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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Cascão e Cebolinha: HQ "O plano do vestidinho vermelho"

Em fevereiro de 1990, há exatos 30 anos, foi lançada a história "O plano do vestidinho vermelho" em que o Cebolinha teve um plano infalível de tirar o vestido vermelho da Mônica pensando que o vestido seria o segredo da força dela. Com 7 páginas, foi publicada como história de encerramento de 'Cebolinha Nº 38' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Cebolinha Nº 38' (Ed. Globo, 1990)

Começa com o Cebolinha falando com o Cascão que descobriu o segredo da Mônica. Cascão fala que já tentaram de tudo, não era cabelo, dentões ou coelhinho, e Cebolinha diz que ainda não tentaram uma coisa. Ele leva o Cascão até à Mônica e diz que ela está sempre com vestidinho vermelho e o segredo da força estaria nele e precisariam tirar o vestido da Mônica

Cebolinha diz que quem ia tirar a roupa dela seria o Cascão. Ele pergunta por que tem que ser ele e Cebolinha responde não tem problema se não quiser tirar, mas quem levaria a fama de ter derrubado a Mônica seria só ele, fazendo, assim, o Cascão participar do plano infalível.


Cascão pergunta para a Mônica se pode tirar a roupa dela. Mônica acha uma safadeza em cima dela e Cascão diz que era a forma de tirar a barata que estava nas costas dela. Mônica fica desesperada e vai até a uma moita pra tirar o vestido e dá para o Cascão, que entrega par ao Cebolinha. Mônica vê que era um truque e sai da moita para bater neles, mas vê algo e sai correndo. Os meninos comemoram que ela correu por estar sem força e vão atrás dela, mas logo aparecem dois velhinhos conservadores, reclamando que a menina estava correndo pelada.

Mônica vai para casa e eles pensam que fugiu de medo. Cascão avisa que ela pode pegar outro vestido porque ela tem vários vestidinhos vermelhos e imediatamente vão ao quarto dela e roubam todos os vestidos do guarda-roupa e correm rindo da cara que ela ficou por ter sido roubada. De fato, ela só tinha vestidinhos vermelhos.


Cebolinha tem a ideia de como a Mônica fica forte com o vestido, que eles vão vestir e distribuir para a turma toda para ficarem fortes e, juntos, derrotarem a Mônica. Logo depois, todos os meninos estão usando os vestidos da Mônica, com Jeremias reclamando se estão mais fortes mesmo vestidos daquele jeito e Zé Luís se achando ridículo. Mônica aparece com camisa e bermuda e eles aproveitam para testar a força com os vestidos dela. Cebolinha fala que ela não aprendeu a lição, que a fracota agora não é de nada e xinga de baixinha e dentuça.

Mônica fica furiosa, vermelha de raiva e bate em todos eles. No final, os velhinhos conservadores veem tudo e reclamam que no tempo deles meninos não apanhavam de meninas e nem andavam por aí de vestidinho, era tudo uma pouca-vergonha enquanto os meninos ficam cheio de dores e Cascão contente que pelo menos dessa vez não foi ele quem estragou o plano.


É muito engraçada essa história, típica história de plano infalível padrão, dessa vez com Cebolinha e Cascão querendo confirmar se o segredo da força da Mônica seria por causa do seu vestidinho vermelho. Muito boas as tiradas com Cascão inventando que tinha barata as costas da Mônica para poder tirar o vestido dela, Mônica achando safadeza do Cascão querer tirar roupa dela, os meninos roubando todos os vestidos dela e ainda vestir para ver se conseguem ter a força dela.


Foi confirmado o mistério dos personagens sempre vestirem as mesmas roupas. Eles têm várias roupas de um só modelo no guarda-roupa e, assim, a Mônica só tem vestidinhos vermelhos no seu. Nunca foi revelado o motivo da força da Mônica, não tem nada que comprove por que ela é tão forte, como um objeto ou cabelo ou os dentes como eles falaram. Por exemplo, o Popeye era forte quando comia espinafre, o Sansão por causa do cabelo. Já com a Mônica, é apenas forte e pronto. Até já teve uma história similar, "O plano da calcinha de rendinha" (Cebolinha Nº 11 - Ed. Globo, 1987), com a ideia de que a força da Mônica era por causa da calcinha que usava, mas o desenrolar foi diferente.


Foi legal ver o Zé Luís participando do plano infalível. Quando criado, era ele quem criava os planos, depois de um tempo passou essa função para o Cebolinha, mas de vez em quando ele participava dos planos do Cebolinha mesmo com idade de 16 anos, bem mais velho que os outros meninos. Ficava engraçado na idade dele interagindo e participando de planos com as crianças. Uma vez ou outra ele  também tinham histórias com ele bolando planos como no final dos anos 60 e início dos anos 70.


Os velhinhos conservadores deram um ar diferente e indício de politicamente correto, quando frisavam que meninas não andam peladas na rua, meninos não andam de vestidos nem apanham de meninas, que tudo era vergonhoso e indecente. Só faltaram falar da Monica vestida com bermuda como roupa de menino. Serviu como contraste de como era no início e final do século XX, os tempos eram diferentes, não dava para comparar, tudo muda. A história tem momentos incorretos como os meninos roubando as roupas da Mônica, agindo como ladrões, não seria permitido história assim hoje em dia.

Os traços muito bons, como sempre na época. O Jeremias dessa vez apareceu com círculo em volta da boca ao invés de lábios, não sendo padronizado como era. Apesar de prevalecer os lábios, mas as vezes desenhavam com círculo em volta da boca dependendo do desenhista. Os meninos menores com 6 anos de idade apareceram só os vestidos por serem da mesma altura e os maiores como Jeremias e Zé Luís ainda apareceram bermuda e calça, respectivamente. Fica até o absurdo como o vestido entrou no Zé Luís.


Tudo indica que seja da roteirista Rosana Munhoz, ela quem gostava de nomear planos infalíveis, mas nada confirmado que seja dela. No título acabou aparecendo crédito de nome do Cascão primeiro do Cebolinha, podia ter sido "Cebolinha e Cascão" ou até mesmo "A turma". Talvez, a princípio seria publicada em algum gibi do Cascão e depois mudaram para gibi do Cebolinha. Teve um erro em posições de balões no último quadrinho. Pelo visto o balão de "plano infalível"que ficou como fala do Cebolinha, seria fala do Jeremias e "Cascão ter estragado o plano" que ficou como fala do Jeremias, seria fala do Zé Luís. Enfim, história muito legal e foi bom relembrar essa história há exatos 30 anos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Cascão: HQ "As irmãs Cremilda e Clotilde atacam no Carnaval"

É Carnaval e mostro uma história em que as irmãs Cremilda e Clotilde tentaram dar banho no Cascão durante o Carnaval. Com 5 páginas, foi história de encerramento de 'Cascão Nº 65' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Cascão Nº 65' (Ed. Abril, 1985)

Nela, Clotilde vê a Cremilda  no sofá e pergunta no que está pensando. Cremilda diz que é nos planos delas no Carnaval. Clotilde pensa que era onde vão pular o Carnaval, qual salão, mas Cremilda fala que está é planejando dar um banho no Cascão, que o Carnaval é melhor época para se molhar alguém e depois do Carnaval ele vai se chamar "Limpão".


Cremilda e Clotilde se fantasiam de caubóis e vão à rua para tentar molhar o Cascão com garrafa squeeze (bisnaga) e quando o encontram, elas jogam água nele e finalmente conseguem dar banho nele. Mas elas têm a surpresa que não era o Cascão, e, sim, o Xaveco fantasiado por causa do Carnaval e Xaveco reclama que elas estragaram a fantasia dele.

Depois encontram o suposto Cascão comendo melancia e quando molham, veem que era a Magali disfarçada. Em uma nova tentativa acabam molhando o Anjinho disfarçado de Cascão. Em seguida, percebem que todos resolveram se fantasiar de Cascão e único jeito para descobrir quem era o verdadeiro foi jogar água em cima de todo mundo, mas ninguém era o Cascão.


De repente Cremilda e Clotilde sentem um cheiro fedido, parecendo um caminhão de lixo, e aí era o verdadeiro Cascão fantasiado de imperador romano. Elas tentam molhá-lo, mas por terem molhado todos da turma, acaba toda a água delas. Cascão dá um abraço nelas e comenta que nesse ano todo mundo resolveu se fantasiar de Cascão. No final, quando ele vai embora, Cremilda e Clotilde estavam imundas com o abraço  do Cascão e uma joga água na outra para ver se limpam da sujeira impregnada enquanto o povo na rua pensam que elas estavam se divertindo no Carnaval.


Uma história legal com as irmãs Cremilda e Clotilde fazendo planos de dar banho no Cascão no Carnaval, mas não contavam que a turma toda iam se fantasiar de Cascão. Na época, o povo tinha o costume das pessoas darem banho uma nas outras com garrafas durante o Carnaval e os roteiristas sempre procuraram fazer histórias e piadas de tentativas de darem banho no Cascão no Carnaval por causa disso. 

O Cascão dessa vez apareceu só na última página, mas ficou sendo representado com seus amigos fantasiados como ele. Como Cremilda e Clotilde estavam vestidas de caubóis de faroeste, até poderiam ter colocado armas com água para dar uma impressão mais real de faroeste, mas pelo visto preferiram as bisnagas para ter mais capacidade de água dentro. Na época as armas nas histórias eram liberadas normalmente, as bisnagas foram só para seguir a tradição do Carnaval. Para republicação hoje em dia, até seria um ponto positivo para não ter alteração, porém eles não costumam mais fazer histórias com os outros fazendo planos infalíveis para dar banho no Cascão, contra a vontade dele, fora que não fazem mais histórias de Carnaval e os palavrões ditos pelo Xaveco e a palavra "Diacho" não seriam bem vindos hoje, aí não fariam atualmente história assim.


As irmãs gêmeas Cremilda e Clotilde foram criadas no lançamento do gibi do Cascão pela Editora Abril em 1982, como vilãs para dar banho no Cascão. Elas foram morar no bairro do Limoeiro e tinham mania de limpeza extrema, tudo tinha que estar um brinco sem um mínimo de poeira sequer. Ao verem que o Cascão era muito sujo tinham obsessão de dar banho nele a todo custo e faziam planos para dar banho nele, mas sempre fracassavam. 

No início, o Cascão era inocente, não sabia que Cremilda e Clotilde só tinham desejo de dar banho nele e as irmãs fingiam que eram amigas dele para tentar banho nele. Com o passar dos anos isso mudou e ele passou a saber dos planos e fugia das irmãs, provavelmente para não mostrar falsidades nos gibis. Eu preferia quando ele era inocente de não saber dos planos delas como foi nessa história, ficava mais engraçado. Essa foi uma das primeira vezes que elas contracenaram com outros personagens da turma sem ser o Cascão, no início era raro elas contracenarem com outros personagens sem ser o Cascão.


Traços ficaram bacanas, típicos de histórias de miolo da época. A capa da edição bem interessante, como Cascão deixando um aviso dando satisfação que não apareceu na capa por causa do pessoal jogar água nos outros no Carnaval. Eram interessantes capas assim sem ele aparecer por causa da água predominando. E de certa forma, até teve um pouco a ver com o tema dessa história do gibi por conta disso. 

Foi republicada depois em 'Coleção Um Tema Só Nº 13'- Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996). Deixo aqui a capa dessa edição.

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 13 - Mônica Carnaval' (Ed. Globo, 1996)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

HQ: "Chico Bento e o velho cão"


Em fevereiro de 1990, há exatos 30 anos, foi lançada a história "Chico Bento e o velho cão" mostrando a morte do cachorro Fido, que já estava bem velhinho. Com 6 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 38' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Mônica Nº 38' (Ed. Gobo, 1990)

Começa com o Chico Bento assobiando para chamar o seu cachorro Fido, assobiou bastante e Fido não atendia. Chico vê que o Fido, que estava dormindo na hora e reclama que ele não ouviu, que estava assobiando há mais de 1 hora e fala que vão caçar tatu.


Fido tenta farejar, mas acaba espirrando e tossindo e Chico estranha que ele nunca espirrou daquele jeito. Surge um tatu e Chico manda o Fido correr para pegá-lo e quando vai ver encontrar ao Fido cansado e ofegante só do pouco tempo que correu e Chico reclama que ele perdeu a pista do tatu.

Chico lembra dos bons momentos com o Fido como a vez que foram caçar tatu e Fido partiu para briga com uma onça que ia pegar o Chico e da outra vez que foram caçar tatu e Fido conseguiu pegar 3 trazendo amarrados para ele e comenta que já tem alguns aninhos aquilo. Aí Chico se toca que o Fido estava velho, mas ainda assim era o melhor, nenhum cachorro vai ser igual a ele e que a nova missão era ensinar aos cachorros mais novos tudo que sabe.


Assim, Chico põe o Fido para ensinar táticas de caça e luta para dois cãezinhos. Fido fica só olhando os cachorros, cada vez mais cabisbaixo. Depois, Chico vai levar um osso par ao Fido e encontra morto no chão. Chico chora muito e lamenta que não pôde fazer nada. Seu Bento chega e conta que o que o filho podia fazer pelo Fido já fez, amou, cuidou dele e não deixou faltar nada enquanto que o Fido ensinou o Chico a ser responsável, gostar dos bichinhos e a cuidar do próximo.

Chico concorda com o pai e diz que vai guardar o Fido para sempre no coração. Nessa hora, aparece o espírito do Fido e dá uma lambida no Chico como forma de gratidão e amor que teve enquanto estava vivo e Chico estranha que parece que sentiu uma lambida enquanto o espírito do Fido fica olhando para ele, terminando assim.


Sem dúvida uma história muito emocionante e com bonita mensagem, mostrando para os leitores a morte de um animal de estimação querido, como lidar com a perda e mostrar que é uma coisa natural quando envelhece. . Chico não estava sabendo que o Fido estava velho e prestes a morrer e estava tratando bem rude, como se estivesse preguiçoso para caçar como sempre faziam e sentiu muito quando ele morreu. 

Muito emocionante ver o corpo do Fido caído morto no chão, o Chico chorando por ele ter morrido e ainda aparecer o espírito no final lambendo como gratidão e que mesmo morto estava lá sempre presente com o Chico mesmo depois de morto. Todos que á tiveram perda de um animal de estimação com certeza se identifica muito com essa história. 


O Fido é o cachorro oficial do Chico e nas histórias antigas aparecia mais em histórias do Chico caçando animais selvagens e apesar de ter morrido nessa história, logo depois ressuscitou, ainda mesmo em 1990 ele apareceu na capa de 'Chico Bento Nº 85' e em outras histórias. Durante os anos 90 ficou um tempo sumido, mas voltou a aparecer com certa frequência a partir de 2004, principalmente em histórias do roteirista Paulo Back e ultimamente é raro aparecer. 


Os traços muito bons, bem típicos de histórias de miolo da época. É incorreta atualmente, além do tema envolver morte de cachorro e nos dias de hoje não podem ter histórias com final triste, ainda tem os fatos de ter o Chico com trabuco na mão (os personagens não aparecem mais com armas nas histórias), caçando tatus, contracenando com onças e envolver espiritismo. Completamente inadmissível nos dias de hoje, podem achar tudo traumatizante, principalmente ver o cachorro morto, o que é uma pena por não ver histórias assim.


Seria melhor essa história ter saído em um gibi do Chico Bento, tipo no encerramento de gibi dele, inclusive foi a primeira vez que mostrei uma história do Chico de um gibi da Mônica. Eles colocavam histórias do Chico em gibis da Mônica e do Cebolinha para os leitores terem noção de como eram os gibis dele e até servia também para mostrar qe o Chico era um personagem do Mauricio de Sousa, já que nos gibis dele não tinham histórias com a Turma da Mônica e aí quem começa a colecionar custa a perceber que Chico era da MSP. Eu mesmo quando comecei a colecionar só fui perceber que o Chico era da MSP por causa de suas histórias nos gibis da Mônica e Cebolinha. 

Sem dúvida uma história excelente e bem marcante, muito bom relembrar há exatos 30 anos.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Piteco: HQ "Tenho que manter a minha fama de mau"


Mostro ma história em que a Thuga desiste de correr atrás do Piteco e ele fica mal com isso. Com 7 páginas, foi publicada originalmente pela Editora Abril por volta de 1984 e republicada em 'Almanaque do Chico Bento Nº 16' (Ed, Globo, 1991).

Capa de 'Almanaque do Chico Bento Nº 16' (Ed. Gobo, 1991)

Começa o narrador apresentando o Piteco correndo, mas não de uma manada de mamutes nem de um tiranossauro enfurecido, e, sim,  da Thuga, que quer acabar com a vida de soteiro dele. Mesmo cansativo, Piteco tem as vantagens de perder uns quilos e fazer sucesso com as outras garotas, que querem saber o que a Thuga viu de tão especial nele, mas acabam sendo afastadas pela Thuga.


A rotina do Piteco é sempre essa, até que um dia, ele acorda e vai pegar água no riachão e preparado pelo seu "cooper matinal", mas estranha a Thuga não estar lá e demorar muito enquanto pega a água e comenta que ela nunca o deixou em paz um só momento. De manhã, tarde e note Thuga não aparece e Piteco acha qe ela está doente.

No outro dia, Thuga não aparece de novo e Piteco comenta que não se acostuma com tanta paz. No caminho, encontra a Ogra e pergunta se a Thuga está doente, pois não tem visto ultimamente. Ogra diz que está bem, só se cansou de correr atrás de alguém que nunca vai conseguir alcançar. Piteco fica contente que está livre dela, fala que nunca mais vai ter corridas e nem ciladas para levá-lo para o altar. para comemorar, resolve paquerar uma garota, algo que não conseguia há muito tempo, mas acaba levando fora dela, que diz que tem compromissos pelo resto do mês.


Quando parte para outra, no caminho ouve mulheres comentando que deve ter um bom motivo para Thuga desistir do Piteco e ainda falam que ele é bem feinho enquanto os homens comentam que Piteco não é mais aquele. Piteco diz que eles que se danem e está muito feliz. Ele senta na frente da sua caverna e se convence que está triste, não aguenta mais e resolve ir falar com a Thuga, já que tem zelar pela imagem dele.


Piteco cobra da Thuga por que não está correndo atrás dele e Thuga achava que ele estava satisfeito e ele fala qe pensava que ela era seria mais persistente. Thuga conta que encarou a realidade de que Piteco não gosta dela. Piteco pergunta de como que ela tem certeza disso e diz que ela tem que perseguir seu objetivo e como conseguirá alguma coisa assim desistindo. Se quer conquistá-lo, que deve lutar por ele.



Thuga fica feliz que Piteco quer que volte a correr atrás e por ele começar a gostar dela e já se prepara para marcar a data do casório. Aí, Piteco fala que se ela parar de correr atrás dele, as garotas vão pensar que ele perdeu seu charme e ele tem que manter a fama de durão, por isso que a Thuga tem que correr atrás. No final, volta a perseguição, as garotas apaixonadas pelo Piteco, chamando de charmoso e bonitão, e Thuga corre atrás dele furiosa, dessa vez corre não para conquistá-lo, mas, sim, para bater nele por tudo que ele falou.


História muito divertida com Piteco achando ruim da Thuga desistir de correr atrás dele e preocupado com as garotas acharem qe ele não tem mais charme por causa disso. A principio a gente até pensava que era mais um dos planos infalíveis da Thuga fingindo que não gostava mais do Piteco para ele ficar cismado que a perdeu ir procurar atrás para se casar com ela. Só que dessa vez realmente ela desistiu, mas ele sentiu falta da perseguição e foi atrás para convencer a voltar correr atrás dele. A surpresa foi que não que gostasse e fosse se casar com ela, mas só pra zelar a sua imagem de charme com as outras garotas e não ficar mal falado na aldeia. 

Nas histórias do Piteco, a Thuga vivia dando em cima dele, fazendo planos para conquistá-lo e casar com ele, mas ele sempre corria. Na verdade, ele gostava e era gamado na Thuga, mas não quer saber de casamento e morrer solteiro e aí sempre dá um jeito de fugir dela para não se casar. Ele só desistiu da Thuga dessa vez porque ela falou de casamento.


Tem uma mensagem boa das pessoas não desistirem dos seus sonhos e objetivos, sempre lutar por eles. Em contrapartida, é incorreta pelo tema do Piteco ser machão, brincando com sentimento da Thuga só pelo seu interesse próprio de zelar sua imagem de homem durão, fora a cena do Piteco ter caçado e mostrar dinossauro morto e a clava dele ter prego para dizer que machuca mesmo as suas presas, coisas não bem vistas nos dias de hoje.

Os traços muito bons, com arte-fina bem bacana. Engraçado ver as cavernas sendo retratadas como apartamentos, com eles morando no segundo andar, bem comum principalmente na Editora Abril.  O título teve referência à música"Tenho que manter a minha fama de mau" do Erasmo Carlos. E bom ver a presença da Ogra, era bastante frequente na época, já atualmente é raro ela aparecer. 


Legal também o narrador -observador contando e interagindo nas histórias. Foi boa sacada ele contando que "dinossaurinha" era equivalente a expressão "gatinha" atualmente e que a cantada "Flores para uma flor" era datada da Pré-História. Detalhes que faziam diferença e deixavam mais engraçadas as histórias.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Astronauta: HQ "Antes só do que mal-acompanhado"


Mostro uma história em que o Astronauta teve que enfrentar um extraterrestre bandido que se passou por cachorro para fugir da prisão. Com 6 páginas, foi pulicada originalmente pela Editora Abril por volta de 1985 e republicada em 'Almanaque da Mônica Nº 36' (Ed. Globo, 1993).

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 36' (Ed. Globo, 1993)

Mostra o Astronauta com solidão no espaço sideral, lembrando dos seus amigos, da sua namorada Ritinha e da vida na fazenda, quando de repente se depara com um cachorro espacial abandonado em um planeta. Astronauta acha bem dócil, leva o cachorro para sua nave para fazer companhia, dá comida e arruma um cantinho para ele dormir. Depois que sai para ter uma soneca também, o cachorro se transforma em sua forma real de extraterrestre e captura o Astronauta, que estranha o ET lá dentro da nave. 


Ele se apresenta como Bargow, do planeta Orbow, que durante muitos anos foi considerado o maior vilão do espaço, assaltou todos os bancos de todos os planetas, mas um dia foi capturado por uma policial, aproveitando que seu ponto fraco era mulheres bonitas. Foi condenado a viver o resto da vida em um planetoide até que avistou o Astronauta e leu os pensamentos dele de solidão e se transformou em um cachorro, já que os habitantes do planeta Erbow são camaleões.


Com isso, Bargow deixa o Astronauta no planeta prisão para cumprir a pena no lugar dele. Só que Astronauta tem pensamento de um tesouro. Bargow lê o pensamento dele e exige que fale onde tá o tesouro. Astronauta fala que não tem nenhum e, assim, Bargow o leva para a nave para mostrar onde está. Astronauta pensa que tem tesouro em um esconderijo secreto, que era só apertar um botão. Quando Bargow aperta, leva um soco de uma aparelhagem de luva de boxe que o Astronauta tinha colocado na nave.


Astronauta se desamarra com outra aparelhagem com tesoura e se orgulha que sua nave é cheia de truques. Ele prende Bargow e o leva até o planeta-prisão que ele estava. No final, Astronauta comenta que tem que ter cuidado, pois tem vários planetas-prisões naquela região e vai sobrevoando com sua solidão e lembranças, quando de repente se depara com uma mulher perdida em outro planeta, dando a entender que é golpe e vai acontecer tudo de novo. 


Uma aventura bem legal, o alienígena bandido se aproveitou da solidão do Astronauta e do dom de ler pensamentos e de ser camaleão se transformando em outras coisas para virar um cachorro e poder fugir da prisão. Ele passou sufoco por causa da sua solidão, um tema muito abordado em suas histórias antigas. Tanto o Astronauta sofreu por conta do extraterrestre ter se aproveitado da sua solidão, assim como o Astronauta se livrou do ET por causa da sua fraqueza por dinheiro. Com isso,  a história deixa a mensagem de ficar atento às pessoas, não deixarem se aproveitar de você ao saberem de suas fraquezas.


Boa ideia de mostrar que as prisões de extraterrestres bandidos eram em planetas prisões, ficando lá solitários a vida toda. Legal ver a nave equipada do Astronauta, pronta para enfrentar qualquer perigo inesperado. Final ficou aberto para os leitores imaginarem como seria a sequência após. Sabe-se que a mulher que ele encontrou era outro bandido, mas o leitor imaginaria como ele ia se sair dessa de novo. Era muito comum finais abertos assim, principalmente nos gibis da Editora Abril. Impublicável hoje em dia por conta do alienígena ser bandido, coisa inaceitável nos gibis atuais.


Os traços muito bons, bem típicos dos anos 80, o universo espacial, a noite muito bem desenhado. Era bom os pensamentos com cores diferentes, com tons azulados e brancos, eu gostava dos pensamentos com cores assim para diferenciar que era algo passado, fora da realidade atual. E dessa vez a história do Astronauta teve título, coisa bem rara na época. Atualmente até que colocam títulos nas suas histórias novas. 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Magali: HQ "A mosca"

Em janeiro de 1990, há exatos 30 anos, foi lançada a história "A mosca" em que a Magali troca de corpo com uma mosca causando muita confusão. Com 16 páginas, foi publicada em 'Magali Nº 16' (Ed. Globo, 1990).

Capa de 'Magali Nº 16' (Ed. Globo, 1990)

Começa com a Magali e sua mãe, Dona Lili, saindo do restaurante, com Magali perguntando se o pai, Seu Carlito, não ia com elas e a mãe diz que ele ficou lá lavando pratos do restaurante porque a Magali comeu mais do que eles podiam pagar e lembra que ainda avançou nos pratos dos outros clientes e fala que ela precisa controlar o apetite senão vai levar os pais á falência.


Magali não entra em casa e fica na rua mais um pouco para brincar e, com vergonha pelo que fez, decide que vai aprender a se controlar na fome, comendo só o necessário e resolve comer 12 cachorros-quentes, se sentindo bem que os pais vão se orgulhar dela. Só que depois de comer, se dá conta que foram 12 cachorros-quentes e chora na árvore se sentindo uma fracassada.


Franjinha aparece e pergunta o que aconteceu. Magali diz que está triste porque não consegue controlar o apetite e ao abraçar o Franjinha, acaba comendo o chocolate que estava no bolso do jaleco dele e Franjinha vê que o caso é grave e a leva até o seu laboratório, dizendo que tem algo que pode ajudar. A mãe do Franjinha o chama e ele pede para Magali esperar lá.


Magali entra na nova invenção do Franjinha e aperta um botão que tinha nela. Enquanto o vidro se fecha, entra junto uma mosca que estava rodando o tempo todo o laboratório. A invenção dá uma sacudida e quando abre o vidro, Magali sai transformada em mosca. Sem saber ainda, ela se sente diferente, mas o apetite não mudou nada. Ela se vê através de um vidro que virou mosca e sai á procura dele, mas não o encontra na casa dele.


Depois, Franjinha volta, falando que demorou porque teve que fazer compras para a mãe dele e nota uma fumaceira no laboratório. Franjinha vê a Magali dando trombada no seu invento e quando a vê de frente se assusta com a mosca no corpo da Magali. Ela estava tonta, dando trombada em tudo e sai com ela para tentar levá-la a um médico ou veterinário.


Enquanto isso, a Magali como mosca lamenta que não encontra o Franjinha e para piorar está com muita fome. Ela vê o Cebolinha comendo xisburguer e fica rodando em volta dele. Magali come todo o seu xisburguer e ao ver a Magali transformada em mosca, dizendo que estava uma delícia, se assusta e corre de medo, quando tromba com o Franjinha. Ele diz que viu a Magali transformada em mosca. Franjinha fala que ia dizer a mesma coisa, mostrando a mosca no corpo da Magali e Cebolinha desmaia.


Quando acorda, Cebolinha diz que não era aquela Magali que ele viu, era bem pequenininha. Franjinha raciocina e deduz que a Magali entrou no seu teletransportador junto com uma mosca e, assim a máquina acionou as moléculas das duas e elas trocaram de corpo. Cebolinha sente nojo da mosca no corpo da Magali e Franjinha avisa que tem que procurar pela cidade a mosca com a cara da Magali. Antes, vão deixar a mosca na casa da Magali, falando pra Dona Lili para deixar uma parte da filha lá enquanto procuram a outra parte e ela desmaia ao ver a filha daquele jeito.


Magali sente um cheiro convidativo de comida e vai até ao restaurante e toma toda a sopa de um cliente. Ele reclama com o garçom que tem uma moca na sopa. O garçom fala que ele já tomou toda a sopa, ele diz que foi a mosca, o garçom diz que é desculpa para não pagar e um começa a xingar o outro com muitos palavrões e ela sai e vai até á cozinha do restaurante.


Magali come toda a comida e o cozinheiro ao vê-la tenta matar. Ela tenta se esconder e acaba o cozinheiro acertando no Seu Carlito que ainda estava lavando louça do restaurante. Seu Carlito reclama que além de lavar louça, ainda apanha e Magali fala que não é para deixar o cozinheiro pega-la. Quando o Seu Carlito vê a filha transformada em mosca, desmaia.


O garçom aparece e tenta matar com um inseticida. Quando está prestas a apertar o spray, Franjinha e Cebolinha  aparecem e conseguem salvá-la. Franjinha diz que foram em todos os restaurantes o bairro e conseguiram encontrar lá. Magali fala que foi culpa dos brutamontes e eles desmaiam ao descobrir que a mosca fala.


Eles aproveitam e vão embora, voltam ao laboratório e Franjinha consegue fazer a Magali e a mosca voltarem ao normal. Magali reclama que o teletransportador não fez diminuir o apetite e ele diz que o que ia dar era um xarope que ele fez à base de jiló e óleo de sardinha, que um pouco dele já deixa a comida tão ruim que tira o apetite de cada um.


Os pais falam que a Magali não precisa de nada disso, que ela vai aprender a controlar seu apetite sozinha e vão para casa, com Dona Lili perguntando se Magali está bem, e ela responde que está normal e fica feliz que os pais não estão mais brabos com ela. Em casa, Dona Lili avisa que fez um bolo açucarado que ela gosta e antes de avançar, Magali oferece bolo para as moscas que estavam rodando as frutas na mesa, falando que  primeiro quer ver se suas amigas moscas estão servidas do bolo, terminando assim.


Essa história é muito engraçada, mexe com a fantasia dos leitores. Magali na tentativa de controlar o seu grande apetite, que custou o seu pai ficar lavando louça no restaurante por ter comido demais, procurou ajuda com Franjinha e acabou se dando muito mal, trocando de corpo com uma mosca ao entrar no teletransportador. Tem as invenções malucas do Franjinha que são bem divertidas e causam muita confusões, não é a toa que os personagens têm medo quando ele avisa que criou uma invenção nova.


Foram muitos absurdos, não só da troca de corpo  entre Magali e a mosca, como também a gula da Magali como mosca e comer tudo que vê pela frente de uma tacada só, da mesma forma que ela no seu corpo normal e ainda caber tudo na barriga como miniatura. Legal também ver os prejuízos que ela dava para os seus pais por conta da gula e suas tentativas em vão para controlar, como achar que comer 12 cachorros-quentes já estaria controlando apetite, pois normalmente comeria mais. Engraçado também os sustos e os desmaios dos personagens vendo a mosca no corpo da Magali ou ela no corpo da mosca.


Os traços bem caprichados, muito bem desenhados, dava gosto de ver assim, nunca deviam ter mudado isso. Teve um erro do garçom falando de boca fechada ao mostrar inseticida, hoje em dias eles corrigem fazendo alterações em almanaques quando acontecia isso nas revistas originais. Interessante o pensamento do Franjinha ser engrenagens. Eles gostavam de colocar balões de personagens tendo ideias ou pensando personalizados. Onde normalmente seria uma lâmpada, colocavam o Chico Bento com ideia representada por lamparina, o Penadinho por uma vela, o Piteco por uma fogueira e aí com o Franjinha foi engrenagens.


Era comum na época histórias com os personagens se transformando em alguma coisa ou trocar de corpo com outra pessoa ou outra coisa, normalmente acontecendo por alguma invenção ou por causa de uma bruxa, uma fada ou extraterrestre. Hoje em dia, evitam de fazer histórias assim de transformações de personagens, não sei por que motivo, talvez por acharem bobas ou serem absurdos demais e não gostam de fazer histórias com absurdos. Uma pena porque eram muito divertidas histórias assim.


Outro ponto incorreto é a mosca no corpo da Magali, podem achar que ia traumatizar muitas crianças vendo aquilo e aí não fariam. Confesso que quando criança achei um pouco esquisito de ver a mosca grandona no corpo da Magali, mas não a ponto de traumatizar, sempre gostei dessa história. Os palavrões  entre o cliente e o garçom também não iam colocar, já que atualmente palavrões são proibidos. Muito bom relembrar essa história há exatos 30 anos.