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sábado, 6 de abril de 2019

Um tabloide com Bidu

Compartilho um tabloide em que o Bidu contratou um guarda-costas pra não ter risco de se machucar. Foi publicado em 'Mônica Nº 132' (Ed. Abril, 1981) e depois republicado em 'Coleção Um Tema Só Nº 3 - Cebolinha - Planos Infalíveis' (Ed. Globo, 1993).

Começa com o Duque cumprimentando o Bidu com um tapa nas costas, mas o Bidu estava à beira de um precipício e acaba rolando e se machucando todo ao cair do precipício. Depois, Bidu com corpo todo engessado e imóvel, contrata um guarda-costas para ficar sempre ao seu lado e deixar os seus amigos  longe de distância e não ter risco de se machucar. Porém, uma mosca posa no nariz do Bidu, aí o segurança dá um tapa forte nele para tirar a mosca e acaba o Bidu com a cabeça engessada, inclusive a boca, e o segurança se contentando que o emprego está garantido até o Bidu conseguir falar. 

Muito engraçado esse tabloide, o Bidu com medo de se machucar por causa dos seus amigos contrata um guarda-costas, mas não contava que o próprio guarda-costas iria ser atrapalhado e deixar ficar todo engessado. Os traços muito bons do início dos anos 80, bem parecidos com o que ficou consagrado ao longo da década. Bem interessante que o Bidu não falou nada nessa história e ainda ficou engraçado demais. Os grandes personagens conseguem fazer graça até sem falar nada. Geralmente histórias de 1 página do Bidu eram assim da sua versão agindo como um cachorro mesmo.

Os 2 primeiros quadrinhos achei hilário, já formaria uma tirinha boa isso do Bidu caindo e o Duque lerdo ainda chamá-lo de sem-educação por não ter respondido o cumprimento. E o resto do tabloide foi muito divertido também. Hoje em dia, histórias assim não são publicadas por conta de que não pode ter sofrimento dos personagens. A seguir mostro a história completa. 


quinta-feira, 21 de março de 2019

Capa da Semana: Mônica Nº 155

Hoje, dia 21 de março, é o aniversário da Mônica. Em homenagem uma capa dela em clima de aniversário, com direito a bolo e refrigerante par aos convidados.

Essa foi a edição que a Mônica passou a ter uma data oficial de aniversário e a partir daí todo ano passou a ter histórias de aniversário dela nos gibis do mês de março. Nos gibis da Mônica de 1983, 1984 e 1985 foram de aniversário, ai deram um tempo com isso e aí a partir de 1994 voltaram com histórias de aniversário todo ano, pelo menos na abertura, sendo assim até hoje. E também em 1994 todos os outros personagens principais também tiveram histórias de aniversário todo ano em seus respectivos meses.

A capa dessa semana é de 'Mônica Nº 155' (Ed. Abril, Março/ 1983).


sexta-feira, 15 de março de 2019

Mônica: HQ "O maior mistério da Terra"


Mostro uma história com participação do Pato Donald, em que a Mônica tenta desvendar o mistério de quem mostrou a língua para ela atrás do muro. Com 10 páginas, foi história de abertura de 'Mônica Nº 187' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Mônica Nº 187' (Ed. Abril, 1985)

Nela, Mônica está brincando com o Sansão quando alguém aparece atrás de uma cerca e mostra a língua para ela em um buraco que estava na cerca. Ela fica braba e joga um balde de tinta verde enquanto ele estava com a língua de fora. Mônica vai conferir o outro lado da cerca para ver quem foi que mostrou a língua para ela, mas quando vê, não contava que tinha uma reunião com todos os meninos do bairro e assim não sabe quem foi o linguarudo verde misterioso e faz planos para saber quem foi.


Primeiro Mônica passa a pisar os pés dos meninos, fazendo de conta que foi sem intenção, e ao abrirem a boca mostrando a língua quando gritam, ela vê que não estavam com língua verde. Mônica acha cansativo pisar nos pés dos meninos e como eles já estavam olhando feio para ela, resolve adotar outro método.


Assim, quando o Franjinha estava prestes a iniciar a reunião, Mônica se fantasia de sorveteiro e distribui sorvete para eles, sendo que o sorvete era de cola e ao lamberem o sorvete, ficam a língua grudada e era só ela puxar o picolé para ver quem estava com a língua verde. Franjinha descobre que era a Mônica ao tirar o disfarce dela e pergunta se pretende acabar com a reunião deles, enquanto os outros meninos já estavam com raiva dela.


Mônica tem uma ideia e diz que estava lá para homenageá-los. Um menino pergunta se é a homenagem é pisar nos pés deles ou vender sorvete de cola e Mônica diz que vai deixar todos mostrarem a língua para ela e não vai reagir nem bater em ninguém. Eles acham que é um truque e uma armadilha.

Mônica pede para o Franjinha ser o primeiro a experimentar. Ele fica com medo  a princípio, enquanto os outros meninos incentivam a mostrar a língua, acaba mostrando e vê que não aconteceu nada. Os outros, então passam a mostrar também. O primeiro , além de  mostrar, xinga a Mônica de bobona e dentuça e ela dá um soco tão grande que ele chega a voar longe, falando que é só para mostrar a língua, e não xingar.


Depois, segue tudo tranquilo e todos conseguem mostrar a língua normalmente. Depois de uma hora não tinha mais ninguém, mas ela sente falta do Cebolinha e Cascão. Ela encontra os dois descansando debaixo de uma árvore e pergunta se eles não vão mostrar a língua para ela.

Os meninos falam que estão cansados de apanhar e como os planos nunca dão certo, eles fizeram um trato e nunca mais vão provocá-la, xingar ou mostrar a língua. Mônica dá uma coelhada neles assim mesmo, mostram a língua com a pancada e ela vê que não estava verde. Como não sobrou nenhum outro menino no bairro, acaba não descobrindo quem era o linguarudo verde misterioso.


Na segunda parte da história, é descoberto o mistério. Mônica vai para casa, achando o mistério esquisito e vai para casa , já que estava anoitecendo e estava com sono.  Ela se prepara para dormir, e quando se deita e começa a dormir, ouve um "splash", que era um barulho de uma torneira aberta. Ela vai conferir com uma lanterna no lado de fora da casa.

Chegando lá, ela ouve a pessoa falando que não tinha que andarem histórias que não são deles e que a tinta não queria sair da língua dele enquanto lava a língua na pia. Mônica joga a luz da lanterna para descobrir quem era o linguarudo verde misterioso e, para a sua surpresa era o Pato Donald, que corre quando  ela joga a luz em cima dele, terminando assim.



Muito boa essa história, muito criativa. Legal ver a Mônica tentando descobrir o mistério de quem mostrou a língua para ela pelo buraco da cerca e todos os seus planos para conseguir isso. Engraçado ver a Mônica jogando tinta verde no linguarudo, pisando os pés dos meninos, dando sorvete de cola, além dos meninos mostrarem as línguas para ela sem apanhar. Gostei do narrador-observador do início interagindo e interessante ser dividida em 2 partes, mesmo sendo curta, com a segunda parte sendo a solução do mistério.


O final foi surpreendente, o linguarudo verde misterioso podia ter sido qualquer menino da turma, como o Cebolinha, Cascão, Xaveco, Zé Luís, ou no máximo um secundário da MSP de outro núcleo, mas para surpresa de todos foi o Pato Donald , isso que foi a grande sacada de fugir do óbvio. Interessante a Mônica e os leitores descobrirem isso juntos. E ainda vimos um grande encontro inesperado da Mônica com Pato Donald, universos bem diferentes. 


Acho que criaram a história como uma brincadeira de algo como a revista da Mônica ter vendido mais que a do Pato Donald ou a Mônica ser mais popular que o Pato Donald, aí ele mostrou a língua para a Mônica por causa de inveja. Como na época, eles eram concorrentes e estavam na mesma editora podiam fazer essa brincadeira. Ou então fizeram a história como homenagem a Disney mesmo. 

Já tiveram outras referências a Disney nos gibis da Turma da Mônica, normalmente citações e nomes parodiados, como , por exemplo,  na história "A bruxa que odiava parques" (Parque da Mônica Nº 32 - Ed. Globo, 1995) em que a bruxa destruiu a "Nisdeylandia" (Disneylândia). Crossover também na edição "Você Sabia Nº 8" sobre histórias em quadrinhos (Ed. Globo, 2004), mas, sem dúvida essa história de 1985 é a mais famosa e mais lembrada pelos leitores.


Os traços excelentes, com uma arte-final muito legal, provavelmente do Alvin Lacerda. Na postagem a coloquei completa. De curiosidade, os meninos principais da turma não apareceram na reunião, só figurantes. Apenas Franjinha, que era o líder da reunião, e o Jeremias durante a reunião em um quadrinho, e só no final Cebolinha e Cascão aparecem e nem estavam na reunião. Na parte que a Mônica se fantasia de sorveteiro, lembra os desenhos animados como Pernalonga, Patolino, Tiny Toon, em que os personagens se fantasiavam para enganar os vilões e fazê-los de bobos e, assim outra referência a outros universos.

Tem também absurdos como a Mônica já ter um balde de tinta a disposição dela enquanto brincava com o Sansão e o Pato Donald primeiro aparecer como uma língua normal atrás do muro e depois aparece com sua língua de pato no final, mas são detalhes que não estragam a história e até dão magia em histórias em quadrinhos, que não precisam de tudo explicado.


Atualmente, os quadrinhos Disney voltaram a a circular nas bancas ,agora pela Editora Culturama, após 68 anos ininterruptos pela Editora Abril e 8 meses sem circulação após o fim conturbado na Editora Abril. Desde julho de 2018 que não tinham mais gibis da Disney em circulação nas bancas do Brasil e agora em março de 2019 estão de volta.

Muito bom relembrar essa história com o encontro histórico da Mônica com o Pato Donald. Ela foi republicada depois em 'Almanacão de Férias Nº 9' (Ed. Globo, 1991), onde li pela primeira vez, sendo que as imagens da postagens são do gibi original de 1985. Abaixo, a capa desse 'Almanacão de Férias Nº 9'.

Capa de 'Almanacão de Férias Nº 9' (Ed. Globo, 1991)

segunda-feira, 4 de março de 2019

Cebolinha: HQ "Carnaval! Oba!"

É Carnaval, então mostro uma história em que o Cebolinha, Cascão e Mônica formaram um bloco de Carnaval sem querer. Com 9 páginas, foi publicada originalmente em 'Cebolinha Nº 38' (Ed. Abril, 1976) e republicada em 'Almanaque da Mônica Nº 8 - Especial Carnaval' (Ed. Abril, 1981).

Capa de 'Almanaque da Mônica Nº 8 - Especial Carnaval' (Ed. Abril, 1981)

Nela, Cebolinha e Cascão estão conversando, quando a Mônica chega e bate um tambor bem alto e os meninos se assustam com o barulho. Ela fala para eles se animarem porque era Carnaval e chama para dançar. Cebolinha diz que com ela tocando fica meio difícil e Mônica, com sua autoridade, já quer saber se ele está insinuando que ela não sabe tocar. Cascão tem um pensamento que era verdade isso e Mônica grita com ele se está pensando alguma coisa.


Com muito medo da Mônica, eles falam que foi o melhor "bum-bum-bum" que já ouviram, que foi sensacional e que devia tocar no bloco deles. Mônica pergunta que bloco era, e Cebolinha diz que é o bloco "Vai Quem Quer". Mônica pergunta sobre os estatutos e regras do bloco. Cebolinha comenta apenas que vai quem quer e os instrumentos cada um toca o que quiser e então, Mônica resolve tocar o seu tambor na rua.


Mônica comenta que falta uma coisa. Cascão pergunta se são os tampões de ouvidos e Mônica já grita se ele falou alguma coisa já ameaçando bater. Mônica fala que são as fantasias que estão faltando e Cebolinha pergunta se ela já não estava fantasiada. Mônica deixa passar por ser Carnaval e que o espírito de piada dele estava muito bom, mas ameaça para não se repetir apontando dedo para ele.


Cebolinha diz que cada um se fantasia como quiser e, assim, eles vão se fantasiar. Quando voltam, Mônica vem fantasiada de coelhinha, Cebolinha, dentro de um arbusto, fantasiado como uma plantação de cebola e Cascão, de lata de lixo. Cada um acha graça da fantasia dos outros e depois Mônica pergunta das faixas do bloco. Cascão mostra a faixa "Bloco Vai Quem Quer saúda o público e pede passagem".


Tudo resolvido, eles cantam pela rua a marchinha do Bloco "Vai Quem Quer". O povo que estava na rua gostam da animação das crianças e vão se juntando com eles. Aos poucos, vão juntando cada vez mais gente,  atravessam trânsito e chegam em um desfile de samba e a turma acaba recebendo prêmio de um troféu do prefeito, quando eles percebem que formaram um bloco de Carnaval de verdade de sucesso e muito animado.


Cebolinha mostra o troféu que ganharam para o Cascão, que fica contente e diz para não segurar sem cuidado porque cair e quebrar. Cebolinha diz que não importa porque é Carnaval. Cascão toma a taça da mão do Cebolinha e diz que vai ficar ali parado tomando conta dela. Cebolinha e Mônica vão embora junto com o bloco para se divertirem. Cascão vê de longe todos brincando no bloco e não resiste, joga o troféu no lixo e vai junto com a turma brincar no bloco, terminando assim.


Uma história boa de Carnaval onde é formado um bloco de Carnaval sem querer. Os meninos inventam que eles tinham bloco só para desviar a atenção da Mônica de bater neles por terem insinuado que ela toca mal o tambor e, com a inocência deles vão enumerando aos poucos o que precisa para formar um bloco e acabaram criando um bloco de verdade no bairro do Limoeiro. Deixa uma mensagem no final que não é para se apegar a prêmios materiais e o importante é curtir os momentos com os amigos, no caso curtir o Carnaval junto com o bloco ao invés de ficar cuidado de um troféu. Legal as fantasias dele, hoje em dia nem pensar Cascão vestido de lata de lixo.

Nos anos 70 era tudo espontâneo, com um simples papo, as coisas saiam se desenrolando naturalmente até ver o que aconteceu. Mesmo assim, não ocupavam muitas páginas as conversas dos personagens e as histórias não eram tão longas por causa disso. Depois eles passaram a ser mais objetivos nas histórias, indo direto ao ponto que queriam.


Naquela época a Mônica era bem mais irritada, sem paciência e muito autoritária, qualquer motivo já saía batendo nos outros, como pode notar que ela se incomodou até com o pensamento do Cascão, ou seja, batia nos meninos até se percebia que estava falando mal dela por pensamento. Dessa vez não bateu neles, mas assustou com ameaças se continuasse, sendo bem autoritária.


Os traços bacanas, do estilo dos anos 70. estavam começando a ficar com bochechas menos pontiagudas, mas ainda longe do estilo consagrado. Destaque para Mônica com dentes da frente bem maiores, além dos personagens falando de boca fechada e muitas vezes tinham colorização de tudo de uma mesma cor em alguns momentos como aconteceu coma plateia do desfile, coisa característica em todos os gibis da Editora Abril, não só os Turma da Mônica.


As imagens tirei do 'Almanaque da Mônica Nº 8' de 1981. Falando brevemente desse almanaque tiveram 13 histórias no total entre 1971 a 1977, só que dessas, só 6 foram de Carnaval (incluindo a tirinha inédita) e as outras republicações de histórias normais  de personagens secundários. Na época não tinham histórias suficientes de Carnaval para republicarem, assim mesclaram histórias de Carnaval com normais, a não ser que fizessem histórias inéditas sobre o tema, como fizeram com alguns almanaques temáticos na Editora Abril. Tanto que ainda precisaram antecipar uma de 1977, pois era permitido republicações apenas de histórias de 5 anos para cima, no caso devia ter até 1976.

Depois foi republicada de novo em 'Coleção Um Tema Só Nº 13' (Ed. Gobo, 1996), o que foi uma surpresa, pois não tinham costume de republicarem histórias dos anos 70 na época.. Abaixo, a capa original de Cebolinha Nº 38' de 1976 e esse Coleção um  Tema Só de 1996.

Capa de 'Coleção Um Tema Só Nº 13' (1996)
Capa de'cebolinha Nº 38' (1976)


terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Um tabloide com Anjinho

Posto uma história de 1 página com o Anjinho. É original de um gibi da Editora Abril por volta de 1982 e foi republicada em 'Almanaque do Cascão Nº 10' (Ed. Globo, 1990).

Anjinho não estava conseguindo dormir e então adaptou a sua nuvem em várias formas para ver se sentia mais confortável e pudesse dormir. Chegou até esculpir a nuvem como uma cama de verdade e uma poltrona, só que de tanto mexer na nuvem, acabou fazendo chover e, assim, acabou ficando sem cama e sem dormir para a sua tristeza.

A cama dos anjos são as nuvens e, com, isso, tiveram várias histórias com o Anjinho dormindo nelas e fazendo formatos nas nuvens. Também era comum histórias com ele esculpindo várias coisas em nuvens, como árvores, flores, brinquedos,  e até caricatura da Mônica, não necessariamente para ele dormir, apenas para deixar o céu mais bonito.

Nesse tabloide ele acabou se dando mal no final e, apesar de ser engraçado para os leitores, a MSP evita hoje em dia finais que os personagens se dão mal no final, com situações tristes e, então, esse tabloide não seria aprovado hoje em dia. A seguir, mostro a história completa.


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Rei Leonino: HQ "O roubo dos capacetes reais"


Mostro uma história de quando Rei Leonino precisou desvendar um mistério dos capacetes dos guardas reais desaparecerem de repente. Com 9 páginas, foi publicada em 'Mônica Nº 184' (Ed. Abril, 1985).

Capa de 'Mônica Nº 184' (Ed. Abril, 1985)

Começa com narrador observador apresentando a Floresta do Matão, que estava toda adormecida e que o barulho é quebrado apenas pelas aves noturnas, como corujas, mas que o leitor desconfiar que algo misterioso está prestes a acontecer. Aparece o Palácio Real, onde o guarda estava dormindo imprudentemente e criaturas estranhas invadem o Palácio do Rei Leonino Primeiro e Único. As criaturas saem de lá e o guarda ainda estava dormindo e sonhando, inclusive.


No dia seguinte, Ministro Luís Caxeiro Praxedes descobre algo terrível aconteceu e precisa contar o ocorrido ao Rei Leonino, mas tem medo de como ele vai ficar furioso e ainda contando logo no momento que acorda. Rei Leonino pergunta o que ele está fazendo tão cedo em seus aposentos reais e Luís Praxedes pergunta como ele vai naquela manhã.

Rei Leonino conta que mais ou menos e para contar logo o que quer. Luís Praxedes conta que ladrões estiveram no Palácio durante a noite. Rei Leonino fica furioso e pergunta o que roubaram lá, se foi o tesouro real, as joias da coroa ou o ursinho de pelúcia. Luís Praxedes conta que foram os capacetes reais. Rei Leonino acha uma vergonha os guardas serem roubados e como vão protegê-lo se não cuidam nem de si próprios. Os guardas falam que não foi culpa deles, os ladrões arrombaram os armários e o alojamento fica do outro lado do Palácio.


Um guarda fala que a culpa foi do sentinela da entrada, que estava dormindo na hora. Ele diz que lutou bravamente, mas como eram muitos o levou a nocaute. Os ladrões eram monstros gigantes, mas logo é descoberto que estava mentindo, pois as pegadas que estavam na entrada do Palácio eram pequenas e, assim Rei Leonino ordena que eles organizem uma busca e prendam os ladrões, que é a honra do Palácio que está em jogo.


Luís Caxeiro e os guardas vão atrás dos ladrões e como não tem sucesso, eles vão interrogar todos os súditos do reino, mas acabam todos zombando deles por causa desse roubo, achando que os guardas eram incompetentes. Logo depois, enquanto caminho, eles reparam que aumentou a população de tartaruga no reino e quando Luís Caxeiro vê o casco de uma delas, nota que eram os capacetes dos guardas que elas estavam usando como cascos e, assim, todas as tartarugas são levadas para o Palácio, inclusive o Tarugo que não tem nada a ver com isso.


Rei Leonino fala que as tartarugas vão aguardar julgamento do crime na cadeia. Então, uma tartaruga interrompe e diz que foram elas que foram roubadas, que um misterioso forasteiro invadiu o vale delas enquanto dormiam e roubaram os cascos de todas elas. Quando amanheceu, viram que estavam peladas, tentavam outros vestimentos, mas não adiantavam, até que avisaram que naquele reino os guardas estavam usando os cascos delas como capacetes e as foram lá buscar o que eram delas.

Luis Caxeiro Praxedes interrompe, falando que era uma infâmia e que o Rei Leonino não devia acreditar nelas. Rei Leonino pergunta onde ele mandou fazer os capacetes dos guardas, já que era o encarregado dos uniformes deles. Com a pressão, o ministro confessa que se apropriou dos cascos porque serviam como uma luva como capacetes e ainda eram de graça. Rei Leonino manda soltar as tartarugas e as convidam para ficarem como súditas do reino, mas elas preferem voltar para o vale.


Rei Leonino dá bronca no Luís Caxeiro, que foi ridicularizado, desmoralizado e os guardas desuniformizados por causa da incompetência dele. O ministro sugere que vai providenciar capacetes parecidos com os outros, mas que vai demorar um pouco para chegar. Rei Leonino ordena que ele arrume capacetes provisórios já e, assim, os guardas ficam com capacetes de panelas, e continuam sendo ridicularizados de qualquer forma.


Uma história muito legal e bem bolada, deixa os leitores envolvidos com um mistério do sumiço dos capacetes dos guardas reais, interesse em saber quem foi, por que fizeram isso. É até grande para os padrões da época da Editora Abril, mas como é tão bem roteirizada, que chega a ser envolvente e nem percebe que tem 9 páginas.


Legal ver as tartarugas sem casco e colocando folhas e flores pra se cobrirem, assim como as desculpas dos guardas pra justificar o roubo dos capacete se as broncas do Rei Leonino para o Luís Caxeiro Praxedes, sempre rendiam boas histórias. Teve absurdo das tartarugas não verem seus casacos sendo tirados pelo Luís Caixeiro, iam acordar com o movimento, mas por ser histórias em quadrinhos, é válido e fica mais interessante. O narrador observador contando a história no início sempre fica legal esse recurso. Curioso a Coruja falar "Bidu" no início da história, mas foi como para interagir com o narrador, no sentido de que ele adivinhou.


Gostei também do termo "Floresta do Matão" onde a Turma da Mata vive, mas esse nome não seguiu adiante, ficou só nessa história. Bem que podiam ter mantido esse nome para o lugar que eles vivem, ou terem inventado outro depois. Impublicável hoje em dia, justamente por ter esse tema de roubo e ladrões fora o maltrato aos animais, com tartarugas tendo seus cascos tirados à força, e também um personagem fixo ser o vilão e ladrão da história, no caso o Luís Caxeiro Praxedes. E mais uma vez "Droga!" sendo falado livremente sem paranoia nenhuma como é hoje em dia.


Os traços muito bons, já na versão clássica dos personagens consagrada dos anos 80. Interessante que o Coelho Caolho ficou com roupa vermelha ao invés da amarela tradicional. Gostava também do recurso das cores em tons azuis quando os personagens pensavam ou mostrava algo que aconteceu no passado. 

Foi republicada em 'Almanaque do Chico Bento Nº 12' (Ed, Globo, 1990), que foi de onde eu tirei as imagens da postagem. Abaixo, a capa desse almanaque:

Capa de 'Almanaque do Chico Bento N 12' (Ed. Globo, 1990)


segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Cascão: HQ "É hoje!"

Compartilho uma história de quando o Cascão apostou que ia tomar banho no último dia do ano. Com 8 páginas no total foi história de abertura publicada em 'Cascão Nº 36' (Ed. Abril, 1983)

Capa de 'Cascão Nº 36' (Ed. Abril, 1983)
Começa a turma toda acordando empolgada por ser o último dia do ano. E ao mesmo tempo, Cascão fica desesperado por ser o último dia do ano. A mãe do Cascão, Dona Lurdinha, ouve uns gritos no quarto dele e quando entra lá vê o filho debaixo da coberta, tremendo na cama e temperatura quente e resolve chamar um médico.


Cascão sai da coberta comentando pra si mesmo que ele não pode ficar na cama, se os amigos encontrarem lá está perdido e precisa cair fora. Ele tenta fugir pela janela, mas todos eles já estavam do lado de fora esperando sair. Cascão resolve então fugir pela porta e Cebolinha já estava lá com um papel assinado pelo Cascão.


Cascão pergunta se Cebolinha vai levar a sério o que uma criança escreveu no papel e que escreveu em uma hora de desespero há 3 meses. Cebolinha lembra que o Cascão perdeu todas as figurinhas naquele dia e, como uma última chance, Cascão assina um papel que ia tomar banho no último dia do ano se perdesse as figurinhas em mais uma jogada. Acaba Cascão perdendo de novo quando o Cebolinha bate todas as figurinhas de uma só vez e passados os 3 meses a turma vai cobrar a aposta do banho no último dia do ano.


Todos carregam o Cascão e desejam jogá-lo no rio. Cascão interrompe e avisa que pode tomar banho no rio sozinho sem precisar da ajuda deles. Então, Cascão mergulha em direção ao rio. nessa hora, tem o suspense se o Cascão ira tomar banho, se aguentará o impacto da água e qual o futuro dele e a resposta seria no próximo quadrinho.


Há um barulho de que caiu na água e Cascão vai falando que a água está uma delícia, não sabia que era tão bom e faz umas onomatopeias de que estava nadando. A turma estranha, Mônica arranca o arbusto que estava na frente do rio e encontra o Cascão na beira  do rio com uma megafone falando aquilo tudo.  

A turma fala que agora o Cascão vai cair no rio mesmo na marra. Todos seguram à força quando ele tenta fugir e a turma acaba jogando o Cascão para o alto para ele cair depois na água. Quando cai, todos fotografam, cada um com suas câmeras, e ficam muito felizes, que vão guardar as fotos para sempre e que nunca teve um final de ano tão maravilhoso enquanto Cascão fica se afogando no rio.


No final, depois de todos irem embora, é revelado que não era o Cascão que caiu no rio, e, sim, o seu anjo da guarda, que trocou de lugar na hora que subiu ao ser levantado pela turma. Cascão em cima de uma nuvem agradece e fala pra ele que foi um verdadeiro anjo enquanto que o anjo fala pra não prometer mais uma coisa dessas.


História muito legal e engraçada, com Cascão tentando driblar a turma para não tomar banho no último dia do ano depois de uma infeliz aposta de figurinhas. Gostava de histórias assim, de ver as artimanhas que o Cascão fazia para escapar, muitas vezes precisando apelar para os absurdos para não tomar banho. Dessa vez foi o seu próprio anjo da guarda que o ajudou. Muito bom.


O início da história muito engraçado, primeiro com o mistério no ar por que a turma estava empolgada e por que o Cascão desesperado por ser último dia do ano e as tentativas do Cascão para fugir e depois tudo é desvendado, bem explicado. Sensacional a parte do narrador dando um suspense antes do Cascão mergulhar. Normalmente aconteceria em uma segunda parte da história, mas como era curta e não tinha, aí colocaram sequência já no quadrinho seguinte.

Os traços muito bons, eles já estavam com o estilo que ficou consagrado nos anos 80. Engraçadas as caras deles, tanto da turma aprontando com o Cascão, quanto ele desesperado com a situação que ele mesmo criou. Eles faziam bastante histórias de Ano Novo com o Cascão, até por conta dessa brincadeira de resolução para tomar banho que se encaixava bem com ele. Hoje em dia, não tem mais histórias de Ano Novo com nenhum personagem. 


Infelizmente histórias assim não tem mais hoje em dia. Na época era só uma coisa engraçada com a característica do Cascão, hoje interpretam como bullying por parte da turma de forçar o Cascão a tomar banho sem querer e aí evitam isso hoje. Outra parte incorreta seria a palavra "Droga!", que hoje mudariam para "Bolas!" ou outra coisa qualquer. Interessante como eles falavam bastante "Droga!" nos gibis antigos quando estavam com raiva.

Muito bom relembrar essa história, que completa exatos 35 anos. Foi republicada depois em 'Almanaque do Cascão Nº 16' (Ed. Globo, 1991) e também em vários almanaques de Natal. Deixo aqui a capa desse almanaque de 1991, que foi onde eu tirei as imagens da postagem.

FELIZ ANO NOVO!!!

Capa de 'Almanaque do Cascão Nº 16' (Ed. Globo, 1991)