se tornar mais moderno, atualizado e universal" e, com isso, a intenção foi deixar o personagem mais humanizado e tirar o preconceito de que negros tinham boca de palhaço, traumatizando crianças por causa disso. Não só o Pelezinho, outros personagens negros como o Cana Braba também teve uma mudança radical sem os lábios carnudos e com nariz, e até a Bonga também apareceu com lábios mais reduzidos. Ficou constrangedor, sem contar que por dentro muitas vezes as bocas deles ficavam tortas e fora do lugar com essas alterações. Abaixo, uma comparação da história "A conselheira", de 'Pelezinho Nº 52' (Ed. Abril, 1981).

Comparação da história "A conselheira" (1981/ 2013)

Isso não agradou nem os leitores novos com quem eles estavam querendo agradar e revoltou os leitores antigos que acompanhou o Pelezinho clássico e assim deixaram de comprar. Comas vendas mais baixas ainda após essas alterações, em 2014, ainda tentaram consertar colocando lábios nos personagens como já haviam feito no 'Gibizinho do Pelezinho Nº 24' ( Ed. Globo, 1992) para amenizar a situação, mas também não adiantou nada, afinal, era mudança horrorosa do mesmo jeito e foi inevitável cancelarem o título.

Foi um total desrespeito com os leitores e todos os profissionais envolvidos, alterando todo o trabalho dos desenhistas da época e toda a dedicação que tiveram, para mudar tudo assim, sem mais nem menos. Tudo para o desenho não parecer preconceituoso para as crianças de hoje. Revoltante.


1º LUGAR: Uma lagosta no lugar de uma metralhadora

Em primeiro lugar, uma alteração que deu o que falar, inclusive na internet, e assim considero a mais sem noção que teve até hoje, a pior alteração de todos os tempos. 

Hoje em dia, além dos personagens principais, nem bandidos e policiais podem segurar armas de fogo nos gibis, estão completamente abolidas dos gibis. Então, na história "O poderoso Cascão", original de 'Cascão Nº 246' (Ed. Globo, 1996) e republicada em 'Clássicos do Cinema Nº 43' (Ed. Panini, 2014), uma paródia do filme "O poderoso Chefão", simplesmente colocaram uma lagosta no lugar de uma metralhadora pra assustar a Mônica e Cebolinha!

Não dá pra entender uma alteração tão tosca assim de bandidos assaltarem com uma lagosta ao invés de uma arma e perdendo o sentido da história, inclusive, porque onde já se viu a Mônica não ter enfrentado os bandidos por ter medo de uma lagosta. Ficou uma coisa absurda e cômica de tão ridículo que foi. Como se crianças não soubessem o que é uma arma ou que vai ficar traumatizada por bandidos terem apontado uma metralhadora para a Mônica e Cebolinha. 

Até de estranhar republicarem histórias envolvendo bandidos e quando tem fazem essa avacalhação. Sem dúvida o maior mico de alterações de todos os tempos e mereceu o primeiro lugar. Abaixo, a comparação das cenas:

Comparação da história "O poderoso Cascão" (1996/ 2013)

Como podem ver, são alterações por motivos bobos e que conseguem estragar completamente o sentido da história. Uma pior que a outra, chega a ser bizarro a forma como mudam, piorando ainda mais a situação original que estavam tentando consertar. Tem várias outras alterações que já postei aqui no Blog e até mesmo em almanaques que não comprei que foram tão ridículas quanto essas, como colocar cartazes nos muros ao xingar a Mônica, trocar palavras como "azar" por "má sorte", "Droga! por "Bolas!",entre outros, e escolhi nessa postagem asque achei as 5 piores de todos os tempos.

Todos os casos, eram simplesmente não republicar do que ficar fazendo essas alterações toscas, desrespeitando o leitor e os artistas que fizeram as histórias originais. Comentem a ordem que vocês colocariam ou outros casos absurdos que já viram. Em breve posto outros "TOP 5" no Blog.

domingo, 30 de setembro de 2018

Turma do Papa-Capim: HQ "O Candidato"


Eleições se aproximando e deixo uma história em que índios fizeram campanha para ver quem seria o novo cacique da aldeia do Papa-Capim. Com 4 páginas no total ,foi publicada em 'Chico Bento Nº 196' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Chico Bento Nº 196' (Ed. Globo, 1994).

Nela, os índios estão em campanha eleitoral de novo cacique, cada um mostrando os seus planos para governar a aldeia. Primeiro é o índio Moacir se apresentando falando que representa a nova geração da aldeia, que vai trabalhar para a aldeia crescer, construirá ocas de dois andares e tabas maiores com vista para o rio.

Em seguida  o índio Jurandir interrompe o Moacir e se apresenta, falando que ele representa a ala tradicionalista da aldeia, que não quer ver índios vestidos com roupas, tênis e coisas de homens brancos e afirma que os índios representam a Terra. 


Logo depois aparece a índia Janaína, falando que as índias é que devem governar, pois elas são guerreiras, corajosas, carregam um bebê na barriga durante 9 meses, dão à luz, cuidam do marido e que chegou a hora de eles reconhecerem a superioridade feminina, a força da mulher. 

Aparecem outros índios como o Tupinambá da Aldeia Liberalista e o Raonito, além do homem branco Estingue. Então, eles brigam, cada um se achando o melhor que os outros para poder governar a aldeia. Até que aparece Papa-Capim falando que é o melhor. Todos dão gargalhada uma criança querer ser cacique da aldeia. Então, Papa-Capim explica que vai demorar muito para o Cacique ser substituído, afinal ele era novo e corpo atlético e com saúde, e até lá os outros candidatos estariam muito velhos, tirando assim a possibilidade de todos serem caciques e tirando o prazer deles, terminando assim.


Uma história bem bolada e inteligente comparando a eleição de cacique com os nossos governantes. Cada candidato teve a sua proposta de governo seguindo as suas filosofias. Teve destaque as propostas de um governo moderno, um tradicional, um feminista, um liberal e uma de homem branco no lugar de ser índio. Eles estavam fazendo planos de cacique sem se tocar que o Cacique atual estava a todo vapor e precisou Papa-Capim estragar com os planos deles. 

Caso fosse pra valer, o leitor ainda podia refletir depois de ler e julgar qual deles teria a melhor proposta e em qual votaria na vida real. Pena que não mostraram as propostas dos 3 últimos, já que o gibi era quinzenal e as histórias de secundários eram mais curtas, mesmo assim foi bacana a ideia do roteiro. Aldeia Liberalista do índio Tupinambá ficou representando um partido, sendo que foi uma referência mesmo a uma tribo que existiu na época do Descobrimento do Brasil.  


Papa-Capim só fez uma participação no final, mas ainda sendo decisivo para a história. Era comum histórias protagonizadas por secundários e os personagens principais aparecerem só no final ou nem aparecerem. Eu gostava quando isso acontecia. Esses índios só apareceram nessa história, como era de costume.

Curiosamente, o índio Raonito e o homem músico Estingue que apareceram como candidatos foram o índio cacique Raoni e o cantor Sting da banda "The Police", como uma referência ao engajamento que o cantor Sting fez em defesa de luta pela demarcação das terras indígenas no Xingu dos índios da tribo Caiapós do cacique Raoni em 1989 na vida real e então o roteirista inseriu essa homenagem na história. A matéria da época que teve essa causa do Sting pode ser conferida clicando neste LINK.


Os traços muito bons, típicos dos anos 90. Chama a atenção das índias aparecerem com seios de fora o tempo todo, com a intenção de mostrar a realidade dos índios tradicionais. Se republicassem, alterariam colocando algum top nos seios das índias. Incorreta por conta disso das índios de seios de fora além de um tema mais adulto não muito bem vindo hoje em um gibi infantil. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Papa-Capim e Cafuné: HQ "A coragem do guerreiro"


Mostro uma história em que o Cafuné foi em uma mata selvagem perigosa para encontrar a sua coragem. Com 8 páginas no total, foi publicada em 'Mônica Nº 94' (Ed. Globo, 1994).

Capa de 'Mônica Nº 94' (Ed. Globo, 1994)

Nela, um grupo de índios chama o Papa-Capim para caçar na selva. Papa-Capim chama o Cafuné, que estava sentado em uma frente da árvore, e o índio fala que era só para o Papa-Capim ir porque o Cafuné é um medrosão.


Papa-Capim pergunta para o Cafuné se vai continuar ouvindo desaforo e ele diz que não e pega um pouco do arbusto e põe nos ouvidos para não ouvir e continua relaxado. Os índios dão gargalhada da atitude dele e vão embora, falando que se o Papa-Capim quiser ir caçar, ele alcança. Papa-Capim quer saber por que o Cafuné não se defendeu e ele diz que os índios têm razão, ele é medroso, não pode nem ver besouro, quanto mais cobra ou jacaré. Com isso, Papa-Capim leva o amigo até o Pajé para ver se dar um jeito nisso.


Chegando lá, o Pajé diz que não tem nenhuma poção para deixar o Cafuné corajoso e completa que ele tem coragem sim e os levam até a mata cerrada. Lá, Pajé fala que a coragem do Cafuné está em um poço no meio das pedras da mata cerrada e ele teria que ir lá buscar. Cafuné não entende como foi perder a coragem na mata se ele nunca esteve lá. Pajé diz que isso não importa e tudo o que tem que fazer é ir lá e tinha que ser sozinho, sem ajuda do Papa-Capim, o que deixa Cafuné mais aflito ainda.


Papa-Capim incentiva o amigo, perguntando se não quer encontrar sua coragem e ser respeitado pelos outros índios. Cafuné, então, aceitar ir mata adentro em busca da sua coragem. No caminho, fica assustado co  a escuridão da mata e quando encontra uma teia de aranha, fica desesperado e começa a correr, mas quando lembra dos índios o chamando de medrosão e o Pajé avisando que a coragem está no fundo do poço, ele volta atrás e passa por cima da teia da aranha, falando que precisa passar.


Em seguida, Cafuné se depara com uma cobra e enfrenta para encontrar logo a coragem. Também enfrenta uma pantera dando um golpe marcial jogando contra a árvore, até que encontra o poço onde está a sua coragem. Ele vê que é bem fundo e escuro, mas escala assim mesmo, falando que não tem tempo de ter medo e já está bem perto de encontrar a coragem. Acaba pisando em um galho no meio das pedras, que se quebra e ele acaba caindo no fundo poço. Lá, Cafuné procura a coragem no meio das pedras  e acaba de se dando conta que foi tapeado, pois não tinha coragem nenhuma lá e fica muito brabo.


Depois, do lado de fora da mata, Papa-Capim comenta que está preocupado com o Cafuné, quando ele chega e dá a maior bronca que foi enganado pelo Pajé, quase se matou lá dentro da mata e no fundo do poço e não tinha coragem nenhuma lá. O Pajé fala que não o enganou, pergunta se não enfrentou vários perigos e que teve que tomar várias decisões sozinho. Cafuné diz que sim e Pajé então responde que ele venceu o medo e encontrou a coragem dele e.com isso, Cafuné e Papa-Capim comemoram.

No final, Papa-Capim convida o Cafuné para caçar com os outros índios, enfrentar muitos perigos, jacaré, piranhas e onças e aí o Cafuné imagina tudo isso e volta a ter medo, falando que prefere não ir e vai descansar debaixo da árvore. Papa-Capim estranha porque o amigo havia encontrado a coragem no fundo do poço e Cafuné diz que tinha, mas que quando subiu o poço de volta, a coragem escorregou para baixo de novo.


Uma história muito bem bolada, mostrando um Cafuné medroso e o Papa-Capim e o Pajé procurando ajudá-lo, e, com isso, o Pajé bolou um plano para ele conseguir acabar com os seus medos. O Cafuné enfrentou vários perigos na mata pensando em buscar a sua coragem. Interessante que, por ele ser ingênuo, tratou como se fosse um objeto, uma coisa personificada e se sentiu que foi tapeado ao não ver nada concreto no fundo do poço.


Quando os personagens estão com medo, são capazes de tudo, as coisas mais absurdas e nessa história a vontade do Cafuné de encontrar a coragem, enfrentou os perigos sem notar. Seria o mesmo que se fosse o Cascão enfrentar a Mônica para escapar do banho, que ele era capaz de ser mais forte que a Mônica para escapar de tomar banho. Hoje em dia, seria incorreto a parte do Cafuné dando surra nos animais, pois seria taxado como maltrato aos animais.


Os traços muito bem caprichados, tanto dos personagens quanto da selva, que dão gosto de ver. Era raro ter histórias da Turma do Papa-Capim em gibis da Mônica e Cebolinha, mas quando tinha costumavam ser mais elaboradas e com mais páginas do que nos gibis do Chico Bento, onde é que realmente tinha histórias com o Papa-Capim. É que como os gibis do Chico tinham só 36 páginas, aí era mais comum ter histórias mais curtas de no máximo 5 páginas, quando muito 6. O mesmo acontecia com histórias do Penadinho e Bidu nos gibis do Cascão, já que eles eram os personagens secundários dos gibis do Cascão.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Papa-Capim: HQ "Fera indomável"


Mostro uma história em que o Papa-Capim teve que controlar um carro desgovernado na selva. Com 5 páginas no total, foi publicada em 'Chico Bento Nº 71' (Ed. Globo, 1989).

Capa de 'Chico Bento Nº 71' (Ed. Globo, 1989)

Papa-Capim se assusta com um barulho muito alto na selva e já deduz que era muito alto pra ser rugido de onça. Ele vai conferir e acaba encontrando um carro largado e fica assustado, querendo saber o que era aquilo.


O motor estava ligado e Papa-Capim pensa que é um animal diferente e que estava ronronando baixo e acha que deve ser manso. Então vai se aproximando com cuidado no carro, acha a carapaça dura demais e sobe nele. Ao ver o banco, diz que as costas são macias e se pergunta se é uma boa montaria. Ele encosta no volante e a buzina toca e se assusta. 


Papa-Capim pensa que o animal estava querendo atacar de surpresa e então taca a sua lança no volante para reagir e acaba a ponta da lança batendo com força no acelerador e faz o carro andar acelerado descontroladamente pela selva. Papa-Capim fica desesperado falando para o carro parar enquanto vai andando com velocidade alta pela floresta, atravessando pedras, até que encontra uma árvore e quando está prestes a bater nela, Papa-Capim toca o volante com os pés com intenção de pedir pra parar e aí consegue fazer a curva e desviar da árvore.


Após isso o carro vai em direção a um precipício e Papa-Capim fica mais desesperado pensando que ia morrer.Quando está prestes a cair no precipício, o pé do Papa-Capim bate no freio sem querer e consegue parar o jipe. Ele fica aliviado, mas estranha o carro ficar quieto e acha melhor ir embora antes que volte a atacar.

Nessa hora, aparece o homem dono do carro e diz ao Papa-Capim que foi só sair um pouco para fazer xixi e o carro sumiu. O homem fica aliviado que não aconteceu nada com o carro e papa-capim pergunta se o bicho maluco é dele. O homem diz que aquilo é uma máquina para servir o homem e chama o Papa-Capim pra dar uma volta e levá-lo até a sua aldeia e mostra como funciona o carro. Era só dar a partida que ele roda suavemente. No final, enquanto andam pela selva, Papa-Capim diz que o homem é papudo, que agora era fácil por ele ter domado o animal antes.


História legal mostrando as diferenças de costume entre os índios e os homens da cidade. Ele nunca tinha visto um carro e pensava que era um animal novo na selva, causando muita confusão com o carro desgovernado. Interessante ver a comparação do carro a um animal pensando que a lataria do carro era uma pele dura de animal, os bancos como as costas macias do animal, etc. 

Era comum histórias do Papa-Capim descobrindo da maneira dele as coisas dos "caraíbas", sendo tudo novidade para ele, além de também ele ensinar a cultura indígena para os "caraíbas". Foi praticamente um monólogo com Papa-Capim por ele não contracenar com ninguém a maior parte da história, por isso ele precisando falar sozinho. Completamente incorreta pelo perigo de uma criança mexer sozinha com carro desgovernado, podendo até morrer.


Os traços muito bons, da fase consagrada da Turma da Mônica, cheios de movimentos e desenhos da selva bem caprichados. Dessa vez o nariz do Papa-Capim foi desenhado como acento circunflexo, sendo que na época ainda não era padronizado e às vezes aparecia com nariz tipo letra "c". Atualmente é padrão como acento circunflexo.