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sábado, 5 de outubro de 2019

Jotalhão: HQ "Memória de elefante"

Mostro ma história em que teve o mistério de qual motivo o Jotalhão colocou um laço na sua tromba e não se lembrar da coisa que tinha que lembrar. Foi publicada em 'Gibizinho da Turma da Mata Nº 19' (Ed. Globo, 1992).

Capa de 'Gibizinho da Turma da Mata Nº 19' (Ed. Globo, 1992)

Com 15 páginas no formato gibizinho, começa com o Jotalhão arrasado, que não acredita, é ridículo, é a vergonha dos elefantes. Raposão chega e pergunta o que acontece e Jotalhão responde que colocou um laço na tromba para lembrar alguma coisa e não lembra o que era.


Rita Najura chega e Jotalhão diz que lembrou que era do encontro que teria com ela. Rita fica feliz por ele ter lembrado, mas o encontro será só semana que vem. Em seguida, Jotalhão vê o Tarugo e fala que pensou que ia esquecer. Tarugo fica assustado e entrega o dinheiro que estava devendo ao Jotalhão e ainda diz que memória de elefante é fogo. Na verdade, Jotalhão pensava que era ele quem estava devendo ao Tarugo quando o abordou.


Jotalhão fica irritado por não saber o que o laço quer dizer, o que ele tem que lembrar. Raposão tenta acalmá-lo, falando para esquecer isso e aí Jotalhão fica brabo e envolve a tromba no pescoço do Raposão, que se desculpa foi força de expressão. Jotalhão lembra de algo e joga o Raposão no chão e vai até a toca do se compadre Coelho Caolho, achando que tinha que levar seus afilhados para passear. Raposão diz que Coelho Caolho e as crianças saíram de férias e Jotalhão não se lembrava.


Jotalhão fica desesperado por não se lembrar de nada, fala que está caducando e começa a chorar. Raposão tenta animá-lo, falando que é melhor ir para casa relaxar, vai ver que o que esqueceu não é tão importante assim, talvez não tenha nada para lembrar e que esteja caducando mesmo. Jotalhão olha brabo para ele e Raposão desconversa, falando que foi nada.


Quando chega em casa, Jotalhão pede para Raposão ligar a luz. Ele diz que já ligou e Jotalhão acha que esqueceu de pagar a conta de luz e Raposão o lembra que ele não tem energia elétrica e a luz da caverna é fogueira. Jotalhão finalmente lembra que o laço não era para lembrar alguma coisa, era o cadarço do tênis dele que lavou e colocou na tromba para secar. Raposão fica furioso e coloca um laço gigante na tromba do Jotalhão para ele se lembrar de não esquecer mais nada, terminando assim.


Essa história é bem legal, do nada o Jotalhão esquece por que deixou aquele laço na tromba e sem querer acabou desvendando outros esquecimentos dele em relação a seus amigos, o que não era normal para um elefante, e acabou que era só um cadarço de tênis que havia deixado na tromba para secar.


Engraçado ver que o Jotalhão esqueceu que o Tarugo estava devendo dinheiro para ele, que esqueceu que o seu compadre Coelho Caolho viajou com os filhos e achar que não pagou conta de luz e sequer tinha luz elétrica na sua toca e o Raposão achar que ele estava caducando por casa de tanto esquecimento.


A história brinca com a memória de elefante, já que tem boa capacidade de armazenar informações e que originou a expressão de fulano ter memória de lembrança, que são aqueles que não se esquecem de nada. Com isso, a história fez o oposto, fazendo com que o Jotalhão não se lembre de nada, sendo a vergonha dos elefantes.


Os traços muito bons, bem clássicos dos anosa 90. Na postagem coloquei completa.No gibizinho ela ocupou 15 páginas, mas se fosse em gibi normal e adaptando o formato daria umas 5 páginas mais ou menos se colocassem 8 quadros por página. Não foi a história de abertura, foi a de encerramento desse gibizinho, por isso a capa não aparecendo o Jotalhão e fazendo uma piada bem criativa em cima da história de abertura do Raposão com insônia.


Para saber mais detalhes da série "Gibizinhos", entre AQUI e AQUI.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Capa da Semana: Gibizinho do Bidu Nº 23

No dia 18 de julho de 1959 era criado o Bidu em uma tirinha sua no "Jornal da Tarde", junto com o Franjinha, começando, assim, a trajetória de sucesso do Mauricio de Sousa no mundo dos quadrinhos. Aos poucos o cãozinho Bidu foi recebendo mais destaques e foram criados os outros personagens do Mauricio.

Em homenagem aos 60 anos de criação do Bidu e da MSP, deixo uma capa do Bidu em que ele cola cartazes no muro mostrando que é um verdadeiro astro dos quadrinhos. Parabéns Bidu e Mauricio pelos 60 anos de sucesso!

A capa dessa semana é de 'Gibizinho do Bidu Nº 23' (Ed. Globo, Setembro/ 1992).


domingo, 29 de julho de 2018

Gibizinho do Pelezinho Nº 15 e Nº 24 - Editora Globo


Em 1992 foram lançados os gibizinhos do Pelezinho Nº 15 e Nº 24, os últimos exemplares com histórias inéditas do personagem e sua turma. Nessa postagem mostro como foram esses gibizinhos.

Depois que cancelaram o gibi mensal do Pelezinho em 1982, pela Editora Abril, praticamente só tiveram material com republicações antigas, como 8 almanaques lançados pela Editora Abril e 3 gibis lançados na Copa de 1986, com republicações de histórias, sendo que as de abertura dos 2 primeiros números eram inéditas. Pela Globo, Pelezinho teve um pocket "As Grandes Piadas do Pelezinho Nº 7" em 1987, um almanaque em 1988 e uma edição especial "Pelezinho 50 Anos" em 1990, seguindo a linha de republicações. Porém em 1990 passaram a ter edições com histórias inéditas como o "Pelezinho Especial Copa 90", além desses 2 gibizinhos em 1992, que terão o destaque dessa postagem.

Esses gibizinhos seguiram a linhas dos que eram lançados na época, seguindo a numeração atual, vindo junto com os dos outros personagens da Turma da Mônica.  Cada gibizinho tinha formato 13,5 X 9,5 cm, 32 páginas, com capa e miolo todos em papel couché com cores bem vivas e sem propagandas no miolo, apenas nas página 2 e 32 da contracapa. A seguir comento como foi cada exemplar individualmente.

Gibizinho do Pelezinho Nº 15

Lançado em maio de 1992, junto com gibizinhos do Cebolinha, Tina e Franjinha, essa edição teve 2 histórias e 1 página de passatempo de "Jogo dos 7 Erros" na última página. Os traços seguiram o tradicional do personagem, com círculo rosa em volta da boca e sem nariz, só que com estilo dos anos 90, assim como aconteceu com o "Pelezinho Especial da Copa 90". A capa não teve referência à história de abertura, como era de costume nos gibizinhos, apenas uma imagem com ele cumprimentando uma bola em um estádio cheio.

Começa com a história "Uau! Que bicão!", de 18 páginas. Nela, Pelezinho chuta a bola bem alto enquanto jogava futebol com seus amigos e ele vai ter que ir buscar. A bola vai para muito longe, para fora do Brasil, percorrendo o mundo inteiro. Pelezinho caminha atrás da bola e chega na fronteirado Brasil com a Argentina e encontra um guarda, que diz que ele não pode passar pela fronteira, mas ele reconhece o Pelezinho e também ajuda a procurar a sua bola.

Trecho da HQ "Uau! Que bicão!"

Eles atravessam o Oceano Atlântico de barco com a ajuda de um português, que pensa que a bola era um cometa quando avistou no céu, e vão a Portugal. Lá, perguntam a um senhor se viu a bola e ele confunde a bola voando no céu como um cometa e que foi adiante em direção à Espanha. Pelezinho, o guarda e o português vão para a Espanha de trem. Lá, o espanhol diz que viu a bola voando e deve ter caído na Inglaterra. Eles vão pra lá e o inglês diz que inventaram a bola, mas não viu aquela.

Trecho da HQ "Uau! Que bicão!"

Eles vão indo de país a país para ver onde foi parar a bola. Na França, a bola faz entortar a Torre Eiffel. No Vaticano, o Papa pensa que a bola era estrela de Belém. Eles vão também para o Oriente Médio, para o Egito, Arábia e Japão. Depois, Pelezinho olha o mapa e vê que a bola deu a volta no mundo inteiro e pela rota o próximo destino foi o Brasil, deixando o guarda argentino e o português bem brabos. Pelezinho diz que culpa é do morrinho artilheiro. 

A bola chega ao Brasil e cai no mesmo lugar bem em cima da cabeça do Cana Braba. Frangão avisa que a bola voltou e o Pelezinho também. Ele convida o  guarda argentino e o português para assistirem ao jogo. Pelezinho dá outro chute forte na bola e vai parar muito longe, sendo que dessa vez mais longe ainda e vai parar para fora do planeta terra, na cabeça de um exraterrestre, terminando assim.

Trecho da HQ "Uau! Que bicão!"

Foi bacana essa história. O chute do Pelezinho se compara à força da Mônica e então rendiam boas histórias assim, cheia de absurdos. Legal ver os estrangeiros comparando a bola como outras coisas, já que a velocidade que percorria o céu era tão grande que não dava pra distinguir que era uma bola. Como a Terra é redonda, ela percorreu o mundo inteiro voltando exatamente ao lugar inicial, nem era preciso o Pelezinho ir buscá-la, era só esperar que uma hora voltava sozinha.

Trecho da HQ "Uau! Que bicão!"

A segunda história foi "Vestindo a camisa", de 9 páginas em que o pai do Pelezinho lhe dá uma camisa da Seleção Italiana ao invés da Brasileira que o filho tinha pedido. Quando o Pelezinho vai à rua com a camisa da Itália, passa a ser linchado pelos amigos, considerado um traidor por não estar com a camisa da Seleção Brasileira. Todos correm atrás do Pelezinho, que avista o Cana Brava no caminho e pede para ajudá-lo e acaba correndo também correndo atrás do Pelezinho para bater nele.

Trecho da HQ "Vestindo a camisa"

Pelezinho se esconde da turma dentro de uma lata de lixo e depois que vão embora, ele  se encontra com a Neusinha, que quer que ele dê satisfação por que está com a camisa da Itália. Ele diz porque não tinha a da Seleção Brasileira e então Neusinha diz que poderia ter usado a do Japão e por isso ele era duplamente traidor. Em seguida, chega a Bonga e se assusta ao ver o Pelezinho com a camisa da Itália. Ele tenta explicar, mas ela quer saber de nada e vai embora chorando. Pelezinho, então, tem a ideia de tingir a camisa de amarelo pra ficar igual à do Brasil. Como ele tinge com a camisa e tinta no fogão, a camisa acaba encolhendo e então a solução foi fazer a camisa como uma bandeira amarela, como se fosse bandeira do Brasil.

Trecho da HQ "Vestindo a camisa"

Foi legal essa história, em um tempo em que os brasileiros era mais patriota e não aceitavam alguém vestir uma camisa de outro país sem ser a do Brasil. Hoje em dia  o povo não ia ligar muito para isso, seria só apenas uma camisa qualquer, no máximo podiam implicar se fosse camisa da Argentina, país maior rival do Brasil no futebol. Teve suas cenas incorretas como o Pelezinho entrar em lata de lixo para não apanhar e por ele mexer com panela no fogão com chama acesa, coisas inadmissíveis nos gibis atualmente.

Trecho da HQ "Vestindo a camisa"


Gibizinho do Pelezinho Nº 24

Lançado em outubro de 1992, junto com os gibizinhos da Mônica, Pipa e Penadinho, essa edição teve 3 histórias no total e sem passatempo na última página. A novidade dessa edição é que os traços do Pelezinho foram mudados, deixando bem diferente que conhecemos. 

Tiraram os lábios formando um círculo na boca e passaram a colocar lábios mais discretos, bem semelhante como fizeram com o Jeremias a partir de 1983, e passaram a colocar um nariz nele, deixando o personagem mais humanizado. O Cana Braba também teve seus lábios mais discretos, já que nos anos 70 e 80, os lábios eram bem mais carnudos.

Traços do Pelezinho clássico

Essa mudança aconteceu também nos gibis de 2013 e 2014 na Panini, só que aí foi pior porque enquanto esses gibizinhos eram com histórias inéditas, os da Panini eles alteraram os desenhos de todas as histórias, colocando o personagem ainda pior sem lábios e com nariz e aí estragando com tudo. Para entender melhor essa mudança de traços ridículas nos gibis do Pelezinho da Panini, clique AQUI.

O motivo, pelo visto, é que a boca com lábios em forma de círculo dar um ar preconceituoso, chamando os negros de palhaços. O Jeremias havia feito essa mudança, após cancelarem os gibis do Pelezinho, mas sempre que o Pelezinho aparecia nas imagens das capas dos seus almanaques e em algumas inéditas, ainda seguiam o estilo tradicional e a partir desse 'Gibizinho Nº 24', a tendência era sempre aparecer o personagem dessa forma, mas acabou não aparecendo mais depois dessa edição.

Traços novos do Pelezinho em 1992

A princípio até dava pra imaginar que era o Pelezinho adolescente, que haviam prometido lançar uma coleção de gibis assim no Especial "Pelezinho 50 Anos" de 1990, mas que acabou não saindo do papel e imagens aparecendo só nesse especial e uma propaganda da Telesp. Nesse gibizinho se trata, então, do Pelezinho criança, assim como os outros da sua turma, só com traços diferentes. Com isso a edição "Nº 15" foi a última de inéditas com os traços clássicos.

Esse 'Gibizinho do Pelezinho Nº 24' teve a capa de alusão à história de abertura, sendo na verdade uma piada em cima da história de abertura com uma bola tentando impedir briga entre os meninos durante o futebol, e não teve passatempo no final.

Começa com a história "A decisão", com 10 páginas, mostrando um jogo de futebol com a Turma do Pelezinho. Os meninos estão jogando a decisão do campeonato de futebol com as meninas na plateia, lideradas por Bonga e Samira. Pelezinho começa a bola da partida e faz um gol logo nos primeiros minutos e a torcida do time dele vibra. Depois, ele dá uma canelada na perna do menino e logo faz outro gol, com direito a cantadas das meninas da torcida.

Trecho da HQ "A decisão"

Depois, o menino da torcida adversária faz com que a bola passe entre as pernas do Pelezinho e faz um gol, sem chance para o Frangão pegar a bola. Acaba o jogo e o time do Pelezinho vence de 2 a 1. Os jogadores adversários vão  em direção ao Pelezinho com raiva e ele pensa que vão querer briga, mas o garoto só cumprimenta o Pelezinho, dando parabéns à conquista do campeonato. Então, Pelezinho e todos se dirigem aos leitores falando que é pra praticar esporte e não praticar violência.

Uma história típica pra mostrar como deve ser um jogo e ensinar que não deve ter violência nas partidas, saber ganhar e perder um jogo com amizade entre todos. e uma forma também de apresentar essa nova fase do Pelezinho.

Trecho da HQ "A decisão"

Em seguida vem a história "O rebatedor", de 6 páginas, em que Pelezinho e Cana Braba estão jogando beisebol. Pelezinho rebate a bola de golfe tão longe que Cana Braba tem que ir correr muito para pegar a bola de volta.

Trecho da HQ "O rebatedor"

Ele bate a cabeça no muro, precisa nadar um rio, tropeça em uma pedra, cai em um precipício, mas consegue pegar a bola que cai na cabeça dele. Cana Braba promete que nunca mais o Pelezinho vai fazer correr mais daquele jeito e ao lançar a bola de novo, ela cai na cabeça do Pelezinho, formando um galo nela e Pelezinho corre atrás do Cana para bater nele, e, com isso, ele acaba correndo inclusive mais do que quando tinha só pegado a bola longe da primeira vez.

Mostra mais uma vez a força exagerada do Pelezinho ao praticar esportes, causando muita confusão, não só para ele como também para seus amigos.

Trecho da HQ "O rebatedor"

Termina com "Embaixadas", com 12 páginas, em que o Pelezinho encontra o Cana Braba fazendo embaixadas com a bola e já estava em 1005 embaixadas, quando faz cair. Pelezinho diz que ele foi muito bem por nunca ter conseguido fazer mais que 5 embaixadas e pergunta como ele conseguiu. Cana Braba diz que ele começou a embaixada a partir do número mil.

Trecho da HQ "Embaixadas"

Pelezinho diz que consegue fazer mais que isso e eles apostam um sorvete que Pelezinho consegue fazer duas mil embaixadas. Pelezinho começa as embaixadas e vai muito bem. Cana debocha quando ele está em 11 embaixadinhas falando que isso até a avó dele faz e Pelezinho diz para não atrapalhar. Cana diz que a vó dele nunca ligou para provocações e Pelezinho responde que mesmo provocando vai conseguir fazer as duas mil embaixadas. Pelezinho prossegue dando show, fazendo embaixadas até de calcanhar, de cabeça e deitado. Chega a noite e ele continua a todo vapor, já com mais de 1200 embaixadas e até dormindo ele não para.

Trecho da HQ "Embaixadas"

Amanhece e Pelezinho continua e já com mais de 1800 embaixadas. Ele prossegue e começa a contagem regressiva de 1990 embaixadas. Quando ele tá em 1999 embaixadas, Pelezinho espirra e acaba não completando as 2 mil embaixadas e Caba Braba fica zoando o Pelezinho e gargalhando que ele é muito grosso e não consegue fazer 2 mil embaixadas.

Essa foi a melhor do gibi, as de absurdos são as melhores. Como o Pelezinho é o craque da turma ele não pode errar e sempre é engraçado quando ele vacila e se dar mal por se gabar de ser o grande craque do futebol.

Trecho da HQ "Embaixadas"

Como podem ver, são edições históricas do Pelezinho, mostrando histórias inéditas, coisa rara desde que seu gibi foi cancelado em 1982 e as últimas inéditas dele até hoje. Depois disso, só teria gibis nas bancas novamente 20 anos depois, em 2012 ("As Melhores Histórias do Pelezinho" durando 14 edições, até 2014), e uma "Coleção Histórica" (durando 6 edições entre 2012 a 2014), sendo que tudo foram republicações e, portanto, as últimas histórias inéditas mesmo do personagem foram nesses gibizinhos de 1992 até hoje. 

Uma pena que os traços do Pelezinho foram mudados para pior na sua última participação em gibis, mas pelo menos eram com histórias inéditas, diferente da tosqueira que fizeram nos gibis da Panini em 2013 alterando as histórias clássicas da Editora Abril, tirando o círculo da boca e colocando lábios e nariz no lugar que não tinha nas originais, descaracterizando completamente as histórias antigas e desrespeitando os desenhistas originais da época. Ainda assim, vale a pena ter esses gibizinhos "Nº 15" e "Nº 24" clássicos e raros com a despedida dos Pelezinho nos gibis.

Para saber mais detalhes da série "Gibizinho", entre AQUI e AQUI.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Gibizinhos Nº 1



Em agosto de 1991 eram lançados os "Gibizinhos", uma série de minigibis que marcou época. Em homenagem aos exatos  25 anos de lançamento, nessa postagem faço uma resenha como foram os 4 'Gibizinhos Nº 1'.

A cada número vinham 4 exemplares diferentes, um para cada personagem, sendo pelo menos um deles era de algum dos 5 personagens principais. Cada Gibizinho tinha formato 13,5 X 9,5 cm, 32 páginas, com capa e miolo todos em papel couché com cores bem vivas e sem propagandas no miolo, apenas nas página 2 e 32 da contracapa. O enquadramento das histórias foi inovador, em média 2 quadros por páginas para manter uma boa visão de leitura.  Foi uma grande novidade esse formato de histórias na época. Para saber mais detalhes dá pra conferir AQUI E AQUI.

Nessas edições "Nº 1" tivemos Gibizinhos da Mônica, Piteco, Anjinho e Bidu. De comum, em todos tiveram capa fazendo alusão à história de abertura (a maioria dos Gibizinhos tinham capas com alusão à história) e também uma página de passatempos na página 30. Todos com 2 histórias no total, com exceção do Piteco que foram 3. A seguir comento como foi cada exemplar individualmente.

Gibizinho da Mônica Nº 1

A história de abertura foi "Mônica-robô", com 14 páginas. Nela, o narrador se pergunta se são esboços da Mônica vindo dos estúdios Mauricio de Sousa. O inventor responde que era a sua nova criação, a menina-robô, que canta, dança, corre e faz tudo o que menina normal pode fazer, só não fala. Enquanto ele está falando, a Mônica-robô vai para a rua, para desespero do inventor.

Trecho da HQ "Mônica-Robô"

Na rua, Cebolinha encontra a Mônica-robô e, sem saber que era um robô, cumprimenta. Como ela não responde, ele grita se não vai falar com ele, a chama de mal-criada e pergunta se a mãe não lhe deu educação. Nota que ela está estranha, achando que está com um olhar de peixe-morto e sorriso meia-lua, que só poderia estar apaixonada e pergunta se o louco era o Robertinho ou o Armandinho.

Ela não responde nada e ele grita pra falar com alguma coisa e chama de dentuça. Nisso, surge uma coelhada por trás, pela Mônica verdadeira, que acaba atingindo a robô. Eles ficam assustados com a robô e saem correndo. Nessa hora, surge o inventor e vê a sua robô destruída. Mas, ele não liga, porque ele criou outros, apontado para os robôs do Cebolinha, Cascão e Magali, terminando assim.

Trecho da HQ "Mônica-Robô"

A seguir vem a história "Negócios", em que surge o Diabo disfarçado. Mônica fala em Deus e ele manda não repetir essa palavra. Mônica pergunta se ele é um mágico porque ele apareceu do nada. O Diabo diz que é o príncipe das trevas, o senhor do mal e propõe a ela fama, poder e riqueza. Ela diz em troca de quê e ele diz que bastava ela assinar um papel. Mônica diz que as letras são muito miúdas, que não dá pra ler. O Diabo diz que é para confiar nele, que está escrito que ela vai ganhar muitos brinquedos, riqueza.

Mônica diz que assina, mas antes vai falar com o empresário. O Diabo pergunta quem é e aí surge o Anjinho. O Diabo se assusta e vai embora sem Mônica assinar o papel. No final, Anjinho avisa que ele era o Diabo e ela diz que já sabia, rasgando o papel que era para vender a sua alma e provando que ela só estava se fazendo de desentendida.

Trecho da HQ "Negócios"

Deu pra ver que enquanto a primeira história foi bem simples, a segunda foi bem interessante com Diabo querendo comprar a alma da Mônica. Eles gostavam de criar histórias de Diabo e com esse tema  dos personagens assinarem contrato para venderem a alma para ele. Hoje é altamente incorreto e impublicável, mas na época de tão  comum que saiu em um Gibizinho mais voltado a crianças em fase de alfabetização. Outros tempos.


Gibizinho do Piteco Nº 1

Esse foi primeiro Gibizinho que comprei da série porque estava sendo vendido separado em uma banca. Pensava que até que estavam lançando um gibi mensal do Piteco, só que em outro formato. Só em outro dia que fui descobrir os outros sendo vendidos juntos com esse do Piteco em outra banca e aí fui entender o que era a coleção. 

Esse Gibizinho do Piteco teve 3 histórias no total. A história de abertura foi "Mamãe ursa", com 14 páginas. Um raio cai em cima da caverna do Piteco e destrói tudo. Piteco fica desabrigado e procura outra caverna para ficar. Ele encontra uma, mas tinha um urso morando lá e, com isso, luta com o urso e consegue expulsá-lo a pauladas.

Quando entra na caverna, Piteco vê que tinha 3 filhotes de urso chorando e ele percebe que era uma ursa que estava protegendo seus filhotes. Piteco vai lá fora e encontra a mamãe ursa e a leva de volta para os seus filhotes. Quando ele vai embora, a ursa vai atrás do Piteco e leva para sua caverna, por gratidão. No final, Piteco comenta que é um cara de sorte porque ganhou uma caverna e uma família com casacos de pele e tudo, com os 3 ursos agarrados nele protegendo do frio.

Trecho da HQ "Mamãe ursa"

A seguir vem "Historinha da idade da pedra", com 6 páginas, que mostra esboços de desenhos do Piteco caçando, sendo que o animal dá umas chifradas nele e vai parar dentro do rio e aí é perseguido por um dinnossauro aquático. Chega em casa sem comida nenhuma e a esposa corre atrás dele por causa disso. Então, a gente descobre que os desenhos era de um menino, ancestral do Mauricio de Sousa, que desenhou nas paredes da caverna. Mauricinho pergunta se ele tem sucesso com os desenhos e Piteco diz que vai, nem que demore 6 mil anos para isso.

Trecho da HQ "Historinha da Idade da Pedra"

Termina com a história "Adversários", com 7 páginas, em que mostra o Piteco valente, enfrentando dinossauros, tigres pré-históricos. O narrador comenta que o Piteco é forte, corajoso, destemido, invencível, até que uma mosca o atinge e derruba, terminando ele de cama com a Thuga comentando que as moscas passam uma febre terrível que ninguém aguenta. Ou seja, um ancestral do mosquito da Dengue.

Trecho da HQ "Adversários"

Então, esse Gibizinho privilegiou a característica do Piteco caçador, enfrentando dinossauros e bichos. na primeira história teve uma bonita mensagem de solidariedade, e as outras também simples, mas que mostrou uma versão criança do Mauricio de Sousa e um alerta sobre a Dengue.


Gibizinho do Anjinho Nº 1

A capa apesar de ter a ideia de fazer alusão à história de abertura, mas a cena não aconteceu na história, então foi apenas uma piada em cima da história. A história de abertura foi "Um artista no céu", com 14 páginas. Nela, o Anjinho vê nuvens no céu e resolve fazer esculturas com elas. Faz violão, estrelas, frutas, entre outros e até chega a queimar mãos com raio quando encosta em uma nuvem de chuva. 

São Pedro chama o Anjinho e diz que não gosta das esculturas, mas por ver o Anjinho triste volta atrás e deixa ele fazer as suas esculturas de nuvem. Então, no final, ele faz uma caricatura da Mônica na nuvem. Ela na Terra vê a nuvem com sua caricatura e joga o Sansão no alto e acaba acertando o São Pedro, que fica uma fera, colocando a culpa no Anjinho.

Trecho da HQ "Um artista no céu"

A seguir vem a história "O conselheiro", com 13 páginas, em que o Anjinho tenta dar conselhos a um menino que só sabe fazer maldade e fazer com que ele siga o caminho do bem. O menino amarra latas no rabo do cachorro que estava dormindo e acaba levando uma mordida como castigo. Tenta roubar uma maçã do vendedor português só que acaba caindo tudo no chão e o menino teve que limpar tudo. O vendedor dá um saco de maçãs como pagamento do serviço e ele dá para um mendigo falando que perdeu a vontade de comer maçãs.

Depois procura arrumar briga com o primeiro garoto que vê, mas não sabia que ele era faixa-preta de caratê e acaba levando uma surra. Cansado de sofrer tanto, o menino resolve fazer só boas ações e começa ajudando uma velhinha a atravessar a rua. mas, aí aparece um Diabinho fazendo cara feia, que não é certo ajudar os outros, terminando assim.

Trecho da HQ "O conselheiro"

A primeira história bem simples, com a metade dela muda. Já a segunda mais elaborada, com várias cenas incorretas, principalmente do menino malvado querer amarrar latas no rabo do cachorro. Quis mostrar que fazer coisas ruins pode dar consequências ruins, tudo de forma leve, com direito a um Diabinho no final, querendo desviar o menino do lado bom para dar contraste do bem e do mal. Na época era normal ter histórias do Anjinho protegendo personagens secundários, sem ser as crianças da turminha. Antes qualquer um via o Anjinho, até os adultos. Ele protegia qualquer um. Agora ele só protege as crianças da turminha e só eles o veem.


Gibizinho do Bidu Nº 1

A história de abertura foi "O meu gibizinho", com 14 páginas. Trata-se de uma história especial de "Nº 1", não muito comum nos gibis da MSP, e metalinguagem desse título que estava sendo lançado. Nela, todos os personagens estão reunidos em uma noite de gala para prestigiar o lançamento do 'Gibizinho do Bidu'. Ele é o apresentador agradece a presença de todos, quando de repente aparece o Bugu no alto assobiando e o chamando de lindo e aterriza de para-quedas bem em cima do Bidu. Bugu reclama que não é hora do Bidu dormir e ainda fala que quer fazer alguns de seus números de apresentação e Bidu manda cair fora.

Bugu fala que então não vai mostrar o que tem no envelope. Bidu responde que não é curioso e Bugu vai embora. Só que o Bidu não para de pensar no envelope e o chama de volta, que vem fantasiado de "The Flash". Bugu diz que só mostra o envelope se for o apresentador da festa e Bidu aceita. Bugufaz encenação de Oscar, que logo é cortado pelo Bidu. Logo em seguida, mostra o conteúdo do envelope: era o 'Gibizinho do Bugu'. Com isso, Bidu fica uma fera e corre atrás pelo teatro inteiro, falando que foi longe demais e Bugu manda tchau pra mãe e que fez o comercial dele.

Interesssante eles fazerem essa metalinguagem de lançamento do Gibizinho, não é muito comum história especial de "Nº1". Já fizeram várias "Nº 100" e"Nº 200", mas de primeira edição é raro. Então, se torna uma história especial. Nessa história, o Bidu ficou com medo que o Gibizinho do Bugu fizesse mais sucesso que o dele. `Para constar, nunca teve 'Gibizinho do Bugu', bem que podia ter tido se a série continuasse nesse estilo depois de 1993. 

Trecho da HQ "O meu gibizinho"

A seguir vem a história "O cão mais inteligente do mundo", com 13 páginas. Um menino mostra para ao Franjinha que o seu cachorro Rinti é o mais inteligente do mundo e sabe uma porção de truques. Primeiro, Rinti pega um graveto lançado bem longe, encontra uma bola que estava em uma lata de lixo, salva uma menina que caiu num bueiro com uma corda, derrota os 2 maiores ladrões das histórias em quadrinhos e ajuda uma velhinha a atravessar a rua.

O menino pergunta ao Franjinha o que o Bidu sabe fazer. Franjinha diz que ele é paradão e vai pra casa. Chegando lá, dá bronca no Bidu que poderia parar de mexer no microcomputador e aprender alguns truques.

Como o Franjinha acha que mexer em computador é banal, acha que o Bidu não está fazendo nada demais. O nome desse cachorro fez referência ao famoso Rin Tin Tin. E ainda presença de bandidos tão comum na época, que colocaram tranquilamente no 'Gibizinho'. Hoje impublicável.

Trecho da HQ "O cão mais inteligente do mundo"

Como pode ver, esse título misturava histórias bem simples par acrianças que estavam aprendendo a ler, junto com outras bem maduras, com lição de moral com todas as cenas incorretas comuns em qualquer gibi da MSP. Sem contar os desenhos muito bem caprichados em todas as histórias. Não é a toa que o título virou uma febre na época. Valeu a pena relembrar essas edições nos exatos 25 anos de seu lançamento.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

HQ "O Natal do Capitão Feio"

Mostro uma história de quando um monstrinho de sujeira do Capitão Feio fugiu para poder comemorar o Natal. Foi publicada em 'Gibizinho da Mônica Nº 5' (Ed. Globo, 1991).

Capa de 'Gibizinho da Mônica Nº 5' (Ed. Globo, 1991)

Com 17 páginas no total, no formato gibizinho, começa com o Capitão Feio vendo um monstrinho de sujeira correndo do nada. Capitão Feio vai conferir e pergunta o que ele está fazendo. O Monstrinho responde que está escrevendo uma carta para pedir presente para o Papai Noel e aí o Capitão Feio dá uma bronca nele porque odeia o Natal, que é uma festa cheia de amor, que não está no vocabulário de inimigos públicos como eles. 


O Monstrinho pergunta se nem árvore de Natal pode e capitão Feio dá um berro que não pode. O Monstrinho fica triste, falando que é chato ser vilão que não tem presente, nem árvore e nem Natal e por isso não quer ser mais vilão, que não é nada divertido e sempre perde no final e, então, resolve fugir escondido.


Ele corre e depois descansa em frente a um muro e ouve conversa da Mônica com a Magali, que estavam no outro lado. Mônica pergunta para Magali se ela não vai enjoar do Sansão quando ganhar o ursinho que pediu ao Papai Noel. O Monstrinho chega perto delas e Magali leva um susto, falando que é coisa nojenta. Como o monstrinho estava atrás da Mônica, ela pensa que a Magali estava falando do Sansão. Magali fala que é de quem estava atrás dela. Mônica pensa que é o Cascão, mas quando vê o Monstrinho dá um pulo no colo da Magali. 


Mônica se dá conta que nunca teve medo dos monstrinhos e quando ia dar uma coelhada, ele diz que saiu da Turma do Capitão Feio e desabafa que ser vilão é muito sem graça, não tem Páscoa, festa de aniversário, Natal e que ele quer ganhar presente do Papai Noel, brincar, sorrir e viver emoções maravilhosas. Mônica acha que é um plano do Capitão Feio e manda o Monstrinho ir embora.


Depois que ele sai, surge o Capitão Feio perguntando se elas não viram um monstrinho que fugiu, com ideias subversivas de brincar no Natal e pensava que ele tinha passado para o lado delas. E afirma que vai pegá-lo e dar um castigo. Quando ele vai embora, Mônica comenta com a Magali que o Monstrinho estava falando a verdade. Elas saem para procurá-lo e encontram escondido em uma moita. Mônica diz que vai escrever uma carta para o Papai Noel pedindo um presentão para ele.


O Monstrinho fica feliz, mas dura pouco a felicidade, já que surge o Capitão Feio junto com os monstrinhos para levá-lo de volta para o esgoto. Capitão Feio manda os monstrinhos atacarem e em uma briga com a Mônica, todos são derrubados por ela. 


Mônica bate também no Capitão Feio e então o Monstrinho sente pena deles porque apesar de tudo eles são a sua única família e tem que passar o Natal com eles. Magali pergunta se não vai ser chato e ele diz que não porque eles são as pessoas que ele ama. Deseja um feliz Natal a elas, vai atrás do Capitão Feio, que estava voltando para o esgoto, e dá um superabraço nele com muito afeto, que sensibiliza o Capitão Feio.

No final, com todos de volta ao esgoto, na noite de Natal, o Monstrinho chama o Capitão Feio para participar do amigo secreto, enquanto alguns monstrinhos brincam com seus presentes, todos festejando, assim, o Natal pela primeira vez.


Essa história tem uma bonita mensagem de amar a sua família, mesmo que tenha defeito. Nela, o monstrinho sentimental fez questão de passar o Natal com o Capitão Feio e os outros monstrinhos, mesmo com a ideia do Capitão Feio não comemorar o Natal. No fim, ele acabou sensibilizado, deu um tempo de suas vilanias de sujar o mundo e topou comemorar o Natal como uma família normal, mesmo sendo vilão.


Legal que nessa história, o monstrinho teve seu nome com numeração, nessa ele era o Monstrinho "Seis". Geralmente, os monstrinhos fazem figurações nas histórias, só quando um que tem destaque na trama, que colocavam algum nome. 


Os traços ficaram muito bons e caprichados, até com um detalhe de um ratinho prestes a comer um queijo no primeiro quadrinho. São detalhes que faziam a diferença. Coloquei completa na postagem. E legal nos gibizinhos que os quadrinhos tinham vários formatos diferentes, como círculos e formatos geométricos diferentes do quadrado ou retângulo tradicionais. Em vários momentos encontramos quadrinhos diferentes se adequando a cena. Ficava muito bom.


A capa desse gibizinho ficou muito boa, fez uma piada em cima da história de abertura, com a Mônica ajudando o Capitão Feio a montar a sua árvore de Natal com enfeites de lixo. Os gibizinhos costumavam ter capas com alusão à história de abertura e as vezes criavam uma piada em cima com o tema da história, mesmo que não aconteça tal cena na história, como foi nessa. Mas também tiveram gibizinhos finos com capas com piadinhas como saiam nos gibis convencionais.


Para saber mais detalhes da série "Gibizinho", entre AQUI e AQUI.

E um Feliz Natal a todos!!!